Coisas de Finlândia #3

E mais um post falando de algumas coisas que me chamam atenção aqui neste país nórdico. Clique aqui e aqui para ver os dois primeiros posts.

  • Professor é profissão respeitada e disputada. Todo mundo já deve ter ouvido falar da fama que o país tem como o melhor do mundo em educação. Se isso é verdade mesmo ou não, há controvérsias, mas o que importa é que a profissão é muito valorizada. Para se ter uma ideia, a Faculdade de Educação da Universidade de Oulu é a que mais recebe inscrições, mais que a de Medicina, Engenharia ou Direito, e apenas de 5 a 10% dos inscritos conseguem uma vaga. Aí fico eu imaginando quantas e quantas vezes o seguinte diálogo aconteceu na minha vida:
    “Onde você estuda?”
    “Na USP.”
    “Que legal! Muito bom! O que você faz lá?”
    “Letras”
    “Err… você quer ser professora?” (ar de desdém nesta última frase).
    Mas apesar de ser uma das profissões de mais prestígio, o salário não está entre os mais altos e para os padrões finlandeses, é um salário apenas razoável. Ou seja, não importa o país nem o motivo, mas ninguém quer se tornar professor para ficar rico mesmo.
  • Aqui tem um “doce” que é preferência nacional, o tal do salmiakki. No meu primeiro dia de orientação, estava no auditório da universidade quando passaram um saco de doces, peguei alguns e fui chupando até chegar numa balinha preta que cuspi imediatamente depois de por na boca e fiquei me perguntando como aquilo tinha ido parar num saco de guloseimas. Depois descobri que o salmiakki é feito de amônia e tem de tudo feito com ele: sorvete, bala, chocolate e até coquetel com o bendito. Quer um conselho? Se vier a Finlândia, não coma nenhum docinho preto.
    Disso pra pior
    Disso pra pior

     

  • Não sei se é somente com a minha operadora, a DNA, mas toda vez que o celular é desligado, ao ligá-lo novamente sempre preciso desbloquear o chip com uma senha que vem com ele. Mas eu só descobri isso na primeira vez que aconteceu e eu estava na rua e não fazia ideia disso! Hoje já sei a bendita de cor.
  • Quando recebo pacotes,  o correio não entrega na minha casa. Qualquer envelope é colocado na minha caixa de correio normalmente, mas no caso de encomenda eu recebo um aviso e preciso ir até o correio da minha região com meu passaporte para retirá-la. A sorte é que o tal correio fica a 2km da minha casa e dentro de um supermercado, então acaba até sendo uma desculpa para fazer as compras da semana.
  • Quando começou a esfriar um pouco mais, já em outubro, eu comecei a ver gorros e luvas pendurados em cercas e me perguntava o motivo. Pouco depois, tudo ficou claro: é muito comum as pessoas deixarem principalmente luvas caírem sem notar, aí quem vê alguma pelo chão, pendura num lugar mais alto para caso a pessoa voltar, enxergar facilmente. E sério, em todo lugar você vê uma luva pendurada esperando pelo dono, até mesmo dentro do prédio da universidade. Por causa desse hábito, eu já achei a luva e o antiderrapante (acessório que se poe no calçado para não escorregar no gelo) perdidos das minhas flatmates porque estavam pendurados por aí.
    Esta luva está aí há semanas esperando seu dono
    Esta luva está aí há semanas esperando seu dono

     

  • Aqui quase tudo é reciclado, mas para as latinhas de alumínio e garrafas plásticas em geral tem um incentivo extra: elas valem dinheiro. No começo, eu achava que você, de fato, ganhava aqueles centavos ao devolver a lata, mas depois de dar uma olhada mais atenta a nota fiscal do mercado vi que não é bem assim que funciona. Se a lata de cerveja, por exemplo, custou 1 euro, vem discriminado na nota que, na verdade, a cerveja custou 85 centavos e outros 15 são da latinha, então você só pega o valor de volta. Em todos os mercado tem um coletor de latas e garrafas, então é só devolvê-las e a máquina emite créditos que podem ser usados para compras naquele mercado. Geralmente, latinhas valem 15 centavos, garrafas pequenas, 20 e garrafas grandes, 40.
    Onde devolver as latinha
    Onde devolver as latinhas

     

  • E assim como em muitos países, as sacolas de mercado não são gratuitas, mas diferente do que costumava ver na Irlanda, por exemplo, aqui as pessoas não costumam ir ao mercado com sua sacola reutilizável, elas compram as sacolas e pronto! Sempre vejo pessoas pegando sacolinhas para levar as compras pra casa.

E para terminar, mais uma sobre o salmiakki, esse tal “doce” que só os finlandeses são capazes de apreciar!

Prazer, salmiakki
Prazer, salmiakki
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8 comentários sobre “Coisas de Finlândia #3

  1. Cely

    Bia!!!! O Doce é feito de amônia?? Nao entendi!!! Amônia não é aquela substância quimica que serve para relaxar/alisar os cabelos??? Rss

    1. Bia

      É algo a partir de amônia, mas eu não sei explicar bem o que é, só sei que é ruim demais. Dizem que é um gosto adquirido, mas acho que só nascendo finlandês pra gostar disso!

  2. O doce não é feito de alcaçuz (liquorice)? É um ingrediente muito comum usado pra doces na Europa e na América do Norte, que eu não sei como alguém pode gostar, é completamente nojento hahaha. E o negócio do chip do celular não é só o seu, meu chip da Orange aqui na Espanha também, quando desligado o cel ele só abre com o PIN, bom pra segurança, péssimo pros desavisados 😛

    1. Bia

      Isso, mas é salty liquorice e tem um gosto terrível. Quanto a amônia, é tipo um composto dela (eu não manjo nada de química, mas que na embalagem tá escrito amônia, tá!).
      Então o chip não trava só aqui! Na Irlanda e Reino Unido sei que é como no Brasil, nada de senha de desbloqueio.

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