Coisas de Finlândia #1

Apenas algumas observações minhas sobre as diferenças culturais e peculiaridades deste país nórdico. Ou, pelo menos, de Oulu.

  • Todos os acessos ao exterior de casas e prédios têm duas portas. A entrada do meu apê tem duas portas. Todas as entradas da universidade têm uma porta separada da outra por cerca de 1-2m. Todos os estabelecimentos comerciais também. E por que isso? FRIO. Ninguém quer que o ar frio do inverno entre, então ter um sistema com uma porta, um pequenino hall e outra porta ajuda a manter o interior aquecido.
A "porta dupla" na universidade
A “porta dupla” na universidade
  • As paredes aqui são muito grossas, principalmente as que dão para o exterior das construções. O R., que é arquiteto, me disse que no Brasil as paredes costumam ter 15cm de espessura. Eu fiz questão de medir aqui e a parede que separa meu quarto do mundo exterior tem o dobro, 30cm. Por que? FRIO.
  • As janelas têm 3 camadas de vidro! Tem uma primeira camada mais fina com um vidro só e uma segunda camada com vidro duplo. Acho que você já deve imaginar o motivo, mas se não… FRIO.
  • Os finlandeses ainda se sentem muito confortáveis numa temperatura de 0 grau e, em sua maioria, estão usando roupas que paulistanos usariam quando a temperatura cai pra 16 graus em São Paulo. Afinal, pra eles, 0 grau é aquele tempo fresquinho.
  • Há todos os tipos de leite possíveis e imagináveis no mercado e eu só não vou descrever todos porque, bem, tá em finlandês e eu não entendo tudo. Eu sei que leite integral é meio difícil de ser visto, o mais comum é o desnatado. Tem leite sem lactose (que eu comprei uma vez achando que era desnatado e tinha gosto de água suja) e ele custa o mesmo que os outros leites. Tem um tal de leite azedo, o piimä, que eu ainda não tive vontade de experimentar. Enfim, uma nação que ama leite.
  • Tanto ama que bebe nas refeições. Eu já tinha visto criança beber leite no almoço e jantar nos EUA e na Irlanda, mas aqui até adulto faz isso. Minha flatmate finlandesa faz também, já vi.
  • E apesar de beberem tanto leite – um finlandês bebe, em média, 140 litros por ano – cerca de 17% da população é intolerante a lactose…
  • E por isso é muito comum ver produtos sem lactose em restaurantes e mercados. Eles tem o Hesburger, que é o “McDonald’s finlandês” e achei incrível quando fiquei sabendo que eles vendem lanche sem lactose!
  • As crianças são educadas para serem muito independentes desde cedo e não é difícil ver uma criança de 6 anos sozinha andando ou pedalando indo para a escola. Já vi várias crianças sozinhas na rua!
  • Confiança. Aqui minha impressão é que eles sempre vão acreditar na sua honestidade até que se prove ao contrário e vejo isso nos mais diversos contextos. Na faculdade, um prédio enorme  e cheio de gente circulando o dia todo, tem racks para os alunos pendurarem seus casacos, gorros, luvas etc e não precisarem ficar carregando toda essa roupa de uma aula pra aula. O mais incrível é que quando você voltar, seus pertences estarão lá. Eu posso entrar na biblioteca com minha mochila e eu mesma posso fazer o empréstimo dos livros, sem ninguém me fiscalizando – claro que imagino que as portas tenham algum sensor, mas nunca testei… hehe…
Pode deixar o casaco aí sem se preocupar...
Pode deixar o casaco aí sem se preocupar…
  • No mercado, praticamente todas as frutas e legumes são vendidos por quilo. Você coloca a quantidade que quer dentro de uma sacolinha, põe numa balança e aperta o número correspondente àquele item. A balança imprime uma etiqueta e você cola na fruta ou na embalagem. A questão é… e se você pesar 3 bananas e depois colocar mais uma? Se você colocar o código de uma fruta mais barata? Claro que na etiqueta também está escrito o nome do produto, mas enfim… estaria eu usando muito minha desconfiança de brasileiro?
Bannani
Banaani – Aqui a expressão “preço de banana” não tem o mesmo significado…. haha…

Algo te surpreendeu?

 

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11 comentários sobre “Coisas de Finlândia #1

  1. O interessante é que o certo seria não estranharmos uma sociedade justa e honesta, mas por viver tanto tempo em uma comunidade completamente oposta ficamos surpresos com povos que acreditam nas pessoas.

    Esse caso da balança é um ótimo exemplo. Um espertinho, possivelmente brasileiro, certamente iria querer levar vantagem e pesar X e levar Y. É claro que espertinhos existem em todas as culturas, mas fico triste em pensar que o certo e honesto sejam características que causem espanto… não deveria ser assim.

      1. Pois é… como é triste perceber que essa parte tão ruim do ser humano está tão enraizado nas pessoas que acaba até se tornando parte integrante da cultura da nação… sabe… como algo endêmico e crônico, quase que genético.

    1. Bia

      Isso nunca me chamou atenção na Irlanda. Aqui chamou porque até mesmo nas casas é tudo nesse esquema de porta e janela com camadas. Até a porta que dá pra sacada do atê é dupla.

    1. Bia

      Uma rápida pesquisa no Google me disse que brasileiro bebem mais: 161 litros por ano! Mas gente, aqui vejo finlandês bebendo leite como se fosse água e a maioria dos adultos brasileiros que conheço nem de leite gosta!

  2. Adoro esses posts sumarizados em itens, ainda mais falando de curiosidades. Acho essas diferenças tão, mas tão legais! Saber dos hábitos das pessoas mundo afora e como elas se viram no dia a dia é sempre muito interessante, né?

    Esse lance de arquitetura também pega aqui na Irlanda. Tenho amigos do CsF estudando aqui, e eles estão até um pouco preocupados com o que vão conseguir aproveitar do que aprenderam aqui, devido a essa diferença nas construções. E deve ser ainda mais discrepante aí.

    Sobre o lance da confiança o Verena já falou tudo. Só encarno o John Lennon e espero não ser só um sonhador pra ver essas coisas serem comuns também no nosso país.

    Leite? Tenho intolerância a lactose, então aqui só “água suja” mesmo, hehe!

    1. Bia

      Sua intolerância a lactose é levada em consideração aqui. A Finlândia é um país bem friendly para os intolerantes, já que absolutamente tudo tem um versão sem lactose.

  3. Aqui na Espanha, as frutas e verduras são pesadas exatamente do mesmo jeito em alguns mercados! Você põe na balança, escolhe o número, sai a etiqueta e pronto. Eu acho muito bacana essa “auto-suficiência”, que com certeza não funcionaria no nosso Brasil, infelizmente. Adorei o lance dos casacos! Aquelas bolsas jogadas no chão tão me dando uma agonia tremenda hahaha nossa desconfiança brasileira tá no sangue 😛

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