Comidas típicas finlandesas

A culinária finlandesa não é exatamente famosa no mundo, mas tem lá seus charme e peculiaridade. Algumas comidas são bem saborosas, mas confesso que outras não animam muito um paladar brasileiro. Neste post vou listar alguns pratos e guloseimas finlandeses que já tive a oportunidade de experimentar.

Pulla

Pulla é um pãozinho levemente doce e pode vir em vários formatos, sendo o redondinho o que mais vejo, e pode ter “cobertura”, como açúcar, canela, geleia, creme. Pulla está para os finlandeses como o pão francês está para os brasileiros e é o que vão te servir num lanchinho da tarde, por exemplo. Eu acho bem gostosinho.

Pulla com chá
Pulla com chá

Sopa de ervilha

Não é algo assim tão peculiar, né? Mas a sopa de ervilha é muito tradicional no país, a única diferença é que normalmente tem pedacinhos de carne de porco e é tão popular que se vende enlatada até.

Minha primeira sopa de ervilha finlandesa
Minha primeira sopa de ervilha finlandesa

Pão de queijo

Sim, eles também têm pão de queijo, o leipäjuusto, mas é completamente diferente do nosso. Eu comi em uma das minhas visitas a kummi family e apesar de não ter amado, também não posso dizer que é ruim. É um pedaço de queijo cremoso que é assado e solta um creme levemente doce.

Foto do Google, já que eu não tenho nenhuma!
Foto do Google, já que eu não tenho nenhuma!

Sopa de salmão

Um país com tantos lagos tinha que ter pratos típicos com peixe, não é? A sopa de salmão com batatas é bem tradicional também e muito gostosa.

Yummy! Foto do BuzzFeed
Yummy! Foto do BuzzFeed

Churrasco

Esqueça tudo que você conhece sobre churrasco, pois por estas bandas ele é completamente diferente! Churrasco finlandês é basicamente linguiça/salsicha assada no fogo!

20160228_153027

Piparkakku

Ou biscoitinhos de gengibre com canela que eu ADORO! Infelizmente, este é um biscoito típico de Natal, então não posso comer o ano todo. É uma delícia! A tradição é decorá-los ou fazer casinhas, assim como os americanos fazem.

Imagem do Google
Imagem do Google

Riisipiirakka

Tenho mixed feelings pelas tortinhas de arroz. Elas não são doces nem salgadas e nem exatamente saborosas, mas é algo que dá para comer e gostar.

Ame ou odeie, não tem meio-termo
Ame ou odeie, não tem meio-termo

Carne de rena

Pelo que notei, não é algo que eles comem todos os dias, até porque a carne de rena é relativamente cara, mas está longe de ser algo exótico. Eu experimentei e achei bem saborosa.

Almôndegas de rena com legumes
Almôndegas de rena com legumes

Estes são alguns dos pratos típicos. De forma geral, a comida finlandesa é meio simples, sem muito tempero. Por algum motivo que eu ainda não descobri, os finlandeses incluem pão e leite em todas as suas refeições, ou seja, além do prato de comida, sempre há uma fatia de pão e a bebida é leite. Aliás, falando em pão, eles têm milhares de pães diferentes e o corredor de pães do mercado tem tantas e tantas opções que é difícil escolher. Além disso, basicamente qualquer alimento tem a opção sem lactose, já que a incidência de intolerância a lactose é muito alta no país.

É claro que mesmo morando na Finlândia, eu acabo não tendo a oportunidade de comer tudo que eles comem diariamente porque eu não moro com uma família finlandesa e tendo a opção de comprar o que quiser no mercado, eu tendo a escolher os produtos que mais se assemelham aos que estou acostumada a comer no Brasil. Felizmente (ou não), ainda tenho quase um ano para poder experimentar outros pratos finlandeses ainda não desbravados!

Coisas de Finlândia #3

E mais um post falando de algumas coisas que me chamam atenção aqui neste país nórdico. Clique aqui e aqui para ver os dois primeiros posts.

  • Professor é profissão respeitada e disputada. Todo mundo já deve ter ouvido falar da fama que o país tem como o melhor do mundo em educação. Se isso é verdade mesmo ou não, há controvérsias, mas o que importa é que a profissão é muito valorizada. Para se ter uma ideia, a Faculdade de Educação da Universidade de Oulu é a que mais recebe inscrições, mais que a de Medicina, Engenharia ou Direito, e apenas de 5 a 10% dos inscritos conseguem uma vaga. Aí fico eu imaginando quantas e quantas vezes o seguinte diálogo aconteceu na minha vida:
    “Onde você estuda?”
    “Na USP.”
    “Que legal! Muito bom! O que você faz lá?”
    “Letras”
    “Err… você quer ser professora?” (ar de desdém nesta última frase).
    Mas apesar de ser uma das profissões de mais prestígio, o salário não está entre os mais altos e para os padrões finlandeses, é um salário apenas razoável. Ou seja, não importa o país nem o motivo, mas ninguém quer se tornar professor para ficar rico mesmo.
  • Aqui tem um “doce” que é preferência nacional, o tal do salmiakki. No meu primeiro dia de orientação, estava no auditório da universidade quando passaram um saco de doces, peguei alguns e fui chupando até chegar numa balinha preta que cuspi imediatamente depois de por na boca e fiquei me perguntando como aquilo tinha ido parar num saco de guloseimas. Depois descobri que o salmiakki é feito de amônia e tem de tudo feito com ele: sorvete, bala, chocolate e até coquetel com o bendito. Quer um conselho? Se vier a Finlândia, não coma nenhum docinho preto.
    Disso pra pior
    Disso pra pior

     

  • Não sei se é somente com a minha operadora, a DNA, mas toda vez que o celular é desligado, ao ligá-lo novamente sempre preciso desbloquear o chip com uma senha que vem com ele. Mas eu só descobri isso na primeira vez que aconteceu e eu estava na rua e não fazia ideia disso! Hoje já sei a bendita de cor.
  • Quando recebo pacotes,  o correio não entrega na minha casa. Qualquer envelope é colocado na minha caixa de correio normalmente, mas no caso de encomenda eu recebo um aviso e preciso ir até o correio da minha região com meu passaporte para retirá-la. A sorte é que o tal correio fica a 2km da minha casa e dentro de um supermercado, então acaba até sendo uma desculpa para fazer as compras da semana.
  • Quando começou a esfriar um pouco mais, já em outubro, eu comecei a ver gorros e luvas pendurados em cercas e me perguntava o motivo. Pouco depois, tudo ficou claro: é muito comum as pessoas deixarem principalmente luvas caírem sem notar, aí quem vê alguma pelo chão, pendura num lugar mais alto para caso a pessoa voltar, enxergar facilmente. E sério, em todo lugar você vê uma luva pendurada esperando pelo dono, até mesmo dentro do prédio da universidade. Por causa desse hábito, eu já achei a luva e o antiderrapante (acessório que se poe no calçado para não escorregar no gelo) perdidos das minhas flatmates porque estavam pendurados por aí.
    Esta luva está aí há semanas esperando seu dono
    Esta luva está aí há semanas esperando seu dono

     

  • Aqui quase tudo é reciclado, mas para as latinhas de alumínio e garrafas plásticas em geral tem um incentivo extra: elas valem dinheiro. No começo, eu achava que você, de fato, ganhava aqueles centavos ao devolver a lata, mas depois de dar uma olhada mais atenta a nota fiscal do mercado vi que não é bem assim que funciona. Se a lata de cerveja, por exemplo, custou 1 euro, vem discriminado na nota que, na verdade, a cerveja custou 85 centavos e outros 15 são da latinha, então você só pega o valor de volta. Em todos os mercado tem um coletor de latas e garrafas, então é só devolvê-las e a máquina emite créditos que podem ser usados para compras naquele mercado. Geralmente, latinhas valem 15 centavos, garrafas pequenas, 20 e garrafas grandes, 40.
    Onde devolver as latinha
    Onde devolver as latinhas

     

  • E assim como em muitos países, as sacolas de mercado não são gratuitas, mas diferente do que costumava ver na Irlanda, por exemplo, aqui as pessoas não costumam ir ao mercado com sua sacola reutilizável, elas compram as sacolas e pronto! Sempre vejo pessoas pegando sacolinhas para levar as compras pra casa.

E para terminar, mais uma sobre o salmiakki, esse tal “doce” que só os finlandeses são capazes de apreciar!

Prazer, salmiakki
Prazer, salmiakki

Sete meses em Oulu

Tenho a impressão que toda semana escrevo post de “mesversário” em Oulu! O tempo voa quando a gente está até o pescoço com coisas pra fazer, não é? Sete meses sem pão francês, canjica e bisnaguinha com requeijão.

  • Alunos e professores do meu mestrado se reuniram num frio e ensolarado sábado à tarde para prática de esportes de inverno. Se algum finlandês falar que vai esquiar, esqueça as montanhas e as descidas de ski! Aqui se pratica o cross country skiing, que nada mais é do que deslizar na neve em um lugar plano.
Tipo isso!
Tipo isso!

Eu não sou fã de ski, então fiquei descendo as montanhas de neve no sledge mesmo. 🙂

  • Fiquei 9 dias fora no Reino Unido aproveitando a winter week e foi muito bom para relaxar um pouco e esquecer um pouco do trabalho e do mestrado. Voltei mais cansada do que fui, claro, mas valeu cada minuto.
  • Já estou preparando a renovação do meu visto para o segundo ano de mestrado. O processo todo é muito parecido com a solicitação do primeiro visto, mas ao invés de ir na Embaixada, como já estou na Finlândia só precisarei comparecer na polícia com horário marcado e os documentos originais.
  • Eu muito exaltei o inverno finlandês aqui e aqui. E não é que não é mais lindo, mas eu não aguento mais ver branco e neve todo dia em todo lugar! Nem estes 9 dias fora sem neve foram suficientes para voltar a achar neve legal. Já vamos aí pra 4 meses ininterruptos de neve acumulada – só pra constar, reza a lenda que o inverno dura 3 meses.
  • E aí, este semana, quando todo mundo achava que a primavera ia engatar – uma semana inteira com temperaturas acima de 0, neve derretendo loucamente, partes de grama sendo avistadas, passarinhos cantando e o sol saindo todo dia – voltou a nevar na velocidade 5 e em 2 dois caiu uns 5cm.
That's the feeling! Retirado da página do Facebook do Funland
That’s the feeling! Retirado da página do Facebook do Funland
  • Uma noite eu estava no meu quarto, sentada no meu sofá usando meu laptop, como de costume. Senti meu sofá tremendo, ouvi a janela batendo e 5 segundos depois tudo se acalmou e eu achei que tivesse tido uma alucinação. Aí fiquei sabendo que não fui a única e descobri que vivi um terremoto! Calma, não tem terremoto na Finlândia, o que sentimos foi um reflexo de um terremoto de 4.1 na escala Richter que ocorreu a uns 100km daqui, na costa da Suécia. Quem diria?
  • Num domingo, quando supostamente a primavera começou (e fez -10 graus), eu estava no meu quarto e vejo pela janela dois meninos andando na rua vestidos de bruxa. Achei estranho, não é Halloween, né? E nem no Halloween eu vi isso, pra falar a verdade. Aí descobri tudo! Aqui há uma tradição que no domingo antes da Páscoa, crianças se vestem de bruxas para celebrar o início da primavera. Elas vão de porta em porta para “abençoar” a casa em troca de doces, meio parecido com Halloween mesmo. Interessante, não? Leia mais aqui, em inglês.
  • Eu engordei incríveis 4kg nestes 7 meses, a maior parte deles depois que o invernão começou. Aí entra uma série de fatores: eu fui de praticar kung fu e fazer muita caminhada no Brasil a uma vida sedentária – com a chegada do inverno, apesar de eu não parar de pedalar, eu só pedalo distâncias de no máximo até 2km com frequência, o que não conta muito. Eu passei a cozinhar por hobby e, bem, eu como tudo que faço. E, isso é dedução minha (se alum entendido ler isso e puder opinar, agradeço), acredito que meu metabolismo desacelerou para poupar energia por conta do inverno. O resultado eu vejo na balança. :/
  • Por conta disso, resolvi fazer dieta e voltar a praticar exercícios. Comecei a correr aproveitando aquela semana que a neve derreteu das vias e o asfalto voltou a ficar visível. Lembrando que é só eu sair do prédio e já posso sair correndo, porque Oulu é praticamente um parque com casas. Só que aí nevou de novo, cobriu tudo de neve de novo e eu estou esperando derreter pra voltar a correr. Sorte, me desejem sorte.
  • Ando tendo umas homesick. Nada sério, nada pra querer cortar os pulsos. Só que é nessas horas que eu vejo que adoro viajar, morar fora, conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes, mas eu também acho um máximo voltar. E questiono se eu conseguiria, de fato, imigrar de vez.
  • Eu escrevi um guest post no Partiu Intercâmbio, um blog com muitas dicas de como morar fora em geral. Leia meu artigo aqui!

Força que desta vez o intercâmbio não dura só um ano! E para terminar, um vídeo mostrando o centro de Oulu. 🙂

 

Kummi Family

Independente do motivo que escolhemos para ir morar fora, queremos entender um pouco da cultura daquele local e, quem sabe, até fazer parte dela em algum momento. Nos Estados Unidos eu era au pair, morava com uma família americana e aprendia todos os dias um pouco da cultura e religião deles, que eram judeus. Uma experiência ótima e certamente aprendi muita mais que inglês com eles. Na Irlanda, eu trabalhei como babá para duas famílias e embora eu não tenha morado com nenhuma delas, eu passava boa parte do meu dia com as crianças da segunda família, os loirinhos (aliás, eles ganharam uma irmã, agora tem uma loirinha!) e conversava bastante com a B., mãe deles e, de certa forma, também pude aprender mais com nativos sobre a cultura irlandesa. Aqui na Finlândia minha situação é bem diferente, pois como estudante em tempo integral não tenho tempo para arranjar emprego de babá, por exemplo, e ter a chance de conviver diariamente com uma família finlandesa. É claro que tenho amigos finlandeses, mas não convivo com eles o suficiente para dizer que aprendo a cultura plenamente, então, para preencher essa lacuna eu resolvi me inscrever num programa da universidade que visa a troca cultural entre uma família finlandesa e um aluno internacional, o kummi family (família tutora).

A ideia é bem simples: famílias e alunos se inscrevem na universidade e as famílias escolhem um aluno, com quem devem passar algum tempo em atividades diversas. O programa é gratuito e não há nenhuma obrigatoriedade de nenhuma das partes em estar sempre disponível ou se encontrar todo o final de semana, por exemplo. É uma atividade de lazer nas horas vagas.

Eu me inscrevi em janeiro e embora o prazo seja de duas semanas para um match, um mês depois eu ainda estava esperando ser escolhida por uma kummi family e quase desistindo da ideia. Finalmente, recebi um email da universidade informando que eu poderia entrar em contato com a família L.! Na verdade, eles me mandaram um email logo em seguida se apresentando: uma família com 5, eu disso cin-co, filhos! Eles me pediram meu contato de Whatsapp e começamos a nos comunicar pelo aplicativo.

Os pais aparentam estar na faixa dos 40 anos e têm 3 meninas e 2 meninos. A mais velha, a L., tem 15 anos e é com quem mais converso. A L. tem 12 anos,  os meninos são o P. e o N., de 8 e 6 anos, e a menina mais nova, a A., tem 3 anos e é muito fofa! Eles não me contaram antes, mas no primeiro dia que nos encontramos eu notei que tem uma 6ª criança chegando!

A família mora numa cidade chamada Ii (engraçado, né?) que fica a 40km  de Oulu e no nosso primeiro encontro eles vieram me buscar em casa para passar uma tarde/noite de sábado com eles. E. e P., os pais, conseguem se comunicar em inglês, mas com certa dificuldade e algumas vezes a comunicação fica um pouco difícil. L., a mais velha, é a que mais fala e embora também não seja fluente, conseguimos nos comunicar bem, mesmo que às vezes ela precise usar o Google Tradutor. As outras crianças não falam inglês ainda, então só trocamos sorrisos. Os meninos sempre ficam me olhando com muita curiosidade e a mais novinha, a A., acha engraçado que eu não sei falar finlandês – ela não entende como uma pessoa não fala a língua dela!

Vista do "quintal" da casa da família L.
Vista do “quintal” da casa da família L.

O primeiro encontro

Quando chegamos na casa, eu vi que eles não exageraram quando me disseram que moravam na floresta. O vizinho mais próximo está a uns 5 minutos a pé e não se vê nada além de árvores ao redor da casa. Conversamos um pouco e logo serviram o jantar – às 17h – que era sopa de salmão, comida tipicamente finlandesa que estava deliciosa. Havia também vários tipos de pão e leite para acompanhar, porque isso também é algo muito finlandês – eles comem pão e bebem leite em praticamente todas as refeições.

Após o jantar, todos nos vestimos adequadamente e fomos brincar na neve. No dia fazia -1 grau, uma temperatura super agradável – sem ironia. Saímos todos com sledges na mão para descer os morrinhos. Eu já fui esquiar, mas pra ser sincera, não me lembro e já ter usado um sledge antes e nas primeiras vezes desci junto com a L., a mais velha. Ficamos lá uma meia hora e foi muito legal ver aquela família enorme se divertindo. Fiquei pensando como pra eles aquilo é algo super normal e como tudo aquilo fará parte da memória dos pequenos quando eles crescerem enquanto eu só fui ver neve pela primeira vez aos 21 anos. Por outro lado, minha memórias de infância incluem praia, mar e calor e talvez aquelas crianças nunca tenham visitado um mar de verdade e sua praia seja a beira dos rios no verão. Esse mundo é muito grande mesmo, né?

Indo para o morrinho
Indo para o morrinho

Voltamos para casa e foi a hora da sobremesa. Eu quis agradar e levei um bolo de cenoura com cobertura de chocolate ao estilo brasileiro para eles. Bolo de cenoura tem no mundo todo (pelo menos em todo “o mundo” onde eu estive), mas é sempre marrom e com cobertura de cream cheese, já o bolo laranjão com chocolate é invenção nossa e os finlandeses acharam bem interessante e adoraram! A gente sabe quando eles comem por educação e quando gostam – tenho experiência servindo comida brasileira pra gringo – e eles gostaram mesmo, pois até repetiram.

Em seguida, fomos todos para a sala e o pai trouxe seu laptop com o Google Maps aberto e quis que eu mostrasse minha casa em São Paulo. Eu já morrendo de vergonha, porque apesar de morar num prédio com uma fachada limpa e organizada, a rua que eu moro não é exatamente linda e tem  uma casa abandonada, velha e toda pichada bem em frente, além de todos os fios pendurados nos postes que deixam as ruas de São Paulo horrorosas e não passaram despercebidas pelos olhares dos finlandeses. Eles ficaram surpresos com o prédio, muito alto na opinião deles. Eu querendo sair logo da rua, resolvi mostrar pontos mais interessantes da cidade, como a Avenida Paulista, a USP e o Parque do Ibirapuera. Eles ficaram admirados com o tamanho da cidade, curiosos vendo as estações de metrô na avenida e não sabiam o que eram aquelas “caixas” nas janelas dos prédios da Paulista.

– O que são essas coisas nos prédios?
– Ah, isso é ar condicionado.
Cara de interrogação.
– Ar condicionado para deixar o local mais fresco, faz muito calor em São Paulo no verão e as empresas sempre têm para deixar o ambiente numa temperatura confortável.

Aparentemente, ar condicionado não é algo normal para eles, mas pois bem, eles moram na Finlândia, não é? Aquecedor eles conhecem bem, mas uma máquina para deixar o ambiente mais frio é estranho… hahaha…

E é claro que eles me fizeram perguntas esdrúxulas, mas eu não julguei, porque eles moram no meio da floresta da Finlândia e o Brasil é realmente algo bem diferente e exótico pra eles. E eu já perdi as contas de quantos brasileiros já me perguntaram se tem urso aqui perto de Oulu, então fica quase que elas por elas.

– Os meninos adoram futebol! Quando contamos para eles que você era do Brasil, ficaram empolgados porque adoram o Messi.
– Ah, legal. Mas o Messi é da Argentina. Conhecem o Neymar? Eles sim é do Brasil.
– Ahhhh.

– Que tipo de animais de estimação vocês têm no Brasil?
– Gatos, cachorros, passarinhos… essas coisas.
– Ah, vocês não têm macacos?
– Olha, que eu saiba nem pode ter macaco de estimação. São animais silvestres, sabe?

– E lá em São Paulo todos têm eletricidade em casa?
– Sim, claro, São Paulo é uma cidade grande.

Fora isso, ficavam me perguntando os nomes da árvores que eles viam no Google Maps. Aqui em Oulu e região só tem pinheiros e estas árvores de tronco fino e longo, algumas escuras e algumas brancas e basicamente é isso. Em São Paulo, mesmo nas ruas, temos essas árvores de copa gigante e galhos crescendo pra todos os lados, algo que eles acharam bem curioso, só que quem sou eu pra saber o nome dessas árvores? Eu nunca nem pensei em saber o nome delas!

Finalmente, me contaram que adoram pescar no verão e queriam saber de peixes brasileiros. Taí outro assunto que sou expert, só que não. Se eu mal sei o nome dos peixes que eu como em português, o que dirá em inglês. Lembrei, então, que eu gosto muito de comer cação que, por definição, é um tubarão. Expliquei isto e ficaram muito surpresos que no Brasil se come tubarão – agora imagino que eles ficaram pensando no Tubarão Branco e nos achando ainda mais exóticos.

Gostei da família L. e fui muito bem tratada por eles. Eles estão abertos a novas culturas e curiosos para aprender coisas novas, ou seja, realmente estão no clima do programa. Acredito que outro motivo para participarem seja para melhorar inglês, principalmente dos filhos, já que a filha mais velha está aprendendo na escola e ter um estrangeiro é uma forma de praticar.

Agora é esperar para ver o que mais sai desta interação. 🙂

Seis meses em Oulu

Seis meses na capital do norte da Escandinávia e eu com a vida tão corrida que até pra poder dormir eu preciso procurar espaço na agenda.

Nesta metade de ano vivendo por estas bandas…

… o frio, definitivamente, não me incomoda. Se está acima de 0 (foram pouquíssimos dias), eu penso que nem está frio. Se faz entre -1 e -10, eu acho que está ok. Até -15 eu já penso que tá friozinho, mesmo. A coisa só pega quando começa passar dos -20, mas felizmente, neste último mês isto não aconteceu mais.

… tenho uma kummi family! Vou escrever um post só para falar disso (algum dia oremos), mas resumindo, é uma família  finlandesa que “te adota” visando uma troca cultural. Não, eu não moro com eles, a ideia é que façamos atividades juntos para um aprender um pouco da cultura do outro.

… participei novamente do Ravintola Päivä, evento que acontece a cada 3 meses, e desta vez vendi absolutamente tudo que fiz! Exatos 109 brigadeiros e 39 beijinhos grandes, um mega bolo de cenoura com cobertura e recheio de brigadeiro e outro bolo de cenoura simples. 🙂

… queria me dedicar mais ao blog, mas está tudo uma correria! São aulas do mestrado + leituras de artigos para as aulas, projetos e trabalhos das matérias e…

… estou fazendo meu estágio obrigatório do mestrado aqui em Oulu e como se não bastasse tudo isso, ainda estou com 2 trabalhos freelance. Não, eu também não sei como dou conta de tudo isso. Ou será que não dou?

… porém minha tese de mestrado está em stand by. Escrevi muito por cima um projeto de pesquisa, entreguei e parou por aí. Sem condições de focar nisso até o fim deste semestre.

… tenho tido flashbacks da vida que levava em São Paulo e confesso que estou sentindo saudade.

… fui visitar o Papai Noel em Rovaniemi com o Rick, que veio aqui me visitar e amou a neve. O post vem nos próximos dias.

… também com o Rick fiz meu primeiro boneco de neve finlandês. Ele ficou muito simpático e nós o chamamos de Pekka Snow.

Melhor boneco
Melhor boneco

… os dias estão voltando a ficar mais longos! Agora já está claro às 7h da manhã e começa a escurecer perto das 18h. Quando o sol voltar a fazer efeito com raio UV, eu paro de tomar a vitamina D. 🙂

… e eu continuo amando Oulu, mas amo que é temporário também. ❤

Oulu <3
Oulu ❤