Colonia del Sacramento e mais Montevideo

Resolvemos ir no ônibus das 9h30, pois o anterior saía às 7h45 e achamos que era muito cedo. Fomos para a rodoviária de ônibus (a tarifa custa cerca de 20 pesos) e “supresa”: o ônibus para Colonia estava cheio de brasileiros! A viagem toda leva mais ou menos 2h30 e apesar de ser um ônibus de viagem com poltronas numeradas, no caminho mais gente foi subindo e seguiu viagem em pé mesmo.

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Na rodoviária da cidade tem um pequeno centro de informação ao turista onde pegamos os mapas. Vi que tem também armário para aluguel para quem quiser deixar a mochila por um dia, por exemplo.

Colonia del Sacramento é bem peculiar, pois sua origem é como uma colônia portuguesa e ela ainda guarda seus traços “portugueses”. É uma cidade bem pequenininha também, então um “bate-e-volta” é suficiente para conhecer tudo. Na verdade, lembro que quando fui para Buenos Aires em 2014, cheguei a querer incluir Colonia no roteiro, mas havia tanto o que se ver e fazer em Buenos Aires que a ideia morreu. Mas a hora havia chegado.

"Entrada" da cidade
“Entrada” de Colonia

Há alguns museus na cidade e acabamos comprando um pass por 100 pesos. Na hora pareceu um bom negócio, mas 2 museus estavam fechados no dia: o Municipal e o Espanhol. O museu indígena é um andar apenas com exposições de rochas, o museu do azulejo é menor do que meu quarto de 14m² de Oulu e o que salvou foi mesmo o Museu Português, que não chega a ser grande, mas é o maior de todos e o mais interessante. Se soubesse de tudo isso antes, não teria comprado o pass.

Museu do Azulejo
Museu do Azulejo

Além dos museus, visitamos a famosa Rua dos Suspiros, uma rua em estilo português bem charmosa que ainda mantém suas pedras originais, andamos pelo centrinho histórico e pela orla.

Rua dos Suspiros
Rua dos Suspiros

Não fomos ao Plaza de Touros porque fica um pouco afastado do centro histórico e nem subimos no Farol (25 pesos), porque ele não é assim exatamente alto e não nos empolgou. Almoçamos num restaurante estilo fast food que não cobrava cubierto (todo que não cobram têm uma placa avisando). Aproveitamos também para comprar lembrancinhas, pois os preços estavam mais em conta do que em Montevideo. Andamos mais um pouco pela cidade, visitamos a igreja e já era hora de voltar para a rodoviária com praticamente todos os mesmos brasileiros que vieram com a gente na ida.

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É uma cidade muito pequena, mas muito charmosa. Recomendo a visita e chega até a ser um passeio romântico, pois a cidade tem todo o clima.🙂

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Com as 2h30 de viagem de volta, chegamos tarde em Montevideo e voltamos direto para o hostel e nos preparamos para o dia seguinte.

No mapa que pegamos no aeroporto havia indicado vários museus espalhados pela cidade, então decidimos que iríamos visitar todos aqueles que fossem gratuitos. Começamos pelo Museu del Gaucho e y de la Moneda, que fica na 18 de julio. É um museu bem pequeno, mas interessante e a arquitetura em si já valeria uma visita.

Saindo do museu, continuamos seguindo pela 18 de julio e passamos pela Fonte dos Cadeados. Sabe aquela moda europeia de colocar cadeado em pontes? Pois é, no Uruguai os cadeados foram parar numa fonte mesmo! E a ideia é a mesma: colocar um cadeado com as iniciais do casal e o amor durará para sempre. Não sei vocês, mas eu sou mais deixar o cadeado bem aberto e que a pessoa fique comigo por vontade, não porque “o amor está amarrado”… haha!

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Chegamos ao Parque Rodó depois de uma boa caminhada. É um parque simpático e tal, mas acho que pode ficar fora do roteiro se você for passar menos tempo na cidade. Não tem nada de especial nele.

Parque Rodó
Parque Rodó

De lá seguimos andando pelas ramblas, beirando a praia. Estava bem frio, então não tinha mesmo ninguém por lá, mas fiquei na dúvida se no verão as pessoas chegam a ir a praia para tomar banho e pegar sol. O objetivo andando por toda a rambla era chegar no bendito “Montevideo Sign“. Quase achamos que não encontraríamos, mas persistimos e chegamos até lá! E foi uma baita de uma caminhada!

Montevideo

Voltamos por Pocitos e paramos no Shopping Punta Carretas que ouvimos dizer ter sido uma prisão no passado, mas não há nada demais no local. Decidimos ir comer no Burger King para economizar… não poderíamos estar mais errados! Dois lanches comuns – que nem eram os mais caros – custaram 70 reais. Eh!

Seguimos voltando sentido ao hostel e paramos no Museu Nacional de Artes Visuais, que fica próximo ao Parque Rodó. O que mais me chamou atenção nele foi que muitos quadros têm uma versão para deficientes visuais. Jamais havia visto isso e achei sensacional.

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De volta a 18 de julio, visitamos o Museu de História da Arte, que fica ao lado do prédio da prefeitura. Este museu é bem maior que os outros e tem 3 andares.

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Vimos no mapa que havia um Museu do Automóvel na região também, mas quando chegamos lá descobrimos que estava fechado por tempo indeterminado. Fomos, então, ao Museu do Azulejo, que era bem maior do que o museu de Colonia del Sacramento.

Depois de muita caminhada e de visitar vários museus, encerramos o dia passando no supermercado para comprar ingredientes para mais um “macarrão com molho das viagens”.🙂

Chegando em Montevideo, Uruguai

Um dia, ainda em Oulu, recebi um email com promoção de passagens para o Uruguai. O preço estava muito bom e eu já planejava mesmo voltar ao Brasil para passar as férias. Voltei da República Tcheca para a Finlândia para pegar meu voo para o Brasil e passei 2 dias em Helsinki, mas como não sou exatamente fã da cidade, não fiz muita coisa além de descansar. Passei minha primeira semana no Brasil terminando os últimos trabalhos pendentes do mestrado (porque eu sou uma procrastinadora de carteirinha) e no início de junho embarquei para passar 4 dias no país vizinho.

Bienvenido!
Bienvenido!

Chegamos num domingo à tarde. Eu tinha pesquisado algumas opções de como ir do aeroporto a Ciudad Vieja, onde ficamos hospedados, e achei que a van seria a opção mais conveniente. Infelizmente, os preços não estavam atualizados nos sites que consultei e levei um susto: queriam cobrar 800 pesos ou 115 reais para levar duas pessoas. É claro que achei um absurdo, então trocamos apenas 20 reais no aeroporto (que sempre tem a pior cotação e no dia estava 1 real = 7 pesos) e perguntamos no balcão de informações como chegar de ônibus. Nenhum ônibus chega até a Ciudad Vieja exatamente, mas subimos neste que o ponto final ficava a uns 10 minutos a pé do nosso hostel e a passagem custou 63 pesos para cada, ou menos de 15 reais para duas pessoas e a viagem levou cerca de 45 minutos. Uma moça que desceu no ponto final também nos ajudou a localizar no mapa (que pegamos no aeroporto) onde estávamos e como chegar no hostel.

Praça da Independência, a 2 quadras do ponto final do ônibus
Praça da Independência, a 2 quadras do ponto final do ônibus

Achamos o hostel Punto Berro facilmente, mas ficamos um pouco surpresos com o trajeto: apesar de ser a parte mais turística da cidade, as ruas estavam desertas e todas as lojas fechadas, exceto por um McDonald’s. O hostel também estava bem vazio e acabamos descobrindo que não havia mais do que outras 6 pessoas hospedadas lá, apesar de o prédio ter 3 andares.

O hostel fica em frente ao famoso Café Brasileiro, que consta ser o melhor café da cidade. É um prédio bem antigo e frio! Não há sistema de aquecimento, então fica tudo na base do aquecedor elétrico. Nosso quarto era bem frio e precisamos pedir um aquecedor. Quando fiz a reserva, constava que o café da manhã estava incluso, mas quando chegamos descobrimos que o hostel não servia mais. Como na minha reserva constava o café, os donos aceitaram nos servir todos os dias. Era um café simples, mas sempre tinha doce de leite!

O hostel
O hostel

Deixamos nossas mochilas no quarto e fomos visitar o Teatro Solís, pois era a única atração ainda aberta no dia e aos domingos é possível visitar o palco e camarins. Não tínhamos trocado mais pesos e todas as casas de câmbio da avenida principal, a 18 de julio, já estavam fechadas. Acabamos trocando apenas a quantia suficiente para pagar o tour, 60 pesos, e para comer algo mais tarde, num cassino com a cotação de 7,35 – ruim, mais ainda melhor do que no aeroporto.

Teatro Solís
Teatro Solís

O teatro oferece tours em espanhol por 40 pesos, mas em inglês e português custa 60. O guia tinha um português impecável! O tour começa do lado de fora com o guia explicando a arquitetura, em seguida fomos direto ao teatro, que é realmente lindíssimo. O guia chamou a atenção que no teto, onde há os nomes de diversos autores famosos, Shakespeare está escrito errado – o que eu tinha notado antes mesmo de ele falar. Não se sabe o motivo exato do tal erro, mas aparentemente já é parte do teatro.

O teatro
O teatro

Visitamos o palco, os camarins e uma pequena sala anexa e o tour se encerrou em pouco menos de 1h. Ainda estava claro e decidimos conferir o Mercado del Puerto, um dos pontos gastronômicos mais famosos da cidade. O engraçado é que tendo nascido em São Paulo, onde tem de tudo sempre e é tudo imenso, às vezes fico um pouco decepcionada com as coisas. O Mercado del Puerto é muito pequeno e não tem tantas opções de restaurantes. Chegamos quando já estava próximo de fechar, então resolvemos deixar para ir comer lá outro dia. Passeamos um pouco pela cidade e quando bateu de vez a fome, vimos que o McDonald’s já estava fechado e nossa única opção, próxima ao hostel, aquela noite foi comer um hambúrguer nestas barraquinhas de ruas. Um hambúrguer custou cerca de 12 reais e jurou que entupiu as veias do meu coração naquela noite, mas era o que tinha.

No dia seguinte, começamos com um walking tour. Era segunda-feira e a cidade tinha outra cara! As lojas estavam abrindo e havia muita gente já circulando e nem parecia que no dia anterior havíamos chegado no que parecia ser uma cidade fantasma!

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Sarandi

 Queríamos fazer o tour em português, mas no dia o guia que fala português estava doente, então fizemos em inglês mesmo. O tour cobre os principais pontos da parte turística, ou seja, a Ciudad Vieja – Praça da Independência, Teatro Solís, parte das Ramblas, o Templo Inglês, Praça Matriz, Rua Sarandi, Praça Zabala, Banco do Uruguai e o Mercado del Puerto. O guia deu ótimas dicas de onde comer, o que fazer e o que visitar. Uma dica que ele deu e que, na verdade, a gente já tinha decidido não fazer mesmo, é não visitar Punta del Este. Segundo ele, é extremamente caro e é a cidade menos uruguaia de todo país, justamente por ser extremamente turística. Nós, por outro lado, já tínhamos decidido não ir porque a cidade é essencialmente praia e fomos no inverno, além do que, não vimos outro motivo para ir além de tirar a foto com a escultura da mão na praia e seria ridículo ir lá só para isso.

Mercado del Puerto
Mercado del Puerto

Como o tour acabou no Mercado del Puerto, resolvemos almoçar por lá mesmo. Optamos por um restaurante que aceitava reais a uma cotação de 1 para 9 e que parecia ter um preço bem atraente. O prato típico da região é o Brasero, um combinado de vários tipo de carne – porém, metade delas são tripas e eu não achei a ideia muito boa. Optamos então, por outro prato bem típico também, o Chivito. Tradicionalmente, é um lanche de carne com queijo e ovo que se come no pão com batata frita, mas comemos a versão “no prato”, sem o pão.

Chivito
Chivito

Calculamos que o valor em reais da refeição sairia em torno de 60, o que eu já achei caro se você pensar que isso nada mais é que um “bife a cavalo” incrementado com fritas e salada de maionese. Quando veio a conta, o susto: 100 reais. No Uruguai, assim como na Argentina, se cobra o cubierto, uma taxa pelo uso dos itens do restaurante (pratos, talheres, copos etc) e o problema é que isto não estava escrito em lugar nenhum, mesmo sendo um local turístico. O cubierto nos custou 25 reais e somando-se a gorjeta, chegamos a quantia de 100. Confesso que saímos do restaurante nos sentindo bem trouxas de pagar tão caro numa refeição tão simples, mas logo vimos que comer fora no Uruguai é realmente caro, mesmo que seja fast food.

 Após o superfaturado almoço, fomos visitar o prédio da prefeitura onde tem o mirante. O prédio fica na 18 de julio também e a visitação é gratuita – basta pegar o elevador e subir até o último andar do prédio.

Prédio da Prefeitura
Prédio da Prefeitura

Era um lindo dia de sol, então a vista estava linda e conseguimos ver a cidade toda.

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Como nosso plano era ir a Colonia del Sacramento no dia seguinte, achamos melhor comprar o bilhete com antecedência. Saímos do mirante e fomos subindo a 18 de julio em direção a rodoviária de Tres Cruces. No caminho há inúmeras casas de câmbio e todas divulgam em números gigantes a cotação daquele dia. Então, fomos comparando até achar a que tinha a melhor cotação. Nos 4 dias que ficamos no país, trocamos dinheiro 3 vezes e pegamos cotação entre 8,20 e 8,40 – o peso foi se desvalorizando um pouco no decorrer dos dias.

Compramos os bilhetes de ida e volta e custaram cerca de 85 reais (ui!). Fomos com a empresa COT. Aproveitando que estávamos naquela região e ainda estava claro, fomos até o estádio Centenário, mas apenas vimos do lado de fora. Lá dentro tem o museu do futebol, mas não tivemos muito interesse de visitá-lo.

Região da rodoviária
Região da rodoviária

Voltamos ao hostel a pé e passamos no mercado para comprar e fazer o “famoso macarrão com molho das viagens”. Sério, é muito caro comer fora em Montevideo, então decidimos que o almoço seria na rua, mas o jantar teria que ser no hostel ou o porquinho não ia sobreviver até o fim da viagem.

Cinco anos

Hoje o blog completa 5 anos e eu 20 e todos!🙂

Nestes 5 anos foram muitas viagens e 2 intercâmbios e espero que eu tenha ainda muitos motivos para escrever pelos próximos 5 anos – com certeza mais viagens virão e quem sabe outro intercâmbio (porque a pessoa não se contenta com 3, né? hahaha).

O resumo deste humilde blog nestes 5 anos:

  • Quase 150 mil visitas;
  • 415 postagens;
  • 136 assinantes (e-mail);
  • Mais de 850 seguidores no Facebook;
  • Mais de 1900 comentários;
  • Conta no instagram engatinhando, mas sempre postando fotos de Oulu e outras viagens (segue lá: @umfabulosodestino);
  • O post mais popular do blog é sobre minha viagem a Zakopane. Acredito que há pouco sobre a cidade na internet, então o Google deve direcionar todo mundo para o blog;
  • O termo mais buscado no Google que leva ao blog é “mulheres irlandesas”. Oi?! Lembrando que o Google não disponibiliza mais o termo de busca se a pessoal fez a pesquisa logada em sua conta;
  • Ainda precisando de uma boa organização,  mas eu já desisti de prometer, então assim que for possível, eu dou um jeito no blog!🙂

Há 6 meses eu postei uma lista de 30 coisas para se fazer antes dos 30. Agora faltando um ano, é hora de ver o progresso!

  1. Terminar o mestrado. Em andamento.
  2. Ter conhecido 30 países (foram 21 até agora). Nestes 6 meses, acrescentei mais 4 na lista. Faltam 5.
  3. Voltar a morar no Brasil. Sim, Brasil. Tudo indica que está próximo de acontecer, o que não significa que é definitivo.
  4. Outra tatuagem. Há ideias.
  5. Adotar um gatinho pra chamar de meu. Vai depender do item 26.
  6. Voltar a pesar menos de 50kg. A dieta desandou, mas já entrei na linha de novo. Primeiro perdi 2kg, depois recuperei os 2kg e ainda ganhei mais 0,5kg de brinde (o motivo ficará claro nos próximos posts). Perdi os 2,5kg de novo e o restante não precisa de mais 1 ano para ir embora também.🙂
  7. Ver todos os filmes do Woody Allen, meu diretor preferido (vi mais ou menos metade até agora). Assisti mais filmes e estou nos 2/3 assistidos.
  8. Assinar um contrato de exclusividadeTalvez fique para os 30. Conta ainda?
  9. Participar ativamente de algum coletivo feminista. Providenciar.
  10. Voltar a treinar kung fu. Eu “meio” que voltei. O  objetivo agora é ir para a faixa roxa, a 6ª faixa, antes dos 30.
  11. Visitar um estado brasileiro onde nunca estive (visitei 5 e o distrito federal até agora). Providenciar.
  12. Não achar mais nenhum cabelo branco – eu achei o primeiro há umas 2 semanas e quase surtei, mas confio que não aparecerão outros até os 30. Fingers crossedContinuo sem ter achado o segundo. Não, eu não pinto o cabelo.
  13. Ler metade dos livros que comprei e jamais li. Providenciar.
  14. Aprender a investir dinheiro sem medo. E investir. Aprendendo já.
  15. Continuar sendo uma mulher sem filhos. So far so good.
  16. Fazer as pazes com o passado em definitivo. Em andamento.
  17. Aprender a usar minha câmera “boa” comprada em 2013 (né?). Providenciar.
  18. Dirigir, pois tenho carta há 9 anos e atualmente ela só serve como documento de identificação. Estando na Finlândia ainda, isso não foi possível.
  19. Organizar as pastas do meu computador, meus emails, meu HD externo, meu iPod, meu celular, minhas fotos… enfim, minha vida virtual. Depois que terminar o mestrado.
  20. Ir a USP a passeio pela primeira vez na vida. Providenciar.
  21. Não ser estúpida com quem me tratou de forma estúpida. Eu não preciso ser o reflexo de uma atitude ruim (isso vai ser bem difícil). Praticando.
  22. Ter o emprego pelo qual estudei a vida toda. Ou, pelo menos, estar quase lá. Depois que terminar o mestrado.
  23. Organizar todo material que uso para aulas particulares por tema/gramática. Ihhhh… Prometi cada coisa!
  24. Correr. Eu já tive o hábito de ir correr aos finas de semana, mas desta vez queria levar isso mais seriamenteAtualmente corro 5 vezes por semana cerca de 7km. Pelo menos um item riscado!
  25. Assumindo que o item 18 se realize, comprar meu primeiro carro. Não vai rolar, porque o 18 já vi que não vai também.
  26. Ter meu canto, comprado ou alugado. Talvez no plural, considerando o item 8. Possível.
  27. Parar de achar que as pessoas não vão me levar a sério porque aparento ser bem mais nova do que sou – mudança de postura e confiança. Estou bem melhor nisso.
  28. Não ficar calada para evitar discussões. Pois sim, sou de esquerda, de humanas, feminista e à favor de muita coisa que está “em pauta” hoje e muitas vezes prefiro ficar calada para não ter que discutir com quem nunca nem refletiu sobre um tema antes de opinar. Problematizar é a palavra da vez. Começando.
  29. Voltar a fazer crochê, arte que aprendi aos 9 anos com minha avó, e ponto-cruz. E por que não aprender a fazer tricô também? Quero.
  30. Estar e ser feliz no dia 15 de setembro de 2017. Estou feliz hoje, então já é um grande passo!
Spoiler descarado dos próximos posts :)
Spoiler descarado dos próximos posts🙂

Praga, República Tcheca III

Em nosso último dia em Praga, decidimos “pegar mais leve”. Já era o 9º dia viajando e o cansaço vinha chegando para lembrar que eu não tenho mais 20 anos!

Como já havíamos visitado Malá Strana, o distrito do castelo, e também quase toda a parte turística de Old Town e região, fomos fazendo alguns passeios mais leves. Primeiro fomos a Praça Wenceslau, a praça mais importante da cidade.

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Voltamos a Old Town e entramos na igreja Tyn, que é bem peculiar, já que ela está atrás de outros prédios e, na verdade, precisamos passar por um restaurante italiano e um corredor para ter acesso a entrada.

Tyn
Tyn

Se vocês prestarem atenção, uma das torres é mais larga que a outra e imagino que essa imagem deva ser horrível para alguém que tenha TOC! A justificativa é que uma representa o homem e a outra, a mulher. A entrada é gratuita, mas eles pedem alguma doação para ajudar com os trabalhos da igreja.

Por dentro
Por dentro

Seguimos andando e visitamos uma atração talvez ignorada pela maioria dos turistas, o Parque Letna. O parque em si não tem nada de especial, mas a vista que se tem de lá vale a pena a visita, além de ser um passeio gostoso para relaxar um pouco daquele ritmo meio acelerado de viagem. E nós já estávamos bem cansados!

As pontes de Praga vistas do Parque Letna
As pontes de Praga vistas do Parque Letna

Um passeio que deixamos de fazer por motivos apenas financeiros foi visitar o Museu Judeu, que inclui o cemitério e pode ou não incluir a Sinagoga Velha Nova (sim, este é o nome da sinagoga), que é a mais antiga da Europa. Eu adoraria ter visitado, mas já estávamos sem dinheiro a essa altura da viagem e o ticket custa cerca de 13 euros. Sinceramente, soubera eu antes disso que teria deixado de visitar a sinagoga de Budapeste e visitaria o complexo judeu de Praga. Acho que teria valido muito mais a pena!😦

Chegada a hora de retornar ao hostel para pegar as mochilas e seguir para o aeroporto, não pude resistir e comer mais um trdelník. Este doce é muito, mas muito amor!

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Nhom nhom

É muito fácil ir para o aeroporto de transporte público e há mais de uma opção, o que também facilita muito. Apesar de estar chovendo no momento que voltamos, a viagem foi bem tranquila. E o aeroporto de Praga é o mais legal que já vi, afinal, já foram em algum aeroporto com jogo de xadrez gigante? Acho que não, né?🙂

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Considerações finais

Praga é uma das cidades mais lindas que já visitei, mas também uma das mais turísticas. Claro que eu também sou turista, a questão não é essa, mas não me lembro de ver tantos turistas numa cidade antes e pelas atrações e preços cobrados, me fez ter a impressão que a cidade é muito montada para turismo mesmo. Não me iludo, se vou a destinos conhecidos, eu sei bem que muita coisa só é como é para receber os turistas, mas em Praga essa sensação ficou bem mais forte.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é que várias lojinhas vendiam todo tipo de artigo relacionado a maconha e produtos feitos a partir dela, como chocolates. Fui checar com locais e também com o Google, e por incrível que pareça, maconha não é legalizada no país e todas as comidas que dizem ter maconha em sua composição, realmente têm, mas em quantidades muitíssimo pequenas. Eu comprei os tais chocolates com maconha e o gosto não é diferente em nada. Vale pesquisar bastante antes de comprar, pois os preços variam muito de loja para loja.

A República Tcheca é conhecida por sua cerveja e nós experimentamos algumas. A que mais gostei é uma chamada Kozel. Reza a lenda que se visitar o país e não beber da cerveja, você jamais esteve lá!

Na cidade você verá várias placas indicando banheiros públicos, mas são todos pagos! O local mais barato para usar o banheiro é no térreo da Torre do Relógio Astronômico, onde fica o Centro de Informações ao Turista. Custa em torno de 3 coroas, apenas uns 8 centavos de euro. Há também vários bebedouros espalhados pela cidade e a água é limpinha, pode encher a garrafinha com a consciência tranquila.🙂

E assim acabou a viagem a parte do Leste Europeu, que eu não poderia ter adorado mais e não posso deixar de recomendar.🙂

Praga é só amor!
Praga é só amor!

Praga, República Tcheca II

No segundo dia na cidade, fomos direto para a Charles Bridge. A ponte é realmente lotada de turistas, especialmente porque ela é apenas para pedestres. É a ponte mais antiga da cidade, construída no século 15, e liga a Cidade Velha ao Castelo de Praga, em Malá Strana. O interessante é que há 30 estátuas nos 516 metros de extensão da ponte, sendo que a maioria delas é em estilo barroco e representam santos. Porém, hoje em dia, a maioria das estátuas da ponte são apenas réplicas e as originais estão em um museu.

A torre da ponte no lado da Cidade Velha
A torre da ponte no lado da Cidade Velha

Há várias superstições envolvendo as estátuas, como trazer sorte se a passar a mão aqui ou ali e é fácil notar isso: muitas esculturas estão super escuras, mas com áreas douradas, onde todos passam a mão.

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Assim que cruzamos a ponte, já notamos que a cidade fica bem diferente. Em Malá Strana há vários restaurantes e lojinhas logo de cara. Seguimos até o Castelo de Praga, num complexo cheio de prédios, museus e igrejas, já que o Castelo engloba um distrito inteiro. O caminho até lá tem diversas escadas, então é bom preparar a sola de sapato e o fôlego.

Eu tinha visto na Cidade Velha diversos quiosques vendendo um doce que encheu meus olhos, o trdelník (deixo a pronúncia para sua imaginação). Este doce é uma massa assada enrolada num espeto, ficando num formato de “copinho”. Aí a massa recebe uma camada de açúcar e nozes. Já parece ótimo, não? Este é o tradicional, mas você ainda pode optar para encher este “copinho” de massa com sorvete, morangos, chantilly… é delicioso!

Nhom nhom
Nhom nhom

Havia esta pequena doceria no início das escadas e achei que seria muito justo comprar um para dar energia para a subida. O trdelník com sorvete custa, em média, 120 coroas, ou pouco mais de 4 euros. Se você não é super fã de doce, pode achar exagerado e é melhor dividir com alguém, só não pode deixar Praga sem experimentar pelo menos um!

Conseguimos chegar lá em cima exatamente ao meio-dia, quando acontece a troca da guarda real. Não é uma cerimônia tão famosa quanto a de Londres, mas estando na cidade, não deixe de ver – sempre acontece ao meio-dia.

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Em frente ao local onde ocorre a troca da guarda, há diversas barraquinhas de comida. Os preços são um pouco mais caros do que no restante da cidade e quase fomos “enganados” se não tivéssemos observado uma pessoa comprando antes de resolver fazer o pedido. Eles vendem batatas, legumes e carnes e você vai ver que tem o nome da comida e o preço ao lado, o que nos fez acreditar que a porção já pré-estabelecida daquela comida custava aquele valor, mas na verdade, é o valor por peso, ou seja, se você pede batata e a pessoa que serve encher seu prato, você vai pagar um valor bem mais alto. Como os valores eram por “100 gramas”, resolvemos deixar pra lá e ir comer mais tarde em algum lugar mais baratinho.

Trdelník assando! nhom nhom
Trdelník assando! nhom nhom

Andamos pelo distrito, mas sem entrar em nada. Há vários tipos diferentes de tickets, mas todos incluem entrar no Castelo de Praga. Resolvemos não entrar no castelo, pois o ticket mais em conta custava 15 euros e caso você quisesse tirar fotos, precisaria pagar mais 2 euros. Você pode estar achando um absurdo eu não ter entrado no castelo, mas minha justificativa é bem  lógica: eu já visitei muitos castelos na Europa em várias cidades diferentes e não achei que valeria a pena pagar um valor tão alto para visitar mais um. Depois de visitar alguns países pela Europa, você acaba notando que as coisas vão “se repetindo”, mudando pouco de um lugar para o outro, e  a República Tcheca “calhou” de ser o 20º país europeu que visitei, então eu já estava tendo muitos “deja vus” andando por Praga. Eu não nego que achei Praga uma cidade lindíssima, mas tudo que vi por lá eu, de alguma forma, relacionei com o que já havia visto em algum outro país europeu antes. Não queria um pouco “mais do mesmo”.

Andamos pelo distrito todo e entramos apenas nas igrejas que não exigiam ticket. Tiramos alguma fotos, especialmente porque como fica no alto de uma colina, tem uma vista muito boa da cidade.

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 Descemos as escadarias de volta para a ponte e encontramos um parque, por onde passeamos um pouco. Queríamos visitar também a John Lennon Wall, um muro com grafite muito famoso na cidade, só que não foi tarefa fácil encontrá-lo.

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Mesmo com o mapa na mão, não conseguíamos achar a ruazinha onde ficava o muro que desde anos 80 é usado para homenagear John Lennon e os Beatles com grafites. Por irônico que seja, quem nos ajudou foi justamente um funcionário daquelas empresas que vendem o tour na “engenhoca” (segway) que as pessoas não precisam andar.

Passamos por algumas lojas de lembrancinhas (atenção que em uma delas tocava Anitta loucamente) e em seguida, retornamos ao hostel para descansar um pouco, pois o plano era tentar ir comer comida local no mesmo restaurante da noite anterior. Desta vez, fomos bem mais cedo e mesmo sendo uma segunda-feira, ficamos surpresos que o restaurante estava completamente lotado! A garçonete, que tinha um inglês muito fraco, nos perguntou se tínhamos reserva e eu disse que não, mas perguntei se havia alguma previsão de tempo de espera. Ela só respondia que estava lotado e não tinha mesa, e eu insistia que eu havia entendido isso, mas se caso quisesse esperar, se havia alguma mesa ocupada que não tinha reserva e, portanto, estaria livre assim que desocupassem. Ele não entendia o que eu dizia, e de uma forma muito grosseria, começou a dizer que não tinha mesa e eu não poderia comer se não tivesse reserva. Eu compreendo que o inglês dela era muito fraco, mas não consigo compreender grosseria de modo algum. Fomos embora, mas não desistimos. Achamos outro restaurante que, apesar de não ter um preço tão amigável como o outro, ainda era um ambiente legal e fomos bem atendidos.

Pedimos uma sopa típica da região, mas o gosto não foi tão surpreendente: parecia uma sopa de legumes como outra qualquer. Eu decidi pegar o prato mais típico: bife com pão num molho de cranberry com sour cream. Gostei.

Bife com pão, molho de blueberry e sour cream
Bife com pão, molho de cranberry e sour cream

O outro prato pedido foi uma bisteca à milanesa com salada de maionese.

Nhom nhom
Nhom nhom

O jantar para dois com cerveja e sem sobremesa saiu por 457 coroas, ou 16 euros – um valor inimaginável na Finlândia, diga-se de passagem. Para quem ficou interessado, o nome do restaurante é U Medvidku e no mesmo local funciona uma cervejaria artesanal e um hotel. O restaurante está no local desde 1466 e vende várias coisinhas feitas de cerveja, como geleia.

Terminamos nossa noite com mais um passeio beirando o Rio Moldava – era uma daquelas noites quentes de verão e havia um clima muito gostoso na cidade.

Mais tentativas de fotos noturnas!
Mais tentativas de fotos noturnas!

Praga, República Tcheca I

Deixamos Bratislava e seguimos para a capital tcheca, Praga. Novamente usamos o ônibus da Regiojet,  que é super confortável. O ticket custou 10 euros e foram 4 horas de viagem. O ônibus para bem próximo a uma estação de metrô, então é muito viável especialmente para quem chega à noite – chegamos às 22h. Na estação, uma surpresa: os guichês estavam todos fechados e só era possível comprar bilhetes na máquina, o que não seria um problema se não fosse o fato de só aceitarem moedas. Nós tínhamos trocados coroas tchecas antes de ir, mas só tínhamos notas. Sem solução e com um metrô sem catracas, acabamos embarcando sem bilhete mesmo e torcendo para não ter fiscais no trajeto. Não é certo, eu sei, mas só tínhamos notas de valor alto e não seria uma tarefa fácil achar alguém disposto a trocar tudo por moedas.

Ficamos no hostel Emma, em Praga 2. Não é tão central, mas ainda fizemos absolutamente tudo a pé, então ainda foi uma boa opção, pois os hostels que ficam bem no centro turístico são muito mais caros. O hostel fica perto de uma das atrações turísticas, a Casa Dançante.

A Casa Dançante
A Casa Dançante

Apesar de ser um dos cartões postais da cidade, o local não é aberto a visitação, então é só para observar do lado de fora os prédios que parecem dançar.

O hostel não é um dos melhores que já fiquei, mas não era ruim. O hostel se divide em dois prédios, um com os quartos compartilhados e outro com os quartos privativos. Optamos pelo privativo, então a sensação era de estar num hotelzinho com cozinha e banheiro compartilhados. O prédio era bem antigo, mas o quarto e os banheiros estavam arrumados e limpos.

No dia seguinte, começamos nosso passeio com o walking tour. Já fiz tour com o Sandemans em várias cidades (Berlin, Barcelona, Madri, Amsterdã e Dublin) e apesar de no site pedir que você reserve seu tour, nunca ninguém me pediu para provar que reservei. Mas quando chegamos, sem reserva, para o tour de Praga, pediram nosso nome e como não estávamos na lista, tivemos que aguardar. No fim, acabamos fazendo do mesmo jeito, mas isto logo mostrou uma característica da cidade que foi ficando mais clara no decorrer da visita: Praga é para turista ver e é cheia deles.

Praça Principal em Old Town
Praça Principal em Old Town

O tour sai da Praça Principal em Old Town. Nosso guia era um inglês já na casa dos 50 anos que contou que um dia resolveu sair da Inglaterra e ir para algum lugar onde poderia usar sua língua nativa para ganhar dinheiro. Virou guia turístico e, sinceramente, achei sensacional essa coragem dele!

Enquanto ainda aguardávamos o tour sair, algo nos chamou a atenção:

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Nós vimos centenas de pessoas andando nesse “troço” aí da foto de cima. Tem algumas empresas que vendem tours pela cidade com o diferencial de que ele é feito nessa engenhoca aí (tem nome pra isso?). É irritante porque 1 – você precisa ficar prestando atenção enquanto anda no centro se vem alguém pra cima de você e sair do caminho, 2 – o pessoal dessas empresas não param de te abordar e oferecer o tour e não se engane: muitos deles te veem segurando o mapa e se aproximam para oferecer ajuda – na verdade, eles querem se mostrar simpáticos para tentar te ganhar para o tour e muitos deles até oferecem que você dê “uma voltinha” para ver como é e 3 – é bizarro, para não dizer ridículo, você ver a galera andando nisso ao invés de apenas caminhar! Pronto, desabafo feito.

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O tour começou pela praça e seguimos pelo bairro judeu. O guia nos contou diversas histórias sobre o Holocausto e, em certo momento, paramos em frente do Museu Judeu e ele nos contou uma história muito forte sobre crianças judias que moraram naquele prédio e nos pediu para não tirar fotos em respeito ao momento. Um casal, sei lá eu porque, resolveu tirar uma selfie… o guia surtou! Deu uma lição de moral – eu nunca vi isto, compreendo como ele se sentiu desrespeitado, mas wow! Foi pesado!

Paramos numa ponte com vista para a Charles Bridge, a mais famosa ponte da cidade, e ele nos contou diversas lendas e superstições relacionadas a ela. Outro fato importante é que o guia nos alertou que Praga é uma das cidades com mais trombadinhas na Europa e que a Charles Bridge é o local preferido deles por estar sempre cheia de turistas distraídos – eu não me senti “em perigo” em nenhum momento na cidade, mas sou paulistana (né, meu?) e se tem uma coisa que eu manjo é ficar alerta e desconfiar de todos na rua, então, não tive nenhum contratempo mesmo, mas fica uma dica. O tour terminou também na Praça Principal, que a essa hora já estava fervendo de turistas.

A atração mais famosa de Praga provavelmente é o Relógio Astronômico. Tenho certeza que você já viu esta foto em algum momento da vida:

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Segundo o guia do tour, esta é a atração mais horrorosa que ele já viu, porém não deixa de atrair turistas que aguardam os “bonecos” saírem do relógio de em hora em hora. E, nós, claro, também queríamos ver. O Orloj mostra a posição do Sol e da Lua, a caminhadas dos apóstolos (que saem de hora em hora) e um calendário representando o zodíaco ou os meses. O guia também nos disse que é uma das atrações que mais decepciona os turistas: as esculturas saem, você vê e pensa “é isso”? E até que ele não estava mentindo, mas não deixe de ver se for a Praga!

É muito barato subir na torre do Relógio e a vista de lá é ótima! Pagamos 80 coroas com desconto de estudante (cerca de 3 euros), mas o valor comum é 130 coroas (pouco menos de 5 euros). Você pode subir de elevador ou pelas rampas, que eu recomendo – a subida é mais suave por não ter degraus e nas paredes há diversas fotos contando a história da torre e da Praça.

Praga vista de cima
Praga vista de cima

O dia estava bonito, então a visão era linda. Não há muito espaço no topo da torre e em certo momento, muitos turistas chegaram ao mesmo tempo e o trânsito  ficou “lento”. Acho que ficamos quase 1 hora lá, olhando a cidade de todos os ângulos e indico muito a visita.

Castelo de Praga
Castelo de Praga

A fome bateu e optamos por comer comida de rua mesmo. Fomos de salsichão e batata com cerveja, afinal, ir a Praga e não beber cerveja é como ir a Lisboa e não comer pastel de Belém!🙂

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Passeamos mais um pouco pela cidade, até chegarmos na Charles Bridge – mas só passamos por ela, pois o planejado era visitá-la em outro dia. Mas Europa no verão é sol até altas horas, então voltamos ao hostel beirando o rio antes de anoitecer para descansar um pouco.

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A ideia era ir num restaurante de comida local para seguir a agora tradição de sempre comer a comida típica de cada lugar que visitamos. Pesquisei alguns restaurantes e achei um bem próximo do hostel que servia uma refeição típica completa e tinha o “Menu turista” com um preço muito bom. Acontece que chegamos lá pouco mais de 1 hora antes do restaurante fechar e nos informaram que a cozinha já estava fechada e apenas o bar ainda funcionava. Eu, com minha cabeça de paulistana, não entendi muito bem como a cozinha do restaurante fechava 1 hora antes do horário anunciado no site. Com fome e decepcionados, voltamos para o hostel e fizemos o famoso “macarrão com molho” de viagem, acompanhado de outra cerveja, claro.

Tentando tirar foto a noite sem tripé
Tentando tirar foto a noite sem tripé

Um dia em Bratislava

Quando decidi ir para Budapeste, a ideia era de lá ir direto para a outra cidade que visitaríamos nesta viagem, mas aí analisando bem, pareceu uma boa ideia parar no meio do caminho e passar um dia na capital da Eslováquia. Diga-se de passagem, Budapeste foi escolhida porque era o lugar mais barato para se ir a partir de Helsinki e assim sigo com minhas viagens decididas de acordo com o preço do voo – e continuo não me arrependendo.

De Budapeste a Bratislava são apenas 3 horas de viagem. Viajamos com a Regiojet e o ticket custou apenas 7 euros. A empresa cobra 50 centavos de euro para cada mala “despachada”, mas oferece uma bebida quente de graça na viagem, o ônibus é super confortável e tem TV – eles também emprestam o fone de ouvido. O sinal wifi só funciona dentro do território tcheco, país de origem da empresa.

O ônibus na rodoviária de Bratislava
O ônibus na rodoviária de Bratislava

Chegamos já perto das 21h, mas ainda estava claro. Não há absolutamente nada escrito em inglês na rodoviária! Eu havia lido em alguns blogs que os arredores da rodoviária era medonho, tipo, horrível mesmo, mas eu achei absolutamente normal, apenas não é um lugar bonito e não te dá aquela sensação “de estar na Europa”, apesar que, sim, tem muito lugar feio na Europa, basta você sair um pouco só das zonas turísticas das grandes cidades e vai perceber isso. Lembro até hoje o quão medonho era os arredores da estação de trem onde desci quando cheguei no centro de Bruxelas e foi apenas andar alguns quarteirões e chegar no centro turístico que tudo ficou lindo de repente.

A rua do rodoviária. Parece medonho para você?
A rua do rodoviária. Parece medonho para você?

O hostel ficava a menos de 2km de lá e já havíamos nos programado para ir  a pé. Salvei o mapa do Google com o roteiro em azul, mas é claro que nos perdemos. Chegamos até o centro turístico, onde tudo ainda estava aberto e funcionando (era uma sexta-feira à noite) e sabíamos que o hostel era ali perto, mas simplesmente não conseguíamos achar. Uma dica (que agora serve para mim também): é possível baixar o mapa offline de qualquer cidade no Google Maps, que é deletado 30 dias depois se o usuário não estender. Além disso, há apps que te deixam baixar o mapa offline de várias cidades e isso ajuda muito! No Google Maps, por exemplo, mesmo sem internet, o GPS do próprio celular aponta onde você está e você pode digitar o endereço de onde quer ir e ele aparece no mapa, a única diferença da versão online é que o Google Maps não traça o roteiro, mas sabendo no mapa onde você está e onde você quer ir já está ótimo. Uma pena que eu não sabia disso quando fiz esta última viagem e só conseguimos nos achar porque vimos dois policiais andando na rua com celular na mão e pedimos que nos ajudassem. Um deles traçou o roteiro no mapa, eu tirei foto e ele apontou o caminho. Foi um sufoquinho chato, mas chegamos no hostel.:/

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Cansados e morrendo de fome, ainda tivemos o azar de chegar no Patio Hostel quando um grupo de umas 4-5 famílias com muitas crianças estava fazendo check-in. Aparentemente, o grupo estava viajando de bicicleta e eu não pude evitar de pensar na coragem deles de viajar com tantas crianças pequenas em bicicletas! Depois de vários minutos esperando, o check-in eterno terminou e fizemos o nosso.

O hostel é grande e os quartos lembram muito um hotel. Ficamos num quarto para apenas 4 pessoas e estava tudo muito limpo e organizado. Eles disponibilizam toalha de banho, shampoo e sabonete, algo incomum em hostels.

No dia seguinte, saímos cedo e fomos conhecer o centro da cidade, que ainda estava vazio no horário. A cidade é muito pequena, porém linda. No dia estava tendo uma celebração a Napoleão, então havia várias pessoas vestidas com roupas da época e encenando danças, tocando instrumentos e atirando!

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Ficamos observando um pouco e fomos visitar a Catedral de São Martinho, a maior e uma das mais antigas igrejas de Bratislava e onde aconteciam as coroações dos reis entre 1563 e 1830. A entrada é gratuita e dentro da catedral há uma parte do piso que é de vidro e podemos ver esqueletos – a catedral foi construída em cima de um cemitério.

O walking tour começava ao meio-dia na praça principal e apesar da cidade ser bem pequeninha, achamos melhor fazer o tour, já que ele basicamente cobriria todas as atrações turísticas.

Ponto de encontro do tour
Ponto de encontro do tour

Como não tinha tanta coisa assim para ver, muito do tour foi sobre a história do país, o período comunista, comidas e bebidas típicas e curiosidades da língua e cultura eslovaca, como, por exemplo, no país ter um dia do ano para cada nome próprio e que é realmente celebrado como o dia da pessoa que tem aquele nome, como um segundo aniversário. Passamos pela Catedral de São Martinho novamente e outros pontos e paramos em frente da famosa estátua do operário “dentro do bueiro”.

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A estátua em tamanho real fica na na esquina das ruas Laurinská e Panská e está lá desde 1997, representando um trabalhador da era comunista que simplesmente não se importa de fazer seu trabalho. Reza a lenda que passar a mão no capacete dele trás sorte. Passamos por algumas estátuas no nosso dia em Bratislava e se você quiser visitar todas elas, neste site tem o endereço de cada uma.

O tour terminou após visitarmos a Igreja Azul, única atração que ficava um pouco afastada do centro turístico. É uma igreja toda em arte nouveau e, segundo a guia, é a mais disputada para casamentos.

A igreja azul
A igreja azul

O tour durou 3 horas, mas eu recomendo porque é um ótimo jeito de passar pelas principais atrações e conhecer a cidade com um local, principalmente se vai passar apenas um dia como eu.

Depois do tour, para não perder muito tempo, compramos uma baguete de 2,50 euros (a moeda da Eslováquia é o euro também) no centro (muito bem recheada e gostosa) e fomos para o Castelo de Bratislava.

O castelo lá em cima
O castelo lá em cima

O castelo fica numa colina e de lá se tem uma vista privilegiada do Danúbio e de Bratislava, então o ideal seria ir num dia ensolarado para aproveitar bem a visita, o que, felizmente, foi nosso caso.

Hoje em dia o castelo é um museu e a entrada custa apenas 2 euros. Passamos quase 2 horas dentro do castelo e deu para ver tudo com calma e ainda subir numa das 4 torres – a subida é feita somente por escadas e elas são nem íngremes.

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A torre em formato de “disco voador” que aparece na foto acima, vista a partir do Castelo de Bratislava, segundo a guia do nosso walking tour, foi construída durante o período comunista no país e hoje em dia muitas pessoas acham feio e um símbolo daquele período que deveria ser removida. De qualquer forma, ainda está lá e há um restaurante lá em cima, que não tivemos a curiosidade – e nem o tempo – de conhecer.

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Voltamos a praça principal da cidade, onde compramos algumas lembrancinhas, e já era hora de voltar ao hostel para pegar nossas mochilas e voltar a rodoviária para seguir ao próximo destino.

Conclusão

Bratislava é uma cidade linda e nada lembra aquele lugar cinza e sombrio do filme O Albergue (um filme que me arrependo amargamente de ter visto) e, aliás, nossa guia nos contou que a cidade só levou a fama mesmo, pois o filme todo foi rodado em Praga, então nem adianta procurar cenários do filme na cidade.

O centro histórico é realmente lindo e tudo está muito bem conservado. Acertamos em ficar apenas um dia na cidade, pois conseguimos fazer tudo. Havia um museu no centro que não tivemos tempo de entrar, mas também não seria algo obrigatório e apenas recomendaria 2 dias em Bratislava para quem tem um ritmo de viagem mais tranquilo ou quer curtir algum passeio noturno e restaurantes – nós não tivemos tempo de experimentar nenhuma comida típica, por exemplo.

Bratislava
Bratislava