Sobre como eu quase perdi o mestrado

A vida é essa coisa que você planeja e de repente pá! Não acontece nada como você planejou. E tudo bem, para tudo dá-se um jeito, não é? Bom, no meu caso eu quase achei que não ia ter jeito nenhum, mas vocês terão que ler o post da “fênix” aqui (estaria eu ressurgindo das cinzas e voltando a postar neste humilde blog?) todinho para entender a confusão que arranjei e como tudo acabou.

Eu voltei ao Brasil em janeiro com absolutamente todas as matérias e estágios finalizados lá em Oulu, faltando só aquele nem tão pequeno detalhe que eu não entreguei a tese. Meu plano: chegar no Brasil e não trabalhar até o fim de maio ou junho para poder me dedicar a tese com a vantagem de não estar pagando meus custos de vida em euro (na verdade, de nem estar pagando nada – paitrocínio) e virar mestre. O que aconteceu: estava entediada em casa (vocês já escreveram uma tese? Não é exatamente empolgante) e me sentindo muito mal por não ter dinheiro pra comprar nem uma casquinha no McDonald’s, então comecei a procurar um emprego em fevereiro e em abril eu já tinha 2 empregos com carteira assinada (coisas de professor), um informal, aulas online e alunos particulares. E onde entrou a tese no meio disso tudo? Foi pra escanteio! Para não dizer que nada fiz, neste 1 mês e pouco sem trabalhar eu finalizei todas as minhas entrevistas, fiz a transcrição e juntei referências para a parte teórica.

Depois de arranjar mil empregos e definir novas metas e planos pra vida, gradativamente a tese foi ficando esquecida na minha cabeça… até que simplesmente sumiu da minha lista de prioridades. Eis que me programei e pensei: em 2017 preciso juntar dinheiro, portanto, vou desencanar de terminá-la este ano e deixo pra 2018, quando tudo estiver mais calmo. Quem nunca adiou planos acadêmicos que atire a primeira pedra. Trancar faculdade, parar o curso de inglês por um tempo, deixar aquela pós para um pouco mais pra frente… eu só estava sendo uma pessoa normal uma vez na vida – eu sempre fui muito certinha e há alguns anos acharia inadmissível essa história de concluir o mestrado depois. Things change.

Até aí não está tudo ótimo, mas estava tudo certo. Certo? Errado. Entre junho e setembro (ou “até agora”) eu estava numa correria tremenda da vida e ainda tendo que dar conta de todas os empregos que eu citei lá no comecinho. E o que eu esqueci de fazer? Rematrícula na universidade. E por que eu deveria fazer rematrícula?, você me pergunta. Porque eu ainda não terminei o mestrado, portanto, preciso manter algum vínculo com a universidade e tudo que deveria ter feito era me rematricular como aluno ausente, pois não receberia nenhum crédito no segundo semestre de 2017. E eu fiz isso? Não. E quando me dei conta, no fim de setembro, que precisaria fazer isso, o que descobri? Que o período de matrícula havia se encerrado em 12/09. Daí começa a saga para “não jogar todo o investimento do mestrado no lixo e levar um puxão de orelha da minha mãe“.

Além de ter perdido a data de matrícula, a minha conta para acessar o site da universidade seria suspensa. E como se isso já não fosse suficiente, minha senha de acesso ao sistema que estava para expirar já havia expirado!

Resumindo a treta toda:
1. Eu perdi o período de matrícula;
2. Por não ter me rematriculado, minha conta estava com os dias contados para expirar (28 dias depois do fim do período de matrícula, ou seja, 11/10);
3. Minha senha havia expirado e eu não conseguia nem entrar no sistema para ver se dava pra dar um jeitinho.

E quando me dei conta do problemão, foi um tal de correr atrás de um monte de gente que achei que pudesse me ajudar. Foram algumas mensagens no messenger de conhecidos e tentativas de comunicação com a universidade, tudo a muitos quilômetros de distância.

Primeiro, contatei o pessoal do TI pra tentar reaver minha senha. Eles me deram uma senha provisória que eu deveria usar para redefinir minha senha, mas essa senha não era aceita no site de “mudar senhas”. Enfim, estou com a senha fornecida por eles. Melhor que nada. E esta história está muito resumida, porque com uma diferença de 6 horas de fuso horário, nossa comunicação era na base de um email ao dia, porque eu mandava a noite quando conseguia acessar a internet (sou professora, né, não passo o dia em frente a um computador e muito menos fuçando celular), eles me respondiam quando era madrugada aqui e mesmo que eu respondesse de manhã, se passasse das 10h aqui, já era fim de expediente lá. Sério, essa novela de redefinir senha levou uns 5 dias entre erros e acertos.

Depois fui caçar no próprio site da universidade alguma informação sobre babacas como eu que simplesmente dormiram no ponto e perderam a data de matrícula. Não achei muita coisa, então mandei email para o student center. Demoraram um pouco a responder, mas veio a solução: preencha esse formulário de re-rematrícula e pague uma multa de 35 euros. Como as coisas evoluem muito, hoje em dia o Transferwise já faz remessas de dinheiro do Brasil para  o exterior, mas elas ainda demoram uns 3 ou 4 dias para chegar ao destino e eu não estava assim exatamente com todo esse tempo, porque meu acesso ao sistema já estava prestes a expirar. Entrei em contato com uma amiga que ainda mora em Oulu e pedi que ela fizesse a transferência e me mandasse o comprovante. Tudo feito, formulário preenchido e záz! Enviei. Devido a problemas de fuso já citados, essa história levou uns outros 5 dias também. Ah, eu reembolsei a dita amiga via Transferwise! 🙂

No dia seguinte o student center já confirmou que estava tudo certo e haviam reativado meu status de estudante. Ufa! Porém, seria cômico se não fosse trágico que neste mesmo dia meu acesso ao sistema expirou! :/

Felizmente, esta questão foi mais simples de ser resolvida. Assim que o departamento de TI recebeu a confirmação da minha re-rematrícula, o acesso foi ativado novamente.

Agora a situação é essa: estou ativa no sistema como aluna ausente e não preciso pagar a taxa estudantil de 54 euros. No próximo semestre, em 2018, eu precisarei me matricular (o prazo é 31/01/18 – alguém certifique-se que eu fiz isso, por favor… hahaha), mas desta vez como aluna presente, pagar a taxa e receber os créditos pela tese que, se tudo conspirar pro lado certo, será entregue em 2018!

Juro que por alguns dias eu achei que daria tudo errado e não conseguiria me formar, mas parece que o jogo virou, não é, Murphy?! O plano para 2018 é largar uma parte dos meus empregos para focar na tese. Me cobrem!

 

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5 comentários sobre “Sobre como eu quase perdi o mestrado

  1. Silvia Sabrina

    Oh Gosh!!! Estava aflita até o final…você também é boa para escrever suspense!!!!!
    Bia, que ótimo que você percebeu a tempo de não perder tudo, tem coisas que vêm parar na nossa mente do nada e nos salvam de cada uma. Essa com certeza foi uma delas.
    Agora é colocar o lembrete no celular, agendas físicas e virtuais e tudo mais que for possível para não esquecer da próxima.

    Abraços 🙂

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