Como aprendi inglês – Parte 1

E todo mundo vai para a Irlanda pra… pra que? Pra que? Pra aprender inglês, não é mesmo? Ou é isso que a galera fala pra família e pros amigos! E eu já cheguei lá manjando do inglês e só tive que treinar as orelhas para o sotaque irlandês. Mas e como eu aprendi a falar essa língua que faz muita gente querer bater a cabeça na parede?

Bem, acho que tudo começou mesmo quando eu era bem criança e percebia que tinha algumas músicas que eu não entendia patavinas do que ouvia e fiquei sabendo que aquilo era inglês. Conclusão: eu dobrava a língua e fingia que estava falando inglês com minha irmã. Pois é, ser criança é ser muito feliz e nonsense. Mas a partir disso já dava para prever meu futuro como professora de inglês: eu nem sabia falar e já estava falando!

Quando eu tinha uns 9 anos, uma escola de inglês, que era umas das tops nos anos 90, deu bolsas para os melhores alunos da escola. Errr… eh, sim eu fui uma das escolhidas e, apesar de o curso ser de graça, o material era pago e eu tive que quase implorar pra minha mãe fazer um esforço pra pagar o material e eu poder cursar inglês. Eu ia para o curso toda feliz, afinal, eu tava fazendo inglês, né, gente? Mas não sei se era a metodologia ou se era eu, mas eu não aprendi muita coisa… eu não tenho lembranças vívidas das aulas, mas lembro que havia historinhas mostradas em slides (e quando eu falo slide, eu não falo de Power Point) e várias musiquinhas. Enfim, acabei fazendo apenas um semestre e parei porque a bolsa não era eterna.

Já com meus 11 anos, comecei a gostar de boy bands (pré-adolescência anos 90, desculpa) e comprei meu CD do Five, uma banda inglesa. Ficava ouvindo as músicas acompanhando as letras no encarte sem saber muito bem do que eles estavam falando. Naquela época, a internet ainda era um dinossauro e não tinha a facilidade que tem hoje para achar a letras das músicas, menos ainda traduzidas. Então, eu pegava o dicionário e traduzia as músicas palavra por palavra e, claro, quando terminava a tradução, eu ainda continuava sem saber do que as letras falavam. Mas o importante dessa história toda é que eu já gostava muito de inglês, tinha muito interesse e queria aprender o idioma, só não tinha meios muito eficientes de como fazê-lo.

Com o encarte deste CD eu comecei a aprender inglês!
Com o encarte deste CD eu comecei a aprender inglês!

Hoje em dia tem mil sites com dicas de inglês, vídeos no YouTube ensinando inglês, sites que conectam pessoas que querem aprender um idioma… muita coisa! Mas quando o primeiro computador apareceu em casa no ano 2000, com seu Windows 98 e internet discada, não havia quase nada a respeito. Mas o Five, a banda aí do lado, já tinha site e eu passava horas nele e tentava conversar com a galera no chat.

Quando eu fiz 13 anos, minha mãe me disse que havia conversado com meu pai e decidido que era importante eu fazer inglês e que a gente ia visitar algumas escolas para decidir qual seria a melhor pra mim. Acho que meus olhos brilhavam de tanta alegria! Finalmente eu ia estudar inglês de verdade!

Não sei quais foram os critérios de escolha, mas minha mãe me matriculou numa escola que na época não era tão grande, mas hoje tem uma unidade em casa esquina. Esta escola é até meio criticada por professores e tal por causa de seu método, mas eu não posso cuspir no prato que eu comi, pois foi nela que estudei por 6 anos e aprendi o grosso do inglês que sei hoje. Lembro bem da minha primeira aula e que eu já saí conseguindo formar algumas frases. Cheguei em casa e falei toda orgulhosa pro meu pai!

Eu fazia inglês aos sábados de manhã. Acordava com o rádio-relógio (porque nem celular as pessoas tinham direito naquela época pra usar como despertador), me trocava, tomava café e ia sozinha para a aula. Nunca faltei por preguiça ou sono, sempre entregava minha lição de casa em dia e participava das atividades extras. Quando eu paro e penso que eu fazia tudo isso já com 13 anos, não consigo não lembrar dos meus alunos que com mais ou menos a mesma idade parecem que precisam ser pegos pela mão para fazerem as coisas! Enfim, o fato de eu sempre gostar e querer aprender inglês fez toda a diferença, afinal, acho que quando queremos e estamos motivados, sempre damos um jeito para fazer qualquer coisa, quando não, sempre achamos uma desculpa (para nós ou para os outros).

O método da escola não trabalhava com nomenclaturas, então eu sentia que aprendia as estruturas da língua naturalmente. No começo, havia comparações de frases em português e inglês, então, eu sabia que tal frase se falava de tal jeito em inglês e nunca me questionei os porquês do inglês ser assim ou assado. Acho que sempre tive claro que eu não poderia comparar estruturas de duas línguas diferentes. Então, por exemplo, quando me falaram que “Quantos anos você tem?” se falava “How old are you?“, eu pensei “ok”, não pensei por que tinha old ali no meio e que a tradução literal não batia. Isso atrapalha muita gente quando está aprendendo. Outra coisa, é que o método tinha como foco o uso da estrutura, não que eu soubesse dar o nome a ela e sua fórmula. Então, quando aprendi o passado, por exemplo, não houve muita explicação de porque se usava did e didn’t, só falaram “é assim” e eu entendi.

Quando cheguei no Ensino Médio eu já estava fazendo inglês há 2-3 anos e já me virava bem, ou seja, eu não participava das aulas porque já sabia tudo (fazia só o necessário) e sempre tirava notas altas nas provas. Consequentemente, depois de um tempo, inexplicavelmente, eu ganhava 39 melhores amigos nos dias de prova de inglês!

Lembro da primeira vez que ouvi uma música e entendi a letra. Quem está aprendendo inglês sabe o quão gostosa é essa sensação. Mas nesta época, eu ainda não conseguia ver filmes sem legenda e praticava mais mesmo com músicas e em chats em sites em inglês por aí.

[Como o post já está enorme, eu termino essa história depois]

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5 comentários sobre “Como aprendi inglês – Parte 1

  1. “Don’t wanna let you gooooo, we just wanna tell you…”

    Ainda lembro dessas letras todas de cabeça. 5ive, BSB, Britney, toda essa tralha me ajudou a aprender, me interessar e desenvolver meu inglês. Só tenho a agradecer!

  2. Mila

    Caramba!!! Parece que estou lendo a minha própria história, com algumas diferenças… No lugar do Five, Backstreet Boys (but my love is all I have to give, without you I don’t think I can liiiiive)… comecei a estudar aos 15 e em uma escola independente, para só depois ir para escolas de bandeira. Aos 17 comecei a dar aula, aos 19 já era coordenadora, mas a vida às vezes dá umas reviravoltas inexplicáveis e enfim… larguei as classrooms há 6 anos, mas morro de saudade!

    Agora estou tentando retomar minha carreira… fiz o CAE (passei! uhuuulll – e o CPE, vc conseguiu derrubar o monstro?), quero muito passar um tempo fora, pq nunca tive grana para tal, embora tivesse muita vontade… Enfim, espero voltar pro mundo do ELT porque é uma coisa de paixão mesmo!

    Adorei seu blog e me sinto motivada ao ler seus posts, às vezes me pego rindo sozinha, parecendo que eu escrevi aquilo… Te desejo muito sucesso!!! Obrigada por me trazer ótimas lembranças! rsrs

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