Como aprendi inglês – Parte 2

Quando comecei a faculdade de Letras, em 2006, eu já sabia que queria fazer inglês, mas o primeiro ano do curso na USP é o tal ciclo básico e só tem aula de Português. Em 2006 também eu terminei meu 6º ano de inglês e já estava meio de saco cheio de ir pra aula, porque eu sentia que eu já poderia aprender o que precisasse por conta própria.

Quando comecei a habilitação em inglês no ano seguinte, eu fiquei com um medinho, porque sabia que as aulas seriam ministradas em inglês, as leituras obrigatórias em inglês e trabalhos e provas, vejam só, em inglês também. E até então, nunca havia precisado falar e entender inglês fora da escola de inglês. Foi tudo bem, mas no início eu nem piscava durante as aulas com medo de não entender os que os professores falavam. Foi na faculdade que minha fluência começou a melhorar também, pois tinha muito contato com a língua, aprendi fonética e fonologia e fiquei mais ciente da minha pronúncia. Até lembro que quando cursei Fonética I, precisei mandar um áudio meu lendo um texto enviado pela professora para ela identificar nossas dificuldades de pronúncia… pois bem, um tempo atrás achei este áudio e quase chorei com meu inglês daquela época!

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Se você me perguntar quando eu comecei a me sentir fluente no idioma, eu não sei responder. Eu sei que com certeza aprendi todo meu inglês de sobrevivência básica na escola de idiomas e provavelmente terminei o curso com um nível entre intermediário e quase avançado, ou B2 de acordo com o common european framework of reference for languages. Na faculdade eu pude melhorar minha fluência e praticar, mas só me dei conta de que realmente sabia falar inglês quando fui fazer intercâmbio nos EUA em 2008 e na primeira conversa que tive com a hostfamily, no quintal da casa fazendo um churrasco bem no estilo americano, o P., pai das crianças, me perguntou se eu realmente nunca havia saído do Brasil antes, pois meu inglês era muito bom. Fora isso, todos os amigos da família que visitavam a casa e conversavam comigo, elogiavam meu inglês. Mas eu estava lá para aprender, e nas minhas horas vagas eu assistia muita TV com legendas para associar o que ouvia à palavra escrita e ia anotando o que eu não sabia para procurar no dicionário mais tarde. Conversava muito com a família e prestava atenção nas expressões que eles usavam e no contexto e assim, aprendi muita coisa por osmose. O que eu não conseguia entender, eu perguntava para eles e até a A., que tinha 4 anos na época, me ensinava o significado de várias palavras.

Quando voltei para o Brasil eu já me expressava muito bem no idioma e foi quando finalmente me senti segura para falar e comecei a dar aula! Ufa! Digo que quando fui para os EUA eu tinha aquele inglês meio engessado de escolas de idiomas e lá que aprendi o inglês do dia-a-dia.

Já na Irlanda, alguns irlandeses me diziam que eu tinha a bit of an American accent. A B., mãe dos loirinhos, não parava de dizer que meu inglês era melhor que o dela (no fundo, acho que ela queria me agradar). Um amigo americano que cursou algumas matérias comigo na USP e analisou meu sotaque para um seminário de uma matéria da Licenciatura disse que eu quase soava nativa, mas alguns sons denunciavam que eu tinha sotaque. Numa de minhas viagens, fiz amizade com um neozelandês que disse que eu tinha um sotaque “muito bem trabalhado” e que falava melhor que muitos amigos dele. Um conhecido italiano fica surpreso em me ouvir falando inglês, pois acha incrível eu quase não ter sotaque (aliás, o dele é o típico sotaque italiano, mas eu entendo tudo que ele fala!). Ok, Bia, para de se exibir. Notou que não citei nenhum brasileiro nesse meio aí? É engraçado, mas brasileiro raramente elogia o inglês do outro fora de um contexto de aprendizagem… E embora pareça que estou me achando a última bolacha inglesa do pacote, levando-se em consideração que I speak English for a living, não é nada excepcional falar inglês e bem.

E eu sempre digo que ainda estou aprendendo inglês, pois a gente nunca pode parar de aprender. Hoje em dia, além de falar inglês boa parte da minha semana no trabalho, eu gosto muito de assistir filmes e seriados sem legenda para treinar listening e aprender expressões novas, por que não? Ouço muito músicas em inglês e sou daquelas que acompanha a música mexendo os lábios na rua (sim, a maluca). Tento ler livros em inglês sempre que possível e 2013 foi meu melhor ano: apesar de não ter lidos tantos livros quanto gostaria, todos os que li eram em inglês.

Eu falo coisas erradas? Claro! Quem já me ouviu falando inglês, certamente já deve ter pego algum erro de conjugação, uma preposição meio estranha e coisas assim. Minha pronúncia sai meio manca às vezes? Claro! Além do fator sotaque (que não é pesado, but it is still there), às vezes me confundo com sílaba tônica (gente, tenho esse problema até em português!), às vezes acho que tal vogal tem tal som e ops, errei e por aí vai. Tem hora que estou vendo um filme e não entendo patavinas do que o cara falou (principalmente se for um irlandês)? Sim! Enfim, mas estou sempre tentando melhorar e acertar, até porque, se eu vivo disso, nada mais justo que dar meu melhor sempre.

Se você leu até aqui sem pular nada, parabéns! Sou uma pessoa prolixa! 🙂

No próximo post vou escrever um pouco mais sobre aprender inglês… não vou chamar de dicas (porque isso você acha aos montes na internet), mas de uma reflexão sobre o que é aprender este idioma anglo-saxão! 🙂

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6 comentários sobre “Como aprendi inglês – Parte 2

  1. rickmartins

    Adorei esses dois posts! Olha, eu to trilhando o mesmo caminho que vc.. tirando que nao tenho ingles na faculdaed e nem quero dar aula de ingles…haha. Cheguei aqui com ingles 5 anos de CNA e to desenvolvendo mais agora.

    Ta todo mundo me elogiando Bia (os gringos, ne)pq brasileiro hahaha

    Bjo!

  2. O que aconteceu? Teve uma brainstorm para escrever tanto assim? rs… Estava inspirada e creio que estes dois posts foram muito interessantes. Lembra quando estava em NY e um guarda de um dos prédios que visitou o terraço disse não acreditar que você não era americana? Hilário…

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