CPE II – O resultado

Eu escrevi aqui e aqui sobre como foi prestar o CPE pela segunda vez, desta vez em terras brasileiras. O resultado saiu há quase 2 meses e o fato de eu não ter vindo correndo escrever um post sobre isso só pode indicar uma coisa: nope, eu não passei novamente. E sim, por poucos pontos como da primeira vez.

Eu fiquei chateada? Deprimida? Me sentindo uma analfabeta funcional em inglês? Nope, eu fiquei foi com dor no bolso de ter gasto tanto dinheiro numa prova sem conseguir o certificado. Mas eu estudei direito? Eu fiz curso preparatótio? Nope. Logo, tomei por minha conta e risco.

Eu fui razoavelmente bem no writing (eu escrevi uns 2 ou 3 antes das prova), mas o restante da prova ficou ali no borderline para weak, aí na média, o writing não conseguiu me salvar e não passei por pouco, muito pouco. Na primeira vez, eu havia ido muito bem no listening, lembram? Desta vez, foi horrível! O que me faz novamente pensar na questão que eu sempre falo para todo mundo: a Bia que prestou o CPE em junho de 2013 foi a mesma Bia que prestou o CPE em dezembro do mesmo ano. De junho a dezembro, esta Bia continuou usando inglês diariamente, assistiu 8 temporadas de Dexter em inglês e sem legenda, leu uma bibliografia de 600 páginas em inglês (e inglês nível CPE) dos Smiths e assistiu diversos vídeos no Youtube em inglês, além de ter feito uns dois mocks de listening do CPE (que ela foi bem até). Em outras palavras, esta Bia manteve contato com o idioma entre um exame e outro, sendo assim, não seria lógico seu nível de listening piorar, não é mesmo? Como eu vou muito bem em junho e mal em dezembro? Simples, porque as provas de Cambridge são imprevisíveis e como eu já falei mil vezes aqui nesse blog, elas não provam que você é fluente em inglês, provam que você soube fazer a prova e fim de papo. Você só está falando isso porque você não passou. Quem acompanha o blog e já leu todos os posts que fiz sobre as provas de Cambridge sabe bem que não é por isso. Obviamente eu estaria muito mais feliz se tivesse passado, teria sambado na cara de Cambridge e melhoraria meu currículo, mas de boa? Sabe quanto de aumento eu ganhei por ter tirado o CAE? E sabe quanto eu ganharia com o CPE? Cri cri cri.

O CPE é como o vestibular: não prova muita coisa. O último prova que a pessoa soube fazer uma prova conteudista, mesmo que ela não faça ideia do que fazer com toda a informação depois. O segundo prova que você tem domínio da língua inglesa e teve jogo de cintura para fazer a prova. Eu não tive jogo de cintura para fazer prova, não sou uma falante meia-boca de inglês, sou uma pessoa que não sabe fazer o CPE, mas que soube fazer o CAE. E eu soube fazer uma prova conteudista e entrar na USP. Sou melhor do que aqueles que não conseguiram? Nope.

Eu não pretendo prestar o CPE tão cedo novamente por motivos de: não terei retorno financeiro imediato e nem a curto prazo (uma questão que, aliás, tem me desmotivado a fazer cursos e afins também) e não estou à fim de gastar outros 600 reais nisso sabendo que não vou estudar (porque eu não tenho paciência, beijomeliga). Claro que ainda quero o certificado, mas com meus novos planos para o futuro, há outros certificados em língua inglesa mais úteis. Porém, contudo, todavia, quando alguém me falar “Bia, se você tirar o CPE seu salário vai aumentar em x dilmas”, bem aí é outra história. Meu ego pode esperar um pouco mais.

Resumindo: CPE é muito legal, sim, é bom para o currículo de um professor, sim, eu queria ter passado e muito, não ter passado não me fez sentir menos fluente, só que vou esquecer a ideia por um tempo pelas razões levantadas aqui.

Não é porque sabe falar inglês…

…que pode ser professor!

Dia desses, eu estava desperdiçando minha vida checando o Facebook e vi um post de uma pessoa conhecida que morou um ano no exterior e voltou ao Brasil recentemente. Ela estava oferecendo aulas de inglês, simples assim. “Quer aprender inglês de verdade? Fale comigo. Aulas por Skype”. Li. Indignei-me. Desabafei com a Bárbara (um oceano de distância não é suficiente para nos afastar). Como uma pessoa ousa a se achar capaz de ensinar uma língua que ela não domina com o argumento de “morei um ano no exterior”? Eu já havia lido posts em inglês desta pessoa no Facebook e bem, ela consegue se comunicar, mas apresenta vários erros gramaticais e tem a tendência de traduzir literalmente do português (o famoso “falar português em inglês”), então, jura mesmo que ela se sente capaz de ensinar inglês e cobrar por isso?

Ah, Bia, para de ser chata! Deixa o ser humano ser feliz!

Não dá. Eu dou aula, mas eu sou formada em Letras por uma boa universidade, eu fiz 6 anos de curso de inglês e só depois de morar um ano fora e melhorar minha fluência que me senti confiante para ser professora. Mas nada disso é essencial, pois conheço ótimos professores que não são formados em Letras e/ou não moraram fora. Eu sou quase formada no curso de Licenciatura e já fiz diversos treinamentos. Mas isso também não é essencial, pois conheço pessoas formadas ou com excelente nível de inglês que são péssimos professores (não sabem ou têm preguiça de ensinar).

Falei o que não é necessário para ser professor. Mas e o que precisa?

Há pessoas que pensam que porque aprenderam a conjugar o verbo to be, já podem dar aula. Mas não, a primeira coisa é dominar aquilo que você quer ensinar. Uma pessoa com um inglês razoável que consegue se comunicar não é, necessariamente, capaz de identificar as dificuldades daquele que aprende, além disso, como identificar erros se nem você sabe direito o que está fazendo? É óbvio que não precisa saber toda a gramática de inglês de cabo a rabo, eu não sei (nem do português), mas um nível avançado, no mínimo, a gente precisa, além de ter conhecimento daquilo que se usa no dia-a-dia. Conheço uma outra pessoa que é professora de inglês e já a vi postar diversas vezes no Facebook que estava “corrigindo homeworks”. Homework é um substantivo incontável, ou seja, não tem a forma plural. E eu acho que é uma palavra muito comum na vida de um professor para não saber que homeworks é errado. Só acho.

O domínio do idioma não significa apenas saber gramática e ter muito vocabulário. Pronúncia e entonação são fundamentais. Uma pessoa que converse com você em inglês com a mesma musicalidade do português, sorry, não é completamente fluente. Pessoa com pronúncia ruim também não, e é importante não confundir pronúncia com sotaque. Falar “comforteibou” para comfortable é problema de pronúncia, não de sotaque. Finalmente, inglês é uma língua e português é outra e nem da mesma família de línguas elas fazem parte. Pode parecer óbvio, mas na prática, pra muita gente, não é. Muitas vezes me deparo com frases escritas por brasileiros em inglês que eu enxergo o português nas entrelinhas- a pessoa foi pensando na sua frase em português e na hora de escrever, só colocou as palavras em inglês. Uma pessoa com pleno domínio da língua não faz isso.

Tá, Bia, a pessoa domina a língua inglesa plenamente, pode dar aula? Não! Você, nativo do português, conseguiria dar aula para um estrangeiro que não fala a nossa língua? Você conhece as metodologias utilizadas no ensino de idiomas? Conhece as tendências? Já ouviu falar em alfabeto fonético? Sabe ler e escrever palavras usando o tal alfabeto fonético? Sabe aplicar exercícios utilizando materiais lúdicos? Tem ouvidos treinados para reconhecer erros de pronúncia e gramática? Consegue identificar os pontos altos e baixos do seu aluno? Para ensinar inglês (ou qualquer coisa nesta vida) não basta apenas dominar o assunto, mas saber transmiti-lo, ser o agente facilitador entre o aluno e o objeto de estudo.

Dito tudo isto, eu me incomodo sim ao ver pessoas sem domínio da língua querendo “ensinar” inglês para ganhar uns trocados. Acho que é menosprezar a profissão que eu escolhi pra mim por vocação (porque vamos combinar que ninguém entra nessa vida pra ficar rico) e que eu sempre me esforcei como pude para dar o meu melhor. Então, a pessoa vai morar um ano no exterior e volta para o Brasil se sentindo o professor? My ass.

Aprendendo inglês

Quero, preciso, necessito aprender inglês! Como faz?

Nos últimos posts eu escrevi como foi aprender inglês pra mim. Eu não aprendi sozinha (fiz inglês por 6 anos), mas eu sempre gostei muito do idioma, sempre quis aprender e, portanto, sempre estive muito motivada. Aprender inglês nunca foi um martírio pra mim, muito pelo contrário, sempre foi algo que fiz com prazer.

Vamos aos fatos.

Estudos indicam que crianças conseguem aprender inglês com muito mais facilidade do que adultos. A ideia é que nascemos com várias “janelas” abertas para aprendermos o que quer que nos ensinem: tocar piano, patinar, nadar, aprender outro idioma. E estas janelas começam a se fechar no início da adolescência, entre os 11-13 anos. E o que isso significa? Falando de inglês, especificamente, significa que uma criança que comece aprender inglês ou seja exposta ao idioma desde pequena tem uma probabilidade muito maior de se tornar fluente do que uma pessoa que comece a aprender o idioma quando adulto. Além disso, a criança tem chances de falar como um nativo, sem sotaque. Mas isso quer dizer que um adolescente ou um adulto jamais conseguirá ser fluente ou falar muito bem, pois sua janela já se fechou? Bem, eu comecei a aprender inglês aos 13 anos, quando a tal janelinha estava se fechando – sua desculpa já era! Lembra do amigo americano que citei no post anterior? Ele começou aprender português aos 17 anos e na época, aos 22, seu português era muito bom, com sotaque muito leve. Ou seja, sem desculpas.

O fato de começar a aprender inglês mais velho não significa que a pessoa jamais falará bem, mas que precisará se dedicar mais, pois certamente já não tem mais a mesma facilidade que uma criança. E quanto antes puder começar, melhor ainda!

Se você procurar pela internet e principalmente no YouTube, onde cada um posta o que bem quiser, vai achar mil métodos mágicos de aprender inglês sem esforço. Desculpe desapontar, mas se você já passou da adolescência, isso não existe! Você vai precisar sim se dedicar para aprender: ir às aulas (não apenar em corpo, mas em mente também- muito importante!), fazer sua lição de casa e nunca deixar suas dúvidas se acumularem. Um professor que se preze nunca vai se recusar a sanar suas dúvidas- talvez não seja possível fazer isso durante a aula, mas depois dela sempre há um tempinho.

Além disso, você não pode se contentar com aquilo que aprende em aula. O professor não pode ser sua única fonte de conhecimento, mas sim um facilitador entre você e o conhecimento, no caso, o inglês. Logo, além de te ensinar o verbo to be, o professor vai te direcionar para você também ser o responsável pelo seu próprio aprendizado. E não pense que o professor vai te falar “Oh, seguinte, em casa você vai fazer isso, isso e isso para continuar praticando.”, ok, às vezes até vai, mas vai chegar um momento que você já poderá ensaiar um voos por conta própria e aprender um pouco sozinho. Você pode fazer 10 anos de aula de inglês e ter o melhor professor, mas se não for atrás de mais conhecimento por si só, sorry, você nunca falará inglês bem. E o que você pode fazer fora das aulas?

Ler
“Ah, mas eu não gosto de ler nem em português!”
Eu poderia argumentar porque todos deveriam ler, mas como este não é o ponto, vamos passar para o motivo de se precisar ler em inglês. Como você quer escrever em inglês sem ler? Já notou que pessoas que leem mais escrevem e se expressam muito melhor? Eu sempre li muito desde criança e enfim, tenho o blog e creio que escrevo e me expresso bem. Coincidência? Mistério? Ou relação direita com meu gosto por leitura? Além disso, lendo você vai aprender palavras novas, ver expressões e gírias em seu contexto e ver a gramática em uso. Só não vale ler como se estivesse lendo em português, usando os sons da nossa língua. Mesmo fazendo leitura silenciosa, leia a palavra com a pronúncia correta.

Ouvir
Ouvir vozes? Sim, vozes de nativos. Ouça músicas, veja filmes e seriados, enfim, associe o inglês com alguma atividade que você goste. Todos nós gostamos de ouvir músicas e se você é daqueles que diz que só curte tal ou tal música tipicamente brasileira, faça um esforço para achar algum ritmo que você goste. Veja filmes que você já conhece a história- comece vendo com legenda em inglês e assim que se sentir confiante, veja sem. Você precisa ouvir muito inglês para poder falar inglês. Só ouvindo pessoas falando que você vai ouvir a gramática num contexto, aprender vocabulário, expressões e gírias e também associar as palavras à sua pronúncia correta.

Input/output
Ler e ouvir inglês é o que chamamos de input, ou seja, é toda a informação que “entra” na sua cabeça. Essa informação toda vai ser “processada” pelo cérebro e virar o output, ou seja, aquilo que você produz. Eu só posso falar e escrever aquilo que eu sei e sei porque já vi escrito ou porque já ouvi mil vezes. Assim, quanto mais input você receber, mais output vai produzir. E não se engane, a gente precisa de muito input até conseguir produzir- falar e escrever, não é “entrou-saiu”. Por isso, sempre que aprender uma nova gramática, palavra ou expressão, tente usá-la sempre que possível para poder internalizar. Se aprendo alguma expressão, por exemplo, e depois não uso, logo eu esqueço. Mas já aprendi tantas expressões vendo seriados sem legenda, pois eram constantemente repetidas!

Motivação
A revista Superinteressante publicou um artigo sobre poliglotas há algum tempo. Seria o cérebro dos poliglotas diferente? Bem, leia a matéria para descobrir por si mesmo, mas um ponto levantado neste artigo é que, acima de qualquer coisa, está a motivação. Um dos poliglotas citados aprendeu russo para ler os clássicos no original. Eu quis aprender inglês, à princípio, para entender o que minhas bandas preferidas estavam cantando e, claro, porque sempre gostei do idioma. Foi o inglês que me levou ao primeiro intercâmbio! Se você não estiver motivado, vai arranjar desculpas para não estudar inglês e a gente sabe que quem quer, arranja tempo! Se você não está estudando por amor à língua (como na maioria dos casos), tente associar inglês a algo que você goste para te motivar. Tenho certeza que você gosta de ao menos um seriado ou programa ou filme em inglês… que tal assisti-lo com áudio original?

Conclusão
Não vou dizer que todo mundo será fluente ou, pelo menos, falará muito bem o idioma nem dizer que há um método revolucionário. Eu nunca fui boa com Exatas e penei para passar em Química, Física e Matemática no Ensino Médio, mas passei. Me esforçando bastante, eu conseguia ir bem em matemática. Quase dando pane no cérebro, eu conseguia passar em Física. Já Química foi meu martírio e eu nunca consegui entender o que é um mol– eu nunca vou ser um gênio da química, mas consegui o suficiente para passar de ano. Levando isto para o inglês, você deve pensar: qual é o meu objetivo com a língua? O quão bem eu preciso falar? E a partir disso, traçar metas.

A minha opinião é que você não precisa ter um inglês impecável (a menos que sua profissão exija), mas saber o suficiente para se comunicar bem, entender e se fazer entender nas mais diversas situações e, claro, saber argumentar. Sotaque é permitido, desde que não atrapalhe a comunicação. A gramática deve ser a melhor possível, mas pequenos erros são aceitáveis – ou você fala tudo certinho em português?. Não foque na perfeição, não ache que só saberá falar inglês de verdade se não tiver sotaque e conseguir falar muito rápido (até porque, a tendência é que você use a mesma velocidade para inglês que usa em português – eu falo rápido em português, logo, em inglês também). E não tenha medo de tentar! Fale bastante e aprenda com seus erros. E quando chegar neste nível que descrevi no começo do parágrafo, well, por que não tentar ir um pouco mais além? 😉

Como aprendi inglês – Parte 1

E todo mundo vai para a Irlanda pra… pra que? Pra que? Pra aprender inglês, não é mesmo? Ou é isso que a galera fala pra família e pros amigos! E eu já cheguei lá manjando do inglês e só tive que treinar as orelhas para o sotaque irlandês. Mas e como eu aprendi a falar essa língua que faz muita gente querer bater a cabeça na parede?

Bem, acho que tudo começou mesmo quando eu era bem criança e percebia que tinha algumas músicas que eu não entendia patavinas do que ouvia e fiquei sabendo que aquilo era inglês. Conclusão: eu dobrava a língua e fingia que estava falando inglês com minha irmã. Pois é, ser criança é ser muito feliz e nonsense. Mas a partir disso já dava para prever meu futuro como professora de inglês: eu nem sabia falar e já estava falando!

Quando eu tinha uns 9 anos, uma escola de inglês, que era umas das tops nos anos 90, deu bolsas para os melhores alunos da escola. Errr… eh, sim eu fui uma das escolhidas e, apesar de o curso ser de graça, o material era pago e eu tive que quase implorar pra minha mãe fazer um esforço pra pagar o material e eu poder cursar inglês. Eu ia para o curso toda feliz, afinal, eu tava fazendo inglês, né, gente? Mas não sei se era a metodologia ou se era eu, mas eu não aprendi muita coisa… eu não tenho lembranças vívidas das aulas, mas lembro que havia historinhas mostradas em slides (e quando eu falo slide, eu não falo de Power Point) e várias musiquinhas. Enfim, acabei fazendo apenas um semestre e parei porque a bolsa não era eterna.

Já com meus 11 anos, comecei a gostar de boy bands (pré-adolescência anos 90, desculpa) e comprei meu CD do Five, uma banda inglesa. Ficava ouvindo as músicas acompanhando as letras no encarte sem saber muito bem do que eles estavam falando. Naquela época, a internet ainda era um dinossauro e não tinha a facilidade que tem hoje para achar a letras das músicas, menos ainda traduzidas. Então, eu pegava o dicionário e traduzia as músicas palavra por palavra e, claro, quando terminava a tradução, eu ainda continuava sem saber do que as letras falavam. Mas o importante dessa história toda é que eu já gostava muito de inglês, tinha muito interesse e queria aprender o idioma, só não tinha meios muito eficientes de como fazê-lo.

Com o encarte deste CD eu comecei a aprender inglês!
Com o encarte deste CD eu comecei a aprender inglês!

Hoje em dia tem mil sites com dicas de inglês, vídeos no YouTube ensinando inglês, sites que conectam pessoas que querem aprender um idioma… muita coisa! Mas quando o primeiro computador apareceu em casa no ano 2000, com seu Windows 98 e internet discada, não havia quase nada a respeito. Mas o Five, a banda aí do lado, já tinha site e eu passava horas nele e tentava conversar com a galera no chat.

Quando eu fiz 13 anos, minha mãe me disse que havia conversado com meu pai e decidido que era importante eu fazer inglês e que a gente ia visitar algumas escolas para decidir qual seria a melhor pra mim. Acho que meus olhos brilhavam de tanta alegria! Finalmente eu ia estudar inglês de verdade!

Não sei quais foram os critérios de escolha, mas minha mãe me matriculou numa escola que na época não era tão grande, mas hoje tem uma unidade em casa esquina. Esta escola é até meio criticada por professores e tal por causa de seu método, mas eu não posso cuspir no prato que eu comi, pois foi nela que estudei por 6 anos e aprendi o grosso do inglês que sei hoje. Lembro bem da minha primeira aula e que eu já saí conseguindo formar algumas frases. Cheguei em casa e falei toda orgulhosa pro meu pai!

Eu fazia inglês aos sábados de manhã. Acordava com o rádio-relógio (porque nem celular as pessoas tinham direito naquela época pra usar como despertador), me trocava, tomava café e ia sozinha para a aula. Nunca faltei por preguiça ou sono, sempre entregava minha lição de casa em dia e participava das atividades extras. Quando eu paro e penso que eu fazia tudo isso já com 13 anos, não consigo não lembrar dos meus alunos que com mais ou menos a mesma idade parecem que precisam ser pegos pela mão para fazerem as coisas! Enfim, o fato de eu sempre gostar e querer aprender inglês fez toda a diferença, afinal, acho que quando queremos e estamos motivados, sempre damos um jeito para fazer qualquer coisa, quando não, sempre achamos uma desculpa (para nós ou para os outros).

O método da escola não trabalhava com nomenclaturas, então eu sentia que aprendia as estruturas da língua naturalmente. No começo, havia comparações de frases em português e inglês, então, eu sabia que tal frase se falava de tal jeito em inglês e nunca me questionei os porquês do inglês ser assim ou assado. Acho que sempre tive claro que eu não poderia comparar estruturas de duas línguas diferentes. Então, por exemplo, quando me falaram que “Quantos anos você tem?” se falava “How old are you?“, eu pensei “ok”, não pensei por que tinha old ali no meio e que a tradução literal não batia. Isso atrapalha muita gente quando está aprendendo. Outra coisa, é que o método tinha como foco o uso da estrutura, não que eu soubesse dar o nome a ela e sua fórmula. Então, quando aprendi o passado, por exemplo, não houve muita explicação de porque se usava did e didn’t, só falaram “é assim” e eu entendi.

Quando cheguei no Ensino Médio eu já estava fazendo inglês há 2-3 anos e já me virava bem, ou seja, eu não participava das aulas porque já sabia tudo (fazia só o necessário) e sempre tirava notas altas nas provas. Consequentemente, depois de um tempo, inexplicavelmente, eu ganhava 39 melhores amigos nos dias de prova de inglês!

Lembro da primeira vez que ouvi uma música e entendi a letra. Quem está aprendendo inglês sabe o quão gostosa é essa sensação. Mas nesta época, eu ainda não conseguia ver filmes sem legenda e praticava mais mesmo com músicas e em chats em sites em inglês por aí.

[Como o post já está enorme, eu termino essa história depois]

CPE II – A vingança

E eu resolvi prestar o CPE novamente. Por que?

Primeiramente, como havia escrito no post anterior, porque sou brasileira e não desisto nunca. Segundo porque eu sou professora de inglês e ter um certificado de CPE enche os olhos de qualquer escola de inglês que eu for procurar emprego, ou seja, agrega valor ao currículo, agrega tudo! E também por uma questão de orgulho e mostrar pra Cambridge que eu posso tirar esse certificado! Mas sério, certificados são importantes para um professor, e é interessante tê-los, mesmo que eu não acredite neles (afinal, esse certificado prova que eu soube fazer a prova, porque provar que eu falo inglês eu faço todo dia, né?). Se quiser saber como foi minha primeira vez com o CPE, leia aqui.

Irlanda vs. Brasil

Antes de comentar sobre a prova, acho legal falar das diferenças que notei na organização do exame nos dois países.

Esta semana fiz um treinamento para ser fiscal de sala de Cambridge (pois ontem trabalhei durante os exames na escola em que dou aula e que também aplica a prova) e descobri que os candidatos que saem do Speaking test não podem ter contato com os candidatos que estão aguardando. Pensei um pouco e me perguntei: por que vi dois candidatos que haviam acabado de sair da prova batendo o maior papo com os amigos que ainda aguardavam sua vez? Ainda os ouvi contando qual havia sido o tema do Speaking deles… E a escola que aplica a prova aqui no Brasil é uma das mais tops.

Cheguei na escola 35 minutos antes do início da prova, como haviam solicitado e para quê? Para ficar esperando. Na Irlanda, chegamos antes para deixar nossos pertences guardados, tirar foto e ir para a sala. Aqui, nos chamaram às 7h40, 5 minutos antes do horário previsto para iniciar o exame, e ainda tivemos que desligar celular, colocar nossos pertences no canto da sala, esperar os examinadores se organizarem… resumindo, a prova começou com 15 minutos de atraso. Para compensar isso, reduziram nosso primeiro intervalo de 30 para 15 minutos. Bacanas, né? E quando nos liberaram para sair da sala, o examinador solta um “Ah, não se esqueçam de irem à recepção tirar uma foto, caso contrário, serão desclassificados”. E aquela meia hora que pedem para chegarmos mais cedo não seria exatamente para bater esta foto, meu senhor? Ah não, é pra fazer isso nos 15 minutos de intervalo que te dei! Humpf…

Nos intervalos entre as provas, a escola na Irlanda nos ofereceu um lanchinho: suco, chá, bolachas. Aqui, nada.

Na Irlanda, a sala tinha mesas e cadeiras (bastante espaço para abrir a prova e escrever), meu nome e número de inscrição colados na mesa, lápis, caneta e borracha providenciados pela escola e ainda uma folha de rascunho para fazer o writing. Aqui, não deram nada disso e fizemos a prova em carteiras, aquelas de faculdade, sabe? Eu não conseguia nem abrir a prova inteira em cima dela e minha borracha teve que ficar no meu colo… Achei bem desconfortável.

Cambridge é bem rígida e não é permitido ter comida na sala e caso queira levar água, a regra diz que a garrafa deve ser transparente e estar sem o rótulo. Sabendo disso, nem levei minha garrafa porque ela é roxa (transparente, porém roxa) e achei que não permitiriam que a usasse. Aí eu vi gente com garrafa com rótulo, com squeeze colorido, com garrafa térmica, com chocolate…

Vocês podem estar pensando “mas que enjoada que você é, né?”. Bem,  algumas das coisas que citei eram regras de Cambridge que não foram cumpridas. Outras, foram obviamente falta de organização e algumas delas não eram obrigação da escola, mas em comparação com a escola da Irlanda, achei que ficaram devendo.

Reading and Use of English

Confesso, novamente, que não estudei para a prova. Fiz alguns outros mocks, vi vídeos de speaking no Youtube e peguei dicas na internet, mas se eu não passar again, podem apontar o dedo e falar que eu gosto de jogar dinheiro no lixo (590 dilmas, no caso) e que deveria ter aprendido minha lição e estudado. É verdade. De qualquer forma, eu achei o Use of English relativamente fácil – consegui fazer os exercícios de sentence transformation com tanta facilidade que pensei que, obviamente, só poderia estar escrevendo tudo errado! Porém, achei o primeiro exercício (de múltipla escolha) bem trick! O reading estava okay, mas eu não tive tempo de revisar nada do que fiz e consegui terminar de transferir as respostas para o gabarito segundos antes de acabar o tempo.

Writing

O summary-essay é obrigatório e gostei do tema: inteligência. Acho que consegui desenvolver bem o texto, opinar, usar estruturas gramaticais mais complexas e fazer um bom essay. Na segunda parte eu escolhi report por razões óbvias: acho muito mais fácil de desenvolver o tema. O assunto era um relatório para uma agência de turismo em que eu deveria falar de dois lugares do meu país que os turistas normalmente não visitam e destacar o que eles aprenderiam sobre a história e cultura do país. Acho que desenvolvi relativamente bem, mas excedi o número de palavras. Apesar de eu escrever até que bem (gramática e tal), o writing foi minha pior nota no CAE e no último CPE (não sei falar difícil, though). Vamos ver como fui agora.

Não sei se foi impressão minha, mas a outra opção do writing era escrever um artigo sobre moda destacando sua influência sobre os jovens. Quando fiz o CAE, eu escrevi um article sobre o mesmo tópico. Cambridge reaproveitaria os temas de seus writings? Polêmica.

Listening

Achei super difícil! Fora aquela questão de ter que ler as questões, ouvir o CD, pensar e responder tudo ao mesmo tempo. Eu fiquei com uma nota muito alta no Listening do último CPE, mas receio que não vá repetir o feito.

Havia 24 pessoas prestando o exame. No fim do primeiro teste, os examinadores passaram arrancando a prova de todo mundo e o rapaz do meu lado não conseguiu terminar de transferir as respostas. Aí, no fim do listening, o rapaz que estava do meu outro lado, não havia terminado de passar as respostas e o examinador meio que esperou ele terminar. Coerência mandou um beijo!

O resultado está previsto para sair dia 24 de janeiro de 2014. Eu confesso que não tenho muita noção de notas, porque Cambdrige é assim, quando você acha que arrasou vem um Weak no seu certificado e quando você acha que foi mal, te vem um Exceptional. Minha previsão é: se eu reprovar, vai ser por pouco como da outra vez, mas se eu passar, vai ser tipo por 2 ou 3 pontos, mas whatever, passar com C é A! E bora sambar na cara desses britânicos!

Sambando na cara de Cambridge!
Sambando na cara de Cambridge!