Helsinki – catedrais, Sibelius e walking tour

No segundo dia em Helsinki não demos tanta sorte com o tempo: embora não estivesse frio (+-7 graus), o céu estava cinza e feio e uma chuva fina caía de tempos em tempos. Por outro lado, ficamos felizes que as coisas deram erradas no dia anterior e visitamos Suomenlinna, pois com certeza a visita não teria sido tão prazerosa no clima daquele dia.

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Posso postar só mais uma foto do dia lindo na ilha? 🙂

Desta vez chegamos cedo no centro e fomos na Igreja Ortodoxa de Helsinki. Eu comentei no post anterior que a Finlândia sempre esteve sob o domínio da Suécia ou da Rússia até 1917 e foi no período de dominação russa que esta igreja foi construída.

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Com este céu cinza até parece cena de filme de terror!

O nome da catedral é Uspenski e ela foi construída em 1868, inspirada nas catedrais de Moscou. A visitamos num domingo de manhã e apesar de estar havendo serviços religiosos, a igreja não estava fechada ao público em geral, só precisamos, obviamente, respeitar os fiéis. Nesta igreja não é permitido entrar com a cabeça coberta e, bem, eu jamais havia entrado num igreja ortodoxa antes e achei peculiar a missa. Primeiro, não há cadeiras e durante todo o tempo que estivesse lá dentro, cerca de 20 minutos, o padre (reverendo?) e os fiéis cantavam e diversas vezes faziam o sinal da cruz, mas um pouco diferente de como os católicos apostólicos fazem. Ao terminarem o sinal, fazem uma espécie de saudação inclinando o corpo.

De lá fomos a Catedral de Helsinki, a pomposa igreja luterana no topo de uma enorme escadaria. No caminho passamos por uma ponte cheia de cadeados (isso é moda aqui na Europa e já vi em vários lugares) e morri de rir quando vi a mais sincera declaração de amor daquela ponte. Apenas quero postar esta foto e compartilhar este fun moment com vocês. Brigada eu.

Food!
Food!

Voltemos a catedral. A construção terminou em 1852, num período em que a Finlândia ainda estava sob domínio da Rússia e, aliás, foram os russos que mudaram a capital do país, pois até 1812 – quando ainda estava sob domínio sueco -, a capital era Turku. Apesar de então o país ser um grã0-ducado, os russos era mais tolerantes e por este motivo pode ser construída uma igreja luterana. A entrada é gratuita, assim como na igreja ortodoxa.

Foto tirado no dia anterior - muito mais bonita com o céu azul atrás
Foto tirado no dia anterior – muito mais bonita com o céu azul atrás

Saímos da igreja e fomos aguardar o início do walking tour na escadaria. A guia era uma italiana que morava na cidade há 3 anos. Sendo muito sincera, não há muitos sights na cidade, então o tour se resumiu em passarmos por prédios com alguma história e ouvirmos sobre eles e a história de Helsinki e da Finlândia em geral. A guia falou sobre a catedral de Helsinki, depois fomos para a Catedral Uspenski e entramos novamente (se soubéssemos disso, talvez nem teríamos ido antes). De lá fomos ao porto, de onde saem as balsas para Suomenlinna, e aprendemos um pouco sobre um prédio projetado pelo famoso arquiteto finlandês Alvar Aalto.

Projetado por Alva Aalto, o Niemeyer finlandês
Projetado por Alvar Aalto, o Niemeyer finlandês

Todo walking tour, em algum momento, faz um break para dar uma descansada e nos deixar absorver toda  informação e, normalmente, o guia nos leva a um café ou algo do tipo, também para quem precisa ir ao banheiro ou quer beber algo. Achei muito estranho a guia nos largar deixar ali no porto e pedir que a encontrássemos em 20 minutos numa estátua X que não passamos em frente e dando apenas as direções para quem quisesse usar o banheiro num outro lugar X. Ela fez isso e sumiu!

O tour estava bem cheio para um dia de inverno
O tour estava bem cheio para um dia de inverno

Aproveitamos que o break foi no porto, onde no dia anterior vimos uma barraca que vendia comida finlandesa, e resolvemos ir lá comer a carne de rena e não nos arrependemos! É claro que não era nenhum restaurante chique, era comida de rua mesmo, mas comemos a carne de rena sim e estava uma delícia! Custou só 10 euros e matamos a vontade.

Almôndegas de rena com vegetais e molho de cranberry
Almôndegas de rena com vegetais e molho de cranberry

Depois de comer, ficamos um pouco perdidos procurando onde a guia estava, mas no fim deu tudo certo. O tour continuou por outros ponto que, enfim, não são assim super interessantes. A guia contou mais um pouco da história, deu umas dicas de passeio e foi isso. Está longe de ser o melhor walking tour que já fiz, mas vamos combinar que a cidade também não ajuda tanto. O walking tour acontece apenas aos finais de semana ao meio-dia.

Uma das dicas da guia, aliás, foi a roda-gigante aí embaixo. O passeio custa 12 fucking euros e há uma cabine VIP com champagne e tudo mais por um valor bem mais alto. Não nos animamos com a atração, mas até aí tudo bem, o engraçado foi quando ela nos disse que a ideia é que ela fosse para Helsinki o que London Eye é para Londres. Pare, apenas pare. De todo modo, para quem quiser visitar, há informações aqui.

"Helsinki" Eye
“Helsinki” Eye

Inverno na Europa é sinônimo de dias curtos e em Helsinki estava escurecendo por volta de 16h, o que era ótimo comparado às 14h de Oulu, mas ainda assim, isso limita muito os passeios e é preciso planejar bem. Para  tentar aproveitar os últimos minutos de claridade, seguimos ao Monumento Sibelius que fica um pouco mais afastado do centro, mas não dá 10 minutos de ônibus.

Jean Sibelius é o mais famoso compositor finlandês e em 2015 estavam comemorando 150 anos de seu nascimento. Ele é tipo o Beethoven finlandês e compôs algumas sinfonias. Preciso parar de comparar os finlandeses com outras nacionalidades, senão parece que eles não têm identidade ou que ninguém sabe nada sobre eles. Tal é sua relevância, que em 1967 o monumento foi feito em sua homenagem. Fica em um parque e talvez por ser fim de tarde de inverno, o local estava bem vazio.

Aí quando eu acho que estou arrasando nas fotos, sai isso. Enfim, o monumento.
Aí quando eu acho que estou arrasando nas fotos, sai isso. Enfim, o monumento.

Voltamos ao centro e tentamos ir ao Museu de Helsinki, que é gratuito. O problema é que ele estava fechado para reforma. Então seguimos para o Museu Nacional da Finlândia. A entrada no museu é gratuita toda sexta-feira das 16h às 18h e nossa ideia era visitá-lo no dia que chegamos, mas o horário ficou muito apertado, então não deu. O preço normal é 10 euros, mas com a carteirinha de estudante pagamos 7. No andar térreo havia uma grande exposição sobre o Sibelius, justamente por causa dos 150 anos de seu nascimento. Nos andares seguintes, vimos um pouco da vida dos finlandeses através dos tempos e também do povo Sami, uma etnia considerada nativa aqui. O museu estava muito vazio, o que até dá assim um desânimo, mas no geral é interessante e seria ainda mais se tudo lá estivesse traduzido em inglês para eu entender do que se tratava!

Terminada a visita, voltamos para a casa da R. para pegar nossas mochilas, voltamos ao centro para jantar e aguardamos no terminal o ônibus que nos levaria ao nosso próximo destino.

Concluindo…

  • Helsinki está longe de ser uma das capitais europeias mais interessantes de se visitar. É claro que há o que se fazer: tem muitos outros museus (mas por causa do tempo, escolhemos apenas um) e com certeza a vida noturna deve ser agitada, mas eu realmente não tenho interesse nesse tipo de turismo quando viajo. Talvez seja melhor vir no verão, quando o dia é bem mais longo e os parques se tornam lugares mais agradáveis. Mas, para ser sincera, eu não ficaria muito feliz se tivesse escolhido visitar Helsinki vindo de um lugar mais distante.
  • O transporte é bem eficiente, porém caro. Compensa muito fazer o Day Ticket se precisar pegar o ônibus com frequência, já que o ticket custa 3 euros dentro do transporte e 2,50 se comprado numa máquina.
  • Acomodação é muito cara. Se não souber fingir ser ryco, faça couchsurf como eu.
  • Comida e comer fora também é muito caro, algo que já estava acostumada vivendo em Oulu. Prepare o bolso.
  • Todo mundo fala inglês em Helsinki, mas nem todas as informações escritas estão em inglês também. Mas você vai sobreviver muito bem sem saber falar finlandês.
Lindo por do sol em Suomenlinna
Lindo por do sol em Suomenlinna
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7 comentários sobre “Helsinki – catedrais, Sibelius e walking tour

  1. Nossa, pelo o que você falou a cidade parece meio paradona, né? Acho no verão o clima deve ser outro mesmo! Quando fui pra Copenhagen em fevereiro do ano passado também tava um clima suuuuuper paradão, cidade vazia, sabe? Acho que esses países ao norte são melhores pra se visitar no verão – a não ser que você esteja procurando um passeio de inverno mesmo, né? 🙂

    1. Bia

      Sim, sem dúvida. A menos que seja turismo de inverno, o verão deve ser bem melhor! Mas apesar de ser frio pra caramba, não tem montanha de verdade aqui Finlândia, então nem sei se eles são forte nisso de turismo de inverno. Helsinki, ao meu ver, só vale a pena se a pessoa já estiver por essas bandas, mas sair de onde está só para visitá-la… hmmm…

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