Vilnius, capital da Lituânia

Cheguei na última capital báltica por volta das 22h. A princípio, havia escolhido um hostel na rua principal da cidade, mas por receio de ir a pé sozinha até lá (1.5km) ou mesmo de pegar um táxi e ser enganada por ser turista, acabei mudando para um outro hostel a apenas 400 metros da rodoviária. Foi fácil chegar lá, mas meio difícil entrar! Fiquei no B&B&B&B&B (sim, é este o nome) e quando finalmente achei a entrada muito mal sinalizada (não sei quem teve a ideia de colar um cartaz bem frente ao nome do hostel), fiquei uns 10 minutos tocando a campainha e nada de alguém atender. Foi quando decidi entrar no que me pareceu ser um restaurante ao lado e descobrir que 1- não era um restaurante, era um bar/balada e 2- fazia parte do hostel, pois o funcionário que me atendeu me indicou a escada para ir a recepção. Fiz o check-in, olhei os mapas para decidir o que faria no dia seguinte e fui dormir.

No dia seguinte, fui andando calmamente até o ponto de encontro do walking tour. O guia era um jornalista que falava muito, mas muito rápido! Logo no começo do tour passamos por onde foi um gueto judeu e hoje, além de casas, tem uma escola construída na época da União Soviética.

A escola
A escola

A parte mais interessante do tour é a visita a República de Uzupis. Uzupis é uma região independente da Lituânia e o nome significa literalmente “do outro lado rio”, pois é necessário cruzar uma ponte para se chegar lá. Tudo começou em 1997 quando um grupo de artistas resolveu revitalizar a área que, até então, era ocupada por moradores de rua e prostitutas. Eles se declararam independentes e o governo do país meio que falou “tá, beleza” e hoje eles têm bandeira, hino, presidente e parlamento (que é o bar que fica logo depois da ponte).

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No tal parlamento, você pode entrar e pedir que carimbem seu passaporte como se estivesse mesmo entrando num país e passando pela imigração. O interessante é que eles também têm uma constituição que está traduzida em várias língua (mas não em português ainda) e eu achei que vários destes itens, na verdade, podem ser seguidos para vida. Olhem só:

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O tour seguiu e no fim um brasileiro que também estava no tour e fez amizade comigo e eu pedimos dicas de onde almoçar na cidade por um preço camarada, mas comendo algo típico. O guia nos indicou o restaurante/bar Snekutis (Š,v. Mikalojaus g. 15). Lá eu pedi o prato mais típico do país, o cepelinai, que é uma massa de batata recheada com carne. Aí você pode pensar “ah, então é tipo uma coxinha?” Não, porque a batata fica com uma textura muito diferente, meio pegajosa e, aparentemente, o prato é assado. Pedi também uma panqueca recheada de queijo para acompanhar.

Cepelinai
Cepelinai

Paguei pouco menos de 4 euros e olha, era muita comida! O cepilinai (foto) é relativamente grande e como é basicamente batata, já dá aquela “enchida” e eu ainda pedi uma panqueca – que estava meio gordurosa, mas a vida segue – e confesso que depois deste banquete, eu só fui sentir fome bem tarde da noite!

Após o almoço, o brasileiro seguiu seu caminho e eu o meu e fui ao Museu das Vítimas do Genocídio. A entrada custa 4 euros e é bom ir com umas 2 horas para a visitação, pois é bastante coisa, apesar de não parecer. São dois andares de museu e no subsolo é possível visitar as celas e como eu estava sozinha (havia outras pessoas no museu, claro, mas eu não estava acompanhada), confesso que deu um frio na espinha e um medinho quando fui na área das execuções.

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Do museu fui até onde é o parlamento lituano, mas sem grandes emoções – é apenas um prédio comunzão! Passei em frente a uma biblioteca maravilhosa, mas não entrei porque não sabia se ainda estava aberta pelo horário (era mais de 18h) e não queria subir a imensa escadaria que havia em frente para descobrir (meu joelho direito ainda estava tentando me matar e subir escada não era assim um sonho).

A biblioteca
A biblioteca

No caminho de volta ao hostel eu quis ir no que agora está virando “moda” na Europa: cat café. São cafés que têm como diferencial um monte de gatíneos lindos andando livremente pelo estabelecimento e você brincar com eles, passar a mão, alimentá-los (se comprar a ração), enfim, uma experiência para aqueles que são louco por gatos.

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O local é bem bonitinho e é necessário colocar protetor de calçado e levar as mãos ao entrar. Há avisos sobre como se portar no local – lavar as mãos antes e depois de brincar com os gatos, não pegá-los no colo ou acordá-los e enfim, respeitar os animais. O que achei bem ruim é que o local exige consumação mínima por pessoa (3 euros) e é bem caro para os padrões locais. É claro que 3 euros na Finlândia é insignificante – você consegue comprar uma casquinha com esse valor – mas se vocês pensaram que eu almocei (e muito bem) por menos de 4 euros, esse valor chega a ser abusivo no local. Claro que eu entendo que eles não querem virar uma atração onde as pessoas vão para ver os gatos, pedem uma água e vão embora, mas 3 euros é realmente absurdo para o país. Como fui obrigada, acabei pedindo um milkshake, e tomei empurrando porque eu ainda estava super cheia do meu almoço.

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Depois de muito enrolar, pois estava muito cansada e bem longe do hostel, fui embora. Passei no mercado para comprar coisinhas para o café e segui para o hostel. Aliás, o B&B&B&B&B tem uma decoração bem clean, o local é super limpo e organizado, os quartos são enormes, bem decorados e não os enchem de camas para dar lotação máxima. Por outro lado, saiba você que se pretende dormir à noite talvez não seja uma boa ideia se hospedar lá no final de semana – eu cheguei numa terça à noite e fui embora na quinta à noite – dormi super bem, mas na quinta já estava rolando um “pancadão” na balada e dava para ouvir dos quartos, além do que me desagradou muito que o povo da balada tinha acesso livre ao hostel para usar o banheiro – sim, o banheiro dos hóspedes.

Quarto feminino
Quarto feminino

Segui para meu quarto feminino de 6 camas que custou 10 euros/noite e descansei bem para o último dia de viagem nos bálticos.

Riga, capital da Letônia

Cheguei em Riga sozinha às 21h. Eu havia me informado com o hostel sobre a segurança no local e me afirmaram que era muito seguro. Mesmo assim eu corri os 1,5km de distância entre rodoviária e acomodação! Felizmente, as ruas estavam bem movimentadas e não me senti em perigo em nenhum momento, mas como eu sou de São Paulo, desconfio de tudo e de todos mesmo. :/

Eu me hospedei no Central Hostel e foi um dos melhores hostels que já fiquei! Optei por um dormitório feminino com apenas 5 camas por 7 euros a diária e a decoração do quarto era muito fofa! Aliás, o hostel todo era muito fofo e extremamente organizado, além de ser muito limpo e contar com staff muito prestativo e simpático. Não oferecem café-da-manhã, mas há chá, café, leite e achocolatado disponível o dia todo e como notei que alguns hóspedes acabam deixando para trás pão e cereal, dá quase para dizer que dá sim para começar o dia comendo lá.

O quarto muito fofo do hostel
O quarto muito fofo do hostel

Infelizmente, o tempo ruim me seguiu até Riga e estava muito frio no primeiro dia, com chuvas leves e um vento bem chato. Saí do hostel, passeei um pouco pelo centro histórico e fui encontrar o guia do tour que saía às 11h da Igreja de São Pedro. Há dois walking tours na cidade, um que cobre a Cidade Velha (Old Town) e outro que cobre outras partes de Riga. Eu fiz o da Cidade Velha no primeiro dia e o outro, no segundo – porque walking tour nunca é demais! 🙂

 O tour começa com o guia contando várias curiosidades da Letônia, claro, além de dar um panorama histórico. Assim como na Estônia, há muitos russos vivendo no país e isso fica bem claro porque praticamente em todo lugar se vê informações escritas em russo. O tour segue para a parte de trás da Igreja de São Pedro, onde tem uma escultura de 4 animais bem famosa, Os Músicos de Bremen. Ela homenageia o conto de mesmo nome escrito pelos irmãos Grimm e está lá pois foi um presente de sua cidade irmã, Bremen, na Alemanha.

Os músicos de Bremen
Os músicos de Bremen

Passamos por outros locais, onde o guia ia explicando de tudo um pouco, como a origem do nome da cidade, por exemplo – o que é de praxe em qualquer tour. Chegamos no famoso cartão postal da cidade, o prédio com os gatinhos no telhado!

Miau!
Miau!

O prédio fica na Meistaru 10/12 e é conhecido como Cat House. O guia disse que a história (ou lenda?) sobre o prédio é que ele foi construído por um mercador muito rico que, na verdade, queria fazer parte de uma associação alemã que tinha sua sede no prédio em frente ao dele. Como seu pedido foi negado, ele quis se vingar e mandou colocar os gatinhos no topo das torres com o “bumbum” virado para o prédio da outra associação. O pior é que a associação alemã achou isso tão ofensivo, que levou o caso ao tribunal! No fim, ficou decidido que o bumbum dos gatinhos deveria ser virado para o outro lado. Se esta história é verdadeira ou não, não sei, mas que o prédio é bem bonitinho, isso é!

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Paramos num ponto aqui e outro ali, historinhas e tal e o tour acabou dentro de um bar. O lado bom é que estava tão frio que eu mal via a hora de terminar e poder entrar num lugar quentinho; o lado nem tão bom é que este bar era do amigo do guia e fomos levados lá justamente para fazer propaganda do local – o que não é assim péssimo, eu sei, mas não é uma dica genuína de bar, né? Para quem bebe, o guia deu um “vale” para comprar uma cerveja e beber outra de graça, mas eu estava sozinha e eu não sou assim tão fã de cerveja para encarar um litro.

Ao fim, saí andando pelo cidade e fui até o Museu das Ocupações da Letônia, que cobre o período de 1940 a 1991. A entrada é gratuita e o museu ocupa apenas um andar, sendo mais informativo do que interativo e tem mais coisas para ler do que ver, por exemplo.

O museu
O museu

Do museu, segui para o distrito de Art Nouveau, onde há um museu. O distrito é famoso pelo estilo dos prédios e é bacana para quem curte ou é de arquitetura – eu olhei, achei bonito e dei meia volta. De lá passei por um parque que estava lindo com as folhas amarelas da estação, mas ao mesmo tempo intrigante. O que é isso?

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Em seguida, passei pela Catedral da Natividade, também num estilo meio ortodoxo, construída no fim do século 19 quando o país estava sob o domínio do Império Russo. Ela é bem bonita por fora e a entrada é gratuita.

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Voltei ao Cento Histórico, onde almocei no primeiro restaurante de kebab que achei (saudade dos kebabs de Budapeste! <3) e segui para a Academia de Ciências da Letônia, mais conhecido como o “Prédio do Stalin”.

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A primeira vez que vi este prédio foi em Varsóvia, na Polônia. E depois, claro, vi outros na Rússia, em Moscou. O estilo é mesmo conhecido como Stalinista e há outros prédios parecidos com ele em outros países que já foram parte da União Soviética. É possível subir no 17º andar para se ter uma visão panorâmica de Riga pelo valor de 5 euros. Eu achei caro, mas já estava lá e resolvi subir mesmo assim. O tempo estava péssimo: nublado, chuvoso e ventando e é claro que eu era a única louca lá em cima. Fiquei um tempo e a ideia era esperar para ver a cidade à noite também, mas estava tão frio e ventando tanto que não deu para seguir com o plano.

Riga lá de cima
Riga lá de cima

O engraçado é que do nada apareceu um senhor gravando um vídeo no celular. Pediu que eu gravasse um vídeo dele e começou a puxar papo comigo. Final da história: fui tomar um café com um senhor de 65 anos que nasceu no Chile, mas mora na Suécia há mais de 30 anos e viaja sozinho porque a esposa trabalha e não pode o acompanhar. Pois é!

Quando saí do café já havia escurecido, então apenas andei mais um pouco pela cidade a procura de lembrancinhas e retornei ao hostel. Ao fim do primeiro dia, eu já tinha certeza que havia gostado mais de Riga do que de Tallinn, se é que é possível fazer essa comparação. 🙂

Tallinn, uma capital medieval

Tallinn é a capital da pequena Estônia, um país de apenas 1 milhão e 300 mil habitantes, sendo que 1/4 são de origem russa, que teve sua independência conquistada apenas em 1991, após anos sob o domínio da União Soviética, um período que deixou marcas e ainda é lembrado pelos locais.

Resolvemos fazer o walking tour em Tallinn, mas como começava só ao meio-dia, pegamos o mapa da cidade e andamos um pouco por alguns pontos turísticos antes de ir para o tour. O que a gente não esperava é que em 2h30 conseguiríamos ver quase metade das atrações, passar no Hotel Viru para agendar o tour no museu da KGB e ainda ter tempo de voltar ao hostel e tomar um chá para aquecer, já que estava fazendo muito mais frio do que a gente esperava.

O Parlamento
O Parlamento

A impressão que dava era que o mapa era quase “em escala real”, pois dávamos “dois passos” e já estávamos no próximo local. Começamos pelo Parlamento da Estônia, o prédio rosa da foto, onde fica o Castelo de Toompea. O castelo, que fica na parte de trás do Parlamento, foi construído entre os séculos 13 e 14 e a faixada bem depois, no século 18. É possível visitar o local, mas apenas de segunda a sexta (eu passei o final de semana na cidade) e é preciso agendar previamente aqui. Acabamos voltando lá com o walking tour mais tarde, claro, e a guia nos deu algumas informações sobre o país e sua política, como o fato de terem uma mulher como presidente no momento.

Em frente ao parlamento fica a Catedral Alexandre Nevsky, uma igreja ortodoxa, ainda influência do período de dominação russa no final do século 19. Por fora é uma igreja muito bonita e se você nunca foi à Rússia, é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco o estilo. A entrada é gratuita, mas não é permitido tirar fotos dentro da catedral. Aliás, há várias igrejas na cidade, apesar de, segundo nossa guia, o país ser um dos mais ateus do mundo.

Alexandre Nevsky num dia cinza
Alexandre Nevsky num dia cinza

Seguimos andando, passamos por pedaços de muralhas que ainda estão espalhados pelo centro da cidade e chegamos no Kiek in de Kök, uma torre construída em 1475 e tem sua história contada (em inglês) aqui. O nome tem origem em alemão e seria algo como “espiar a cozinha”, pois segundo nossa guia do tour, já que em determinada época os soldados que lá ficavam não tinham muito o que fazer e ficavam apenas espiando do alto da torre o que as pessoas faziam na cozinha. O local hoje é um museu que também dá acesso a passagens subterrâneas. O ticket custa 9 euros ou 6 para estudantes e você encontra mais informações aqui, mas eu acabei não visitando o local.

Kiek in de Kök e esse dia cinza
Kiek in de Kök e esse dia cinza

Quase em frente a torre há um parque, que nesta época do ano estava coberto de folhas amarelas. O parque em si não tem nada de especial e talvez mereça uma visita quando o tempo está mais quente, mas a guia nos contou que na época de domínio soviético era proibido comercializar vinis de bandas do Oeste (Western Music), mas a gente sabe que não é porque é proibido que as pessoas não fazem, ainda mais se tratando disso. Então, muitas pessoas vendiam ilegalmente vinis e outros artigos que eram proibidos na época da União Soviética e o parque é estratégico porque está numa colina e os vendedores podiam ver quando a polícia se aproximava. E era um jogo de gato e rato, meio que de “faz de conta”, já que todos sabiam o que rolava lá e faziam vistas grossas – quando a polícia chegava, eles escondiam os vinis e passavam a vender coisas como selos e mesmo os policiais, quando não estavam em serviço, iam ao local fazer “umas comprinhas”.

O parque
O parque

De lá seguimos para a Praça da Liberdade, onde também está o Monumento a Guerra de Independência que, segundo nossa guia, foi superfaturado, os locais, em geral, desaprovam e mesmo tendo custado alguns milhões de euros, as placas de vidros quebraram e nem todas as luzes acendem à noite. Porém, o material utilizado suportaria um ataque nuclear – fica a dúvida: se todos morrem num ataque nuclear, pra que a necessidade de um monumento continuar erguido?

A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo
A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo (num dia horroroso)

Passamos por outros pontos, como Danish King’s Garden (mais informações aqui, em inglês), onde ficam as estátuas de 3 monges.

Bizarro?
Bizarro?

No mesmo local, é possível subir na parte da muralha ainda em pé, onde há um café. Eu recomendo subir, apesar de as escadas serem muito íngremes e os degraus muito altos, pois neste a visita é gratuita – há outro pedaço de muralha, o mais longo ainda em pé, próximo a entrada da cidade histórica, mas o ticket custa 3 euros apenas para subir – mas eu não recomendo o café porque é super caro! Para se ter uma ideia, um chocolate quente custava 6 euros lá. Uma coisa meio boba e engraçada, é que pela cidade há vários quiosques vendendo docinhos, bebidas quentes e castanhas. Estes quiosques têm um estilo meio medieval e cada um tem um nome. O que estava no Danish King’s Garden era meio engraçado:

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O walking tour seguiu por mais alguns pontos, paramos num mirante, a guia nos ensinou uma dança típica da Estônia e foi isso. Gostei muito do tour e a guia tinha um humor bem peculiar e contou várias piadas, além de ter dado um bom panorama histórico do país e contado algumas histórias interessantes e engraçadas da vida na Estônia quando esta fazia parte da União Soviética.

Almoçamos no McDonlad’s mesmo (né?) e voltamos ao hostel para outra xícara de chá. Pode parecer meio ridículo isso, mas o hostel fica a basicamente 5-10 minutos de qualquer atração, então faz muito sentido retornar lá. Estava muito frio mesmo no dia (em torno de 1 grau, mas ventando muito e sensação térmica de até -7), então o tempo que ficamos na rua para o walking tour (cerca de 2 horas e meia) foi o suficiente para precisarmos parar num lugar quentinho. Logo depois, visitamos a farmácia mais antiga do mundo! Ela fica na Praça da Prefeitura e a entrada é gratuita, mas não abre aos domingos.

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Não se sabe exatamente quando ela foi inaugurada, mas os registros dão conta que seu terceiro dono a comprou em 1422. Desde então, o local nunca fechou e ainda hoje é possível comprar medicamentos lá, embora eu tenha certeza que a maioria das pessoas que entram é para visitar o local, que tem alguns objetos bem antigos e até animais em formol.

Terminamos o dia indo mais uma vez ao III Dragon para mais uma sopa de alce e depois fomos a uma panquecaria, porque a sopa só dá pra ser uma entrada. A panquecaria se chama Kompressor (Rastaskaevu 3) e gostamos muito. Eles servem panquecas doces e salgadas, que são muito bem servidas e custam, em média, 5 euros. A decoração do local é interessante também.

Aprovada!
Aprovada!

Tallinn é conhecida por ser a cidade medieval mais bem conservada da Europa e, de fato, andando pela cidade no primeiro dia vimos diversas construções e muros que realmente lembram o período. Fora isso, há diversos restaurantes que tentam reproduzir a época de alguma forma e com seus funcionários vestidos à caráter, o que faz o clima ficar ainda mais característico.

Chegando em Montevideo, Uruguai

Um dia, ainda em Oulu, recebi um email com promoção de passagens para o Uruguai. O preço estava muito bom e eu já planejava mesmo voltar ao Brasil para passar as férias. Voltei da República Tcheca para a Finlândia para pegar meu voo para o Brasil e passei 2 dias em Helsinki, mas como não sou exatamente fã da cidade, não fiz muita coisa além de descansar. Passei minha primeira semana no Brasil terminando os últimos trabalhos pendentes do mestrado (porque eu sou uma procrastinadora de carteirinha) e no início de junho embarquei para passar 4 dias no país vizinho.

Bienvenido!
Bienvenido!

Chegamos num domingo à tarde. Eu tinha pesquisado algumas opções de como ir do aeroporto a Ciudad Vieja, onde ficamos hospedados, e achei que a van seria a opção mais conveniente. Infelizmente, os preços não estavam atualizados nos sites que consultei e levei um susto: queriam cobrar 800 pesos ou 115 reais para levar duas pessoas. É claro que achei um absurdo, então trocamos apenas 20 reais no aeroporto (que sempre tem a pior cotação e no dia estava 1 real = 7 pesos) e perguntamos no balcão de informações como chegar de ônibus. Nenhum ônibus chega até a Ciudad Vieja exatamente, mas subimos neste que o ponto final ficava a uns 10 minutos a pé do nosso hostel e a passagem custou 63 pesos para cada, ou menos de 15 reais para duas pessoas e a viagem levou cerca de 45 minutos. Uma moça que desceu no ponto final também nos ajudou a localizar no mapa (que pegamos no aeroporto) onde estávamos e como chegar no hostel.

Praça da Independência, a 2 quadras do ponto final do ônibus
Praça da Independência, a 2 quadras do ponto final do ônibus

Achamos o hostel Punto Berro facilmente, mas ficamos um pouco surpresos com o trajeto: apesar de ser a parte mais turística da cidade, as ruas estavam desertas e todas as lojas fechadas, exceto por um McDonald’s. O hostel também estava bem vazio e acabamos descobrindo que não havia mais do que outras 6 pessoas hospedadas lá, apesar de o prédio ter 3 andares.

O hostel fica em frente ao famoso Café Brasileiro, que consta ser o melhor café da cidade. É um prédio bem antigo e frio! Não há sistema de aquecimento, então fica tudo na base do aquecedor elétrico. Nosso quarto era bem frio e precisamos pedir um aquecedor. Quando fiz a reserva, constava que o café da manhã estava incluso, mas quando chegamos descobrimos que o hostel não servia mais. Como na minha reserva constava o café, os donos aceitaram nos servir todos os dias. Era um café simples, mas sempre tinha doce de leite!

O hostel
O hostel

Deixamos nossas mochilas no quarto e fomos visitar o Teatro Solís, pois era a única atração ainda aberta no dia e aos domingos é possível visitar o palco e camarins. Não tínhamos trocado mais pesos e todas as casas de câmbio da avenida principal, a 18 de julio, já estavam fechadas. Acabamos trocando apenas a quantia suficiente para pagar o tour, 60 pesos, e para comer algo mais tarde, num cassino com a cotação de 7,35 – ruim, mais ainda melhor do que no aeroporto.

Teatro Solís
Teatro Solís

O teatro oferece tours em espanhol por 40 pesos, mas em inglês e português custa 60. O guia tinha um português impecável! O tour começa do lado de fora com o guia explicando a arquitetura, em seguida fomos direto ao teatro, que é realmente lindíssimo. O guia chamou a atenção que no teto, onde há os nomes de diversos autores famosos, Shakespeare está escrito errado – o que eu tinha notado antes mesmo de ele falar. Não se sabe o motivo exato do tal erro, mas aparentemente já é parte do teatro.

O teatro
O teatro

Visitamos o palco, os camarins e uma pequena sala anexa e o tour se encerrou em pouco menos de 1h. Ainda estava claro e decidimos conferir o Mercado del Puerto, um dos pontos gastronômicos mais famosos da cidade. O engraçado é que tendo nascido em São Paulo, onde tem de tudo sempre e é tudo imenso, às vezes fico um pouco decepcionada com as coisas. O Mercado del Puerto é muito pequeno e não tem tantas opções de restaurantes. Chegamos quando já estava próximo de fechar, então resolvemos deixar para ir comer lá outro dia. Passeamos um pouco pela cidade e quando bateu de vez a fome, vimos que o McDonald’s já estava fechado e nossa única opção, próxima ao hostel, aquela noite foi comer um hambúrguer nestas barraquinhas de ruas. Um hambúrguer custou cerca de 12 reais e jurou que entupiu as veias do meu coração naquela noite, mas era o que tinha.

No dia seguinte, começamos com um walking tour. Era segunda-feira e a cidade tinha outra cara! As lojas estavam abrindo e havia muita gente já circulando e nem parecia que no dia anterior havíamos chegado no que parecia ser uma cidade fantasma!

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Sarandi

 Queríamos fazer o tour em português, mas no dia o guia que fala português estava doente, então fizemos em inglês mesmo. O tour cobre os principais pontos da parte turística, ou seja, a Ciudad Vieja – Praça da Independência, Teatro Solís, parte das Ramblas, o Templo Inglês, Praça Matriz, Rua Sarandi, Praça Zabala, Banco do Uruguai e o Mercado del Puerto. O guia deu ótimas dicas de onde comer, o que fazer e o que visitar. Uma dica que ele deu e que, na verdade, a gente já tinha decidido não fazer mesmo, é não visitar Punta del Este. Segundo ele, é extremamente caro e é a cidade menos uruguaia de todo país, justamente por ser extremamente turística. Nós, por outro lado, já tínhamos decidido não ir porque a cidade é essencialmente praia e fomos no inverno, além do que, não vimos outro motivo para ir além de tirar a foto com a escultura da mão na praia e seria ridículo ir lá só para isso.

Mercado del Puerto
Mercado del Puerto

Como o tour acabou no Mercado del Puerto, resolvemos almoçar por lá mesmo. Optamos por um restaurante que aceitava reais a uma cotação de 1 para 9 e que parecia ter um preço bem atraente. O prato típico da região é o Brasero, um combinado de vários tipo de carne – porém, metade delas são tripas e eu não achei a ideia muito boa. Optamos então, por outro prato bem típico também, o Chivito. Tradicionalmente, é um lanche de carne com queijo e ovo que se come no pão com batata frita, mas comemos a versão “no prato”, sem o pão.

Chivito
Chivito

Calculamos que o valor em reais da refeição sairia em torno de 60, o que eu já achei caro se você pensar que isso nada mais é que um “bife a cavalo” incrementado com fritas e salada de maionese. Quando veio a conta, o susto: 100 reais. No Uruguai, assim como na Argentina, se cobra o cubierto, uma taxa pelo uso dos itens do restaurante (pratos, talheres, copos etc) e o problema é que isto não estava escrito em lugar nenhum, mesmo sendo um local turístico. O cubierto nos custou 25 reais e somando-se a gorjeta, chegamos a quantia de 100. Confesso que saímos do restaurante nos sentindo bem trouxas de pagar tão caro numa refeição tão simples, mas logo vimos que comer fora no Uruguai é realmente caro, mesmo que seja fast food.

 Após o superfaturado almoço, fomos visitar o prédio da prefeitura onde tem o mirante. O prédio fica na 18 de julio também e a visitação é gratuita – basta pegar o elevador e subir até o último andar do prédio.

Prédio da Prefeitura
Prédio da Prefeitura

Era um lindo dia de sol, então a vista estava linda e conseguimos ver a cidade toda.

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Como nosso plano era ir a Colonia del Sacramento no dia seguinte, achamos melhor comprar o bilhete com antecedência. Saímos do mirante e fomos subindo a 18 de julio em direção a rodoviária de Tres Cruces. No caminho há inúmeras casas de câmbio e todas divulgam em números gigantes a cotação daquele dia. Então, fomos comparando até achar a que tinha a melhor cotação. Nos 4 dias que ficamos no país, trocamos dinheiro 3 vezes e pegamos cotação entre 8,20 e 8,40 – o peso foi se desvalorizando um pouco no decorrer dos dias.

Compramos os bilhetes de ida e volta e custaram cerca de 85 reais (ui!). Fomos com a empresa COT. Aproveitando que estávamos naquela região e ainda estava claro, fomos até o estádio Centenário, mas apenas vimos do lado de fora. Lá dentro tem o museu do futebol, mas não tivemos muito interesse de visitá-lo.

Região da rodoviária
Região da rodoviária

Voltamos ao hostel a pé e passamos no mercado para comprar e fazer o “famoso macarrão com molho das viagens”. Sério, é muito caro comer fora em Montevideo, então decidimos que o almoço seria na rua, mas o jantar teria que ser no hostel ou o porquinho não ia sobreviver até o fim da viagem.

Um dia em Bratislava

Quando decidi ir para Budapeste, a ideia era de lá ir direto para a outra cidade que visitaríamos nesta viagem, mas aí analisando bem, pareceu uma boa ideia parar no meio do caminho e passar um dia na capital da Eslováquia. Diga-se de passagem, Budapeste foi escolhida porque era o lugar mais barato para se ir a partir de Helsinki e assim sigo com minhas viagens decididas de acordo com o preço do voo – e continuo não me arrependendo.

De Budapeste a Bratislava são apenas 3 horas de viagem. Viajamos com a Regiojet e o ticket custou apenas 7 euros. A empresa cobra 50 centavos de euro para cada mala “despachada”, mas oferece uma bebida quente de graça na viagem, o ônibus é super confortável e tem TV – eles também emprestam o fone de ouvido. O sinal wifi só funciona dentro do território tcheco, país de origem da empresa.

O ônibus na rodoviária de Bratislava
O ônibus na rodoviária de Bratislava

Chegamos já perto das 21h, mas ainda estava claro. Não há absolutamente nada escrito em inglês na rodoviária! Eu havia lido em alguns blogs que os arredores da rodoviária era medonho, tipo, horrível mesmo, mas eu achei absolutamente normal, apenas não é um lugar bonito e não te dá aquela sensação “de estar na Europa”, apesar que, sim, tem muito lugar feio na Europa, basta você sair um pouco só das zonas turísticas das grandes cidades e vai perceber isso. Lembro até hoje o quão medonho era os arredores da estação de trem onde desci quando cheguei no centro de Bruxelas e foi apenas andar alguns quarteirões e chegar no centro turístico que tudo ficou lindo de repente.

A rua do rodoviária. Parece medonho para você?
A rua do rodoviária. Parece medonho para você?

O hostel ficava a menos de 2km de lá e já havíamos nos programado para ir  a pé. Salvei o mapa do Google com o roteiro em azul, mas é claro que nos perdemos. Chegamos até o centro turístico, onde tudo ainda estava aberto e funcionando (era uma sexta-feira à noite) e sabíamos que o hostel era ali perto, mas simplesmente não conseguíamos achar. Uma dica (que agora serve para mim também): é possível baixar o mapa offline de qualquer cidade no Google Maps, que é deletado 30 dias depois se o usuário não estender. Além disso, há apps que te deixam baixar o mapa offline de várias cidades e isso ajuda muito! No Google Maps, por exemplo, mesmo sem internet, o GPS do próprio celular aponta onde você está e você pode digitar o endereço de onde quer ir e ele aparece no mapa, a única diferença da versão online é que o Google Maps não traça o roteiro, mas sabendo no mapa onde você está e onde você quer ir já está ótimo. Uma pena que eu não sabia disso quando fiz esta última viagem e só conseguimos nos achar porque vimos dois policiais andando na rua com celular na mão e pedimos que nos ajudassem. Um deles traçou o roteiro no mapa, eu tirei foto e ele apontou o caminho. Foi um sufoquinho chato, mas chegamos no hostel. :/

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Cansados e morrendo de fome, ainda tivemos o azar de chegar no Patio Hostel quando um grupo de umas 4-5 famílias com muitas crianças estava fazendo check-in. Aparentemente, o grupo estava viajando de bicicleta e eu não pude evitar de pensar na coragem deles de viajar com tantas crianças pequenas em bicicletas! Depois de vários minutos esperando, o check-in eterno terminou e fizemos o nosso.

O hostel é grande e os quartos lembram muito um hotel. Ficamos num quarto para apenas 4 pessoas e estava tudo muito limpo e organizado. Eles disponibilizam toalha de banho, shampoo e sabonete, algo incomum em hostels.

No dia seguinte, saímos cedo e fomos conhecer o centro da cidade, que ainda estava vazio no horário. A cidade é muito pequena, porém linda. No dia estava tendo uma celebração a Napoleão, então havia várias pessoas vestidas com roupas da época e encenando danças, tocando instrumentos e atirando!

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Ficamos observando um pouco e fomos visitar a Catedral de São Martinho, a maior e uma das mais antigas igrejas de Bratislava e onde aconteciam as coroações dos reis entre 1563 e 1830. A entrada é gratuita e dentro da catedral há uma parte do piso que é de vidro e podemos ver esqueletos – a catedral foi construída em cima de um cemitério.

O walking tour começava ao meio-dia na praça principal e apesar da cidade ser bem pequeninha, achamos melhor fazer o tour, já que ele basicamente cobriria todas as atrações turísticas.

Ponto de encontro do tour
Ponto de encontro do tour

Como não tinha tanta coisa assim para ver, muito do tour foi sobre a história do país, o período comunista, comidas e bebidas típicas e curiosidades da língua e cultura eslovaca, como, por exemplo, no país ter um dia do ano para cada nome próprio e que é realmente celebrado como o dia da pessoa que tem aquele nome, como um segundo aniversário. Passamos pela Catedral de São Martinho novamente e outros pontos e paramos em frente da famosa estátua do operário “dentro do bueiro”.

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A estátua em tamanho real fica na na esquina das ruas Laurinská e Panská e está lá desde 1997, representando um trabalhador da era comunista que simplesmente não se importa de fazer seu trabalho. Reza a lenda que passar a mão no capacete dele trás sorte. Passamos por algumas estátuas no nosso dia em Bratislava e se você quiser visitar todas elas, neste site tem o endereço de cada uma.

O tour terminou após visitarmos a Igreja Azul, única atração que ficava um pouco afastada do centro turístico. É uma igreja toda em arte nouveau e, segundo a guia, é a mais disputada para casamentos.

A igreja azul
A igreja azul

O tour durou 3 horas, mas eu recomendo porque é um ótimo jeito de passar pelas principais atrações e conhecer a cidade com um local, principalmente se vai passar apenas um dia como eu.

Depois do tour, para não perder muito tempo, compramos uma baguete de 2,50 euros (a moeda da Eslováquia é o euro também) no centro (muito bem recheada e gostosa) e fomos para o Castelo de Bratislava.

O castelo lá em cima
O castelo lá em cima

O castelo fica numa colina e de lá se tem uma vista privilegiada do Danúbio e de Bratislava, então o ideal seria ir num dia ensolarado para aproveitar bem a visita, o que, felizmente, foi nosso caso.

Hoje em dia o castelo é um museu e a entrada custa apenas 2 euros. Passamos quase 2 horas dentro do castelo e deu para ver tudo com calma e ainda subir numa das 4 torres – a subida é feita somente por escadas e elas são nem íngremes.

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A torre em formato de “disco voador” que aparece na foto acima, vista a partir do Castelo de Bratislava, segundo a guia do nosso walking tour, foi construída durante o período comunista no país e hoje em dia muitas pessoas acham feio e um símbolo daquele período que deveria ser removida. De qualquer forma, ainda está lá e há um restaurante lá em cima, que não tivemos a curiosidade – e nem o tempo – de conhecer.

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Voltamos a praça principal da cidade, onde compramos algumas lembrancinhas, e já era hora de voltar ao hostel para pegar nossas mochilas e voltar a rodoviária para seguir ao próximo destino.

Conclusão

Bratislava é uma cidade linda e nada lembra aquele lugar cinza e sombrio do filme O Albergue (um filme que me arrependo amargamente de ter visto) e, aliás, nossa guia nos contou que a cidade só levou a fama mesmo, pois o filme todo foi rodado em Praga, então nem adianta procurar cenários do filme na cidade.

O centro histórico é realmente lindo e tudo está muito bem conservado. Acertamos em ficar apenas um dia na cidade, pois conseguimos fazer tudo. Havia um museu no centro que não tivemos tempo de entrar, mas também não seria algo obrigatório e apenas recomendaria 2 dias em Bratislava para quem tem um ritmo de viagem mais tranquilo ou quer curtir algum passeio noturno e restaurantes – nós não tivemos tempo de experimentar nenhuma comida típica, por exemplo.

Bratislava
Bratislava