São Petersburgo – imigração, walking tour e o forte

Quando eu ainda morava na Irlanda, namorei muito ir para a Rússia. Num certo momento, estava tudo planejado, já até tinha visto o caminho mais louco barato de se chegar lá saindo de Dublin e aí a pessoa que ia me acompanhar deu pra trás. Eu já viajei sozinha e sei me virar, mas na época me deu medinho. Afinal, russos, né?

Assim que cheguei aqui na Finlândia, voltei a namorar a ideia, já que pra mim não fazia sentido nenhum eu morar no país vizinho, matar meus classmates e os finlandeses de inveja porque não preciso de visto para entrar lá e não visitá-la. Então, ficou decidido que o destino das férias era esse, mesmo correndo o risco de se aventurar pelo temido inverno russo. Ah, e Helsinki só entrou no roteiro porque eu teria que passar por lá de qualquer forma, então, por que não conhecer a capital, não é mesmo?

A forma mais em conta de ir para lá é de ônibus e não tenho do que reclamar! A Lux Express oferece ônibus novos, super confortáveis, com wifi, tomada, TV individual com muitas opções de filmes, séries, música e jogos e ainda bebidas quentes à vontade como chá, café, chocolate quente e cappuccino e, enfim, o ônibus realmente me surpreendeu. A viagem foi de madrugada e é claro que dormir dentro de um ônibus nunca vai ser tão bom como a própria cama, mas foi uma viagem de 7h razoavelmente confortável.

A imigração

Quando entramos no ônibus, o motorista confere o nome no passaporte, checa o visto, se for o caso, e entrega o cartão de imigração. O cartão tem duas vias iguais que devem ser preenchidas com as informações pessoais, motivo da viagem e duração da estadia.

Cartão de imigração - imagem do Google
Cartão de imigração – imagem do Google

Quando cruzamos a fronteira, o ônibus parou e todos descemos. Os oficiais checaram nossos passaportes apenas e não pediram para ver o cartão de imigração. O R. tem cidadania portuguesa, portanto, dois passaportes. Na nossa inocência, achamos que bastaria mostrar o brasileiro, já que com o português ele precisaria ter visto. O oficial pegou seu passaporte de capa azul, folheou e como não viu nenhum visto de nenhum país europeu (tipo, como ele entrou na Europa e não tem carimbo?), olhou pra cara dele muito intrigado e perguntou por onde ele havia andado. O R. ficou meio nervoso e eu me intrometi (claro) explicando que ele não tinha nenhum visto no passaporte porque também era cidadão português. No fim, o oficial apenas disse que ele sempre deveria apresentar os dois passaportes em situações como essa e deu tudo certo. Ufa.

Voltamos ao ônibus, andamos mais uns metros e descemos novamente. Eu achava que havia passado pela imigração, mas era só uma checagem de passaporte, imigração mesmo era naquela hora. Com imigração não se brinca nem vacila, então sou dessas que sempre entrego os documentos obrigatórios, vou entregando outros se o oficial pedir e respondo perguntas da forma mais sucinta e objetiva possível. Entreguei meu passaporte e cartão de imigração, a oficial ficou eternamente digitando algo e conferindo meu passaporte, comparou a foto com minha cara minuciosamente, até me pedindo para tirar os óculos. Finalmente me devolveu a outra via do cartão de imigração sem me explicar que eu deveria guardar aquilo como minha vida, pois deveria devolvê-lo na saída. Eu tenho vários conhecidos que já estiverem na Rússia e, felizmente, eles me falaram que preciso não só guardar esta via comigo até sair do país, mas estar sempre com ela, pois qualquer policial pode pedir pra ver seus documentos sem nenhum ou por qualquer motivo, então é sempre bom estar com o passaporte e o cartão em mãos. Felizmente, ninguém me parou em lugar nenhum, mas posso dizer que os dois só se separaram de mim pra eu tomar banho em todo tempo que estive no país.

Não bastasse ter o passaporte checado duas vezes, quando voltamos ao ônibus, um terceiro oficial entrou e checou se todos tinham o visto de entrada (ou eram russos). Foi chatinho, mas tranquilo para quem não deve nada. E eles não pediram comprovação de hospedagem, dinheiro ou da passagem de saída do país.

Chegamos em São Petersburgo por volta de 5h30 da manhã, pegamos o metrô e seguimos para o hostel. Felizmente para os turistas, todas as estações de metrô têm o nome escrito no alfabeto latino, o que torna a viagem bem mais fácil, mas ainda assim, todos os anúncios são só em russo.

São Peter arrasando já no metrô
São Peter arrasando já no metrô

O hostel

Chegamos no hostel super cedo, tomamos um banho e cochilamos até às 10h, porque o walking tour começava às 10h45. Foi muito difícil procurar hostel na Rússia, acho que o país mais difícil até hoje! Eu costumo fazer reserva pelo Hostel World e seleciono para mostrar pelo preço (porque se fosse pra pagar caro, eu ficava num hotel, né?), em seguida olho a nota geral e a localização e, finalmente, olho as reviews, especialmente as ruins, para poder escolher a melhor opção. Não tinha um hostel em São Petersburgo inteira que não tivesse reviews negativas, sendo que as principais reclamações eram “russos morando no hostel”, “hostel difícil de ser encontrado”, “staff despreparado” e, pasmem, “tentando passar a perna nos hóspedes”, pra citar algumas. Escolhemos o Simple Hostel, porque foi o que pareceu “menos pior” e a escolha foi certeira. É um hostel pequeno, tranquilo, limpo e super bem localizado. Tivemos só um inconveniente com ele, mas isso é assunto pra depois.

O corredor do hostel
O corredor do hostel

O walking tour

Apesar de estar fazendo uns 7 graus no dia, o que é super quente pra dezembro na Rússia, venta muito na cidade e deu um friozinho! Por um lado, tivemos a sorte que nos 3 primeiros dias não pegamos temperatura negativa, por outro, pegamos dias cinzentos e feios. Eh, não se pode ter tudo. E como é inverno, não tinha muita gente no walking tour também e dos que tinham, metade era do Brasil. Eh.

Nosso guia, Vlad (e agora não sei se esse é realmente o nome dele ou se ele queria usar o nome mais russo de todos), era muito simpático, com um inglês impecável, deu muitas dicas e ainda nos deu tempo para tirar foto (e se oferecendo para tirá-las até), o que achei muito legal e nunca vi em walking tour nenhum!

Hermitage
Hermitage

O tour começa em frente ao Museu Hermitage, onde o guia conta sua história e peculiaridades. Passamos por algumas igrejas e monumentos e o guia sempre falando da história russa e da cidade. São Petersburgo não é aquela cidade tipicamente russa que vem a cabeça – não tem as igrejas ortodoxas todas coloridas, por exemplo, já que a ideia era que ela tivesse um estilo mais europeu, ou seja, há quase nada do que pensamos de arquitetura tipicamente russa.

Passamos em frente ao Palácio de Strogonov, o nome da família que originou o strogonoff, onde hoje é um museu. O guia explicou um pouco à respeito, mas o museu é sobre a história da família, não da comida, ok? hehe…

Palácio de Strogonov
Palácio de Strogonov

O tour terminou em frente a uma das catedrais da cidade, o guia nos deu mais algumas dicas e eu não falei muito do que vimos, porque no dia seguinte fomos nos pontos turísticos para visitá-los e nos próximos posts eu conto! Gostei muito do tour e recomendo para quem for à cidade. Como acabou perto das 14h e sabemos que viajar no inverno por esses lados significa ter dias muito curtos e estava escurecendo lá pelas 15h30, resolvemos segurar a fome e almoçar depois de visitar o Forte de Pedro e Paulo para aproveitar melhor enquanto ainda estava claro.

A presepada e o forte

Eu incluí no roteiro o nome da estação de metrô mais próxima do forte e como chegar lá, mas por algum motivo não muito claro, que pode ter sido desde o nome no alfabeto cirílico até o fato de termos tido uma noite mal dormida ou confundido o mapa das linhas de metrô, mas conseguimos descer na estação errada. E pedimos informação na rua – quem disse que russo fala inglês? – e as pessoas não sabiam onde era, o que achei muito estranho, porque é uma atração turística! Erramos o caminho, atravessamos ponte que não era pra ser atravessada, voltamos, andamos no sentido errado, voltamos, até que percebemos que a fortaleza estava no lado completamente oposto e andamos muito até chegar lá – o que até poderia ter sido uma caminhada agradável se 1- fosse verão, 2- não estivesse ventando pra caramba e 3- as botas que eu estava usando não estivessem assassinando meus pés.

Quando finalmente chegamos ao forte já estava escuro e eu já estava com tanta raiva que queria mandar aquela ilha pra Marte! Mas enfim, estávamos lá e tínhamos que conhecer o local. O forte foi fundando em 1703 para proteger a cidade de um eventual ataque sueco, mas no fim das contas ele nunca foi usado para este fim e serviu como prisão por algum tempo. Hoje é uma atração turística e conta com uma catedral, alguns museus e uma prisão desativada.

Catedral
Catedral e minha falta de habilidade de usar uma câmera

Todas as atrações são pagas e decidimos entrar apenas no Museu da Tortura, apesar que acho que teria sido mais interessante ter visitado a prisão. De qualquer forma, não tínhamos muito tempo  para ver outras coisas por causa da presepada de termos nos perdido e chegado lá já perto da hora de fechar. Com certeza a visita teria sido melhor se estivesse ainda claro e, de preferência, ensolarado.

Saímos do forte, desta vez indo para a estação de metrô que, de fato, era a mais próxima. Fomos até a Nevsky Prospekt, a rua principal, e almoçamos/jantamos num restaurante super bacana e com preço de McDonald’s aqui na Finlândia.

Delicinha
Delicinha – e um robert

Este restaurante vende comida russa – duh, parace óbvio, mas em grandes cidades a gente acha restaurante do mundo todo! É uma mistura de buffet com restaurante por kilo. Cada porção tem um valor, então o cliente diz o que quer, o atendente coloca no prato a porção (que eles pesam numa balança) e no caixa é cobrado o valor total. A comida estava deliciosa e voltamos ao hostel mortos de cansaço, prontos para descansar bem para o dia seguinte turistando em São Petersburgo.

Arroz, frango e batatas
Arroz, frango e batatas
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9 comentários sobre “São Petersburgo – imigração, walking tour e o forte

    1. sandra

      E muito dificil entar de trem em São Petersburgo e depois para Moscou, estou apavorada , ja estou com as passagens compradas….

  1. Não consegui entender porque você não precisou de visto? É por ser brasileira?
    Cara, eu sempre tive “mixed feelings” pela Rússia. É um país super importante e com uma história bem imponente, mas essa aura de ser tudo restrito e por padrão errado sempre me deixa com o pé atrás. Legal ler a sua experiência! (E um viva a escrever posts gigantes, hehehe)

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