Cartagena, Colômbia

Nosso voo saiu de madrugada. Foram quase 7 horas até o Panamá, uma curta conexão e mais quase 2h até Cartagena. O aeroporto de lá é muito pequenininho! Aliás, do aeroporto até o centro da cidade são cerca de 6km, o que para padrões de São Paulo é praticamente “do lado”. Eu não achei muita coisa sobre transporte público na cidade, mas como andar de taxi é relativamente barato, fomos para o hotel desta forma. Não há taxímetro e você acerta o valor da corrida antes. Aliás, acho que é uma boa hora para explicar a moeda local e a cotação antes de continuar o relato da viagem.

Pesos Colombianos

Não é muito fácil achar pesos colombianos em São Paulo e quando a casa de câmbio vende, é preciso reservar antes. Achamos a melhor cotação numa casa na região da Paulista e o valor final que conseguimos foi de R$1,30 para cada 1000 pesos. Aliás, dá até um susto os valores, porque 1 peso vale menos que 1 centavo, portanto, nada lá custa menos que 1000 pesos. Os valores que encontramos em Cartagena para comer fora e outros gastos são bem semelhantes aos de São Paulo se fizermos a conversão – ou seja, Cartagena é relativamente cara, mas é um caro que qualquer paulistano está acostumado.

O minúsculo aeroporto de Cartagena

Hospedagem

Ficamos no Hotel San Felipe no bairro de Getsamaní. O hotel fica muito bem localizado, pois está a 5 minutos a pé da Cidade Amuralhada, a principal atração local, mas custa pelo menos metade do preço de qualquer hotel que fique dentro dela. Tem wi-fi dentro do quarto, ar condicionado (até porque sem ele qualquer lugar parece uma sauna finlandesa!) e café da manhã bem servido, porém não tem água quente no chuveiro! Faz tanto calor, mas tanto calor em Cartagena que, na verdade, nem precisa mesmo de água quente, mas eu sou do tipo que adora uma água pelando e não tomo banho frio de jeito nenhum, então eu não curti muito aquela água não-aquecida batendo nas minhas costas… haha… Aliás, já que entrei no assunto, precisamos falar do calor desse lugar.

O calor de Cartagena

Eu amo o calor, adoro por um vestido soltinho e não me preocupar em ter um casaco para caso esfrie. Sério, adoro o verão. Mas Cartagena é outro nível, aquilo era uma sauna do inferno na terra! A temperatura máxima não passou muito de 32 graus (o que pra mim ainda é aceitável – esses dias estava fazendo 36 graus aqui em São Paulo), mas a sensação térmica devia ser de mais de 40. A cidade é muito úmida, o que faz a sensação de calor aumentar bastante. Você sai de vestidinho e ainda assim não aguenta o calorão! E a umidade gruda na pele que te faz pensar que você está transpirando horrores, mas é só água do ar grudando em você. O cabelo fica encharcado, grudando na pele também e eu não consegui ficar com ele solto. Enfim, se resolverem ir a Cartagena, já estão avisados: é quente!

O taxi nos custou 14 mil pesos e chegamos no hotel perto das 9h da manhã. No check-in nos avisaram que se esperássemos, nosso quarto estaria disponível antes das 10h da manhã. Enquanto aguardávamos no saguão, resolvi pesquisar o que fazer por lá! Acho que foi a primeira vez na vida que cheguei numa cidade sem saber o que fazer. Rapidamente guguei um walking tour e fiz a reserva para aquele mesmo dia às 16h.  Deixamos as malas no quarto, nos trocamos e seguimos a pé para o Castelo de San Felipe de Barajas. O castelo é uma das atrações principais e achei o valor do ingresso bem overpriced: 25 mil pesos, cerca de R$32. Construído no século 17, como a maioria das construções deste tipo, o castelo tinha o objetivo de ser um ponto de defesa da cidade.

San Felipe de Barajas

Nós entramos sem guia ou audioguia (porque, sei lá, eu já tentei alugar esses áudios e tenho paciência zero pra ouvir as histórias, então nem tento mais), mas acredito que quem queira realmente entender a história do lugar deva alugar um. Do contrário, tudo que vemos é um monte de muros e túneis e nem sempre fica muito claro do porque de tudo isso (spoiler: eu não vi quase ninguém com o áudio também)! Como fica num morro, tem-se uma ótima vista de lá.  Ficamos cerca de 1h30 e vimos absolutamente tudo, até mesmo os túneis. O ideal é visitar no começo da manhã ou fim da tarde, do contrário, o sol e o calor são de matar mesmo – eu cheguei lá por volta de 11h. Na entrada do castelo tem inúmeros vendedores e eles são extremamente insistentes! Vendem água e chapéus e insistem com você que se você não comprar você vai morrer de sede e insolação e que dentro do castelo tudo custo o dobro do preço que eles fazem. Minha dica: finja demência e aja como se eles não estivessem ali, porque se você fizer contato visual já é a deixa pra eles te seguirem até a entrada onde você entrega o ticket!

A visita vale porque é uma das principais atrações da cidade e de lá dá para ver tanto a parte moderna de Cartagena, como a antiga e a baía. Porém, não vá com expectativas de que é realmente um castelo e tal, porque são essencialmente muros e túneis.

Saímos morrendo de fome e entramos num restaurante bem em frente ao castelo mesmo, com um pé atrás porque por estar num lugar turístico e imaginando que seria caríssimo. Na verdade, o restaurante, apesar de ser super simples (as mesas eram compartilhadas, por exemplo), um almoço para duas pessoas com um suco natural custou 42 mil pesos, cerca de 54 reais.

Escolhemos o prato típico da região: arroz de coco, pescado frito, patacones e salada e para acompanhar, um suco de uma fruta local, o lulo. Vou explicar tudo, porque este foi um dos pratos mais gostosos que comi na minha estadia na Colômbia.

Nhom nhom…

O arroz de coco é bem local e como o nome sugere, é arroz com leite de coco e açúcar mascavo. Ele fica levemente escuro por conta da combinação e eu adorei! Comi muito arroz de coco na viagem toda e já quero aprender a fazer para comer aqui no Brasil. Como a cidade é na costa, come-se muito peixe e basicamente, pelo o que entendi, qualquer peixe vai com o prato, mas o normal é pescado. Patacones é algo bem peculiar… é banana da terra (plátanos) amassada, empanada e frita. Eu não adorei, mas também não detestei até porque não tem realmente gosto. Já o suco é de lulo, uma fruta local que tem um gosto que seria algo entre limão e carambola. Delicioso!

Após o almoço, voltamos ao hotel onde tiramos um bom cochilo para compensar a madrugada passada dentro do avião. Depois vimos que não foi uma má ideia, já que choveu a tarde toda. No fim da tarde, nos arrumamos e seguimos para o ponto de encontro do walking tour, que fica para o próximo post.

Próximo destino: Colômbia!

Comecei 2017 na Finlândia, logo depois voltei ao Brasil e desde então, minha única viagem havia sido descer a serra pras praias paulistas! Temos fases e fases na vida e este ano não foi muito de viagens, mas de grandes mudanças. Eu agora tenho meu próprio lar com 2 gatíneos lindos e trabalho full time. A vida de estudante/intercambista ficou pra trás e, consequentemente, aquela vida de viajar sempre que tinha um break de aulas ficou pra trás também. Tenho bem menos tempo e contas a pagar agora pra valer. Adultei de vez mesmo!

No mês passado eu pude viajar devido à licença e a ideia inicial era ir para algum destino aqui dentro do Brasil mesmo. Pela primeira vez na vida, eu optei por fechar uma viagem por agência de turismo ao invés de fazer tudo por conta própria. E o motivo ainda não é porque já estou ficando velha demais para isso, mas porque estava trabalhando demais (estava? I wish, ainda estou) e sem tempo para ficar pesquisando preços, passagens, hotéis e comparando todas as opções e era muito mais cômodo ter alguém fazendo isso pra mim – mesmo que com seu custo. Aí veio a amarga decepção: ir para o Nordeste brasileiro é mais caro que ir para o caribe colombiano! Então, deixei Jericoacoara para uma outra oportunidade e fechei um pacote para colocar mais um país na minha listinha, o 29º: Colômbia!

Desta vez eu queria um destino para relaxar e curtir e não turistar feito louca, indo a museus, pontos turísticos e coisas assim. Conheço algumas pessoas que já visitaram a Colômbia e todas recomendaram muito o destino. A princípio, eu iria só a San Andrés, uma pequena ilha que apesar de fazer parte do território colombiano, está localizada mesmo na América Central, ali perto da Nicarágua, e já no Caribe, porém acabei optando por incluir Cartagena na viagem e spoiler: não me arrependi!

No final de outubro parti para passar 7 dias no país, 2,5 em Cartagena e quase 4 dias no paraíso chamado San Andrés!

Cartagena

A comida colombiana é maravilhosa, os sucos naturais são incríveis, Cartagena é uma cidade muito bacana – apesar de eu só ter conhecido a parte turística – e San Andrés só me decepcionou por um motivo: as mini férias acabaram e eu precisei voltar! Sim, eu estava realmente triste de me despedir da ilha.

Planejando a viagem

Minha primeira experiência viajando com agência foi bem positiva (e se alguém quiser o contato dela, é só deixar um comentário que eu passo). Eles fizeram absolutamente tudo e nos deram todas as orientações. Quando fiz o primeiro orçamento, a viagem toda seria pela Avianca, porém, quando fechei de fato, uns 3 dias depois, o preço da passagem de volta havia duplicado e conseguiram manter o valor inicial mudando de companhia aérea – a viagem agora era pela Copa Airlines. Eu já tinha ouvido falar que a empresa panamenha não era lá essas coisas, mas eu preferia chegar no meu destino pagando o menos possível, então fechamos. A única diferença é que pela Avianca faríamos escala em Bogotá, portanto não precisaríamos de passaporte e agora, fazendo escala na Cidade do Panamá, tivemos que ir com passaporte – no big deal. A vantagem mesmo eu vi 2 dias antes de viajar quando o agente me ligou dizendo que estava com um problemão: a Avianca Colombiana estava enfrentando alguns problemas e os pilotos fazendo greves. Meu único trecho por ela – Cartagena/San Andrés – havia sido cancelado e haviam nos realocado num voo terrível no dia seguinte. Para não atrapalhar nossa viagem, a agência conseguiu nos colocar num voo no mesmo dia e horário por uma low cost local chamada Viva Colombia. Como pra mim era mais importante chegar do que o como chegar, topei, lógico. Fiquei imaginando o que eu iria fazer caso tivesse fechado esse trecho por conta própria e precisasse resolver esse pepino 2 dias antes da viagem, sendo que trabalharia até às 17h30 neste dia e, sendo professora, com possibilidade zero de fazer qualquer coisa antes deste horário. Ufa!

Fora isso, é obrigatório tomar a vacina da febre amarela para viajar para lá. Eu tomei a minha em 2010 quando fui para o Peru, mas como a vacina era apenas recomendada, eu não fiz a carteira internacional de vacinação, que é exigida já no check-in antes do embarque para Colômbia. Fazer a carterinha é bem fácil: basta levar RG e comprovante de vacina a algum posto que faça a emissão e fica pronta na hora. Eu também precisei fazer um cadastro antes, mas não me pediram nada no posto – acredito que seja apenas para agilizar o atendimento. O que me pediram, na verdade, foi um comprovante de que eu iria sair do país, então mostrei no celular mesmo a reserva das minhas passagens. É importante também saber que se você nunca foi vacinado, a vacina deve ser tomada, pelo menos, 10 dias antes da viagem.

Com passagens de avião e reservas de hotel emitidas, vacina tomada e carteira de vacinação internacional nas mãos, embarquei toda feliz para mais um destino… mas o relato continua só no próximo post! 🙂

Turku, Finlândia

Na volta da viagem aos países bálticos, como ainda tinha um final de semana antes do fim do break, achei que seria interessante conhecer mais algum pedacinho da Finlândia e escolhi visitar Turku, cidade que já foi capital do país. Passei um dia em Helsinki com um amigo (e como eu já visitei a cidade antes, aproveitei para descansar só) e no dia seguinte peguei o ônibus para Turku, que fica a apenas 2 horas da capital.

Turku é provavelmente a mais antiga cidade finlandesa, fundada no fim do século 13.  Foi a capital do país até o início do século 19, quando a região da Finlândia passou para o domínio do Império Russo e a capital transferida para Helsinki. Já foi a cidade mais populosa do país por muito tempo, mas hoje em dia tem apenas 183 mil habitantes, sendo menor ainda que Oulu.

Turku
Turku

Não cheguei com muitas expectativas e fiz apenas uma rápida pesquisa no Google sobre o que fazer na cidade. Para minha imensa alegria, o dia estava super lindo, com um céu super azul e uma delícia de sol!

Da rodoviária até o nosso hotel-hostel era 3.5km de distância e fomos a pé porque não havia rotas de ônibus para lá. Estamos falando de Finlândia, então já coloquem os preços lá em cima para entender porque escolhemos um local tão afastado do centro – pagamos 26 euros/diária cada um para dividir uma cabine num barco! Sim, isso mesmo, nosso hostel era um barco!

hostel
O barco hostel

A ideia de se hospedar em um barco, no começo, foi muito empolgante, mas quando chegamos lá vimos que não era nada demais: a cabine era super pequena e o banheiro tão pequeno que era quase preciso sentar no sanitário para tomar banho! Os prós é que havia um café-da-manhã bem servido padrão finlandês, sauna (o que na Finlândia é a regra, no caso, não a exceção) e fica próximo a atração mais popular (e legal) da cidade, o Castelo de Turku. No fim das contas, ele foi escolhido por ser a opção mais barata mesmo!

Deixamos as mochilas no hostel e seguimos para o Castelo de Turku. O preço do ingresso é 9 euros para adultos e 5 para estudantes e talvez justamente por não ter expectativas, eu adorei a visita! Ficamos cerca de 2 horas lá e cada sala/exposição trazia uma informação diferente sobre a cidade e a construção do castelo. Como a construção tem mais de 700 anos (entre renovações, ampliações e reconstruções), tudo é cheio de história e eu realmente adorei a visita!

O castelo
O castelo

Saímos do castelo e comemos numa pizzaria, já que era uma opção mais em conta – eu fico impressionada como a Finlândia consegue ser tão cara! Seguimos caminhando pelo Rio Aura e amando o sol que ia se pondo devagarzinho no horizonte! Num certo momento resolvemos cruzar uma ponte para caminhar do lado contrário e vimos muitas pessoas próximo ao local e até achamos que poderia estar acontecendo algum evento. Qual não foi a surpresa ao chegar perto e notar que todos estavam o jogando Pokémon! :/

Pokémon players
Pokémon players

Visitamos a Catedral de Turku, uma igreja diferente “arquitetonicamente” falando. É uma igreja luterana, já que a maioria da população finlandesa é desta religião, considerada uma das mais importantes do país e foi construída no século 13.

catedral
Catedral

Demos mais uma volta pelo centro da cidade e procuramos algum lugar para comer. Ouvimos falar de um bar/restaurante que fica no prédio onde antes funcionava uma escola, mas quando entramos não achamos nada de mais e fomos embora. Acabamos indo num restaurante que tinha um pub no porão, mas o local não estava muito animado e fomos embora.

No dia seguinte, depois do café, fizemos check-out e andamos até o centro da cidade, onde deixamos nossas mochilas no locker da rodoviária. Passeamos pelo shopping, depois fomos a biblioteca da cidade que é sensacional! Tem uma parte com arquitetura mais clássica e outra, que é uma ampliação, bem mais moderna. Se tivesse uma biblioteca como aquela em Oulu acho que não sairia de lá!

A biblioteca
A biblioteca

Almoçamos num restaurante mexicano muito bom e até hoje me bate uma vontade de comer de novo aquele burrito! A ideia era ir ao Museu de História e Arte Contemporânea, mas depois de 10 dias viajando, eu já estava tão cansada que não tinha muito ânimo sobrando para uma visita a museu. Mas para quem estiver mais animado e com tempo, tem vários museus na cidade e vale a pena conferir!

Eu adorei Turku! É uma cidade pequena mas com um ar mais moderninho e agitada que Oulu. No verão acontecem vários festivais e talvez seja mesmo a melhor época do ano para visitar a cidade, mas ainda assim, achei Turku bem bonitinha!

E assim termina a viagem (e a série) de posts sobre minha viagem do fall break! 🙂

Os países bálticos

Este post é um wrap-up da viagem aos países bálticos, já que os três países têm muitas coisas em comum e achei que seria interessante reuni-las em uma postagem só.

A região onde hoje ficam a Estônia, Letônia e Lituânia já fez parte de alguns outros estados até que foi completamente conquistada pelo Império Russo e depois se tornaram independentes em 1920. O período independente nãos durou muito e em 1940 a União Soviética reanexou os 3 países que só voltaram a ser estados independentes novamente em 1991. Atualmente, a população é de cerca de 6.7 milhões de pessoas, sendo que quase a metade está na Lituânia.

Os 3 já estão na zona do euro (Estônia desde 2011, Letônia desde 2014 e Lituânia desde 2015), o que facilita viajar aos países como turista, mas segundo os locais, isso fez os preços aumentarem muito. Eu não achei os bálticos absurdamente baratos, mas com certeza são muito mais baratos que outras regiões da Europa (especialmente se a comparação for feita com os nórdicos).

Tallinn, Estônia
Tallinn, Estônia

Curiosidades

  • Eu já estava bem acostumada a arredondar o troco como fazemos no Brasil, pois na Finlândia não circulam moedas de 1 e 2 centavos de euro. Num supermercado, ao fazer o pagamento em dinheiro e arredondar para menos, me deparei com a funcionária ainda me olhando com cara de paisagem. Não se arredonda o troco por lá!
  • Aliás, não se entrega o dinheiro diretamente ao funcionário do caixa e nem dele ao consumidor. Você coloca o dinheiro num suporte de vidro, o funcionário pega e devolve o troco lá também.
  • Talvez por terem feito parte da União Soviética, há muitos russos morando na região. Na Estônia, por exemplo, quase 1/4 da população é de origem russa e em Riga, praticamente em todo lugar há tradução em russo.
  • Assim como na Finlândia, boa parte da população tem boa fluência em inglês.
  • Um detalhe que não passou despercebido aos meus olhos é que vi muitas mulheres trabalhando como motoristas de ônibus, especialmente em Vilnius.
  • Na Letônia, a bebida típica é o Black Balsam. É uma bebida feita a partir de ervas e misturada com vodka. Eu achei interessante e entrei numa das muitas lojas de bebiba alcoolica que tem pela cidade e acabei comprando 3 garrafinhas pequenas da bebida, mas cada uma com sua especificidade. A vendedora me explicou que uma delas, a original, é usada como um “tônico”, pois dizem fazer bem ao estômago e que, tradicionalmente, algumas pessoas tomam 50ml por dia misturado em chás ou sucos. A segunda versão, que é mais forte, é indicada para se socializar e a terceira, que é mais suave um pouco, seria para “equilibrar a alma”. Assim, as 3 bebidas juntas fariam bem ao corpo (a original), a alma (a mais suave) e  a mente (a mais forte). Eu experimentei a bebida e é bem forte!
  • Em todas as capitais ouvi dos guias do walking tour que o país em questão detinha o primeiro lugar em internet rápida e acesso à rede. Todos se gabaram de terem wifi em todo lugar, serem um país high tech e internet mega rápida. Minha experiência? No hostel em Tallinn a internet mal funcionava e o wifi da rua era apenas normal. Em Riga e Vilnius, internet completamente ok. Voltei sem entender.

Dicas

  • Se você viaja on a budget como eu (acho que eu nem sei mais o que é viajar sem estar com o dinheiro contado… haha), uma ótima dica é começar o dia comprando seu café da manhã no mercado. Os mais comuns nos países são o Rimi e o Iki. Em praticamente todos eles você pode comprar salgados, como croissant, e máquinas de café que você pode comprar para levar. Em Tallinn, por exemplo, o RIMI até tinha promoção de café-da-manhã: uma bebida quente de sua preferência (café, chocolate quente, chá etc) e um croissant recheado por 1.80 euros.
  • Em todos os lugares que visitei aceitaram meu cartão de estudante, com exceção do Museu da KGB em Vilnius. Muitos países da Europa costumam aceitar apenas a carteirinha da ISIC (que eu não tenho), mas apenas com minha carteirinha da Finlândia eles aceitaram. Acho possível que também aceitem carteirinhas do Brasil.
  • Quando eu me hospedo em hostel, costumo começar a seleção partindo do preço e localização. Como as 3 capitais são relativamente pequenas, vale a pena pegar um hostel um pouco mais em conta que não esteja exatamente no centro da cidade. Em Riga, o hostel que me hospedei pro 7 euros/diária, não ficava no centrão, mas ficava a pouco menos de 1.5km de lá – uma distância muito tranquila de caminhar para mim.

Eu acho que não teria viajado aos 3 países bálticos se não estivesse morando na Finlândia, já que sua localização não é tão central na Europa. Para mim valeu muito a pena e foi uma viagem muito barata, pois pude fazer tudo de ônibus e balsa pagando bem pouco pelas passagens (o mais caro foi a balsa, 19 euros cada trecho). Não é nada barato viajar pela Europa quando você mora no norte da Finlândia! A quem se aventurar pela região, recomendo tentar passar pelos 3 países e talvez escolher uma época do ano “menos ruim”, pois o tempo cinza e frio me desanimou um pouco em alguns dias. No fim, mais uma “viagem para a coleção”. 🙂

Vilnius, Lituânia
Vilnius, Lituânia

Um dia ensolarado em Vilnius

Finalmente no último dia da viagem aos bálticos saiu um solzinho! E a vida com um belo sol no céu faz toda a diferença, pelo menos pra mim faz – meu humor fica melhor, me sinto mais disposta e feliz. Talvez seja por isso que eu não era assim tão fã de Dublin… 🙂

Meu joelho direito ainda estava tentando me imobilizar de dor, mas eu sou bem teimosa e segui meu roteiro normalmente (e me enchendo de dipirona e tylenol, porque era o que eu tinha de analgésico). Comecei o dia visitando o Museu do Holocausto, que apesar de pequeno é cheio de informação e no fim da visita ainda podemos visitar o sótão, onde o museu recriou todo o ambiente onde os judeus se escondiam antes de tentar fugir e o que mais me chamou a atenção é que não havia aquecimento no local e mesmo ainda sendo outubro, já estava bem frio, então imagine o que passavam as pessoas que precisavam se refugiar nestes lugares nos meses de inverno e ficavam dias nessas condições.

O museu
O museu

Também passei pela única sinagoga da cidade, a Choral, que mesmo sendo uma atração turística, não impressiona por dentro. Até me deu medo de entrar e ver aquela sinagoga vazia! Continuei seguindo andando pela rua principal da cidade, a Gediminas, onde parei numa farmácia para comprar Ibuprofeno (que também é antiinflamatório) para ver se dava um jeito no joelho – não estava fácil! Na avenida também ficam o correio central e o Teatro Nacional da Lituânia, que tem essa fachada bem interessante:

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No fim (ou começo?) da avenida fica a Catedral de Vilnius e a Bell Tower. A entrada é gratuita na catedral, mas paga na torre e como eu já tinha planos de subir em outra torre, decidi não entrar na Bell Tower. A praça onde ficam a catedral e a torre é enorme e pelo que notei, é um ponto de encontro de locais.

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Próximo a torre, no chão, tem um quadrado especial do piso que é “mágico”: dizem que se você fizer um pedido e girar três vezes pisando em cima deste quadrado, seu desejo será realizado! Mas preste atenção no piso, porque senão não é difícil passar por ele sem perceber.

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De lá segui para a Torre Gediminas, que fica numa colina. Havia uma placa indicando um “bondinho” para quem não quisesse subir a pé, mas a placa dizia que ficava a 500 metros dali e eu pensei “quem anda 500 metros pra pegar um bonde, sobe a colina” e lá fui eu na velocidade de uma tartaruga manca subindo até o topo.

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A subida a pé compensa pela vista da cidade: de um lado vemos o centro histórico e a parte turística, e do outro a parte mais moderna, com prédios e mais prédios bem modernos. A torre é o que sobrou onde antes ficava o castelo de Vilnius e a entrada custa 5 euros ou 2,50 para estudantes. Eu resolvi entrar, mas tendo que subir escadas. Subi por onde a guia me indicou e cheguei num saguão com algumas maquetes e não vi mais escada para continuar subindo… não estava acreditando que havia desembolsado alguns euros para ver meia dúzia de maquetes! Voltei por onde vim e aí percebi que havia outra escada para continuar a visita. Já estava me sentindo bem trouxa! haha… Nos outros andares há exposições e podemos subir até a cobertura, de onde a visão é realmente maravilhosa.

De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna
De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna

Em seguida, aproveitando o belo dia de sol, cruzei o parque Bernardine e fiquei lá um pouco apreciando o momento. De lá segui para a igreja St. Anne, que apesar de bem bonita por fora, por dentro fica devendo: está mal conservada e nada tem a ver com a beleza exterior.

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De lá, como era caminho, passei pela República de Uzupis novamente e fui para o Bastião de Vilnius. Subi a colina, mas não entrei no museu e não é uma atração extremamente necessária na cidade, só vá se estiver com tempo. Passei, então, pela Universidade de Vilnius e ali ao lado, onde fica o parlamento, estava acontecendo algum evento, pois os guardas estavam fazendo uma espécie de “troca da guarda”.

A última atração antes de seguir para o Palácio do Grão-Duque foi a Literature Street, uma rua bem famosinha na cidade por ter vários azulejos nos muros com trechos de livros de autores locais.

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O Palácio ficou por último porque ele fecha às 20h às quintas-feiras, dia da semana que estava lá, e achei melhor aproveitar o dia de sol na rua e somente quando anoiteceu fui visitá-lo. O ticket custa 3 euros para adultos e 1,50 para estudantes. É um museu que conta desde a história do castelo que lá ficava até perto dos dias atuais, passando pelas gerações das famílias lituânias que reinaram no país através dos tempos. O museu estava bem vazio, aliás, eu vi  só mais 2 ou 3 pessoas enquanto visitava o local, que eu recomendo.

O palácio
O palácio

E para encerrar a visita fui a um dos restaurantes mais famosos da cidade, o Forto Dvaras. Quando eu comecei a viajar, pouco ligava para a comida local e comia qualquer porcaria barata que via na rua (ai, jovens! haha), mas nas últimas viagens sempre tenho tentado fazer pelo menos uma refeição num restaurante bacana e comendo algo local – não precisa ser chique, só precisa ser algo que os locais costumam comer. Eu já havia experimentado o cepelinai no dia anterior, mas este restaurante era mais bonitinho, então achei que valeria a pena. Eu pedi o mesmo prato, mas como já havia experimentando com cheio de carne, desta vez pedi com recheio de coalho e molho de queijo e para acompanhar, uma taça de vinho de blackcurrant, típico da região.

Nhom nhom
Nhom nhom

O mais impressionante é que isso custou 6,50 euros! Sim, eu jantei num restaurante bacana pedindo um prato típico e vinho e só paguei isso! Claro que havia pratos mais caros, especialmente os que tinham carne, mas para comer cepelinai o preço é esse. Estava delicioso e foi uma experiência interessante, pois foi a primeira vez que eu fui sozinha a um restaurante legal – me senti um pouco forever alone, mas como eu me sinto muito confortável sozinha, logo passou. 🙂

Voltei para o hostel, peguei a mochila e segui para a rodoviária para pegar meu ônibus de volta a Tallinn – 8 horas de viagem – e pegar a balsa para Helsinki. 😉