Bia, a kummi

Quando estava na fase de me organizar para vir para Oulu tive a ajuda dos meus kummi, os alunos tutores. As universidades sempre selecionam alunos tutores em cada curso para ajudar os calouros, não somente nos cursos internacionais como o meu, mas até mesmo no bacharelado para alunos finlandeses. O papel do kummi é orientar os alunos novos com dúvidas do dia-a-dia para ajudar na organização e adaptação a vida universitária, já que seria inviável que os alunos ficassem entrando em contato com a coordenação  para isso e os alunos veteranos passaram por esta fase recentemente e podem ajudar com a maioria das dúvidas.

Este programa das universidades finlandesas é muito útil, especialmente para alunos internacionais que precisam lidar com todo o processo de se mudar para um país diferente e poder conversar com quem passou pela mesma situação é bem confortante. Eu fiz várias perguntas aos tutores do meu curso antes de vir e apesar de eu me julgar bem independente e saber me virar nestas situações, ajuda nunca é demais e não seria orgulhosa de não contar com eles.

E achei tão legal essa história de ajudar quem está chegando num lugar que resolvi me candidatar a vaga de kummi do meu curso de mestrado. Afinal, não vi muita diferença do que já faço aqui no blog, pois ao contar minhas experiências de viagem e intercâmbio de forma bem pessoal, sei que acabo ajudando muita gente com as informações que dou e quando a dúvida ainda persiste, chegam os emails e mensagens na fanpage que eu sempre tento responder da melhor maneira possível.

O processo foi bem simples, bastava preencher um formulário e justificar porque gostaria de ser um aluno tutor. Acabei sendo escolhida com outros 3 colegas e participamos de reuniões com a coordenação e também alguns treinamentos, mas acho que não tem muito segredo para quem já havia tido a experiência de ser ajudado por um tutor: lembre-se de todas as dúvidas que teve ao chegar, de todas as dicas úteis que recebeu e dê seu melhor.

Claro que tem a parte chata, que é a parte mais burocrática: preencher planejamento, entregar relatório de atividades e reuniões com a coordenação para discutir coisas de senso comum (mas claro, eles precisam falar de qualquer jeito), mas o resto do trabalho é bem dinâmico, pois estamos em contato com alunos de todas as partes do mundo.

Sendo kummi

Eu acho que fui bem ativa! Respondi vários emails com dúvidas, fui ao PSOAS pegar as chaves do apartamento de todos os alunos que pediram, encontrei alguns alunos na estação de trem ou no ponto de ônibus para levá-los a seus apartamentos, ajudei alguns com burocracias diversas (assinar contrato de aluguel, abrir conta no banco etc etc etc) e com a ajuda dos meus colegas, organizamos uma sessão de dúvidas e informações úteis para recém-chegados, tour pela cidade, um passeio noturno em busca da aurora (que apareceu, mas bem fraquinha), churrascos, sessões de sauna e outras atividades.

Depois das primeiras semanas em Oulu, a maioria dos alunos novos já conseguem se virar sozinhos e as perguntas e dúvidas vão diminuindo, mas vamos fazendo amizade. O trabalho como kummi terminou oficialmente em 30 de setembro e eu fiquei com a sensação de “dever cumprido”! É sempre bom poder ajudar só porque você tem uma informação que para você pode ser algo banal, mas para quem ainda não chegou na Finlândia é preciosa para decidir o próximo passo ou a melhor maneira de se organizar.

E claro, também tem a parte que é remunerado! Só que quem faz isso certamente não é pelo dinheiro, pois o valor pago é bem baixo para os padrões finlandeses de salário e a universidade paga no máximo 15 horas trabalhadas para cada kummi, e se botar na ponta do lápis, nós trabalhamos bem mais que isso. Vai ser muito bom quando o dinheiro, mesmo que não muito, cair na minha conta, mas o que vale mesmo neste trabalho é a satisfação de ajudar pessoas que estão vindo para cá com o mesmo sonho que você e saber que pode contribuir pelo menos um pouquinho para tornar esse sonho real.

Sendo kummi na Terra da Surora
Sendo kummi na Terra da Aurora
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