Na geladeira…

Minha geladeira de hoje é bem diferente da minha geladeira da época de Dublin… Mas vamos aos meus péssimos hábitos alimentares da vida de intercambista.

Semana 22 – Na minha geladeira sempre tinha…

1- Pão de forma

Porque o tempo em Dublin é muito úmido e se eu não guardasse o pão na geladeira, às vezes ele não chegava até a data de validade sem ficar verde antes. E com o pão sempre ia a Nutella fake ou a manteiga derretida ou cream cheese Philadelphia. E eu comia pão branco mesmo, hoje eu só como integral com requeijão light.

2- Leite

Porque eu tenho quase 27 anos e preciso tomar meu leite com achocolatado todos os dias de manhã (pelo menos) ainda.

3- Suco

Gostava pra caramba do de blackcurry concentrado, daqueles que precisa misturar com água. Também curtia o de blueberry e abacaxi de caixinha, mas achava muito forte e sempre misturava os dois com água. Hoje em dia em não bebo mais sucos de caixinhas e afins – ou tomo água ou suco natural ou nada, o que é mais saudável durante as refeições. Sim, estou virando uma freak.

4- Restô dontê

Eu sempre cozinhava mais do que precisava para guardar o excedente para refeições futuras. Eu sei que não é o apropriado nem mais correto, mas haja paciência para fazer comida fresca todo o dia, né? O feijão e o arroz sempre eram para umas 4 refeições, por exemplo. What doesn’t kill you makes you stronger.

5- Qualquer porcaria doce by Tesco

Depois que descobri que 6 unidades de flan de chocolate do Tesco custavam apenas 1 euro, ai ai… eu sempre comprava algum docinho pra comer depois da janta e quando tinha promoção de donut ou qualquer porcaria hiper calórica, lá estava eu estocando na geladeira. Agora eu não faço mais isso, gente, juro!

Dez meses de Irlanda

Você contava os dias para sair do Brasil e quando se dá conta, já está contando os dias para voltar. E 304 dias se passaram desde que comi a comida da mamãe pela última vez, dormi na minha cama “de verdade” e vi a terra da garoa (que, dizem as más línguas, está mais para a terra do céu cinza de poluição).

No post de nove meses eu estava desanimando qualquer futuro intercambista, enxergando o copo meio vazio e de saco cheio da Irlanda. Felizmente, meu humor mudou um pouco desde então. O frio ainda me incomoda (agora as temperaturas máximas já estão chegando a 15, 16 graus – primavera mais fria que o outono paulistano, mas ok, é o que tem pra hoje), o sotaque irlandês ainda tortura meus ouvidos (ouvir sotaque americano assistindo a uma série chega a soar como música agora) e a rotina ainda me desanima, mas não estou mais no clima “preciso voltar logo”.

Confesso que a Irlanda não seria o país que eu escolheria para viver o resto dos meus dias (que espero que ainda sejam muitos), mas não posso negar que estou acostumada com o estilo de vida daqui e com a independência e responsabilidades que tenho “cuidando de mim”. E que vou sentir falta disso. Nos últimos dias fiquei meio balançada, num misto de ansiedade e dúvida, entre o amor e o ódio pela Irlanda. Talvez o copo esteja se enchendo.

A Irlanda me ensinou muitas coisas (tipo cozinhar e notar que o quarto está sujo e que ele vai continuar assim até eu limpá-lo, por exemplo), me apresentou outras (como uma tal de Kopparberg e mousse de chocolate de 1 euro do Tesco), me fez valorizar ainda outras (o sol, o céu azul e o calor, eu diria) e ensinou até que é possível ir e voltar para outro país no mesmo dia e de avião!

Na Irlanda eu aprendi que se eu for ao mercado de manhã de pijama ninguém vai ficar me olhando (não que eu já tenha feito isso, magiiiiina), que se chover é só colocar a touca do casaco e continuar andando, que se eu for numa loja e pedir para provar mil cremes e não levar nenhum, a vendendora não vai me olhar com cara de bunda, que se eu comprar uma roupa e me arrepender, eu posso voltar na loja e devolver sem dar explicação nenhuma, que as pessoas esperam as outras desembarcarem no transporte público antes de tentar entrar. Eh, Irlanda, vou sentir falta de algumas coisas.

Post meio escrachado este, não? Talvez no de onze meses eu esteja mais filosófica. Por enquanto é assim que estou, sem saber como estou.

Onde abastecer a despensa?

Eu diria que o post de hoje é de utilidade pública! Morando na Irlanda há 7 meses e abastecendo a geladeira e o armário desde então, eu acho que já sei dizer onde é mais barato comprar o quê, onde tem o quê e onde tem promoção de quê. 🙂

Os principais mercados da cidade são o Tesco, Dunnes, Aldi, Lidl e SuperValu. Além destes, outros lugares onde sempre tem algo mais em conta ou diferente para comprar são os mercados poloneses, as lojinhas brasileiras (óbvio, né?), Iceland e as lojinhas de 2 euros da vida. Em cada estabelecimento você encontra alguma promoção ou alguns itens mais em conta.

Tesco

A vantagem do Tesco é possuir sua própria marca, desde o achocolatado até o enxaguante bucal, do shampoo a cidra! É praticamente um império! Via de regra, a marca Tesco é sempre muito mais barata que os produtos de marca. Outra vantagem é o imbatível Reduced! Todos os dias, por volta das 18h, produtos que estão para vencer são remarcados e colocados numa prateleira especial. Os descontos podem ser de poucos centavos a 70, 80% do valor original do produto e valem a pena principalmente para as carnes, que costumam ser caras.

Foto tirada às 18h. Pior que a 25 de março em véspera de Natal!
Foto tirada às 18h. Pior que a 25 de março em véspera de Natal!

Frutas e legumes, normalmente, são mais caros lá do que em outros mercados, mesmo com as promoções.

Uma dica é fazer o ClubCard. A cada 1 euro em compras você ganha um ponto e ao completar 150 pontos, ganha desconto de 1,50 na compra seguinte. Ok, é mínimo, mas para quem sempre compra lá, vale a pena.

Dunnes

O Dunnes é um mercado e uma loja de departamentos. Alguns lugares têm os dois, mas em andares diferentes, e outros são separados, sendo apenas o mercado ou a loja. Os preços do Dunnes não estão entre os mais competitivos, mas ele oferece uma marca própria, a St. Bernard, que é muito barata. Você sabe logo de cara que é um produto baratinho pela falta de estilo da embalagem: são todas com fundo branco e detalhes em azul. Para comparar, enquanto um pote médio de maionese de marca sai por cerca de 3 euros, o da marca St. Bernard custa 99 centavos.

Aldi

O Aldi parece aquele mercadinho de bairro sem luxo nem glamour, sabe? E é um dos lugares mais baratos, porém você não encontra nenhuma grande marca e quase tudo tem o selinho do mercado na embalagem, ou seja, são itens que você só encontra lá. Toda semana eles selecionam frutas e legumes para a promoção dos 39 centavos. É onde gosto de comprar congelados (legumes, batata etc), atum, ketchup e tortilhas, porque, sem dúvida, é o lugar mais em conta.

Lidl

O Lidl faz o mesmo estilo do Aldi e eu não costumo fazer compras lá. O pão de forma vendido no mercado é o meu preferido, mas ir lá só para comprar isso não faz sentido. O Lidl também é conhecido por sua padaria, sempre com aquele cheiro de “quem acabou de sair do forno”. Vendem, inclusive, o nosso pão francês. Claro, não é igual, mas engana bem.

Vai um?
Vai um?

SuperValu

O SuperValu não tem preços bons, mas assim como o Dunnes, vende uma marca própria e esta sim tem preços ótimos. Procure pela marca Daily Basics, embalagem com fundo branco e detalhes em vermelho. Além disso, o que gosto bastante no mercado é a promoção de 3 itens por 2 euros. Toda semana eles selecionam 5 frutas e/ou legumes , dos quais se pode combinar 3 e pagar apenas 2 euros, o que é muito vantajoso. Uma bacia com 6 peras, por exemplo, custa quase 2 euros e nesta promoção, você poderia levar 3 pelo mesmo valor. Ou misturar com outros itens, você escolhe.

Mercados poloneses

Dizem que depois dos irlandeses, a maior população da Irlanda é de poloneses! Verdade ou não, há um mercado polonês em cada esquina. Normalmente, é onde brasileiros compram frango, salsicha e linguiça, pois o preço é muito competitivo e são produtos de boa qualidade.

Lojinhas brasileiras

É óbvio surpreendente o número de brasileiros nesta terra! Há vários mercadinhos pelo centro e eles vendem aqueles produtos que tanto salivamos de vontade de comer! O problema é que é tudo bem mais caro do que no Brasil, então, é um ótimo lugar para ir quando estiver com lombrigas, mas com cautela. Um pacote de farofa pronta ou uma caixa de mistura para pão de queijo custa 2,50 euros – a regra de ouro é jamais converter para reais. As carnes e aves vendidas neles também costumam ser boas, apesar de mais caras, mas neste caso compensa pagar um pouco mais para comer algo com mais qualidade.

Iceland

Como o nome sugere, o Iceland vende principalmente produtos congelados e a maioria custa, em média, 1,50. Eles também têm alguns produtos genéricos, como um sorvete que eu era viciada em comprar quando cheguei: o fake do Cornetto que, juro, era muito parecido e custava menos da metade do preço! É o lugar perfeito para os preguiçosos que gostam de tirar do freezer e por no forno e do forno por no prato.

Lojinhas de 2 euros

Tem muita coisa nestas lojinhas (há várias lojas como a 99 cents store, a Eurogiant e por aí vai) e comida também. O leite é mais barato lá do que nos mercados (vocês estão lendo o blog de uma pessoa que até hoje precisa do leitinho no café-da-manhã) e é um bom lugar também para comprar itens de higiene pessoal (pasta de dente, escova, desodorante e sabonete), produtos de limpeza em geral e pipoca!

Outra dica é a Boots, que é uma farmácia/perfumaria e não oferece os melhores preços, mas quem possui carteirinha de estudante ganha 10% de desconto.

Cartel?

Há alguns produtos do dia-a-dia que custam exatamente a mesma coisa em todos os mercados e quando os preços aumentam, aumentam em todos. É o caso do pão de forma, que costumava custar 65 centavos em todos os mercados citados (das marcas próprias) e num belo dia foi pra 72 centavos em todos. A embalagem de 2l de leite custa 1,49 em todos assim como 1kg de açúcar ou arroz (das marcas próprias) custa 1,19 e por aí vai.

Com o tempo você vai descobrindo também as marcas que mais gosta e os melhores lugares para adquiri-las. Este post fica apenas como um “guia rápido”. 😉

Caso tenha alguma dica para dar, deixe um comentário! 🙂

Quanto custa levar uma vida de estudante na Irlanda?

Acho que no tesauro deveria ser incluso um novo sinônimo para a palavra pobre: intercambista estudante na Europa. Por algum motivo x, amigos e familiares que ficam no Brasil acham que nós, intercambistas, somos abastados financeiramente.  É difícil ter de acabar com o glamour do intercâmbio assim, principalmente se você for meu amigo ou é da família, mas saiba que não, eu não sou rica, não ganhava rios de dinheiro antes e, obviamente, nunca exerci nenhuma atividade ilegal para estar aqui neste instante.

Entenda que se estou na Europa, a consequência foi justamente ficar pobre e creio que esta seja a realidade de uns 90% dos brasileiros que vêm para cá. Os outros 10% talvez venham de famílias verdadeiramente ricas e quiçá, nem trabalharam para juntar dinheiro para vir para terra do arco-íris depois da chuva (fonte: Bia’s mind).

Resumindo: morar fora não é sinônimo de ter dinheiro. É sinônimo de que você teve dinheiro em algum momento da sua vida e isto não te pertence mais. Supere este fato.

Pois bem. Agora é necessário encarar a vida de pobre na Irlanda. Quanto custa?

Vamos partir do princípio que por saber que se vive uma fase passageira da vida, você está disposto a abrir mão de um certo padrão que você tinha no Brasil. Ou vai dizer que você comprava o feijão Carrefour? A bolacha Extra? Dolly Guaraná? Mas que atire a primeira pedra quem nunca comprou nenhum produto sequer da marca Tesco.

Moradia

Esqueça o sonho da casa própria. Aqui é o “Meu aluguel, minha vida“. Há 99,9% de chances de você morar em uma república, ou seja, compartilhar casa com pessoas que nunca viu na vida ou nem mesmo falem tua língua. O valor do aluguel vai depender do tamanho da casa, localização, número de moradores e se o quarto é compartilhado ou single.

Se for morar numa casa no centro (Dublin 1 ou 2) em quarto compartilhado que caibam todos confortavelmente (ou seja, não tentar colocar 4 pessoas num quarto que cabem 2, por exemplo), o valor do aluguel fica em torno de 200 a 240 euros por pessoa.  Quartos single podem ficar na faixa de 300 a 400 euricos, em média.

Mercado

Você não se dará ao luxo de comprar apenas marcas conhecidas, afinal, o Tesco tem praticamente tudo com sua própria marca. E quando eu digo “tudo”, eu não estou exagerando:

Sim, existe o vinho da marca Tesco e ele vem em caixa de suco!

Para quem não sabe, o Tesco é uma grande rede de supermercados na Irlanda e Reino Unido e é o mais popular entre os intercambistas, principalmente por vender seus produtos por um preço bem abaixo das marcas conhecidas. Enquanto você pagaria cerca 1,50 euros num pacote de pão de forma de uma marca qualquer, comprando o pão de forma Tesco, você gasta só 0,65 centavos. Pegou a ideia?

Pois bem, assumindo que você comprará a marca Tesco sempre que possível, dará sempre uma passadinha no Reduced do mesmo mercado (todos os dias, itens com data de validade próxima ao vencimento são colocados numa prateleira e vendidos por um preço bem mais camarada) e vai se virar para achar fontes alternativas de proteína, já que está fora de questão comer carne vermelha todo dia ($e é que você me entende $, né?), você gastará entre 60 e 80 euros com alimentação por mês. Com isso, você garante todas as suas refeições, o lanchinho da escola e ainda dá para comprar umas besteirinhas para adoçar o paladar. Pode até comprar um feijão ou uma massa pronta de pão de queijo nas lojinhas brasileiras da vida de vez em quando (mas se prepare, tudo custa bem mais do que no Brasil).

Contas

Não se paga água na Irlanda ainda, mas há rumores de que em 2013 o governo passará a cobrá-la.

A conta de luz vem a cada 2 meses, o que, na minha opinião, não é muito legal. O valor vai depender muito do estilo de vida da casa e da época do ano, já que se costuma gastar mais no inverno por causa do aquecedor. A média fica entre 25 e 50 euros, pelo o que tenho visto. Algumas casas têm conta de gás, mas costuma ser pouco, não mais que 10 ou 15 euros.

A maioria das casas aqui tem UPC como provedor de internet e custa cerca de 45 euros por mês. Novamente, o valor vai depender do número de pessoas da casa, mas normalmente fica entre 8 e 12 euros.

Se você tiver TV, é cobrada uma taxa anual de 160 euros. É obrigatória e não é TV a cabo, mesmo para assistir os canais abertos é necessário pagar esta taxa.

Celular

Por incrível que pareça, é mais barato fazer uma ligação para um telefone fixo no Brasil do que para um aqui na Irlanda mesmo! As companhias de celular sempre tem promoções e tarifas muito boas. Eu e 90% dos brasileiros têm a Fodafone Vodafone, pois ela dá ligações e mensagens de texto ilimitadas para qualquer Vodafone, além de internet. Porém, há empresas que são mais camaradas, pois fazem ligação para o Brasil por apenas 1 centavo o minutos, como a Lyca e Tesco (viu que eu não estava de brincadeira, né? O Tesco tem até sua própria operadora de celular!).

O valor gasto com telefonia vai depender dos seus hábitos, mas carregando uma vez ao mês, ficará entre 20 e 30 euros.

Custo de vida

Você tendo casa, comida, luz, internet e um meio de comunicação, você tem o kit básico de sobrevivência. Assim, entre 320 e 400 euros é o mínimo que você precisa ter todo mês para se manter na Ilha da baguete salvadora de 2 euros dos leprechauns!

É óbvio que nem só do kit básico viverá o homem. Eventualmente você precisará comprar uma roupa, vai sair para se divertir (e aí, depende do quanto você bebe, já que aqui sinônimo de diversão é ir para pub!), poderá fazer atividades pagas (visitar museus, por exemplo), enfim, gastará um pouco mais que isso para fazer algo além do básico. Este custo eu não posso calcular, pois depende do estilo de vida de cada intercambista.

O porquinho sofre!

Dúvidas? Escreva para umfabulosodestino@gmail.com. 😉