Solicitando o visto

Na mesma semana que saiu o resultado, a universidade enviou um email com alguns documentos importantes e orientações:

– Minha carta de aceite da universidade;
– Formulários de matrícula e confirmação de vaga para serem preenchidos, assinados e devolvidos por email;
– Instruções de como solicitar o visto junto a Embaixada Finladesa;
– Informações sobre o seguro saúde;
– Apresentação dos alunos kummi – quatro mestrandos que seriam tutores dos novos alunos para nos ajudar com dúvidas e questões práticas de todo processo.

A próxima etapa, então, seria solicitar o visto de estudante. Para isso, precisava do seguinte:

– Carta de aceite da universidade junto com a impressão do corpo do email enviado com a carta;
– Preencher o formulário de visto no site da imigração finlandesa;
– Seguro saúde com cobertura de 30 mil euros por evento;
– Comprovar fundos para me manter por um ano (ou o equivalente a 560 por mês);
– Cópia da primeira folha do passaporte e uma foto 3×4;
– Pagamento da taxa de emissão de visto de 300 euros.

Ou seja, nada absurdo ou nada complicado, a menos que a gente considere que ter que comprovar 6720 euros de cara seja absurdo. E é, mas eu já estava me preparando financeiramente para um resultado positivo há tempos, então, não foi um susto.

A parte mais complicada mesmo disso tudo foi estar trabalhando loucamente e mal ter tempo de pesquisar e fazer tudo com calma. Eu já trabalhei em escritório (não sinto saudades, sociedade) e sei que nestas condições a gente sempre arranja um tempinho para fazer algo pessoal no computador, nem que seja no horário de almoço ou logo depois do expediente, mas eu sou professora, não trabalho em frente a um computador e em horário de trabalho não tenho tempo de pegar meu celular e ficar fuçando, logo, me sobrava as noites e finais de semana e olhe lá, porque estava trabalhando até às 19h. Foi difícil!

A universidade sugeriu uma empresa belga para comprar o seguro e alegaram que a grande vantagem seria que a imigração finlandesa já conhecia esta seguradora e isso aceleraria a emissão do visto. O valor não estava alto, mesmo cotado em euros, mas mesmo assim quis consultar outras seguradoras aqui do Brasil. Conclusão: todas conseguiram me oferecer seguros muito mais caros e acabei optando por comprar o seguro sugerido mesmo. Parece que foi tudo simples, mas eu tive muita dor de cabeça com isso depois (vai virar um post).

Seguro comprado, preenchi cuidadosamente o formulário de visto online e anexei todos os documentos solicitados (aqueles da última listinha). Quando enviei, apareceu uma mensagem informando que eu deveria contatar minha embaixada/consulado e agendar um horário. Eu já havia pesquisado que havia um consulado finlandês em São Paulo, na Oscar Freire, e já estava feliz tentando ligar lá para fazer o agendamento. Ninguém atendia. Mandei email. Não houve resposta. Intrigada, contatei o consulado do Rio de Janeiro por email e fiquei de queixo caído quando a mocinha finlandesa do outro lado da tela me disse que eu tinha que visitar a Embaixada, não um consulado, pois a máquina que capta digitais ficava apenas lá. Em Brasília.

Sim, Brasília. Se eu disser que não senti um balde de água fria caindo na minha cabeça nessa hora, estou mentindo. Como iria assim do nada faltar no trabalho e me programar para ir a uma cidade distante 1175km da minha? Liguei lá e agendei um horário para 10 dias depois para ter tempo de me organizar e comprar um voo. Até pensei em ir de ônibus, mas as 14h de ida e depois mais 14h de volta num curto período de tempo não me animaram. Felizmente, nós também temos nossas companhias low cost – do nosso jeito, mas temos – e consegui um preço razoável para fazer um bate-e-volta na capital pela Azul – porque a Gol e a Tam estavam querendo um rim.

Organizei todos os meus documentos, paguei a taxa de visto no banco, fui tirar foto 3×4, conferi se tinha pego tudo que precisava umas 30 vezes antes de sair de casa para ir ao aeroporto e fui. No próximo post, conto como foi o dia em Brasília.

Enquanto isso, não havia nada a fazer a não ser esperar a data da “entrevista de visto”. Já havia enviado minha matrícula e me inscrito no sistema de moradia do campus para aguardar uma oferta de vaga e isso era tudo que eu já poderia ter feito até então.

Are we there yet?
Are we there yet?

Oh, dúvida cruel!

Que eu perdi a chance de comprar euricos euros e passagens aéreas a preço de banana em março, você já sabe. Mas o curso está comprado, o intercâmbio planejado e o casal Euro-Dólar não vai pular dos Cliffs of Moher só porque eu quero.

Estava planejando ir em 2 de agosto. Trabalharia até fim de junho/começo de julho e teria tempo de sobra para resolver aqueles últimos detalhes pré-viagem e descansar um pouco da minha vida louca de teacher. Mais ou menos como fiz quando fui ser au poor pair.

Aí que eu descubro que dia 6 de agosto, segunda-feira, é feriado na Irlanda e, portanto, teria que esperar até dia 13  para o início das aulas (em qualquer escola, as aulas só começam às segundas-feiras – desde que não seja um feriado). Mas isso não seria um problema para mim. Problema é chegar na sexta, ter um final de semana pela frente e depois emendar num feriado. Primeira vez na vida que não estou curtindo uma folga. Explico. Eu fechei uma semana de acomodação com a escola, o que significa que preciso conseguir um teto até 10 de agosto (supondo que eu embarque dia 2). Dia 3 é perdido, vou chegar e descansar e me achar na vida dublinense. Sábado e domingo já estavam fora do baralho mesmo e agora com o tal feriado, eu teria, na verdade, 2 dias para achar uma vaga, já que no dia 10 eu preciso estar fora da residência estudantil. Bem, não é impossível, eu posso checar os sites especializados no assunto nas semanas anteriores ao embarque e já chegar lá com algo certo e, em último caso, me hospedar em um hostel. Eu não tenho problema nenhum com hostels. Quem me conhece, sabe que já viajei para vários lugares e sempre ficando em hostels. O problema é ficar num hostel com TODAS as minhas bugigangas.

Dúvida 1: mudo ou não mudo a data do voo? Vou uma semana antes? Uma depois?

“Tantas dúvidas, mudeuso! Pleciso de uma dedeira pla lelaxar…”

E que todos dizem que KLM é a rainha da cocada preta das companhias aéreas que sobrevoam o arco-íris rumo a Ilha Esmeralda é fato. Há, inclusive, boatos de que servem sorvete à vontade durante o voo. Outro fato é que a passagem aumentou cerca de 400 reais desde o saudoso dia em que fechei meu curso com a agência.
Mas há salvação: Iberia. Ou não. A Iberia tem um preço que cabe no bolso, mas e as recentes greves e problemas que a companhia aérea está enfrentando? Será que ela poderá sobrevoar o arco-íris também? A TAM está com preços ótimos, segundo minhas últimas pesquisas… mas a conexão na Europa é na Inglaterra. E se você acompanha este blog, já sabe que eu tenho pavor da imigração inglesa.

Dúvida 2: Pagar caro e garantir a viagem? Arriscar numa companhia barata? Testar imigração britânica novamente? O que fazer?

E agora, José? E agora, leitor?