Ficava sem graça quando…

A pessoa chega num país que não conhece bem e fica meio sem graça às vezes…

Semana 13 – Ficava sem graça quando…

1- Não entendia o sotaque

Não é novidade pra ninguém que o sotaque irlandês (ou os sotaques, já que há vários) pode ser bem chatinho de se entender, ainda mais no começo quando ainda não se está habituado. Eu estava muito acostumada ao sotaque americano quando cheguei lá e os meus primeiros meses foram terríveis toda vez que precisava falar com um nativo. Numa das minhas primeiras vezes no mercado, a caixa me perguntou se eu queria uma BAIG. What? BAIG. Ahn? BAIG. A bike? No, a BAG! ¬¬

2- Não conhecia  o equivalente em inglês britânico

Sim, eu era professora de inglês antes mesmo de ir para a Irlanda, mas o meu inglês era basicamente americano e eu tinha contato com o tal em filmes, livros e seriados e sabia aquele basicão do “é assim no inglês britânico”. Aí, a primeira vez que fui ao banco depositar meus euricos, eu fiquei meio perdida até sacar que lodgement era como eles falavam depósito. Ou então, quando comecei a cuidar dos meninos, tive que começar a falar nappies e cot ao invés de diaper e crib.

3- Elogiavam meu inglês

Quando comecei a fazer minhas primeiras entrevistas de emprego, chegava na casa da família, abria e boca e “Oh, your English is very good… have you lived in America? You sound American“. E onde meter a cara? Eu, definitivamente, não sou uma pessoa que sabe receber elogios – ou fico sem graça ou fico sem graça. Ou finjo que não é comigo.

4- Brincar com os loirinhos na frente dos pais

Não acontecia só com eles, nos EUA também tinha isso: eu sempre fico sem graça de interagir com as crianças na frente dos pais, simplesmente não sou a mesma pessoa. Quando ficava só com os meninos, eu era a pessoa mais retardada brincando com eles, daquelas que fica pegando, zoando e fazendo macaquices com os meninos; na frente dos pais, mal sabia como conversar com eles. Eh, muito besta!

5- Reclamar com flatmate folgado

Aquele flatmate que vai tomar banho com a água quente do boiler que você ligou ou que pega sua comida sem pedir ou que não lava a panela mesmo sabendo que esse é um item de uso comum ou joga as responsabilidades da casa para os outros ou [insira sua revolta aqui] e você, porque é um cara legal, fica sem graça de reclamar e causar um mal-estar na casa.

Coisas que me faziam feliz

Estava lendo o blog do Rick esta semana e me deparei com um post do desafio de 52 semanas. Na era da internet, todo mundo já viu e até participou de algum desafio (atire a primeira pedra se você nunca entrou naquela onda de desafios do Facebook!). Lembrei também do Verena Fotografia, que ano passado fez este desafio, porém, com fotos. Bem, já faz quase 9 meses que voltei da Irlanda e não tenho postado muito por motivos óbvios. Aí pensei em unir o útil ao agradável: entrar na onda do desafio, porém ao invés de escrever sobre assuntos gerais, relacionar o desafio ao tempo que vivi na Irlanda. Vamos ver se dá certo (e se der, todo final de semana posto um desafio).

Semana 1 – Coisas que me faziam feliz

1- Acordar e ver o céu azul e raios de sol

Ninguém fica especialmente feliz numa situação dessa no Brasil, mas no meu um ano de Irlanda, a proporção era de 1 dia de sol e céu azul para uns 10 nublados. Meu humor até mudava com os raios de sol e a vitamina D começava a borbulhar.

2 – Achar morangos bons por menos de 2 euros e blueberries

Eu gosto muito de morango e fruta, em geral, é bem cara por lá, morangos no mercado poderiam custar 4 euros a caixa (nos valores de hoje, uns 13 reais por uma caixa de morangos), então, sempre que conseguia comprá-los por um bom preço, era só alegria. E tá, eu sei que existe blueberry no Brasil, mas também sei que em São Paulo o lugar onde vou achar é o Mercado Municipal (lugar que, aliás, eu, paulistana, nunca fui) e sei que são bem caras. Lá tinha em todo mercado, nem tão baratas assim, mas sempre que dava, eu comprava. Delicinha.

3 – Entender o sotaque irlandês

Pois é, gente, não dá para generalizar, mas tem muito irlandês com sotaque chatinho de entender (nem todos, claro) e depois de um tempo, quando eu comecei a entender todos os irlandeses sem dificuldade dá para dizer que me senti muito feliz! 🙂

4 – Os loirinhos e família

Tão bom trabalhar e ser feliz no trabalho, né? Eu tinha um subemprego, eu alimentava, trocava, brincava, trocava fralda e dava bronca nos dois loirinhos, mas gostava demais deles e dos pais, que sempre foram muito fofos comigo. Quando meu laptop foi roubado, me emprestaram o iPad para eu não ficar sem internet e quando precisei tirar outro passaporte, me deram quase metade do valor para me ajudar. Ficava feliz de trabalhar para uma família tão bacana.

5 – Minhas coisas, meus horários, meu jeito

Isso não tem relação direta com a Irlanda, mas era consequência de estar morando lá como intercambista. O título é auto-explicativo. Sinto falta disso.

FAQ

Depois de dois intercâmbios e algumas viagens por aí (dentro e fora do Brasil), as pessoas à sua volta começam a fazer perguntas. Algumas perguntas eu já perdi as contas de quantas vezes respondi, sem contar que alguns amigos me tacham de doida, porque, né, só pode ter uns parafusos a menos para morar fora do Brasil duas vezes e ter um fogo no rabo siricutico desses de viajar. Confesso que não acho ruim as perguntas, mas às vezes me admiro porque as pessoas se admiram comigo. Oras, eu só juntei minhas tralhas e viajei. Algumas vezes.

E as frequently asked questions (FAQ) são:

Você vai sossegar no Brasil agora?
Sim, gente, estou sossegada no Brasil há 6 meses, embora já tenha andado por ele (ai, Guarda do Embaú, sua linda, saudade!). O que não significa que eu sossegue por aqui for good. Daqui 1 ano ou 2, eu posso estar entediada e tá dáááá: passaporte em mãos e see you soon, Brazil!

Você pretende viajar de novo?
Viajar? Mas é ÓBVIO! Só não viaja quem não sabe o bem que uma viagem pode fazer! Ninguém volta igual de uma viagem! Ninguém! Nunca! Jamais! Citando uma frase clichê de internet “A vida é um livro e quem não viaja, só lê a primeira página.” I couldn’t agree more.

Você pensa em voltar para a Irlanda?
Sim, penso quase todos os dias. Eu sei que reclamo do frio de lá que nem uma velha chata, mas eu sinto muita saudade de morar na Irlanda. Queria ter voltado para lá agora em janeiro (turismo), mas não deu por motivos profissionais (na verdade, eu que tenho uma certa tendência a ser workaholic– poderia ter dito ‘não’), mas penso em voltar assim que possível para visitar e fazer outro mochilão pela Europa. E se você me perguntar se eu penso em morar lá novamente, só o que posso dizer é que não descarto a possibilidade.

Praia de pedra na Irlanda
Saudade de ir para a praia de roupa, né, gente?

Você ainda pensa em morar no exterior?
Sim e já tenho esboço de planos para um futuro nem tão distante assim. Nada muito definido, mas o que me separa dos meus planos é apenas minha vontade de concretizá-los. E vocês sabem que quando eu coloco algo na cabeça

Você trocaria o Brasil pela Irlanda/Estados Unidos/Gringolândia definitivamente?
Não, não trocaria. Eu saio, mas eu sempre volto para a pátria amada e idolatrada cá. Eu gosto muito da descoberta, sabe? De me sentir viva aprendendo coisas novas todos os dias, observando outros costumes e modos de vida e ver o mundo, mas chega uma hora que eu sinto falta do que me faz lembrar minha infância e quem eu sou. Sem contar a falta que faz a coxinha, o pastel e o arroz com feijão da mamãe.

Você gostou mais dos Estados Unidos ou da Irlanda?
Difícil responder. Até um tempo atrás eu dizia “Estados Unidos”, mas não tenho mais tanta convicção de que minha experiência americana tenha sido melhor que a irlandesa. Aliás, só o que as duas têm em comum é que eu chamo ambas de “intercâmbio”, mas foram experiências muito distintas em vários aspectos, então, não é fácil comparar. Começando pelo fato de eu ter ido para os EUA aos 20 anos toda deslumbrada da vida e ter chegado na Irlanda com 24, já com os pés bem fincados no chão. São duas culturas distintas com as quais aprendi muito. Foram dois momentos distintos da minha vida e eu buscava coisas diferentes, minhas motivações não eram as mesmas. Comparar e escolher, então, fica difícil.

Você sente saudade das crianças que você cuidava?
*suspiros*
Se pudesse, teria colocado todas na mala e trago para o Brasil. A ciência ainda há de explicar como que uma pessoa que não sonha em ser mãe pode gostar tanto dos filhos dos outros. A., S., F. e O. serão sempre meus amorzinhos e sempre me alegro ao receber notícias deles, como ontem, que recebi um cartão de feliz ano novo da família americana, os W. 🙂

Como é o inglês da Irlanda?
É “peculiar”. Eles têm muitas expressões e gírias que só eles mesmo falam. Além disso, o sotaque pode ser bem chatinho de pegar no começo, eu não entendia tudo que me falavam quando cheguei. Porém, apesar de ser uma pequena ilha com pouco mais de 4 milhões de habitantes, a Irlanda tem muitos e muitos sotaques diferentes e até mesmo em Dublin há diversos sotaques. Então, sempre vai ter aquele irlandês que abre a boca e você acha que ele não terminou de engolir a batata porque não está entendendo bulhufas, mas também vai ter aquele com um sotaque mais light que não te faz se sentir um analfabeto em inglês. Deus abençoe os últimos. Amém.

Você já está adaptada à vida no Brasil?
Depois do baque do primeiro mês, eu me readaptei completamente a viver no Brasil. Sem crises, sem deprês. Isso só aconteceu na minha volta do primeiro intercâmbio, a famosa depressão pós-intercâmbio. Tô bem e feliz aqui.

Você é rica?
Sim, sou… de berço. Assim como todos os intercambistas.

Não arranjou nenhum namoradinho gringo?
Ai, gente. Jura?  Tanta coisa pra perguntar e me vem com essa? Dá vontade de retrucar: “Por que? Acha que só voltei porque não consegui um passaporte vinho? Quem disse que estava à procura de um, cara pálida?” Mas eu sou educada, sorrio e digo “Não, não viajei pensando nisso, anyway”… AFFFF…

Os irlandeses são bonitos?
Não fazem meu tipo. Mas sabe como são pessoas, né? Tem paulista lindo de morrer, tem paulista feio de matar. Na Irlanda, acredite, é assim também, então não posso colocar todos os irlandeses no mesmo saco e falar que são todos assim ou assado. Tem irlandês coisa linda de se ver, I’m sexy and I know it, mas tem irlandês ruivo, de olhos azuis, cheio de sarda e banguela que parece filhote de chupa-cabra. Acontece.

Você não teve medo de viajar sozinha?
Eu viajei sozinha pela Califórnia em 2008, ao 21 aninhos. Depois viajei all by myself para a Bélgica e a Holanda no ano passado (quando ainda tinha cara de 21). Não, não tive medo em momento algum. Planejei razoavelmente bem as viagens, não fiz trajetos obscuros em horários inoportunos e segui o senso comum. E não, não é deprimente viajar só. Acredito que seja um exercício de auto-conhecimento e de saber estar só na própria companhia. Nesta hora, alguns monstros podem surgir, então, se você não estiver bem consigo mesmo, pode ser um super desafio. Do contrário, enjoy your thoughts! A gente acaba pensando e refletindo muito sobre a vida também. O lado ruim de se viajar só é a) ninguém para comentar o que está conhecendo (mas dependendo da sua companhia, melhor estar só mesmo), b) ter que ficar pedindo para desconhecidos baterem fotos suas ou tirar mil selfies e c) se algo der errado, é sempre melhor se ferrar acompanhado – felizmente, não me ferrei em nenhuma viagem.

Viajando sozinha em San Francisco º 2008
Viajando sozinha em San Francisco, 2008

Você sentia falta do Brasil?
Sim, mas não ao ponto de ficar homesick e chorar. Sentir saudade é normal, mas a minha não era exacerbada. Sentia falta da comida, principalmente quando estava nos EUA – não é à toa que voltei da Terra do Tio Sam 5kg mais magra em 2009. Infelizmente, o feito não se repetiu em 2013.

E estas são algumas das perguntas que mais ouço das pessoas. Tem alguma pergunta faltando aí?

Aprendendo inglês

Quero, preciso, necessito aprender inglês! Como faz?

Nos últimos posts eu escrevi como foi aprender inglês pra mim. Eu não aprendi sozinha (fiz inglês por 6 anos), mas eu sempre gostei muito do idioma, sempre quis aprender e, portanto, sempre estive muito motivada. Aprender inglês nunca foi um martírio pra mim, muito pelo contrário, sempre foi algo que fiz com prazer.

Vamos aos fatos.

Estudos indicam que crianças conseguem aprender inglês com muito mais facilidade do que adultos. A ideia é que nascemos com várias “janelas” abertas para aprendermos o que quer que nos ensinem: tocar piano, patinar, nadar, aprender outro idioma. E estas janelas começam a se fechar no início da adolescência, entre os 11-13 anos. E o que isso significa? Falando de inglês, especificamente, significa que uma criança que comece aprender inglês ou seja exposta ao idioma desde pequena tem uma probabilidade muito maior de se tornar fluente do que uma pessoa que comece a aprender o idioma quando adulto. Além disso, a criança tem chances de falar como um nativo, sem sotaque. Mas isso quer dizer que um adolescente ou um adulto jamais conseguirá ser fluente ou falar muito bem, pois sua janela já se fechou? Bem, eu comecei a aprender inglês aos 13 anos, quando a tal janelinha estava se fechando – sua desculpa já era! Lembra do amigo americano que citei no post anterior? Ele começou aprender português aos 17 anos e na época, aos 22, seu português era muito bom, com sotaque muito leve. Ou seja, sem desculpas.

O fato de começar a aprender inglês mais velho não significa que a pessoa jamais falará bem, mas que precisará se dedicar mais, pois certamente já não tem mais a mesma facilidade que uma criança. E quanto antes puder começar, melhor ainda!

Se você procurar pela internet e principalmente no YouTube, onde cada um posta o que bem quiser, vai achar mil métodos mágicos de aprender inglês sem esforço. Desculpe desapontar, mas se você já passou da adolescência, isso não existe! Você vai precisar sim se dedicar para aprender: ir às aulas (não apenar em corpo, mas em mente também- muito importante!), fazer sua lição de casa e nunca deixar suas dúvidas se acumularem. Um professor que se preze nunca vai se recusar a sanar suas dúvidas- talvez não seja possível fazer isso durante a aula, mas depois dela sempre há um tempinho.

Além disso, você não pode se contentar com aquilo que aprende em aula. O professor não pode ser sua única fonte de conhecimento, mas sim um facilitador entre você e o conhecimento, no caso, o inglês. Logo, além de te ensinar o verbo to be, o professor vai te direcionar para você também ser o responsável pelo seu próprio aprendizado. E não pense que o professor vai te falar “Oh, seguinte, em casa você vai fazer isso, isso e isso para continuar praticando.”, ok, às vezes até vai, mas vai chegar um momento que você já poderá ensaiar um voos por conta própria e aprender um pouco sozinho. Você pode fazer 10 anos de aula de inglês e ter o melhor professor, mas se não for atrás de mais conhecimento por si só, sorry, você nunca falará inglês bem. E o que você pode fazer fora das aulas?

Ler
“Ah, mas eu não gosto de ler nem em português!”
Eu poderia argumentar porque todos deveriam ler, mas como este não é o ponto, vamos passar para o motivo de se precisar ler em inglês. Como você quer escrever em inglês sem ler? Já notou que pessoas que leem mais escrevem e se expressam muito melhor? Eu sempre li muito desde criança e enfim, tenho o blog e creio que escrevo e me expresso bem. Coincidência? Mistério? Ou relação direita com meu gosto por leitura? Além disso, lendo você vai aprender palavras novas, ver expressões e gírias em seu contexto e ver a gramática em uso. Só não vale ler como se estivesse lendo em português, usando os sons da nossa língua. Mesmo fazendo leitura silenciosa, leia a palavra com a pronúncia correta.

Ouvir
Ouvir vozes? Sim, vozes de nativos. Ouça músicas, veja filmes e seriados, enfim, associe o inglês com alguma atividade que você goste. Todos nós gostamos de ouvir músicas e se você é daqueles que diz que só curte tal ou tal música tipicamente brasileira, faça um esforço para achar algum ritmo que você goste. Veja filmes que você já conhece a história- comece vendo com legenda em inglês e assim que se sentir confiante, veja sem. Você precisa ouvir muito inglês para poder falar inglês. Só ouvindo pessoas falando que você vai ouvir a gramática num contexto, aprender vocabulário, expressões e gírias e também associar as palavras à sua pronúncia correta.

Input/output
Ler e ouvir inglês é o que chamamos de input, ou seja, é toda a informação que “entra” na sua cabeça. Essa informação toda vai ser “processada” pelo cérebro e virar o output, ou seja, aquilo que você produz. Eu só posso falar e escrever aquilo que eu sei e sei porque já vi escrito ou porque já ouvi mil vezes. Assim, quanto mais input você receber, mais output vai produzir. E não se engane, a gente precisa de muito input até conseguir produzir- falar e escrever, não é “entrou-saiu”. Por isso, sempre que aprender uma nova gramática, palavra ou expressão, tente usá-la sempre que possível para poder internalizar. Se aprendo alguma expressão, por exemplo, e depois não uso, logo eu esqueço. Mas já aprendi tantas expressões vendo seriados sem legenda, pois eram constantemente repetidas!

Motivação
A revista Superinteressante publicou um artigo sobre poliglotas há algum tempo. Seria o cérebro dos poliglotas diferente? Bem, leia a matéria para descobrir por si mesmo, mas um ponto levantado neste artigo é que, acima de qualquer coisa, está a motivação. Um dos poliglotas citados aprendeu russo para ler os clássicos no original. Eu quis aprender inglês, à princípio, para entender o que minhas bandas preferidas estavam cantando e, claro, porque sempre gostei do idioma. Foi o inglês que me levou ao primeiro intercâmbio! Se você não estiver motivado, vai arranjar desculpas para não estudar inglês e a gente sabe que quem quer, arranja tempo! Se você não está estudando por amor à língua (como na maioria dos casos), tente associar inglês a algo que você goste para te motivar. Tenho certeza que você gosta de ao menos um seriado ou programa ou filme em inglês… que tal assisti-lo com áudio original?

Conclusão
Não vou dizer que todo mundo será fluente ou, pelo menos, falará muito bem o idioma nem dizer que há um método revolucionário. Eu nunca fui boa com Exatas e penei para passar em Química, Física e Matemática no Ensino Médio, mas passei. Me esforçando bastante, eu conseguia ir bem em matemática. Quase dando pane no cérebro, eu conseguia passar em Física. Já Química foi meu martírio e eu nunca consegui entender o que é um mol– eu nunca vou ser um gênio da química, mas consegui o suficiente para passar de ano. Levando isto para o inglês, você deve pensar: qual é o meu objetivo com a língua? O quão bem eu preciso falar? E a partir disso, traçar metas.

A minha opinião é que você não precisa ter um inglês impecável (a menos que sua profissão exija), mas saber o suficiente para se comunicar bem, entender e se fazer entender nas mais diversas situações e, claro, saber argumentar. Sotaque é permitido, desde que não atrapalhe a comunicação. A gramática deve ser a melhor possível, mas pequenos erros são aceitáveis – ou você fala tudo certinho em português?. Não foque na perfeição, não ache que só saberá falar inglês de verdade se não tiver sotaque e conseguir falar muito rápido (até porque, a tendência é que você use a mesma velocidade para inglês que usa em português – eu falo rápido em português, logo, em inglês também). E não tenha medo de tentar! Fale bastante e aprenda com seus erros. E quando chegar neste nível que descrevi no começo do parágrafo, well, por que não tentar ir um pouco mais além? 😉

Berlin, Alemanha III

O free walking tour começa em frente ao Brandenburger Tor, na Pariser Platz. É a mesma empresa (?) do tour que fiz em Amsterdã e, novamente, havia muita gente e fomos divididos em grupos. Para minha frustração, acabei fazendo o tour com uma neozelandesa. Não que ela fosse ruim, não era, mas aquele sotaque me fez ficar pensando no que comeria depois do tour ao invés de prestar atenção nela, por exemplo, em alguns momentos. O sotaque irlandês é ruim, mas estou acostumada. O sotaque neozelandês é tipo isso, mas o da guia era mais forte. E eu não estou acostumada:

Clique aqui e ouça um sotaque neozelandês

A guia começa o tour resumindo 800 anos de história alemã, além de falar sobre o Brandenburg Tor e a quadriga (que já falei a respeito no post anterior). Uma curiosidade meio fútil: na Pariser Platz fica o hotel mais caro de Berlin (eu já havia notado isso quando passei em frente e vi as malas dos hóspedes naqueles carrinhos iguais de filme), o Adlon, e foi de uma de suas janelas que Michael Jackson resolveu balançar seu filho para mostrá-lo ao público. Lembram-se dessa cena?

Adlon Hotel
Hotel Adlon

Seguimos para o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, que consiste em blocos de concreto de tamanhos variados espalhados por uma área de 19 mil metros quadrados. A obra custou cerca de 25 milhões de euros, um valor que parece ser um tanto alto se levado em conta o trabalho final. Segundo a guia, toda e qualquer interpretação da obra é válida. Eu enxerguei naqueles blocos de concreto as sepulturas dos mortos durante o Holocausto, como se elas simbolizassem as lápides que eles não tiveram a dignidade de ter, já que as vítimas dos campos de concentração foram cremadas ou enterradas em valas comuns quase que em sua totalidade.

Memorial
Memorial

Caminhar por entre os blocos dá uma sensação de insegurança, pois não se sabe quando alguém vai surgir na sua frente -ou dos lados- e a cada passo você se perde dentro do memorial. Será que era essa a sensação de estar dentro de um campo de concentração?

Visão aérea
Visão aérea

Bem perto do memorial tem um conjunto residencial com um estacionamento e algumas árvores em volta. Um lugar bem tranquilo e com nada que, aparentemente, o faça importante.  Mas metros abaixo do solo fica o bunker de Adolf Hitler. A guia nos deu algumas informações sobre ele. Não é aberto à visitação e não há intenção alguma de que isso seja feito num futuro próximo, pelo menos. Os alemães entendem que a tragédia deve ser lembrada a partir do ponto de vista das vítimas, não dos nazistas. Outro motivo é evitar que neo nazistas tenham um lugar para se reunirem.

O bunker fica aí
O bunker fica aí

Passamos por outros prédios públicos com alguma história, pedaços do muro de Berlin, memoriais, museus, até chegarmos na Berliner Dom e eu não acreditar nos meus olhos.

Berliner Dom
Berliner Dom

Eu sou meio difícil de ser impressionada. Quando vi a Estátua da Liberdade, em New York, pensei “Ah, essa é a estátua?“. A Torre Eiffel só me impressionou à noite e achei a Disney (da Califórnia) a coisa mais besta do mundo. Mas quando eu vi esta igreja na minha frente, meu queixo caiu! Nesta hora, a guia começou a falar da igreja e dos museus que ficam por ali, mas eu saí de perto e fiquei observando-a sem palavras (a catedral, não a guia).

Apesar dessa pinta, ela é uma igreja protestante, não católica. Ficou pronta em 1905, mas foi muito destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra (assim como a maioria das construções da cidade) e só foi completamente rescontruída e aberta ao público em 1993. O ticket para visitar a igreja custa 6 euros e 4 para estudante. Seu interior é tão imponente quando a fachada. No subsolo há uma cripta com cerca de 90 sarcófagos.

Berliner Dom
Berliner Dom

A  vista da cidade faz valer a pena todos os degraus que se sobe até o domo. Eu, sedentária convicta, quase cheguei sem ar.

Berlin
Berlin

O tour de 3h terminou por aqui. A região onde fica a igreja é conhecida como a Ilha dos Museus (aliás, Berlin tem cerca de 150 museus) e como estava muito perto do Museu DDR, para lá fui.

Este museu mostra como era a vida na Alemanha Oriental. A entrada custa 6 euros e 4 para estudante, assim como a Berliner Dom, e ele é simplemente sensacional! É tudo muito interativo e mostra os diversos aspectos da sociedade: educação, trabalho, vida em família, moda, férias, literatura, música, política etc.

Trabi,  o carro da Alemanha Oriental
Trabi, o carro da Alemanha Oriental

Eu gostei muito deste museu e ir a Berlin e não visitá-lo é quase como ir à Paris e não entrar no Louvre. O único ponto negativo da visita foi que o museu estava lotadaço e como ele é muito interativo e praticamente tudo é para ser tocado, eu precisei concorrer com os outros visitantes para ver, ouvir, tocar e interagir com tudo.

Também rolava uns interrogatórios na época...
Também rolava uns interrogatórios na época…

A essa altura do dia eu já estava mais para conhecer melhor a cama do hostel do que mais de Berlin, mas vocês se lembram que Europa na primavera-quase-verão é sol até 21h30, 22h, então, continuei batendo perna.

Não muito longe do museu, fica a Alexander Platz, uma grande praça rodeada de comércio e com um grande relógio que marca a hora de vários lugares do mundo, inclusive de São Paulo.

Alexander Platz
Alexander Platz

Sinceramente? Achei essa praça bem besta para ser considerada um lugar turístico. Ainda bem que estava rolando uma convenção de Super Men ali, viu! Não foi visita perdida.

Super Men
Super Men

A ideia era visitar o Museu De História Alemã em seguida, mas depois de tanta informação no tour e no DDR, achei melhor deixar a visita para o dia seguinte e fui para outro lugar. Mas isto eu continuo contando no próximo post.

Urso, o símbolo de Berlin
Urso, o símbolo de Berlin