Oito meses em Oulu

Oito meses e ufa! Que correira este meu último mês na pacata Oulu. Primeiro ano de curso chegando ao final, trabalhos para entregar, estágio em andamento e…

  • Estou com tantas coisas para fazer que marquei dentista, esqueci completamente da data e quando lembrei, no dia seguinte, fui feito louca na clínica da universidade ver se dava para dar um jeito no prejuízo (se o aluno não comparecer a uma consulta marcada, automaticamente paga uma multa de 18 euros). Sou tão sortuda que o dentista ficou doente naquela semana e todas as consultas foram canceladas. A parte trágica é que só havia horário para final de junho. Eh, vou passar sem meu check-up anual gratuito oferecido pela universidade.
  • No mesmo clima de cabeça cheia, um dia fui fazer trabalho em grupo numa sala de estudos da biblioteca da universidade. No dia seguinte, pela manhã, recebi um email informando que minha carteira me esperava na biblioteca. Primeiro que eu não havia percebido que tinha perdido a carteira. Segundo que fiquei surpresa de achar a carteira com tudo dentro, cada centavo.
  • Meu primeiro ano de mestrado está praticamente no final e alguns dos meus 14 colegas de turma não voltam mais, o que me deixa um pouco nostálgica desde já. Apesar de nós já estarmos num intercâmbio, afinal, só tem um finlandês na minha turma, a universidade oferece intercâmbios de um semestre em outros países e alguns deles resolveram que já era hora de se despedir de Oulu.
  • Assim que acabar que essa correria toda, tirarei merecidas férias. Sim, logo mais acrescento alguns países na minha lista. 🙂
  • Mas antes disso, agora estou fazendo estágio numa creche – porque fazer um mestrado, ter dois trabalhos freelance, ter um estágio obrigatório e ainda trabalhos para entregar não era suficiente para mim.
  • A primavera chegou com neve, mas aos poucos as temperaturas foram aumentando, a neve derretendo e agora a cidade não está mais branca e isso me deixa muito feliz. É mais gostoso pedalar e é muito bom não precisar colocar várias camadas para sair de casa.
  • Por outro lado, os dias estão ficando cada vez mais longos. Agora, por exemplo, começa a amanhecer por volta das 4h da manhã e não fica completamente escuro até perto de 23h. E eu que achei que essa seria uma época feliz depois de um inverno escuro, começo a me arrepender dos desejos de dias mais longos. “Putz, Bia, só reclama”. Sim, só, preciso desabafar…
  • Eu não consigo mais dormir! Eu durmo com uma boa venda nos olhos, daquelas que não passa nada de luz, mas todos os dias acordo entre 5h e 6h30 da manhã e custo a pegar no sono novamente – acho que o organismo, mesmo eu estando com os olhos vendados, nota que já está bem claro e fica desperto. E como anoitece perto das 23h, o cérebro fica acelerado e eu não consigo sentir que é hora de descansar até dar meia-noite. E quando dá, eu não durmo, eu desmaio. Não tá fácil.
  • A primavera trouxe temperaturas mais amenas e dias longos, mas nada de flores. As árvores ainda estão todas secas, a grama ainda está amarelada e eu que estava louca de vontade de fazer um posto com fotos de primavera, assim como fiz de outono e inverno, estou achando que não vai rolar. 😦
  • E a cidade está cheia de barraquinhas de sorvete, o que muito me surpreende, porque as temperaturas mais altas só chegaram esta semana e por alta eu quero dizer que um dia chegou a 15 graus e a média está em 12.

    Gente, tem até mesinhas!
    Gente, tem até mesinhas!
  • A vantagem dos dias longos é que dá para aproveitar mais atividades ao ar livre. Como comentei no post anterior, eu resolvi sair do sedentarismo e vou correr em volto do lago umas 3 vezes por semana. Posso sair de casa tranquilamente às 20h30 e ter certeza que volto com o dia claro.
  • Spoiler: não vai ter post de nove meses em Oulu. 🙂

 

 

 

Publicidade

Buenos Aires – mais chorizo, sorvete e o fim da viagem

Terminei o último post falando que queria muito fazer algo antes de voltar ao hostel, aliás, ao Brasil. Não é nada absurdo: eu só queria tomar um chocolate quente no Café Tortoni! Eu fiquei encantada com a decoração do café que faz parecer que estamos nos anos 20, com o charme das mesas e o clima do lugar! Como eu só havia assistido ao show de tango, que é numa sala à parte do café, fiquei com muita vontade de voltar lá apenas para isso.

Café Tortoni
Café Tortoni

O café é realmente uma atração turística e quando chegamos lá por volta de 18h, havia uma fila quase estilo Outback (aparentemente, é assim todos os dias). O senhor que estava na porta nos informou que talvez demoraria uns 30 minutos até entrarmos, mas na verdade, foram 13 – sim, contei no relógio. Pedi um “combo” com chocolate quente e 3 churros que custou 60 pesos (uns 13 reais). Achei tudo muito gostoso e voltei feliz para o hostel.

No dia seguinte, tiramos mais umas fotos na Floralis Genérica, demos uma volta na Calle Florida e fomos almoçar. Foi caminhando da Floralis até a 9 de julho, aliás, que notei que o taxista que comentei em outro post havia nos sacaneado, porque eu cheguei muito rápido até a avenida indo a pé e ele entrou em muitas ruazinhas para fazer isso!

Floralis
Floralis

Como seria meu último almoço argentino antes de retornar ao Brasil, eu quis comer chorizo de novo e olha, esses argentinos não têm miséria quando o assunto é carne, por isso que digo que ingeri todas as proteínas do mês de julho enquanto estive lá. E o prato saiu por 100 pesos (uns 22 reais).

A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!
A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!

Estava tão alegre de barriga cheia que saí do restaurante e esqueci meu earmuff (o aquecedor de orelha que estou usando na foto com a Floralis) pendurado na cadeira do restaurante! 😦 E eu só fui me dar conta disso mais tarde, quando cheguei no aeroporto. Vou ter que voltar pra Dublin pra comprar outro! 🙂

Para encerrar a visita com chave de calorias, antes de voltar ao hostel passei numa sorveteria na Calle Florida chamada “Abuela Goye” (que eles pronunciam goche – ai, me divirto!) e me acabei num pote de sorvete de 3 bolas e sabores diferentes por 46 pesos (uns 10 reais).

A sorveteria e um photobomb
A sorveteria e um photobomb

O local também vende alfajor, que aliás, são mais caros que os Havanna e tem opções bem interessantes de sabores. Sim, eu comprei alfajor também. Aliás, voltei para o Brasil com 2 caixas de alfajor e 800g de dulce de leche Havanna (que custou só uns 16 reais). Só não trouxe o sorvete e o chorizo por motivos óbvios!

Flocos, chocolate especial da casa e nozes
Flocos, chocolate especial da casa e nozes

Voltamos ao hostel para esperar o transfer que reservamos com o pessoal de lá mesmo, já que não estávamos a fim de encarar quase 3h de volta ao aeroporto. De carro foram apenas 45 minutos até lá (com um motorista muito do barbeiro). Fizemos check-in e achei engraçado a funcionária da Gol observar que a “pata”, como ela disse, da minha mala estava quebrada (ah, não me diga! vi bem a delicadeza dos funcionários do aeroporto colocando as malas no avião – anyways, o pé da mala está quebrado desde outros carnavais) e me pediu para assinar um papel para provar que a mala já havia saído assim de Buenos Aires. Ok, then.

O voo até Florianópolis durou 1h30 e foi bem tranquilo. Parênteses. O voo foi justamente no horário do jogo Brasil e Alemanha. Quando embarquei já estava em 5×0, mas eu só percebi que nada é tão ruim que não possa piorar quando aterrissamos e descobrimos que havia terminado em 7×1. Fim do parênteses.

O free shop de Florianópolis é minúsculo, tão pequeno que ele só abre quando um voo internacional chega. Há. Já o free shop de EZEIZA, ainda em Buenos Aires, é gi-gan-te! Porém, o que queria só fui achar mesmo em Floripa! Mas fica a dica para quem quer se acabar nas compras: chegue mais cedo no EZEIZA e faça a festa!

Como o voo de volta a São Paulo só sairia no dia seguinte às 7h da manhã (e ainda era 20h), fizemos tudo com calma. Desembarcamos e fui ao balcão da Gol perguntar quando poderia despachar minha mala e para minha surpresa, a atendente disse que se eu quisesse, poderia embarcar num voo que estava saindo para Guarulhos às 21h45 sem nenhum custo – era uma gentileza deles, pois notaram que muita gente chegava de Buenos Aires neste voo e dormia no aeroporto. It was so nice of them! 🙂

Cheguei em São Palo depois de 50 minutos de voo e antes da meia-noite já estava em casa, feliz por finalmente ter conhecido o país vizinho.

[Como este post já está bem grandinho, deixo para falar as minhas impressões de Buenos Aires, incluindo o hostel, a comida e as atrações, no próximo – e certamente o último- post da série]

 

Bandeiras argentinas everywhere
Bandeiras argentinas everywhere

Coisas que fazia no calor

Dizem que o verão irlandês 2013 foi um arraso e o inverno, fraquinho. Em 2012 foi assim, só que ao contrário, e eu amarguei meses e meses de frio e céu cinza. Mas quando fazia calor (calor = temperaturas a partir de 17 graus num dia sem nuvens), a gente tinha que comemorar e fazer tudo que não podia nos outros 360 dias do anos (hehehe… exagerei, eu sei).

Semana 3 – Coisas que fazia no calor

1- Sair de casa

Não importava pra onde nem pra que, só não podia desperdiçar um dia inteiro de sol dentro de casa. Era mandamento.

2- Usar vestidos e saias sem meia-calça por baixo e sem um casaco por cima

Meu sobretudo preto, aliás, quase virou guia turístico, pois já conhecia Dublin inteira.

3- Observar a felicidade dos irlandeses

Era engraçado e gostoso de ver os irlandeses aproveitando os dias de sol e calorzinho como se fossem os últimos. Nos dias quentes mesmo, eu sempre via irlandeses almoçando nos parques, tomando sol de biquini nos mesmo parques (sim, já vi muito isso), tomando sorvete (ainda não chegava a 20 graus e as sorveterias já tinham filas gigantes), lendo nos parques (aliás, fazer tudo que dá pra fazer no parque), levando o cachorro pra passear, levando as crianças ao playground… era uma alegria só!

4- Tomar sorvete com a verdadeira finalidade de se refrescar

Eu costumava comprar um genérico de Cornetto no Iceland, era bem mais barato e o sabor quase igual, mas no inverno comia por gula de doce, no verão, tinha a desculpa de tomar para me refrescar!

5- Ir ao parque

Pelos motivos já citados no item 3.

O verão irlandês

Se te disseram que aqui na Irlanda faz muito frio por muito tempo, que os dias são quase todos cinzas e o verão é um mito, acredite! Não ache que só reclamo, eu até curtia um friozinho, mas os sete-quase-oito meses de frio constante irlandês foram demais pra mim! 😦

Mas havia boatos de que o verão era quente. Na verdade, o verão não é frio, quente não define o tempo por aqui. Mas um milagre (?) aconteceu no começo do mês: 10 dias seguidos de tempo bom, sol e temperaturas de até 20 graus. Pela reação dos irlandeses, ficou óbvio que o acontecimento era raro. Um jornal local até publicou uma matéria bem engraçada dando conselhos de como lidar com um tempo magnífico por muito tempo. Segundo o artigo, há 7 estágios no processo: 1- Surpresa (Que estranho, está ensolarado!); 2- Deleite (Sol, sol, seu lindo!); 3- Aproveitar como se não houvesse amanhã (Preciso fazer tudo que planejei há anos para um dia de sol); 4- Planejamento (Vou pescar, vou a praia, vou fazer um churrasco, vou pegar um bronze natural…); 5- Confusão (Que estranho! Uma semana sem céu cinzento); 6- Esperança (Poxa, será que ainda dura muito?) e 7- Medo (Será que vai durar muito? Não tenho roupas pra tantos dias de sol!).

E, de fato, tivemos 10 incríveis dias de tempo bom. As sorveterias estavam lotadas, os parques disputadíssimos, pessoas saindo com seus cachorros na rua, playgrounds lotados… Foi engraçado ver irlandesas no parque de biquini tomando sol, muito estranho.

Sem contar as reações engraçadas da família para qual trabalho. No 3º dia de sol, a B., mãe das crianças, chegou em casa com uma piscina inflável para os meninos, afinal, estava fazendo sol e 18 graus, né? Estava na cozinha enchendo a piscina e olhando para mim, se explicando “Sabe, Beatriz, não temos muitos dias assim, então, quando acontece, aproveitamos com todas as nossas forças.” Não consegui segurar o riso de quem vem de um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, né? No dia anterior, fazendo incríveis 17 graus, a B. me diz que está abafado para ela e pergunta se eu também me sinto assim. “Abafado? Mas não está nem quente ainda.” Sei que fui má, mas 17 graus eu ainda estou usando uma casaco leve, né? Eu já havia sido ainda pior uns dias antes, quando cheguei na casa num dia ensolarado e fazendo uns 12 graus, o K. me diz que o tempo está bom e indaga se no Brasil fica melhor. “Isso é inverno em São Paulo.” E o K., desolado, “Ahhh… esse é basicamente nosso verão.” Dá dó.

Mas para pagar minhas língua cheia de maldades com o povo irlandês, resolvi aderir à moda de pegar sol no parque. Na verdade, fui andar de bicicleta no Phoenix Park, o maior parque da Europa, e resolvemos relaxar um pouco na grama depois. Eu estava com um top de academia por baixo da camiseta, tirei e me esparramei na grama por uma meia hora, no máximo. Resultado: estou até hoje com uma marca super sexy do top nas costas. Sem contar meu braço que ganhou uma marca branca de relógio (vergonhoso, vergonhoso!).

Mas o verão irlandês chegou ao seu fim e tivemos que guardar todas as roupas de verão no fundo da mala novamente. Porém, hoje é oficialmente o início do verão no hemisfério norte. Só que o céu estava assim hoje de manhã:

Cadê o verão?
Cadê o verão?

Mas o tempo aqui é um tanto bipolar, especialmente nesta época do ano e até os irlandeses brincam com isso:

Bipolaridade pouca é besteira!
Bipolaridade pouca é besteira!

Mas para não ser injusta, à tarde o sol apareceu e até chegou a 18 graus. Claro, lá pelas 19h, choveu e agora venta muito. Adoro a constância.

Blue sky
Blue sky

Com o verão, os dias ficam mais longos. Tem amanhecido por volta de 4h e pouquinho da manhã (Bia, a coruja) e pouco depois das 22h ainda é possível ver alguns raios de sol. E isso é bom, exceto pelo fato de nos confundir um pouco, pois olhar pela janela às 21h e estar completamente claro dá um nó no cérebro.

E para terminar o post, uma historinha:

Era uma vez um brasileira que decidiu passar um tempo na Irlanda. Um dia ela estava no ponto de ônibus e um irlandês puxa papo, claro, falando sobre o tempo. “Antigamente tínhamos verão por aqui (oi?), mas agora é esse tempo estranho. Mas ainda assim esquenta e faz entre 17 e 20 graus no verão.” A brasileira reflete por 1 segundo e diz “Mas 20 graus não é verão”. E seu lugar no inferno está garantido, afinal, ela gosta de calor mesmo.

296130_10151521413017585_1386539903_n