Próximo destino: Colômbia!

Comecei 2017 na Finlândia, logo depois voltei ao Brasil e desde então, minha única viagem havia sido descer a serra pras praias paulistas! Temos fases e fases na vida e este ano não foi muito de viagens, mas de grandes mudanças. Eu agora tenho meu próprio lar com 2 gatíneos lindos e trabalho full time. A vida de estudante/intercambista ficou pra trás e, consequentemente, aquela vida de viajar sempre que tinha um break de aulas ficou pra trás também. Tenho bem menos tempo e contas a pagar agora pra valer. Adultei de vez mesmo!

No mês passado eu pude viajar devido à licença e a ideia inicial era ir para algum destino aqui dentro do Brasil mesmo. Pela primeira vez na vida, eu optei por fechar uma viagem por agência de turismo ao invés de fazer tudo por conta própria. E o motivo ainda não é porque já estou ficando velha demais para isso, mas porque estava trabalhando demais (estava? I wish, ainda estou) e sem tempo para ficar pesquisando preços, passagens, hotéis e comparando todas as opções e era muito mais cômodo ter alguém fazendo isso pra mim – mesmo que com seu custo. Aí veio a amarga decepção: ir para o Nordeste brasileiro é mais caro que ir para o caribe colombiano! Então, deixei Jericoacoara para uma outra oportunidade e fechei um pacote para colocar mais um país na minha listinha, o 29º: Colômbia!

Desta vez eu queria um destino para relaxar e curtir e não turistar feito louca, indo a museus, pontos turísticos e coisas assim. Conheço algumas pessoas que já visitaram a Colômbia e todas recomendaram muito o destino. A princípio, eu iria só a San Andrés, uma pequena ilha que apesar de fazer parte do território colombiano, está localizada mesmo na América Central, ali perto da Nicarágua, e já no Caribe, porém acabei optando por incluir Cartagena na viagem e spoiler: não me arrependi!

No final de outubro parti para passar 7 dias no país, 2,5 em Cartagena e quase 4 dias no paraíso chamado San Andrés!

Cartagena

A comida colombiana é maravilhosa, os sucos naturais são incríveis, Cartagena é uma cidade muito bacana – apesar de eu só ter conhecido a parte turística – e San Andrés só me decepcionou por um motivo: as mini férias acabaram e eu precisei voltar! Sim, eu estava realmente triste de me despedir da ilha.

Planejando a viagem

Minha primeira experiência viajando com agência foi bem positiva (e se alguém quiser o contato dela, é só deixar um comentário que eu passo). Eles fizeram absolutamente tudo e nos deram todas as orientações. Quando fiz o primeiro orçamento, a viagem toda seria pela Avianca, porém, quando fechei de fato, uns 3 dias depois, o preço da passagem de volta havia duplicado e conseguiram manter o valor inicial mudando de companhia aérea – a viagem agora era pela Copa Airlines. Eu já tinha ouvido falar que a empresa panamenha não era lá essas coisas, mas eu preferia chegar no meu destino pagando o menos possível, então fechamos. A única diferença é que pela Avianca faríamos escala em Bogotá, portanto não precisaríamos de passaporte e agora, fazendo escala na Cidade do Panamá, tivemos que ir com passaporte – no big deal. A vantagem mesmo eu vi 2 dias antes de viajar quando o agente me ligou dizendo que estava com um problemão: a Avianca Colombiana estava enfrentando alguns problemas e os pilotos fazendo greves. Meu único trecho por ela – Cartagena/San Andrés – havia sido cancelado e haviam nos realocado num voo terrível no dia seguinte. Para não atrapalhar nossa viagem, a agência conseguiu nos colocar num voo no mesmo dia e horário por uma low cost local chamada Viva Colombia. Como pra mim era mais importante chegar do que o como chegar, topei, lógico. Fiquei imaginando o que eu iria fazer caso tivesse fechado esse trecho por conta própria e precisasse resolver esse pepino 2 dias antes da viagem, sendo que trabalharia até às 17h30 neste dia e, sendo professora, com possibilidade zero de fazer qualquer coisa antes deste horário. Ufa!

Fora isso, é obrigatório tomar a vacina da febre amarela para viajar para lá. Eu tomei a minha em 2010 quando fui para o Peru, mas como a vacina era apenas recomendada, eu não fiz a carteira internacional de vacinação, que é exigida já no check-in antes do embarque para Colômbia. Fazer a carterinha é bem fácil: basta levar RG e comprovante de vacina a algum posto que faça a emissão e fica pronta na hora. Eu também precisei fazer um cadastro antes, mas não me pediram nada no posto – acredito que seja apenas para agilizar o atendimento. O que me pediram, na verdade, foi um comprovante de que eu iria sair do país, então mostrei no celular mesmo a reserva das minhas passagens. É importante também saber que se você nunca foi vacinado, a vacina deve ser tomada, pelo menos, 10 dias antes da viagem.

Com passagens de avião e reservas de hotel emitidas, vacina tomada e carteira de vacinação internacional nas mãos, embarquei toda feliz para mais um destino… mas o relato continua só no próximo post! 🙂

Hello, darkness

My close friend, I’ve come to talk to you again!

No último post eu falei sobre kaamos, a deprê que bate no inverno. Acredita-se que há relação direta entre a falta de exposição à luz solar e o transtorno e por isso, ele é muito mais comum no inverno. No Brasil mal se sente a diferença entre as estações e apesar de no verão os dias serem mesmo mais longos, não é um absurdo de diferença. Em São Paulo, pelo menos, mesmo no verão o sol se põe pouco depois das 19h enquanto que no inverno isso acontece pouco depois das 17h. Aqui, segundo o que me contaram, o sol não se põe completamente no verão – ele fica escondidinho no horizonte por cerca de 2h durante a madrugada – e no inverno, como eu sei por experiência própria, ele aparece muito acanhado por cerca de 4h. É realmente bem extremo!

Por este motivo, o tema do post é escuridão! Como é a viver num lugar com tão pouca luz solar por alguns meses do ano?

Spoiler
Spoiler

Como eu já falei mil vezes aqui no blog, o essencial é tomar vitamina D! Parece que estou exagerando, mas é tão importante que acho que para garantir que até mesmo quem resolve que não vai tomar os comprimidos tenha uma dosagem mínima consumida diariamente, muitos alimentos tem a vitamina adicionada. Além disso, em qualquer mercado se encontra diversas marcas e dosagens e o preço, por incrível que pareça e mesmo convertido de um euro que tá valendo mais de 4 reais no momento, ainda é menor aqui do que no Brasil.

Eu não sou uma morning person e sou daquelas que quer aproveitar até o último minuto do sono da manhã – e por essas e outras que prefiro tomar banho à noite, já que banho de manhã significa ter de acordar mais cedo. Multiplique minha falta de disposição para acordar cedo por cem quando são 9h da manhã e ainda está completamente escuro. Agora imagina minha falta de motivação para acordar às 7h da madrugada quando está tão escuro quanto se fosse 4h da manhã? Minha sorte é que no último mês do semestre anterior eu tinha apenas uma aula na semana que começava às 8h15. Todas as quartas-ferias eu travava uma batalha interna discutindo comigo sobre as implicâncias e consequências de não ir à aula e sobre como estava gostoso estar embaixo da coberta. E olha que nem frio estava, já que até então a temperatura estava por volta de 0 grau aqui. O triste é que quando a aula terminava, às 9h45, ainda estava escuro. Então, acordar antes das 1oh e não ver um raio de sol ou uma claridade de um céu nublado é muito desmotivador.

Superada a manhã, você sabe que tem apenas 4h de claridade no seu dia. Durante a semana e com aulas isto significa que praticamente toda esta claridade será desperdiçada, pois ou você estará tendo aulas ou dentro da biblioteca estudando – eu, no caso, prefiro o conforto do meu quarto para estudar. No final de semana, você precisa calcular bem seu dia dependendo da atividade que quer fazer, nem que essa atividade seja ir ao mercado – melhor ir enquanto estiver claro para pegar um pouco de ar fresco e luz do que depois que escurecer. Lembrando que nos meses de inverno aqui, o índice UV (aqueles raios solares que a gente sempre ouve falar que dá câncer, mas na medida certa, fazem bem ao organismo) é constantemente 0 – o sol até vem dar um ‘oi’, mas ele não tem efeito nenhum: não bronzeia, não ajuda a produzir vitamina D, não esquenta, não dá câncer.

E eu acho curiosíssimo que o sol não fica a pino! Ele não nasce no leste, “dá a volta” no céu e se põe no oeste. Ele aparece menos ao leste do que no verão, “desliza” e se põe pouco depois. Claro que estou falando da nossa percepção, eu sei que o sol está parado no mesmo lugar e é a posição da Terra em relação a ele que causa esse efeito, mas de qualquer forma, é curioso e eu nunca tinha visto isso antes de chegar aqui.

Foto tirada perto das 13h no início de dezembro
Foto tirada perto das 13h no início de dezembro

Se assim como eu você é daqueles que almoça tarde quando não tem compromisso nenhum com a vida, como nos finais de semana (porque se você acorda às 11h, né, não existe almoço às 12h), vai achar muito estranho sentar para comer lá pelas 14h30-15h e estar escuro. Às vezes eu até me perguntava se era almoço ou janta e é a parte do dia que mais me confunde. Ou num dia comum, que tenho aula e chego em casa às 16h, já escuríssimo, bate aquela sensação que é hora do jantar e você come aquele pratão às 16h30. Se eu contar que eu já fiz isso sem perceber que era tão cedo para jantar, vocês acreditam em mim? O problema disso é até eu ir pra cama (o que nunca acontece antes da meia-noite), vai me dar fome… aí eu já jantei, faço o que? Fico beliscando com a balança me olhando com deboche.

E este é o sol se pondo às 14h, também no início de dezembro
E este é o sol se pondo às 14h, também no início de dezembro

Como a maior parte do tempo está escuro, precisamos tomar algumas precauções também. É essencial andar de bicicleta com lanterna e quem desobedece pode ganhar uma multa de 50 euros. O que não significa que eu sempre use a minha! Não é que eu sou a desafiadora da lei, vida loca, a iluminada, rebelde! Mas quase todas as ciclovias têm iluminação pública, então o caminho é bem visível e eu acabo esquecendo de ligar a lanterna e eu sei que preciso ficar mas atenta, pois ela não serve apenas para que eu enxergue o caminho, mas para que outros ciclistas e até carros possam me ver de longe. Outro item que todo mundo usa (até eu) são os refletores. Sabe aquele material que reflete quando bate a luz? Então. Muitas roupas de inverno tem refletores, mas mesmo assim é muito normal ver pessoas andando com um chaveiro-refletor grudado na roupa ou na mochila. Isso é para evitar acidentes, principalmente se a pessoa estiver caminhando, pois se um carro se aproximar ou uma bicicleta (com uma pessoa que use uma lanterna, no caso, eu a partir de hoje), a luz vai fazer os refletores ficarem visíveis e a pessoa não vai ser atropelada.

Eu ganhei esse refletor quando fui numa Feira de Intercâmbio no Brasil e passei no stand do Study in FInland. No começo achei que era só um chaveiro, só chegando aqui que notei que era item de segurança!
Eu ganhei esse refletor (super potente) quando fui numa Feira de Intercâmbio no Brasil e passei no stand do Study in Finland. No começo achei que era só um chaveiro, só chegando aqui que notei que era item de segurança!

E para terminar, as vantagens – porque tudo na vida deveria ter precisa ter um lado bom, né? DORMIR. Eu não consigo dormir com luz na minha cara a menos que tenha batido uma laje no dia anterior e esteja super cansada. As janelas aqui não são como as do Brasil com aquela parte escura que você fecha e cria seu escurinho particular, aqui é uma janela enorme com três camadas de vidro para te proteger do frio, mas sem uma camada para bloquear a luz. Cheguei quase no fim do verão quando ainda amanhecia antes das 6h da manhã e era uma luta para dormir, pois mesmo com uma boa venda nos olhos, meu corpo sentia que estava claro e não me deixava dormir (eu não sabia que isso era possível, mas como não entrava nem um pouco de luminosidade pela venda e mesmo assim eu acordava por volta de 6h e pouco sozinha todo dia, só pude concluir isso). Já agora eu posso dormir até 11h da manhã tranquilamente, porque mesmo que esteja ensolarado, o sol nem se mete a besta de conseguir entrar pela janela. Aliás, como você viram, o sol mal sai do horizonte!

 E assim vou vivendo aqui no escurinho de Oulu, que ainda é charmosa nas 4h diárias que fica às claras. 😉

Vitamina D

“Se eu pudesse te dar apenas um conselho para o futuro, seria este: tome vitamina D.” 

A gente aprende na escola que para poder produzir vitamina D, nosso corpo precisa de sol, pois os raios UV ativam a sintetização da vitamina – que, na verdade, é um hormônio. Ela é importante para um monte de coisas, como ajudar os ossos a absorver cálcio e evitar osteoporose e manter nosso sistema imunológico mais forte e evitar gripes e resfriados, por exemplo.

E por que eu estou falando disso?

Desde que cheguei aqui, ouço duas coisas tanto de finlandeses como de estrangeiros que já estão aqui há algum tempo:

  1. Prepare-se para o inverno! Frio, neve e escuridão.
  2. Tome vitamina D.

Aparentemente, o fato de terem nascido na Finlândia não faz os finlandeses temerem menos o inverno ou estarem acostumados a viver com 20h de escuridão diárias e temperaturas que podem chegar a -35. Uhn.

Agora vamos ligar os pontos: escuridão e vitamina D. Pois é, no inverno o sol pouco aparece aqui e aí fica difícil sintetizar a vitamina, por isso o complemento é facilmente encontrado aqui em qualquer farmácia ou supermercado com diferentes dosagens e de várias marcas.

A recomendação era que eu começasse a tomar a vitamina logo no começo do outono, mas aí eu achei muito exagero, afinal, os dias ainda estavam longos! E mesmo agora que o sol está nascendo lá pelas 8h da manhã e se pondo lá pelas 18h, ainda temos 10h de claridade, pra que eu iria tomar suplemento?

Aí começou a me bater uma preguiça maior que o normal. Uma vontade eterna de ficar na cama. Não bastasse isso, estava difícil controlar meu sono – fiquei muito sonolenta e esse não é meu normal. Até que um sábado desses eu acordei às 10h da manhã depois de 8h de sono – o que é muito satisfatório pra mim -, tirei um cochilo à tarde e à meia-noite eu mal conseguia manter meus olhos abertos e, literalmente, dormi enquanto conversava no Skype. Veja que eu sou o tipo de pessoa que quando tira aquela sonequinha à tarde, o sono custa a vir à noite e só vou dormir lá pelas 2h da manhã.

Foi quando uma amiga brasileira me disse que o sol que estava fazendo aqui era “muito fraco” e já não fazia nenhum efeito no nosso organismo, ou seja, por mais que os dias ainda estivessem relativamente longos, a vitamina D não estava mais sendo sintetizada. E cansaço e sonolência seriam os sinais desta carência. É claro que há outras fontes da vitamina, como peixe e ovos, mas eu precisaria comer uma quantidade absurda de tudo isso pra ter o nível diário necessário, ou seja, o sol estava fazendo falta, ou melhor, os raios UV.

Mas eu, teimosa que sou, não estava comprando a conversa dela e fui perguntar àquele que tudo sabe: Google. Só aí fui convencida que sim, estava passando da hora de começar a tomar os tais comprimidos.

Basicamente, descobri que para nosso corpo sintetizar a vitamina, precisamos ficar expostos ao sol sem protetor solar de 10 a 20 minutos por dia. No Brasil, eu sempre usava creme facial com protetor solar (rugas no futuro não, por favor), mas qualquer voltinha no quarteirão no calor deixava meus braços expostos e recebendo raios UV loucamente. Aqui eu continuo usando os mesmos cremes, mas nem mãozinha sai mais na rua sem luvas – estou sempre na bicicleta e pedalar sem luva nas atuais condições climáticas já é tortura. Além disso, descobri outro fator muito importante: os raios UV tem uma escala que vai de 0 a 17, pelo menos, e para nosso organismo fazer a sintetização os raios precisam estar em pelo menos 3! Menos que isso, o sol não faz nada, não dá nem câncer de pele.

Este site dá a previsão do índice de UV no mundo todo. Para efeitos de comparação, no dia que descobri isso, há umas duas semanas, enquanto o índice em Oulu estava em 1, em São Paulo estava em 9. E a previsão para Oulu daqui pra frente é estar entre 0 e 1. Este link mostra a previsão para a Finlândia e para agora, outubro, só vejo 0-1.

Sol, é você?
Sol, é você?

Resumindo: a Bia finalmente acreditou que essa história de tomar vitamina D não era ladainha, entendeu que sua extrema leseira tinha relação com essa deficiência (que embora todos digam que é um sintoma, eu realmente não achei nada na internet à respeito) e começou a tomar os comprimidos mágicos. Cinco dias depois de começar, eu já senti meu corpo voltar ao normal e muito mais disposta – vocês podem dizer que é efeito placebo. Pode até ser, mas que é fato que eu já não estava sintetizando a tal vitamina e agora estou ingerindo doses diárias, é! Estou mais disposta e apenas com minha preguiça normal.

Dicas da Bela Gil
Dicas da Bela Gil

Inverno, pode vir que estou preparada! E lembre-se, a vitamina D é novo “sunscreen“. 😉

Coisas que fazia no calor

Dizem que o verão irlandês 2013 foi um arraso e o inverno, fraquinho. Em 2012 foi assim, só que ao contrário, e eu amarguei meses e meses de frio e céu cinza. Mas quando fazia calor (calor = temperaturas a partir de 17 graus num dia sem nuvens), a gente tinha que comemorar e fazer tudo que não podia nos outros 360 dias do anos (hehehe… exagerei, eu sei).

Semana 3 – Coisas que fazia no calor

1- Sair de casa

Não importava pra onde nem pra que, só não podia desperdiçar um dia inteiro de sol dentro de casa. Era mandamento.

2- Usar vestidos e saias sem meia-calça por baixo e sem um casaco por cima

Meu sobretudo preto, aliás, quase virou guia turístico, pois já conhecia Dublin inteira.

3- Observar a felicidade dos irlandeses

Era engraçado e gostoso de ver os irlandeses aproveitando os dias de sol e calorzinho como se fossem os últimos. Nos dias quentes mesmo, eu sempre via irlandeses almoçando nos parques, tomando sol de biquini nos mesmo parques (sim, já vi muito isso), tomando sorvete (ainda não chegava a 20 graus e as sorveterias já tinham filas gigantes), lendo nos parques (aliás, fazer tudo que dá pra fazer no parque), levando o cachorro pra passear, levando as crianças ao playground… era uma alegria só!

4- Tomar sorvete com a verdadeira finalidade de se refrescar

Eu costumava comprar um genérico de Cornetto no Iceland, era bem mais barato e o sabor quase igual, mas no inverno comia por gula de doce, no verão, tinha a desculpa de tomar para me refrescar!

5- Ir ao parque

Pelos motivos já citados no item 3.

Dez saudades

Deixei a Irlanda há quase 4 meses e já deu tempo de sentir muita saudade de lá (mas não do frio, deste eu nunca senti falta). Inspirada pelo post que o Rick escreveu esta semana, resolvi escrever minha própria lista de saudades.

10. Kopparberg Strawberry & Lime

Yummy!

A Kopparberg é tipo uma cidra, mas ao contrário daquelas que vêm na cesta de Natal, ela não tem gosto de cabo de guarda-chuva. Meu sabor preferido é a de morango com limão, embora a de frutinhas não seja ruim também. Também tem a Kopparberg de pera, mas não sou muito fã. O teor alcoólico é muito baixo e é tão docinha que parece refrigerante. Apesar da marca ser sueca, em todo e qualquer pub, mercado e off-licence de Dublin se encontra a bebida (e o irônico é que quando fui para a Suécia, não achei a Kopparberg em lugar nenhum). Era a bebida que eu pedia nos pubs e que tomava nas sextas em casa. 😉

9. O’Reillys
O’Reillys é um dos pubs que mais frequentei, especialmente aos sábados quando só tocava rock e tudo ficava bem mais barato. Gostei do lugar desde a primeira vez que fui, porque o pub tem uma decoração que lembra uma taverna antiga. O engraçado é que, segundo o site do local, o pub não é nada antigo- foi inaugurado em 2010. O O’Reillys fica embaixo da Tara Station (DART).

8. Book Market no Temple Bar
Que o Temple Bar é uma área turística da cidade cheia de pubs e com uma vida noturna bem agitada tenho certeza que você já sabe. Mas você sabia que aos sábados e domingos durante o dia rola uma feirinha de livros? Na verdade, não tem só livros, mas também antiquidades, vinis e outras coisinhas. Sempre que passava pelo Temple Bar no horário da feira, parava para dar uma olhada e acabava ficando um bom tempo olhando tudo. Foi lá que comprei um button super legal dos Smiths (que acabei perdendo quando fui para Londres).

7. Grafton Street
Uma das ruas mais famosas de Dublin com seu piso de pedras vermelhas e exclusiva para pedestres, suas lojas caríssimas (e outras nem tanto) e seus artistas de rua e buskers. Durante um tempo, morei bem perto da Grafton e passava muito por lá. Todas às sextas-feiras, por exemplo, quando recebia meu pagamento num envelope com uma carinha sorridente (sim!), passava na agência do AIB da rua, onde o auto-atendimento funcionava até tarde e aos finais de semana, e depositava o dinheiro na minha conta. É uma rua extremamente turística, mas para mim it felt like home. Já sabia os truques dos artistas de cor e salteado, mas quando eu achava que já tinha visto de tudo, já no meu último mês de Irlanda, vi isso:Grafton

6. Spire
Dublin não tem nenhum ponto turístico realmente famoso. Sabe quando alguém te fala uma cidade e logo te vem na cabeça uma atração? Londres, Big Ben. Paris, Torre Eiffel. New York, Estátua da Liberdade. Roma, Coliseu. Dublin….. Mas se você já morou na cidade, provavelmente é o Spire que aparece em sua mente. O Spire nada mais é que uma “agulha” na O’Connell Street e está lá há pouco mais de 10 anos. O interessante é que o Spire é o ponto de encontro de todo mundo que vai para o centro. Já na minha primeira semana na Irlanda, quando ainda estava na acomodação da escola, marquei meu primeiro encontro com conhecidos lá. Às vezes dá saudade de soltar um “Me encontra no Spire tal hora”.

Uma das muitas fotos que tirei da Agulha! hehe
Uma das muitas fotos que tirei da Agulha! hehe

5. Céu cinza e garoa
What? Você tá com saudade disso? Vamos com calma. Tenho a leve impressão de que já deixei bem claro neste blog que eu detestava o frio e, por tabela, os dias cinzentos e chuvosos de Dublin. Porém, desde que voltei para o Brasil, sempre que o céu fica cinza e/ou a temperatura cai e/ou chove fraco, eu lembro de Dublin e, de certa forma, sinto que estou lá. Obviamente, eu prefiro um bilhão de vezes um dia de sol com temperatura passando dos 30 graus (como a maioria dos últimos dias por aqui) do que o frio de quase 0 grau de Dublin com tempo feio, mas não posso deixar de sentir saudade sempre que o clima fica meio parecido. E claro, fico muito mais feliz por saber que em breve verei um céu azul, algo que era mais raro por lá.

4. A felicidade de um dia de Sol
Ainda falando do tempo, a sensação de abrir a janela e ver um belo dia de sol depois de dias e dias de céu cinza era a pura definição de felicidade. Se fosse um dia de sol com temperatura acima de 15 graus, então, era o paraíso na terra. Ver os irlandeses passeando felizes pela rua, levando as crianças ao parquinho, almoçando nos bancos da rua, lendo livros nos parques… O humor da cidade mudava com o clima. Na Irlanda eu aprendi a valorizar cada raio de sol, era simplesmente proibido ficar dentro de casa se estava ensolarado e mesmo aqui no Brasil, onde os dias de sol são bem mais comuns, às vezes ainda tenho essa sensação de precisar aproveitar cada raio. Só que aqui eu adquiri outro hábito: sol e calor é sinônimo de saia e vestido e só!

3. Meus loirinhos
Eu simplesmente morro de saudade do F. e do O., os meus loirinhos. Eu cuidei dessas belezuras por quase 6 meses e dar tchau para eles foi uma das partes mais difíceis de ir embora. A pessoa que está cuidando deles agora é indicação minha, então, às vezes ela me manda fotos deles e no meu aniversário, até fotografou um desenho que o F. fez para mim. Não preciso dizer que sinto um aperto no coração e uma vontade enorme de voltar e ver essas coisas loiras, né?

Os loirinhos me davam flores.
Os loirinhos me davam flores.

2. Dublin Bus
Calma, não é que eu sinto falta do ônibus de Dublin em si, mas quando comparo com os ônibus de São Paulo confesso que sinto uma super saudade dos de Dublin! Tirando a parte que a tarifa de ônibus da cidade é extremamente cara e que os knackers fumavam e bebiam dentro do transporte, todo o resto me faz sentir saudade. Ônibus com banco acolchoado, nunca tão cheio que eu não conseguisse me mexer, motoristas pacientes que esperavam até os bêbados sentarem antes de sair do ponto para evitar qualquer acidente, pontos de ônibus com letreiro informando quando o próximo ônibus chegaria e, claro, o aplicativo de celular para monitorar seu ônibus e não ficar meia hora em pé no ponto esperando. Já aqui em São Paulo é tudo isso ao contrário e todos os dias fico à beira de um surto psicótico utilizando o transporte público. Dublin Bus, seu lindo.

1. Mountjoy Square
Eu morei na Mountjoy Square nos meus primeiros 5 meses na Irlanda e mesmo quando ainda estava no país, sentia uma certa nostalgia quando passava por lá. A Mountjoy é composta por prédios de quase 200 anos e já foi o lugar onde ricos e influentes moravam, porém hoje em dia abriga irlandeses de baixa de renda, imigrantes e estudantes. Já apareceu no cinema, no filme Once, que adoro! Meu único arrependimento é nunca ter entrado no parque que ficava bem em frente de onde eu morava. A minha desculpa era sempre o tempo ruim, mas quando saía um solzinho, a preguiça falava mais alto e depois que me mudei de lá, dificilmente voltaria para passear.

Sinto falta de outras tantas coisas e várias vezes tenho flashbacks dos tempos que morei na terra dos leprechauns. Sinto muita saudade e tenho certeza que ainda volto para lá, nem que seja a passeio.