Usando o seguro saúde na Finlândia

Seguro saúde é aquela coisa que a gente faz (porque é obrigado) e espera jamais ter que usar – eu prefiro não ficar doente ao “fazer uso” do dinheiro investido. E é claro que para morar na Finlândia eu precisei fazer um seguro, afinal, era exigência da imigração para emitir o visto. Quando fui para a Irlanda, o seguro não era obrigatório porque a imigração exigia o pagamento de 120 euros (valores de 2012) para usar seu sistema público (e pago) de saúde, mas mesmo assim eu fiz um por conta. Eu precisei usar meu seguro na Irlanda e escrevi sobre isso aqui. Eu tive um pequeno drama contratando meu seguro para vir para a Finlândia e expliquei aqui.

Felizmente, eu sou uma pessoa que raramente fica doente – meu último resfriado foi em 2009. Tudo de ruim que eu tenho é coisa “minha”, não que eu peguei de alguém ou me contaminei, mas não sou imbatível e acabei precisando usar o seguro aqui. No primeiro ano de mestrado eu contratei o SIP e no segundo, o Swisscare e precisei utilizar os dois.

SIP

Eu contratei esse seguro, que é belga, porque foi recomendado pela universidade e quando cotei seguros no Brasil, mesmo pagando em reais e o SIP em euros, ainda era mais em conta contratar o SIP. Infelizmente, não conhecia outros seguros da Europa para cotar e acabei fechando esse mesmo, que não foi o melhor e nem o mais em conta – o que eu só descobri depois.

No meu primeiro ano tive dois probleminhas: micose no pé (eca) e quebrei o dente. Jamais na história dessa indústria vital tinha tido micose na vida, mas tudo tem uma primeira vez! Eram umas bolinhas vermelhas na sola do pé que coçavam muito e fui ao hospital universitário, onde posso me consultar com enfermeiras e clínicos de graça (porque sou obrigada a pagar 55 euros/semestre para a união dos estudantes), e peguei a receita para uma pomada. Mais ou menos na mesma época eu lasquei um pedaço de um molar (como? jamais saberei, quando notei, já estava lascado) e como meus amigos dentistas me disseram que buracos nos dentes podem causar infecções se não tratados, marquei dentista. No mesmo hospital, o check-up oral é gratuito, mas qualquer outro procedimento é pago e é interesse que a cobrança não é por tratamento, mas de acordo com a duração do procedimento. Assim, os primeiros 20 minutos custam 18 euros, por exemplo, e como a dentista foi rápida (nem era um buraco absurdo também), foi esse o valor do meu tratamento.

Como tinha o seguro, lá fui eu atrás do reembolso e a SIP é meio atrasada nesse processo. Eu precisei preencher formulários no computador, imprimir, assinar e enviar tudo pelo correio. Sabe, já era 2016 e eles ainda não tinham um sistema de reembolso online. Após algumas semanas, eles me enviaram um e-mail e decidiram que eu poderia receber 20% do valor pago. O creme custou cerca de 10 euros, ou seja, meu pedido de reembolso foi de uns 28 euros, 20% deste valor dá cerca de 5,60 e descontando 1,20 que gastei do selo, eu fui reembolsada em 4,40 euros! Sério, se eu soubesse que era assim, não tinha perdido meu tempo indo atrás de formulários e correio pra isso. A justificativa deles é que como meu plano era o Complementar (valor de 260 euros/ano), não poderia receber o reembolso integral. Para isso, teria que ter o plano Premium (430 euros/ano). O mais legal é que quando mandei e-mail perguntando a diferença dos dois, jamais me explicaram isso e nem na apólice tinha algo a respeito. A lógica deles é que o plano complementar é pra quem já tem algum tipo de assistência (e eu tinha, já que posso usar o hospital universitário), mas não li em lugar nenhum que isso tiraria meu direito de reembolso integral, considerando que o restante do valor não seria reembolsado pelo sistema de saúde finlandês. De qualquer forma, no fim das contas, ainda compensou o plano mais barato, porque não precisei de nenhum outro tipo de tratamento ou remédio.

Swisscare

Para o segundo ano contratei a Swisscare, empresa suíça, que é muito mais em conta (197 euros/ano) e menos complicada. Você pode contratar o seguro por dias, sendo o limite 365, e vai ficando mais barato valor/dia quanto mais dias você contrata. Além disso, a cobertura é mundial (a SIP era apenas na Finlândia) e o reembolso é integral. É só amor.

Relatei no blog que quando estava viajando pelos países bálticos meu joelho resolveu que era hora de me matar de dor. Eu comprei remédio na Lituânia, mas quando cheguei em Oulu, apesar de melhor, o joelho ainda doía. Cheguei às 7h da manhã vindo de Turku e mesmo após uma noite inteira viajando dentro de um ônibus (eu ainda tenho idade pra aguentar isso, mas sinto que em breve vou parar com essa vida de viagens noturnas), fui direto ao hospital, com mochilas e tudo, ver qual era o problema. Não fui ao hospital universitário porque eles não ligam muito se você está com dor, vão te dar uma consulta pra data mais próxima, que no caso de ortopedista leva um mês (eu já havia passado com o especialista antes porque… tá dááá… estava com dores no joelho). No hospital (Terveystalo), aguardei 2 horas e passei com o médico. Foi patético. Ele pediu para eu tirar a calça e me deitar na maca. Mexeu no meu joelho aqui e ali, fez algumas perguntas e me disse o que eu já havia descoberto no Google: estava com síndrome do trato iliotibial, ou uma inflação na região por conta de ter andado muito. Ele mandou eu repousar e fazer compressas frias e só me deu receita pra medicamento porque eu pedi, já que caso contrário, o seguro não reembolsaria. Essa consulta durou menos de 15 minutos e me custou 125 euros. Cen-to e vin-te e cin-co eu-ros. Como comprei o remédio também, tudo ficou por cerca de 136 euros.

Foto retirada de yle.fi
Foto retirada de yle.fi

A vantagem da Swisscare é que basta preencher os formulários, escanear os documentos e recibos e enviar pelo próprio site da empresa. Muito simples e fácil. No site eles dão prazo de até 6 semanas para processar o pedido e como 6 semanas depois eles ainda não tinham me dado um retorno, resolvi ligar para saber como andava minha solicitação. Não andava, estava lá parada, mas no dia seguinte a minha ligação, me enviaram um e-mail confirmando o reembolso e pedindo cópia do meu passaporte e um comprovante de matrícula da universidade. Enviei e 10 dias depois o reembolso integral foi feito na minha conta. 🙂

Conclusão

Não fique doente no exterior! haha… Mas se ficar, o melhor é ter um seguro descomplicado e a garantia de reembolso integral nestes casos de consultar médico e comprar medicamento. Fica claro que entre o SIP e o Swisscare, eu indico o segundo. Todos os seguros que consultei no Brasil eram muito mais caros que Swisscare, mesmo pagando em euros. Além disso, como já expliquei, ele é bom porque você pode contratar por quantos dias precisar (então, por exemplo, se for fazer uma viagem de 13 dias pela Europa, pode contratar por estes exatos 13 dias) e sua validade é mundial (o de estudante, pelo menos, é). É claro que todas estas informações devem ser confirmadas direto com a empresa, pois as regras podem mudar e é sempre muito importante ler a apólice para saber exatamente o que está contratando. E quando a apólice não é clara e precisar contatar a empresa, faça a pergunta de forma bem direta, senão pode acontecer o que aconteceu comigo quando contratei o SIP achando que o reembolso era integral.

Se você conhecer algum seguro mais em conta e/ou melhor, deixe um comentário. Vai que eu preciso contratar de novo no futuro? 😉

O drama do seguro saúde

Umas das exigências para emissão de visto de estudante finlandês é provar que você tem um seguro saúde e isso é meio de praxe para a maioria dos países. Como eu já contei nos posts anteriores, acabei optando por um seguro que a universidade indicou apenas porque ele era mais barato que todos os outros que cotei no Brasil.

Quando fui comprar o seguro pelo site eu tinha duas opções de seguro: o Integral e o Complement. Lendo as indicações no próprio site, eu entendi que deveria comprar o seguro Integral, que era mais caro, por não ser europeia, pois lá eles afirmavam que este seguro se destinava a quem não tinha nenhum tipo de assistência na Europa. E quem já teria algum tipo de assistência por lá? Sim, os europeus com seus acordos entre países. E eu sou uma reles portadora de passaporte azul.

Dois dias depois de ter comprado o seguro (e olha que eu realizei a compra um mês depois que o resultado da seleção foi divulgado), a universidade manda um email com orientações gerais com o seguinte parágrafo:

Please find information on Health Insurance attached. XXXXX Complement is a good choice for you, since you will have access to student health care once you have paid the Student Union Fee at the Orientation. This insurance is recommended since it is recognised by the Finnish Immigration Services and it speeds up the residence permit process. For EU citizens a health insurance is important, too, even if you have the European Health Card.”

Traduzindo para o bom português: vocês podem pegar o seguro mais barato mesmo porque vocês serão obrigados a pagar uma taxa para a universidade e terão direito a atendimento médico. Esse seguro aqui a galera da imigração já conhece, então acelera sua aprovação do visto. Ah, se você é europeu e quiser comprar um seguro, fica à vontade que mal não vai te fazer.

Minha reação ao ler o email
Minha reação ao ler o email

Fiquei bem indignada, para dizer o mínimo, com a universidade que só me manda este tipo de informação de utilidade pública mais de um mês depois de divulgar o resultado, sendo que eles mesmo recomendam que a gente dê entrada no visto assim que possível (mas eu sou desmiolada vida louca e fiz isso só um mês depois).

Eu já tinha pago o seguro, mas resolvi enviar um email para a empresa explicando a situação e perguntando se poderia mudar de plano e receber um reembolso, já que o plano ainda não estava ativo. Uns 4 dias depois eles me responderam e, para minha surpresa, disseram que já haviam feito a mudança de planos e pediam meus dados bancários para me enviarem o reembolso. Não gostei desta ideia e perguntei se não podiam fazer via cartão de crédito mesmo. Não, não podiam. Então liguei no meu banco para perguntar como funcionava para receber dinheiro do exterior e como achar os dados que eles pediam, tipo o IBAN, um número único que identifica sua conta bancária.

Com tudo em mãos, enviei meus dados para a empresa me reembolsar em meados de junho e aguardei pacientemente, mas nada de receber o dinheiro de volta. Então enviei um email perguntando sobre o reembolso e simplesmente não me responderam. Mandei outro. Sem resposta. Fantasma do outro da tela. Mandei outro, mas desta vez com cópia para uma funcionária da contabilidade que havia me enviado email explicando da impossibilidade de estorno via cartão. Aí me responderam em cópia, solicitando que outra pessoa X visse isso. Um mês e nada. Eu enviei mais emails cobrando e nada de resposta. Aí enviei um bem no esquema “Olha aqui, não tô pedindo nenhum favor para vocês. Se toparam me devolver o dinheiro, de-vol-vam. Eu tô pagando de trouxa tendo pago pelo plano mais caro, mas estando com o mais barato. Safadeza oculta Muita sacanagem isso aí!”

Responderam da mesma forma que antes: eu estava em cópia num email enviado a alguém da contabilidade pedindo para ver isso com urgência. Mas nada do dinheiro cair na minha conta. Quase um mês e meio depois de ter passado meus dados para depósito, eu já estava de saco cheio e passei a enviar email todo dia para todo mundo que eu tinha o contato. A chatona mesmo.

DOIS MESES depois, ou seja, semana retrasada, entrei no bankline e vi que tinha uma remessa internacional disponível. Aí vem a safadeza do banco: um tempo antes quando tentei enviar dinheiro para fora do Brasil, o banco me fez a taxa do euro turismo mais alta possível… mas para receber dinheiro, eu não sei de onde eles tiraram aquela taxa! No dia, o euro comercial estava 3,80, porém o banco considerou o valor de 3,53 para conversão! Aí contando que eu tive que pagar IOF e ainda uma taxa de 60 reais, a quantia que eu recebi em reais certamente não equivalia a atual conversão de euros!

Para me estressar menos com tudo isso, resolvi olhar o bright side: com o valor que me foi devolvido, o valor final em reais do seguro ficou em cerca de 1150, o que para um ano é um valor muito bom, ainda comparando com o valor que eu estava pagando mensalmente pelo meu plano de saúde daqui.

Moral da história: a Universidade de Oulu está parecendo uma USP finlandesa – informações pouco precisas – e precisar de bancos brasileiros para receber ou enviar dinheiro para o exterior é o pior negócio que você pode fazer! E jamais precise receber um reembolso de uma instituição fora do Brasil para o bem da sua sanidade mental!