Verão em Oulu

O auge do verão já havia passado quando retornei a Oulu, mas ainda consegui pegar o finalzinho da estação e aproveitar para fazer algumas atividades que só acontecem nesta época.

Sauna no Rio

Já faz alguns anos que no verão funciona a sauna flutuante no Rio de Tuira, próximo ao centro da cidade. Fui apenas uma vez no ano passado e achei sensacional.

Sauna flutuante
Sauna flutuante

Este ano tive a oportunidade de ir duas vezes e eu não posso deixar de recomendar a experiência se alguém um dia resolver conhecer a Finlândia no verão. A sauna de Tuira tem capacidade para até 20 pessoas, a entrada custa 5 euros e não há limite de tempo de permanência.  A sauna é de madeira e a ideia é que após alguns minutos de sauna a pessoa saia e entre no rio, que mesmo sendo verão, já está bem gelado. Os mais corajosos pulam; os mais cautelosos descem as escadas e entram no rio; a Bia só observa. Eu não sei nadar muito bem, então é fora de cogitação mergulhar e descer as escadas aos poucos não encoraja muito, então só entrei a até a altura da cintura! De qualquer forma, é uma ótima experiência para entender um pouco mais da cultura finlandesa.

Campeonato de Air Guitar

Talvez você não saiba, mas Oulu sedia o Campeonato Mundial de Air Guitar há alguns anos. Bem, talvez você bem saiba o que é isso, então vou explicar: é um campeonato em que os participantes tocam guitarra sem ter uma guitarra! Basicamente, ficam no palco por um minuto fingindo tocar guitarra, portanto, a performance e o carisma são muito importantes. Normalmente, este tipo de evento não me chamaria a atenção – tanto é que não fui no ano passado -, mas como sou aluna tutora este este, resolvemos fazer um tour pelo centro da cidade com os novos alunos e terminar assistindo o evento.

Air Guitar Championship
Air Guitar Championship

O mais engraçado é que eu curti! O evento acontece na praça principal da cidade, Rotuaari, e é gratuito. A praça estava cheia, mas não é muito grande, então estamos falando de apenas alguns poucos milhares de pessoas assistindo – mas em Oulu isto significa muita gente. Como tudo aconteceu em inglês, ficou ainda mais fácil de entender o que estava rolando e, sinceramente, nunca tinha visto Oulu tão movimentada como naquele dia. E este é o tipo de evento que só pode acontecer mesmo nesta época do ano, afinal, quem iria aguentar ficar horas a céu aberto vendo um campeonato? Não que estivesse calor, mas as temperaturas ainda passam dos 10 graus nesta época. 🙂

Café no castelo de Oulu

Sim, Oulu tem um castelo. Ou tinha. O castelo de madeira foi construído no final do século 16 próximo ou Rio Oulu, no local onde muito provavelmente havia outro castelo no século 14. No século 18, o castelo foi destruído por um incêndio causado pelos russos. Aí o que você faz com as ruínas de um castelo? Constrói um café, claro. Hoje, no local, é possível visitar as ruínas de uma das torres do castelo original e em cima delas há uma café feito de madeira em forma de castelo.

Oulu castle

É um prédio bem interessante e aconchegante e do último andar há uma bela vista do parque. É um passeio de verão porque o local só abre nesta época, normalmente entre 1º de maio de 15 de setembro.

Uma representação de como era o castelo que havia no local
Uma representação de como era o castelo que havia no local

Parques

Sabendo como o inverno é escuro e frio por aqui, o melhor a se fazer é aproveitar sempre que possível para andar nos parques da cidade ou apenas abrir a porta de casa e sair andando, o que essencialmente é estar num parque – com exceção do centro, a cidade toda parece um grande parque com casas.

Este é o parque em frente ao castelo de Oulu.

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E este é um parque no centro da cidade, próximo da barragem do rio. À noite, há luzes no rio e é lindo.

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E isto pode parecer uma pista de corrida em um parque, mas é só a avenida da universidade mesmo. Como disse, a gente abre a porta de casa aqui e já está no parque.

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Quando se mora num país de extremos, ficamos impressionados como tudo pode ser muito diferente no verão ou no inverno. Apesar da alegria do tempo relativamente bom, eu não conseguia tirar da cabeça que em alguns poucos meses tudo estaria branco, frio e escuro e eu só estou no meu segundo ano aqui! Fico imaginando como ficam as pessoas que, de fato, moram por aqui desde que nasceram – é mais fácil ou mais difícil lidar com estes extremos?

De qualquer forma, posso dizer que aproveitei ao máximo o restinho de verão e já sinto saudade dele mesmo antes da primeira neve ter caído!

Três meses em Oulu

Três meses morando em Oulu e apesar de ser pouco tempo, já fiz, aprendi e conheci tanta coisa que parece que moro aqui há muito mais tempo. Quase todo dia é uma descoberta, um aprendizado e um mundo de coisas ainda estão por aí para serem descobertas!

E nesse tempo…

… ir ao mercado já não me assusta mais. Como comida é algo muito significativo pra mim (sem piadinhas, todos comemos, certo?), então já aprendi o nome de quase tudo que como e mesmo que eu não saiba pronunciar ou dizer a tradução de imediato, já reconheço muito bem todo o vocabulário que sei.

… sigo no curso de finlandês e ao mesmo tempo em que vejo evolução, já que consigo montar frases simples, me desanimo ao notar como a língua é complexa e como não devo ter como objetivo ser fluente – finlandês jamais será útil pra mim fora daqui e estou aprendendo por questões de “sobrevivência”. No fim, é divertido também.

… estou me sentindo como nos tempos de faculdade com mil trabalhos pra entregar e finais de semana sacrificados para eles. Não é nada absurdo ou que eu já não esteja acostumada – afinal, no Brasil eu trabalhava também -, mas vejo colegas meus agindo como se isso fosse além do aceitável e acho meio mimimi deles.

… já experimentei pizza finlandesa. Pizza de São Paulo, eu te amo cada vez mais!

… o frio não me assustou ainda. A temperatura mais baixa até agora foi -7, que foi totalmente suportável.

… já nevou de verdade e a neve chegou a ficar 5 dias pelas ruas, mas aí veio a chuva e derreteu tudo. Estou realmente curiosa pra ver toda a neve que o pessoal comenta que cai e acumula a partir de janeiro.

Amostra grátis do inverno
Amostra grátis do inverno

… já caí de bicicleta pedalando na chuva em todas as posições possíveis para não quebrar os ossos nem os dentes. Tão importante quanto evitar cair é saber cair – e essa arte eu já domino.

… já pedalei na neve e até agora sobrevivi sem quedas. Mas o inverno nem começou, né, gente?

… ao mesmo tempo em que sinto uma saudadezinha bem de leve do Brasil (ou seria das coisas que gostava somente? uhn), eu fico tentando me imaginar morando num cidade gigante e louca como São Paulo depois de conhecer a pacata, charmosa e tranquila Oulu. Sempre vejo uma Bia caipira chegando na cidade pela primeira vez.

… e a escuridão já está me deixando meio meh. Amanhece depois das 9h e começa a escurecer às 15h. E tem dia que o sol nem aparece.

… às vezes me pergunto se o inve$timento nesse mestrado está valendo a pena e logo me vem Fernando Pessoa na cabeça. E acho que minha alma não é pequena, não, e de tudo na vida tiramos uma lição. Se nada der certo, pelo menos volto mestre pro Brasil. 🙂

… sauna já é parte da minha vida.

… já ganhei em euros (Ravintolapäivä e outros trabalitos) e isso consola muito meu pigbank.

… já tenho viagem marcada! Bia, the explorer.

… fico feliz de saber que isso é mesmo só o começo!

Sauna

A sauna não só faz parte da vida e cultura dos finlandeses, mas também foi inventada por eles! Surgiu há cerca de 9 mil anos e não é difícil achar saunas por aqui. No prédio que moro tem duas, uma masculina e uma feminina, mas saunas mistas são normais também.

No Brasil eu não me lembro de ter ido a muitas saunas e todas elas eram de vapor. Não era algo que me despertava muito interesse e quando descobri que vinha para Finlândia, nem me atentei a isso também. Quando fiquei sabendo que no prédio que iria morar tinha sauna, achei interessante e separei biquíni para poder usá-la. Na verdade, eu não sabia muito bem como os finlandeses eram, então eu trouxe 3 modelos diferentes: meu biquíni normal comprado no Brasil, meu biquíni comprado nos EUA que cobre meu corpo bem mais que o brasileiro, se é que vocês me entendem, e ainda trouxe meu maiô de natação porque não sabia o quão pudicos eles poderiam ser – eu me surpreendi com os biquínis americanos, por exemplo, e sentia que o meu atraía olhares quando o usava nas piscinas da pequena Denver, então achei melhor estar preparada.

Aí cheguei aqui e vi que a realidade é bem diferente do que eu imaginava: a tradição é usar a sauna sem roupa, pelado, do jeito que viemos ao mundo. Não que eu tenha ficado chocada com isso, mas confesso que não esperava que fosse assim. Na maioria dos lugares as saunas são separadas, mas também existem muitas saunas mistas e acreditem, os finlandeses estão muito acostumados com nudez e isso nem de longe é um tabu pra eles. E agora vocês entendem porque apareceram pessoas nuas na sacada quando eu estava admirando a aurora boreal, né? E porque lá ficaram conversando, homens e mulheres, numa boa?

A maioria das casas têm sua própria sauna e quando é assim, não é incomum que a família inteira vá junta e lá fiquem todos nus. Os finlandeses crescem com a nudez e por isso a encaram de forma tão natural, o que de fato é! No Brasil estamos tão acostumados a ver as pessoas na praia com biquínis e sungas que cobrem o mínimo, mas nudez já é absurdo! Ficamos chocados com ela e temos vergonha como se tivéssemos algo a esconder – ou talvez seja porque nossa cultura tornou algo natural em algo muito sexualizado.

A maioria das saunas aqui é seca. As saunas modernas são de madeira e tem uma espécie de aquecedor elétrico com pedras e se você quiser que o ambiente fique mais quente, é só jogar água nas pedras para sentir o vapor fervendo! Geralmente, quem quer jogar mais água sempre pergunta para os outros se está tudo bem e até hoje nunca ouvi ninguém dizer não.

No mercado, tem uma seção só para acessórios e utensílios usados na sauna:

Tudo pra sauna!
Tudo pra sauna!

É o balde e a “colher” para jogar água e fazer a sauna mais quente, termômetro, escovas etc! Vejam que isso é algo realmente muito sério por aqui.

Outro costume é sair da sauna e entrar num lago congelado, ou rolar na neve ou só tomar um banho frio em seguida. Não, não dá choque térmico e hoje vejo que quando era criança e minha mãe não me deixava subir no terraço do prédio depois do banho não faz sentido nenhum – ela dizia que eu ia ficar com o rosto torto por causa do choque térmico! haha… Não sei dizer se essa mudança brusca de temperatura traz algum benefício, mas depois de sair de uma sauna bem quente, nosso corpo não sente todo o frio do ambiente.

Eu sei que vocês querem saber se aderi a tradição finlandesa de usar a sauna.

Eu confesso que não vi problema nenhum em estar nua num ambiente onde todos estão nus e num contexto sem nenhuma conotação sexual, porém minhas primeiras vezes na sauna foram com a V. e a A., que estavam nada felizes com a ideia. Fomos todas de biquíni, mas eu sempre insistindo com elas que deveríamos fazer como os locais. Um dia destes, enquanto lá estávamos, apareceram outras meninas completamente nuas e elas se convenceram que estávamos pagando mico. Então, sim, eu agora frequento sauna sem roupa, levando minha toalhinha para sentar no banco por questões de higiene – como todo mundo faz – e inclusive, adoro sair da sauna quente e ir pra sacada por 2-3 minutos curtir o friozinho. 🙂

Já fui em sauna em locais públicos e é bacana ver todo mundo lá, agindo naturalmente e encarando a nudez como deve ser encarada. Claro que ainda não fui em sauna mista – aliás, fui na sauna do lago, mas lá o uso de roupa de banho era obrigatório – e não sei se já estou preparada pra isso. Enquanto isso, curto a sauna pelo menos um vez por semana e certamente sentirei falta quando voltar ao Brasil.

Oi, sauna, sua linda!
Oi, sauna, sua linda!

Aurora Boreal

Desde que comecei a contar que vinha para a Finlândia, depois da expressão de incredulidade na cara da pessoas (muitas até acharam que eu estava brincando… afinal, que tipo de pessoa vai pra Finlândia?), geralmente os comentários que vinham em seguida ou eram sobre como eu ia aguentar o frio (não sei ainda, mas estou trabalhando nisso e colecionando itens de inverno desde já) e perguntas sobre a aurora boreal e a promessa que eu tiraria fotos.

Eu nunca dei muita atenção a aurora, sabia que existia, tinha noção de onde acontecia, achava as fotos legais e só. Mas chegando aqui, obviamente a curiosidade aumentou. Nesse vídeo aqui embaixo há uma explicação científica para leigos de como o fenômeno acontece (em inglês).

A primeira vez que vi as luzes esverdeadas no céu estava aqui há duas semanas e foi num picnic noturno numa “praia” como contei no último post. A aurora não estava muito brilhante e não durou muito no céu. Claro que quanto mais escuro o lugar onde você está, mas visível ela fica e, além disso, não é uma “mancha” constante no céu, mas de qualquer forma, naquela noite naquele local àquela hora não estava lá essas coisas, não consegui tirar nenhuma foto, mas perdi minha virgindade de auroras… haha… Ela se move, muda de forma, desaparece e reaparece – uma verdadeira dança no céu.

Comecei a acompanhar a previsão neste site, mas depois deste dia, nunca mais a aurora se manifestou. Até essa semana.

Na última terça-feira à noite minha professora de finlandês postou no grupo da nossa turma no Facebook que a aurora estava visível mesmo de pontos iluminados da cidade. Abri a cortina, olhei pela janela e realmente vi manchas verdes bem claras no céu. Intimei a V. e a A., minhas amigas mais próximas aqui, para irmos ao lago ter uma visão melhor. Agasalhadas, pegamos nossas bicicletas e pedalamos quase 10 minutos até o lago sentindo o vento frio dos 3 graus negativos no rosto. De fato, do lago a visão estava melhor, mas a aurora estava um verde desbotado, nada muito vívido… e olha que entramos numa trilha sem iluminação no meio da floresta num clima meio Bruxa de Blair (nunca vi o filme, estou comparando de feliz). Não conseguimos registrar nenhuma foto também e voltamos pra casa.

No dia seguinte estava rolando um burburinho que a aurora estaria super visível e brilhante naquela noite. V., A. e eu combinamos de ir até a praia, a 6km de distância, para finalmente vermos um show de verdade. Lá pelas 20h30, olhei pela janela e vi a dança verde no céu. A V. estava na universidade ainda, então A. e eu subimos no terraço para ver se a noite seria boa. No elevador encontramos um finlandês com todo o seu kit de fotografia indo para o mesmo lugar.

Quando chegamos e vimos o espetáculo que estava no céu mesmo de um ponto com iluminação pública, ficamos de queixo caído!!!  V. chegou um pouco mais tarde e quis ir para a praia, mas a temperatura negativa e a excelente visão que tínhamos do terraço nos desmotivou e resolvemos ficar por lá mesmo.

Aí tinha a questão da fotografia, porque em 2015 não é suficiente ver com os próprios olhos, a gente quer fotografar. Claro que meu celular, que é relativamente bom, não conseguiu captar bem. Eu tenho uma câmera que não é profissional, mas é muito boa.. comprei na Irlanda há 2,5 anos e até hoje não tomei vergonha na cara para aprende mexer – só tiro foto no modo automático. Claro que estava tentando bater foto e não saía nada. Lembram do finlandês que pegou o elevador comigo? Contrariando o estereótipo dos conterrâneos, ao me ouvir reclamando que não conseguia fotografar nada, ele puxou papo comigo e perguntou se eu queria que ele ajustasse minha câmera. E eu ia dizer não, por acaso? Não bastasse isso, ele ainda ofereceu o tripé dele, porque ele já tinha tirado sua cota de fotografias daquela noite. As fotos aqui embaixo são todas minhas! I mean, apertei o botão da câmera ajustada pelo S., o finlandês. 😉

Bailando no céu
Bailando no céu

As fotos estão sem tratamento por motivos de: não sei fazer isso, não tenho paciência para aprender e nem estou com tempo.

Awesome!
Awesome!

Para efeitos de comparação, as fotos estavam assim antes do bondoso finlandês ajustar minha câmera:

Juro que tem uma aurora aí...
Juro que tem uma aurora aí…

Ficamos 2h olhando as belas luzes verdes no céu que, em certo momento, até ganhou tons de roxo. Algo que vou sempre guardar na memória: por alguns segundos uma cortina de luz verde e roxa começou a desfilar vindo em direção ao prédio, até passar por cima das nossas cabeças e sumir. Valeu ter vindo para Finlândia só por ter visto isso!

A Bia e a Aurora
A Bia e a Aurora

Fiquei amiga do S., o finlandês e conversamos bastante. Eu obviamente tentei usar todo meu finlandês aprendido nesse quase um mês de curso – eh, gente, preciso praticar o que sempre disse aos me alunos e não podia desperdiçar a chance. A parte boa é que ele entendeu todas as 6 frases que sei na língua e ainda disse que minha pronúncia era muito boa. 🙂

Aí lá estávamos nós olhando a aurora, batendo papo e tal quando olho pro lado tinha uma finlandesa completamente nua com uma lata de cerveja na mão observando o céu também.
Parênteses. No mesmo andar do terraço fica o salão de festa e as saunas, que não são mistas. Ainda vou falar de sauna aqui no blog, mas a tradição aqui é frequentá-la nu e em seguida, tomar um rápido banho gelado ou rolar na neve ou expor seu corpo ao frio de alguma forma – dizem que faz bem. E naquela noite estava rolando uma festinha de universitários finlandeses e é claro que tinha muita bebida e o pessoal estava usando as saunas.
Não muito tempo depois, um finlandês sai nu também para apreciar a aurora. E assim encerramos a bela noite!

Dizem que se olhar atentamente verá finlandeses nus nesta foto
Dizem que se olhar atentamente verá finlandeses nus nesta foto

Na noite seguinte a aurora estava visível também, não tão brilhante porém. Mas aí eu já tinha tido minha cota da semana e não me empolguei para ver novamente.

Por fim, apenas queria desmistificar as fotos de aurora boreal que vocês veem por aí (inclusive as minhas postadas aqui). A aurora é realmente linda e vê-las é mesmo uma experiência maravilhosa, mas elas nunca são tão brilhantes e intensas como nas fotos. Uma boa câmera com os ajustes corretos capta muito mais luz do que nossos olhos, então imaginem que a olho nu, o que realmente se vê da aurora é talvez 1/3 do que aparece nas fotos, se muito! Eu fiquei bem surpresa quando comparei minhas próprias fotos com o que estava de fato vendo no céu, mas ainda assim diria que a visão é inesquecível!

Mais fotos da incrível noite de quarta aqui. 😉

Vida social em Oulu

A vida aqui ainda está longe de virar uma rotina e sempre tem algo para fazer, ver, conhecer, experimentar! Nos meus primeiros dias estava sempre muito ocupada com todo o processo de virar uma mestranda e resolver as pequenas burocracias, além, claro, de me achar num país novo. Entre uma obrigação e outra e o início das aulas, sempre aparecia um convite para fazer algo, uma sugestão de passeio ou um motivo para ir ao centro da cidade (que fica a 6km da minha casa). A sensação é que os dias são muito curtos para dar conta de tudo e apesar de este ser o 9º post no blog desde que pisei em terras finlandesas, sinto que não pude me dedicar muito ao meu Fabuloso Destino levando em consideração o tanto de coisa que já fiz por aqui. Por isso, neste post eu vou resumir minha vida social deste primeiro mês ou, se preferir, contar sobre os rolês que fiz nesse lugar que já roubou meu coração (espero que o inverno não cause nenhum mal-estar entre nós, Oulu).

Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.
Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.

Meu primeiro final de semana foi mais num esquema “vamos explorar”. Fiz um tour pela faculdade com o kummi de uma amiga, depois tive minha primeira aventura tentando descobrir o que era o que no mercado (ai, finlandês) e fui conhecer um dos rios que ficam próximos a universidade, o Pyykösjarvi. terminei o dia assistindo um belo por-do-sol do terraço do meu prédio e no dia seguinte, tudo que fiz foi conhecer uma loja de itens usados atrás de uma bicicleta – e andei 6km entre ir e voltar, porque não gostei de nenhuma bike.

Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)
Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)

Na minha primeira semana ainda, ao voltar do centro acabei encontrando uma “praia” no meio do caminho. Oulu é uma cidade “praiana”, já que é banhada pelo Mar Báltico, mas no caso era só um rio mesmo que parecia praia. Foi uma ótima surpresa, o dia estava lindo e ficamos para apreciar e tirar umas fotos.

Foto manjada... mimimi...
Foto manjada… mimimi…

Como contei no último post, já conheci 1/3 dos brasileiros que moram aqui e no segundo final de semana em Oulu fui convidada para comer esfiha na casa de um deles com toda a brasileirada da região e uma finlandesa que falava português. Eu ainda não estava com vontade de comer comida “brasileira” – esfiha está inserida na nossa culinária, mas não é brasileira -, mas não ia recusar um convite destes e foi muito bom falar português (e olha que nem estou aqui há tanto tempo, mas sério, enche o saco falar inglês o dia todo – que meus ex-alunos jamais leiam isso). No dia seguinte, os tutores do meu curso promoveram o “EdGlo International Dinner”! A ideia era juntar os alunos de todos os anos de mestrado (incluindo os que já haviam terminado, mas ainda estavam por aqui) e cada um deveria levar um prato tradicional do seu país. Eu amei a ideia e dou um brigadeiro para quem adivinhar o que fiz! Ops!

Brigadeiro
Brigadeiro

Foi a segunda vez na vida que fiz brigadeiro para enrolar e deu certo. Aliás, tudo que tenho tentado cozinhar aqui está dando muito certo e estou realmente gostando de ir para cozinha. Adoraram meus brigadeiros e eu adorei tudo que tinha lá!

Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?
Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?

Comi até dizer chega e me socializei com meus classmates, o que foi muito interessante.

Na segunda semana aqui foi uma série de pequenos eventos. Fui ao discurso inicial do reitor para alunos internacionais – para ser sincera, cheguei atrasada, perdi o discurso, mas deu tempo de pegar o buffet (vou engordar 10kg desse jeito, tudo aqui envolve comida). Depois resolvi ir na suposta super festa de início do ano letivo, a Vulcanalia. Ouvi falarem tanto que resolvi ir para ver como era… ai, gente! Foi num lugar aberto (fazendo 10 graus a noite e resolvem fazer festa em lugar aberto… oi, finlandeses?), o palco era minúsculo e enfim, gente, a coisa mais sem graça do mundo e olha que não faço nem um pouco o estilo baladeira para dizer que preciso de muito para me empolgar.

Da hora. SQN.
Da hora. SQN.

No final de semana seguinte, fui conhecer uma sauna no rio com alguns classmates. A sauna faz parte da cultura finlandesa, mas esta é um pouco diferente. É uma sauna flutuante perto da margem de um rio. A ideia é que você vai aproveitar a sauna – que estava uma delícia – e depois vai mergulhar no rio gelado. Dizem que depois da sauna quente o ideal é mesmo tomar um banho frio por alguns segundos e como seu corpo está quente, não sente a água tão fria… nos primeiros 30 segundos. Custa 4 euros e você pode ficar o tempo quiser, mas por motivos óbvios, só funciona no verão.

A sauna flutuante
A sauna flutuante

No dia seguinte rolou um picnic numa praia – desta vez, praia de verdade, a Nallikari. Alguns amigos entraram na água gelada, mas eu só fiquei observando. Mesmo com um belo dia de sol e temperatura na casa dos 19 graus, eu achei que ficaria melhor sequinha na areia. Ah, estávamos todos de roupa, bikini não era pra tanto.

Nallikari
Nallikari

Num dia desses houve uma tentativa de ver a Aurora Boreal. Fomos para a beira de um rio fazer um picnic (mais comida) enquanto esperávamos a aurora, porém a visão não foi das melhores. Neste site aqui é possível ver a previsão de quão visível a aurora estará, porém para vê-la bem é preciso ir para um lugar bem escuro. Talvez o lugar escolhido não fosse o melhor e tudo que vi foram manchas esverdeadas no céu que minha câmera não conseguiu captar. Outras chances virão, mas alguns colegas conseguiram ver uma linda aurora na mesma praia do picnic e eu morri de inveja!

Foto tirada por um dos meu colegas de turma.
Foto tirada por um dos meus colegas de turma.

Meu aniversário chegou e minhas amigas fizeram um jantar surpresa para mim, o que me deixou muito feliz porque nos conhecemos há menos de um mês e elas já tentaram me fazer sentir em casa com uma demonstração de carinho. ❤

Ganhei um "bolo de cookies"
Ganhei um “bolo de cookies”

Seguindo com a programação, uma das brasileiras fez aniversário e resolveu fazer uma festa cheia de esfiha e bolo prestígio – só como aqui! Conheci outras pessoas bacanas na festa e acabou sendo uma noite muito agradável.

Toda semana acontece uma reunião do Couch Surf aqui. Para quem nunca ouviu falar, Couch Surf é aquele site que a pessoa oferece a casa dela de graça para uma viajante e o viajante procura um sofá para dormir. A ideia é a troca cultural. Bem, o que não contei para vocês é que quando vim pra cá meu aluguel começava em 1º de setembro e eu ia chegar 4 dias antes. Em Oulu não tem hostel e os hotéis estavam com precinhos nada camaradas pro meu bolso, então procurei um host no Couch Surf e um finlandês topou me receber. No final das contas, o PSOAS topou me entregar a chave antes e não precisei mais do Couch Surf, porém, querendo ser uma boa hóspede, eu já havia perguntado pro meu host se ele queria algo do Brasil (ele já foi pra lá e fala um pouco de português) e ele pediu Guaraná. Como ele é um dos organizadores do Couch Surf e tal, me convidou para ir e topei para entregar o pedido dele. A reunião é bem interessante, você conhece gente de todo lugar e pelo próprio contexto, conhece pessoas que estão abertas a amizades e trocas culturais. Pretendo ir mais vezes.

Finalmente chegamos a última semana de setembro!

Uma das minhas professoras que estava dando aula de Cultura Finlandesa resolveu terminar o curso (sim, eu já conclui um curso) com um jantar na casa dela (comida de novo). Foi um noite muito agradável com professores e colegas de turma! Ela tem um filho de 2 anos que é a coisa mais linda do mundo, gente! Depois do jantar fomos para a casa de uma colega para uma noite de jogos! Diversão e mais comida!

No dia seguinte, fui colher berries e tirar fotos dos cogumelos que não param de crescer aqui em Oulu – a maioria deles é venenoso e crescem nas calçadas! Terminei a noite com churrasco com os brasileiros (povo que come, né?) e bom, chego ao fim deste post enorme sobre minha agitada vida social neste primeiro mês aqui!

Colhendo berries!
Colhendo berries!