Sintomas

Tô com sintomas de saudade, tô pensando em vocêêê…

– Eu conto o tempo de Brasil como se estivesse por aqui de passagem;

– Eu calculo que horas são na Irlanda em, no mínimo, metade das vezes que olho a hora –  todos os dias;

– Eu escuto músicas que comecei a escutar quando estava na Irlanda só para ficar nostálgica, como Get Lucky, We are young, Let her go, Somebody that I used to know e I could be the one. Não, elas não tem absolutamente nenhuma relação com o país, mas sabe aquela história da música que te faz lembrar do momento? Então…

– E eu não costumo ouvir estas músicas (não estão no meu iPod, pelo menos), mas sempre que ouço, batata! Lembro de quando cheguei na Irlanda e elas não paravam de tocar: Call me maybe e Gangnam Style;

– Quando passo muito calor, penso positivo e agradeço que não estou encapotada em janeiro/fevereiro;

– Sonho acordada e tenho flashbacks diariamente;

– Fico inconformada de não achar algumas coisas no mercado daqui: waffles, Kopparberg, suco de blackcurrant, feijão enlatado (sim!), pretzel com cobertura de chocolate, a marca Tesco!

– Procuro os double-decker buses amarelos;

– Dias cinzas e chuvosos invariavelmente me fazem lembrar de Dublin e me deixam nostálgica por tabela.

Rumo aos 8 meses de Brasil e meu coração ainda bate meio descompassado pela Irlanda. Tem cura, doutor?!

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FAQ

Depois de dois intercâmbios e algumas viagens por aí (dentro e fora do Brasil), as pessoas à sua volta começam a fazer perguntas. Algumas perguntas eu já perdi as contas de quantas vezes respondi, sem contar que alguns amigos me tacham de doida, porque, né, só pode ter uns parafusos a menos para morar fora do Brasil duas vezes e ter um fogo no rabo siricutico desses de viajar. Confesso que não acho ruim as perguntas, mas às vezes me admiro porque as pessoas se admiram comigo. Oras, eu só juntei minhas tralhas e viajei. Algumas vezes.

E as frequently asked questions (FAQ) são:

Você vai sossegar no Brasil agora?
Sim, gente, estou sossegada no Brasil há 6 meses, embora já tenha andado por ele (ai, Guarda do Embaú, sua linda, saudade!). O que não significa que eu sossegue por aqui for good. Daqui 1 ano ou 2, eu posso estar entediada e tá dáááá: passaporte em mãos e see you soon, Brazil!

Você pretende viajar de novo?
Viajar? Mas é ÓBVIO! Só não viaja quem não sabe o bem que uma viagem pode fazer! Ninguém volta igual de uma viagem! Ninguém! Nunca! Jamais! Citando uma frase clichê de internet “A vida é um livro e quem não viaja, só lê a primeira página.” I couldn’t agree more.

Você pensa em voltar para a Irlanda?
Sim, penso quase todos os dias. Eu sei que reclamo do frio de lá que nem uma velha chata, mas eu sinto muita saudade de morar na Irlanda. Queria ter voltado para lá agora em janeiro (turismo), mas não deu por motivos profissionais (na verdade, eu que tenho uma certa tendência a ser workaholic– poderia ter dito ‘não’), mas penso em voltar assim que possível para visitar e fazer outro mochilão pela Europa. E se você me perguntar se eu penso em morar lá novamente, só o que posso dizer é que não descarto a possibilidade.

Praia de pedra na Irlanda
Saudade de ir para a praia de roupa, né, gente?

Você ainda pensa em morar no exterior?
Sim e já tenho esboço de planos para um futuro nem tão distante assim. Nada muito definido, mas o que me separa dos meus planos é apenas minha vontade de concretizá-los. E vocês sabem que quando eu coloco algo na cabeça

Você trocaria o Brasil pela Irlanda/Estados Unidos/Gringolândia definitivamente?
Não, não trocaria. Eu saio, mas eu sempre volto para a pátria amada e idolatrada cá. Eu gosto muito da descoberta, sabe? De me sentir viva aprendendo coisas novas todos os dias, observando outros costumes e modos de vida e ver o mundo, mas chega uma hora que eu sinto falta do que me faz lembrar minha infância e quem eu sou. Sem contar a falta que faz a coxinha, o pastel e o arroz com feijão da mamãe.

Você gostou mais dos Estados Unidos ou da Irlanda?
Difícil responder. Até um tempo atrás eu dizia “Estados Unidos”, mas não tenho mais tanta convicção de que minha experiência americana tenha sido melhor que a irlandesa. Aliás, só o que as duas têm em comum é que eu chamo ambas de “intercâmbio”, mas foram experiências muito distintas em vários aspectos, então, não é fácil comparar. Começando pelo fato de eu ter ido para os EUA aos 20 anos toda deslumbrada da vida e ter chegado na Irlanda com 24, já com os pés bem fincados no chão. São duas culturas distintas com as quais aprendi muito. Foram dois momentos distintos da minha vida e eu buscava coisas diferentes, minhas motivações não eram as mesmas. Comparar e escolher, então, fica difícil.

Você sente saudade das crianças que você cuidava?
*suspiros*
Se pudesse, teria colocado todas na mala e trago para o Brasil. A ciência ainda há de explicar como que uma pessoa que não sonha em ser mãe pode gostar tanto dos filhos dos outros. A., S., F. e O. serão sempre meus amorzinhos e sempre me alegro ao receber notícias deles, como ontem, que recebi um cartão de feliz ano novo da família americana, os W. 🙂

Como é o inglês da Irlanda?
É “peculiar”. Eles têm muitas expressões e gírias que só eles mesmo falam. Além disso, o sotaque pode ser bem chatinho de pegar no começo, eu não entendia tudo que me falavam quando cheguei. Porém, apesar de ser uma pequena ilha com pouco mais de 4 milhões de habitantes, a Irlanda tem muitos e muitos sotaques diferentes e até mesmo em Dublin há diversos sotaques. Então, sempre vai ter aquele irlandês que abre a boca e você acha que ele não terminou de engolir a batata porque não está entendendo bulhufas, mas também vai ter aquele com um sotaque mais light que não te faz se sentir um analfabeto em inglês. Deus abençoe os últimos. Amém.

Você já está adaptada à vida no Brasil?
Depois do baque do primeiro mês, eu me readaptei completamente a viver no Brasil. Sem crises, sem deprês. Isso só aconteceu na minha volta do primeiro intercâmbio, a famosa depressão pós-intercâmbio. Tô bem e feliz aqui.

Você é rica?
Sim, sou… de berço. Assim como todos os intercambistas.

Não arranjou nenhum namoradinho gringo?
Ai, gente. Jura?  Tanta coisa pra perguntar e me vem com essa? Dá vontade de retrucar: “Por que? Acha que só voltei porque não consegui um passaporte vinho? Quem disse que estava à procura de um, cara pálida?” Mas eu sou educada, sorrio e digo “Não, não viajei pensando nisso, anyway”… AFFFF…

Os irlandeses são bonitos?
Não fazem meu tipo. Mas sabe como são pessoas, né? Tem paulista lindo de morrer, tem paulista feio de matar. Na Irlanda, acredite, é assim também, então não posso colocar todos os irlandeses no mesmo saco e falar que são todos assim ou assado. Tem irlandês coisa linda de se ver, I’m sexy and I know it, mas tem irlandês ruivo, de olhos azuis, cheio de sarda e banguela que parece filhote de chupa-cabra. Acontece.

Você não teve medo de viajar sozinha?
Eu viajei sozinha pela Califórnia em 2008, ao 21 aninhos. Depois viajei all by myself para a Bélgica e a Holanda no ano passado (quando ainda tinha cara de 21). Não, não tive medo em momento algum. Planejei razoavelmente bem as viagens, não fiz trajetos obscuros em horários inoportunos e segui o senso comum. E não, não é deprimente viajar só. Acredito que seja um exercício de auto-conhecimento e de saber estar só na própria companhia. Nesta hora, alguns monstros podem surgir, então, se você não estiver bem consigo mesmo, pode ser um super desafio. Do contrário, enjoy your thoughts! A gente acaba pensando e refletindo muito sobre a vida também. O lado ruim de se viajar só é a) ninguém para comentar o que está conhecendo (mas dependendo da sua companhia, melhor estar só mesmo), b) ter que ficar pedindo para desconhecidos baterem fotos suas ou tirar mil selfies e c) se algo der errado, é sempre melhor se ferrar acompanhado – felizmente, não me ferrei em nenhuma viagem.

Viajando sozinha em San Francisco º 2008
Viajando sozinha em San Francisco, 2008

Você sentia falta do Brasil?
Sim, mas não ao ponto de ficar homesick e chorar. Sentir saudade é normal, mas a minha não era exacerbada. Sentia falta da comida, principalmente quando estava nos EUA – não é à toa que voltei da Terra do Tio Sam 5kg mais magra em 2009. Infelizmente, o feito não se repetiu em 2013.

E estas são algumas das perguntas que mais ouço das pessoas. Tem alguma pergunta faltando aí?

Saudade

Saudade. Palavra de 7 letras e 3 sílabas. Do latim, solitate.

Sau.da.de sf. Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. (Michaelis)

Sau.da.de sf. Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situação de privação de presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável. (Houaiss)

Sau.da.de sf. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. (Aurélio)

Saudade era o significado de solidão, em latim,  não tem tradução para nenhuma outra língua. É uma palavra conhecida somente na língua portuguesa e em galego. Saudade é uma das palavras mais utilizadas nas poesias de amor e nas músicas românticas da língua portuguesa. Saudade significa a memória de algo que aconteceu e que dificilmente voltará a acontecer da forma como foi na oportunidade.”

Saudade é o que me define nestes dois meses de Brasil. E a saudade aperta mais deste lado do oceano Atlântico e abaixo da linha do Equador por um motivo muito simples: do outro lado do oceano e acima do Equador eu sabia que um dia eu retornaria e tudo voltaria ao seu lugar. Há 4 anos deixei um pedaço de mim em Denver e ainda não tive a oportunidade de matá-la. Há 2 meses deixei outro pedaço em Dublin e não sei ao certo quando voltarei a terra dos leprechauns. Saudade com prazo para morrer dói menos.

Saudade é consequência de ter vivido momentos felizes e conhecido pessoas sensacionais. Dói, mas a gente sabe que valeu a pena. #clichêbuttrue

Seis meses de Irlanda

Isso mesmo, completando seis meses nesta terra linda! A vida é assim, você pisca e metade de um ano se passa!

Eu…

… sinto muita saudade do Brasil, mais do que sentia quando morava nos EUA, mas ainda vou ficar um tempo neste hemisfério.

… estou trabalhando novamente (mais detalhes em breve).

… por causa disso, tranquei o curso de inglês faltando 7 semanas para terminar.

… e não sei se volto, porque não faz muito sentido fazer curso de inglês avançado depois que consegui meu certificado de Cambridge. Ok, vamos encarar os fatos: minha desculpa de vir para cá estudar inglês nunca colou mesmo.

… cozinhar, lavar louça, limpar casa, lavar roupa… eh, tudo isso virou rotina na minha vida! Intercâmbio não é só flores…

… já estou tão acostumada com a mão invertida que quando viajei estava olhando para o lado errado da rua ao atravessar!

… fiz meu primeiro miojo! Mas para não dizer que não cozinhei, fiz um super molho para acompanhar.

… cansei de engordar e agora estou de dieta. Projeto verão irlandês 2013 (ou seja, as gorduras continuam escondidas, pois aqui não dá praia).

… vi a neve irlandesa, que é bem diferente de todas as outras…

… estou feliz!

Quatro meses de Irlanda

Quatro meses no Velho Mundo e eu…

… já acho tão familiar tantos nomes de ruas e lugares que eu nem sabia que existiam quando cheguei aqui.

… pedi arrego! Não aguentava mais ir para a aula e decidi pedir duas semanas de férias (as escolas não têm as mesmas regras, mas a ECM permite que o aluno peça férias dos 6 meses de curso. Assim, é possível cursar 3 meses, por exemplo, ficar 1 mês de férias e voltar para terminar o curso).

… e sabe o que é pior? Senti falta das aulas! #BiaIndecisa

… sinto falta de lugares que frequentava no Brasil. Sinto falta de pessoas também, mas só algumas. Estou quase começando a sentir falta dos meus empregos também.

… aprendi a me virar bem na cozinha. Não sou nenhuma cozinheira de mãos cheias, mas meu arroz está ficando cada dia melhor. #milagredointercâmbio 🙂

… cheguei à conclusão de que a Irlanda não é tão molhada quando me contavam.

… fiquei frustrada de constatar que morando no Brasil, eu falava inglês de Segunda à Sábado. Morando na Irlanda, passo dias sem falar inglês de verdade.

… às vezes tenho saudade da vida de Au Pair nos EUA: casa, comida e roupa lavada (por mim) + salário digno para gastar com qualquer coisa, menos pagando conta.

… tem hora que esqueço que estou na Irlanda, na Europa… é tudo tão “normal e comum”.

… não sei quando volto para o Brasil!