Buenos Aires – impressões

Já contei toda a aventura dos 5 dias de viagem e no último post quero contar um pouco das minhas impressões. Quando viajo, costumo ficar, no máximo, 3 ou 4 dias em um lugar, então ter passado 5 por lá certamente me fez sentir a cidade um pouco melhor. Claro que ainda escrevo do ponto de vista de uma turista que não tem noção do que é morar em Buenos Aires. Mas para quem tem muitas dúvidas, uma simples busca no Google te leva a inúmeros sites de brasileiros que moram/já moraram por lá e ajudam com questões do dia-a-dia. 😉

Hostel

Eu já fiquei em alguns hostels por aí, então já estou bem acostumada com este tipo de hospedagem. Acho importante relativizar tudo, já que quando você prioriza preço acaba abrindo mão de conforto e não tem como esperar muito de um hostel se você pagou pouco. As 4 noites me custaram 80 reais, o que foi muito barato, mas isso, em partes, tem a ver com a desvalorização do peso e com o câmbio paralelo que consegui. A localização do Art Factory é ótima: perto da Plaza de Mayo, San Telmo, 9 de julho… dá para ir a pé até a maioria das atrações e, na verdade, se você tiver pique para andar, o único lugar que realmente vai precisar ir de ônibus é La Boca.
Eu havia reservado um quarto com 8 camas, mas devido a problemas técnicos deles, fiquei num de 4 camas sem pagar nada a mais. O único inconveniente é que o quarto ficava do lado do bar e a lei do silêncio não valia lá – só não foi pior porque eu já sou uma viajante experiente (cof cof cof) e levei protetor auricular, então dormi a noite toda sem me incomodar com isso e com os roncos dos companheiros de quarto.
O staff foi bem amigável e ajudou com todas as dúvidas que tive, especialmente um rapaz que costuma ficar lá de manhã (não perguntei o nome dele – duh!).
De modo geral, achei o local bem limpo e organizado, havia banheiros suficientes para todos (e o hostel é gigante) com água bem quentinha, as camas e cobertores estavam limpos e eram bem confortáveis. O sinal de wifi funciona em todo o prédio e eles ainda disponibilizam 3 computadores para hóspedes.
O café-da-manhã não é o melhor, mas é completo com pão, leite, café, cereal etc etc etc, e num dos dias tinha até doce de leite.
O que achei realmente ruim foi a cozinha. O hostel é enorme e a cozinha é minúscula! Além de não ter panelas e pratos suficiente para todos, não tinha nem pano de prato decente. Eu jantei 3 noites no hostel e teve noite que precisei esperar que usassem  a panela para eu cozinhar ou tive que usar peça de roupa para secar os pratos, porque o “pano de prato” deles estava nojentíssimo.

Área comum do hostel
Área comum do hostel

Bebedouros

Depois que você tem 3 crises de cólica renal (com direito a uma internação), você nota o quão importante a água é. Passei a beber bastante água (aliás, tenho um app no celular para me ajudar a sempre beber a quantia necessária todo dia!) e eu senti muita falta de bebedouros na Argentina – tipo, não tem! Só tinha UM no aeroporto, não tinha nenhum no hostel nem nos museus nem na Casa Rosada nem em lugar nenhum que você costuma achar por aqui! Achei esquisito! E tive que comprar muitas garrafas de água.

Wi-fi

Bebedouros não achei, mas sinal wi-fi… em todo lugar tinha! Eu basicamente tenho as senhas de metade dos estabelecimentos da cidade, sem contar os lugares que ofereciam livremente, como os pontos de ônibus da av. 9 de julho. No aeroporto também tinha wi-fi gratuito e ilimitado, o que foi ótimo pra quem passou uma madrugada lá sem conseguir dormir direito.

Transporte público

Eu achei o sistema de ônibus lá um pouco confuso, não é muito fácil saber que ônibus pegar, além de eles não terem um padrão como em São Paulo – parece que há várias companhias e cada uma decora seu veículo como quiser. Nas áreas mais centrais e turísticas da cidade, tudo funciona muito bem – na av. 9 de julho inteira tem corredor de ônibus, com pontos bem sinalizados, limpos e bonitos. Saindo só  um pouco daí… affff… cadê ponto de ônibus? É adesivo no poste! Já falei como funciona o sistema de tarifação lá e do bilhete SUBE nos posts anteriores. Além disso, no caminho eterno entre o EZEIZA e San Telmo, o ônibus que peguei passou por áreas periféricas da cidade e em alguns instantes ficou bem lotado. Eu não usei o transporte público em horário de pico e circulei basicamente nas áreas turísticas, então não tenho como avaliar a qualidade do serviço. Não precisei usar o metrô, mas o que notei olhando o mapa é que se você estiver na área central, tem uma estação em cada esquina, mas saindo um pouco de lá, a oferta de estações vai diminuindo bastante. Não tem estação de metrô no bairro La Boca, por exemplo.

Corredor da 9 de julho
Corredor da 9 de julho

Motoristas

Aí você mora em São Paulo e acha o trânsito caótico e os motoristas nervosos… até você ir a Buenos Aires! Eu nunca vi motoristas tão ruins e mal educados como lá! A faixa de pedestre é meramente ilustrativa, já que eles param SIM em cima dela. O farol está verde para o pedestre? Mesmo assim olhe antes de atravessar, porque eles não respeitam isso também! O engraçado é que as avenidas principais são muito largas, tipo 6, 7 faixas, e ainda assim, eles fazem barbeiragem! Fiquei impressionada mesmo com o comportamento dos argentinos ao volante.

O argentino

Mas ao contrário do que as pessoas costumam dizer, achei o povo argentino muito amigável e educado! Claro que Buenos Aires é uma cidade turística e claro que eles estão muito acostumados com brasileiros, então seria até estranho se não fossem receptivos. No aeroporto teve a argentina que nos deu dinheiro para tentarmos trocar por moedas (isso porque deixamos bem claro pra ela que nosso problema não era não ter dinheiro, mas não ter pesos), todas as pessoas dentro da eterna linha 8 que nos levou até o centro de Buenos Aires e que nos ajudaram falando onde estávamos, puxando papo e dizendo onde deveríamos desces, a moça da loja que eu comprei o casaco para minha mãe que o provou para ver se serviria (ela era cliente) e enfim, todos as atrações turísticas e lojas… todos foram realmente muito simpáticos!

A comida e os doces

Quando viajo, costumo provar algo local e o resto da minha alimentação ou é feita em fast food ou compro no mercado para jantar no hostel – eh, gente, não é tudo glamour! A exceção foi a Polônia, onde era tudo muito barato, e só comi em restaurantes bacanas e agora, a Argentina, onde achei tudo relativamente barato. Já falei nos outros posts sobre o chorizo – carne muito macia e deliciosa. Mas e os doces? Falou em Argentina e pensou em alfajor! Realmente, tem de todo tipo, marca e preço. Eu provei de 3 marcas: Havanna, Recoleta e Abuela Goye. O Havanna tem por aqui, a diferença é que lá é mais barato. O Recoleta achei tão bom quanto o Havanna, mas o Abuela Goye é divino!

Abuela Goye
Abuela Goye

Esse alfajor é delicioso, faz o Havanna parecer guarda-chuvinha de padaria! Me arrependo de não ter comprado uma caixa deles – comprei do Havanna, né.  A loja da Abuela Goye fica na Calle Florida. Mas não é só de alfajor que vive o argentino, mas também de dulce de leche! Não provei vários, só o que tinha no hostel e o Havanna – aliás, comprei um pote de 800g e trouxe para o Brasil. O doce não tem nada de super especial, mas é menos doce e mais leve, ou seja, você come bastante e não fica enjoado.

Yummy!
Yummy!

A cidade

Buenos Aires tem a fama de ser a Paris latina. Menos, gente, menos. Eu achei a cidade muito parecida com São Paulo em alguns pontos, outros mais bonita e em outros, mais feia. Claro que eu não fui a parte não turística da cidade, o que deixa mais difícil ainda de avaliar, mas no geral, eu diria que é uma São Paulo de ruas largas que fala espanhol e não me causou nenhuma super impressão como Berlin ou Amsterdã.

Bright Obelisco, dark me!
Bright Obelisco, dark me!

Porque não fui ao zoológico Luján

Quem nunca viu fotos de pessoas alegres com leões e tigres? Quem não conhece alguém que conhece alguém que já foi a Buenos Aires e visitou este zoológico? Eu fiquei 5 dias por lá, poderia ter feito o passeio, mas decidi não fazer. Primeiro porque não vejo onde isso é diversão: vários animais selvagens (e indomesticáveis) sendo incomodados diariamente por ser humanos egoístas que querem uma foto para impressionar os amigos. Desde o começo não me agradou a ideia de ir ao zoológico, mas não estava viajando sozinha e ia acabar cedendo… até que encontrei vídeos no Youtube que claramente mostravam animais dopados, andando em zigue-zague e completamente lesados! Durante todo o dia os animais são alimentados com um leite… quem já viu leão adulto bebendo leite? O que será que tem neste leite? Com isto e alguns links que achei na internet, convenci todos os envolvidos na viagem que não era um passeio legal.
O zoológico argumenta que leões e tigres são criados desde pequenos com cachorros e acostumados com o contato humano por causa dos tratadores, mas honestamente, precisa ser muito inocente para acreditar nesta história. E que fosse verdade, você gostaria de ser incomodado o dia todo com gente tirando foto com você?

Buenos Aires – Teatro Colón, San Telmo e La Bombonera

O terceiro dia de viagem, um domingo, começou pior que o dia anterior: um frio que eu não sentia desde Dublin piorado pela chuva e vento, que só faziam a sensação térmica ser ainda mais baixa. Mais uma vez, o dia convidava para fazer mais passeios indoors e fomos ao Teatro Colón. Só é possível entrar no teatro com o tour guiado que dura quase uma hora e custa 150 pesos para estrangeiros (uns 33 reais) – para argentinos custa menos da metade disso! Desta vez havia a opção de fazer o tour em inglês (brigada) e pude entender tudo que o guia falava (aliás, o inglês dele era impecável).

Teatro Colón
Teatro Colón

O guia conta desde a história da construção do teatro (como a morte dos dois primeiros arquitetos, coincidentemente, aos 44 anos) até detalhes da decoração e da restauração do teatro, que permaneceu fechado por alguns anos por conta disso. Como parte da visita, entramos no camarote mais caro e pudemos ficar lá por uns 5 minutos. Estavam arrumando o palco para alguma apresentação X que aconteceria em breve.

O teatro por dentro
O teatro por dentro

O teatro é conhecido por ter uma das melhores acústicas do mundo! Segundo o guia, Pavarotti ficou com receio de cantar lá, pois sabia que qualquer deslize poderia ser notado por causa da acústica perfeita. Eu achei o tour sensacional!

Quando saímos, o tempo estava ainda pior, mas não tinha como deixar o passeio seguinte para outro dia: a famosa e turística feirinha de San Telmo só acontece aos domingos!

San Telmo
San Telmo

Eu adoro essas feirinhas, sempre que acabo indo na região da Paulista de domingo ou feriado, dou uma olhadinha na feira que acontece no Shopping C3 e é difícil resistir e não sair com alguma sacolinha! Confesso que eu esperava bem mais da feirinha, mas confesso também que o péssimo tempo que fazia me deixou meio de mau humor e isso pode ter influenciado minha opinião. Não achei nada muito interessante nas primeiras barraquinhas que visitei e achei tudo meio chato até… como já passava da hora do almoço, resolvemos parar numa pizzaria pequeninha (e quente) para comer. A pizza não era lá essas coisa, mas pelo preço que pagamos, estava ótimo (52 pesos/11,50 reais). Quando saímos, a chuva já havia passado, então continuamos andando para achar a estátua da Mafalda, que fica na esquina da rua Defensa com a Rua Chile. Como era domingo e tinha a feira, havia fila para tirar foto com a mocinha de 6 anos – eu achei a foto péssima e resolvi voltar outro dia.

A mocinha, no dia seguinte, sem filas.
A mocinha, no dia seguinte, sem filas.

Eu, obviamente, estava procurando itens da Mafalda para comprar, mas não achei nada com preço bom e bem feito, até continuar subindo a rua sentido Plaza de Mayo. Numa barraquinha eu me acabei! Comprei um imã de geladeira, um marca-página, um chaveiro e um porta celular super fofos e bem feitos e tudo saiu por 80 pesos (R$17,80). Onde que eu compraria tudo isso aqui no Brasil por esse preço?

Overdose de Mafalda!
Overdose de Mafalda!

Ainda comprei um cinto de couro super legal por 150 pesos (33 reais). Tudo bem que na semana anterior eu havia ido a feirinha do C3 e comprado um cinto de couro, porém, inferior, por R$65,00… Acontece.¬¬

Já estava ficando meio tarde, então já era hora de ir ao La Bombonera, estádio do Boca Juniors. Mas como assim, Bia? Você visitando estádio de futebol? Quando não se viaja só, sempre é preciso ceder: você cede de um de lado e a(s) companhia(s) cede(m) de outro. Confesso que no fim, não achei o passeio tão chato, mas tiraria fácil do meu roteiro. Anyways, para chegar no bairro de La Boca, pegamos o ônibus 29 na rua Bolívar. Parênteses. basta sair um pouco do centrão de Buenos Aires que tudo fica meio estranho. Na av. 9 de julho tem corredor de ônibus, wifi nos pontos, pontos de ônibus cobertos, bem sinalizados e super modernos. Eu fiquei andando a rua Bolívar procurando a porcaria do ponto de ônibus pra descobrir que tudo que indica o ponto é um adesivo colado num poste. E cada ônibus para num “poste” específico. Te catar, né, Buenos Aires? Fim do parênteses. Entramos no ônibus e pedimos informação a um passageiro de onde deveríamos descer e o rapaz nos alertou para tomar muito cuidado, pois o bairro La boca era “muy peligroso“. Mas tipo, ele deve ter nos alertado umas 10 vezes durante o percurso.

Entrada do estádio
Entrada do estádio com uma photobomb

Conseguimos pegar o último tour guiado do dia no último segundo. O estádio não é muito grande, então deu pra fazer o tour e visitar os vestiários e o museu em uma hora. Se você curte futebol, vá. Se não curte, não tem nada lá pra você ver e você economiza 90 pesos (20 reais) – passe em frente, tire fotos e vá conhecer o Caminito.

Inside
Inside

 O restante da visita ao La Boca eu deixo pra contar no próximo post. Só adianto que nada me aconteceu lá e o bairro não me pareceu tão peligroso como o rapaz disse.

Buenos Aires – Recoleta e Casa Rosada

Após a pausa para o almoço, fomos ao cemitério da Recoleta e devo confessar: foi a minha primeira vez em um cemitério.

Descansem em paz
Descansem em paz

Já entrei procurando no mapa onde estava a Evita Perón, mas não havia nada escrito. Isso porque ela está no túmulo da família Duarte, seu nome de solteira- mas isso eu só descobri depois. Como entrei no cemitério sem saber onde estava seu túmulo, comecei a andar apenas observando a grandeza e ~ostentação~ de alguns jazigos e o abandono de outros.

Não muito modesto, ahn?
Não muito modesto, ahn?

No cemitério estão enterradas várias personalidades argentinas, a maioria ligada à política, como o Wikipédia esclarece.

General Lavalle
General Lavalle

Depois de ver muitos jazigos, perguntamos a um funcionário onde estava o de Evita. Para nossa surpresa, não havia ninguém por perto… até acharmos! Aí sabe como é, um turista com câmera chama outro que chama outro…

Túmulo de Evita
Túmulo de Evita

Ao fim da visita, o cansaço já tomava conta e embora ainda houvesse o que se ver na região da Recoleta, fomos para o hostel. Claro que como era o primeiro dia, não tínhamos muita noção da distância (tudo bem que eu havia checado no GoogleMaps que o hostel estava a 4km de lá), então fomos a pé  e neste dia andamos fácil uns 10km, pelo menos. Claro que tinha o fato de que o Brasil jogaria às 17h, o que era irrelevante pra mim, mas não era para todos e foi meio que um fator mais decisivo para voltarmos ao hostel do que o cansaço. Não preciso dizer que eu dormi feito pedra a noite toda, né?

No dia seguinte, levantamos cedo e já recuperados da aventura dormir no aeroporto-pegar ônibus que cruza o mundo antes de chegar em San Telmo- fazer walking tour- andar 4km de volta ao hostel. Tomamos café-da-manhã bem reforçado (eu, pelo menos, comi como se fosse minha última refeição!) e fomos visitar a Casa Rosada, que fica na Plaza de Mayo (que no sotaque argentino é pronunciado como “macho”- achei engraçado).

Bem, a Casa Rosada funciona de segunda a sexta para seus devidos fins, portanto, só é aberta a visitação aos finais de semana e feriados. O sábado estava bem feio e chuvoso, então fazer um passeio indoors foi muito bom.

Casa Rosada contra a luz
Casa Rosada contra a luz – foto tirada 2 dias depois do tour

Eles também oferecem um tour guiado gratuito que dura aproximadamente uma hora e é a única forma de entrar no prédio, na  verdade. Do contrário, só é possível visitar o saguão de entrada com várias pinturas de “heróis” de vários países da América do Sul, inclusive do Tiradentes.

É permitido fotografar dentro do prédio, menos na sala da presidente (que, aliás, tinha um cheirinho ótimo). O tour era em espanhol e apesar de a guia falar devagar, eu confesso que muita coisa acabou passando sem eu entender muito bem o que ela estava falando. Acontece, né, gente?

Fotografando o Saguão de entrada
Fotografando o Saguão de entrada

A guia conta as histórias ou peculiaridades de cada cômodo visitado, além de outras curiosidades sobre o prédio, como o motivo de a casa ser rosada! Eu já havia lido algumas teorias na internet, como por exemplo, ser rosa porque é a cor que resulta da mistura do vermelho com o branco, cores de partidos, por assim dizer… achei que descobria a verdade no tour, mas o fato é que nem eles sabem ao certo porque escolheram essa cor e a guia disse que a melhor justificativa mesmo era pra ser diferente das outras casas de governo de outros países. Então tá. Neste link tem algumas curiosidades sobre a pintura da Casa Rosada.

Jardim interno da Casa Rosada
Jardim interno da Casa Rosada

Quando o tour terminou, a chuva estava ainda pior e o dia completamente miserable! Para piorar, a Argentina iria jogar às 13h e eles são tão loucos por futebol como os brasileiros aqui: tudo fecharia durante o jogo. Sem opções de lugares para visitar e com uma chuva e céu cinza que não me deixariam sair andando para simplesmente olhar a cidade tranquilamente durante o jogo, acabei indo para o hostel. Enquanto a bola rolava, eu pesquisava na internet o que ainda poderia fazer naquele sábado chuvoso dos portenhos.

Buenos Aires – pesos y chorizo

Depois da viagem de 2h40 até San Telmo, finalmente estava no hostel. Fiquei hospedada no Art Factory, mais porque a Bárbara havia ficado lá quando esteve em Buenos Aires e deu boas recomendações. Deixo para dar minha opinião sobre o hostel em outro post.

Fiz check-in e fiquei aguardando o Duda que viria me encontrar para trocar pesos. Quando comecei a pesquisar sobre a viagem, já havia ficado muito feliz que a cotação oficial era de 1 real = 3 pesos, porém, pesquisando bastante na internet descobri que o câmbio paralelo é muito forte. Os argentinos não podem trocar moeda livremente como a gente por essas bandas, então, inevitavelmente, o câmbio negro ganhou força. Mas voltando a minha troca de pesos, eu havia feito as contas e economizaria muito trocando os pesos antes de pagar o hostel, por isso marquei com o Duda logo que chegasse. Gostei muito do serviço e recomendo: ele te encontra onde você está e todas as notas que ele te passa (de 50 e 100 pesos) são marcadas para garantir que não são falsas. No dia que chegamos, o câmbio deles estava em 4,50. Agora, faz as contas: a reserva pendente do hostel era de 300 pesos. Na cotação oficial do dia que cheguei (3,30), eu pagaria 90 reais pela minha estadia; trocando os pesos no paralelo (4,50), paguei 67 reais. Se for a Buenos Aires, NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA troque pesos no Banco de la Nácion ou pior, leve pesos daqui. Enquanto houver o câmbio paralelo, sempre será mais vantajoso trocar assim.

Pesos trocados, check-in feito, deixamos as malas no hostel e fomos começar a turistar na cidade. Não vou dizer que foi fácil, porque dormir em cadeiras geladas de aeroporto nunca vai te deixar bem no dia seguinte, mas fomos fazer o Walking Tour- quem lê o blog sabe que sempre gosto de começar a visita assim. Escolhemos este aqui e fomos ao ponto de encontro. Os tours são sempre gratuitos, mas os guias esperam uma gorjeta no fim e é sempre de bom tom dar (por favor, né?). O guia falava inglês com sotaque meio britânico mas ao mesmo tempo tinha um quê texano e no começo tive que me concentrar muito para entendê-lo!

No tour aprendi que os argentinos têm mania de grandeza e há construções bem estilo prédio ostentação por toda cidade. Mas não vou tirar o mérito deles, é tudo realmente muito bonito e todos os prédios do governo e embaixadas são realmente lindos!

Palácio da Suprema Justiça
Palácio da Suprema Justiça
Prédio da Embaixada Brasileira
Prédio da Embaixada Brasileira

O tour terminou, 3h depois, em frente ao cemitério da Recoleta. Bem, imagine que mal tomamos café, já era 13h30 e havíamos caminhados muitos kilômetros. Resolvemos que para a felicidade de todos iríamos comer e iríamos comer BEM.

Um povo aí num walking tour aí
Um povo aí num walking tour aí

Próximo ao cemitério da Recoleta tem alguns restaurantes que de fachada, parecem ser caros, mas misteriosamente são bem acessíveis. Fomos atraídos por um que oferecia entrada + prato principal + sobremesa por 72 pesos (16 reais)… como eu sempre desconfio de tudo, perguntei o que não estava incluso no preço e me falaram que apenas o cubierto de 17 pesos e gorjeta. Vou te falar que até agora não entendi o que é esse tal de cubierto que todo o restaurante cobra- é como uma taxa fixa além do valor de consumação, mas eles também esperam uma gorjeta, então, não saquei! De qualquer forma, pedi uma entrada que era um arroz com maionese (bom), depois o famoso chorizo com salada e por fim, um flan de sobremesa e com a gorjeta e tudo, saiu por 100 pesos (22 reais). Se você pensar que com 22 reais aqui no Brasil você vai ao Spoletto ou pega um combo grande em algum fast food, pagar isso pra comer comida boa num restaurante bacana é um preço ótimo!

Juro que esse chorizo era muito grande!
Juro que esse chorizo era muito grande!

Eu (ainda) não me tornei vegetariana, mas tenho comido pouquíssima carne ultimamente e carne vermelha, então, uma vez por semana obrigada pela minha mãe (oi, eu tenho quase 27 anos), mas não poderia deixar de experimentar a famosa carne argentina. Aliás, esse almoço me deixou satisfeita por horas e só comi à noite mesmo porque não poderia ficar o resto do dia sem comer.

O primeiro dia ainda não acabou, mas já escrevi demais. Desculpem, sou prolixa e é muita informação!

Buenos Aires – uma introdução

Tinha vontade de conhecer a capital argentina há muito tempo, desde 2010 pelo menos, quando fui pedir umas dicas à minha prima que já havia viajado para lá e ela acabou me convencendo a ir para o Peru com ela. Não me arrependi, me encantei muito com o Peru, especialmente com Machu Picchu e o Lago Titikaka. Mas a vontade permaneceu.

A foto clássica no Lago Titikaka
A foto clássica no Lago Titikaka

Há uns 3 meses recebi um email do Melhores Destinos (site altamente recomendado para pesquisar passagens baratas) com uma promoção excelente para Buenos Aires e o melhor: numa época do ano que eu poderia viajar. Não pensei duas vezes, comprei as passagens e embarquei em 3 de julho, dia que completou um ano que voltei da Irlanda. Coincidências.

Minhas semanas antes da viagem foram bem loucas e corridas, pra dizer o mínimo, então não consegui descansar nem na véspera: fiz as malas na quinta-feira de manhã, imprimi o esboço de roteiro que havia feito, separei o passaporte (e quase que levo meu passaporte vencido – oh cabeça) e peguei o ônibus para o aeroporto de Guarulhos (cês não tavam achando que eu ia pegar táxi, né?).

Cheguei no aeroporto com muita antecedência (2h30 antes do voo) e foi tudo muito tranquilo. Desculpa, gente, mas o #imaginanacopa não causou filas imensas no balcão de check-in nem na fila da segurança e nem atraso no meu voo. Foi tudo ótimo e só fiquei muito tempo aguardando porque cheguei muito cedo mesmo.

Como peguei uma promoção e, no caso, escolhi preço e não conforto, meu voo não era direto e tive que fazer um conexão em Porto Alegre. Parênteses: eu que sou assim uma menina da cidade grande e acostumada com muvuca, agitação e lugares gigantes fiquei impressionada com o aeroporto de Porto Alegre que era um ovo. Eu tinha quase 3h entre um voo e outro e achei que iria desembarcar lá e já poderia passar pela segurança para aguardar no saguão de embarque. Que nada! Só me deixaram entrar faltando uns 50 minutos para meu voo decolar, isso que era voo internacional. Mas GENTE! Até que o aeroporto de Dublin é bem grande se comparar com Porto Alegre. Fim do parênteses.

De São Paulo até Porto Alegre deu 1h25 de voo e foi bem tranquilo. Voei de Gol e achei tudo bem ok, até serviram um lanchinho, o que eu nem esperava. O voo de Porto Alegre atrasou um pouquinho, mas ainda cheguei em Buenos Aires no horário previsto. Deu 1h40 até lá e os primeiros 25 minutos de voo foram muito tensos: uma turbulência danada, o avião tremia, chacoalhava, aquele barulho de não-sei-o-quê rangendo… muita emoção!

Chegando em Buenos Aires, passamos pela imigração e minha surpresa: eu achava que como temos o Mercosul aqui seria um lance meio “Mercosul nesta fila” e “resto do mundo nesta fila”, como é quando você chega em qualquer país europeu, só que na verdade era uma fila para os hermanos e outra para não-hermanos. A diferença é que eles dividem os não-hermanos em Mercosul e estrangeiro. Na Argentina, obviamente, não sou estrangeira.

Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?
Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?

Não é necessário ter passaporte para entrar na Argentina, desde que seu RG tenha menos de 10 anos, o que era não o meu caso, então, tive que entrar no país usando meu passaporte mesmo. Tudo muito rápido, sem perguntas cabeludas: Turista? Una foto! Polegar! Donde eres su hotel? (eu tô inventando, não falo espanhol).

Argentina! Argentina! Argentina!
Argentina! Argentina! Argentina!

Pouco depois da meia-noite já havia desembarcado e adivinha: eu resolvi que iria passar a noite no aeroporto mesmo. Acho que nunca contei pra vocês, mas eu já dormi em alguns aeroportos desse mundão antes (Dublin, Oslo, Estocolmo…), então, no news so far. O fato é que também havia decidido que iria do aeroporto ao centro da cidade de ônibus, pois desci no EZEIZA, o aeroporto que fica a uns 38km de Buenos Aires, e o taxi custaria uns 80 reais com o câmbio que conseguiria trocando pesos no Banco de la Nácion do aeroporto, o que não iria fazer (e explico futuramente). Já o ônibus me custaria 3 reais nesta mesma cotação oficial e eu não estava com pressa mesmo. O problema é que cheguei lá cheia de reais (porque sou ryca) e os ônibus só aceitam moedas, ou monedas, como logo aprendi. Fomos à caça de monedas, tentando comprar alguma porcariazinha para receber o troco de moedas, só que pensa que o peso está muito desvalorizado e uma moeda de 2 pesos vale o equivalente a 60 centavos no câmbio oficial e com 2 pesos você não faz absolutamente nada. Trocando em miúdos: não foi tarefa fácil achar as tais monedas, porque nem as lojinhas tinham. Resolvemos apelar e pedir para a galera que estava no aeroporto trocar pra gente e aí nos surpreendemos com a simpatia do povo argentino: uma moça abriu a carteira dela e nos DEU todas as moedas que tinha, aí foi pra fila do McDonald’s tentar trocar uma nota por moedas, não conseguiu, nos deus 25 pesos (7,50 reais no câmbio oficial) e disse para tentarmos trocar com alguém. Foi muito amor de recepção!

Fui preparada para o frio, mas aquela madrugada me pegou de surpresa: 3 graus! Uns cochilos aqui e outros ali, às 6h da manhã fui ao ponto de ônibus, que fica a esquerda saindo do Terminal B. A linha que leva ao centro de Buenos Aires é a 8 e eu havia pesquisado na internet que ela era bem demorada, pois não pegava vias principais, já que é transporte público e precisa servir ao maior número de pessoas possível. O ônibus saiu às 6h20 da manhã num frio que me fez lembrar de Dublin… chegava Machu Picchu, mas não chegava em San Telmo, bairro onde ficaria hospedada. Depois de 2h40 de viagem (sim!), num ônibus que lotou e esvaziou algumas vezes, que argentinos gentis tentaram me ajudar explicando onde eu estava e quanto tempo ainda iria levar pra chegar onde queria, mesmo eu não entendo tudo que eles falavam, cheguei! E devo dizer que o ponto final da linha 8 ainda estava meio longe, no bairro La Boca. Mas vendo o custo-benefício de levar 2h40 (e ainda chegar no hostel pouco depois das 9h) e gastar NADA, faria tudo de novo.

Como estou tirando o atraso (há quanto tempo que não posto nada além do desafio de 52 semanas, hein?), estou falando mais que a mulher da cobra e para vocês não ficarem entediados, termino aqui. Só pra constar, eu fiquei 5 dias em Buenos Aires, vocês ainda vão ter que aguentar muitos posts pela frente… 🙂