De Porto a Gaia

A primeira parada do segundo dia foi na Torre dos Clérigos. A entrada custa apenas 3 euros – tudo em Portugal é barato – e dá acesso à torre e à igreja anexa a ela. A obra foi concluída em 1763 e na época era a construção mais alta da cidade. Tem 75m de altura e para chegar até o topo somente pelos 240 degraus das escadas em espiral. Vou confessar que cansei, viu?

240 degraus como estes!
240 degraus como estes!

A vista da cidade é bonita, mas como visitei no inverno, o vento frio que batia no rosto não era fácil de aguentar!

Porto!
Porto!

Depois de alguns minutos observando a cidade do alto, encaramos os 240 degraus de volta ao térreo (mas pra descer todo santo ajuda) e decidimos visitar a igreja anexa a torre porque já estávamos lá mesmo, né? Tinha um homem tocando órgão, então, a visita foi embalada por música.

Torre dos Clérigos
Torre dos Clérigos

Saímos andando pela cidade, passando por alguns lugares que já havíamos conhecido no dia anterior, como a Praça da Liberdade, que é lindíssima. É muito gostoso andar por Porto!

Praça da Liberdade
Praça da Liberdade

Chegamos ao Mercado do Bolhão, que foi altamente recomendado pelo guia do walking tour por seu valor histórica e tal. Chegando lá ficamos um pouco decepcionados. Por fora é uma construção bem grande, mas quando entramos, o mercado era muito feio e mal conservado. Não havia muitas barracas abertas, mas tudo em volta parecia que não recebia uma boa reforma há anos. Não achamos nada muito interessante para comprar. Eu comprei apenas duas garrafinhas pequenas de vinho do Porto, porque apesar da garrafa grande ser muito barata, eu não poderia embarcar com ela na minha mala de mão do voo da Ryanair e não estava nem um pouco a fim de pagar para despachar uma mala por causa de um vinho. Desculpem-me, amantes de vinho,

Mercado do Bolhão
Mercado do Bolhão

Não vou dizer que não recomendo a visita, mas se você estiver em Porto e passando por perto, entre, senão, também não há muito que se ver ou comer. De lá fomos a um dos lugares mais famosos da cidade para se comer bifana, um sanduíche típico da região. Nada mais é que pernil no pão saloio, mas não deixa de ser um prato local. O guia do walking tour havia recomendado este lugar e eu quis muito ir porque é realmente um lugar famoso e porque o nome do restaurante é o meu sobrenome! haha… Aliás, meu nome inteiro é extremamente português (apesar de não saber quem são os portugueses da família, pois até onde temos conhecendo, todas as gerações são nascidas aqui no Brasil mesmo) e cansei de andar em Porto e ver placas e nomes de estabelecimentos com meus sobrenomes neles – sou dona de metade de Porto, viu, gente?

Bifana
Bifana

De fato, o lugar é muito famoso, pois pegamos uma fila, digo, uma bicha para poder fazer nosso pedido. Na fila, uns portugueses simpáticos – existe português que não seja simpático?- indicou uns lanches que segundo ele, eram os melhores. Acabei ficando com o tradicional e pedi um caldo verde para acompanhar. Não preciso dizer que estava delicioso também, afinal, existe comida em Portugal que não seja deliciosa? Se sim, fico com as tais Tripas que eu não quis experimentar… haha!

Caldo verde
Caldo verde

Bem perto dali estava a parte alta da Ponde Luís I, então fomos beirando as Muralhas Fernandinas e resolvemos cruzar a ponte para ir para Gaia, a cidadezinha do lado contrário do rio e onde se concentram os vendedores de vinho, pois os impostos lá costumavam ser menores que em Porto. Neste nível, a ponte tanto é passagem de pedestres como de trens comboios. Estava uma bela tarde de sol e foi uma travessia muito gostosa, já que dava para ver Porto, Gaia e o Rio Douro. Eu tenho um certo medo de altura e me dava uma mega vertigem olhar entre os pequenos vãos da ponte, mas enfim, nada que me fizesse dar pra trás.

A ponte
A ponte

Chegando em Gaia, o T. queria visitar uma cave de vinho do Porto. Bem, eu praticamente não bebo, então viagens que incluam atrações alcoólicas não é algo que vai necessariamente me interessar. Não fui no Heineken Experience em Amsterdã, por exemplo, simplesmente porque não tive interesse, logo, não estava nem pensando em vinho quando resolvi visitar Porto. O T. estava, porém ele não pesquisou nada antes e não fazia ideia de preços, horários e os melhores lugares. É claro que eu quase dei uma voadora nele, porque onde já se viu não pesquisar nada? Que não pesquisasse muito antes, mas desse pelo menos uma olhada na noite anterior no hostel, né? Superadas nossas diferenças, acabamos entrando numa loja de um vinho que eu sinceramente não lembro o nome. Não havia nenhuma visita a nenhuma cave, mas você poderia degustar vinhos especiais enquanto a moça explicava toda a história do vinho do Porto e porque ele é tão especial. Eu não comprei vinho, então esperei o T. apreciar o dele enquanto ouvíamos toda a explicação: o vinho do Porto é feito com uvas cultivadas em condições climáticas apenas presentes naquele local, por isso seu gosto é único e reconhecido no mundo todo. A moça que explicou tudo isso tinha um sotaque tão forte e comia tantas vogais em sua fala, que eu juro que tivesse que me esforçar muito e prestar muita atenção no que ela dizia para compreender tudo. O sotaque do Porto é realmente muito forte!

Terminada a visita, voltamos a Porto, desta vez passando pela parte inferior da ponte, onde carros e pedestres dividem o espaço.

A ponte, de mais um ângulo
A ponte, de mais um ângulo

Para encerrar a visita a esta belíssima cidade, fomos ao Palácio da Bolsa que fica a umas duas quadras do hostel. Fizemos o tour guiado, que durou uns 50 minutos. Hoje em dia o palácio dá espaço a diversos eventos culturais, mas foi construído para ser a sede da Associação Comercial de Porto. O prédio é muito bonito por dentro e com certeza vale a visita.

O palácio por dentro
O palácio por dentro

Fomos para a estação Campanhã e aguardamos nosso comboio para o próximo destino.

Impressões de Porto

Porto é uma cidade bem pequenininha com pouco mais de 230 mil habitantes e não é necessário usar o trasporte público ou pegar táxi para praticamente nada dentro da área turística. Por ser uma cidade pequena, não espere grandes badalações ou estabelecimentos abertos até tarde. Até mercado foi difícil achar e eles fecham cedo.

O hostel que fiquei, Dixo’s Oporto, se enquadra naquela categoria de acomodação aconchegante. É um prédio muito charmosinho de uns 5 andares, com quartos arrumadinhos e confortáveis e uma bela decoração destacando a cultura e história local. O lado negativo é que só tem escadas e o sinal wifi só pega na recepção e no primeiro andar, onde fiquei. O  café da manhã pequeno almoço é servido no último andar, onde também fica a cozinha. A decoração é linda e o café bem servido.

Oh que gracinha!
Oh que gracinha!

A comida é sensacional! Quando for a Portugal não perca a oportunidade de experimentar tudo que te oferecem (a não ser que seja tripas… haha). Os portugueses realmente sabem o que é uma boa comida! Os doces, então, nem dá para lembrar sem salivar!

Portugal, assim como a Espanha, é um lugar relativamente barato se comparados com o restante da Europa ou até mesmo Dublin. Dá para se comer bem num restaurante razoável por 10 euros, por exemplo.

Os portuguese foram todos muito simpáticos em todos os lugares que fui, seja para pedir informação ou comprar algo. Na primeira noite, entramos numa lojinha de souvenirs para dar uma olhada e não é que o dono da loja veio puxar papo? Ficou explicando várias coisas que vendia na loja, de onde vinha tradição e tal.

Gostei muito da cidade e certamente recomendaria para qualquer pessoa que resolvesse fazer um mochilão pela Europa. Porto é só <3!

Porto <3
Porto ❤

Madri – templo egípcio, parque del retiro e zaz!

O último dia em Madri estava gelado! Em Barcelona fazia um friozinho chato logo cedo, algo em torno de 6 graus, mas lá pela hora do almoço já dava até para ficar sem casaco. Madri é mais geladinha e neste dia acordamos com -2 graus. A ideia era visitar o Templo de Debod, um templo egípcio que foi levado a Madri.

O templo
O templo

O laguinho que aparece na foto aí em cima estava congelado! Ok, não congelado tipo “vou patinar”, mas tinha uma camada de gelo por cima, ou seja, a temperatura estava negativa mesmo. Bem, mas aí você me pergunta: por que tem um templo egípcio na capital espanhola? E eu explico: porque iam jogar fora para construir uma barragem no local, lá no Egito, aí resolveram largar na mão dos espanhóis. Claro que essa é a minha versão, se quiser algo mais sério (Wikipedia é séria?), clique aqui.

O templo não é muito grande, mas é permitido visitá-lo inteiro por dentro. Ok que na parte de dentro também não tem muito a se ver, a não ser ler as explicações do uso de cada cômodo e tentar ver os desenhos nas paredes com a pouca luz que entra. Eu recomendo a visita? Se você estiver com tempo e procurando o que fazer, sim, recomendo, além do que, é de graça. Se estiver numa visita corrida, pode deixar pra próxima.

Brincando de fotógrafa
Brincando de fotógrafa

Depois da visita, tomamos nosso rumo de volta a parte mais central de Madri e por mero acaso, passamos em frente ao Palácio Real justamente na hora que havia um burburinho – não sei bem o que era, mas havia carros saindo e a guarda real estava do lado de fora. Não era exatamente uma troca da guarda, mas eles estavam marchando e tal. Sei lá, gente, apesar de ser algo bonitinho e panz, eu ainda acho tão medieval essa história de rei, rainha, palácio e troca da guarda, por mais que os monarcas estejam lá só de enfeite como em alguns casos, ainda fico mais feliz com nossa república aqui. Mas vamos parar por aqui porque esse blog é sobre viagem e intercâmbio.

Um quê de troca da guarda
Um quê de troca da guarda

Do palácio, a fome nos guiou para uma região próxima ao restaurante Botin, aquele que é reconhecido como o mais antigo do mundo, onde resolvemos que iríamos almoçar. Era meio-dia e pouco e todos os restaurante estavam fechados, apesar de haver uma movimentação que indicava que os funcionários já estavam lá. Depois de muito vagar, notamos que em Madri, os restaurante só abrem às 13h, dá para acreditar?

Almoçamos aí
Almoçamos aí

No dito restaurante acima, havia o prato do dia, que consistia na refeição completa por 10 euros. Ora ora, um bom preço, né? Bem, primeiro que o gerente, que nos atendeu, parecia estar com muita raiva no coração naquele dia, porque falava com a gente como se tivéssemos feito algo ruim pra ele. Na hora de oferecer as opções de bebida, o filho da mãe disse que tinham refresco e eu logo me manifestei “opa, é isso que quero”. Bem, não sei se já comentei aqui no blog, mas eu não bebo refrigerante porque sou muito fresca saudável, e fiquei um tanto frustrada quando minha bebida chegou e era uma Schweppes citrus, não um suco de limão como eu estava esperando. E foi assim que aprendi que refresco em espanhol não significa suco – quem mandou não assistir Chaves à exaustão, né?!

Aí fui pedir a senha do wifi (ou “uifi”, como eles pronunciam em espanhol) e o gerente simplesmente virou e disse “não sei”. Educação mandou lembranças novamente. Pouco depois, nossa refeição chegou. A entrada era uma sopa de batata com carne – ehhh, não curti. Depois era frango, mas achei que viria um filézão de frango, mas que nada! Era tipo as coxinhas do frango no osso. Por fim, a sobremesa, um pudim bem mais ou menos.

Le franguinho espanhol
Le franguinho espanhol

Sobre a educação espanhola, incluindo o gerente do restaurante, eu não sei se posso generalizar e dizer que os espanhóis são meio grossos mesmo ou se apenas cruzei com alguns grosseiros. Às vezes também, o que eu considero grosseria a partir do meu ponto de vista brasileiro, na verdade, é apenas o jeito deles e eu estou apenas sendo dramática. E claro, tem a parte que eu acho a língua espanhola bem feia e isso não soa bem aos meus ouvidos.

Depois de mais umas voltas pela região e já alimentados, meu eu-alcoólico o destino nos levou novamente ao Mercado de San Miguel para a saideira: mais uma sangría deliciosa com tapas, também conhecidas como azeitonas. Gente, se eu pudesse recomendar apenas um passeio em Madri, eu diria “vá tomar sangría no Mercado de San Míguel” – demais!

Para encerrar a visita a Madri, fomos ao Parque del Retiro, um grande parque urbano com um laguinho. O dia estava bem gostoso, com aquele friozinho de inverno ainda, mas com aquele solzinho que faz parecer que a vida vale a pena. Infelizmente, como precisávamos pegar o voo para o próximo destino àquela noite, não podemos apreciar o parque com mais calma nem andar de pedalinho no lago, que é realmente muito bonito.

Parque del Retiro
Parque del Retiro

Por fim, passamos pelas Portas de Alcalá, situadas numa das entradas do parque e voltamos ao hostel para pegarmos nossas tralhas. As Portas de Alcalá foram construídas em 1778 para serem a entrada da cidade e hoje em dia é apenas um monumento bonito no meio da rua.

Portas de Alacalá
Portas de Alcalá

E assim terminou minha visita à capital espanhola. O acesso ao aeroporto a partir do centro da cidade é muito fácil e relativamente rápido de metrô. O ticket para o aeroporto custa em torno de 5 euros e a viagem toda dura mais ou menos uns 40 minutos e záz, você está dentro do aeroporto! O Barajas é muito grande e o guichê da Ryanair é nos confins do aeroporto, como era de se esperar, mas conseguimos chegar a tempo e deu tudo certo! No Barajas também tem wifi gratuito, mas por apenas 30 minutos, então use seu tempo wisely.

No próximo post, que se tudo der certo será em breve, minhas impressões da cidade. 😉

Barcelona – tapas e história

Acordamos no meio da madrugada para ir ao aeroporto – uma horrorosa linda madrugada de frio e chuva. Eu estava com as passagens de todo mundo e esqueci a pasta em cima da mesa. A sorte é que tenho a mania de rever mentalmente se estou com tudo antes de sair de casa e nessa, lembrei que não havia pego a pasta. Ufa, né?!

O aeroporto estava muito cheio e o voo da Ryanair estava lotado – nunca tinha visto isso! Era o primeiro final de semana depois do ano novo, então o pessoal devia estar voltando pra casa ou indo viajar. E a Ryanair mudou um pouco desde a última vez que viajei pela companhia: agora, além da mala de mão, também é permitido levar uma bolsa e na hora de fazer o check-in, eles já selecionam sua poltrona – antes era quem sentava primeiro. Com estas mudanças e o voo cheio, agora quando não conseguem alocar sua mala de mão na cabine, ela é despachada sem custo, se estiver dentro dos limites de tamanho, claro. Acabaram despachando nossas malas, o que foi ruim, porque precisamos esperar elas chegarem na esteira lá em Barcelona e sujaram minha mochilinha linda. 😦

Ryanair <3
Ryanair ❤

Saímos do aeroporto e pegamos o trem até o centro de Barcelona. A estação fica do lado do aeroporto e os trens saem a cada 20-30 minutos. Compramos o ticket T-10 que custou 9,30 euros e dá direito a fazer 10 viagens, inclusive o trajeto até o aeroporto. Lá chegando, já fiquei impressionada com a beleza das ruas do centro e no nosso caminho até o hostel, já demos de cara com pontos turísticos projetador por Gaudí.

Ficamos num hostel bem cozy, o BCN Casanova. É aquele tipo de hostel pra quem quer tranquilidade, já que não é gigante. Mas eu achei bem confortável – cama ok, duchas quentes, cozinha, cofres nos quartos e staff bacana. Como acabamos chegando em Barcelona depois do horário previsto e estávamos com fome, resolvemos adiar a visita a La Boquería, almoçar e fazer o walking tour que começava às 14h. Bem, no caminho para o ponto de encontro do walking tour, passamos em frente de um restaurante que servia tapas. Eu confesso que já tinha muito ouvido falar que tapas era a comida típica da Espanha, mas não entendia muito bem o que era e este restaurante me fez parar de ser trouxa e notar o óbvio ter uma epifania.

O restaurante bonitinho!
O restaurante bonitinho!

Certa vez fui a um restaurante espanhol chamado Sancho y Tapas, lá na Augusta (eh, vocês já devem ter notado que não saio da Augusta/Paulista). A comida era deliciosa, mas as porções eram muito pequenas e carinhas. Saí do restaurante me sentindo pobre com fome e tentando entender que história era essa de pagar muito e comer pouco. Um ano e meio depois, estou num restaurante em Barcelona. Eu peço um burrito, a Bárbara pede macarrão e o Rick pede carne. Tudo vem em prato de sobremesa em porções mini. A especialidade do restaurante é tapas… AHÁ! Mistério solucionado: tapas são pequenas porções de qualquer tipo de comida!  Só que o restaurante espanhol estava mais barato que o da Augusta. Eu devo ser muito trouxa mesmo ryca para conseguir morar em São Paulo, gente.

Chegamos em cima da hora para começar o walking tour que, para variar um pouco, era do Sandemans. O guia era um britânico extremamente loiro e oh, ele era excelente! Só teve um probleminha nas 3h de tour que fizemos: eu não lembrava nem mais meu nome de tão cansada que estava, já que estava no meu 5º dia dormindo pouco e naquele dia estava acordada desde às 3h40 da manhã. Problemas do primeiro mundo. Eu entendia cada palavra que ele dizia, mas elas não faziam sentido na minha cabeça.

Bárbara, eu e Billy, o guia
Bárbara, eu e Billy, o guia

O tour basicamente passa pela parte gótica da cidade e conta um pouco da história de como Barcelona se formou (e toda aquela história de Catalúnia que eu vou deixar para outro post).

Barcino  Barcelona em latim
Barcino – Barcelona em latim

Olha, foram 3h de tour, o guia era realmente muito bom e contou muita coisa e eu adoraria contar muitas dessas coisas para vocês, mas eu confesso que tudo que meu cérebro absorveu foi que na foto aqui embaixo, na Plaça de Sant Felipe Neri, foram feitas cenas do filme Vicky Cristina Barcelona (do Woody Allen, aquele diretor que eu nem gosto e nem tenho tipo uns 30 DVDs) e que esta praça foi bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola, matando 20 crianças que se escondiam na igreja e ainda hoje há buracos nas paredes externas – uma história triste.

Plaça Sant Felipe Neri
Plaça Sant Felipe Neri

Oh wait. Também me lembro de algo que me impressionou muito. Passamos por um memorial chamado “Fossar de les Moreres”, onde em 1714 muitas pessoas foram sepultadas, mortas na Guerra da Sucessão Espanhola – eram defensores de Barcelona. No local há uma tocha que simboliza a chama eterna.

Fossar de les moreres
Fossar de les moreres

O tour terminou próximo ao Arco do Triunfo, que foi construído em 1888. Fomos lá tirar uma fotos e depois seguimos para um parque ali perto,o Parc de la Ciutadella, para ver uma linda fonte, a Fonte Cascada.

Arco do Triunfo
Arco do Triunfo
Rick e eu de photobombers na foto da fonte
Rick e eu de photobombers na foto da fonte

Em Barcelona tem um parque gigante, o Parc Montjuic. No inverno, às sextas e sábados, há um show de luzes na Fonte Mágica, das 19h às 21h. Mesmo cansados e abatidos, seguimos para ver o show da fonte, até porque, nosso primeiro dia lá foi um sábado e ou era naquela noite ou nunca. Estava muito lotado nos arredores da fonte e ficamos lá aguardando o show começar. Rick e eu vimos a beirada da ponte vazia e que dava para sentar sem encostar os pés na água e pensamos “Ué, por que não tem ninguém num lugar tão privilegiado como este? Vamos sentar e se alguém mandar sair, a gente levanta, oras.” A Bárbara é menos vida loka sem noção que a gente, e resolveu que não ia sentar.

Os "Vida loka" sentados na fonte
Os “vida loka” sentados na fonte

Aí o show começou: luz, água, AÇÃO! Pouco me impressiono com coisas que todos ficam impressionados, mas aquela música tocando, a água dançando e as luzes mudando de cor realmente me impressionaram… e a água me molhou! Nesta hora, Rick e eu percebemos porque não tinha ninguém sentado na beirada da fonte!

O show todo durou cerca de 15 minutos, com muitas cores e “coreografias”. Acredito que ele se repita até às 21h, mas logo depois que a primeira “sessão” terminou, nós pegamos o rumo do hostel por motivos óbvios: estávamos mortos de fome e queríamos parar em qualquer restaurante no caminho para comer.

Fonte Mágico sendo mágica
Fonte Mágica sendo mágica

Jantamos e no caminho de volta ao hostel, descobrimos que na Gran Via – uma das mais longas avenidas da cidade-, há uma feirinha permanente de artesanato, comida e artigos em geral. Ela ocupa o canteiro central e tem muitas, mas muuuuitas barraquinhas! E o que eu eu vejo logo de cara? Churros! Pronto, a alegria da noite estava completa! Compramos nossos churros, chegamos no hostel exaustos e daí foi banho, cama e descansar para o segundo dia em Barça – olha a intimidade.

Churros! Churros! Churros!
Churros! Churros! Churros!

Impaciência

 Depois de um tempinho na Irlanda, a gente acaba se acostumando com umas coisas e perdendo a paciência com outras…

Semana 30 – Ficava impaciente com…

1 – Flatmate folgado

Já falei várias vezes de flatmates folgados e suas peripécias por aqui. Sim, me tiravam a paciência mesmo.

2- Ryanair

Não viajei tanto assim pela companhia, mas todas as frescuras da Ryanair me deixam sem paciência. Por ser de baixo custo, qualquer coisinha é motivo para eles te cobrarem alguma taxa. Quando voltei da Alemanha, resolveram que queriam checar se minha mala estava dentro do tamanho permitido. A mala tava abarrotada e não coube no medidor deles. Já queriam me fazer pagar 60 euros para despachar a mala, que aliás, era uma mochila mesmo, quando eu resolvi tirar algumas barras de chocolate de dentro dela e sim, depois disso ela se encaixou nos padrões dele.

3- Papinho de brasileiro

“Ah, meu inglês tá ótimo, já entendo tudo.” – e eu sou o Bozo, porque eu não entendia tudo que eles falavam com aquele sotaque irlandês.
“Morar com estrangeiro é melhor pra praticar inglês.” – aí o estrangeiro não quer nem papo com você ou fala inglês pior ainda que você. Sei.
“Eu só entro nesses sites de relacionamento para poder praticar o inglês.”, “É bom sair com irlandês porque aí eu pratico.” – ir pra escola estudar ninguém quer, né?
“As aulas da escola X são péssimas.” – e teu inglês é o que? Dá pra ser títcher já, aposto.
“A gente não quer brasileiro na casa porque precisa praticar.” – uhun… e reclama quando outros brasileiros tão andando e fazendo o número 2 pra você. Legal.

4- Agilidade bancária

Ah, os bancos irlandeses! Tão modernos, tão rápidos, tão simples… só que não! Você acha que ainda está nos anos 90 quando precisa ir ao banco. A exceção é a máquina para depositar dinheiro na sua própria conta, isso eu amava! 🙂

5- Fogão

Ah, fogão elétrico! Tão prático e tão descomplicado! O problema do fogão elétrico é que ele demora uma vida pra esquentar, aí quando esquenta, pega fogo mesmo. Aí sua comida tá pronta e você, mesmo depois de 10 anos na Irlanda, ainda tem aquele costume brasileiro de ter fogão à gás: desliga e deixa a panela lá. Aí queima o arroz, o feijão, enfim, a gororoba que estava preparando. Quando a gente acha que está ficando ligeiro no fogão, sempre vem aquele cheiro de queimado para lembrar que o fogão nunca vai ser vencido por você.

Liverpool

Dia desses eu fui para Liverpool, a cidade dos Beatles – minha terceira visita à Inglaterra. A passagem ida e volta de Dublin saiu por 34 euros e se gasta mais tempo indo para o aeroporto do que dentro do avião. Na ida levamos 40 minutos e na volta, apenas 25. Quando pensamos em fechar os olhos para tirar uma soneca, a insuportável da Ryanair toca a irritante corneta para nos informar que o voo havia chegado no horário previsto (eh, a Ryanair é dessas). Ah, e foi um bate-e-volta, fomos de manhã cedo e voltamos à noite. Já pensou em fazer uma viagem de um dia de avião para outro país? Coisas de Europa.

O passeio já começa no aeroporto John Lennon onde, obviamente, tem uma estátua do próprio, além de um submarino amarelo (né?) e o slogan “Above us only sky”. Sensacional esse pessoal, hein?

O John
O John

Do aeroporto ao centro tem um ônibus expresso que leva uns 25 minutos. Compramos um ticket para utilizar o transporte público durante um dia inteiro por menos de 4 libras e o sistema é incrivelmente moderno: o ticket é tipo uma raspadinha. Você compra e raspa o dia, o mês e o ano em que utilizará aquele bilhete e aí é só aprensentar ao motorista toda vez que embarcar. Cara, Europa é sempre coisa de primeiro mundo, fiquei de cara! Bilhete Único para que, né?

We all live in a yellow submarine...
We all live in a yellow submarine…

Chegando ao centro de Liverpool, fomos direto ao Museu dos Beatles. O dia estava cinza, feio, chuvoso e frio e confesso que isso me deixou um tanto mal humorada (depois de tantos dias como este em Dublin, não é legal viajar e encontrar um tempo ainda pior!). Mas voltando ao museu, o The Beatles Story, compramos o ticket que também dava direito a visitar uma exposição do Elvis que estava acontecendo lá perto e pagamos apenas 12 libras (estudante).

Beatles
Beatles

O museu conta, detalhadamente, a história dos quatro garotos de Liverpool até formarem a banda, como tudo começou, o sucesso, as fases dos Beatles e seu fim. É muita informação, muitas coisas para ler e ainda tem o audiotour. Basicamente, pode-se passar o dia no museu.

Beatles
Beatles

No fim da exposição há um espaço dedicado a contar a vida e carreira de cada um dos quatro Beatles, uma bela homenagem a John Lennon e a parte mais legal do museu: uma sala dedicada às crianças, super interativa e tal. Eu nem queria, sabe, mas acabei brincando um pouco.

Qual é a música?
Qual é a música?

De lá seguimos para a exposição do Elvis que era bem menor que a dos Beatles. A exposição, basicamente, mostrava como o rei influenciou os Beatles- o John imitava o Elvis, por exemplo. Mostra também um pouco da única vez que os Beatles e o Elvis se encontraram e os meninos de Liverpool ficaram sem palavras. Finalmente, o ticket também dava direito a assistir uma animação de uns 10 minutos em 4D. A animação era sobre um funcionário do museu (se não me engano) que precisava encontrar a namorada no outro lado da cidade e entra num ônibus meio maluco. Tem umas musiquinhas dos Beatles e vários efeitos que nos fizeram morrer de rir. Eu só não senti a tal água nos pés, não sei se pelo fato de eles não encostarem no chão, não sei, não sei…

Pausa para o almoço e fomos para o Museu de Liverpool, que fica ali perto de tudo e tem entrada gratuita! O museu é muito grande, estava lotado, é super bacana e conta toda a história da cidade sob os mais diversos aspectos. Umas das partes mais legais é o karaokê que tem os sucessos de bandas/cantores da cidade. Eu nem canto muito (canto nada), mas arrisquei um Yellow Submarine. 🙂

Museu de Liverpool
Museu de Liverpool

Desde 2008, a cidade tem um símbolo, o Lambanana. Sinceramente, eu não entendo o que isso tem a ver com a cidade ou por que foi escolhido (um submarino amarelo faria mais sentido, por exemplo), mas até que ele é bonitinho, né?

Lambanana
Lambanana

Como não poderia faltar, o museu também tem um espaço dedicado aos Beatles, um filme de 10 minutos muito bacana e que termina com uma frase que nos trouxe muita reflexão naquele dia: “You can take a boy out of Liverpool, but you can never take Liverpool out of the boy”. Troque “Liverpool” por “Brasil” e insira a frase no contexto de um intercâmbio. Se não ficou claro, é porque você nunca morou/ não mora em Dublin. 🙂

Terminada a parte da visita dedicada aos museus, fomos atrás dos pontos turísticos relacionados aos Beatles. Mas isso eu deixo para o próximo post. 😉