Amsterdã, Holanda II

O que te vem à cabeça quando pensa em Amsterdã? Isso mesmo, o Museu da Anne Frank! 😉

Já comentei aqui no blog que a Segunda Guerra é um tema que gosto bastante. Já vi muitos filmes e documentários e li livros sobre o tema. Um dos livros que li (umas 4 vezes) foi O Diário de Anne Frank e confesso que era o que mais queria ver na bela Amsterdã.

O walking tour terminou quase em frente ao museu, mas como a fila estava grande, decidi ir ao Rijksmuseum, que é o museu de história e arte da cidade, e deixar a visita para o dia seguinte.

Rijksmuseum
Rijksmuseum

Ao lado dele, fica o museu Van Gogh e em ambos a entrada custa 15 euros. Gosto de museus, mas visitar dois em seguida me deixaria mentalmente cansada (mais alguém fica assim?) e decidi entrar apenas no Van Gogh.

Admito que não sabia muito sobre o pintor, mas enfim, na minha casa, por muito tempo, tivemos três “réplicas” de suas pinturas e já havia visto vários quadros pintados por ele. O museu conta a trajetória do pintor que até os 27 anos nunca havia pintado profissionalmente e tampouco possuía uma habilidade natural para a pintura, sendo que precisou estudar e se empenhar para suprir a “falta de dom”. Parênteses. Isso me fez pensar em duas coisas: motivação é alma do aprendizado, ou seja, a galera que vem para a Irlanda aprender inglês e culpa o excesso de brasileiros pelo não aprendizado, por exemplo, só está tentando se enganar. Segundo, nunca é tarde demais para tentar algo diferente. E isso serve para mim, que às vezes penso que já estou meio velha para isso ou tentar aquilo, e eu só (?) tenho um quarto de século de vida. Fecha parênteses. Claro, para quem não sabe, Van Gogh faleceu como um zé ninguém e vendeu apenas um quadro em vida. Tá, na verdade, ele se suicidou. Mas só levem em consideração a parte motivacional da história. Agora, chega de falar asneira.

No museu, além de várias obras expostas, há também estudos dos quadros do pintor. Algumas obra passaram por raio-x e revelaram que Van Gogh tinha o hábito de pintar em cima de outras pinturas já feitas ou mostram como as pinturas desbotaram e as cores mudaram com o tempo.

Lembro de já ter utilizado esta pintura numa aula de inglês.
Lembro de já ter utilizado esta pintura numa aula de inglês

Perto do museu fica o famoso cartão postal da cidade, aquelas disputadíssimas letras…

"Pqp, quanto robert na minha foto!"
“PQP, quanto robert na minha foto!”

Tirar foto estilo turista aí em frente é difícil. Ou você ignora as milhares de crianças pulando, os adolescentes enchendo o saco e os vovôs que ficam parados em frente porque, sei lá, deu vontade ou não tira foto. Pelo menos, no dia que fui estava assim.

Depois da foto, da visita ao museu e das 3h de walking tour eu já estava super cansada, mas Europa na primavera-quase-verão é luz solar até às 21h30, chegando até às 23h entre junho e julho, logo, eu ainda poderia aproveitar um pouco e esquecer do cansaço. Perto dos museus fica o Vondelpark e resolvi entrar e sentar um pouco, obervando as pessoas passeando, sentadas na grama, conversando, andando deb bicicleta… E fiquei uns bons minutos lá pensando na vida, naquele momento de autorreflexão nosso de cada dia.

Vondelpark
Vondelpark

Fiz meu caminho de volta para o hostel, bravamente me desviando das bicicletas e cruzando os trilhos de bondinho sem ser atingida (falarei disso tudo com mais detalhes). Descansei um pouco, mas ainda eram 19h e o sol estava me chamando para sair novamente. Desta vez, fui conhecer  famosa Red Light, mas isto fica para o próximo post.

Ahhh, Amsterdã!
Ahhh, Amsterdã!
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Amsterdã, Holanda I

Chegando em Amsterdã

Logo cedo, no segundo dia de viagem, saí do hostel e peguei um ônibus até Amsterdã. Fui pela companhia Mega Bus, que é a Ryanair do asfalto. As tarifas são baixas e, por incrível que pareça, o ônibus era novo e confortável, exceto pelo fato de as poltronas não reclinarem tanto, mas como minha viagem durou apenas 2,5h, isso não foi um problema.

Os ônibus da Mega Bus não param em terminais, mas próximos à estações de trem ou metrô. Então, peguei o trem e fui até a estação central da cidade e lá chegando, me senti mais perdida que filho de mulher da vida no dia dos pais. Eu havia anotado o caminho até o hostel e contava pegar um mapa na estação, mas para o meu espanto, mesmo no centro turístico, ele era pago. Resolvi seguir meu mapinha e fui indo muito bem até não achar a rua do hostel, mesmo sabendo que ela deveria estar em algum lugar à direita de onde estava. Parei uma moça na rua que abriu o mapa no iPhone (ai, vida moderna) e me disse que eu estava no lugar certo e deveria ser alguma vielinha por ali. Quando finalmente achei aquela vielinha com nome gigante e um portão bloqueando o caminho me perguntei se não tinha anotado o endereço errado. Não tinha. Abri o portão e achei o hostel. Aí vi aquela escadaria íngrime e estreita, percebi que o hostel inteiro era a recepção e os cinco quartos apenas e tive muita vontade de cancelar a reserva e procurar outro lugar. Porém, o marroquino da recepção foi muito simpático e me deixou usar o banheiro de um dos quartos para me arrumar (porque eu ainda estava com cara de quem acabou de acordar) e me deu o mapa da cidade circulando as principais atrações turísticas e locais para comer, além de indicar o walking tour gratuito com local e horário de partida. Como os quartos eram reformados e o staff muito prestativo, desisti de sair procurando outro hostel, até porque só iria passar uma noite por lá mesmo.

Os canais de Amsterdã
Os canais de Amsterdã

O walking tour

Fui até a Dam Square para o free walking tour. Havia muita gente e fomos divididos em grupos e acabei fazendo meu tour com uma britânica.

Eu sempre gosto de começar a conhecer uma cidade com walking tours, pois o lugar ganha um significado para mim logo de cara. O guia vai explicar peculiaridades do local, da arquitetura, costumes e mostrar os pontos principais que, talvez, andando por conta própria, passariam despercebidos por mim ou seriam completamente vazios de sentido. Não fiz em Bruxelas porque, né, como disse, fiquei apenas um dia e não daria tempo.

O tour durou 3h e passou por lugares bem conhecidos e outros nem tanto. Curiosidades:

* Há uma imensa igreja (Old Church/ Oude Kerk, em holandês) próxima a Red Light District (falarei disto mais adiante). Aí você pensa, num bom português, “Uma igreja perto de um puteiro, como assim?”, ainda mais porque a igreja surgiu quase um século antes. Bem, a ideia é simples, prática e objetiva: o bom marinheiro pecava e já podia se confessar logo em seguida. Reza a lenda que alguns já confessavam antes mesmo de praticar o pecado que era para já ter um crédito com o Todo Poderoso (ou o padre mesmo).

As árvores entraram na frente da minha foto da Old Church
As árvores entraram na frente da minha foto da Old Church

A Old Church/Oude Kerk tem mais de 800 anos e era uma igreja católica até o século 16, quando se tornou Calvinista. Até os dias de hoje, em março, fiéis vão a igreja celebrar o “Milagre de Amsterdã”, uma historinha meio nada a ver que a guia nos contou. No século 14, um homem muito doente foi à missa, comeu a hóstia e vomitou. O vômito foi jogado na fogueira (oi?), mas em vez de queimar, a hóstia flutuou e assim um milagre surgiu. A tal hóstia foi guardada na igreja, mas roubada em algum momento da história. E até hoje isto é celebrado.

* A arquitetura da cidade é bem peculiar, com seus prédios colados uns nos outros, quase todos da mesma altura.

Por que os ganchos, hein?
Por que os ganchos, hein?

Até que a guia nos chamou atenção para dois detalhes: alguns prédios são levemente inclinados para frente e todos têm um gancho no topo. Como as escadas são íngrimes e os degraus não comportam nem um pé tamanho 35 como o meu, era difícil levar até o último andar os objetos de valor, que lá deveriam ficar por segurança. O problema foi resolvido colocando os ganchos para puxar os objetos através de cordas. Mas o vento poderia desestabilizar o objeto durante a subida e fazê-lo ir de encontro a parede. Foi quando um arquiteto muito gênio pensou “Já sei, vou projetar prédios levemente inclinados para frente, pois assim a distância entre o objeto e o prédio aumenta e diminui o risco de um impacto”. Eu só não entendi porque não fez um gancho maior, que ficasse mais afastado da parede, mas quem sou eu para questionar, não é mesmo?

* O walking tour seguiu por alguns lugares menos relevantes, a guia contou muitas histórias locais e passamos pelo Palácio Real também, mas obviamente a família real não reside lá.

Palácio Real
Palácio Real

O tour terminou lá pelas 14h e eu ainda tinha muito o que ver e fazer, mas vou deixar para contar mais no próximo post.

Amsterdã, sua linda!
Amsterdã, sua linda!