Buenos Aires – impressões

Já contei toda a aventura dos 5 dias de viagem e no último post quero contar um pouco das minhas impressões. Quando viajo, costumo ficar, no máximo, 3 ou 4 dias em um lugar, então ter passado 5 por lá certamente me fez sentir a cidade um pouco melhor. Claro que ainda escrevo do ponto de vista de uma turista que não tem noção do que é morar em Buenos Aires. Mas para quem tem muitas dúvidas, uma simples busca no Google te leva a inúmeros sites de brasileiros que moram/já moraram por lá e ajudam com questões do dia-a-dia. 😉

Hostel

Eu já fiquei em alguns hostels por aí, então já estou bem acostumada com este tipo de hospedagem. Acho importante relativizar tudo, já que quando você prioriza preço acaba abrindo mão de conforto e não tem como esperar muito de um hostel se você pagou pouco. As 4 noites me custaram 80 reais, o que foi muito barato, mas isso, em partes, tem a ver com a desvalorização do peso e com o câmbio paralelo que consegui. A localização do Art Factory é ótima: perto da Plaza de Mayo, San Telmo, 9 de julho… dá para ir a pé até a maioria das atrações e, na verdade, se você tiver pique para andar, o único lugar que realmente vai precisar ir de ônibus é La Boca.
Eu havia reservado um quarto com 8 camas, mas devido a problemas técnicos deles, fiquei num de 4 camas sem pagar nada a mais. O único inconveniente é que o quarto ficava do lado do bar e a lei do silêncio não valia lá – só não foi pior porque eu já sou uma viajante experiente (cof cof cof) e levei protetor auricular, então dormi a noite toda sem me incomodar com isso e com os roncos dos companheiros de quarto.
O staff foi bem amigável e ajudou com todas as dúvidas que tive, especialmente um rapaz que costuma ficar lá de manhã (não perguntei o nome dele – duh!).
De modo geral, achei o local bem limpo e organizado, havia banheiros suficientes para todos (e o hostel é gigante) com água bem quentinha, as camas e cobertores estavam limpos e eram bem confortáveis. O sinal de wifi funciona em todo o prédio e eles ainda disponibilizam 3 computadores para hóspedes.
O café-da-manhã não é o melhor, mas é completo com pão, leite, café, cereal etc etc etc, e num dos dias tinha até doce de leite.
O que achei realmente ruim foi a cozinha. O hostel é enorme e a cozinha é minúscula! Além de não ter panelas e pratos suficiente para todos, não tinha nem pano de prato decente. Eu jantei 3 noites no hostel e teve noite que precisei esperar que usassem  a panela para eu cozinhar ou tive que usar peça de roupa para secar os pratos, porque o “pano de prato” deles estava nojentíssimo.

Área comum do hostel
Área comum do hostel

Bebedouros

Depois que você tem 3 crises de cólica renal (com direito a uma internação), você nota o quão importante a água é. Passei a beber bastante água (aliás, tenho um app no celular para me ajudar a sempre beber a quantia necessária todo dia!) e eu senti muita falta de bebedouros na Argentina – tipo, não tem! Só tinha UM no aeroporto, não tinha nenhum no hostel nem nos museus nem na Casa Rosada nem em lugar nenhum que você costuma achar por aqui! Achei esquisito! E tive que comprar muitas garrafas de água.

Wi-fi

Bebedouros não achei, mas sinal wi-fi… em todo lugar tinha! Eu basicamente tenho as senhas de metade dos estabelecimentos da cidade, sem contar os lugares que ofereciam livremente, como os pontos de ônibus da av. 9 de julho. No aeroporto também tinha wi-fi gratuito e ilimitado, o que foi ótimo pra quem passou uma madrugada lá sem conseguir dormir direito.

Transporte público

Eu achei o sistema de ônibus lá um pouco confuso, não é muito fácil saber que ônibus pegar, além de eles não terem um padrão como em São Paulo – parece que há várias companhias e cada uma decora seu veículo como quiser. Nas áreas mais centrais e turísticas da cidade, tudo funciona muito bem – na av. 9 de julho inteira tem corredor de ônibus, com pontos bem sinalizados, limpos e bonitos. Saindo só  um pouco daí… affff… cadê ponto de ônibus? É adesivo no poste! Já falei como funciona o sistema de tarifação lá e do bilhete SUBE nos posts anteriores. Além disso, no caminho eterno entre o EZEIZA e San Telmo, o ônibus que peguei passou por áreas periféricas da cidade e em alguns instantes ficou bem lotado. Eu não usei o transporte público em horário de pico e circulei basicamente nas áreas turísticas, então não tenho como avaliar a qualidade do serviço. Não precisei usar o metrô, mas o que notei olhando o mapa é que se você estiver na área central, tem uma estação em cada esquina, mas saindo um pouco de lá, a oferta de estações vai diminuindo bastante. Não tem estação de metrô no bairro La Boca, por exemplo.

Corredor da 9 de julho
Corredor da 9 de julho

Motoristas

Aí você mora em São Paulo e acha o trânsito caótico e os motoristas nervosos… até você ir a Buenos Aires! Eu nunca vi motoristas tão ruins e mal educados como lá! A faixa de pedestre é meramente ilustrativa, já que eles param SIM em cima dela. O farol está verde para o pedestre? Mesmo assim olhe antes de atravessar, porque eles não respeitam isso também! O engraçado é que as avenidas principais são muito largas, tipo 6, 7 faixas, e ainda assim, eles fazem barbeiragem! Fiquei impressionada mesmo com o comportamento dos argentinos ao volante.

O argentino

Mas ao contrário do que as pessoas costumam dizer, achei o povo argentino muito amigável e educado! Claro que Buenos Aires é uma cidade turística e claro que eles estão muito acostumados com brasileiros, então seria até estranho se não fossem receptivos. No aeroporto teve a argentina que nos deu dinheiro para tentarmos trocar por moedas (isso porque deixamos bem claro pra ela que nosso problema não era não ter dinheiro, mas não ter pesos), todas as pessoas dentro da eterna linha 8 que nos levou até o centro de Buenos Aires e que nos ajudaram falando onde estávamos, puxando papo e dizendo onde deveríamos desces, a moça da loja que eu comprei o casaco para minha mãe que o provou para ver se serviria (ela era cliente) e enfim, todos as atrações turísticas e lojas… todos foram realmente muito simpáticos!

A comida e os doces

Quando viajo, costumo provar algo local e o resto da minha alimentação ou é feita em fast food ou compro no mercado para jantar no hostel – eh, gente, não é tudo glamour! A exceção foi a Polônia, onde era tudo muito barato, e só comi em restaurantes bacanas e agora, a Argentina, onde achei tudo relativamente barato. Já falei nos outros posts sobre o chorizo – carne muito macia e deliciosa. Mas e os doces? Falou em Argentina e pensou em alfajor! Realmente, tem de todo tipo, marca e preço. Eu provei de 3 marcas: Havanna, Recoleta e Abuela Goye. O Havanna tem por aqui, a diferença é que lá é mais barato. O Recoleta achei tão bom quanto o Havanna, mas o Abuela Goye é divino!

Abuela Goye
Abuela Goye

Esse alfajor é delicioso, faz o Havanna parecer guarda-chuvinha de padaria! Me arrependo de não ter comprado uma caixa deles – comprei do Havanna, né.  A loja da Abuela Goye fica na Calle Florida. Mas não é só de alfajor que vive o argentino, mas também de dulce de leche! Não provei vários, só o que tinha no hostel e o Havanna – aliás, comprei um pote de 800g e trouxe para o Brasil. O doce não tem nada de super especial, mas é menos doce e mais leve, ou seja, você come bastante e não fica enjoado.

Yummy!
Yummy!

A cidade

Buenos Aires tem a fama de ser a Paris latina. Menos, gente, menos. Eu achei a cidade muito parecida com São Paulo em alguns pontos, outros mais bonita e em outros, mais feia. Claro que eu não fui a parte não turística da cidade, o que deixa mais difícil ainda de avaliar, mas no geral, eu diria que é uma São Paulo de ruas largas que fala espanhol e não me causou nenhuma super impressão como Berlin ou Amsterdã.

Bright Obelisco, dark me!
Bright Obelisco, dark me!

Porque não fui ao zoológico Luján

Quem nunca viu fotos de pessoas alegres com leões e tigres? Quem não conhece alguém que conhece alguém que já foi a Buenos Aires e visitou este zoológico? Eu fiquei 5 dias por lá, poderia ter feito o passeio, mas decidi não fazer. Primeiro porque não vejo onde isso é diversão: vários animais selvagens (e indomesticáveis) sendo incomodados diariamente por ser humanos egoístas que querem uma foto para impressionar os amigos. Desde o começo não me agradou a ideia de ir ao zoológico, mas não estava viajando sozinha e ia acabar cedendo… até que encontrei vídeos no Youtube que claramente mostravam animais dopados, andando em zigue-zague e completamente lesados! Durante todo o dia os animais são alimentados com um leite… quem já viu leão adulto bebendo leite? O que será que tem neste leite? Com isto e alguns links que achei na internet, convenci todos os envolvidos na viagem que não era um passeio legal.
O zoológico argumenta que leões e tigres são criados desde pequenos com cachorros e acostumados com o contato humano por causa dos tratadores, mas honestamente, precisa ser muito inocente para acreditar nesta história. E que fosse verdade, você gostaria de ser incomodado o dia todo com gente tirando foto com você?

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Buenos Aires – Recoleta e Casa Rosada

Após a pausa para o almoço, fomos ao cemitério da Recoleta e devo confessar: foi a minha primeira vez em um cemitério.

Descansem em paz
Descansem em paz

Já entrei procurando no mapa onde estava a Evita Perón, mas não havia nada escrito. Isso porque ela está no túmulo da família Duarte, seu nome de solteira- mas isso eu só descobri depois. Como entrei no cemitério sem saber onde estava seu túmulo, comecei a andar apenas observando a grandeza e ~ostentação~ de alguns jazigos e o abandono de outros.

Não muito modesto, ahn?
Não muito modesto, ahn?

No cemitério estão enterradas várias personalidades argentinas, a maioria ligada à política, como o Wikipédia esclarece.

General Lavalle
General Lavalle

Depois de ver muitos jazigos, perguntamos a um funcionário onde estava o de Evita. Para nossa surpresa, não havia ninguém por perto… até acharmos! Aí sabe como é, um turista com câmera chama outro que chama outro…

Túmulo de Evita
Túmulo de Evita

Ao fim da visita, o cansaço já tomava conta e embora ainda houvesse o que se ver na região da Recoleta, fomos para o hostel. Claro que como era o primeiro dia, não tínhamos muita noção da distância (tudo bem que eu havia checado no GoogleMaps que o hostel estava a 4km de lá), então fomos a pé  e neste dia andamos fácil uns 10km, pelo menos. Claro que tinha o fato de que o Brasil jogaria às 17h, o que era irrelevante pra mim, mas não era para todos e foi meio que um fator mais decisivo para voltarmos ao hostel do que o cansaço. Não preciso dizer que eu dormi feito pedra a noite toda, né?

No dia seguinte, levantamos cedo e já recuperados da aventura dormir no aeroporto-pegar ônibus que cruza o mundo antes de chegar em San Telmo- fazer walking tour- andar 4km de volta ao hostel. Tomamos café-da-manhã bem reforçado (eu, pelo menos, comi como se fosse minha última refeição!) e fomos visitar a Casa Rosada, que fica na Plaza de Mayo (que no sotaque argentino é pronunciado como “macho”- achei engraçado).

Bem, a Casa Rosada funciona de segunda a sexta para seus devidos fins, portanto, só é aberta a visitação aos finais de semana e feriados. O sábado estava bem feio e chuvoso, então fazer um passeio indoors foi muito bom.

Casa Rosada contra a luz
Casa Rosada contra a luz – foto tirada 2 dias depois do tour

Eles também oferecem um tour guiado gratuito que dura aproximadamente uma hora e é a única forma de entrar no prédio, na  verdade. Do contrário, só é possível visitar o saguão de entrada com várias pinturas de “heróis” de vários países da América do Sul, inclusive do Tiradentes.

É permitido fotografar dentro do prédio, menos na sala da presidente (que, aliás, tinha um cheirinho ótimo). O tour era em espanhol e apesar de a guia falar devagar, eu confesso que muita coisa acabou passando sem eu entender muito bem o que ela estava falando. Acontece, né, gente?

Fotografando o Saguão de entrada
Fotografando o Saguão de entrada

A guia conta as histórias ou peculiaridades de cada cômodo visitado, além de outras curiosidades sobre o prédio, como o motivo de a casa ser rosada! Eu já havia lido algumas teorias na internet, como por exemplo, ser rosa porque é a cor que resulta da mistura do vermelho com o branco, cores de partidos, por assim dizer… achei que descobria a verdade no tour, mas o fato é que nem eles sabem ao certo porque escolheram essa cor e a guia disse que a melhor justificativa mesmo era pra ser diferente das outras casas de governo de outros países. Então tá. Neste link tem algumas curiosidades sobre a pintura da Casa Rosada.

Jardim interno da Casa Rosada
Jardim interno da Casa Rosada

Quando o tour terminou, a chuva estava ainda pior e o dia completamente miserable! Para piorar, a Argentina iria jogar às 13h e eles são tão loucos por futebol como os brasileiros aqui: tudo fecharia durante o jogo. Sem opções de lugares para visitar e com uma chuva e céu cinza que não me deixariam sair andando para simplesmente olhar a cidade tranquilamente durante o jogo, acabei indo para o hostel. Enquanto a bola rolava, eu pesquisava na internet o que ainda poderia fazer naquele sábado chuvoso dos portenhos.

Buenos Aires – pesos y chorizo

Depois da viagem de 2h40 até San Telmo, finalmente estava no hostel. Fiquei hospedada no Art Factory, mais porque a Bárbara havia ficado lá quando esteve em Buenos Aires e deu boas recomendações. Deixo para dar minha opinião sobre o hostel em outro post.

Fiz check-in e fiquei aguardando o Duda que viria me encontrar para trocar pesos. Quando comecei a pesquisar sobre a viagem, já havia ficado muito feliz que a cotação oficial era de 1 real = 3 pesos, porém, pesquisando bastante na internet descobri que o câmbio paralelo é muito forte. Os argentinos não podem trocar moeda livremente como a gente por essas bandas, então, inevitavelmente, o câmbio negro ganhou força. Mas voltando a minha troca de pesos, eu havia feito as contas e economizaria muito trocando os pesos antes de pagar o hostel, por isso marquei com o Duda logo que chegasse. Gostei muito do serviço e recomendo: ele te encontra onde você está e todas as notas que ele te passa (de 50 e 100 pesos) são marcadas para garantir que não são falsas. No dia que chegamos, o câmbio deles estava em 4,50. Agora, faz as contas: a reserva pendente do hostel era de 300 pesos. Na cotação oficial do dia que cheguei (3,30), eu pagaria 90 reais pela minha estadia; trocando os pesos no paralelo (4,50), paguei 67 reais. Se for a Buenos Aires, NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA troque pesos no Banco de la Nácion ou pior, leve pesos daqui. Enquanto houver o câmbio paralelo, sempre será mais vantajoso trocar assim.

Pesos trocados, check-in feito, deixamos as malas no hostel e fomos começar a turistar na cidade. Não vou dizer que foi fácil, porque dormir em cadeiras geladas de aeroporto nunca vai te deixar bem no dia seguinte, mas fomos fazer o Walking Tour- quem lê o blog sabe que sempre gosto de começar a visita assim. Escolhemos este aqui e fomos ao ponto de encontro. Os tours são sempre gratuitos, mas os guias esperam uma gorjeta no fim e é sempre de bom tom dar (por favor, né?). O guia falava inglês com sotaque meio britânico mas ao mesmo tempo tinha um quê texano e no começo tive que me concentrar muito para entendê-lo!

No tour aprendi que os argentinos têm mania de grandeza e há construções bem estilo prédio ostentação por toda cidade. Mas não vou tirar o mérito deles, é tudo realmente muito bonito e todos os prédios do governo e embaixadas são realmente lindos!

Palácio da Suprema Justiça
Palácio da Suprema Justiça
Prédio da Embaixada Brasileira
Prédio da Embaixada Brasileira

O tour terminou, 3h depois, em frente ao cemitério da Recoleta. Bem, imagine que mal tomamos café, já era 13h30 e havíamos caminhados muitos kilômetros. Resolvemos que para a felicidade de todos iríamos comer e iríamos comer BEM.

Um povo aí num walking tour aí
Um povo aí num walking tour aí

Próximo ao cemitério da Recoleta tem alguns restaurantes que de fachada, parecem ser caros, mas misteriosamente são bem acessíveis. Fomos atraídos por um que oferecia entrada + prato principal + sobremesa por 72 pesos (16 reais)… como eu sempre desconfio de tudo, perguntei o que não estava incluso no preço e me falaram que apenas o cubierto de 17 pesos e gorjeta. Vou te falar que até agora não entendi o que é esse tal de cubierto que todo o restaurante cobra- é como uma taxa fixa além do valor de consumação, mas eles também esperam uma gorjeta, então, não saquei! De qualquer forma, pedi uma entrada que era um arroz com maionese (bom), depois o famoso chorizo com salada e por fim, um flan de sobremesa e com a gorjeta e tudo, saiu por 100 pesos (22 reais). Se você pensar que com 22 reais aqui no Brasil você vai ao Spoletto ou pega um combo grande em algum fast food, pagar isso pra comer comida boa num restaurante bacana é um preço ótimo!

Juro que esse chorizo era muito grande!
Juro que esse chorizo era muito grande!

Eu (ainda) não me tornei vegetariana, mas tenho comido pouquíssima carne ultimamente e carne vermelha, então, uma vez por semana obrigada pela minha mãe (oi, eu tenho quase 27 anos), mas não poderia deixar de experimentar a famosa carne argentina. Aliás, esse almoço me deixou satisfeita por horas e só comi à noite mesmo porque não poderia ficar o resto do dia sem comer.

O primeiro dia ainda não acabou, mas já escrevi demais. Desculpem, sou prolixa e é muita informação!