Renovando o visto

Há um ano eu recebia a notícia que havia passado no mestrado em Educação e Globalização da Universidade de Oulu e caindo no clichê de “nossa, como esse ano voou”, lá fui eu renovar o visto para o meu segundo ano, pois apesar de o curso ser de 2 anos, a Finlândia só emite visto de 1 ano.

As coisas por aqui nunca são muito claras, parece que eles querem que você corra atrás mesmo ou junte os pedaços de um quebra-cabeça. Eu já notei que as instruções nunca são 100% claras nem nas aulas, mas isso é outro assunto. E chegando perto de renovar meu visto, eu não achava informação em lugar nenhum na universidade de como proceder. Sim, eu sou adulta e posso fazer isso sozinha (como, aliás, fiz), mas sendo que é um curso voltado para alunos internacionais, poderiam ter dado orientações básicas sobre isso, acho eu. Nos sites oficiais também não é fácil achar instruções claras e objetivas de como proceder, então eu fui juntando o que achei na internet e o que as pessoas me diziam e este post é para dar o passo-a-passo.

A primeira coisa é agendar um horário na delegacia de polícia local e para fazer o agendamento, não é necessário ter começado o processo de solicitação de visto. Eles alegam que o prazo para processar o pedido de renovação de visto de estudante é de 3 a 4 meses, o que muito me surpreendeu, pois o prazo do primeiro visto é de 30 dias, sendo que o meu foi aprovado 9 dias depois que compareci a embaixada finlandesa em Brasília. Por este motivo, é bom também tentar agendar a visita na polícia pelo menos 3 meses antes do vencimento do visto – eu fui com exatos 4 meses de antecedência.

Há duas opções de solicitação de visto: online ou sendo old school e fazendo tudo no papel. Caso faça online, o formulário só poderá ser preenchido a partir de 30 dias antes do dia marcado na polícia, mas já tendo em mãos todos os documentos solicitados, pois é necessário escaneá-los e anexá-los no site. Os documentos são:
– cópia do passaporte
– comprovante de seguro saúde (este ano optei pela Swisscare, que é mais barata que a recomendada pela universidade)
– certificado de frequência emitido pela universidade
– histórico escolar dos cursos cursados até o momento
– extrato bancário comprovando 6720 euros
Quando a solicitação é feita online, o pagamento também deverá ser feito antes de enviar o pedido. Um inconveniente muito grande é que eles só aceitam transferência bancária e aqui na Finlândia para se ter internet banking é necessário ter o Finnish ID, que custa 54 euros e eu não fiz porque não sou obrigada. Se optar pelo formulário impresso, o pagamento é feito no local e o valor é o mesmo: 119 euros.

Quando comparecer a polícia, independente de ter optado pelo formulário de papel ou solicitação online, é preciso levar todos os documentos listados para conferência, o passaporte, o visto atual e uma foto recente.

Bia na polícia

Cheguei lá com mais de 20 minutos de antecedência e no balcão de informações me disseram para eu aguardar perto dos últimos guichês. Quando a pessoa que estava sendo atendida saiu, eu fui no guichê dizer que estava lá para renovação de visto.

– Oi, eu tenho horário marcado para renovar meu visto às 15h.
A mulher do guichê olha para o relógio. Eram 14h53.
– Eu sei. Aguarde.

Então tá, né. Quando deu 15h, ela chamou meu sobrenome (não sei porque, mas em todo lugar as pessoas não te chamam pelo primeiro nome). Entreguei passaporte e visto, ela escaneou e foi pedindo os documentos originais para checagem um a um. Quando chegou a vez de mostrar o extrato bancário eu já estava um pouco apreensiva, pois estava apresentando um extrato do meu banco do Brasil, que minha mãe me enviou pelo correio, pois foi assinado e carimbado pelo gerente, e eu não tinha muita certeza se iriam aceitar ou não.

Ela olhou o extrato e me perguntou o que era aquilo. Expliquei. Ela ficou resmungando que não estava em inglês e ela não entendia. Viu o número na conta e perguntou se aquele valor era em euros. Expliquei que era minha moeda local e bastava checar a cotação do dia. Ela me perguntou quanto aquilo valia, aí no meu celular eu abri um destes sites que convertem moedas e mostrei que naquele dia 1 real valia 25 centavos de euro. Ela pediu para eu fazer a conta e no próprio site mesmo, eu coloquei o valor para conversão e mostrei a tela do celular. Ela não questionou a veracidade da informação e anotou o correspondente em euros. Perguntou se eu tinha conta bancária na Finlândia, pois normalmente eles só aceitam extratos finlandeses (isto não estava escrito em lugar nenhum nos sites da imigração ou da polícia). Eu disse que sim, mas que meu dinheiro estava no Brasil (heeeello). Ela fez umas caretas, mas como o saldo era mais que suficiente para os próximos 12 meses, ela resolveu aceitar, mas não sem antes me fazer explicar cada detalhe do extrato. Justo.

Finalmente, ela me pediu a foto. O tamanho padrão de foto na Finlândia é 3,6×4,7 e por conta destes milímetros a mais de diferença alguns conhecidos brasileiros já tiveram suas fotos negadas e precisaram desembolsar o equivalente a 65 reais para tirar fotos aqui. Eu resolvi tentar a sorte, porque eu sou brasileira e não desisto nunca. Dei minha foto, ela fez outra careta e disse que era muito pequena. Eu com minha maior cara de tonta respondi que aquele tamanho foi aceito pela Embaixada da Finlândia no Brasil e se o sistema era o mesmo, logo… Ela ficou resmungando e disse que tentaria escanear para ver se o sistema aceitaria. É óbvio que aceitou.

Entendeu? Visto de estudante com permissão para trabalhar... tá tudo escrito aqui!
Se aceitaram a foto para emitir o primeiro visto, por que não aceitariam para o segundo, não é mesmo?

Em 20 minutos o processo todo terminou, ela me deu um comprovante em finlandês (que eu preciso apresentar quando retirar o visto novo) e disse que eu deveria voltar lá para apresentar meu comprovante de matrícula para o próximo semestre assim que possível e aguardar de 3 a 4 meses pelo novo visto.

Pois é, o mestrado passou de sonho a realidade e agora já estamos halfway there.

CSI Dublin

Quem acompanha sempre o blog deve ter percebido que sumi, já que o último post já tem quase uma semana. É que fica um pouco difícil para uma blogueira escrever sem seu laptop… que foi roubado!

O caso

– Alô!
– Bia, você não acredita! Entraram em casa e levaram tudo!
– Mentira!

Na última segunda-feira a casa onde moro foi arrombada e levaram todos os laptops. Sim, isso mesmo, invadiram minha casa e roubaram meu laptop!

Estava voltando do trabalho quando um dos flatmates me ligou. Eu não consegui acreditar, só pensei nas fotos e nos arquivos que tinha no laptop. Liguei para a B., a mãe das crianças, perguntando o que poderia fazer. Ela me orientou a ligar para o 999, o número de emergência da Irlanda.

Nenhum dos moradores estava em casa e durante o dia, alguém arrombou a porta (aqui não existe a cultura do portão, logo, a porta dá direto para a rua) e roubou apenas nossos laptops. Não levaram câmeras, não reviraram a casa à procura de dinheiro ou outros objetos de valor. Só queriam nossos preciosos laptops.

A GARDA

Liguei para o 999, que me redirecionou para GARDA, a polícia irlandesa, e 30 minutos depois dois policiais vieram em casa. Olharam a “cena do crime”, vulgo “quartos”, pediram algumas informações e detalhes dos laptops furtados. Eu não sabia se ria ou chorava quando um dos policiais me disse que eu deveria ligar dando todos os dados do laptop para eles colocarem no sistema, pois caso o achasse, me ligariam para devolver. Tipo, há a possibilidade de ele ser achado? 😦

Os detetives

Logo depois, os detetives da GARDA vieram procurar indícios do fdp desgraçado indivíduo que invadiu a casa. Nesta hora eu me senti num episódio de CSI. Dois homens com maletas procurando digitais pela casa. Mas não deu em nada: o cretino indivíduo usou luvas e não deixou rastros.

A ficha caiu

Eu fiquei muito chateada. Meu desânimo foi tanto que pensei em voltar para o Brasil já. Nunca me aconteceu isso por lá e eu não vim para a Europa para ser furtada. Era só isso que eu pensava. Dormi muito mal naquela noite, ficava imaginando um bastardo indivíduo entrando no meu quarto e pegando meu laptop de cima da cama. No dia seguinte, a esperança de chegar em casa e ver meu velho Dell em cima da cama ainda vivia, mas ele não estava lá. Anos de downloads de música, fotos, arquivos e trabalhos freelancers que eu faço se foram. E assim como o passaporte, não me deixaram bilhete de despedida também.

O apoio

A família para qual trabalho é realmente maravilhosa, e no mesmo dia me ligaram à noite para saber como eu estava e se eu queria que eles me buscassem para dormir na casa deles. Claro que não aceitei, mas fiquei feliz com a atitude. Eles deixaram o laptop deles para eu usar e me emprestaram o iPad para não ficar sem net em casa. Pessoas lindas: sim ou claro?

Além disso, após fazer muito drama no Facebook, um amigo se comoveu comigo e me doou um tablet que ele não usava mais. Não substitui um laptop, mas quebra um galho e a atitude dispensa comentários.

Quem entrou em casa fez tudo muito rápido, tanto é que um dos laptops não foi roubado simplesmente porque não estava visível (estava do lado da cama, do lado contrário da porta). O meu e os outros estavam em cima da cama, visíveis. O corno desgraçado indivíduo não se deu ao trabalho de procurar nada, levou o que viu. Com certeza vai trocar por drogas…

Na mesma semana, o e-Dublin publicou uma matéria sobre furtos na cidade. Eh, esqueçam esta história de que na Europa é tudo maravilhoso. Eu nunca tive essa ilusão, mas não esperava ter conhecimento de causa para falar a respeito!

Rindo da própria desgraça

Para descontrair um pouco, um amigo me enviou esta matéria sobre um laptop roubado em Londres que começou a mandar fotos de seus novos donos no Irã! Infelizmente, eu não tinha nenhum programa espião ou algo do tipo no meu laptop e jamais saberei de seu paradeiro, mas por um momento pensei que o danadinho pode começar a viajar mais do que eu!