Cardiff, País de Gales

E finalmente “zerei” o Reino Unido, conhecendo o 4º país que faz parte dele! Não que fosse exatamente um plano conhecer o País de Gales, mas como o Rick mora lá e eu já estava por aquelas bandas mesmo, por que não?

Pegamos o trem cedinho em Liverpool (que não foi exatamente barato, diga-se de passagem ~ 28 euros!) e menos de 4h depois chegamos em Cardiff, a capital do grande País de Gales e seus 3 milhões de habitantes, onde o Rick nos esperava na estação central. Fomos para casa dele descansar um pouco enquanto ele trabalhava.

No primeiro dia, só visitamos o National Museum, um museu que é um pouco de história natural e exposição de arte. A entrada é gratuita, mas havia uma exposição temporária sobre arqueologia que achamos interessante e resolvemos conferir. Custou 5 libras com desconto de estudante e, de fato, valeu a pena.

Andamos um pouco pelo centro da cidade e suas galerias e à noite fomos ao cinema, porque olha só, custava apenas 3 libras! Já contei que o cinema aqui em Oulu pode custar 14 euros num final de semana e não tem desconto para estudante? Pois é! Primeira vez que fui ao cinema desde que saí do Brasil para morar na Finlândia.

Centro de Cardiff
Centro de Cardiff

No dia seguinte, deixamos o Rick trabalhar em paz de manhã e fomos visitar o Castelo de Cardiff. O ticket custou 10,50 libras para a visita básica, mas havia a opção de desembolsar umas libras a mais para conhecer uma torre extra do castelo, mas achamos dispensável. O ticket dá direito a um áudio-guia em várias línguas, inclusive em português, mas o europeu.

Há indícios que onde fica o castelo já existiu um forte romano ou, talvez, dois, mas o castelo foi construído há cerca de mil anos. Muitas batalhas e destruição depois, o castelo foi reconstruído no início do século 15 e apenas no século 18 virou propriedade da família Bute, a última a ser dona do castelo. Já com a família Bute, o castelo foi ampliado e reformado, ganhando um edifício no estilo vitoriano. Finalmente, em 1947 a família resolveu vender (por uma simbólica libra) o castelo para a cidade de Cardiff, que hoje é aberto ao público.

O edifício em estilo vitoriano
O edifício em estilo vitoriano

A visita começa com um vídeo (bem tosco, por sinal) contando a história do castelo. Em seguida, passamos por metros e metros de corredores escuros com várias propagandas da Segunda Guerra que circulavam na época para alertar as pessoas sobre o perigo de “fofocar” por aí (você nunca sabe quem está ouvindo e o que vai fazer com a informação), de se proteger se houvesse ataque, de economizar comida etc. É que o castelo serviu também como abrigo para população nesta época.

Corredores
Corredores

De lá saímos já nos jardins e pudemos seguir para o castelo que não é exatamente castelo de filme. O local se resume as paredes e alguns pequenos cômodos. As escadas para chegar ao topo são bem íngremes, mas a vista é bonita de lá.

Dentro do castelo
Dentro do castelo

De lá visitamos o edifício vitoriano que, no fim das contas, acaba sendo até mais interessante que o próprio castelo. No geral, o castelo é uma visita bacana e ficamos mais de 2h lá dentro, sem contar que esta é a principal atração da cidade.

Ao lado do castelo fica o Bute Park e o muro dos animais.

Há!
Há!

O muro dos animais é projeto do mesmo arquiteto que fez a o edifício vitoriano e é um pouco assustador. São 15 animais diferentes ao longo do muro e todos eles têm esse olho meio de bolinha de gude, como vocês podem ver na foto. No projeto original, havia 10 animais e todos eram pintados para dar um ar ainda mais real… agora imaginem o susto de estar passando por lá à noite e ver estes animais? Os 5 animais restantes foram adicionados depois.

Buuuuu!
Buuuuu!

Fomos ao Bute Park dar uma passeada só. O dia estava bem ensolarado quando entramos no castelo, mas as nuvens cobriam tudo quando saímos e então, não estava assim tão bonito e agradável para ficar muito no local. Mas o parque é muito bonito.

Eu adoro fotos de flores, me deixem.
Eu adoro fotos de flores, me deixem.

Encontramos o Rick e fomos passear na Cardiff Bay para encerrar o dia.

Cardiff Bay
Cardiff Bay

Na região fica uma padaria portuguesa que vendia, vejam só, coxinha! Lá fomos os 3 nos deliciar numa coxinha brasileira vendida numa padaria portuguesa no País de Gales. Se isso não é globalização, eu não sei que o que seria!

À noite, para nos despedirmos de Cardiff fomos a um pub, o The Prince of Wales. O local é muito legal e tem uma decoração sensacional, além de não ser caro. Vale uma visita para tomar uma pint.

A foto ficou péssima, mas dá para ter uma ideia.
A foto ficou péssima, mas dá para ter uma ideia.

E no dia seguinte partimos para Londres e tomamos nossos rumos. Eu voltei para Helsinki de Norwegian Airlines, aquela low cost norueguesa que dá um banho na Ryanair! Uma noite no aeroporto e 7h de trem depois, voltei aqui pra minha pacata Oulu. 🙂

Impressões e curiosidades

  • Cardiff é uma cidade tranquila e muito bonita. Não é muito grande, mas ainda é maior que Oulu, com seus quase 350 mil habitantes. Dois dias por lá é mais do que suficiente para ver todas as atrações com calma, mas se só tiver um dia para visitá-la, dá para ver muita coisa também.
  • Cardiff é uma cidade desde o começo do século 20 e a capital do país desde 1955.
  • No país, a língua oficial é o galês e, aparentemente, todo mundo pelo menos entende a língua e mais para o interior, em alguns lugares, ela é de fato falada como primeira língua. Em todos os lugares sempre havia tudo escrito em inglês e galês.Foto caçada no Google. Nhom nhom...
  • Um doce típico da região é o welsh cookie. É como uma massa, mas é frita numa chapa. É bem docinho e tem alguns sabores diferentes.
  • Se curtiu e que saber mais da cidade, o Rick mora lá e fala bastante de Cardiff no blog.
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Trindade no mestrado

Certo dia estava lendo um comentário no blog e li o termo “trindade” e, na hora, não entendi muito bem o que isso queria dizer. Mandei um print para a Bárbara e o Rick – sim, nós somos esse tipo de amigos – para perguntar o que eles tinham entendido. Só então compreendi que algumas pessoas acompanham nossos blogs e assim fomos apelidados. Não sabia que era tão óbvio que éramos amigos além do mundo virtual.

Nós nos conhecemos em Dublin e simplesmente porque tínhamos blogs. O Rick deixou alguns comentário no meu blog antes de ir pra lá, mas eu nem dei bola. Só que ele, muito sociável, ficava insistindo num “vamos tomar um café” e, finalmente, eu pensei “por que não?”. Afinal, ele não me pareceu ser um tarado louco (te amo,  viu, Rick?). Nos conhecemos pessoalmente numa situação bem inusitada: ele me ajudando a fazer minha mudança e carregando cacareco no ônibus. Porque eu sou dessas que mal conhece a pessoa, mas já abusa pede favores. A Bárbara também deixava comentários no meu blog e um dia, não lembro bem como, ela me perguntou se podia me adicionar no Facebook. Conversamos um pouco pelo messenger e no dia que ela chegou em Dublin, debaixo de chuva, eu a encontrei e a levei pra minha casa e fiz janta – porque eu também ajudo as pessoas no dia que as conheço, não só me aproveito peço ajuda.

Alguns dias depois nós três nos encontramos pela primeira vez para tomar um café e desde então somos amigos do tipo que se falam sempre. Qual foi a fórmula para isso acontecer? Não sei, acho que nosso santo bateu e já estamos aí numa amizade à distância (apesar que vi os dois todos os anos) há quase 3 anos – valeu, Whatsapp. A Bárbara continuou em Dublin esse tempo todo, o Rick foi pra Sligo e agora mora em Cardiff, no País de Gales e eu voltei pro Brasil, resolvi a vida (refletindo hoje, esses dois anos no Brasil foram realmente fundamentais) e agora moro, quem diria, na Finlândia.

Nós sempre falamos da vida em geral, pedimos conselhos e opiniões, conversamos sobre blog, viagens e de repente começamos a falar em mestrado. Acho que eu comecei esse papo todo no comecinho de 2014 quando passei a enchê-los sobre querer vir para Oulu – eu queria morar fora novamente e havia prometido que para isso só estudando algo de útil. A Bárbara juntou a vontade com a necessidade e também começou a ver seu mestrado. O Rick havia decidido que era hora de encarar uma nova fase e quando percebemos… os três começaram mestrado no mesmo outono de 2015. Se isso não é pacto de amizade, amigos leitores, não sei mais o que seria gente, eu não topo pacto de sangue, não insistam.

Bia Ricky Bá.rcelona (fãs de Woody Allen entenderão)
Bia Ricky Bá.rcelona (fãs de Woody Allen entenderão) – aja naturalmente… hahaha…

Quem acompanha nossos blogs já sabe o que fazemos, mas não custa resumir e se você não acompanha os blogs deles, vale muito a pena ir lá ler sobre a vida de cada um.

Bárbara faz mestrado em Ensino de inglês (me diga que acertei o nome, Bárbara) na UCD, uma das melhores universidade do país junto com a Trinity College. Rick faz mestrado em design gráfico (falei direito, Rick?) na Cardiff School of Art and Design. E eu, como vocês sabem, faço mestrado em Educação e Globalização. Cada um feliz e na sua área. E ambos com planos de me visitar onde o mundo termina seguindo ao norte.

Quem sabe daqui alguns anos a trindade não está toda no doutorado? 😉

Londres I

Comecei o ano viajando e espero que isso seja um sinal de que o ano será muito bom! 😉

Minha primeira viagem deste intercâmbio foi para uma cidade que já conhecia. Eu não tinha planos de repetir figurinha, mas fui convencida a ir pelo namorado argumentando que eu nunca havia passado o ano novo em Londres vendo os fogos do Big Ben. Fato.

Planejamento

Eu detesto planejar viagem! Pesquisar preço, hostels, transporte público, atrações… é chato demais!  E desta vez foi pior, porque decidimos fazer a viagem menos de 3 semanas antes, ou seja, estava tudo muito caro e havia poucas vagas disponíveis em hostels, já que fim de ano é alta temporada.

Não conseguimos reservar as duas noites no mesmo hostel, o que foi bem chato. O primeiro hostel que ficamos era bem localizado, ao lado do The British Museum. Era um lugar bem tranquilo com cara de hotel, e estava tudo incluso: internet, café-da-manhã etc. O segundo, além de ser afastado de tudo, cobrava 5 libras para usar o wifi por 24h e mais 5 para tomar café-da-manhã. Quase perguntei quantos eles cobravam para respirar. O interessante é que pagamos o mesmo valor nos dois lugares.

A Ryanair é uma famosa companhia aérea de baixo custo e uma passagem Dublin-Londres pode custar tão pouco quanto 22 euros, porém para o dia que queríamos estava muita cara, então resolvemos ir para a terra da rainha de uma forma mais barata alternativa: ônibus! Aí você me pergunta como eu fui para Londres de ônibus se a Irlanda é uma ilha.

A viagem

Pegamos o ônibus no terminal, o Busaras. Cerca de 15 minutos depois, chegamos ao porto de Dublin e seguimos viagem de navio! Foram 3h no mar e minha experiência não foi muito legal, já que meu estômago ficou bem embrulhado. No total, a viagem dura de 11 a 12 horas e apesar de o ônibus ser bem novo, a poltronas reclinavam muito pouco e o espaço para as pernas era ridículo (e olha que sou baixinha!). Mas considerando a época do ano, valeu a pena.

A imigração

Tive um dos momentos mais tensos da minha vida quando fui a Inglaterra pela primeira vez. O oficial da imigração só faltou perguntar a cor da minha calcinha antes de me dar o carimbo no passaporte. O trauma foi curado nesta viagem. O navio chegou no País de Gales e quando descemos do navio só precisamos mostrar o passaporte ao oficial, que nada mais faz do que conferir a validade e checar se aquela cara feia na foto do passaporte é sua mesmo. Só isso. E quando finalmente chegamos no terminal rodoviário de Londres, nem imigração eu vi. 🙂 O ruim é que não tenho nenhum carimbo no meu passaporte desta vez.

Dia 1

Não havia grandes planos para esta viagem, então fizemos aqueles passeios básicos de turista. A primeira coisa foi ir ao Palácio de Buckingham ver a troca da guarda. É extremamente chato, mas para quem nunca foi a Londres, é um passeio obrigatório. E por que é chato? Porque você precisa chegar cerca de 30 minutos antes para conseguir um bom lugar, o “ritual” todo dura outros 30 minutos e enfim, é chato!

Palácio de Buckingham ao fundo
Palácio de Buckingham ao fundo
Uniforme de Inverno
Uniforme de Inverno

Bem próximo ao palácio ficam o Big Ben, a Westminster Abbey e o London Eye e fomos para lá. Eu até queria entrar na abadia onde reis e rainhas são coroados, mas não estava disposta a pagar 16 libras para isso e se eu nunca tivesse ido ao London Eye, com certeza teria feito o passeio, mas como eu já fui e meu namorado não fazia questão, pensei “por que gastar 18 libras?”. De qualquer forma, recomendo as visitas. Ir a Londres e não fazer estes passeios é como não ter ido.

Uma bela visão do Big Ben no inverno londrino
Uma bela visão do Big Ben no inverno londrino

Fomos, então, a Picadilly Circus. Fizemos umas comprinhas, conhecemos mais da cidade a pé e voltamos bem cedo para o hostel, porque além do cansaço normal de passar um dia todo andando, a última noite no ônibus/navio não foi uma das mais bem dormidas e precisávamos descansar. 🙂

Picadilly Circus
Picadilly Circus

[continua]