Defesa de doutorado

Eu ainda estou bem longe da minha defesa de doutorado, especialmente porque eu acabei de começar o mestrado e pra ser sincera, não sei se vou continuar a vida acadêmica depois de virar mestre, já que esse mestrado já está me dando um trabalhão e eu não sei se quero “sacrificar” mais 4 anos da minha vida tentando ser doutora na área de Humanas/Educação, aquela área super valorizada pela sociedade já que ainda é cedo para pensar nisso.

Este post é para falar um pouco de como funciona a defesa de doutorado na Finlândia. Eu nunca participei de uma defesa no Brasil, mas pelo o que já ouvi falar, há uma bancada de professores para os quais o candidato a doutor deve apresentar seu trabalho e eles decidirão se o título é merecido ou não – apesar que acho pouco provável um orientador mandar um doutorando pra defesa sem saber se ele vai passar, afinal, o dele “também está na reta”. A sessão é fechada e, normalmente, há 3 professores (me corrijam se eu estiver errada).

Tive a oportunidade de participar de duas defesas recentemente, ambas de professoras do meu mestrado e achei interessante como é o ritual finlandês.

A defesa é um evento público, logo, qualquer um tem o direito de entrar e assistir. O candidato a doutor precisa estar vestido de preto, sendo que as mulheres devem usar vestidos e estar com maquiagem e com um penteado. Não tenho certeza do dress code para homens, mas acredito que um terno preto seja o padrão também. O mediador também deve estar vestido de preto, assim como o oponente.

O oponente é um professor convidado. Apesar do nome, não há uma competição! O oponente lê a tese de doutorado e prepara perguntas – o doutorando não sabe as perguntas que serão feitas, mas deve estar preparado.

Começando...

A defesa começa com o candidato fazendo uma longa (10-15 minutos) introdução sobre o que se trata sua tese, porque é importante e sua conclusões. Em ambas as defesas, as candidatas leram sua introdução em finlandês enquanto havia “legendas” em inglês no telão.

Após a leitura, o oponente faz algum comentário sobre a tese. A primeira defesa era sobre meninas refugiadas em Oulu e a segunda, que eu achei interessantíssima, era sobre a linguagem de livros infantis finlandeses e seus discursos, focando no multiculturalismo e também em questões de gênero. O oponente da primeira defesa era um professor britânico que comentou brevemente a tese; já o segundo era um professor sueco que fez um longo comentário com direito a power point, ilustrações e “discurso pronto”.

Ao final das perguntas que, em ambas defesas durou cerca de 1h30, o oponente tece mais elogios ao candidato e o mediador pergunta se alguém na plateia tem alguma pergunta. Isto é mera formalidade, pois na verdade, não é permitido fazer perguntas! A defesa é encerrada e, como parte do protocolo, o doutorando precisa oferecer café a todos que estavam assistindo à sua defesa.

Bolos sem lactose - um must na cultura finlandesa
Bolos sem lactose – um must na cultura finlandesa

O doutorando também precisa oferecer um jantar ao seu oponente como parte do protocolo – tudo relativamente formal.

E para completar o protocolo, o recém doutor paga muitos euros em recebe um chapéu e uma espada! E não é qualquer chapéu, ele é feito sob medida, assim como a espada que vem com o nome da pessoa e a data de defesa gravada. Eu querendo só meu diploma para me sentir feliz e mestre e os doutores aqui ganhando espada!

Tipo isso...
Tipo isso…

Gostei das experiências, mas já decidi que não quero fazer doutorado por estas bandas. Eu sei que ainda é muito cedo para fazer tais afirmações, mas a estrutura de um PhD aqui não me atraiu muito… oi, USP! 😉