Buenos Aires – impressões

Já contei toda a aventura dos 5 dias de viagem e no último post quero contar um pouco das minhas impressões. Quando viajo, costumo ficar, no máximo, 3 ou 4 dias em um lugar, então ter passado 5 por lá certamente me fez sentir a cidade um pouco melhor. Claro que ainda escrevo do ponto de vista de uma turista que não tem noção do que é morar em Buenos Aires. Mas para quem tem muitas dúvidas, uma simples busca no Google te leva a inúmeros sites de brasileiros que moram/já moraram por lá e ajudam com questões do dia-a-dia. 😉

Hostel

Eu já fiquei em alguns hostels por aí, então já estou bem acostumada com este tipo de hospedagem. Acho importante relativizar tudo, já que quando você prioriza preço acaba abrindo mão de conforto e não tem como esperar muito de um hostel se você pagou pouco. As 4 noites me custaram 80 reais, o que foi muito barato, mas isso, em partes, tem a ver com a desvalorização do peso e com o câmbio paralelo que consegui. A localização do Art Factory é ótima: perto da Plaza de Mayo, San Telmo, 9 de julho… dá para ir a pé até a maioria das atrações e, na verdade, se você tiver pique para andar, o único lugar que realmente vai precisar ir de ônibus é La Boca.
Eu havia reservado um quarto com 8 camas, mas devido a problemas técnicos deles, fiquei num de 4 camas sem pagar nada a mais. O único inconveniente é que o quarto ficava do lado do bar e a lei do silêncio não valia lá – só não foi pior porque eu já sou uma viajante experiente (cof cof cof) e levei protetor auricular, então dormi a noite toda sem me incomodar com isso e com os roncos dos companheiros de quarto.
O staff foi bem amigável e ajudou com todas as dúvidas que tive, especialmente um rapaz que costuma ficar lá de manhã (não perguntei o nome dele – duh!).
De modo geral, achei o local bem limpo e organizado, havia banheiros suficientes para todos (e o hostel é gigante) com água bem quentinha, as camas e cobertores estavam limpos e eram bem confortáveis. O sinal de wifi funciona em todo o prédio e eles ainda disponibilizam 3 computadores para hóspedes.
O café-da-manhã não é o melhor, mas é completo com pão, leite, café, cereal etc etc etc, e num dos dias tinha até doce de leite.
O que achei realmente ruim foi a cozinha. O hostel é enorme e a cozinha é minúscula! Além de não ter panelas e pratos suficiente para todos, não tinha nem pano de prato decente. Eu jantei 3 noites no hostel e teve noite que precisei esperar que usassem  a panela para eu cozinhar ou tive que usar peça de roupa para secar os pratos, porque o “pano de prato” deles estava nojentíssimo.

Área comum do hostel
Área comum do hostel

Bebedouros

Depois que você tem 3 crises de cólica renal (com direito a uma internação), você nota o quão importante a água é. Passei a beber bastante água (aliás, tenho um app no celular para me ajudar a sempre beber a quantia necessária todo dia!) e eu senti muita falta de bebedouros na Argentina – tipo, não tem! Só tinha UM no aeroporto, não tinha nenhum no hostel nem nos museus nem na Casa Rosada nem em lugar nenhum que você costuma achar por aqui! Achei esquisito! E tive que comprar muitas garrafas de água.

Wi-fi

Bebedouros não achei, mas sinal wi-fi… em todo lugar tinha! Eu basicamente tenho as senhas de metade dos estabelecimentos da cidade, sem contar os lugares que ofereciam livremente, como os pontos de ônibus da av. 9 de julho. No aeroporto também tinha wi-fi gratuito e ilimitado, o que foi ótimo pra quem passou uma madrugada lá sem conseguir dormir direito.

Transporte público

Eu achei o sistema de ônibus lá um pouco confuso, não é muito fácil saber que ônibus pegar, além de eles não terem um padrão como em São Paulo – parece que há várias companhias e cada uma decora seu veículo como quiser. Nas áreas mais centrais e turísticas da cidade, tudo funciona muito bem – na av. 9 de julho inteira tem corredor de ônibus, com pontos bem sinalizados, limpos e bonitos. Saindo só  um pouco daí… affff… cadê ponto de ônibus? É adesivo no poste! Já falei como funciona o sistema de tarifação lá e do bilhete SUBE nos posts anteriores. Além disso, no caminho eterno entre o EZEIZA e San Telmo, o ônibus que peguei passou por áreas periféricas da cidade e em alguns instantes ficou bem lotado. Eu não usei o transporte público em horário de pico e circulei basicamente nas áreas turísticas, então não tenho como avaliar a qualidade do serviço. Não precisei usar o metrô, mas o que notei olhando o mapa é que se você estiver na área central, tem uma estação em cada esquina, mas saindo um pouco de lá, a oferta de estações vai diminuindo bastante. Não tem estação de metrô no bairro La Boca, por exemplo.

Corredor da 9 de julho
Corredor da 9 de julho

Motoristas

Aí você mora em São Paulo e acha o trânsito caótico e os motoristas nervosos… até você ir a Buenos Aires! Eu nunca vi motoristas tão ruins e mal educados como lá! A faixa de pedestre é meramente ilustrativa, já que eles param SIM em cima dela. O farol está verde para o pedestre? Mesmo assim olhe antes de atravessar, porque eles não respeitam isso também! O engraçado é que as avenidas principais são muito largas, tipo 6, 7 faixas, e ainda assim, eles fazem barbeiragem! Fiquei impressionada mesmo com o comportamento dos argentinos ao volante.

O argentino

Mas ao contrário do que as pessoas costumam dizer, achei o povo argentino muito amigável e educado! Claro que Buenos Aires é uma cidade turística e claro que eles estão muito acostumados com brasileiros, então seria até estranho se não fossem receptivos. No aeroporto teve a argentina que nos deu dinheiro para tentarmos trocar por moedas (isso porque deixamos bem claro pra ela que nosso problema não era não ter dinheiro, mas não ter pesos), todas as pessoas dentro da eterna linha 8 que nos levou até o centro de Buenos Aires e que nos ajudaram falando onde estávamos, puxando papo e dizendo onde deveríamos desces, a moça da loja que eu comprei o casaco para minha mãe que o provou para ver se serviria (ela era cliente) e enfim, todos as atrações turísticas e lojas… todos foram realmente muito simpáticos!

A comida e os doces

Quando viajo, costumo provar algo local e o resto da minha alimentação ou é feita em fast food ou compro no mercado para jantar no hostel – eh, gente, não é tudo glamour! A exceção foi a Polônia, onde era tudo muito barato, e só comi em restaurantes bacanas e agora, a Argentina, onde achei tudo relativamente barato. Já falei nos outros posts sobre o chorizo – carne muito macia e deliciosa. Mas e os doces? Falou em Argentina e pensou em alfajor! Realmente, tem de todo tipo, marca e preço. Eu provei de 3 marcas: Havanna, Recoleta e Abuela Goye. O Havanna tem por aqui, a diferença é que lá é mais barato. O Recoleta achei tão bom quanto o Havanna, mas o Abuela Goye é divino!

Abuela Goye
Abuela Goye

Esse alfajor é delicioso, faz o Havanna parecer guarda-chuvinha de padaria! Me arrependo de não ter comprado uma caixa deles – comprei do Havanna, né.  A loja da Abuela Goye fica na Calle Florida. Mas não é só de alfajor que vive o argentino, mas também de dulce de leche! Não provei vários, só o que tinha no hostel e o Havanna – aliás, comprei um pote de 800g e trouxe para o Brasil. O doce não tem nada de super especial, mas é menos doce e mais leve, ou seja, você come bastante e não fica enjoado.

Yummy!
Yummy!

A cidade

Buenos Aires tem a fama de ser a Paris latina. Menos, gente, menos. Eu achei a cidade muito parecida com São Paulo em alguns pontos, outros mais bonita e em outros, mais feia. Claro que eu não fui a parte não turística da cidade, o que deixa mais difícil ainda de avaliar, mas no geral, eu diria que é uma São Paulo de ruas largas que fala espanhol e não me causou nenhuma super impressão como Berlin ou Amsterdã.

Bright Obelisco, dark me!
Bright Obelisco, dark me!

Porque não fui ao zoológico Luján

Quem nunca viu fotos de pessoas alegres com leões e tigres? Quem não conhece alguém que conhece alguém que já foi a Buenos Aires e visitou este zoológico? Eu fiquei 5 dias por lá, poderia ter feito o passeio, mas decidi não fazer. Primeiro porque não vejo onde isso é diversão: vários animais selvagens (e indomesticáveis) sendo incomodados diariamente por ser humanos egoístas que querem uma foto para impressionar os amigos. Desde o começo não me agradou a ideia de ir ao zoológico, mas não estava viajando sozinha e ia acabar cedendo… até que encontrei vídeos no Youtube que claramente mostravam animais dopados, andando em zigue-zague e completamente lesados! Durante todo o dia os animais são alimentados com um leite… quem já viu leão adulto bebendo leite? O que será que tem neste leite? Com isto e alguns links que achei na internet, convenci todos os envolvidos na viagem que não era um passeio legal.
O zoológico argumenta que leões e tigres são criados desde pequenos com cachorros e acostumados com o contato humano por causa dos tratadores, mas honestamente, precisa ser muito inocente para acreditar nesta história. E que fosse verdade, você gostaria de ser incomodado o dia todo com gente tirando foto com você?

Coisas que não recomendo

O tema original do desafio dessa semana era “Superpoderes que gostaria de ter”. Bem, como não vi de que forma eu poderia relacionar isso com a Irlanda, troquei por uma sugestão feita pela Cely nos comentários da primeira semana do desafio.

Semana 6 – Coisas que não recomendo

Eh, gente, eu sei! Difícil acreditar, mas Dublin tem seu lado ruim! Tá, eu sei que você ficou surpreso e isso é um choque de realidade, mas vamos a minha lista de “não recomendações”.

1 – Fazer compras na Carrolls

A Carrolls é uma rede de souvenirs e tem uma loja em cada esquina no centro. Ao mesmo tempo em que posso dizer que lá tem milhares de opções e que tudo lá, normalmente, é de boa qualidade, também digo que a loja é extremamente cara e que vale a pena visitar lojas menores do centro, onde você também pode achar souvenirs bacanas e com um preço melhor. Só depois de garimpar essas lojinhas, vá a Carrolls.

2 – Ir do aeroporto até o centro da cidade de táxi

Se você não estiver carregado de malas ou mesmo que esteja, se tiver alguém pra te ajudar no trajeto a pé até sua acomodação, vá para o centro de ônibus. O táxi vai custar em torno de 35 euros, o ônibus, no máximo 4 euros (estou um pouco desatualizada, não sei o valor exato) e passa bem pelo centrão de Dublin, onde estão a maioria dos hotéis e hostels. O inconveniente é o horário de circulação do ônibus, mas se chegar na cidade durante o dia, isto não é problema.

3 – Fazer compras apenas no Tesco

Apesar de o mercado ser o mais famoso, nem sempre tem os melhores preços e variedade. Vale muito a pena fazer compras em mercados como SuperValu, Dunnes Store, Lidle e Aldi. Eu já escrevi um post do que era melhor/mais barato onde. Já tem um tempinho, mas acho que ainda dá para se basear nele.

4 – Morar próximo de knackers

Esse é o tipo de exemplo “faça o que eu digo, não o que eu faço”, porque eu morei bem em frente de um condomínio estilo “Cingapura” lá em Dublin. Sim, sei que este tópico soa bem preconceituoso e estou definindo o caráter destas pessoas pela suas condições de moradia. Mas o que digo com conhecimento de causa é que estas pessoas, via de regra, te encaram, suas crianças vivem soltas na rua brincando, berrando, brigando. Ah, as mulheres também vivem na rua berrando com sua vozes roucas e enfim, não é uma vizinhança muito legal e tranquila. Os vizinhos jogavam latas de cerveja no nosso quintal, as crianças escalavam nossa cerca pra pedir comida quando fazíamos churrasco… Se puder evitar, evite. Se não puder, acostume-se.

5 – O transporte público de Dublin

Fiquei pensando se incluiria ou não este tópico. Já é um pouco contraditório, porque no item 2 eu recomendei o transporte público para chegar ao centro da cidade. A questão, na verdade, é: se puder ir a pé ou de bicicleta, vá. Não priorize o transporte público. O sistema em Dublin é caro (e não me venha com a argumentação de que o salário mínimo de lá é x euros, então tá ok – vamos justificar qualquer valor alto baseado no salário mínimo de lá? Trabalhadores  irlandeses não têm vale-transporte e pagam do bolso), o horário do transporte é ridículo (aos domingos, por exemplo, os primeiros ônibus começam a circular depois das 7 da manhã) e todo o sistema é baseado no centro: todos os ônibus chegam ao centro, mas se você precisar cruzar a cidade, vai precisar de 2, 3 ônibus. Fora que as pessoas fumam e bebem dentro do ônibus e nunca ouvi nenhum motorista falar nada. Claro que tem seu lado bom: não lota como em São Paulo (mas aí também é até covardia: São Paulo tem 11 milhões de habitantes e Dublin, 1 milhão) e nos pontos de ônibus mais movimentados tem um painel mostrando o horário dos próximos ônibus chegando.

Como organizar sua viagem

Eu adoro viajar, mas eu detesto planejar uma viagem. É chato, cansativo, toma tempo! Mas eu não sou fã de agências de viagem porque acho que se fica preso a programação, o que não é um problema em si, mas tira um pouco a autonomia. Fiz pouquíssimas viagens assim e uma delas foi ao Peru. Confesso que foi muito cômodo ter todo o roteiro prontinho na mão, com transfers agendados para me levar a todos os lugares, mas fazer tudo por conta dá uma sensação maior de independência. Eu prefiro.

E como organizar o passo-a-passo de uma viagem?

Destino

Parece óbvio, mas escolher o destino é o primeiro passo. Ou não. Às vezes o destino te escolhe. Já tenho uma viagem marcada [suspense] e embora seja para um lugar que eu tenho vontade de ir há muito tempo, não estava planejando ir para lá agora. Mas sabe como são as coisas, achei passagens baratas, então, destino X, te vejo em breve! ^^

Passagens

No caso de você escolher o destino primeiro, a dica é checar sites de companhias áreas e, principalmente, sites de promoções todo dia até achar algum preço vantajoso. Eu indico o Melhores Destinos, Viajenet, Decolar, Submarino Viagens e por aí vai. Se for para a Europa (mas não só), às vezes vale muito a pena pesquisar rotas alternativas para chegar até o destino planejado e, de brinde, visitar outros países e cidades. Quando fui para a Polônia, a Suécia não estava no roteiro, mas como saía mais barato parar lá antes do que comprar um voo direto, acabei incluindo mais um país na lista. Se for viajar de ônibus dentro do Brasil, os preços costumam ser fixos, então é só escolher a época. Na Europa, alguns horários são mais baratos, algumas épocas também e é analisar se ir de ônibus é viável e mais barato. Já contei que fui de ônibus de Bruxelas a Amsterdã por 10 libras?

Acomodação

Hotel, hostel ou apartamento? Eu, via de regra, fico em hostel, a menos que ache hotel por um preço muito bom. E como escolher? Eu costumo usar o site hostelworld, mas o booking também é bom. Seleciono a cidade e organizo os hostels por preço mesmo, para os mais baratinhos aparecerem primeiro. O segundo critério é a avaliação- hostels com menos de 75% de classificação eu nem considero. Escolho um hostel e vejo a localização, porque não adianta nada ficar num hostel excelente longe da região turística da cidade e gastar horrores com transporte. Em seguida, leio as reviews sobre o local, geralmente seleciono as melhores avaliações para ler o que tem de bom no lugar e também as piores, para ver o que deixa a desejar. Claro que precisa ter bom senso para ler as avaliações, porque ao mesmo tempo em que tem pessoas muito desencanadas que dormem em qualquer buraco e acham tudo lindo, também tem gente que esquece o conceito de hostel e avalia como se fosse um hotel. Vejo as fotos do local, o que está incluso no valor (café da manhã? wi-fi? tem locker nos quartos?). Junto tudo isso e faço minha escolha. Tem dado certo até hoje e o único hostel que eu meio que não gostei foi o que fiquei em Amsterdã, de resto, só alegria.

Atrações

Vai viajar só ou acompanhada? Se for só, é só anotar todos os pontos que você quer conhecer. Acompanhado, inclua os da(s) outra(s) pessoa(s). Algumas cidades já tem pontos turísticos bem óbvios e fáceis de incluir, mas vale a pena googar todas as possibilidades possíveis pra sua viagem. Já estamos em 2014, e há muitos blog de viagem, de brasileiros que moram na cidade, enfim, acho muito difícil não encontrar nada escrito por pessoas que estiveram nos respectivos destinos. O youtube também ajuda muito, sempre tem algum vlog ou guia turístico mesmo. Se tiver amigos que já visitaram o lugar, peça umas dicas também, mas oh, sem encher o saco, porque você pode achar tudo na internet, o amigo é mais mesmo para aquelas dúvidas pontuais, ok? Você não é burro nem alejado para não saber pesquisar no Google, né?

Roteiro

Escolhidos os pontos turísticos, eu organizo o roteiro de acordo com a proximidade das atrações e vou fazendo turismo por blocos. Também precisa levar em consideração o tipo de atração e época do ano. Um museu, por exemplo, tem horário de abrir e fechar, um monumento de rua está disponível 24h. Eu posso visitar o monumento antes do museu abrir. Organizando a viagem assim, dá para poupar tempo e visitar mais atrações. E, claro, vale a pena pesquisar sobre walking tours! Já cansei de falar aqui no blog como eu gosto de começar a turistar fazendo um!

Dinheiro

Quanto dinheiro levar? Especialmente em viagens internacionais quando é necessário trocar moeda, essa conta precisa ser feita com calma. Eu calculo gastos com a acomodação (geralmente, o hostel é pago no check-in), o valor das atrações que quero visitar e checo na internet o valor médio de uma refeição no local para calcular gastos com alimentação. Faço o mesmo com transporte. Somo tudo e ainda coloco mais dinheiro para imprevistos e comprinhas. Nunca fiquei na mão.

Transporte

Como sempre me locomovo de transporte público, prefiro chegar no lugar já sabendo como tudo funciona. É bom pesquisar se vai precisar usar muito e se sim, se existe alguma forma de economizar (em Londres, por exemplo, tem o Oyster card). Alguns lugares dá para fazer quase tudo a pé (como em Berlin), mas de qualquer forma, sempre pesquiso qual é a melhor forma de ir e voltar para o aeroporto. Ninguém quer perder o avião, né? Só quando o transporte público é muito inviável que opto por utilizar táxi.

Pesquisando peculiaridades da região

Depois de tudo isso, não custa nada dar uma pesquisada sobre peculiaridades do local só para chegar lá menos perdido. Checar a previsão do tempo também é válido para evitar surpresas.Algumas pessoas gostam de aprender frases básicas na língua local, mas eu sou daquelas que confia 100% no uso do inglês.. hehehe… 😉

Um pouco mais de Irlanda

Eu já falei sobre algumas curiosidades da terra dos leprechauns aqui, aqui e aqui. E este é o último post da série. 😉

*Fogo! – Roupas, móveis, tapetes e afins, pode procurar que você vai achar em todos eles uma etiqueta alertando para o perigo do objeto em proximidade ao fogo! Não entendo porque há tanto alarde quanto à isso. Os materiais utilizados na fabricação dos respectivos artigos não devem ser muito diferentes dos utilizados no Brasil, onde ninguém teme tanto o fogo. Na verdade, há toda uma procupação com fogo em todo lugar: todas as casas têm detector de fumaça, mas daqueles que se o seu frango queimar no forno, ele apita quando você tentar tirá-lo. Os irlandeses realmente temem incêndios!

Etiqueta de um lenço comprado... adivinha? Na Penneys!
Etiqueta de um lenço comprado… adivinha? Na Penneys!

*Aqui tem nozes! – Não sei se a maioria da população irlandesa tem alergia à nozes e castanhas ou a indústria alimentícia apenas quer ter certeza de que não fará mal à ninguém, mas todos os produtos têm um aviso informando se há ou não “nuts” na receita e caso não tenha, há outro aviso para informar se o alimento foi processado em alguma máquina onde também se processa alimentos com nozes. Ou não.

*Irlandês – Algumas pessoas já me perguntaram se na Irlanda se fala irlandês. No país há duas línguas oficiais, inglês e irlandês, mas isso não significa que eles falem a segunda, muito pelo contrário, já que se fosse esse o caso, não haveria tantos intercambistas no país (ou você tem o sonho de aprender a falar a língua dos leprechauns?). Salvo algumas regiões do interior, o inglês é falado no país inteiro e o irlandês é ensinado como uma disciplina na escola. Há escolas bilíngues, onde as aulas são ministradas em irlandês, mas não é a regra. Porém, como língua oficial, todo e qualquer documento público, placas e sinalizações estão nos dois idiomas. É sempre bom se informar sobre a língua local de um país, caso contrário, você pode acabar como o chinês deste vídeo:

*Hipotermia ou queimadura? – Você quer congelar sua mão ou ter uma queimadura de 3ª grau? Nos banheiros, normalmente, há duas torneiras: uma com água em temperatura ambiente e outra com água quente. O problema é no inverno, já que a temperatura ambiente é, tipo assim, gelada e a água que sai quente vem direto do boiler, ou seja, pelando. Se você achou que um dos seus maiores problemas ao chegar na Irlanda seria o idioma, engana-se: será lavar o rosto de manhã. Vou confessar, é uma dúvida cruel!

Dilema das manhãs de frio!
Dilema das manhãs de frio!

*Thank you! – Nos ônibus irlandeses não tem cobrador (aliás, o único lugar do mundo que já fui e vi cobrador dentro de ônibus foi o Brasil! – uma amiga e eu temos a teoria de que esta seja umas das profissões mais inúteis do mundo), então o motorista também tem o papel de entregar o ticket depois do pagamento da passagem. O fato interessante é que 80% das pessoas agradece o motorista ao descer do ônibus! Quando o ônibus para no centro e metade dos passageiros desce é uma sinfonia de “Thanks”, “Thank you”, “Cheers”, “Thanks a million” e por aí vai.

*Sorry, it’s full! – Se você vive numa cidade grande, deve estar acostumado ao transporte público lotado. Dublin, teoricamente, é uma cidade grande de 1 milhão de habitantes, mas para quem nasceu e cresceu em São Paulo, 1 milhão não é nada. Dito isto, os ônibus da cidade não costumam estar cheios, mas no horário de pico o movimento é um pouco maior. Se o motorista nota que já há um número considerável de pessoas em pé, ele não deixa mais ninguém embarcar! E o ônibus não precisa estar parecendo uma lata de sardinha, basta ter pessoas confortavelmente em pé com espaço para se mexer. Já aconteceu comigo, dei sinal, o ônibus parou, o motorista me olhou e disse “Sorry, it’s full”. E partiu.

*Preço por kilo – Você está no mercado. A marca X está mais em conta, mas vem um pouco menos na embalagem se comparada com outras marcas. Será que vale a pena? A etiqueta mostra não só o valor do produto, mas quanto você está pagando por kilo ou litro. Prático, não?

Simples
Simples

*Sou mais barato que o concorrente – Isso eu acho meio feio, mas vamos lá. No Brasil os mercados se declaram mais baratos que todos os concorrentes, mas não citam nomes ou preços diretamente, correto? Num mercado irlandês é mais ou menos assim: no meu mercado, o leite custa 1 euro, que é o mesmo preço do concorrente X e 10 centavos mais barato que o concorrente Y. Isto tudo indicado na etiqueta da prateleira com o valor do produto. Dica: não confie nisso, porque os mercados vivem fazendo promoção e às vezes, naquela semana, aquele produto está mais barato, mesmo a etiqueta do concorrente dizendo que não.

*Don’t touch me! – Todo mundo fala do jeitão europeu meio frio e tal. Generalizar é burro, mas de fato existe a questão cultural. Nós, brasileiros, estamos mais acostumados a nos tocar: beijo e abraço até em desconhecido, né? O povo irlandês não é muito de se tocar, mas isso não é regra. A B., mãe dos meninos, sempre foi muito calorosa comigo e sempre me abraçou e beijou, quase parecendo uma brasileira. Claro, toda vez que conhecia um irlandês me limitava a apertar a mão se ele estendesse primeiro. Lembro-me apenas de um incidente de eu já chegar dando beijo no rosto, me achando no Brasil, e logo depois me tocar e pedir desculpa ao respectivo irlandês. Acontece.

Londres I

Comecei o ano viajando e espero que isso seja um sinal de que o ano será muito bom! 😉

Minha primeira viagem deste intercâmbio foi para uma cidade que já conhecia. Eu não tinha planos de repetir figurinha, mas fui convencida a ir pelo namorado argumentando que eu nunca havia passado o ano novo em Londres vendo os fogos do Big Ben. Fato.

Planejamento

Eu detesto planejar viagem! Pesquisar preço, hostels, transporte público, atrações… é chato demais!  E desta vez foi pior, porque decidimos fazer a viagem menos de 3 semanas antes, ou seja, estava tudo muito caro e havia poucas vagas disponíveis em hostels, já que fim de ano é alta temporada.

Não conseguimos reservar as duas noites no mesmo hostel, o que foi bem chato. O primeiro hostel que ficamos era bem localizado, ao lado do The British Museum. Era um lugar bem tranquilo com cara de hotel, e estava tudo incluso: internet, café-da-manhã etc. O segundo, além de ser afastado de tudo, cobrava 5 libras para usar o wifi por 24h e mais 5 para tomar café-da-manhã. Quase perguntei quantos eles cobravam para respirar. O interessante é que pagamos o mesmo valor nos dois lugares.

A Ryanair é uma famosa companhia aérea de baixo custo e uma passagem Dublin-Londres pode custar tão pouco quanto 22 euros, porém para o dia que queríamos estava muita cara, então resolvemos ir para a terra da rainha de uma forma mais barata alternativa: ônibus! Aí você me pergunta como eu fui para Londres de ônibus se a Irlanda é uma ilha.

A viagem

Pegamos o ônibus no terminal, o Busaras. Cerca de 15 minutos depois, chegamos ao porto de Dublin e seguimos viagem de navio! Foram 3h no mar e minha experiência não foi muito legal, já que meu estômago ficou bem embrulhado. No total, a viagem dura de 11 a 12 horas e apesar de o ônibus ser bem novo, a poltronas reclinavam muito pouco e o espaço para as pernas era ridículo (e olha que sou baixinha!). Mas considerando a época do ano, valeu a pena.

A imigração

Tive um dos momentos mais tensos da minha vida quando fui a Inglaterra pela primeira vez. O oficial da imigração só faltou perguntar a cor da minha calcinha antes de me dar o carimbo no passaporte. O trauma foi curado nesta viagem. O navio chegou no País de Gales e quando descemos do navio só precisamos mostrar o passaporte ao oficial, que nada mais faz do que conferir a validade e checar se aquela cara feia na foto do passaporte é sua mesmo. Só isso. E quando finalmente chegamos no terminal rodoviário de Londres, nem imigração eu vi. 🙂 O ruim é que não tenho nenhum carimbo no meu passaporte desta vez.

Dia 1

Não havia grandes planos para esta viagem, então fizemos aqueles passeios básicos de turista. A primeira coisa foi ir ao Palácio de Buckingham ver a troca da guarda. É extremamente chato, mas para quem nunca foi a Londres, é um passeio obrigatório. E por que é chato? Porque você precisa chegar cerca de 30 minutos antes para conseguir um bom lugar, o “ritual” todo dura outros 30 minutos e enfim, é chato!

Palácio de Buckingham ao fundo
Palácio de Buckingham ao fundo
Uniforme de Inverno
Uniforme de Inverno

Bem próximo ao palácio ficam o Big Ben, a Westminster Abbey e o London Eye e fomos para lá. Eu até queria entrar na abadia onde reis e rainhas são coroados, mas não estava disposta a pagar 16 libras para isso e se eu nunca tivesse ido ao London Eye, com certeza teria feito o passeio, mas como eu já fui e meu namorado não fazia questão, pensei “por que gastar 18 libras?”. De qualquer forma, recomendo as visitas. Ir a Londres e não fazer estes passeios é como não ter ido.

Uma bela visão do Big Ben no inverno londrino
Uma bela visão do Big Ben no inverno londrino

Fomos, então, a Picadilly Circus. Fizemos umas comprinhas, conhecemos mais da cidade a pé e voltamos bem cedo para o hostel, porque além do cansaço normal de passar um dia todo andando, a última noite no ônibus/navio não foi uma das mais bem dormidas e precisávamos descansar. 🙂

Picadilly Circus
Picadilly Circus

[continua]