Minhas citações irlandesas favoritas

O tópico desta semana é um pouco difícil porque engloba citações e, no caso, eu só poderia incluir citações irlandesas, o que descaracterizaria o “favoritas”, já que com certeza eu incluiria Woody Allen e Smiths, por exemplo, que não são irlandeses. Porém, adaptei e num universo de diversas citações (de livros, músicas, seriados, filmes etc), selecionei apenas aquelas irlandesas que gosto ou acho interessantes por algum motivo. Ou não.

Semana 4 – Minhas citações irlandesas favoritas

1- “For fuck’s sake.” – Once

Esta frase não tem nada de especial, mas faz parte de um dos meus filmes favoritos, Once. E o Glen Hansard fala isso o filme inteiro! Além disso, assisti este filme (de novo) antes de ir para a Irlanda porque queria me adaptar ao sotaque irlandês – não que 1 hora e pouco de filme faça milagres.

2- “People think they know the mystery of living in your skin. They don’t. There’s no one who knows except the person who carts it around her own self.” – Colum McCann

Este trecho é do livro chamado Let the great world spin (Deixe o grande mundo girar), escrito pelo autor irlandês Colum McCann. Li o livro em 2011 e confesso que a história não está mais tão viva na minha cabeça, mas lembro que na época gostei muito e o livro tem umas sacadas interessantes.

3- “And the battles just begun
There’s many lost
But tell me who has won?
The trenches dug within our hearts
And mother, children, brothers, sisters torn apart” – U2

Quem reconheceu a letra de Sunday Bloody Sunday? Trata de um confronto entre manifestantes católicos e protestantes e o exército inglês ocorrido na Irlanda do Norte nos anos 70 e muito importante para a história do país. Wikipédia explica tudo aqui.

4- “What’s the story?/ What’s the craic?”
Autoexplicativa.

E a minha preferida:

5- Póg mo thóin

hehehehe… 😉

Once, em Dublin

Eu escrevi sobre o filme Once aqui, antes mesmo de ter vindo para a Irlanda. No Brasil ainda, creio que o assisti 2 ou 3 vezes (melhor rever um bom filme do que perder tempo com um ruim), mas ainda não havia assistido depois de conhecer as ruas de Dublin.

No último final de semana, depois de assistir uma entrevista do Glen Hansard para o The Busking Project, decidi assistir o filme novamente, desta vez prestando atenção nos lugares onde as cenas foram gravadas.

Abre parênteses.
O Glen era um destes artistas de rua de Dublin (assim como seu personagem no filme) e desde a adolescência tocava na Grafton Street para ganhar dinheiro. Busker, em inglês, significa músico de rua e o The Busking Project entrevista artistas de rua do mundo todo e, inclusive, o projeto tem planos de passar pelo Rio de Janeiro. Para quem admira o trabalho do Glen, aqui está a entrevista. O vídeo está sem legendas, mas o sotaque irlandês dele não é tão difícil de se entender. Se gostar e quiser assistir outra entrevista bem bacana com ele, clique aqui.
Fecha parênteses.

O filme começa com o Glen tocando numa rua. Opa, eu conheço esse lugar! Ele está na Grafton em frente a Dunnes Stores.

Se liga no jeito de knacker do cara aí do lado!
Se liga no jeito de knacker do cara aí do lado!

O rapaz que rouba o dinheiro tem o jeito de falar dos knackers. Que jeito? Bem, não sei explicar, mas os tais knackers têm um jeito diferente de falar, um sotaque bem peculiar. Ele rouba as moedas e sai correndo para um parque… calma aí, é o Stephen’s Green Park!

Stephen's Green Park e o Stephen's Green Shopping Centre ao fundo. Já passei muito por aí!
Stephen’s Green Park e Stephen’s Green Shopping Centre ao fundo. Já passei muito por aí!

A maior parte das cenas de rua em que ele toca foram gravadas na Grafton Street mesmo, que termina no Stephen’s Green Park. A cena em que a moça tcheca o conhece também foi gravada lá. Aliás, ela está segurando uma revista e até pergunta se o músico gostaria de comprar um exemplar, a Issues.

Issues... Big Issue!
Issues… Big Issue!

Aqui na Irlanda (e não só) tem uma revista, a Big Issue, que é produzida para ajudar moradores de rua e pessoas sem condições financeiras de se manter. Basicamente, o lucro da venda da revista vai para quem vende. A tcheca do filme é uma moça sem condições que vende flores na rua e faz faxina para sustentar a mãe e a filha pequena e está vendendo a revista para complementar a renda. Não sei se o nome foi trocado no filme ou se o nome da revista mudou, mas a ideia é a mesma.

Mais adiante, depois que já viraram “amigos”, os dois pegam ônibus. E reconheço o estofado azul com estampas coloridinhas dos ônibus de dois andares de Dublin. O filme é de 2006, mas 7 anos depois tudo continua igual.

Dublin Bus
Dublin Bus

Finalmente, a cena que reconheci e fiquei de queixo caído foi esta:

Mountjoy Square
Mountjoy Square

Esta é a Mountjoy Square, onde eu morei assim que cheguei em Dublin! Algum de vocês já morou em algum lugar que já foi cena de filme? 😉 Eu já! #esnobe

A Mountjoy Square é tão famosa que tem até artigo no Wikipedia aqui. Mas hoje em dia não tem tanto glamour, já que é essencialmente ocupada por estudantes, imigrantes e irlandeses de baixa renda, além de ter a fama de ser frequentada por knackers, embora eu nunca tenha visto nada. Ah, e os ônibus da cidade continuam como o que aparece na cena, amarelos com detalhes em azul.

Um fato que me chamou muita atenção no filme é que não há cenas na chuva, muito pelo contrário, em várias cenas o que se vê são dias ensolarados (ensolarados padrão Irlanda). Tentei achar naquele que tudo sabe, o Google, quando o filme foi gravado e num site dava a entender que havia sido em janeiro. A questão é que se o filme foi gravado em 2006 e lançado num festival de cinema local em julho do mesmo ano, ele não foi gravado no verão. Então, das duas uma: ou eles tiveram muita sorte de terem começado as filmagens numa semana em que os leprechauns estavam de bom humor e o sol apareceu ou eu que estou tendo muito azar com esta Dublin fria! Ok, ok… falando a verdade, há umas 3, 4 semanas, o tempo estava bacaninha aqui. Anyway, Dublin na maioria das vezes está nublada, quando não, chuvosa, e no filme não se vê muito isso.

Foi muito bacana rever o filme e reconhecer ruas que fazem parte do meu dia-a-dia por aqui. Se você já mora em Dublin ou mesmo que ainda esteja só pensando em vir para cá, vale a pena assistir Once. Na verdade, o filme vale a pena ser assistido por qualquer um! 😉

PPS, artistas de rua e felicidade nas pequenas coisas

Você sabe o que é o PPS? A sigla significa “personal public services” e é como se fosse o nosso CPF no Brasil. Eu não sou gente na Irlanda enquanto não tiver este documento, porque, basicamente, nem conta no banco eu posso abrir sem ele.

O processo para tirá-lo foi bem fácil. Fui até a ECM e solicitei uma carta da escola com meu endereço (isso é muito importante, você precisa ter um endereço para poder receber seu PPS pelo correio depois). Teoricamente, a ECM só me entregaria essa carta uns 3 dias depois da solicitação, mas os leprechauns deram uma forcinha e a moça da recepção imprimiu na hora pra mim. Saí da escola direto para o The Social Welfare, que fica bem perto de lá, esperei um pouco até chamarem minha senha, preenchi um formulário muito simples, tirei uma foto e em cerca de uma semana vão mandar o PPS pelo correio. Simples!

Já que já estava na rua, resolvi andar pela Grafton Street hoje, uma rua de comércio bem conhecida, e tenho a leve impressão que é onde foram gravadas várias cenas do filme Once. O que impressiona bastante são os artistas de rua.

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Como a rua é muito movimentada e tem muitos turistas, os artistas de rua se concentram lá para mostrarem seu talento e ganhar alguns euros. É uma pena eu não ter nenhum dom artístico para poder me virar se surgirem tempos de vacas magras.

Esses senhores da 3ª idade estavam dançando no meio da rua!

Dança celta?

E este era um mágico muito engraçadinho.

Irish magician

Eu não pude contribuir com ninguém, porque a coisa tá feia… sabe como é, agora sou estudante por profissão. Falando em a “coisa tá feia”, lá estava eu no Iceland (um mercado baratinho que vende, principalmente, comidas congeladas) quando resolvo dar uma de pessoa saudável e checar o preço das frutas. Entre uvas e morangos, vejo uma pequena embalagem que quase me faz pular de alegria: blueberries! Quem me conhece, sabe que uma das grandes descobertas da vida de au pair foi o blueberry. Essa frutinha pequenina ganhou minha adoração desde a primeira vez que a experimentei e desde que voltei pro Brasil, fiquei só na vontade de saboreá-la novamente. Ah, Irlanda, sua linda, você tem blueberries! *-*

Blueberries, seus lindos!

E pra terminar, eu achei um leprechaun na rua! Ohhhh…

Pote de ouro meio vazio, né?

Viu como a vida é linda? Existem blueberries e leprechauns!

Once

Once, ou Apenas uma vez no Brasil,  é um filme bem conhecido pelo pessoal que vai para a Irlanda. Mesmo sendo um filme de baixo custo e de estar longe dos arrasta-quarteirões Hollywoodianos, não deixa de ser uma ótima produção (na verdade, é bem melhor do que muitos enlatados de Holly).

O filme foi rodado em Dublin e é possível ter uma noção de como é a cidade, além de ir se familiarizando um pouco com o sotaque irlandês e algumas expressões usadas pelos leprechauns (perdi as contas de quantas vezes escutei “for fuck’s sake“, por exemplo, expressão que nunca ouvi nos Estados Unidos).

É interessante notar também a imigrante da República Tcheca, que apesar de não estar na Irlanda como estudante, vende flores na rua e faz faxina em residências para se sustentar. E esses podem ser alguns dos subempregos que os intercambistas poderão conseguir quando chegarem lá.

Once é o que se pode chamar de um musical verossímil e é esse um dos motivos que me faz gostar tanto do filme. Não cai nos clichês dos happy endings e nem tem cenas super produzidas como a maioria dos musicais, conferindo a sensação de que a história toda é completamente possível na vida real. Os atores que fazem os protagonistas são também músicos e a trilha sonora foi quase que completamente composta e cantada por ambos.

Falling Slowly ganhou o Oscar de melhor canção original em 2008 e é uma das minhas favoritas do filme junto com When your mind’s made up. Aliás,  a trilha sonora completa é altamente recomendada.

Comece a entrar no clima dublinense com Once!