Rússia

Eu fiquei praticamente 9 dias na Rússia e conheci as duas maiores e mais famosas cidades do maior país do mundo e para finalizar os posts sobre a viagem vale um último de wrap-up para falar de detalhes que passaram batido na saga toda narrada aqui no blog e das minhas impressões, sugestões e fazer um resumão também, por que não?

Imigração e registro para brasileiros

Brasileiros não precisam de visto para entrar na Rússia como turistas e podem ficar até 90 dias. A imigração é chatinha, mas tranquila – eles não pedem para ver comprovante de acomodação, passagem de saída do país ou comprovar fundos e não fazem perguntas, não para quem entra por terra, mas imagino que no aeroporto seja um pouco diferente. Recebemos um cartão de imigração com duas vias, um fica retido na entrada e o outro devolvido na saída e o cartão deve ficar com o turista o tempo todo. É necessário se cadastrar na imigração em cada cidade que o turista ficar por mais de 7 dias úteis. O registro pode ser feito no hotel/hostel ou nos correios.

O estilo russo

Eu não sabia, mas as mulheres russas têm fama de serem lindas – e eu acho isso a maior besteira, porque tem mulheres de todos os tamanhos, cores e formas em qualquer nacionalidade. Eu já havia conhecido mulheres russas no Brasil e elas são tão normais quanto eu e você. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi o estilo da maioria delas! Elas são muito cuidadosas com o visual e estilosas, falando de modo geral, claro.

Eu dando uma de paparazzi atrás de uma russa aleatória
Dando uma de paparazzo com uma russa aleatória

Eu bem que queria ter tirados várias fotos para mostrar todo o estilo, mas vocês vão ter que se contentar com esta foto aí em cima, pois ainda não tenho o dom de paparazzo desenvolvido. Observem que era um dia de chuva, fazia uns 4 graus e ventava. Eu estava de calça, bota, casacão, touca e estilo zero. A moça está de meia fina, uma saia básica, porém linda, salto e casaco. E usar saia com meia fina neste tempo parece ser algo comum, pois vi muitas russas assim. É claro que para quem está acostumado a pegar -30 no inverno, temperatura positiva é verão, mas que mulheres estilosas! Mesmo com casacões, que geralmente tem muitos pelinhos na touca para se proteger da neve, elas continuavam cheias de estilo.

O metrô

O metrô russo é famoso por alguns motivos, tanto o de São Petersburgo quanto o de Moscou. O primeiro motivo é pela sua beleza, pois as estações são verdadeiras obras de arte e/ou arquitetura. São painéis, lustres, pinturas e outros detalhes que fazem andar de metrô por lá uma experiência à parte.

Em São Petersburgo
Em São Petersburgo

Como já citei em outros posts, tem empresas que fazem tours pagos pelas estações mais bonitas, mas não é difícil fazer o passeio sozinho se você tiver paciência. O ideal é tentar escolher horários mais tranquilos, mas para ser honesta, dos quase 9 dias de Rússia pegando metrô, só vi as estações relativamente vazias às 6h da manhã, pois mesmo num sábado à noite, que foi quando decidimos fazer nosso próprio tour, as estações de Moscou estavam lotadas! Eu não vou publicar aqui uma lista das principais estações porque 1) Todas tem algo de especial, um detalhe, uma gravura, as paredes, enfim, acredito que a maioria tenha algo de belo para ser apreciado e 2) Eu peguei minha listinha de sites aleatórios que achei no Google e sinto que se eu reproduzisse a lista aqui estaria de alguma forma plagiando conteúdo de outros blogs, afinal, não posso dizer que são minhas recomendação, não é?

Outro detalhe do metrô russo é a profundidade! Você começa a descer pela escada rolante e parece que ela não tem mais fim. Na ú20151223_124320ltima estação de metrô que pegamos para ir até a rodoviária resolvi usar o stopwatch do celular para saber quanto tempo levaria a descida: quase 2 minutos e meio! Fora que em algumas estações depois da escada rolante ainda é necessário descer outros lances de escada. Além disso, no pé de toda escada rolante tem uma pequena cabine com uma funcionária (eram sempre mulheres) usando um uniforme que parece ter sido desenhado nos anos 60 e eu fiquei realmente curiosa para saber o que elas fazem lá, pois não vi sentido.

O valor do bilhete é relativamente baixo, 31 rublos em São Petersburgo e 50 em Moscou pagando em dinheiro. Na primeira cidade, eles te dão um token para usar na catraca e na segunda, um bilhete descartável de uma viagem. Em Moscou o nome de todas as estações está apenas no alfabeto cirílico e em São Petersburgo, no alfabeto latino também.

Trem soviético
Trem soviético

Finalmente, apesar de as estações serem lindas, os trens são bem antigos, da época da união soviética ainda. Estão bem conservados, mas é notável que são mais velhos do que eu que nasci nos anos 80, por exemplo. Apesar disso, tem wifi gratuito – que eu não consegui usar, pois para se conectar é necessário cadastrar seu número de celular para receber um código via sms. Eu só estava com meu chip finlandês e isso não deu muito certo.

Vale a pena reservar uma tarde da sua viagem para conhecer o metrô, especialmente o de Moscou e o Google te ajuda a montar sua listinha! 🙂

Os russos

Eu sei que generalizar é burro, então eu quero deixar claro que não estou dizendo que todos os seres humanos nascidos na Rússia são assim, mas que minha experiência como turista e precisando lidar com russos em diversos lugares me passou essa impressão deles de modo geral. Os russos com os quais eu lidei e que, de algum modo, estavam me prestando algum serviço, como os guias de ambos os walking tours e o staff dos dois primeiros hostels foram bem simpáticos e prestativos, mas todo o resto foi frio, apático e até rude. Naquele programa que mostra a vida de brasileiros que vivem por esse mundão, no episódio sobre Moscou, uma das brasileiras participantes disse que a cultura deles é ser grosso de primeira e ficarem simpáticos depois de te conhecerem, o que é exatamente o oposto da cultura brasileira: via de regra, primeiro tentamos ser simpáticos e gentis com quem acabamos de conhecer e depois, se houver algum motivo, vem a antipatia. Pois foi assim mesmo que me senti tratada pelos russos: com indiferença, antipatia e falta de paciência, especialmente quando começavam a falar comigo em russo e notavam que, contrariando todas as regras porque hoje em dia todo mundo fala russo eu não compreendia e vi muitas viradas de olho pra mim. Infelizmente, não têm a fama de ser um povo carismático e receptivo!

O inglês dos russos – ou a falta dele

Já pensou como um estrangeiro se sente no Brasil chegando sem saber falar português e tentando usar inglês para se comunicar? A realidade é que no Brasil as pessoas não falam inglês e cerca de 5% da população consegue se comunicar fluentemente na língua. Eu não precisei imaginar, pois tenho certeza que é a mesma situação que passei na Rússia, onde pouquíssimas pessoas conseguem se comunicar no idioma. Com exceção do staff do hostel e dos guias do walking tour, todo resto falava de nada a muito pouco e em algumas situações a comunicação foi feita por sinais. Mas como eles recebem turistas, havia pelo menos a tentativa de escrever avisos em inglês… Confira!

No hostel, errinho de leve.
No hostel, errinho de leve.

Algumas coisas soavam até engraçadinhas.

Pois é!
Pois é!

Tudo em cirílico

Ué, o capitalismo chegou aqui?! *ironia*
Ué, o capitalismo chegou aqui?! *ironia*

Que o russo usa o alfabeto cirílico toda mundo sabe, mas ainda assim é estranho ver nomes de redes de fast food ou cafés com placas no alfabeto!

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Se não fosse pelos logos mundialmente conhecidos, alguns lugares poderiam até passar batido.

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Putin everywhere

Achei muito peculiar ver a cara do Putin estampada em todo lugar! Canecas, bonecas russas, camisetas etc. Segundo o vendedor de uma das lojas que entramos, os turistas gostam de comprar e muitas pessoas o admiram. Então tá.

Vai uma camiseta do Putin?
Vai uma camiseta do Putin?

“Pega turista”

É muito comum ver pessoas nas ruas vestidas como pessoas famosas da história, como Lênin ou Catarina, a grande ou ainda pessoas com pombas adestradas. Elas são muito insistentes e, obviamente, querem dinheiro para tirar foto com você. Se você é o tipo de pessoa que curte isso, muito bom, mas se não, faça como eu e finja que nem os viu, do contrário eles insistem mesmo. Finja que nem inglês fala!

E assim acaba a série de posts sobre minha última viagem! 🙂

Até mais, Rússia!
Até mais, Rússia!

Moscou – souvenirs, parques e metrô

Já era o 8º dia de viagem e o cansaço ia batendo, a vontade de ficar até tarde na cama chegando, mas havia uma Moscou toda (ok, só a região turística) a ser explorada. O plano do dia era visitar o Mausoléu de Lênin, que fica aberto apenas das 10 às 13h, exceto às segundas e sextas. Fomos a pé até a Praça Vermelha e surpresa: tudo interditado! Muitos policiais, segurança e ruas bloqueadas e ninguém sabia informar o que estava acontecendo, só sabíamos que o bloqueio acabaria apenas às 18h30 daquele dia. Plano frustrado (e até hoje não sabemos o que estava acontecendo), fomos visitar uma última catedral moscovita, a Catedral de Cristo Salvador. E pra isso, demos uma super volta, porque todas as ruas próximas da Praça Vermelha estavam bloqueadas mesmo!

Catedral de Cristo Salvador
Catedral de Cristo Salvador

A entrada é gratuita e não é permitido fotografar por dentro. Como todas as outras catedrais e igrejas ortodoxas que entramos, não há bancos e os fiéis a todo momento fazem orações e o sinal da cruz, além de as mulheres cobrirem a cabeça (inclusive eu em respeito). E de todas as igrejas que havíamos visitado até então, esta era a mais bonita por dentro. A catedral é muito grande e ainda tem o subsolo com várias gravuras da vida de Jesus. Uma coisa que o R. notou é que diferente da igreja católica romana, nas ortodoxas pouco vimos imagens de Jesus crucificado, sendo que em algumas delas nem havia qualquer gravura da crucificação.  Apesar de eu não ser fã de catedrais e igrejas (e vocês já não aguentam mais ler isso), eu recomendo visitar esta porque é realmente muito bonita e é gratuita.

De lá seguimos para a Rua Arbat, uma famosa rua de compras e onde estão as lojinhas de souvenir. Era sábado, mas a rua não estava muito movimentada, o que foi bom, já que podemos entrar nas lojas tranquilamente e olhar tudo.

Prédio curioso na esquina da Rua Arbat
Prédio curioso na esquina da Rua Arbat

A maioria das lojas vende a mesma coisa: bonecas russas de todos os tipos, tamanhos e cores, postais, chaveiros, imãs de geladeira e artigos diversos com a cara do Putin (oi?). Numa das lojas o vendedor, quando descobriu que éramos brasileiros, veio logo nos mostrar isso:

Bonecas russas de jogadores brasileiros
Bonecas russas de jogadores brasileiros

E a criatividade não para por aí. Também vimos isto:

Tem gosto pra tudo, não é mesmo?
Tem gosto pra tudo, não é mesmo?

Os preços das lembrancinhas não varia muito de uma loja para outra e nem os souvernirs, mas como fomos andando a rua toda e entrando em todas as lojinhas, encontramos uma que estava vendendo quase tudo pela metade do preço e compramos algumas besteirinhas lá. Depois entramos numa loja com mil opções de bonecas russas e uma funcionária muito gentil (a saber, oriental, não russa), nos mostrou os modelos, explicou as diferenças, deu sugestões e ainda nos deu um desconto legal e brinde. Foi nesta loja que comprei minha matryoshka linda. Recomendo.

A tal loja
A tal loja

A matryoshka, boneca russa, são as bonecas de madeira que se encaixam uma dentro da outra. O nome em russo significa “matrona” no diminutivo, e apesar de estar tão ligada a cultura russa, segundo nossa guia do walking tour, sua origem é japonesa e só chegou no país em 1890. A mais tradicional representa a família, então a primeira de fora pra dentro seria a mãe, depois o pai e depois viriam os filhos e, além disso, o formato da boneca precisa ser mais “rechonchudo” para remeter a fertilidade e família. Mas como vocês viram, hoje em dia tem de topo tipo, estilo, tamanho e cor.

Continuamos seguindo pela Rua Arbat, passamos em frente a um muro todo grafitado e vimos várias pessoas parando para bater fotos e deixando cigarros. A gente não sabia o que era aquilo, mas como o muro era muito legal, paramos para bater fotos também, bem no estilo turistões.

Tsoi Wall e não se acostumem a ver minha cara no blog
Tsoi Wall e não se acostumem a ver minha cara no blog

Depois pesquisei no Google o que era esse muro e resumindo a história, nos anos 80 havia essa banda de rock chamada Kino. O vocalista era um russo de ascendência coreana que morreu num acidente de carro em 1990 aos 28 anos. No mesmo dia de sua morte, alguém grafitou a parede em sua homenagem, depois veio outro, outro e outro e enfim, o muro virou uma homenagem ao vocalista e, se você jogar no Google, vai ver que ele está sempre diferente por conta das contantes grafitações. E o som da banda é bom, ouça aqui. Apesar de ter tirado a foto sem ter noção do que era, achei legal ter descoberto a história mais tarde e ter curtido o som da banda. 🙂

Paramos para almoçar no My-My, aquele restaurante russo que comentei nos posts anteriores. É bem fácil de achar um andando por Moscou e na Rua Arbat tem dois!

Para terminar o dia, fomos para o Gorky Park. Ele fica um pouco mais distante e a apesar de até ser possível ir a pé (o que levaria uma meia hora), preferimos pegar o metrô. O problema é que era o auge do inverno e quando chegamos lá, pouco depois das 16h, já estava escuro. Tinha um rink de patinação enorme montado no parque, mas estava fechado. Levando-se em consideração que era um sábado no fim de dezembro, o motivo só podia ser o calor atípico do período, pois naquele dia fazia uns 3 graus e nem dava para o gelo ficar bom pra alguém patinar, né?

Gorky Park
Gorky Park

Andamos um pouco, mas um parque no inverno e no escuro, bem, não tinha muito o que fazer. Saímos de lá e fomos para um outro parque do outro lado da rua, o Parque das Esculturas.

Entrada do Gorky park
Entrada do Gorky park

Como o próprio nome diz, o outro parque é conhecido por ser cheio de esculturas. O problema é que a iluminação era quase zero, então ficou meio difícil vê-las no meio da escuridão. O destaque era Lênin, pois havia várias esculturas dele no parque.

Ele
Ele

Pegamos o metrô para voltar ao hostel, mas como o metrô moscovita é mundialmente conhecido pela sua beleza, selecionamos algumas estações para parar e checar com nossos olhos. É claro que nossa lista incluía várias estações, mas estávamos tão cansados e o metrô consegue ser lotado até mesmo num sábado à noite, que paramos o tour quando concluímos uns 80% da lista.

Metrô
Metrô

Tem empresas que oferecem tours pagos para visitar e conhecer a histórias das estações mais bonitas, mas uma simples busca no Google traz uma lista das estações mais populares, então eu não vou indicar lista aqui (até porque, eu também peguei a lista numa pesquisa do Google, então não vou chover no molhado :)). Vou falar apenas de uma estação, pois tem uma superstição e achei interessante que as pessoas realmente acreditam nisso. Na estação Ploshchad Revolyutsii há diversas esculturas e a mais especial é uma de um soldado com um cachorro e diz a lenda que passar a mão no focinho do cachorro traz sorte e o pessoal acredita tanto nisso que o focinho está gasto!

Reparem no focinho gasto
Reparem no focinho gasto

Não sou supersticiosa, mas também quis entrar na brincadeira!

A maioria das estações tem alguma pintura, decoração ou apenas o estilo em si que podem ser consideradas obras de arte. O problema é que o metrô, aparentemente, está sempre cheio e fica difícil bater fotos e ficar olhando – quem sabe às 6h da matina dê? Além disso, a malha metroviária é  gigante (igual em São Paulo… cof cof cof…) e mudar de uma estação para outra pode levar um certo tempo. Por conta disso e do cansaço, nos contentamos em visitar uma parte das estações da nossa lista e voltamos ao hostel.

Metrô, seu lindo.
Metrô, seu lindo.

Moscou – walking tour, catedrais e segurança

Para ir do aeroporto até Moscou, pegamos um trem expresso, porque achamos que esta fosse a única opção, mas depois descobrimos que tem como ir de transporte público também, que é mais barato (fica pro último post da cidade). O expresso leva uns 35 minutos e custa 470 rublos na hora ou 420 pela internet. O trem é confortável e tem wifi.

Diferente de São Petersburgo, em Moscou tudo está somente no alfabeto cirílico. Como fazer para achar nomes de rua e as estações de metrô? Bem, o R. aprendeu a ler o alfabeto antes de ir, o que facilitou muito nossa vida, mas o que eu fazia era enxergar o nome como um desenho e lembrar de letras “chave”. Pode soar infantil, mas eu decorava que a estação que eu precisava ir começava com um “3” e tinha um “N invertido” no meio e terminava com um “R ao contrário” e assim segui a vida nos 4 dias que passei por lá. Isso quando eu não “lia do meu jeito” e fazia soar com alguma palavra em português ou inglês. #ficadica

E mesmo que você leia em alfabeto cirílico, o metrô de Moscou é um labirinto de linhas, cores e estações! Nós não nos perdemos para chegar na estação mais próxima do hostel, mas precisamos fazer uma baldeação e por causa da sinalização ruim, ao invés de mudar de linha como achávamos que estávamos fazendo, saímos do metrô e precisamos comprar outro ticket para entrar! E Moscou é bem mais cara, então enquanto uma viagem custava 31 rublos em São Petersburgo, lá custava 50. A dica que a recepcionista do hostel nos deu depois é comprar um cartão que eles chamam de Troika.

Troika
Troika

Você paga um depósito de 50 rublos pelo cartão, que será devolvido quando você devolvê-lo, e a passagem de metrô que custava 50 rublos sai por 28 com ele, ou seja, funciona mais ou menos como o Oyster de Londres.

O hostel e o susto

Foi difícil achar o hostel e só não ficamos horas rodando porque eu tinha o mapa impresso do Google com a estrelinha em cima de onde deveria ser o local (sempre imprimam o mapa da região da acomodação com a estrelinha em cima). Assim como em São Petersburgo, tem vários lugares com uma entrada que dá para um pátio aberto e vários prédios. O problema é que o número do hostel não estava na fachada que dava para a rua e só achamos o bendito mesmo porque seguimos o mapa e a intuição. Quando abrimos a porta do prédio nos deparamos com uma cena que eu custei a acreditar.

Vejam vocês mesmos
Vejam vocês mesmos

Parecia que tínhamos entrado num prédio abandonado ou como foi minha piada nos 4 dias, estávamos num “prédio da época de Dostoiévsky”. Subimos 3 lances de escada num prédio que obviamente precisava de uma reforma, cheirava a infiltração (sim, tem cheiro, eu sinto) e bem, eu já queria sair correndo. No último andar, tocamos a campainha, a porta se abriu e o interior do hostel nada tinha a ver com o restante.

Apresentável até.
Apresentável até.

Fizemos o check-in, fomos ao mercado comprar alguma porcaria comida congelada para jantar (e se eu achava difícil fazer compras de mercado em finlandês era porque nunca havia feito em russo) e fomos dormir no nosso quarto compartilhado onde, sim, havia um russo residente (que, literalmente, dormia de calça jeans – russos!).

Eu comentei que foi difícil achar hostel bom em São Petersburgo, pois foi ainda pior em Moscou e no fim, eu literalmente optei pelo que tinha menos reviews negativas. O Comrade Hostel é muito bem localizado e dá para ir a pé a quase todas as principais atrações, tem metrô, supermercado e restaurantes perto e, no geral, era limpo, organizado e confortável e o staff foi muito bacana. Mas o prédio onde ele está é realmente de chorar.

O walking tour

Fomos ao ponto de encontro e uma russa menor que eu (sim, é possível) foi nossa guia. O walking tour começa em frente a um monumento de dois homens, Cirilo e Metódio, dois santos que, segundo nossa guia, são os responsáveis pela criação do alfabeto cirílico, que tem 33 letras.

Os tais
Os tais

A guia foi contando algumas histórias até chegarmos na Praça Vermelha, algo de praxe no tours. Quando lá chegamos, mais histórias sobre a Praça Vermelha, o Kremlin e a Catedral de São Basílio. Fizemos uma pausa e entramos no famoso shopping GUM, construído no final do século 19. Era época de Natal e a decoração do shopping estava incrível, aliás, Moscou estava incrível e vocês sabem que eu não curto Natal e não ligo pra isso, então se eu estou falando que estava sensacional, acreditem, estava! Tomamos um sorvete maravilhoso lá (50 rublos, bem menos de 1 euro).

Um pouco exagerado, fato, mas lindo
Um pouco exagerado, fato, mas lindo

O que achamos um pouco estranho é que todas as entradas do shopping tinham um detector de metais e um segurança e ninguém entrava sem ter bolsas/mochilas revistadas. No começo eu não entendi se sempre tinha sido daquele jeito ou não, mas conversando com conhecidos que já viajaram para lá, entendi que era recente. Lembrando que o GUM fica na Praça Vermelha a alguns metros do Kremlin e bem, infelizmente a Rússia era/é um possível alvo de ataques terroristas e faz sentido todo o esquema de segurança, apesar de um pouco assustador.

De lá o tour seguiu e acabou em frente ao Jardins Alexandrovsky, onde a cada hora acontece a troca da guarda. Eu gostei do tour, mas achei a guia um pouco too much. Ela se mostrava a todo momento muito orgulhosa do seu país e cidade, o que é ótimo se você é um guia, mas ela se mostrava ainda mais orgulhosa de ter nascido em 1988, portanto, ainda na União Soviética – e ela citou isso várias vezes. Enfim, um walking tour é sempre legal para conhecer a região turística e pedir dicas e no final deste, eles dão um folheto com várias informações úteis.

Bem onde o tour terminou tem um shopping subterrâneo e como eu nunca havia visto isso, achei super legal. O R. e eu resolvemos entrar para almoçar e fomos no My-My (lê-se “mumu”), um restaurante famosinho na cidade. Também é um restaurante com aquela comida russa do dia-a-dia e tem um preço muito acessível. O lado ruim? É um buffet como o Market Place, o restaurante de São Petersburgo, que o funcionário serve a comida no seu prato e a cobrança é feita por porção (que é cuidadosamente pesada) e os funcionários não têm assim muita paciência para te deixar escolher. Eu me senti intimidada pelo funcionário que berrou comigo impaciente querendo saber qual tipo de carne eu queria.

My-My
My-My

A refeição para duas pessoas saiu por menos de 700 rublos, o que daria uns 8 euros e pouco, e a comida é bem gostosa.

De lá passamos no GUM novamente para trocar mais rublos. Eu troquei alguns rublos no meu banco ainda em Oulu e levei euros em espécie para trocar mais lá. A cotação é a mesma do banco, porque ambos trabalham com a cotação oficial do dia, aparentemente, mas no fim saiu mais em conta trocar lá porque o rublo começou a se desvalorizar depois que troquei na Finlândia. Riscos que a gente corre, né?

GUM decorado para o Natal
GUM decorado para o Natal

Fomos visitar a Catedral de São Basílio, que acredito que seja essa a imagem que todo mundo tem na cabeça quando falamos de Rússia: uma igreja ortodoxa super colorida. O interessante da catedral, segundo a guia do walking tour, é que ela forma uma estrela de Davi e, na verdade, são 8 igrejas ao redor de uma maior, sendo que cada torre é uma igreja e tem um nome. A catedral foi construída em 1560 e, originalmente, nem era assim todo coloridona, mas branca (para combinar com a Praça Vermelha que nem sempre foi vermelha) com as torres douradas, assim como a Catedral de Cristo Salvador, também em Moscou.

A catedral
A catedral e os turistas

É uma igreja interessante de se entrar e o ingresso  é barato, principalmente se puder pagar valor de estudante. Havia até um coral na igreja principal e ficamos um tempo assistindo.

Quando saímos já estava escuro, mas bem frente a catedral estava montado um Christmas market muito legal e bem agitado. Demos uma passadinha e voltamos ao shopping subterrâneo para jantar – um Burger King mesmo. À noite tudo estava ainda mais lindo, então caminhamos de volta para o hostel olhando a pomposa decoração de Natal da cidade.

Diz se ela essa bola bem perto do Kremlin não estava sensacional?
Diz se ela essa bola gigante bem perto do Kremlin não estava sensacional?

 

 

São Petersburgo – imigração, walking tour e o forte

Quando eu ainda morava na Irlanda, namorei muito ir para a Rússia. Num certo momento, estava tudo planejado, já até tinha visto o caminho mais louco barato de se chegar lá saindo de Dublin e aí a pessoa que ia me acompanhar deu pra trás. Eu já viajei sozinha e sei me virar, mas na época me deu medinho. Afinal, russos, né?

Assim que cheguei aqui na Finlândia, voltei a namorar a ideia, já que pra mim não fazia sentido nenhum eu morar no país vizinho, matar meus classmates e os finlandeses de inveja porque não preciso de visto para entrar lá e não visitá-la. Então, ficou decidido que o destino das férias era esse, mesmo correndo o risco de se aventurar pelo temido inverno russo. Ah, e Helsinki só entrou no roteiro porque eu teria que passar por lá de qualquer forma, então, por que não conhecer a capital, não é mesmo?

A forma mais em conta de ir para lá é de ônibus e não tenho do que reclamar! A Lux Express oferece ônibus novos, super confortáveis, com wifi, tomada, TV individual com muitas opções de filmes, séries, música e jogos e ainda bebidas quentes à vontade como chá, café, chocolate quente e cappuccino e, enfim, o ônibus realmente me surpreendeu. A viagem foi de madrugada e é claro que dormir dentro de um ônibus nunca vai ser tão bom como a própria cama, mas foi uma viagem de 7h razoavelmente confortável.

A imigração

Quando entramos no ônibus, o motorista confere o nome no passaporte, checa o visto, se for o caso, e entrega o cartão de imigração. O cartão tem duas vias iguais que devem ser preenchidas com as informações pessoais, motivo da viagem e duração da estadia.

Cartão de imigração - imagem do Google
Cartão de imigração – imagem do Google

Quando cruzamos a fronteira, o ônibus parou e todos descemos. Os oficiais checaram nossos passaportes apenas e não pediram para ver o cartão de imigração. O R. tem cidadania portuguesa, portanto, dois passaportes. Na nossa inocência, achamos que bastaria mostrar o brasileiro, já que com o português ele precisaria ter visto. O oficial pegou seu passaporte de capa azul, folheou e como não viu nenhum visto de nenhum país europeu (tipo, como ele entrou na Europa e não tem carimbo?), olhou pra cara dele muito intrigado e perguntou por onde ele havia andado. O R. ficou meio nervoso e eu me intrometi (claro) explicando que ele não tinha nenhum visto no passaporte porque também era cidadão português. No fim, o oficial apenas disse que ele sempre deveria apresentar os dois passaportes em situações como essa e deu tudo certo. Ufa.

Voltamos ao ônibus, andamos mais uns metros e descemos novamente. Eu achava que havia passado pela imigração, mas era só uma checagem de passaporte, imigração mesmo era naquela hora. Com imigração não se brinca nem vacila, então sou dessas que sempre entrego os documentos obrigatórios, vou entregando outros se o oficial pedir e respondo perguntas da forma mais sucinta e objetiva possível. Entreguei meu passaporte e cartão de imigração, a oficial ficou eternamente digitando algo e conferindo meu passaporte, comparou a foto com minha cara minuciosamente, até me pedindo para tirar os óculos. Finalmente me devolveu a outra via do cartão de imigração sem me explicar que eu deveria guardar aquilo como minha vida, pois deveria devolvê-lo na saída. Eu tenho vários conhecidos que já estiverem na Rússia e, felizmente, eles me falaram que preciso não só guardar esta via comigo até sair do país, mas estar sempre com ela, pois qualquer policial pode pedir pra ver seus documentos sem nenhum ou por qualquer motivo, então é sempre bom estar com o passaporte e o cartão em mãos. Felizmente, ninguém me parou em lugar nenhum, mas posso dizer que os dois só se separaram de mim pra eu tomar banho em todo tempo que estive no país.

Não bastasse ter o passaporte checado duas vezes, quando voltamos ao ônibus, um terceiro oficial entrou e checou se todos tinham o visto de entrada (ou eram russos). Foi chatinho, mas tranquilo para quem não deve nada. E eles não pediram comprovação de hospedagem, dinheiro ou da passagem de saída do país.

Chegamos em São Petersburgo por volta de 5h30 da manhã, pegamos o metrô e seguimos para o hostel. Felizmente para os turistas, todas as estações de metrô têm o nome escrito no alfabeto latino, o que torna a viagem bem mais fácil, mas ainda assim, todos os anúncios são só em russo.

São Peter arrasando já no metrô
São Peter arrasando já no metrô

O hostel

Chegamos no hostel super cedo, tomamos um banho e cochilamos até às 10h, porque o walking tour começava às 10h45. Foi muito difícil procurar hostel na Rússia, acho que o país mais difícil até hoje! Eu costumo fazer reserva pelo Hostel World e seleciono para mostrar pelo preço (porque se fosse pra pagar caro, eu ficava num hotel, né?), em seguida olho a nota geral e a localização e, finalmente, olho as reviews, especialmente as ruins, para poder escolher a melhor opção. Não tinha um hostel em São Petersburgo inteira que não tivesse reviews negativas, sendo que as principais reclamações eram “russos morando no hostel”, “hostel difícil de ser encontrado”, “staff despreparado” e, pasmem, “tentando passar a perna nos hóspedes”, pra citar algumas. Escolhemos o Simple Hostel, porque foi o que pareceu “menos pior” e a escolha foi certeira. É um hostel pequeno, tranquilo, limpo e super bem localizado. Tivemos só um inconveniente com ele, mas isso é assunto pra depois.

O corredor do hostel
O corredor do hostel

O walking tour

Apesar de estar fazendo uns 7 graus no dia, o que é super quente pra dezembro na Rússia, venta muito na cidade e deu um friozinho! Por um lado, tivemos a sorte que nos 3 primeiros dias não pegamos temperatura negativa, por outro, pegamos dias cinzentos e feios. Eh, não se pode ter tudo. E como é inverno, não tinha muita gente no walking tour também e dos que tinham, metade era do Brasil. Eh.

Nosso guia, Vlad (e agora não sei se esse é realmente o nome dele ou se ele queria usar o nome mais russo de todos), era muito simpático, com um inglês impecável, deu muitas dicas e ainda nos deu tempo para tirar foto (e se oferecendo para tirá-las até), o que achei muito legal e nunca vi em walking tour nenhum!

Hermitage
Hermitage

O tour começa em frente ao Museu Hermitage, onde o guia conta sua história e peculiaridades. Passamos por algumas igrejas e monumentos e o guia sempre falando da história russa e da cidade. São Petersburgo não é aquela cidade tipicamente russa que vem a cabeça – não tem as igrejas ortodoxas todas coloridas, por exemplo, já que a ideia era que ela tivesse um estilo mais europeu, ou seja, há quase nada do que pensamos de arquitetura tipicamente russa.

Passamos em frente ao Palácio de Strogonov, o nome da família que originou o strogonoff, onde hoje é um museu. O guia explicou um pouco à respeito, mas o museu é sobre a história da família, não da comida, ok? hehe…

Palácio de Strogonov
Palácio de Strogonov

O tour terminou em frente a uma das catedrais da cidade, o guia nos deu mais algumas dicas e eu não falei muito do que vimos, porque no dia seguinte fomos nos pontos turísticos para visitá-los e nos próximos posts eu conto! Gostei muito do tour e recomendo para quem for à cidade. Como acabou perto das 14h e sabemos que viajar no inverno por esses lados significa ter dias muito curtos e estava escurecendo lá pelas 15h30, resolvemos segurar a fome e almoçar depois de visitar o Forte de Pedro e Paulo para aproveitar melhor enquanto ainda estava claro.

A presepada e o forte

Eu incluí no roteiro o nome da estação de metrô mais próxima do forte e como chegar lá, mas por algum motivo não muito claro, que pode ter sido desde o nome no alfabeto cirílico até o fato de termos tido uma noite mal dormida ou confundido o mapa das linhas de metrô, mas conseguimos descer na estação errada. E pedimos informação na rua – quem disse que russo fala inglês? – e as pessoas não sabiam onde era, o que achei muito estranho, porque é uma atração turística! Erramos o caminho, atravessamos ponte que não era pra ser atravessada, voltamos, andamos no sentido errado, voltamos, até que percebemos que a fortaleza estava no lado completamente oposto e andamos muito até chegar lá – o que até poderia ter sido uma caminhada agradável se 1- fosse verão, 2- não estivesse ventando pra caramba e 3- as botas que eu estava usando não estivessem assassinando meus pés.

Quando finalmente chegamos ao forte já estava escuro e eu já estava com tanta raiva que queria mandar aquela ilha pra Marte! Mas enfim, estávamos lá e tínhamos que conhecer o local. O forte foi fundando em 1703 para proteger a cidade de um eventual ataque sueco, mas no fim das contas ele nunca foi usado para este fim e serviu como prisão por algum tempo. Hoje é uma atração turística e conta com uma catedral, alguns museus e uma prisão desativada.

Catedral
Catedral e minha falta de habilidade de usar uma câmera

Todas as atrações são pagas e decidimos entrar apenas no Museu da Tortura, apesar que acho que teria sido mais interessante ter visitado a prisão. De qualquer forma, não tínhamos muito tempo  para ver outras coisas por causa da presepada de termos nos perdido e chegado lá já perto da hora de fechar. Com certeza a visita teria sido melhor se estivesse ainda claro e, de preferência, ensolarado.

Saímos do forte, desta vez indo para a estação de metrô que, de fato, era a mais próxima. Fomos até a Nevsky Prospekt, a rua principal, e almoçamos/jantamos num restaurante super bacana e com preço de McDonald’s aqui na Finlândia.

Delicinha
Delicinha – e um robert

Este restaurante vende comida russa – duh, parace óbvio, mas em grandes cidades a gente acha restaurante do mundo todo! É uma mistura de buffet com restaurante por kilo. Cada porção tem um valor, então o cliente diz o que quer, o atendente coloca no prato a porção (que eles pesam numa balança) e no caixa é cobrado o valor total. A comida estava deliciosa e voltamos ao hostel mortos de cansaço, prontos para descansar bem para o dia seguinte turistando em São Petersburgo.

Arroz, frango e batatas
Arroz, frango e batatas

Em um relacionamento sério com Porto

Morei na Irlanda por um ano, viajei para uma meia dúzia de países enquanto estive lá, mas não matei uma vontade: visitar Espanha e Portugal, dois países que estavam ali pertinho e não consegui me programar para conhecê-los. Então, no dia que comprei aquela passagem barata para visitar Dublin, já decidi que essa viagem europeia tinha de passar por esses dois países. Saindo de Madri, aterrissei em Porto, uma gracinha de cidade na costa de Portugal. Aliás, o que falar de Porto, essa cidade que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Foi muito fácil ir do aeroporto até o centro, pois tem metrô fazendo a ligação. Primeiro o espanto de estar na Europa e tudo estar em português – na minha cabeça, toda vez que viajo, a língua muda! haha… Depois o espanto de ver que tem bilhete único lá igualzinho o que tem aqui, incluindo o validador que é exatamente o mesmo!

Cheguei em Sampa... não, pera...
Cheguei em Sampa… não, pera…

Claro que eu não sabia comprar o ticket pela maquininha e é claro que o funcionário português muito simpático, como todos os portugueses lindos que cruzaram meu caminho, nos ajudou explicando o passo a passo. O trajeto todo deve ter durado uma meia hora até a Estação São Bento (não a da linha azul paulistana) e logo estávamos no hostel, que era uma gracinha!

Fizemos o check in (“reserva em nome de Beatrizzzzz *****ssssss?”), o funcionário nos explicou como funcionava o pequeno almoço lá, além de nos ensinar a usar o cacifo do quarto, para podermos deixar nossos pertences em um lugar seguro. Banho e cama, porque o dia tinha sido longo.

No dia seguinte tomamos um café, digo, pequeno almoço, delicioso! Era só o começo de um sem fim de comidas deliciosas nesse país tão lindo e hospitaleiro – escrevo este post suspirando de saudades de Portugal! Mas voltando ao café, o hostel servia um pãozinho bom demais, que fiquei sabendo que se chama “saloio”. Saudades eternas de deliciá-lo com manteiga! ❤

Saloio
Saloio

Fomos ao Rio Douro para ver a ponte Luis I e ver um pouco do Cais da Ribeira, mas o frio era tanto que a visita foi bem curta e resolvemos voltar ao hostel (que ficava a 5 minutos a pé de lá – aliás, qualquer coisa em Porto fica a 5 minutos a pé, a cidade é bem pequenininha) e aguardar o guia do nosso walking tour num lugar mais quentinho.

O guia era outra simpatia de português! E o tour foi excelente, muito bom mesmo! E gente, o que é o inglês dos portugueses? Todos os portugueses que falaram inglês comigo tinha um sotaque impecável! O falante de português, em geral e por incrível que pareça, não tem um dos sotaques mais carregados quando falando inglês, mas acredito que o fato de os portugueses “comerem” as vogais (eles falam tão rápido que tem hora que conseguem eliminar a vogal da fala) ajude muito, já que nós, brasileiro, temos a tendência de querer enfiar um som de vogal em qualquer brecha (já que nós sim pronunciamos todas as vogais quando falamos).

Bem, o Thiago, nosso guia, fez um tour muito interessante, começando pela Estação São Bento, uma estação que foi projetada sem espaço para bilheteria – coisa de português (juro que não queria fazer essa piada, mas porran, essa pediu)! Na estação, há diversos azulejos com figuras que retratam histórias de Portugal. Uma curiosidade: Portugal é famoso por seus azulejos, e se você notar, boa parte deles é pintado apenas em azul e isso porque esta era a cor mais barata.

Azulejos na Estação São Bento
Azulejos na Estação São Bento

Passamos por igrejas, mosteiros, monumentos e outros pontos de interesse, até que chegamos numa pequena igreja que antigamente era um convento. A igreja de Santa Clara  tem mais de 500 anos e é toda revestida de ouro por dentro- segundo o guia, deve haver em torno de 500kg de ouro dentro da igreja, sendo que boa parte deve ter vindo aqui da terrinha. O que me chocou a respeito desta igreja-convento-mosteiro é que nos séculos passados quando os pais descobriam que as filhas estavam de namoricos, mandavam as donzelas para lá, um lugar de onde elas jamais sairiam para nada, ou seja, os próprios pais colocavam as filhas numa prisão. Dentro da igreja, na parte do fundo, tem umas grades cercadas dos “espetos” para impedir que as meninas tivessem qualquer contado com algum possível namorado enquanto assistiam à missa. Que “amor de pai” é esse, hein?! Fiquei chocada com essa história, mesmo que seja coisa de séculos passados.

Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara
Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara

Bem perto da igreja estão as Muralhas Fernandinas, ou o que sobrou delas. Estas muralhas foram construídas ao redor da cidade de Porto para proteger o local de um possível ataque espanhol. A vista da cidade e do Rio Douro de lá de cima é de fazer qualquer um ficar apaixonado por Porto de imediato! Love at first sight!

Eu me apaixonando por Porto!
Eu me apaixonando por Porto!

As muralhas começaram a ser derrubadas no século 18 para dar espaço a outras construções e o que sobrou em pé foi classificado como um monumento nacional. Vale a visita pela linda visão e pelo valor histórico. Só tomem cuidado, porque não tem nenhum tipo de segurança e as pedras podem ser meio escorregadias, além do que a subida pode ser um pouco árdua se você não estiver na sua melhor forma física.

Muralhas Fernandinas
Muralhas Fernandinas

Continuamos o tour e chegamos à Catedral da Sé, ou melhor, à Sé do Porto. Não consegui entrar na igreja porque ela fechava para almoço e como eu também não faço muita questão de entrar em igreja, ficou para outro oportunidade. Em frente à igreja tem ainda um pelourinho que era utilizado para as execuções públicas.

Sé do Porto
Sé do Porto

Andando pela cidade, você vai notar que em vários lugares estão pintadas setas amarelas e azuis que vão indicando um caminho. As amarelas levam à Santigo de Compostela e as azuis, ao Caminho de Fátima. Quem sabe sigo as amarelas da próxima vez?

...
Siga aquela seta!

Finalmente chegamos nas Escadas das Verdades, numas das regiões mais antigas de Porto. Há boatos que as escadas têm esse nome porque era antigamente onde as mulheres se sentavam para conversar… Nesta região há muitas casas muito antigas e algumas até abandonadas e o guia contou que as casas daquela região foram alugadas com a promessa de jamais terem seu aluguel aumentado -por que causa, motivo, razão ou circunstância eu já não me lembro mais – e, portanto, havia casas ali que o aluguel seria de 5 euros, por exemplo. Com esse valor não compensa fazer nenhuma reforma, então, as casas estavam se deteriorando por falta de interesse dos donos de fazer algo. Mas também, né?

Passamos por várias vielas cheias de casas e escadas, algo que parece ser bem residencial mesmo. Paramos numa pequena casa de doces e comemos um de-li-ci-o-so bolo de chocolate, o melhor bolo da minha vida. E olha que Portugal estava só começando a me apresentar suas delícias! O tour acabou no Cais da Ribeira, próximo a ponte Luís I, que aliás, foi inspiração para a construção da Torre Eiffel que, se vocês notarem bem, tem uma estrutura muito parecida. O engenheiro que projetou a ponte era sócio do engenheiro que projetou a Torre Eiffel, ou seja, impossível negar a relação. A ponte é de 1886 e a torre, 1889.

A ponte e eu, eu e a ponte
A ponte e eu, eu e a ponte

Depois do excelente tour com o maravilhoso guia, era chegada a hora do almoço. Decidimos procurar um prato bem típico da culinária local e optamos por comer num restaurante no Cais mesmo. Já tinha ouvido falar da Francesinha, que era um prato bem típico e quando chegamos perto de um restaurante, a mulher que veio nos mostrar o cardápio foi muito gentil e solícita e nos explicou tudo. Na verdade, ela queria me convencer a comer um prato chamado Tripas – todos os miúdos do boi que ninguém quer comer misturado com feijão e não sei mais o que, ou seja, a versão portuguesa da nossa feijoada que surgiu numa época de vacas magras e as pessoas precisavam aproveitar toda a comida que tinham. Olha a minha cara de quem ia topar comer tripas – sou muita fresca pra comer, gente. Resolvi ficar com a Francesinha mesmo, que nada mais é que um lanche no pão de forma, só que entre uma fatia e outra de pão tem tipo uns 4 cm de várias carnes. Depois, o sanduíche é coberto de queijo e vem num molho que tinha algum tipo bebida alcoólica, porque eu senti o gosto. Resumindo: era enorme e custou coisa de 6 euros.

Francesinha
Francesinha

Para terminar o dia, decidimos ir a Praia de Matosinhos. Pegamos o trem, digo, o comboio, que levou quase 1h até lá. Chegamos no fim da tarde e o sol estava quase se pondo. Bem, eu não havia pesquisado o que havia pra se ver lá, mas o T. tinha garantido que tinha algo muito legal na praia. O problema é que quando chegamos, ele não sabia exatamente o que era e nem onde ficava e enfim, eu quase bati nele – sou dessas- por me levar pra um lugar sem saber direito o que fazer! Andamos um pouco na praia com a vista do sol de pondo e por falta do que fazer, voltamos a Porto.

As fotos ficaram legais até
As fotos ficaram legais até

De volta a Porto e para aproveitar o comecinho da noite, fomos a um dos cafés mais antigos e famoso da cidade – porque vocês sabem que tenho tara por cafés. O Café Majestic fica na Rua Santa Catarina, foi inaugurado em 1921 e considerado o sexto café mais bonito do mundo. De fato, o interior é impressionante. Pedi meu chocolate quente com um pastel de Belém, apesar de saber que os portuguese dizem que pastel de Belém de verdade só existe um (vendido em Belém, claro) e o resto é apenas pastel de nata.

Delicinha!
Delicinha!

Na volta para o hostel, passamos pela Livraria Lello e Irmão, aquela que dizem que a escadaria serviu de inspiração para Harry Potter. Eles têm um horário muito específico para poder entrar e tirar foto e como eu fui fora desse horário, não bati nenhuma foto. Eu li Harry Potter quando era adolescente, mas nunca tive paciência para os filmes e me julguem, mas eu acho que chegar aos quase 30 e ainda ser louco por Harry Potter é algo que precisa ser superado, gente. Desculpa. Passei na livraria por passar e voltei ao hostel. Banho quente, cama confortável e fui descansar para o dia seguinte de muito amor em Porto.

<3