Primeiro ano de mestrado – Parte 2

O post anterior deve ter dado uma impressão que eu estou meio entediada com o mestrado. Seria ótimo dizer que foi só uma impressão.

A universidade e as aulas

As pessoas idolatram e idealizam a Finlândia como o país do milagre da educação. Eu não vou nem entrar no mérito dos exames usados para gerar os rankings – ou vocês acham super normal e justo usar um exame padrão para avaliar países tão distintos como Brasil e Finlândia, por exemplo? -, mas o que as pessoas talvez não notem é que isso se aplica ao ensino básico. Não estou dizendo que as universidades finlandesas não são boas, mas que quando pensamos no tal milagre da educação, isto não inclui o ensino superior. Não vou aqui citar posições em rankings das universidades, porque a colocação pode variar muito dependendo de qual ranking você escolhe, o que é avaliado e quantos países estão inclusos – nada nessa vida é preto no branco.

mestrado

A Universidade de Oulu tem uma estrutura incrível e nem poderia ser diferente, já que a cidade é considerada o “vale do silício finlandês”. Não faltam computadores para uso dos alunos, a biblioteca é muito boa e com muitos espaços para estudos individuais ou em grupo, as instalações são ótimas, tem wifi no prédio inteiro, todas as salas de aula têm computador, projetor, aquecimento, ventilação, enfim, tudo necessário para dar condições adequadas a alunos e professores de aprenderem e ensinarem. Mas como a gente sabe, o protagonista ainda é o professor. E aí a coisa pode complicar um pouco.

Eu tive diversos professores enquanto cursava Letras e Licenciatura na USP e 99,9% deles tinha algo em comum: doutorado. É claro que eu sei que a USP não corresponde a realidade do país, mas esta é a realidade de onde eu saí para ir me meter na Finlândia… Para chegar e notar poucos meses depois que a Faculdade de Educação está um tanto sucateada. Cerca de metade dos meus professores são doutorandos e muitos deles ensinam disciplinas não relacionadas com sua área de pesquisa. Veja, eu não estou desmerecendo os professores, até porque admito que alguns deles são realmente muito bons e vão bem preparados para a aula, mas não faz sentido nenhum você colocar para ensinar no mestrado alguém que o maior título “conquistado” é o de mestre. Ou então, pense assim: uma escola de inglês, por menor que seja, jamais vai colocar uma pessoa que acabou de sair do curso avançado ou que ainda não tem experiência como professor para dar aula para a turma avançada. Esta pessoa vai começar com os níveis mais básicos, porque ela não vai dar aula para uma turma que vai ganhar o mesmo certificado que ela acabou de receber. A comparação pode parecer besta, mas é para deixar meu ponto de vista mais claro. E aí eu penso “Poxa, saí do Brasil para ter minhas aulas de mestrado com pessoas que são mestres, enquanto no Brasil eu tinha aula na graduação com doutores. Oi?”

Eu tive professores doutores terríveis na USP, aliás, alguns para serem chamados de terríveis ainda precisariam melhorar muito, mas eram todos pesquisadores que dominavam muito o assunto que lecionavam e nunca deixavam uma pergunta sem resposta. Eu já saí de aulas do mestrado onde perguntas foram feitas e respostas não foram exatamente dadas. Além disso, já foi dito abertamente que porque um professor titular que ministrava as principais disciplinas do curso se demitiu, mestrandos foram escolhidos às pressas para ocupar seu lugar – para lecionar as principais disciplinas do curso. Tirem suas conclusões. Enfim, resumindo: como diz o ditado “diploma não encurta a orelha de ninguém”, mas nem por isso eu acho que é aceitável termos professores no mestrado que são mestres e, visivelmente, estudaram o tema da aula para estar lá lecionando e não dominam o assunto. Não dá para nivelar por baixo. Assim como eu não posso dar aula no ensino regular no Brasil sem ter meu diploma de licenciatura por mais talentosa que eu seja como professora, certas regras deveriam ser seguidas no corpo docente de qualquer curso de mestrado que se preze. E eu não culpo os professores, eu culpo a Faculdade mesmo.

Outro ponto é que o formato de aula da USP é um tanto parecido com o da universidade, o que por um lado é bom, pois não tive dificuldades em me adaptar, mas por outro me faz sentir entendiada. Assim como na USP, a maioria das aulas pressupõe que o aluno tenha lido o artigo escolhido para que haja discussão em sala de aula que é mediada ou guiada pelo professor. O que difere um pouco é que na Finlândia muitas vezes os professores nos separam em grupos para propor estas discussões. Muitos colegas meus ficam admirados que o “aluno tem voz e participa das aulas e que os professores não são os donos absolutos da verdade”. Ehhh… mais ou menos, né, gente?

Há muitas discussões em aula, o que é ótimo mesmo, mas são discussões que, pra mim, soam como mais do mesmo, senso comum, algo lógico e óbvio pra cabeça de uma pessoa que já estudou educação formalmente. Enquanto meus colegas parecem ter insights e epifanias, eu fico pensando no que vou fazer pro jantar, porque não me sinto interessada, desafiada e tampouco na vibe de entrar na discussão. É lógico que eu não sou expert em educação, não sei tudo, não li tudo e tenho muito a aprender (a vida seria muito chata se a gente não aprendesse algo todo dia, não é?), mas é que, no máximo, vejo que as discussões apresentam um outro ponto de vista de um assunto que pra mim já é claro. Nestes casos, me interesso nos primeiros 5 minutos e depois minha mente voa… Finalmente, algumas disciplinas simplesmente não me interessam ou do jeito que são expostas, se fazem desinteressantes.

Nos últimos meses, me perguntei diversas vezes qual era o problema. Eu não tinha a menor vontade de ir a maioria das aulas, os assuntos não me interessavam e eu sentia que nada acrescentava muito à minha formação pelos motivos que eu já citei. Mas ao mesmo tempo, notava que a maioria dos meus colegas de turma pareciam estar tirando proveito da experiência.

Continua…

Primeiro ano de mestrado – Parte 1

É com muita alegria que escrevo um post sobre o fim do meu primeiro ano de mestrado! A sensação que dá é que estou jogando Super Mario (minha referência de video game é só essa – not a gamer at all) e que vou desbravando os mundos. Agora estou no mundo “mestrado” e cada “telinha” é uma parte do curso que eu começo, passo pelos obstáculos – às vezes perco o Yoshi, às vezes sou um mini Mario vulnerável, às vezes tenho a capinha de voar e passo rápido pela tela – e finalmente, vou chegar no grande desafio – entregar a tese – e passar para o mundo seguinte, que eu ainda não sei como ou qual será. O bom de não ter decidido o que fazer depois é que renúncias ainda não foram feitas e há um mundo de possibilidades.

mestrado

Com metade do caminho percorrido, esta é uma boa hora para fazer um balanço, refletir e renovar as energias para seguir pelo segundo ano. Eu pouco tenho falado do meu mestrado no blog, então esta é a hora de tirar o atraso e jogar a real.

O sonho do mestrado começou no início de 2014 quando eu fiquei sabendo do curso em Oulu. O ano de 2014 inteiro foi basicamente me preparando para a possibilidade de entrar no programa: juntei dinheiro, pesquisei bastante sobre o curso e preparei minha inscrição. Em 2015, já aprovada, me preparei para embarcar nessa nova aventura, sem saber muito bem como seria, mas muito empolgada por estar indo cursar o mestrado que eu meio que idealizei por tantos meses. O meu primeiro mês na Finlândia foi muito intenso! Muita informação, muitas coisas novas, muitas coisas para aprender, entender, saber lidar e conhecendo gente nova de todas as partes do mundo todos os dias! Eu jamais havia me sentido assim antes e foi bem overwhelming, confesso! Depois tudo entrou numa rotina e pela primeira vez na vida adulta toda, eu me tornei apenas uma estudante (eu fiz USP, mas eu trabalhei praticamente durante minha graduação inteira).

O fator novidade acabou e a adaptação já não era um problema. O que me restou foi uma rotina de semana com aulas e muitas leituras, preparação de apresentações e trabalhos. E aí eu comecei a notar que  o mestrado não era assim exatamente aquela última Trakinas de morango do pacote. É muito simplista resumir minha impressão do mestrado dessa forma, eu sei, mas vou tentar explicar minha percepção deste quase um ano morando em Oulu exclusivamente para me formar mestranda.

O programa

Eu faço mestrado em Educação e Globalização. Isso significa que o tema educação é abordado de um ponto de vista, teoricamente, mais global. Ou, resumindo a descrição do site oficial, o programa foca em ética, currículos, planejamento, avaliação e estudos comparativos em educação, visando capacitar os mestrandos a serem líderes com responsabilidade social nos mais diversos contextos, enfatizando o diálogo entre os 4 cantos do mundo e como a globalização afeta vários setores da educação. Lindo, não? Trocando em miúdos, é um mestrado para quem deseja trabalhar nos “bastidores” da educação, não necessariamente em sala de aula, que é o palco. Eu fiquei encantada, afinal, sempre acreditei que a educação é uma forma de mudar o mundo e fazer a diferença na vida das pessoas e era exatamente assim que eu me via enquanto dava aula – não era uma transmissora de conteúdo, era alguém que poderia, de uma forma ou de outra, fazer a diferença na vida dos alunos. Este mestrado, então, me ajudaria nesta “tarefa”.

O programa na real

Talvez eu tenha ignorado uma informação muito importante: o programa não é exclusivo para graduados na área de educação. Soa meio irônico, sem sentido, mas a realidade é que na minha turma de 15 alunos, tem uma arquiteta, 2 linguistas, uma contadora, um psicólogo, uma tradutora, 2 formadas em administração, 2 formados em literatura e 1 formado em filologia. Fez as contas? De 15, apenas 4 tem estudos formais em educação, eu inclusa. Dentre os 11 de outras áreas, 6 têm alguma experiência em sala de aula, a maioria ensinando inglês a estrangeiros e/ou por pouco tempo apenas. Eu sou licenciada em Letras e professora há quase 6 anos. O que aprendemos com este parágrafo? Que muito ironicamente, meu perfil é bem diferente do restante da turma e sou basicamente a única com formação e experiência na área de educação.

O curso é dividido em major e minor. Major são aquelas disciplinas obrigatórias e o minor pode ser escolhido livremente, mas o minor padrão do curso é em Educação. Eu queria fazer este minor? Não. Eu precisaria fazer este minor? Não. Eu tive outra opção a não ser fazê-lo? Não. Sim, eu poderia ter escolhido outro minor desde que eu falasse finlandês, pois não havia realmente nenhuma outra opção minimamente ligada ao meu mestrado ministrada em inglês. Levei esta questão a coordenadora esperando que ela me ajudasse a achar alguma solução para que eu não ficasse eternamente entediada, mas a resposta não foi muito diferente de “eh, infelizmente, são poucas opções em inglês… eh, você vai ter que procurar algo que te interesse e seja em inglês… eh eh”. Eh, eu estou fazendo o minor em educação. Mas vamos olhar o lado positivo: teria sido muito pior se eu fosse formada em Pedagogia, não é mesmo?

 Continua…

Quatro meses em Oulu

Quatro meses em Oulu e bem, no momento nem estou na cidade, mas claro que não poderia deixar de postar o resumo de mais um mês morando na Finlândia, essa fria.

Quatro meses e…

… eu nunca usei 3G aqui! Não tenho plano de dados e estou vivendo muito bem. Tenho wifi em casa e na universidade (sim, gente, tem wifi free e ilimitado dentro das salas de aula) e estes são os lugares onde mais passo tempo. Se saio, não é difícil achar wifi – tem sinal em todos as bibliotecas e edifícios públicos e em todo o centro. É uma cidade pequena, mas moderna.

… na verdade, eu nunca nem coloquei crédito no meu celular! Ganhei um chip com crédito no meu kit de calouro e como só ligo para as pessoas quando saio e me perco, eu ainda não zerei esses créditos.

… o prometido frio de -30 graus ainda não chegou, mas já peguei -17 e sobrevivi! E não é que sobrevivi dentro de casa com aquecedor, sobrevivi pedalando na rua. Por incrível que pareça, por aqui ser um lugar seco e não ventar muito, -17 é muito suportável quando você está adequadamente vestido.

… pedalei na neve e vi que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Se ela ainda está fofa, não há perigo nenhum, porém cansa muito mais, pois é quase como se estivesse pedalando na areia. Além disso, o fato de estar tudo branco confunde um pouco, porque é difícil saber onde é asfalto e onde era grama, além de me fazer perder as entradas onde devo virar, porque vamos combinar que se guiar pelas árvores quando está tudo branco não é a coisa mais fácil do mundo.

… e pedalei na neve derretendo também e bem, aprendi com minha própria experiência que escorrega. E só para ter certeza que aprendi mesmo, eu cai e rasguei a calça.

… precisei comprar um acessório com “ganchinhos” para colocar nos calçados. Isso não tem nome em português – por motivos óbvios – mas em finlandês se chama “jääkengät“, algo como “sapatos de gelo” e serve justamente para aqueles dias que a neve começa a derreter e a rua parece um grande rink de patinação. Já usei e está aprovado.

É tipo isso, mas o meu tem ganchos maiores - só pra ter certeza
É tipo isso, mas o meu tem ganchos maiores – só pra ter certeza

… já nevou bastante aqui,e apesar de ainda não ter feito meu boneco de neve e nem o anjinho, fui andar no lago congelado perto de casa. Adorei!

Minha flatmate não bate bem da cabeça
Minha flatmate não bate bem da cabeça – só para constar, eu sou a de vermelho e estamos no lago

… chato dizer isso, mas já não me empolgo mais em ver a aurora boreal! No mesmo dia que pedalei curtindo -15 graus, olhei para o céu e lá vi a dama dançando toda verde. Pensei “legal”, segui em frente e não aceitei o convite das flatmates para ir ao terraço do prédio ver a aurora – eu estava muito cansada de pedalar na neve e estava fucking -15 graus, gente.

… não estou sofrendo tanto com o sol nascendo quase às 10h da manhã e se pondo antes das 15h.

… estou aliviada com o fim das aulas e não sei se muito empolgada para o início do próximo semestre.

… porém muito empolgada para começar minha pesquisa (juro que o post sobre ela ainda será escrito – paciência, gente). Tive reunião com uma das coordenadoras do curso e isso rendeu ideias e estou ansiosa para começar.

… e esse mês foi muito corrido, com leituras, aulas, trabalhos e livros!

… senti saudade de verdade da vida no Brasil pela primeira vez. Mas passou.

… adoro cozinhar e isso já se reflete na balança que, por motivos misteriosos, mostra um número maior do que mostrava em São Paulo.

… e fico feliz que vou ficar mais de um ano por aqui, porque senão já estaria quase na metade do intercâmbio.

E eu ainda gosto muito dessa Oulu pacata sem nada para fazer, mas com uma bela natureza!

Fim do ensino gratuito?

Quando estava pesquisando sobre mestrado no exterior e achei a Finlândia, um dos principais motivos de querer vir para cá foi justamente o fato de o ensino ser gratuito, afinal, não teria condições de pagar em euros para estudar aqui e ainda arcar com todas as despesas de custo de vida.

A Finlândia era um país muito pobre e o ensino foi uma forma que o governo encontrou de fazer o país se desenvolver e ser o que é hoje – ou que era. Infelizmente, o país está em recessão e o governo está vendo onde vai cortar o quê para tentar fazer a situação ficar “menos pior” e a educação está no meio disso.

As inscrições para iniciar o mestrado no segundo semestre de 2016 estão abertas desde o dia 15/12 (e vão até dia 30/01/16) e enquanto no ano passado eu não precisei pagar nada para me inscrever, a partir deste ano todos os candidatos que possuem diploma de ensino superior de fora da Comunidade Europeia, já precisam pagar 100 euros para realizarem a inscrição, mas ainda poderão estudar gratuitamente em 2016. O problema é que na última terça-feira, o parlamento finlandês votou a favor de cobrar uma taxa anual de pelo menos 1500 euros para alunos de fora da União Europeia que realizarão seus estudos em inglês no país – alunos de doutorado e pesquisadores estão fora dessa cobrança, que provavelmente começará em 2017. Como em todo país que cobra taxas de alunos, as universidades passarão a oferecer bolsas de estudos, algo que hoje não existe justamente porque o ensino é gratuito. Todas estas informações foram retiradas daqui (em inglês).

É claro que não há uma solução nisso, pois é justamente o oposto do ideal finlandês de garantir direitos iguais a todos e acesso livre a educação. O primeiro passo pode ser cobrar de alunos não europeus, em seguida de todos os estrangeiros e por fim, pode chegar a cobrança do ensino para os próprios finlandeses. Além disso, a Finlândia não está nem perto de ser o país mais atrativo da Europa para estrangeiros – aqui é longe de tudo, o clima não é nada convidativo e o custo de vida é altíssimo se comparado com outros países europeus (é o quarto país mais caro da União Europeia) e com a cobrança de taxas anuais, certamente os estudantes que considerariam vir para cá ou terão que desistir por não terem condições financeiras ou escolherão países com custo de vida menor e clima mais atraente.

Alunos e professores das universidades, em sua maioria, não apoiam esta cobrança e uma professora minha disse que até preferiria pagar mais impostos do que ter cortes na educação ou passarem a cobrar.

Esta novela ainda está rolando e 2016 vai ser decisivo.

Faculdade de Educação da Universidade de Oulu
Faculdade de Educação da Universidade de Oulu

Trindade no mestrado

Certo dia estava lendo um comentário no blog e li o termo “trindade” e, na hora, não entendi muito bem o que isso queria dizer. Mandei um print para a Bárbara e o Rick – sim, nós somos esse tipo de amigos – para perguntar o que eles tinham entendido. Só então compreendi que algumas pessoas acompanham nossos blogs e assim fomos apelidados. Não sabia que era tão óbvio que éramos amigos além do mundo virtual.

Nós nos conhecemos em Dublin e simplesmente porque tínhamos blogs. O Rick deixou alguns comentário no meu blog antes de ir pra lá, mas eu nem dei bola. Só que ele, muito sociável, ficava insistindo num “vamos tomar um café” e, finalmente, eu pensei “por que não?”. Afinal, ele não me pareceu ser um tarado louco (te amo,  viu, Rick?). Nos conhecemos pessoalmente numa situação bem inusitada: ele me ajudando a fazer minha mudança e carregando cacareco no ônibus. Porque eu sou dessas que mal conhece a pessoa, mas já abusa pede favores. A Bárbara também deixava comentários no meu blog e um dia, não lembro bem como, ela me perguntou se podia me adicionar no Facebook. Conversamos um pouco pelo messenger e no dia que ela chegou em Dublin, debaixo de chuva, eu a encontrei e a levei pra minha casa e fiz janta – porque eu também ajudo as pessoas no dia que as conheço, não só me aproveito peço ajuda.

Alguns dias depois nós três nos encontramos pela primeira vez para tomar um café e desde então somos amigos do tipo que se falam sempre. Qual foi a fórmula para isso acontecer? Não sei, acho que nosso santo bateu e já estamos aí numa amizade à distância (apesar que vi os dois todos os anos) há quase 3 anos – valeu, Whatsapp. A Bárbara continuou em Dublin esse tempo todo, o Rick foi pra Sligo e agora mora em Cardiff, no País de Gales e eu voltei pro Brasil, resolvi a vida (refletindo hoje, esses dois anos no Brasil foram realmente fundamentais) e agora moro, quem diria, na Finlândia.

Nós sempre falamos da vida em geral, pedimos conselhos e opiniões, conversamos sobre blog, viagens e de repente começamos a falar em mestrado. Acho que eu comecei esse papo todo no comecinho de 2014 quando passei a enchê-los sobre querer vir para Oulu – eu queria morar fora novamente e havia prometido que para isso só estudando algo de útil. A Bárbara juntou a vontade com a necessidade e também começou a ver seu mestrado. O Rick havia decidido que era hora de encarar uma nova fase e quando percebemos… os três começaram mestrado no mesmo outono de 2015. Se isso não é pacto de amizade, amigos leitores, não sei mais o que seria gente, eu não topo pacto de sangue, não insistam.

Bia Ricky Bá.rcelona (fãs de Woody Allen entenderão)
Bia Ricky Bá.rcelona (fãs de Woody Allen entenderão) – aja naturalmente… hahaha…

Quem acompanha nossos blogs já sabe o que fazemos, mas não custa resumir e se você não acompanha os blogs deles, vale muito a pena ir lá ler sobre a vida de cada um.

Bárbara faz mestrado em Ensino de inglês (me diga que acertei o nome, Bárbara) na UCD, uma das melhores universidade do país junto com a Trinity College. Rick faz mestrado em design gráfico (falei direito, Rick?) na Cardiff School of Art and Design. E eu, como vocês sabem, faço mestrado em Educação e Globalização. Cada um feliz e na sua área. E ambos com planos de me visitar onde o mundo termina seguindo ao norte.

Quem sabe daqui alguns anos a trindade não está toda no doutorado? 😉