Primeiros dias no Brasil

Retornar ao Brasil após um ano morando fora traz as mais diversas sensações e sentimentos. Eu, macaca velha de intercâmbio, já havia passado por esta experiência em 2009 quando retornei dos Estados Unidos. E os dois retornos foram bem diferentes, mas isto é tema de algum post futuro.

O post de hoje é mais palpável, concreto. Como é voltar para casa depois de um ano?

Primeiro, eu me desfiz da minha vida irlandesa: com muita dor no coração, sai do meu emprego, fechei minha conta no banco, doei algumas poucas coisas (materialista, né?) e excluí o app do Dublin Bus do celular. Acho que nesta hora que a ficha começou a cair.

21h e 12.000 km de viagem depois, cá estava na minha São Paulo sem minha mala gigante extraviada pela Lufthansa. Achei a cidade muito feia, as pessoas estranhas, o estilo de vida meio nonsense. Tudo era estranhamente familiar e ao mesmo tempo novo.

No dia seguinte, logo cedo, liguei para a Lufthansa e para minha alegria, minha mala foi encontrada- por algum motivo X, ela havia ficado em Frankfurt e chegou no voo do dia seguinte- e no mesmo dia, à noite, ela chegou em casa.

Minha primeira saída na rua foi uma experiência. Apesar de ser inverno, fazia uns 27 graus e saí de regata. Não fui muito longe de casa, então fiz o caminho todo a pé. Apesar de ser paulistana, estava no papel de uma outsider e prestava atenção em tudo como se fosse minha primeira vez na terra da chuva ácida garoa. Tudo parecia muito agitado, muitas pessoas andando na rua, todas falando apenas português (eh, depois de um tempo, isso soa estranho), ônibus lotados (era fim de tarde), poluição e pessoas completamente diferentes dos irlandeses (para o bem e para o mal). Porém, o que mais me incomodou foi notar que estava sendo “olhada” ao andar. Não, não estou me achando a última bolacha do pacote, até porque, acho que deu para perceber que meu tom é de repúdio! Homens irlandeses não secam mulheres na rua e depois de viver um ano sem isso, foi muito desconfortável notar este tipo de coisa. Sociedade machista.

A cidade mudou. Não existe mais Telefonica, agora é Vivo e os orelhões são coloridos! Quase tudo no metrô está (duvidosamente) traduzido para o inglês. Os celulares têm 9 números e todos começam com 9. O Espaço Unibanco agora é Itau Cinema.  Muitos prédios novos e outros reformados por aí. E não só a cidade mudou. As notas de real também mudaram! E os preços subiram muito (de tudo). É quase como eu se tivesse dormido por um ano e acordado.

Coloquei minha vida em ordem por aqui também e fui ao Cartório regularizar minha situação, já que não votei na eleição anterior: paguei 7 reais e estou quite com a justiça eleitoral. A conta no banco estava em ordem. A matrícula da faculdade foi reativada. E a vida foi voltando ao normal, um pouco a cada dia. 😉

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Oi, Brasil! Cheguei!

Ao meu lado havia um casal de idosos brasileiros bem simpáticos que puxaram papo comigo e ainda me deram chocolate. O avião estava lotado e vi pouquíssimos lugares vazios, sendo que a maioria dos passageiros era brasileiro (eu só ouvia português perto de mim).

O voo foi bem tranquilo, sem turbulências, cheio de comidinhas e comissários de bordo super sorridentes (quase fez minha raiva da Lufthansa passar, quase, mas não). Eu tirei dois cochilos de meia hora na viagem toda- a poltrona mal reclinava e o espaço para as pernas era ridículo (e eu não tenho nem 1,60 de altura!).

No meio do voo, pensando na vida, me dá um clique! Nos últimos 3 meses da minha vida eu pedi o formulário de tax free em todas as compras que fiz. Qualquer não-europeu ou não residente tem direito a recolher de volta o imposto pago em tudo que comprar. Para isso, basta pedir o formulário na hora do pagamento, preencher com seus dados e número de cartão de crédito e deixar o envelope no aeroporto antes de sair da Europa. Contei a presepada que foi minha passagem pelo aeroporto de Dublin, né? Você acham que eu me lembrei disso? 😦

O melhor da viagem estava por vir. O voo pousou às 5h05 da manhã. Peguei minha mochila, passei pela imigração e fui aguardar minhas malas. Dois voos de Frankfurt chegaram no Brasil no mesmo horário, o da Lufthansa e o da TAM, e a bagagem de ambos estava passando pela mesma esteira. Veio a primeira mala, oba! Vi a filha pródiga que me foi tomada em Dublin, ufa! E fiquei no aguardo das outras duas. 10 minutos, 20 minutos. “Deve ter mala de mais de 500 passageiros aí, dois voos, por isso que tá demorando“- me consolei. 30 minutos, quase ninguém mais esperando mala e apenas meia dúzia delas rodando na esteira. Fui perguntar a um funcionária que estava supervisionando a esteira se ainda havia malas dos voos de Frankfurt e o ser humano, muito grossamente, me diz que não fazia ideia e que se a minha mala não tivesse chegado ainda eu tinha é que tratar com a companhia aérea.

E lá fui eu ao guichê da Lufthansa, aquela companhia que como vocês sabem, eu gosto muito (recomendo a todos os inimigos, inclusive). Tive que descrever as duas malas (sendo uma delas uma mala gigante verde-fluorescente-cheguei) e citar 3 itens que havia em cada uma (como se eu me lembrasse depois de ter feito 4 malas, né?). Milagrosamente, uma das malas apareceu no aeroporto, mas a verde havia sido extraviada, de fato. Passei no free shop (momento mulheres rycas) e voltei ao guichê para assinar uma declaração para a Polícia Federal de que não tinha bens tributáveis na mala extraviada e tive que passar pela fila da Polícia Federal, mesmo não tendo nada a declarar. Sacanagem, né?

Os funcionários da Lufthansa me informaram que num prazo de 2 a 3 dias, me ligariam para informar se a mala havia sido achada. Caso contrário, eu teria que fazer uma descrição detalhada de tudo que havia dentro dela e a companhia aérea calcularia um valor de indenização. Eu contei que esta mala pesava quase 34kg? 😦

Saí do aeroporto lá pelas 7h15, carregando meu sobretudo no braço porque não estava frio (estava uns 14 graus, mas isso já nem é mais frio pra mim, vamos combinar), chateada e sem a mala que tinha 90% das minhas roupas.

Achei São Paulo muito feia (a mesma impressão que tive ao chegar dos EUA, mas depois passa), achei o modo de se vestir das pessoas esquisito (acho que me acostumei às esquisitices de Dublin) e tudo parecia estranhamente novo e familiar ao mesmo tempo.

Cheguei em casa meio agitada e só consegui dormir depois do almoço. Aliás, dormi das 13h até às 6h da manhã do dia seguinte. Acordei umas 3 ou 4 vezes nesse tempo para comer, tomar banho e discutir (né?). Eu estava exausta!

E assim terminou minha “jornada” de volta para casa.

Uma viagem muito louca

Eh, voltei para o Brasil, mas não pense que as 21h que se passaram entre a hora que saí da minha então casa em Dublin até chegar na minha agora casa em São Paulo não foram cheias de emoções e trapalhadas. Ou você acha que este post tem título de filme de Sessão da Tarde de graça?

Tudo começa com as malas. Eu não sou daquelas que consegue montar a mala dias antes da viagem, então, às vésperas de voltar, não sabia bem se precisaria de 2 ou 3 malas para levar minha vida de volta para o Brasil. A ideia era levar apenas 2 malas despachadas, mas aos 45 do segundo tempo notei que sou muito apegada às coisas materiais, bem estilo Material Girl da Madonna, e não consegui me desfazer das minhas posses. Nota mental: Viver à lá Chris McCandless qualquer dia desses, mas sem me meter no meio do mato.

Arranjei uma terceira mala e lá fomos nós para o aeroporto: eu, duas flatmates lindas e maravilhosas, 4 malas e uma mochila. Como o voo era à tarde, resolvi ir de ônibus e no caminho encontramos uma brasileira indo para o aeroporto também. Eu meio nervosa, querendo me distrair, puxei papo com ela e me arrependi 5 minutos depois. A menina era daquelas que foi au pair nos EUA e mora na Europa (tipo eu), e acha que Brasil é uma merda e a Europa é vida (tipo eu, só que não) e ficou com esses papinhos de ter necessidade de morar em Portugal, porque, né, que retardado iria querer morar no Brasil? Convencida de que eu não precisava ouvir isso naquele estado de nervosismo de quem volta para o Brasil depois de 1 ano fora, virei a cara para a janela e deixei a menina falando com as flatmates (sorry, meninas, mas estava quase vomitando ouvindo o ser humano).

Ou eu calculei mal o tempo ou o motorista era muito lerdo (segunda opção, os motoristas de Dublin são a cara da lerdeza) e já estava tensa pelo horário quando finalmente chegamos ao aeroporto faltando 1h30 para o voo decolar. Fiz check-in, paguei excesso de bagagem pela minha 3ª mala despachada (165 euros, diga-se de passagem), me despedi das meninas, passei pela segurança e fui procurar o portão 311. Naquele misto de emoções, eu meio avoada, me dei conta que fui parar no lugar errado e quando tentei voltar, tá dáááá: no way out! A porta era bloqueada e não havia como eu voltar. Faltando 20 minutos para começar o embarque, eu estava perdida dentro do aeroporto. Como eu saí de lá? Eu SAÍ, literalmente! Fui parar na fila da imigração que tinha apenas um oficial para atender. Comecei a pedir desesperadamente para os primeiros da fila me deixarem passar, pois estava atrasada, até que um casal de americanos me deixou passar na frentes deles, e o asiático da frente, comovido com minha cara de loser, me deixou passar também. Já estava esperando ser barrada lá, porque, né, eu só tinha uma desculpa esfarrapada de que saí pelo portão errado e não deveria estar ali.

– Oi! Eu me perdi no aeroporto e precisei sair para ir para o portão certo. Meu voo para Frankfurt sai daqui a pouco!
– Ah, vai reto aqui pelo corredor até o final, suba e procure as plaquinhas de voos de conexão. (e nem olhou meu passaporte – e se eu estivesse mentindo?)

Cheguei, novamente, na segurança do aeroporto. A essa altura já estava suando até pela sola do pé. E lá vamos nós tirar bota, cinto, lenço e apitar no detector de metais (engraçado que da primeira vez não apitou) e ser apalpada revistada pela funcionária. Desta vez olhei as plaquinhas com mais atenção e consegui chegar no portão quando a fila se formava para o embarque, molhada de suor.

Ainda consegui fazer umas ligações de última hora na fila. Quando entrego meu bilhete para a agente de embarque, ela me lança um olhar do mal e diz que minha mala é muito grande para ir comigo na cabine, pega a balancinha e diz que o limite de peso é 8kg e a minha tinha mais (eh, tinha mesmo). Falei que iria colocar os kilos extras na minha mochila, então, simples. Aí começou uma pequena discussão (porque eu sou bocuda e argumento com o pessoal da companhia aérea, mesmo sabendo que eu posso ficar sem minha mala ou parte das minhas posses):

– Não, porque sua mala é muito grande e você só pode levar uma mala de mão.
– Mas isto não é uma mala, é uma mochila.
– Não importa, é muito grande.
– Meu destino final é o Brasil e quando vim, eu pude trazer a mala e a mochila comigo.
– Ah eh? Não sei disso.
– Tem muita gente embarcando com mala e bolsa (apontei a galera passando), isto não é justo!
– Sua mala é muito grande e você só tem direito a uma na classe econômica. Você pode despachá-la ou deixá-la aqui.
– E quanto você vai me cobrar para despachar a mala?
– Não estou te cobrando nada, mas se você quiser pagar, fique à vontade. (e este é o treinamento que a Lufthansa dá aos funcionários!)
– É seu trabalho me informar isso!
– Sua mala não tem nem etiqueta de mala de mão, você não mostrou ao fazer check-in.
– A atendente não me perguntou sobre minhas malas de mão e não sou obrigada a saber disso, não sou eu que trabalho para a Lufthansa. Ela deveria ter me orientado sobre as malas de mão (na verdade, eu sabia de tudo, mas o fato é que a moça do check-in realmente deveria ter perguntado sobre as malas de mão, né?)
– É obrigação do passageiro apresentar todas as suas malas ao fazer check-in. Você vai despachar a mala ou deixá-la aqui?
(muuuuuito frustrada)
– Você tem algum lacre para eu colocar na mala?
– Não, não tenho.
– Qualquer um pode abrir a minha mala, a Lufthansa se responsabiliza se algo estiver faltando quando eu chegar no Brasil?
– Nós não abrimos malas. (inocência ou ironia?)

Abri minha mala de mão, tirei os itens de valor e amarrei um lacinho prendendo o zíper. Não iria impedir ninguém de abrí-la, mas pelo menos não seria fácil demais. Fui a última passageira a embarcar num voo lotado para Frankfurt, lançando um último olhar à minha malinha e me perguntando se a veria novamente.

O voo decolou às 18h15, horário local, e a viagem toda durou 1h30. Acostumada ao padrão Ryanair, achei estranho quando serviram um lachinho, uma saladinha com torradas. O voo foi tranquilo, mas eu tenho o dom de me sentar perto de pessoas que cheiram mal, acontecia sempre nos ônibus de Dublin. Foi um voo tenso, vários odores e eu não via a hora de chegar!

Saí do avião e tinha 1h para embarcar no voo para São Paulo. Quer dizer, 1h para o avião decolar, o embarque começaria 40 minutos antes. Coloquei a mochila nas costas e fui seguindo as placas muito atentamente desta vez (porque imagina a confusão se eu me perdesse novamente?) e uns 15 minutos de caminhada depois, cheguei a segurança (terceira vez no dia). Para variar, o detector apitou quando passei e fui, mais uma vez, apalpada revistada.

Meu celular toca e um policial da GARDA se identifica, falando sobre laptops roubados. Juro que se ele estivesse ligando para avisar que haviam achado meu laptop eu iria xingá-lo, porque isso não se faz! Ligar para pessoa com uma notícia dessas no dia que ela está deixando a Europa nas lembranças? Mas não, era só para me perguntar se quando levaram meu laptop eu recebi uma ligação pedindo “resgate”, porque havia acontecido um caso assim na região que ele atendia e queria apenas checar se os crimes eram parecidos. Ah bom, né?

Embarquei sem grandes problemas no voo para o Brasil (já tinha dado de causar na Europa), pronta para as próximas 11h20 de viagem.

[continua]

Um ano de Irlan… oh wait!

Voltei!

Não cheguei a completar exato um ano de Irlanda porque aquela companhia aérea que eu tanto amo (ao contrário), Lufthansa, cobrou uma taxa de remarcação de passagem superfaturada. Basicamente, se eu quisesse voltar dia 23 de julho, o último dia disponível para remarcação, me cobrariam apenas 1900 reais, quase o valor que paguei pela passagem de ida e volta. Por motivos financeiros, então, retornei à pátria amada e idolatrada (oi?) uns dias antes (porque só me extorquiram cobraram metade do valor) por isso. E perdi a super semana de sol e calor que veio logo depois que vim embora. Eh, acho que meu karma era passar frio lá!

Eu estava contando os dias para voltar por algum motivo até agora não descoberto. Sometimes my mind plays tricks on me. Porque cheguei aqui e não entendi ainda porque eu queria tanto voltar. Alguns dias já se passaram e eu entendo porque não quis ficar outro ano (tema de algum post futuro) e lembrei porque tanto quis ir para a Irlanda (isso só sendo meu amigo na vida real para saber – o blog não é divã, né, gente).

Foi bom ter morado na Irlanda?

Neste ano eu perdi passaporte, tive meu laptop furtado e passei por cada situação que só Jesus na causa! Tem coisa que não gosto nem de lembrar e adoraria um sistema a lá O brilha eterno de uma mente sem lembranças para a vida parecer mais bonita quando eu olho para o passado. Mas tem o lado bom, como tudo na vida: conheci pessoas maravilhosas e que valeram a pena ter ido me aventurar na Europa, apesar de algumas delas terem aparecido já quase aos 45 do segundo tempo (sim, são vocês mesmo), conheci outra cultura e acho que me tornei mais gente.

Aliás, num intercâmbio deste tipo ou você vira gente ou nunca mais na vida. E sinto informar que tem alguns que nunca na vida mesmo! Se você não era uma pessoa totalmente independente no Brasil, lá você é obrigado a ser. Foi um ano em que eu paguei todas as minhas contas (do aluguel a bala), fiz meus horários, determinei minhas prioridades, convivi com pessoas bem diferentes de mim (e paciência é meu dom, amém!) e me virei nos 30.

Eu não viajei tanto quanto gostaria, confesso, mas não me sinto frustrada. Só é mais uma desculpa para voltar a Europa daqui algum tempo- como me falaram, minhas asas são muito grandes- não pensem que não sairei mais do Brasil.

Meu inglês ficou meio manco. Eu falava muito mais inglês no Brasil do que na Irlanda. Dando aulas em n lugares de segunda a sábado, eu falava inglês uma boa parte do meu dia. Na segunda metade do intercâmbio, quando já não frequentava mais aula e morava exclusivamente com brasileiros, eu basicamente falava inglês com o F., que aos 3,5 anos já tinha um vasto vocabulário, mas ainda conjugava os verbos irregulares como regulares (uma fofura, né, gente?) e me perguntava o significado de algumas palavras que eu dizia. E meu vocabulário de criança nativa adquirindo linguagem melhorou muito: até eu fico surpresa, mas já estava batendo altos papos com O., de 2 anos, mesmo ele não falando nenhuma frase inteira. Cara, eu entendia tudo que ele me falava! Bem, agora é assistir muitos seriados americanos, filmes sem legenda e voltar a dar aula para voltar a ficar com o inglês na ponta da língua.

Eu consegui meu certificado do CAE e ainda estou esperando sair o resultado do CPE. Mesmo que eu não tenha passado no último, já me dou por satisfeita de ter voltado para o Brasil com o primeiro e vou tentar o CPE novamente, se for o caso. A vida é assim, não deu certo, tenta de novo!

Foi uma experiência diferente de tudo que já vivi e acho que um pouco diferente da maioria das pessoas que no fim deve dizer que valeu a pena porque aprendeu/melhorou o inglês e viajou bastante, eu digo que valeu pela a oportunidade de conviver com tantos tipos diferentes e observar as interações humanas fora de sua zona de conforto, notar que eu sei me virar e consigo ser uma pessoa flexível na medida do possível e enfim, que o mundo está aí para ser explorado! Hoje eu sei melhor quem sou e o que quero. 🙂

Eu sei que eu reclamava muito do frio, mas vou sentir saudades desta Irlanda! ;)
Eu sei que eu reclamava muito do frio, mas vou sentir saudades desta Irlanda! 😉

Oi, Irlanda! Cheguei!

Escrevi no blog há apenas 2 dias, mas aconteceram tantas coisas desde então que parece que já se passaram 2 semanas.

Voo, Lufthansa e Frankfurt

O voo da Lufthansa no Boeing 747 decolou na hora. Foram longas 11 horas e 20 minutos de voo. 11 horas e 20 minutos. Esse tempo todo dentro de um avião. Assisti um filme, vi seriados, joguei, cochilei, comi, cochilei de novo, joguei mais um pouco e… olha só, cheguei em Frankfurt!

Até teste de personalidade eu fiz!

Gostei de viajar com a Lufthansa, apesar de não ter ninguém na tripulação que falasse português. E vai entender alemão? Mas o serviço de bordo é bom, a comida é boa, apesar de pouca (quando serviram o café da manhã, minha fome era tanta que até ovos mexidos com batata eu encarei) e, no geral, foi tudo bem. Claro, as poltronas mal reclinavam e o espaço para as pernas é mínimo, mas na próxima vida eu vou voltar ryca para viajar de primeira classe. Sorte que nessa sou pobre, mas tenho pernas curtas para acomodar bem entre as poltronas.

Chegando em Frankfurt, tivemos que passar novamente pela segurança do aeroporto. Fui barrada no detector de metais e tive que ser revistada “de cantinho”, porque eu tenho muita cara de terrorista, óbvio. Depois de 4 horas no aeroporto, indo de um lado para o outro porque a Lufthansa não decidia qual seria o portão de embarque, peguei o voo e 1h40 depois estava em Dublin.

Dublin, cansaço e comida 

Dublin me recebeu com chuva.
Não conheço Dublin, nunca tinha visto a cidade no Google Street View, não tinha muita noção. Sabia algumas coisas simples, como nomes de ruas e pontos de referência. E veio aquela sensação de estar mais perdida do que filho de mulher da vida no dia dos pais. Sensação horrível.

Cheguei na acomodação e meu quarto que era individual virou um quarto compartilhado com uma espanhola. Reclamei na agência, claro. Estou no aguardo, mas pelo andar da carruagem, quando resolverem o problema, estarei me mudando para meu teto definitivo. Aguardemos.

Chegamos cansados, famintos e molhados na acomodação. Famintos. Decididos a não nos rendermos às tentações de fast foods, fomos ao mercado e com a bagatela de 20 euros garantimos nosso café da manhã, almoço e janta de, pelo menos, uns 3 dias.

Quem achou que eu sobreviveria à base de fast food, pode morder a língua agora.

ECM, lojas e acomodação

Hoje acordei cedo (porque eu sou uma moça muito disciplinada e não deixei o cansaço me vencer) e fui a ECM fazer meu teste de inglês para descobrir meu nível. E não é que aquele prédio amarelo que eu via no site da escola existe mesmo e do jeitinho que eles explicaram?

Eu deveria estar na foto para mostrar a veracidade da mesma, mas vocês me confundiriam com um panda

O teste é bem simples: só respondi um questionário de 42 perguntas no computador e depois fiz um teste oral, que não passa de um bate-papo, e ta dããã!!! Sou nível avançado (não diga!). As aulas começam na próxima segunda-feira e na sexta preciso voltar na escola para fazer uma orientação (vão me contar todos os segredos de como “virar gente” na Irlanda).

Dublin é uma cidade bem agradável, e se não fosse por suas lojas com preços irresistíveis, seria perfeita (digo isso porque ainda não posso gastar com isso)! E como eu fiz uma promessa de que não me esbanjaria nas compras enquanto não arranjasse um emprego, preciso resistir às tentações desta minha velha conhecida dos tempos que eu morava nos EUA:

Esta loja me persegue. Há várias em Dublin!

Como já falei lá no começo, estou dividindo meu quarto com uma espanhola, a Pilar. Apesar de preferir ficar sozinha, vou confessar que a menina é bacana. Às vezes conversamos um pouco, aí pratico meu pobre inglês enferrujado. Na casa tem mais 2 brasileiros e 1 espanhol. Está bem tranquilo por aqui.

E por hoje é só, pessoal! Volto quando tiver mais coisas para contar (na verdade, já tenho, mas este post já está deveras longo… parabéns para você que, bravamente, leu até o fim!).

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