Um dia em Chester

Chester é uma cidadezinha que fica a mais ou menos 40 minutos de trem de Liverpool. O R. queria visitar esta cidade há algum tempo e acabou me convencendo a ir. Na verdade mesmo, eu queria ter conhecido Manchester, que é a cidade onde a banda The Smiths nasceu, a saber, minha banda preferida. Porém, O R. já havia visitado o lugar e disse que não era legal, pois era uma cidade industrial e meio feia. Um outro brasileiro disse que era muito similar a Liverpool, porém maior e o comentário foi feito fazendo careta. Então, achei que talvez não fosse tão interessante conhecer a cidade, mas confesso que hoje bate um arrependimento – poxa, queria mesmo visitar a cidade da minha banda preferida! haha… Quem sabe eu não voltou ao Reino Unido mais uma vez no futuro?

Pagamos 5 libras no ticket de ida e volta para Chester, que foi fundada como uma fortaleza romana logo no início da era cristã e é famosa por ainda manter seus muros.

Parte dos muros com o relógio da cidade
Parte dos muros com o relógio da cidade

Começamos visitando a Catedral de Chester, que tem entrada gratuita, mas oferece tours pagos. É uma catedral bem antiga e como muitas construções antigas, ela conserva partes ainda da construção original e outras mais recentes e na igreja inteira há placas explicando o que cada área é e em que era foi construída.

Algo que me chamou a atenção não só lá, mas em todas as atrações/catedrais gratuitas que visitei é que embora não se cobre para entrar, todos os lugares sugerem que você doe entre 2 e 3 libras para ajudar a manter a visitação gratuita. Oi? Eu entendo que os locais tenham despesas, mas é muito estranho sugerir que você deve doar e ainda o valor.

Saímos da catedral e resolvemos andar nos muros em volta da cidade. Passamos por pontes antigas (como da foto abaixo), pela Universidade de Chester e chegamos no Castelo de Chester apenas para descobrir que ele só abre no verão. Ok, fazer o que? Seguimos para o Museu de Chester, que conta a história da cidade desde sua fundação.

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Ficamos umas boas horas dentro do museu. Achei alguns fatos contados lá interessantes. Por volta do século 19, por exemplo, era comum as famílias ricas terem uma empregada… mas o que chamou a atenção é que essas empregadas começavam a trabalhar ainda na pré-adolescência, ganhavam cerca de 5 libras por ano e dormiam na cozinha! Outro fato é que na mesma época, apesar do já chá fazer parte da tradição inglesa, era extremamente caro. Então, as pessoas guardavam as ervas e reaproveitavam para fazer mais chá! E pensar que hoje em dia é tão barato e a gente consome sem dar atenção alguma.

Saímos do museu, andamos um pouco mais pela cidade e bem, já não havia muito mais o que se ver. Demos uma passada na Primark, porque eu ainda estava querendo matar saudade de saber o que é entrar numa loja e ver coisas novas muito baratas. há! E pegamos o trem de volta a Liverpool.

Chester é uma cidade romana histórica bem pequena e a visita vale a pena se você estiver pelos lados de Liverpool e já tiver visitado tudo que queria.

A segunda vez em Liverpool

Quando fui para Liverpool em 2013, passei só um dia na cidade com um roteiro bem Beatles. É claro que em um dia você não consegue ver tudo e nem era o objetivo, então, dentro do que foi decidido, a viagem foi um sucesso!

Eu confesso que jamais imaginei voltar a Liverpool, mas sabe como é a vida, né? E na segunda vez na cidade, a ideia era curtir sem pressa e sem pressão de turistar loucamente assim como em Londres e como tinha meu guia, o R., deixei que ele me levasse nos locais que achasse mais interessantes.

No primeiro dia, por conta do cansaço de passar uma noite num ônibus depois de um dia inteiro andando por Londres, acordamos bem tarde e depois de um bom café, fomos conhecer o World Museum. Todos os museus do Reino Unido são gratuitos, o que é sensacional! Apesar de ser um museu mais interessante para levar crianças, ainda assim é uma boa visita para adultos. Não conseguimos explorar os 5 andares, pois o museu fecha às 17h e chegamos às 14h30 e ainda ficamos uns 40 minutos numa demonstração de física bem interessante. Visita leve e bacana.

Do museu seguimos andando até a região do Albert Dock, onde fica a recém inaugurada estátua dos Beatles. Levando-se em consideração a fama que a cidade tem pela banda, é de se espantar que só em 2016 tenham inaugurado uma estátua com os 4 Beatles.

Cool, isn't it?
Cool, isn’t it?

Passeamos um pouco pelo Albert Dock e encerramos o dia. No segundo dia, fomos conhecer algumas catedrais, mais pela vontade do R. do que minha. A primeira foi a St. Luke’s Church, que é mais conhecida como a igreja bombardeada. É uma igreja anglicana construída em 1832 que em 1941 sofreu um incêndio criminoso que só deixou a estrutura externa em pé. Foi decidido que ela não seria reconstruída e permaneceria como um memorial a todos aqueles que morreram na guerra. Não é possível entrar na igreja, só vê-la por fora.

St. Luke's Church
St. Luke’s Church

Seguimos para a Catedral de Liverpool. Era um domingo e chegamos bem no horário da missa, quando a visitação é proibida em respeito aos fiéis. Como teríamos que esperar uns 20 minutos ainda, fomos passear no jardim ao lado da catedral que, vejam só, foi o maior cemitério da cidade no século 19.

O St. James Gardens foi um cemitério por mais de 100 anos e chegou a ser o maior da cidade com mais de 57 mil pessoas enterradas lá. Ele foi desativado em 1936 e se transformou em parque algum tempo depois. As lápides foram retiradas dos locais originais e colocadas lado a lado em todo o comprimento do parque. Não ficou claro pra mim se as pessoas continuam enterradas lá ou tudo foi removido quando o cemitério foi desativado. Ao mesmo tempo em que o parque é um lugar bem tranquilo e agradável para um passeio, é estranho andar por lá e ver tantas lápides com nomes e datas de falecimento.

Lápides ao fundo
Lápides ao fundo

Aparentemente, os nomes Elizabeth e Robert eram muito comuns na época porque perdi as contas de quantas vezes os li. Além disso, nomes de mulheres raramente vinham sem mencionar de quem eram filhas (caso solteiras) ou de quem eram esposas, o que mostra bem o papel da mulher na sociedade da época.

Finalmente entramos na catedral e, bem, é uma catedral muito grande e é isso. A entrada é gratuita, mas cobra-se 5 libras para subir na torre.

A catedral
A catedral

De lá fomos para Catedral Metropolitana de Liverpool, que é uma catedral com uma cara mais moderna. Não é uma atração em si, mas se você é arquiteto ou simpatizante, talvez seja interessante dar uma olhada.

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Seguimos para o Albert Dock novamente para visitar o Museu Marítimo. O museu conta a história de alguns navios famosos, mas eu só me interessei mesmo por ver o andar sobre o Titanic. Não é um museu muito grande, então dá para ver tudo em menos de 2h.

Quando saímos do museu, nos demos conta que o dia nublado havia virado um belo fim de tarde ensolarado e fomos visitar a Radio City Tower. A torre tem 123 metros de altura e oferece uma visão 360 graus da cidade, além de ficar aberta todos os dias e não ter tempo limite para ficar lá. Liverpool não tem grandes pontos de interesse, mas mesmo assim eu gostei. O ticket custa cerca de 5 libras.

Liverpool
Liverpool

O terceiro dia estava ensolarado e fomos ao Sefton Park. Foi uma caminhada de uns 40 minutos, mas o clima estava muito gostoso e acabamos cruzando outro parque no meio do caminho e tudo isso certamente fez valer a caminhada.

O parque não planejado
O parque não planejado

 Chegamos no Sefton Park, fundado em 1872, e passeamos somente. Mesmo ainda sendo inverno, as flores já estavam florescendo e estava bem bonito. Há uma pequena estufa dentro do parque, lagos, pistas de corridas, parquinho e enfim, é um parque bonitinho de bairro.

Sefton Park
Sefton Park

Eu não havia notado na primeira vez que fui a cidade, mas Liverpool é cheia de churrascarias brasileiras! E é claro que depois de tanto tempo sem comer comida brasileira e carne de verdade, eu quis visitar uma. Escolhemos uma que além das carnes, ainda oferecia um buffet de saladas e pratos quentes, inclusive feijoada que era o que mais me interessava. Ir num restaurante fora do Brasil é sempre uma experiência, porque a gente sabe que não vai ser 100% como na terra tupiniquim já que nem tudo que temos na nossa terra é facilmente encontrado no exterior. A feijoada era bem light, e olha que eu não dou daquelas que curte orelha e pé de porco e acho que como já fazia um tempo que estava lá no buffet, o feijão estava seco. Mas tinha pão de queijo e muitas saladas, que eu curti. Quanto à carne, a decepção foi a linguiça! Lá estávamos nós esperando aquela linguiça de churrascaria e quando veio, me pareceu linguiça do Tesco! Paciência. Pagamos cerca de 24 libras para duas pessoas e comemos tanto que naquele dia não deu nem pra jantar – afinal, quando você perde o costume de comer carne vermelha de verdade diariamente, o estômago sente quando você finalmente come.

Para terminar o dia, fomos ao famoso The Cavern! Não deu pra ir na primeira visita por falta de tempo mesmo. O The Cavern é o pub onde os Beatles começaram a carreira e tocaram 292 vezes! Ele é bem pequeninho e toca música ao vivo praticamente o dia todo. A entrada é paga de quinta a domingo.

The Cavern
The Cavern

Impressões

Liverpool é uma cidade bacana, com várias opções de turismo além de Beatles e com a vantagem de não ser tão cheia quanto Londres. Mas o que me chamou atenção dessa vez foi a sujeira! Parece que os locais não aprenderam o caminho do lixo até a cesta! Tem sujeira por todo a região central, desde latas até embalagens de comida take away. Sem contar o tanto de chiclete grudado no chão!

A cidade é bem noturna também e especialmente no centro não faltam opções de pubs, baladas e festas para ir. Eu não fui em nenhum, porque essa não é minha praia há tempos – não sou mesmo do tipo que viaja e conhece a night do local.

Finalmente, matei saudade da Penneys, que no Reino Unido é a Primark. Tanto tempo morando na Finlândia e sem saber o que é comprar roupa e besteirinhas pagando pouco, eu não tinha como não me sentir feliz em passear pela loja. Não comprei muita coisa – uma regata, uma sapatilha e uma garrafa d’água – mas foi bacana for a change.

Será que a vida vai me levar a Liverpool outra vez?! 🙂

Um dia em Londres I

Na Europa, no fim de março, as escolas costumam ter o Spring Break, uma semana de “férias”. Na Finlândia, ao invés disso eles têm o Winter Week no início do mês. Agora tirem suas conclusões sobre o clima nessas bandas do mundo.

Apesar de ser uma semana de feriado, os professores do mestrado sempre nos lembram que é apenas uma semana sem aulas presenciais com foco no estudo individual. Mas claro, eles também nos perguntam quem vai “estudar em outro lugar” e eu fui estudar passear no Reino Unido.

Embora eu já tenha ido para a Inglaterra 3 vezes antes (Londres em 2009 e 2012 e Liverpool em 2013) e se considerarmos Reino Unido, ainda dá para colocar mais 2 vezes na conta com Escócia e Irlanda do Norte, este foi meu destino do feriadão.

Londres, 2009
Londres, 2009

Todas as outras vezes que entrei no Reino Unido, com exceção de 2009, foi saindo de Dublin, então não vi imigração. A imigração inglesa é uma das mais rigorosas e temidas (pelo menos, eu temo, apesar de nada dever) e já fui preparada para as perguntas. Em 2009, o oficial só faltou perguntar a cor da minha calcinha, então eu tinha certeza que pior que aquilo não poderia ficar.

Já cheguei entregando meu passaporte com meu visto finlandês, que era pra oficial logo ver que eu já estava morando legalmente na Europa, seguindo minha vida com o Olaf, e estava de boas de querer imigrar ilegalmente na terra da Rainha.

– Está viajando sozinha?
– Sim.
– O que você faz na Finlândia?
– Mestrado.
– Em que?
– Educação.
– Posso ver sua carteirinha de estudante?

Ela tentou escanear meu passaporte, mas não sei por qual motivo, a máquina não lia. Ela “escondeu” o passaporte perto do colo dela e continuou:

– Onde seu passaporte foi emitido?
– Em Dublin.
– Em que ano?
– 2013.
– Por que?
– Porque eu estava morando lá nesta época.
– E o que fazia lá?
– Era estudante.
– De que?
– Inglês.
– Você ainda tem vínculos com a Irlanda?
– Não.
– Você já esteve no Reino Unido antes?
– Sim, em 2009. Mas o visto está no passaporte vencido, neste não tem nada.

O passaporte ainda não queria passar pela máquina. Então, ela o entregou para um outro oficial que usou aqueles “óclinhos” para analisar se meu passaporte era verdadeiro. Claro que é. Ela o pegou de volta e começou a folheá-lo realmente parando e olhando cada visto que eu tinha.

– Você tem sua passagem de volta para Finlândia?
– Sim.
– Posso ver?

Depois de ter certeza que eu não queria imigrar ilegalmente e estava lá de boas curtindo uns dias no Reino Unido, ela carimbou meu passaporte e me liberou. Notem que ela não pediu comprovação de fundos ou reserva de acomodação e acredito que isso só não aconteceu porque eu mostrei meu visto finlandês no ato.

Finalmente, encontrei o R. em Londres à noite e fomos para o hostel, que eu não recomendo à ninguém. O Smart Hyde Park Inn só tem nome e fachada bonitos, de resto… tudo bem que como era apenas uma noite, optamos pelo hostel mais em conta numa boa localização, então não podíamos esperar muito. É bem aquele tipo de hostel gigante, com muitos quartos e muitas pessoas dormindo neles. O quarto fedia (aquele cheiro de gente respirando num lugar fechado, sabe?), eu achei baratinhas no banheiro e o chuveiro é daqueles que você precisa ficar apertando a cada 30 segundos, como torneiras de banheiros públicos. Ou eu estou escolhendo péssimos hostels ultimamente ou já estou chegando na hora de parar de me hospedar neles.

A ideia era passar um dia na capital inglesa para ir em alguns lugares que eu nunca tinha visitado e tirar umas fotos com o R., que também já havia conhecido a cidade em outra oportunidade. Foi mais um dia de passeio do que de turismo.

Portobello & Camden Town

São duas famosas áreas da cidade por suas lojinhas, feirinhas e restaurantes. Portobello é uma rua de comércio com lojas e barraquinhas que vendem desde souvenir para turista até frutas e legumes.

Portobello Road
Portobello Road

O lugar também é conhecido por vender antiquidades e vimos muitas coisas interessantes. Eu não tinha intenção de comprar nada, aí vi um vestido lindo… já tem uns 2-3 anos que eu amo comprar saias e vestidos, mas não em lojas, gosto de ir em feirinhas como a que acontece todos os domingos no Shopping Center 3 em São Paulo. ❤ Bem, nesse frio eterno finlandês, eu ainda não aprendi a usar saia e vestido e ainda me manter aquecida – aliás, eu nem trouxe vestidos – e quando vi aquela gracinha me olhando, converti o valor de librar para reais (enquanto eu gastar em moeda estrangeira o que ganhei em reais, sim, eu vou converter) e ainda achei o valor justo. Aguardando ansiosamente o dia de poder usá-lo (tipo, quando parar de fazer temperatura negativa em Oulu por mais de uma semana).

Antiquidades de Portobello
Antiquidades de Portobello

Estava um lindo dia de sol e fazia uns 6 graus – e eu estava morrendo de calor usando o casacão que trouxe da Finlândia. Depois de tanto tempo vivendo abaixo de 0, qualquer sol vagabundo com temperatura positiva faz a gente assar! 🙂

Pegamos o metrô e seguimos para Camden Town, outra região de comércio. Parênteses. A malha metroviária de Londres é enorme e uma mesma linha pode ter pontos finais diferentes ou no mesmo trilho passar trens para destinos diferentes, enfim, não é para amador. Nós pegamos trem errado mais de uma vez e chegamos à conclusão que foi mais fácil nos virar no metrô da Rússia em cirílico do que lá. há. Fecha o parênteses.

Eu sempre ouvi falar do lugar, mas por algum motivo não o visitei nas outras duas vezes que estive na cidade. Chegando lá, vi o famoso market e resolvi entrar para dar uma olhada. E o que tem lá? Várias barraquinhas vendendo roupas, sendo algumas falsificadas de grandes marcas, acessórios, arte e outras coisinhas. Para quem é de São Paulo, imagine aquele monte de barraquinha vendendo roupas falsificadas e acessórios na saída do Terminal Parque Dom Pedro II – é a mesma coisa!

Na região tem outras muitas lojas e próximo ao canal tem um mercado cheio de barraquinhas de comidas típicas de várias partes o mundo. Encontramos, inclusive, uma barraquinha de docinhos brasileiros. O local estava muito cheio, mesmo sendo sexta-feira à tarde!

1,50 pounds por brigadeiro! O.o
1,50 pounds por brigadeiro! O.o

Vale a pena visitar os mercados a céu aberto? Vale, sim! É bacana para conhecer um pouco mais da cidade e é um passeio ótimo para quem gosta de olhar lojinhas e experimentar comidas diferentes. 😉

A Liverpool dos Beatles

Liverpool é uma cidadezinha de menos de 450 mil habitantes que recebe 600 mil turistas todo ano querendo conhecer a atmosfera do lugar que inspirou os Beatles.

Partimos do Albert Dock (onde ficam os museus) e fomos para Penny Lane – uma viagem de ônibus de uns 15 minutos. O engraçado é que mesmo a cidade atraindo turistas principalmente por causa dos Beatles, não há placas ou nada do tipo para nos guiar até os pontos turísticos relacionados à banda. A rua passa bem despercebida, já que não tem nada de diferente das outras ou alguma sinalização. Ou quase nada, porque no começo da rua há uma barbearia com um slogan sensacional:

"Above us only hair" - Sensacional!
“Above us only hair” – Sensacional!

Mas fora isso, é uma rua como outra qualquer. Mas claro, não poderia faltar fotos com as placas.

Preste atenção nas palavras escritas de branquinho ali do lado
Prestem atenção nas palavras escritas de branquinho ali do lado

De lá fomos para a casa onde John Lennon viveu quando era criança. A casa é aberta para visitação, mas apenas fazendo reserva com antecedência e pagando um dos tours dos Beatles para ter direito de conhecê-la. De qualquer forma, é interessante ver o lugar e pensar “Wow, estou em frente à casa do John”. Ah, eu acho!

Casa do John
Casa do John

Bem perto da casa fica Strawberry Fields. Bem, esta parte decepciona um pouco porque o parque é fechado e tudo que há para se ver são os portões.

Let me take you down, 'cause I'm going to...
Let me take you down, ‘cause I’m going to…

Sei que Strawberry Fields é um lugar importante para John e a banda, mas achei um tanto broxante o local, ainda mais pela placa que está perto do portão:

Se quiser um portão como este, é só ligar!
Se quiser um portão como este, é só ligar!

Já era fim de tarde, voltamos para o centro de Liverpool e fomos atrás de onde tudo começou: The Cavern Club, onde os Beatles se apresentaram 292 vezes nos anos 60. Infelizmente, por causa do horário, não tínhamos tempo para entrar, então apenas passamos em frente e batemos algumas fotos.

Cavern Club
Cavern Club

Também tem esta com o John blasé.

Blasé
Blasé

De lá, fomos pegar o ônibus de volta para o aeroporto. Estava tudo indo muito bem até nos lembrarmos de um detalhe: o ônibus que pegamos para ir para o centro era expresso e o ônibus que pegamos para voltar ao aeroporto, não. Conclusão: levamos 1h até o aeroporto e quando chegamos tivemos que, literalmente, correr para fazer o check-in, passar pela segurança e achar nosso portão de embarque. A sorte é que este era o último voo do dia e o aeroporto já estava completamente vazio. Chegamos exatamente quando o embarque começou, suando até pela sola do pé! Ufa!

E para quem gosta de Beatles, vale a pena assistir Across the Universe e Nowhere Boy. O primeiro é um musical (se você não curte musicais, ignore a dica) que não fala da banda em si, mas tem diversas músicas interpretadas pelos atores. Já o segundo filme conta a infância e adolescência de John Lennon.

Considerações finais

Quando vamos viajar, geralmente perguntamos para quem já foi para o tal destino o que ver, o que fazer, como foi e pedimos algumas dicas. Todos que já haviam ido a Liverpool falavam que “Ah, a cidade não tem nada, um dia dá!“. Discordo! Deveria ter passado um final de semana lá, com certeza! Achei que o passeio foi corrido e poderíamos ter aproveitado com mais calma e visto mais coisas se ficássemos dois dias lá, além de poder ter entrado e conhecido o The Cavern Club. Minha dica, então, é: continue pedindo dicas antes de viajar, sim, mas filtre tudo e faça sua própria pesquisa! Tem gente que não curte museu, por exemplo, e eu passei umas 4h dentro de museus em Liverpool… Numa viagem de um dia, 4h é alguma coisa, não?

but I'm not the only one!
but I’m not the only one!

 

Liverpool

Dia desses eu fui para Liverpool, a cidade dos Beatles – minha terceira visita à Inglaterra. A passagem ida e volta de Dublin saiu por 34 euros e se gasta mais tempo indo para o aeroporto do que dentro do avião. Na ida levamos 40 minutos e na volta, apenas 25. Quando pensamos em fechar os olhos para tirar uma soneca, a insuportável da Ryanair toca a irritante corneta para nos informar que o voo havia chegado no horário previsto (eh, a Ryanair é dessas). Ah, e foi um bate-e-volta, fomos de manhã cedo e voltamos à noite. Já pensou em fazer uma viagem de um dia de avião para outro país? Coisas de Europa.

O passeio já começa no aeroporto John Lennon onde, obviamente, tem uma estátua do próprio, além de um submarino amarelo (né?) e o slogan “Above us only sky”. Sensacional esse pessoal, hein?

O John
O John

Do aeroporto ao centro tem um ônibus expresso que leva uns 25 minutos. Compramos um ticket para utilizar o transporte público durante um dia inteiro por menos de 4 libras e o sistema é incrivelmente moderno: o ticket é tipo uma raspadinha. Você compra e raspa o dia, o mês e o ano em que utilizará aquele bilhete e aí é só aprensentar ao motorista toda vez que embarcar. Cara, Europa é sempre coisa de primeiro mundo, fiquei de cara! Bilhete Único para que, né?

We all live in a yellow submarine...
We all live in a yellow submarine…

Chegando ao centro de Liverpool, fomos direto ao Museu dos Beatles. O dia estava cinza, feio, chuvoso e frio e confesso que isso me deixou um tanto mal humorada (depois de tantos dias como este em Dublin, não é legal viajar e encontrar um tempo ainda pior!). Mas voltando ao museu, o The Beatles Story, compramos o ticket que também dava direito a visitar uma exposição do Elvis que estava acontecendo lá perto e pagamos apenas 12 libras (estudante).

Beatles
Beatles

O museu conta, detalhadamente, a história dos quatro garotos de Liverpool até formarem a banda, como tudo começou, o sucesso, as fases dos Beatles e seu fim. É muita informação, muitas coisas para ler e ainda tem o audiotour. Basicamente, pode-se passar o dia no museu.

Beatles
Beatles

No fim da exposição há um espaço dedicado a contar a vida e carreira de cada um dos quatro Beatles, uma bela homenagem a John Lennon e a parte mais legal do museu: uma sala dedicada às crianças, super interativa e tal. Eu nem queria, sabe, mas acabei brincando um pouco.

Qual é a música?
Qual é a música?

De lá seguimos para a exposição do Elvis que era bem menor que a dos Beatles. A exposição, basicamente, mostrava como o rei influenciou os Beatles- o John imitava o Elvis, por exemplo. Mostra também um pouco da única vez que os Beatles e o Elvis se encontraram e os meninos de Liverpool ficaram sem palavras. Finalmente, o ticket também dava direito a assistir uma animação de uns 10 minutos em 4D. A animação era sobre um funcionário do museu (se não me engano) que precisava encontrar a namorada no outro lado da cidade e entra num ônibus meio maluco. Tem umas musiquinhas dos Beatles e vários efeitos que nos fizeram morrer de rir. Eu só não senti a tal água nos pés, não sei se pelo fato de eles não encostarem no chão, não sei, não sei…

Pausa para o almoço e fomos para o Museu de Liverpool, que fica ali perto de tudo e tem entrada gratuita! O museu é muito grande, estava lotado, é super bacana e conta toda a história da cidade sob os mais diversos aspectos. Umas das partes mais legais é o karaokê que tem os sucessos de bandas/cantores da cidade. Eu nem canto muito (canto nada), mas arrisquei um Yellow Submarine. 🙂

Museu de Liverpool
Museu de Liverpool

Desde 2008, a cidade tem um símbolo, o Lambanana. Sinceramente, eu não entendo o que isso tem a ver com a cidade ou por que foi escolhido (um submarino amarelo faria mais sentido, por exemplo), mas até que ele é bonitinho, né?

Lambanana
Lambanana

Como não poderia faltar, o museu também tem um espaço dedicado aos Beatles, um filme de 10 minutos muito bacana e que termina com uma frase que nos trouxe muita reflexão naquele dia: “You can take a boy out of Liverpool, but you can never take Liverpool out of the boy”. Troque “Liverpool” por “Brasil” e insira a frase no contexto de um intercâmbio. Se não ficou claro, é porque você nunca morou/ não mora em Dublin. 🙂

Terminada a parte da visita dedicada aos museus, fomos atrás dos pontos turísticos relacionados aos Beatles. Mas isso eu deixo para o próximo post. 😉