CAE da depressão

E ontem fui fazer o CAE. Tentei me lembrar da última vez que havia feito uma prova escrita para “provar” algo e acho que foi a FUVEST mesmo, em 2005 (sim, estou ficando velha).

Há alguns pontos em comum entre a FUVEST e o CAE: não fiz nenhum curso preparatório, não estudei de verdade e me preparei fazendo simulados. Mas eu tinha tanta certeza de que não passaria na FUVEST, que fui fazer a prova super zen, sem um pingo de nervosismo ou ansiedade: se eu não passar, faço cursinho e tento ano que vem, foi o que pensei. O clima não era o mesmo com o CAE, e dificilmente seria sabendo que eu desembolsei 160 euros para este exame.

Dito isto, vamos ao que interessa.

Novamente, a pontualidade britânica falhou e o exame começou com quase meia hora de atraso. Antes do exame, umas das funcionárias da escola (que acho que é professora lá) deu umas dicas sobre writing e listening. Achei meio estranho, mas tudo bem. Ela não falou o conteúdo da prova, só para deixar bem claro, mas deu aquelas dicas básicas: pense sobre o que vai escrever antes de começar, não se preocupe se não entender 100% do listening e coisas assim.

"Minha mãe mandou eu escolher este daqui..."
“Minha mãe mandou eu escolher este daqui…”

Reading

A primeira parte do exame foi o reading. Eu não estava muito bem quando comecei a prova, pois tive uma péssima noite de sono, e foi difícil me concentrar no que estava lendo. Depois de um tempo, peguei o ritmo. Meu problema foi administrar meu tempo, porque quando fiz os simulados em casa, não prestei muita atenção nisso e não calculei que da 1h15 de prova, eu deveria separar alguns minutos para passar as respostas para o gabarito. Eu achei a prova bem mais difícil do que as que havia feito para praticar, especialmente a última parte. Nela,você lê 5 depoimentos e precisa relacioná-los a comentários de acordo com o conteúdo. Nos simulados, os textos falavam de coisas bem concretas, palpáveis, mas no exame era muito abstrato. Me desesperei e acabei tendo que chutar algumas.

Writing

Na primeira parte, o exame pedia para escrever um relatório. Parei, pensei… “Qual é o formato de um relatório?”. Não pratiquei isto nem nas aulas nem em casa e a única coisa que conseguia me lembrar das dicas que li no livro foi “Um relatório pede um estilo semi-formal de escrita”. Bem, me certifiquei de que estava usando todas as informações fornecidas na questão e escrevi como achei que deveria, mas depois de uma pesquisa no Google, vi que talvez tenha feito algo um pouco diferente do esperado. Acho que fiquei dentro do limite de palavras.

Na segunda parte, dentre as opções dadas, escolhi escrever um artigo sobre moda. Pois é, por incrível que pareça, foi o que achei mais fácil de se fazer. Acho que excedi um pouco na quantidade de palavras, mas tenho certeza que acertei no formato.

Fiz os rascunhos relativamente rápido, depois revisei e terminei de passar à limpo 30 segundos antes do fim do exame.

Use of English

Quando comecei a fazer os simulados, achei que essa era a pior parte do exame, mas depois fui pegando o jeito. Fiz a prova toda em 30 minutos e usei o resto do tempo para revisar e pensar melhor nas questões em que estava em dúvida. Achei mais simples dos que os simulados.

Listening

Quando fui para a última parte do exame, eu já estava exausta, com dor nas costas de tanta tensão e querendo voltar logo para a casa. Foi a pior parte pra mim! O examinador dá play no CD e nos próximos 35 minutos da sua vida, você fica ouvindo as gravações. Definitivamente, a prova de listening não é apenas uma questão de entender o que se ouve. Você não tem tempo de pensar depois que ouve cada gravação e, basicamente, precisa ouvir, ler e decidir a resposta certa ao mesmo tempo. Fiquei muito chateada, pois em uma das partes você ouve um texto de cerca de 5 minutos e vai completando as lacunas com as informações que ouve. Em todos os simulados que fiz, consegui fazer isto sem problema, ouvir o CD e ir completando sem precisar pausar, mas no CAE eu me perdi e não consegui pegar todas as palavras. Juro, isso me deixou muito chateada! 😦

Conclusão

Antes de prestar o CAE eu já tinha a opinião de que esse exame não prova muita coisa, assim como o vestibular (sempre tive resposta na ponta da língua pra quem vinha me falar “Ah, você é muito inteligente, passou na FUVEST” – not!). Os exames de Cambridge não provam que você sabe ou não falar inglês, provam que você sabe o inglês que eles querem que você saiba e que você estudou/entendeu muito bem o formato da prova.

Depois de fazer o exame, tenho certeza disto! Não é uma crítica negativa, afinal, eu quero o certificado e vou tentar até conseguir. Mas não venha esfregar seu certificado de proficiência na minha cara achando que você é o bonzão do inglês. Seu certificado me mostra que você sabe falar inglês muito bem E soube fazer a prova de Cambridge. Bem, como a própria examinadora falou antes da prova, quem está prestando o CAE com certeza tem um nível muito avançado de inglês e o que determina se a pessoa vai passar ou não é se ela tem a técnica do exame. Infelizmente, eu não tinha, especialmente no writing e listening.

Conheço pessoas quem têm CPE (um nível acima do CAE) e cometem erros gramaticas e de pronúncia, mas enfim, têm o certificado. Assim como conheço pessoas que falam inglês muito bem e não têm certificado nenhum. Got it?

Feito todo este discurso, não alimento expectativas de conseguir o certificado agora. Não acho que fui bem e não sei se consegui a média mínima de 60% para passar. O resultado sai no fim de janeiro e caso minhas previsões se confirmem, vou me matricular no curso preparatório da escola que aplicou o exame e tentar novamente em março, agora sabendo bem o formato da prova e com todas as dicas que os professores darão.

Sobre CAE, ansiedade e peso na consciência

Eu contei em algum lugar aqui do blog que um dos meus objetivos na Irlanda seria tirar o CAE. Se não contei, agora vocês já sabem. O CAE é o famoso exame de proficiência de Cambridge. Basicamente, passando neste teste, Cambridge reconhece que sou uma falante de inglês nível avançado e, então, eu vou tentar o CPE, que atesta que estou no mesmo nível de fluência de um nativo. Você encontra mais informações sobre estes exames aqui.

O exame é amanhã. Eu paguei 160 euros para fazê-lo. Eu planejei estudar.

Estou ansiosa, porque finalmente chegou o dia do famoso exame que eu coloquei na cabeça que ia fazer. E estou com peso na consciência (e no bolso), por não ter estudado como deveria. Minto, eu não estudei nada!

Para não dizer que não fiz nadinha, baixei um livro com 6 provas do CAE e fiz 3 delas. Das 5 habilidades avaliadas, consegui me testar em 3 (reading, listening e use of English) e já tinha noção de como estava meu writing pelos textos que escrevi nas aulas. Só o speaking mesmo que vou fazer com a cara e a coragem, me guiando pelas provas que vi e dicas que li na internet. Nos simulados, pelo menos, acertei acima do mínimo exigido em todas as provas. Espero ter, no mínimo, o mesmo desempenho no exame.

Wish me luck!