Comprovado: o brigadeiro ganhou o mundo

Depois daquele pedido discreto por um pouco de brrigadeirrrow, os desejos da Ella foram atendidos. Providenciei brigadeiro caseiro e também um pouco de beijinho. Não, não fui quem fiz.

Quando as encontrei na porta da escola, depois de felicitar a pequena aniversariante, as meninas só pensavam em uma coisa: cadê o brigadeiro? Elas não saberiam dizer meu nome se perguntassem, mas do brigadeiro elas não esqueceram. Fiz um mistério meio bobo e quando chegamos em casa, mandei todo mundo para cozinha e tirei o doce mágico da mochila.

Os olhos das pequenas irlandesas brilhavam. Acabaram com todo o brigadeiro em minutos. Estava muito bom, obrigada. Apresentei, então, o beijinho e expliquei como havia sido feito. Aí a história mudou um pouco. Passaram do olhar brigadeiramente alegre a desconfiança em poucos segundos ao verem o creme branco sobre a mesa. A mais velha, querendo ser a desbravadora de novos sabores, pediu que eu colocasse um pouco de beijinhow em seu prato. Experimentou sob o olhar curioso da irmã mais nova. Alguns momentos de tensão…

“Você gostou, Sophie?”
“Ah, não é tão ruim.”
“Beatriz, posso experimentar só um pouquinho do prato da Sophie?”

Com a falta de aprovação total da irmã mais velha, obviamente que a mais nova não aprovaria. O beijinho foi friamente rejeitado pelo paladar irlandês. Talvez o coco, matéria prima do doce, seja muito tropical para o gosto dos leprechauns.

Contudo, algo é certo: o brigadeiro ganhou o mundo.

Não foi a vez do beijinho
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Halloween

Que o tal do Rélouin  é uma tradição nos Estados Unidos, com direito a festa à fantasia, casas decoradas, gostosuras ou travessuras e por aí vai, você já sabe. Mas já pensou que esse costume não se originou na Terra linda do Tio Obama Sam?

“This is Halloween!”

Não existe apenas uma versão para a origem do Halloween, mas uma delas diz que tudo começou aqui na Ilha dos Leprechauns, aqueles pagãos! Os tais celtas, no dia 31 de outubro, celebravam o fim da época de colheitas e o início do inverno, época em que deveriam se preparar para o frio que estava chegando (se no verão não faz o calor propriamente dito, não aquele conhecido por tupiniquins, pelo menos, imagina como é no inverno, então – eu não precisarei imaginar, porque em algumas semanas sentirei na pele).

Voltando às celebrações, neste dia, os celtas acreditavam que a porta para o outro mundo se abria e as almas de pessoas mortas e outras criaturas mágicas, como fadas, vinham visitar este mundo. Porém, nem todas as almas e fadinhas eram do bem e para tentar se defender dos seres do mal, os celtas se fantasiavam. Outro costume dos celtas era de bater de porta em porta pedindo comida e materiais para acender fogueiras para se protegerem do frio. Daí a tradição de usar fantasias e de ir de porta em porta dizendo “travessuras ou gosturas” (trick or treat, em inglês).

Aí a ideia chegou nos Estados Unidos e de lá foi exportada para diversos lugares do mundo que não têm nada a ver com isso, como o Brasil.

Desde a semana passada, as festas de Halloween estão com tudo aqui em Dublin. Basta sair à noite para ver milhares de pessoas fantasiadas e as irlandesas ignorando temperaturas tão baixas quanto 0 grau com suas mini-fantasias! No fim, é mais um motivo que o povo irlandês tem para ir para os pubs! 😉 Pândegos!

Irlanda do Norte II

Assim que saímos do museu, tentamos localizar o Giant’s Causeway no GPS sem muito sucesso. Aí ocorre o inesperado: paramos o carro na rua enquanto fuçávamos o bendito GPS e um norte-irlandês parou seu carro do nosso lado perguntando se estávamos perdidos e se poderia nos ajudar. Eu saí do carro para explicar para ele nosso destino, e ele não só explicou o caminho como fez questão de programar o GPS. Ficamos surpresos.

Mais 1h30 de viagem depois, com direito a deslumbrar belas paisagens norte-irlandesas, chegamos ao nosso destino.

Parada 2 – Giant’s Causeway

Mas o que é isso? A Calçada dos Gigantes não é uma atração turística conhecida por nós, brasileiros. Eu só ouvi falar dela quando cheguei aqui na terra dos leprechauns. Bem, é uma formação rochosa que parece ter sido construída, tamanha a perfeição do encaixe das pedras, porém, é mesmo uma formação natural. Outro ponto importante é a lenda irlandesa que existe sobre o lugar, que a Wikipedia vai explicar para vocês:

“Segundo uma lenda irlandesa um gigante chamado Finn MacCool queria enfrentar numa luta um gigante escocês chamado Benandonner, mas havia um problema: não existia uma embarcação com tamanho suficiente para atravessar o mar e levar um ao encontro do outro. A lenda diz que MacCool resolveu o problema construindo uma calçada que ligava os dois lados, usando enormes colunas de pedra. Benandonner aceitou o desafio e viajou pela calçada ate à Irlanda. Ele era mais forte e maior do que MacCool. Percebendo isso a esposa de Finn MacCool, de forma muito perspicaz decidiu vestir seu marido gigante como um bebê. Quando Benandonner chegou à casa dos dois e viu o bebê, pensou: “Se o bebê é deste tamanho, imagine o pai!”, e fugiu correndo de volta para a Escócia. Para ter certeza de que não seria perseguido por Finn MacCool destruiu a estrada enquanto corria, restando apenas as pedras que agora formam a Calçada dos Gigantes.”

Interessante, não? Fizemos uma trilha pelos pontos mais importantes do local. Demos sorte, pois apesar do frio, quando chegamos alguns raios de sol brilhavam e nossa visita ficou bem mais agradável.

Parada 2 – Dunluce Castle

Pedimos sugestões sobre algum lugar interessante naquela região aos funcionários e nos recomendaram o Dunluce Castle. Pegamos um folheto que dizia que este era um dos castelos mais românticos da região. Bem, quando chegamos, achamos que o castelo fosse qualquer coisa, menos romântico. É um castelo em ruínas que data do século 17, aproximadamente. Ele é cercado por degraus de pedras bem escorregadias (meu All Star que o diga) e fica de frente para o mar. Eu, com minha imaginação fabulosa, fiquei pensando como seria morar naquele castelo no século 17. Sem energia elétrica, no inverno, de frente para o mar. Confesso que fiquei mais feliz em estar no século 21 numa casa quentinha, apesar de ter bem menos glamour.

Parada 3 – Carrick-a-Rede Rope Bridge

Existe uma ponte de corda que, teoricamente, é super perigosa, porque como eu já disse, é de corda. Nós não tínhamos a intenção de cruzá-la, primeiro porque custava £5,50 (cerca de 21 reais) e segundo, porque não levava a lugar nenhum. Porém, o caminho que leva até ela por si só faz a visita valer a pena, pois a visão do mar e das colinas é linda. Chegamos até o portão que levava a ponte, espiamos e concluímos que, de fato, não valeria pagar para atravessá-la.

Ainda tínhamos a intenção de voltar a Belfast para dar uma volta pela cidade, mas como saímos da costa norte da Irlanda do Norte (percebeu que eu estava bem no norte mesmo, né?) por volta de 19h, logo, tivemos que ir direto de volta para Dublin e encarar quase 3h30 de viagem.

Chegamos no aeroporto, devolvemos o carro sem nenhum problema e voltamos para a casa! 🙂

Qual será o próximo destino agora?

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Arthur’s Day e Guinness

No começo de setembro, percebi que havia vários outdoors e anúncios nas laterais dos ônibus divulgando que no dia 27 de setembro a cidade estaria pintada de preto (“Paint the town black”). Pensei “What the hell?“. Descobri, então, que era o Arthur’s Day. Aí, pensei “Who is Arthur?” Foi quando comecei a ligar os pontos. Vamos por partes.

Arthur Guinness é o fundador da famosa cervejaria… adivinhem? Isso mesmo, da Guinness. Vocês sabem qual é a cor da cerveja? Não de qualquer cerveja, mas desta tradicional cerveja irlandesa. Vou dar uma dica:

Guinness, prazer!

Agora ficou fácil, né? Ela é preta e bem amarga, mas muito amarga! E tem um gostinho de café. Aí que eu venho para a Irlanda e não bebo cerveja e 2,5 meses depois eu ainda não comecei a beber. A isso, acrescente o fato de que eu sou professora, mas não, eu não bebo café. Juntou a cevada com a cafeína e você achou mesmo que eu iria gostar disso aí da Guinness só porque é famosa? Pffft… Falando sério agora, a Guinness não tem cafeína, mas como o malte é torrado acaba deixando um gostinho que, para meu humilde paladar, lembra o de café.

Voltando ao que interessa, “pintar a cidade de preto” fazia uma referência à comemoração dos 253 anos da fundação da cervejaria, fazendo parecer que o Arthur Guinness é um tipo de St. Patrick por aqui. Falando no Patrício, digo, Patrick, que país é esse que celebra tanto o santo responsável por trazer o cristianismo para esta terra de pagãos celtas leprechauns quanto o cara que roubou a receita inventou uma cerveja? Enfim.

Essa comemoração começou em 2009, quando a Guinness completou 250 anos e, ao que tudo indica, já faz parte do calendário irlandês. Obviamente, não passa de uma jogada de marketing, mas vamos deixar isso para lá.

Como vocês ainda não sabem, eu não bebo cerveja. Então, nem me animei muito para as tais comemorações, mesmo com a Guinness fazendo o maior mistério sobre os locais onde algumas bandas, como Fat Boy Slim, iriam se apresentar. Porém, acabei saindo para dar uma volta no Temple Bar para ver o que estava rolando. Ok que já era pra lá de 11 da noite, mas segue um resumo do que vi:

– Pessoas bêbadas;
– Copos quebrados na rua;
– Pessoas muito bêbadas;
– Latas e garrafas de bebidas aos montes nas ruas;
– Irlandesas vestidas como se aqui fosse Rio 40 graus mostrando tudo que não têm. Ah, e bêbadas;
– Pubs lotados numa quinta-feira;
– E já mencionei que vi pessoas bêbadas?

Para os apreciadores de Guinness ou àqueles que só precisam de um motivo qualquer para beber, torçam para que o Arthur’s Day se repita em 2013 (o que acho quase certo de acontecer).

Curiosidades

Arthur Guinness faleceu em 1803 no local onde esta blogueira reside atualmente. Não me refiro a casa, mas ao “quarteirão”. Moro numa praça cercada por prédios em estilo gregoriano que datam do início do século 19. À época, apenas pessoas ricas e influentes residiam aqui (o que explica o porquê de o Arthur resolver bater as botas nesta região). Hoje em dia, porém, a área é mais frequentada por estrangeiros, irlandeses de classe média baixa e uns tais de knackers.

Eu insinuei aí em cima que a receita foi roubada. No final de semana passado, conhecemos um britânico que, pasmém, falava português! Papo vai, papo vem naquela mistura linda de português e inglês de todas as partes envolvidas, o rapaz conta que o Arthur não inventou nada, apenas comprou a receita de um britânico qualquer. Se isso é verdade, eu não sei (nem perguntei para o Google), mas que a investida do senhor Guinness deu certo, ah deu!