Buenos Aires – Caminito, Puerto Madero e Calle Florida

Quando saímos do La Bombonera já era fim de tarde, mas ainda estava claro e demos uma passada no Caminito, aquela rua toda colorida de La Boca. Tem algumas atrações na região, como museus, mas não me interessei muito e só andei mesmo pela região.

Calle Caminito
Calle Caminito

Havia muito movimento e muitos turistas andando pelas ruas e mesmo tendo lido na internet que a região não é segura e tendo sido alertada por locais, eu não vi nada e não senti medo.

Caminito
Caminito

Na região tem várias lojinhas vendendo coisa pra turista… não sei como, mas fui parar numa galeria cheia dessas lojinhas e aí foi só alegria! Comprei uma camiseta da Mafalda super fofa e bem feita por 80 pesos (uns 18 reais) e uma bolsa destas estilo saco (pra carregar minha vida quando saio de casa pra dar aula/lutar kung fu e carrego tudo comigo) pelo mesmo valor da camiseta. Também levei uma caixa com 6 alfajors (alfajores?) Recoleta por 50 pesos (uns 11 reais) e um chapéu do panamá por 80 pesos também. Falarei sobre as 3 marcas de alfajor que comprei em outro post.

Finalmente voltamos no mesmo ônibus 29 e decidimos ir a Casa Rosada, porque a noite ela fica toda iluminada e é realmente muito bonita. Uma pena que minha câmera seja boa, mas eu seja uma péssima fotógrafa.

Não sei tirar foto
Não sei tirar foto

Como o final de semana inteiro havia sido de tempo feio e chuvoso, não tiramos boas fotos ao ar livre e embora eu não seja do tipo que viaje só pra tirar foto, eu também gosto de foto! Como tínhamos tempo ainda, já que seriam 5 dias na cidade, na segunda-feira acordamos cedo e como o dia estava lindamente ensolarado, fomos bater umas fotos por aí. A primeira parada foi com a Mafalda que ficava bem pertinho do hostel –  desta vez não tinha ninguém lá e eu tirei umas 10 fotos com ela – sim, eu meio que gosto da Mafalda.

Mafaldinha! <3
Mafaldinha! ❤

Depois fomos a Plaza de Mayo tirar mais algumas fotos e seguimos para Puerto Madero. Eu achei estranho que, apesar de já ser quase meio-dia, todos os cafés e restaurantes da região estavam fechados… E achei a região meio parecida com o porto de Dublin, apesar de Buenos Aires parecer mais moderna. Lá tem a Puente de la Mujer que é super parecida com a ponte Samuel Beckett do rio Liffey.

Ponte de la Mujer
Ponte de la Mujer e eu esqueci de levar meu pente (verdade! haha)

De lá seguimos para a famosa Calle Florida, a rua das compras. Eu não queria comprar nada além do que já havia comprado (já tinha um kit Mafalda comigo), mas meu pai me fez alguns pedidos e fui lá conferir.

Galeria Pacífico
Galeria Pacífico

Não sei de onde vem a fama de preços baixos de Buenos Aires, porque eu não achei nada barato! Acredito que há alguns anos fosse realmente vantajoso para brasileiros, mas com a atual economia do país isso acabou. Basicamente, tudo que for caro aqui, será caro lá, porque não é produto argentino. Como eu não dou a mínima para roupas de marca (eu gosto mesmo é de comprar meus vestidos e saias nas feirinhas), não tenho noção de preços no Brasil, mas em Buenos Aires não é super barato também. No fim, acabei comprando um sobretudo para minha mãe bem grosso por um preço sensacional, mas isto porque não era de marca e havia sido fabricado por lá mesmo – mas ela adorou e está só esperando ansiosamente fazer frio para poder usá-lo – e umas camisas Lacoste que meu pai queria. Uma dica para quem quer comprar jaquetas de couro é não entrar nas grandes lojas que ficam na rua. A Calle Florida se parece muito com o centro de São Paulo, onde tem gente te entregando papelzinho a todo momentos pra divulgar loja e isso também acontece lá com as lojas que vendem couro. Como estas lojas ficam em cubículos escondidos fora da visão do público (poucos custo com locação) e normalmente são lojas de fábricas, valem muito a pena. Entrei numa destas lojas, a Mr. Cuero, que vendia jaquetas à partir de 380 reais, o que acredito ser um preço bom.

As placas da cidade são bonitinhas!
As placas da cidade são bonitinhas!

Outra peculiaridade da Calle Florida é que a cada 10 passos você esbarra em alguém gritando “câmbio”. E vem a dúvida: é seguro trocar dinheiro com esse pessoal? Eu estava andando com cara de perdida na rua e uma moça brasileira que trabalha vendendo passeios turísticos me perguntou se eu precisava de algo e enfim, começamos a conversar e ela indicou um rapaz com quem ela sempre trocava dinheiro e disse que era de confiança. O rapaz fica em frente ao McDonald’s, nós o “abordamos” perguntamos qual era a cotação dia: 4,70 pesos! O que se segue parece um pouco coisa de filme de máfia… entramos num prédio e descemos de elevador até o subsolo. Lá aguardamos numa salinha, quando chegou nossa vez, o rapaz nos chamou e informou o responsável a quantia que queríamos trocar. Ele nos deu os pesos, entregamos os reais e o mesmo moço que nos levou até lá nos escoltou até a saída – eu usei todos os pesos trocados sem problemas. E olha que quase todo lugar que você paga com nota de 100 pesos eles ficam olhando pra ver se a nota é verdadeira mesmo.

E este foi o único dia que comemos fast food, mas pelo menos foi um fast food local:

O combo custou 29 pesos (pouco mais de 6 reais)!
O combo custou 29 pesos (pouco mais de 6 reais)!

Preço bom e até que o lanche era saboroso!

Voltamos ao hostel passando pela av. 9 de julho e pude finalmente tirar uma foto decente com o Obelisco, porque té então só havia conseguido fotos cinzas e apáticas! haha… Mas antes de chegar ao hostel, eu queria muito matar uma vontade… que conto no próximo (e hopefully) último post da série “Buenos Aires”.

 

Buenos Aires – Teatro Colón, San Telmo e La Bombonera

O terceiro dia de viagem, um domingo, começou pior que o dia anterior: um frio que eu não sentia desde Dublin piorado pela chuva e vento, que só faziam a sensação térmica ser ainda mais baixa. Mais uma vez, o dia convidava para fazer mais passeios indoors e fomos ao Teatro Colón. Só é possível entrar no teatro com o tour guiado que dura quase uma hora e custa 150 pesos para estrangeiros (uns 33 reais) – para argentinos custa menos da metade disso! Desta vez havia a opção de fazer o tour em inglês (brigada) e pude entender tudo que o guia falava (aliás, o inglês dele era impecável).

Teatro Colón
Teatro Colón

O guia conta desde a história da construção do teatro (como a morte dos dois primeiros arquitetos, coincidentemente, aos 44 anos) até detalhes da decoração e da restauração do teatro, que permaneceu fechado por alguns anos por conta disso. Como parte da visita, entramos no camarote mais caro e pudemos ficar lá por uns 5 minutos. Estavam arrumando o palco para alguma apresentação X que aconteceria em breve.

O teatro por dentro
O teatro por dentro

O teatro é conhecido por ter uma das melhores acústicas do mundo! Segundo o guia, Pavarotti ficou com receio de cantar lá, pois sabia que qualquer deslize poderia ser notado por causa da acústica perfeita. Eu achei o tour sensacional!

Quando saímos, o tempo estava ainda pior, mas não tinha como deixar o passeio seguinte para outro dia: a famosa e turística feirinha de San Telmo só acontece aos domingos!

San Telmo
San Telmo

Eu adoro essas feirinhas, sempre que acabo indo na região da Paulista de domingo ou feriado, dou uma olhadinha na feira que acontece no Shopping C3 e é difícil resistir e não sair com alguma sacolinha! Confesso que eu esperava bem mais da feirinha, mas confesso também que o péssimo tempo que fazia me deixou meio de mau humor e isso pode ter influenciado minha opinião. Não achei nada muito interessante nas primeiras barraquinhas que visitei e achei tudo meio chato até… como já passava da hora do almoço, resolvemos parar numa pizzaria pequeninha (e quente) para comer. A pizza não era lá essas coisa, mas pelo preço que pagamos, estava ótimo (52 pesos/11,50 reais). Quando saímos, a chuva já havia passado, então continuamos andando para achar a estátua da Mafalda, que fica na esquina da rua Defensa com a Rua Chile. Como era domingo e tinha a feira, havia fila para tirar foto com a mocinha de 6 anos – eu achei a foto péssima e resolvi voltar outro dia.

A mocinha, no dia seguinte, sem filas.
A mocinha, no dia seguinte, sem filas.

Eu, obviamente, estava procurando itens da Mafalda para comprar, mas não achei nada com preço bom e bem feito, até continuar subindo a rua sentido Plaza de Mayo. Numa barraquinha eu me acabei! Comprei um imã de geladeira, um marca-página, um chaveiro e um porta celular super fofos e bem feitos e tudo saiu por 80 pesos (R$17,80). Onde que eu compraria tudo isso aqui no Brasil por esse preço?

Overdose de Mafalda!
Overdose de Mafalda!

Ainda comprei um cinto de couro super legal por 150 pesos (33 reais). Tudo bem que na semana anterior eu havia ido a feirinha do C3 e comprado um cinto de couro, porém, inferior, por R$65,00… Acontece.¬¬

Já estava ficando meio tarde, então já era hora de ir ao La Bombonera, estádio do Boca Juniors. Mas como assim, Bia? Você visitando estádio de futebol? Quando não se viaja só, sempre é preciso ceder: você cede de um de lado e a(s) companhia(s) cede(m) de outro. Confesso que no fim, não achei o passeio tão chato, mas tiraria fácil do meu roteiro. Anyways, para chegar no bairro de La Boca, pegamos o ônibus 29 na rua Bolívar. Parênteses. basta sair um pouco do centrão de Buenos Aires que tudo fica meio estranho. Na av. 9 de julho tem corredor de ônibus, wifi nos pontos, pontos de ônibus cobertos, bem sinalizados e super modernos. Eu fiquei andando a rua Bolívar procurando a porcaria do ponto de ônibus pra descobrir que tudo que indica o ponto é um adesivo colado num poste. E cada ônibus para num “poste” específico. Te catar, né, Buenos Aires? Fim do parênteses. Entramos no ônibus e pedimos informação a um passageiro de onde deveríamos descer e o rapaz nos alertou para tomar muito cuidado, pois o bairro La boca era “muy peligroso“. Mas tipo, ele deve ter nos alertado umas 10 vezes durante o percurso.

Entrada do estádio
Entrada do estádio com uma photobomb

Conseguimos pegar o último tour guiado do dia no último segundo. O estádio não é muito grande, então deu pra fazer o tour e visitar os vestiários e o museu em uma hora. Se você curte futebol, vá. Se não curte, não tem nada lá pra você ver e você economiza 90 pesos (20 reais) – passe em frente, tire fotos e vá conhecer o Caminito.

Inside
Inside

 O restante da visita ao La Boca eu deixo pra contar no próximo post. Só adianto que nada me aconteceu lá e o bairro não me pareceu tão peligroso como o rapaz disse.

Buenos Aires – uma introdução

Tinha vontade de conhecer a capital argentina há muito tempo, desde 2010 pelo menos, quando fui pedir umas dicas à minha prima que já havia viajado para lá e ela acabou me convencendo a ir para o Peru com ela. Não me arrependi, me encantei muito com o Peru, especialmente com Machu Picchu e o Lago Titikaka. Mas a vontade permaneceu.

A foto clássica no Lago Titikaka
A foto clássica no Lago Titikaka

Há uns 3 meses recebi um email do Melhores Destinos (site altamente recomendado para pesquisar passagens baratas) com uma promoção excelente para Buenos Aires e o melhor: numa época do ano que eu poderia viajar. Não pensei duas vezes, comprei as passagens e embarquei em 3 de julho, dia que completou um ano que voltei da Irlanda. Coincidências.

Minhas semanas antes da viagem foram bem loucas e corridas, pra dizer o mínimo, então não consegui descansar nem na véspera: fiz as malas na quinta-feira de manhã, imprimi o esboço de roteiro que havia feito, separei o passaporte (e quase que levo meu passaporte vencido – oh cabeça) e peguei o ônibus para o aeroporto de Guarulhos (cês não tavam achando que eu ia pegar táxi, né?).

Cheguei no aeroporto com muita antecedência (2h30 antes do voo) e foi tudo muito tranquilo. Desculpa, gente, mas o #imaginanacopa não causou filas imensas no balcão de check-in nem na fila da segurança e nem atraso no meu voo. Foi tudo ótimo e só fiquei muito tempo aguardando porque cheguei muito cedo mesmo.

Como peguei uma promoção e, no caso, escolhi preço e não conforto, meu voo não era direto e tive que fazer um conexão em Porto Alegre. Parênteses: eu que sou assim uma menina da cidade grande e acostumada com muvuca, agitação e lugares gigantes fiquei impressionada com o aeroporto de Porto Alegre que era um ovo. Eu tinha quase 3h entre um voo e outro e achei que iria desembarcar lá e já poderia passar pela segurança para aguardar no saguão de embarque. Que nada! Só me deixaram entrar faltando uns 50 minutos para meu voo decolar, isso que era voo internacional. Mas GENTE! Até que o aeroporto de Dublin é bem grande se comparar com Porto Alegre. Fim do parênteses.

De São Paulo até Porto Alegre deu 1h25 de voo e foi bem tranquilo. Voei de Gol e achei tudo bem ok, até serviram um lanchinho, o que eu nem esperava. O voo de Porto Alegre atrasou um pouquinho, mas ainda cheguei em Buenos Aires no horário previsto. Deu 1h40 até lá e os primeiros 25 minutos de voo foram muito tensos: uma turbulência danada, o avião tremia, chacoalhava, aquele barulho de não-sei-o-quê rangendo… muita emoção!

Chegando em Buenos Aires, passamos pela imigração e minha surpresa: eu achava que como temos o Mercosul aqui seria um lance meio “Mercosul nesta fila” e “resto do mundo nesta fila”, como é quando você chega em qualquer país europeu, só que na verdade era uma fila para os hermanos e outra para não-hermanos. A diferença é que eles dividem os não-hermanos em Mercosul e estrangeiro. Na Argentina, obviamente, não sou estrangeira.

Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?
Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?

Não é necessário ter passaporte para entrar na Argentina, desde que seu RG tenha menos de 10 anos, o que era não o meu caso, então, tive que entrar no país usando meu passaporte mesmo. Tudo muito rápido, sem perguntas cabeludas: Turista? Una foto! Polegar! Donde eres su hotel? (eu tô inventando, não falo espanhol).

Argentina! Argentina! Argentina!
Argentina! Argentina! Argentina!

Pouco depois da meia-noite já havia desembarcado e adivinha: eu resolvi que iria passar a noite no aeroporto mesmo. Acho que nunca contei pra vocês, mas eu já dormi em alguns aeroportos desse mundão antes (Dublin, Oslo, Estocolmo…), então, no news so far. O fato é que também havia decidido que iria do aeroporto ao centro da cidade de ônibus, pois desci no EZEIZA, o aeroporto que fica a uns 38km de Buenos Aires, e o taxi custaria uns 80 reais com o câmbio que conseguiria trocando pesos no Banco de la Nácion do aeroporto, o que não iria fazer (e explico futuramente). Já o ônibus me custaria 3 reais nesta mesma cotação oficial e eu não estava com pressa mesmo. O problema é que cheguei lá cheia de reais (porque sou ryca) e os ônibus só aceitam moedas, ou monedas, como logo aprendi. Fomos à caça de monedas, tentando comprar alguma porcariazinha para receber o troco de moedas, só que pensa que o peso está muito desvalorizado e uma moeda de 2 pesos vale o equivalente a 60 centavos no câmbio oficial e com 2 pesos você não faz absolutamente nada. Trocando em miúdos: não foi tarefa fácil achar as tais monedas, porque nem as lojinhas tinham. Resolvemos apelar e pedir para a galera que estava no aeroporto trocar pra gente e aí nos surpreendemos com a simpatia do povo argentino: uma moça abriu a carteira dela e nos DEU todas as moedas que tinha, aí foi pra fila do McDonald’s tentar trocar uma nota por moedas, não conseguiu, nos deus 25 pesos (7,50 reais no câmbio oficial) e disse para tentarmos trocar com alguém. Foi muito amor de recepção!

Fui preparada para o frio, mas aquela madrugada me pegou de surpresa: 3 graus! Uns cochilos aqui e outros ali, às 6h da manhã fui ao ponto de ônibus, que fica a esquerda saindo do Terminal B. A linha que leva ao centro de Buenos Aires é a 8 e eu havia pesquisado na internet que ela era bem demorada, pois não pegava vias principais, já que é transporte público e precisa servir ao maior número de pessoas possível. O ônibus saiu às 6h20 da manhã num frio que me fez lembrar de Dublin… chegava Machu Picchu, mas não chegava em San Telmo, bairro onde ficaria hospedada. Depois de 2h40 de viagem (sim!), num ônibus que lotou e esvaziou algumas vezes, que argentinos gentis tentaram me ajudar explicando onde eu estava e quanto tempo ainda iria levar pra chegar onde queria, mesmo eu não entendo tudo que eles falavam, cheguei! E devo dizer que o ponto final da linha 8 ainda estava meio longe, no bairro La Boca. Mas vendo o custo-benefício de levar 2h40 (e ainda chegar no hostel pouco depois das 9h) e gastar NADA, faria tudo de novo.

Como estou tirando o atraso (há quanto tempo que não posto nada além do desafio de 52 semanas, hein?), estou falando mais que a mulher da cobra e para vocês não ficarem entediados, termino aqui. Só pra constar, eu fiquei 5 dias em Buenos Aires, vocês ainda vão ter que aguentar muitos posts pela frente… 🙂