Compras, os loirinhos e adeus, Dublin!

De volta a fria Dublin, larguei minhas coisas na casa da Bárbara, fiz um lanche e fui às compras! Eu não separei dinheiro para fazer compras na Penneys porque o euro já estava um tanto alto (paguei mais ou menos 3,45 na época) e eu sou sofredora, digo, professora – já foi um baita de um luxo passar férias na Europa. Porém, sempre que calculo os custos de uma viagem eu tomo por base os valores máximos que gastarei com cada coisa e sempre jogo uns 10% a mais em cima da conta final, porque passar perrengue financeiro numa viagem não é assim muito glamuroso e precisar recorrer a cartão de crédito ou do banco no exterior sempre deve ser a última das últimas opções. Assim, quando cheguei em Dublin ainda tinha uma graninha sobrando e não tive dúvida: fui pra Penney e me joguei! Claro que como era inverno, tinha muito casado e afins, algo que eu realmente não preciso, ainda mais com esse inverno sem vergonha de São Paulo que não faz frio e eu amo tanto! ❤ Mas comprei vários lenços – sou a louca do lenço e aqui no Brasil eles são muitos caros. Compare: Irlanda- 4 euros ou uns 14 reais na cotação que peguei; Brasil – a partir de 30 reais. Também trouxe várias sapatilhas, alguns pares de tênis e três bolsas lindas. As bolsas são de qualidade bem razoável, mas os calçados eu já comprei sabendo que não durariam muito – só que eu ainda tenho tudo até hoje.

Cheia de sacolas e debaixo de uma garoa fina, fui encontrar a D., minha última flatmate antes de voltar ao Brasil. Nós convivemos por apenas um mês e nos demos muito bem. Apesar de agora que cada uma está de um lado do oceano não nos falarmos muito, foi muito bom reencontrá-la. Fiz uma parada no Burger King para um lanchinho e seguimos para um dos pubs que eu mais gostava de ir: o O’Reilly’s Bar. Como era um dia de semana, estava bem vazio e infelizmente eles estavam sem minha querida Kopparberg Strawberry & Lime. Conversamos tomando uma Bulmers mesmo que era o que tinha pra noite. Foi um encontro muito gostoso.

Se só tem tu, vai tu mesmo!
Se só tem tu, vai tu mesmo!

No dia seguinte, finalmente o grande encontro: fui ver os loirinhos! E claro, Dublin sendo Dublin e me trolando como se eu jamais tivesse morado naquela cidade. De manhã o dia parecia estar relativamente ok: sem chuva e pouco vento. Saí de casa com meu casacão e bem agasalhada, porém não levei touca nem luvas (e olha que comprei luvas de couro na Penneys por apenas 9 euros – NO-VE EU-ROS… DE COU-RO) porque enfim, não estava pra tanto. Foi eu chegar no centro pra encontrar o T. antes e pegar umas coisas que ele queria mandar pro Brasil, que o tempo virou absurdamente: frio, vento e chuva fina tudo junto e misturado deliciosamente congelando meu rosto e mãos desprotegidos, porque ou eu segurava a toca do casaco ou me molhava toda. Daora a vida, né?

No horário marcado, cheguei e esperei a B., mãe dos loirinhos. Lá estava eu quase sendo levada pela rajada de vento quando ela surge atrás de mim e me abraça. Muitos sorrisos e tal e corre pro carro porque nem ela que nasceu nesse clima maravilhoso de ruim estava aguentando. E o que dizer quando uma irlandesa fala para você que “nunca passou tanto frio na vida como nesta tarde”?

Tava com uma saudade desse clima!
Tava com uma saudade desse clima! sqn

Quando entrei no carro, o F. me cumprimentou, mas não fez grandes cerimônias. Ele se lembrava de mim, da Biiiiiiitriz, mas estava bem tímido. Ele ainda gosta muito de Lego e estava com umas pecinhas da série Star Wars na mão, então comecei a puxar papo com ele e voltamos a ser amiguinhos. No caminho para a casa deles, a B. parou para pegar o O. que agora fica com uma senhora nos dias que não vai para escolinha. Gente, quando eu vim embora aquele loirinho de olhos azuis não falava nada e o menino agora fala inglês melhor que eu! (Ai, que piadinha péssima, Bia). Enquanto o F. é mais introvertido e desconfiado, o O. é extremamente sociável e simpático e logo começou a conversar comigo. Tomamos uma sopa juntos e ele quis sentar na mesma cadeira que eu. Depois quis me mostrar a casa toda e até quis entrar comigo quando precisei usar o banheiro, mas eu gentilmente pedi que ele me esperasse do lado de fora… e ele ficou lá mesmo, esperando como um cachorrinho! Dei os presentes que havia levado para eles, a B. fez um chocolate quente porque aquele era um “momento especial”, já que os meninos nunca tomam isso. Conversamos um pouco, eles me deram achocolatado da Cadbury pra eu trazer comigo (eles ainda lembravam como sou viciada num bom chocolate quente), os meninos estavam muito curiosos sobre eu ser uma “mommy” ou não e ficaram surpresos quando eu disse que nope, I’m not a mommy. Na cabecinha deles toda mulher adulta precisa ser mommy – ainda precisam aprender muito sobre a vida. Aí o O. me perguntou se ele podia namorar comigo. Eu disse que tudo bem, mas que no dia seguinte estava voltando para o Brasil, um lugar que de tão longe a gente precisa dormir dentro de um avião até chegar,  e que se quisesse namorar comigo ele precisaria vir junto. Aí ele decidiu que era melhor ficar em Dublin com a mommy e o daddy. À noite o K., pai dos loirinhos, me levou de volta para a casa da Bárbara. Foi uma visita muito gostosa mesmo e gostei de ter visto os dois loirinhos, mas depois disso nunca mais nos falamos! Eu muito ocupada com a vida por aqui – trabalhando horrores e finais de semana cheios – e eles lá ocupados com os meninos e não muito adeptos de tecnologia. Mas sem ressentimentos.

No meu último dia em Dublin acordei com uma certeza: I didn’t belong there. Foi muito legal ter voltado para lá, ter visto amigos e os loirinhos, mas meu coração não bateu mais forte. Fica de tema para o próximo post.

Fui para o aeroporto de ônibus e o T. me encontrou lá para dar o último tchau e agradecer minha companhia, afinal, ele estava preocupado se ainda me veria este ano novamente quando voltasse ao Brasil por motivos de: logo logo eu conto. 😉

Peguei meu voo até Amsterdã pela Aerlingus – já havia viajado pela companhia antes. Comprei um lanche no aeroporto just in case e me despedi de Dublin, quem sabe pela última vez. Cheguei na capital holandesa perto das 21h e bom, contei que meu voo para o Brasil só saía no dia seguinte às 9h da manhã? Eu sentei numas mesinhas onde comi o lanche comprado ainda em Dublin, enquanto utilizava a tomada para recarregar meu celular e usava o wi-fi gratuito.

Eu nunca tinha ido ao aeroporto da cidade antes – quando fui a Amsterdã cheguei de ônibus vindo de Bruxelas e saí de ônibus indo para Berlin. Bem, já é um dos meus aeroportos favoritos dos mundo! É enorme, tipo, GIGANTE. O wi-fi é gratuito e ilimitado, apenas precisa ser reconectado a cada 1h. Tem poltronas mega confortáveis, ideais para aquelas pessoas que precisam passar a noite por lá – tipo eu.

Estava chegando perto das 23h e um funcionário veio me perguntar se eu iria pegar algum voo – eu estava num saguão de embarque e sei lá eu porque eu desembarquei lá. Eu expliquei que não, que meu voo havia chegado lá e eu só pegaria o próximo na manhã seguinte. Ele, muito gentil, me explicou que aquele saguão iria fechar em breve assim que o último voo decolasse, mas que eu poderia ficar em outras áreas que, inclusive, eram até mais quentinhas. Peguei minhas tralhas e saí andando… AAAAALL BY MYSEEEEEELF…

Um aeroporto todinho pra mim!
Um aeroporto todinho pra mim!

Finalmente achei uma poltrona confortável e depois de encher o saco de meio mundo via Whatsapp – eu estava carente hahaha -, eu acabei pegando no sono. Dormi muito bem, obrigada, até umas 2h da manhã quando uma galera que pegaria um voo logo cedo ali perto chegou falando alto e tal e resolvi ir passear. Depois de cruzar com um rato ali e outro aqui (nossa, gente, não sabia que tinha rato nos aeroportos europeus, que surpresa, achei que era coisa de brasileiro! *ironia*), checar onde era meu portão de embarque e onde deveria largar o tax free de tudo que comprei na Penneys e não achei o lugar onde deixar o formulário em Dublin, descolei um sofázinho ainda mais confortável onde dormi atracada com minha mochila até umas 6h da manhã, quando o aeroporto passou de “filme de terror teen” para “cena inicial de filme bonitinho”, cheio de gente pra lá e pra cá. Levantei, tomei um bom dum café da manhã, larguei meu tax free e fui pro meu saguão de embarque.

Good morning, sunshine!
Good morning, sunshine!

Na promoção que peguei, eu fui para a Europa de AirFrance e voltei de KLM. Foi minha primeira vez nas duas. A AirFrance é muito boa, mas a KLM me deixou de queixo caído! Achei tudo excelente – muitas opções de filmes, sorvete e sanduíche entre as refeições, comissários de bordo prestativos e simpáticos-, só não gostei da duração da viagem: foram 12h da capital holandesa até minha terra. DO-ZE HO-RAS. Eu sozinha dentro de um avião – aliás, sozinha é modo de dizer, o avião estava lotado! Dei o azar de ir bem no meião e tinha um homem muito alto de um lado e um gordinho do outro… sorte minha ser baixinhas, viu, senão! Aí que são 12 horas dentro de um avião. Eu dormi, assisti “Garota exemplar” (super recomendo, inclusive), comi, dormi, assisti “Moonrise Kingdom”, dormi mais, comi mais, assisti algum episódio aleatório de The Big Bang Theory, comi, dormi, olhei pro teto, pro chão, levantei pra esticar as pernas, dormi, levantei e tentei pegar minha mochila no compartimento do meio e entendi porque eles pedem altura mínima para comissário de bordo: eu não consegui fechar o compartimento e o homem alto do lado precisou me ajudar. Eh. Na reta final, faltando umas 2h para chegar, eu comecei a passar mal, espirrando e nariz escorregando como se não houvesse amanhã – tanta tempo exposta ao ar seco do avião atacou a abençoada da rinite.

O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? <3
O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Depois dessa viagem muito louca de volta, cheguei pros quase 40 graus do verão paulistano. Foi um choque sentir aquele bafão quente ao sair do aeroporto e eu de meia grossa e calça jeans, fedendo mais que peixe podre depois de tanto tempo sem banho e usando a mesma roupa. Minha pele estava ao mesmo tempo ressecada por causa do tempo frio e vento europeu e com espinhas, provavelmente por causa de toda porcaria gordurosa que acabei comendo.

Cheguei em casa, tomei um bom banho e morri no sofá. Desconfiei quando senti frio no verão de 40 graus. Febrão de 38 graus – a mina que viaja de ônibus na madruga, enfrenta o frio de Dublin, dorme no aeroporto, bate perna o dia todo, desbrava Madri parecendo cena de filme terror, mas não aguenta o ar seco do avião! Cheguei em São Paulo doente, mas muito feliz com minha Eurotrip e me perguntando quando iria a Europa novamente! 🙂

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Rolezinho na Europa: uma introdução

Julho de 2014, véspera da viagem à Argentina.

Chego em casa e checo meus emails. Sempre tem um do Melhores Destinos e eu sempre abro e bato o olho para ver se tem algo interessante. Sempre tem algo interessante, mas nunca num mês interessante pra mim – ossos do ofício, só posso viajar nos meses de férias, quando tudo está, via de regra, mais caro e quase não tem promoção. Mas neste dia tinha.

Eu já estava com as malas prontas para ir a Buenos Aires no dia seguinte, mas o preço estava ótimo, a Bárbara e o Rick me convenceram que eu não poderia deixar essa chance passar (ai, como sou influenciável) e resolvi que iria me endividar com outra viagem sem nem mesmo ter desfrutado da dívida feita para a primeira. Esse negócio de sofrer de wanderlust pode ser um caso sério, juro. E assim comprei minhas passagens para passar férias na Europa, passar 19 dias dando altos rolês no hemisfério norte, mesmo sabendo que deixaria para trás um baita verão para passar frio. Sério, sofrer de wanderlust te faz fazer coisas que você não faria em CNTP (condições normais de temperatura e pressão).

Fui e voltei de Buenos Aires. Trabalhei. Andei de bicicleta. Tive encrencas com a USP. Trabalhei muito mais. Comi muito doce. Fui ao cinema. Dormi às vezes. Passei umas 2 faixas no kung fu. Zoei meu joelho. Passei finais de semana corrigindo provas. Trabalhei um tico mais. E assim, seis meses se passaram até que o dia 30/12 chegou e eu, ainda meio desorganizada, fui ao aeroporto suando horrores (eita, verão paulistano!) e com um casacão enorme na mão para pegar meu voo rumo a… Dublin!

Primeiro que meu voo saía do Terminal 3, o terminal novo e super moderno do aeroporto de Guarulhos. Eu já passei por alguns aeroportos mundo à fora, mas nunca vi nada tão moderno! O check in é apenas pela máquina e a gente só pega a fila do guichê para despachar a mala. O controle de passaporte é todo automatizado (é essa a palavra?) – eu coloquei meu passaporte no leitor, a primeira catraca se abriu, aí me posicionei em frente a câmera que se abaixou até ficar da minha altura (né?), bateu uma foto minha e me identificou como menina e liberou a segunda catraca para eu passar. Ou eu sou muito caipira ou isso é realmente muito moderno!

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Viajei de AirFrance e gostei muito do serviço e tal. O voo foi bem tranquilo e pela primeira vez uma refeição de avião me deixou satisfeita, sem contar que deram sorvete – a Lufthansa não me deu sorvete! Eu dei muita sorte porque consegui ficar na primeira fileira de poltronas, aquela com espaço extra para as pernas – não que eu precise de espaço extra, afinal, mal cheguei ao 1,60 de altura, mas enfim, foi um voo muito confortável e 10h30 depois, cheguei em Paris com temperatura de 3 graus. Cho-que. Lá precisei passar pela segurança novamente e que lerdeza! Peguei um voo da CityJet e 1h20 depois desembarquei em Dublin!

Quando cheguei lá em 2012, tudo era festa! A imigração era festa! Era.

“Hi.”
“Hi. What’s the purpose of you visit?”
“Tourism.”
“How long are you staying?”
“I’m leaving on the 16th.”
“Can I see your tickets?”
Mostrei a reserva de passagem de volta para minha terra.
“Oh, you’ve been here before.” – ele viu meus carimbos de entrada no país de 2013.
“Yes, I had a student visa.”
“Where’s your old passport?” – err… lembram que eu “perdi” meu passaporte? Aquele que tinha meu primeiro visto de estudante?
“Well, I lost my passport… but I have my GNIB here.”
Entreguei para ele, ele jogou meus dados no sistema e eu vi minha foto feia do dia que cheguei na Irlanda pela primeira vez aparecendo na tela do computador dele.
“What are you doing here?”
“I’m visiting friends and traveling to some other countries.”
“And where are you staying?”
“I’m staying with a friend.” – e entreguei a carta do R., um irlandês.
“Uhnn… is R. your boyfriend?” – danado, querendo me pegar no pulo!
“No, he is not.”
“How did you meet him?”
“He dates a friend of mine.”
“Uhn. Did you work when you lived here?”
“No, I just studied.” – eu jamais tive um trabalho formal na Irlanda, não tinha motivo nenhum de contar que eu trabalhei como babá, porque ele poderia me fazer mais perguntas e eu poderia me enrolar. Preferi bancar a ryca que foi para Europa só estudar.

Depois de todo o interrogatório, carimbou meu passaporte me dando exatamente a quantidade de dias que eu ficaria lá como prazo para sair do país. Ah, e disse que ficaria com meu GNIB. Eu, corajosa demais, resolvi perguntar porque ele não ia me devolver o GNIB. “It’s expired and we usually keep it.” Perdi, playboy.

A fila para a imigração levou uns 20 minutos, porque eu não era a única respondendo mil perguntas e vi gente sendo levado para a salinha. Eh, a Irlanda está mesmo fechando as pernas.

Quando saí do aeroporto, vi aquele lindo dia irlandês me esperando: céu cinza e frio. Eu estava tão cansada da viagem (que eu mal dormi), que me sentia anestesiada vendo as ruas de Dublin pela janela do ônibus. Não sentia saudade, nostalgia, alegria, nada! Eu reconhecia as ruas e só. Parecia apenas que eu havia viajado de férias e estava voltando para “casa”.

Quando cheguei na casa da Bárbara, minha ex-casa, tudo pareceu muito familiar, mas ainda assim, não estava sentindo nada. O fato de anoitecer por volta das 16h30 me deixou muito confusa também. Fui ao mercado e tentei comprar uma Kopparberg – guess what? Não havia levado meu ID e o cara não me deixou levar.

Tomei um banho, tirei um cochilo de 2h que pareceram apenas 5 minutos e fizemos a ceia de Ano Novo. Fomos para um pub no centro e, tipo, já tive Reveillons xoxos, mas o de Dublin certamente estará no topo da lista por muito tempo: sem fogos, sem festa, apenas uma contagem regressiva no pub e nothing else to do. Voltamos para casa e é óbvio que o sono não veio até quase 5 da manhã, né?

Eu fiquei mais 2 dias em Dublin, mas isso fica para o próximo post.

Minha wishlist

Supondo que eu voltasse para a Irlanda, quais seriam as 5 coisas que eu com certeza faria? Está é minha wishlist:

Semana 5 – Minha wishlist

1- Visitar a família M. e rever os loirinhos

Família bacana e meninos fofos (como já falei 500 vezes aqui no blog). Seria muito legal revê-los!

2- Ir ao O’Reilleys beber Kopparberg num sábado à noite

Um dos pubs mais legaizinhos de Dublin na minha opinião (apesar de ficar muito cheio às vezes) que vende Kopparberg a um preço bem camarada!

3- Tirar um dia inteiro para andar pela cidade como se fosse turista e visitar a fábrica da Guinness

Porque desta vez, de fato, seria turista e isto com certeza mudaria meu jeito de encarar a cidade. Aproveitaria a deixa e visitaria a Guinness, apesar de não beber cerveja e o resto vocês já sabem.

4- Matar minhas lombrigas irlandesas

Comer waffle, pretzel com cobertura de chocolate, baguete do centra (pra lembrar os bons tempos), tomar suco de blackcurrant e por aí vai.

5- Visitar a Mountjoy Square

Porque este lugar me deixa nostálgica.

Poxa, esta lista iria longe, mas só são 5 itens por desafio!

Dez saudades

Deixei a Irlanda há quase 4 meses e já deu tempo de sentir muita saudade de lá (mas não do frio, deste eu nunca senti falta). Inspirada pelo post que o Rick escreveu esta semana, resolvi escrever minha própria lista de saudades.

10. Kopparberg Strawberry & Lime

Yummy!

A Kopparberg é tipo uma cidra, mas ao contrário daquelas que vêm na cesta de Natal, ela não tem gosto de cabo de guarda-chuva. Meu sabor preferido é a de morango com limão, embora a de frutinhas não seja ruim também. Também tem a Kopparberg de pera, mas não sou muito fã. O teor alcoólico é muito baixo e é tão docinha que parece refrigerante. Apesar da marca ser sueca, em todo e qualquer pub, mercado e off-licence de Dublin se encontra a bebida (e o irônico é que quando fui para a Suécia, não achei a Kopparberg em lugar nenhum). Era a bebida que eu pedia nos pubs e que tomava nas sextas em casa. 😉

9. O’Reillys
O’Reillys é um dos pubs que mais frequentei, especialmente aos sábados quando só tocava rock e tudo ficava bem mais barato. Gostei do lugar desde a primeira vez que fui, porque o pub tem uma decoração que lembra uma taverna antiga. O engraçado é que, segundo o site do local, o pub não é nada antigo- foi inaugurado em 2010. O O’Reillys fica embaixo da Tara Station (DART).

8. Book Market no Temple Bar
Que o Temple Bar é uma área turística da cidade cheia de pubs e com uma vida noturna bem agitada tenho certeza que você já sabe. Mas você sabia que aos sábados e domingos durante o dia rola uma feirinha de livros? Na verdade, não tem só livros, mas também antiquidades, vinis e outras coisinhas. Sempre que passava pelo Temple Bar no horário da feira, parava para dar uma olhada e acabava ficando um bom tempo olhando tudo. Foi lá que comprei um button super legal dos Smiths (que acabei perdendo quando fui para Londres).

7. Grafton Street
Uma das ruas mais famosas de Dublin com seu piso de pedras vermelhas e exclusiva para pedestres, suas lojas caríssimas (e outras nem tanto) e seus artistas de rua e buskers. Durante um tempo, morei bem perto da Grafton e passava muito por lá. Todas às sextas-feiras, por exemplo, quando recebia meu pagamento num envelope com uma carinha sorridente (sim!), passava na agência do AIB da rua, onde o auto-atendimento funcionava até tarde e aos finais de semana, e depositava o dinheiro na minha conta. É uma rua extremamente turística, mas para mim it felt like home. Já sabia os truques dos artistas de cor e salteado, mas quando eu achava que já tinha visto de tudo, já no meu último mês de Irlanda, vi isso:Grafton

6. Spire
Dublin não tem nenhum ponto turístico realmente famoso. Sabe quando alguém te fala uma cidade e logo te vem na cabeça uma atração? Londres, Big Ben. Paris, Torre Eiffel. New York, Estátua da Liberdade. Roma, Coliseu. Dublin….. Mas se você já morou na cidade, provavelmente é o Spire que aparece em sua mente. O Spire nada mais é que uma “agulha” na O’Connell Street e está lá há pouco mais de 10 anos. O interessante é que o Spire é o ponto de encontro de todo mundo que vai para o centro. Já na minha primeira semana na Irlanda, quando ainda estava na acomodação da escola, marquei meu primeiro encontro com conhecidos lá. Às vezes dá saudade de soltar um “Me encontra no Spire tal hora”.

Uma das muitas fotos que tirei da Agulha! hehe
Uma das muitas fotos que tirei da Agulha! hehe

5. Céu cinza e garoa
What? Você tá com saudade disso? Vamos com calma. Tenho a leve impressão de que já deixei bem claro neste blog que eu detestava o frio e, por tabela, os dias cinzentos e chuvosos de Dublin. Porém, desde que voltei para o Brasil, sempre que o céu fica cinza e/ou a temperatura cai e/ou chove fraco, eu lembro de Dublin e, de certa forma, sinto que estou lá. Obviamente, eu prefiro um bilhão de vezes um dia de sol com temperatura passando dos 30 graus (como a maioria dos últimos dias por aqui) do que o frio de quase 0 grau de Dublin com tempo feio, mas não posso deixar de sentir saudade sempre que o clima fica meio parecido. E claro, fico muito mais feliz por saber que em breve verei um céu azul, algo que era mais raro por lá.

4. A felicidade de um dia de Sol
Ainda falando do tempo, a sensação de abrir a janela e ver um belo dia de sol depois de dias e dias de céu cinza era a pura definição de felicidade. Se fosse um dia de sol com temperatura acima de 15 graus, então, era o paraíso na terra. Ver os irlandeses passeando felizes pela rua, levando as crianças ao parquinho, almoçando nos bancos da rua, lendo livros nos parques… O humor da cidade mudava com o clima. Na Irlanda eu aprendi a valorizar cada raio de sol, era simplesmente proibido ficar dentro de casa se estava ensolarado e mesmo aqui no Brasil, onde os dias de sol são bem mais comuns, às vezes ainda tenho essa sensação de precisar aproveitar cada raio. Só que aqui eu adquiri outro hábito: sol e calor é sinônimo de saia e vestido e só!

3. Meus loirinhos
Eu simplesmente morro de saudade do F. e do O., os meus loirinhos. Eu cuidei dessas belezuras por quase 6 meses e dar tchau para eles foi uma das partes mais difíceis de ir embora. A pessoa que está cuidando deles agora é indicação minha, então, às vezes ela me manda fotos deles e no meu aniversário, até fotografou um desenho que o F. fez para mim. Não preciso dizer que sinto um aperto no coração e uma vontade enorme de voltar e ver essas coisas loiras, né?

Os loirinhos me davam flores.
Os loirinhos me davam flores.

2. Dublin Bus
Calma, não é que eu sinto falta do ônibus de Dublin em si, mas quando comparo com os ônibus de São Paulo confesso que sinto uma super saudade dos de Dublin! Tirando a parte que a tarifa de ônibus da cidade é extremamente cara e que os knackers fumavam e bebiam dentro do transporte, todo o resto me faz sentir saudade. Ônibus com banco acolchoado, nunca tão cheio que eu não conseguisse me mexer, motoristas pacientes que esperavam até os bêbados sentarem antes de sair do ponto para evitar qualquer acidente, pontos de ônibus com letreiro informando quando o próximo ônibus chegaria e, claro, o aplicativo de celular para monitorar seu ônibus e não ficar meia hora em pé no ponto esperando. Já aqui em São Paulo é tudo isso ao contrário e todos os dias fico à beira de um surto psicótico utilizando o transporte público. Dublin Bus, seu lindo.

1. Mountjoy Square
Eu morei na Mountjoy Square nos meus primeiros 5 meses na Irlanda e mesmo quando ainda estava no país, sentia uma certa nostalgia quando passava por lá. A Mountjoy é composta por prédios de quase 200 anos e já foi o lugar onde ricos e influentes moravam, porém hoje em dia abriga irlandeses de baixa de renda, imigrantes e estudantes. Já apareceu no cinema, no filme Once, que adoro! Meu único arrependimento é nunca ter entrado no parque que ficava bem em frente de onde eu morava. A minha desculpa era sempre o tempo ruim, mas quando saía um solzinho, a preguiça falava mais alto e depois que me mudei de lá, dificilmente voltaria para passear.

Sinto falta de outras tantas coisas e várias vezes tenho flashbacks dos tempos que morei na terra dos leprechauns. Sinto muita saudade e tenho certeza que ainda volto para lá, nem que seja a passeio.

Onze meses de Irlanda

Longe de casa há 335 dias.

“Mas você já morou fora antes, já sabe como é, está acostumada”, todos dizem. A gente não se acostuma com a saudade e com a falta que faz viver longe de onde cresceu. Não eu. Eu me adapto muito fácil, foi assim nos EUA, está sendo assim aqui, mas eu sempre digo que eu só suporto estar longe do meu mundo porque sei que tem prazo de validade: um dia eu volto. Contraditório, eu sei.

No meu ano na Obamaland nos EUA eu percebi como era flexível e que eu, com 20 anos, já conseguia ser um tanto quanto responsável. Mas eu tinha casa, comida e roupa lavada (por mim, mas tinha) e minha preocupação era “só” cuidar das crianças (uma baita responsabilidade). Na Irlanda eu aprendi a pagar todas as minhas contas, a me preocupar com meu café-da-manhã, almoço e janta, a não me preocupar a que horas chegaria em casa, a cozinhar (não morri de fome nem emagreci, logo…). Eu não precisava sair do Brasil pra isso – era só ir morar sozinha- mas em terras tupiniquins eu teria tudo fácil (família, amigos, realidade que eu conheço) e aqui eu cheguei sem nada.

Foram onze meses bons e ruins ao mesmo tempo. As coisas ruins eu levo como aprendizado e algumas delas vão virar histórias engraçadas em roda de amigos em algum tempo. As coisas boas vou lembrar nostalgicamente no futuro.

Em onze meses eu perdi o medo da chuva (e matei minha vontade de ter galochas enquanto me desfiz do guarda-chuva- touca na cabeça é vida); controlei meu consumo de doces (o que não é nada fácil morando num país onde chocolate é barato demais e o Tesco vende mousse a 1 euro); troquei a Smirnoff Ice pela Kopparberg; não aprendi a beber cerveja; saquei que se a vida é minha e eu pago as minhas contas, ninguém tem nada a ver com a  roupa que eu uso (me deixa ir no mercado de pijama, ok?); que eu não nasci para passar frio; que eu não tenho mais desejo de ver neve; que a melhor comida do mundo é a do Brasil; que o motorista do ônibus ouve Beatles e Alanis; que roda de samba aqui é música celta com jeito de Senhor dos Anéis (filme que, aliás, eu nunca vi); que irlandês deve ser um pouco triste por achar que 20 graus é calor; que violência tem em todo lugar, até em Dublin (destruí seu mundo!); a valorizar imensamente um lindo dia de sol; que a marca do mercado é, na maioria das vezes, tão boa quanto a marca cara; a parar de converter do euro para o real; que se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim; que eu gosto mesmo é de São Paulo, com todos os seus prós e contras.

Quem diria que eu poderia aprender tanta coisa em tão pouco tempo?