Tinha aflição

Já cheguei quase na metade do desafio das 52 semanas! Ufa! E hoje o top 5 do que me deixava aflita em Dublin.

Semana 25 – Tinha aflição

1- Aranhas

A-ra-nhas! Quantas delas me surpreenderam naquele um ano? Quantas vezes me senti no filme Psicose ao tomar banho e achar uma olhando pra mim? E quando achei uma em cima da minha cama? E quando notei que os irlandeses nem ligam pra elas, tamanha a quantidade de teias que eu já em vi suas casas? Tenso!

2- Sair da cama

Frio, aquele edredom pesado e quentinho em cima de você. O normal é desligar o aquecedor à noite depois que a casa já está aquecida, até por uma questão de economia. Como lidar com o choque térmico de sair da cama? Aquela aflição de entrar num banheiro frio para lavar o rosto! Aaai!

3- Irlandesas

Algumas coisas nelas me davam aflição. E quando digo “elas”, não quero dizer que toda mulher irlandesa faça isso ou aquilo, mas que, de modo geral, a gente as vê por aí assim. O rosto laranja de loção bronzeadora, por exemplo. Ou o rosto tão maquiado que se colocar o dedo em cima, afunda. Aflição.

4- Pé molhado

Sair num dia de chuva com um calçado não apropriado ao clima úmido – sim, porque às vezes nem estava chovendo, mas como o chão estava úmido da última chuva, o efeito no pé era o mesmo. Por essas e outras, ainda no primeiro mês de Irlanda eu comprei uma galocha e pouco tempo depois, um tênis impermeável para não precisar ficar com essa agonia de pés molhados.

5- Irlandesas na balada

Elas novamente. Frio congelante, 3h da matina e elas na porta da balada de microvestido sem meia-calça. Aquele sensação de sentir frio só de olhar e a aflição de querer jogar um casaco em cima daqueles corpos vestidos para um clima, no mínimo, 30 graus mais quente. Mas de qualquer forma, elas sempre estavam lindas e exuberantes na boate, né?!

Primeiros dias no Brasil

Retornar ao Brasil após um ano morando fora traz as mais diversas sensações e sentimentos. Eu, macaca velha de intercâmbio, já havia passado por esta experiência em 2009 quando retornei dos Estados Unidos. E os dois retornos foram bem diferentes, mas isto é tema de algum post futuro.

O post de hoje é mais palpável, concreto. Como é voltar para casa depois de um ano?

Primeiro, eu me desfiz da minha vida irlandesa: com muita dor no coração, sai do meu emprego, fechei minha conta no banco, doei algumas poucas coisas (materialista, né?) e excluí o app do Dublin Bus do celular. Acho que nesta hora que a ficha começou a cair.

21h e 12.000 km de viagem depois, cá estava na minha São Paulo sem minha mala gigante extraviada pela Lufthansa. Achei a cidade muito feia, as pessoas estranhas, o estilo de vida meio nonsense. Tudo era estranhamente familiar e ao mesmo tempo novo.

No dia seguinte, logo cedo, liguei para a Lufthansa e para minha alegria, minha mala foi encontrada- por algum motivo X, ela havia ficado em Frankfurt e chegou no voo do dia seguinte- e no mesmo dia, à noite, ela chegou em casa.

Minha primeira saída na rua foi uma experiência. Apesar de ser inverno, fazia uns 27 graus e saí de regata. Não fui muito longe de casa, então fiz o caminho todo a pé. Apesar de ser paulistana, estava no papel de uma outsider e prestava atenção em tudo como se fosse minha primeira vez na terra da chuva ácida garoa. Tudo parecia muito agitado, muitas pessoas andando na rua, todas falando apenas português (eh, depois de um tempo, isso soa estranho), ônibus lotados (era fim de tarde), poluição e pessoas completamente diferentes dos irlandeses (para o bem e para o mal). Porém, o que mais me incomodou foi notar que estava sendo “olhada” ao andar. Não, não estou me achando a última bolacha do pacote, até porque, acho que deu para perceber que meu tom é de repúdio! Homens irlandeses não secam mulheres na rua e depois de viver um ano sem isso, foi muito desconfortável notar este tipo de coisa. Sociedade machista.

A cidade mudou. Não existe mais Telefonica, agora é Vivo e os orelhões são coloridos! Quase tudo no metrô está (duvidosamente) traduzido para o inglês. Os celulares têm 9 números e todos começam com 9. O Espaço Unibanco agora é Itau Cinema.  Muitos prédios novos e outros reformados por aí. E não só a cidade mudou. As notas de real também mudaram! E os preços subiram muito (de tudo). É quase como eu se tivesse dormido por um ano e acordado.

Coloquei minha vida em ordem por aqui também e fui ao Cartório regularizar minha situação, já que não votei na eleição anterior: paguei 7 reais e estou quite com a justiça eleitoral. A conta no banco estava em ordem. A matrícula da faculdade foi reativada. E a vida foi voltando ao normal, um pouco a cada dia. 😉

Coisas de Irlanda

*O interruptor fica do lado de fora do banheiro– Não sei por que causa, motivo, razão ou circunstância que em toda e qualquer residência irlandesa o interruptor fica do lado de fora. Além disso, não há tomadas no banheiro, ou seja, para  usar o secador ou passar a chapinha na cabeleira, arranje outro lugar.

*Não se dá sacola de plástico no mercado- Quando saí do Brasil ainda estava rolando aquele bafão dos grandes mercados querendo banir sacolinhas de plástico, tudo pelo bem financeiro da natureza. Bem, aqui na Irlanda você até pode sair do mercado com uma sacolinha, mas precisa pagar por ela. Seja como for, o pessoal aqui está tão acostumado com isso, que ou as pessoas levam suas compras em sacolas reutilizáveis ou em suas mochilas ou levam na mão (acredite, é normal ver gente andando na rua com leite, pão, caixinhas na mão). Os estabelecimentos que dão sacolas, como lojas de departamento, só fornecem sacolas de papel. É ecologicamente mais correto, mas num país que tem a fama de chover mais que em dilúvio bíblico, você pode ficar na mão se estiver voltando das suas comprinhas num dia de chuva (eu já fiquei!).

*As casas não têm tanque/área de serviço- Pense num tanque de lavar roupa. Isto parece algum tipo de invenção ultra moderna? Mas ela não chegou na Irlanda. As casas não tem área de serviço, portanto, não existem tanques! E adivinhe onde fica a máquina de lavar? Cozinha. Aí você se pergunta “E se eu quiser/precisar lavar uma roupa na mão, como faz?” E eu te digo “Quando descobrir a resposta, me conte, porque eu também não sei”. O que faço é sempre colocar roupas delicadas dentro de fronhas, assim evito que fiquem com bolinhas ou estraguem. Tem funcionado.

*A roupa seca dentro de casa- Se uma casa irlandesa não ter área de serviço não for algo suficientemente estranho para você, revelo que aqui roupa se seca dentro de casa. Talvez pelo fato de a chuva ser uma constante nesta terra, as pessoas tenham desistido de deixá-las secando ao ar livre. O fato é que é muito normal ir na casa de alguém e ver um varal portátil na sala. E não apenas na casa de intercambista pobre, a família para a qual trabalho também faz isso (e com certeza não é a única). Claro que algumas casas têm secadora, mas a menos que você tenha emagrecido e precise de roupas menores, não recomendo o uso deste artifício para ter roupas secas.

Toda casa de intercambista tem um!

*Fruta é cara, porcaria é barata- Enquanto você paga cerca de 2-3 euros numa caixa de morangos, cookies com gotas de chocolate da marca Tesco custam 43 centavos (é Tesco, mas é bom!). E, via de regra, a variedade de frutas é menor, a qualidade é inferior e o preço maior. Claro, sempre tem promoção por aí, é só saber procurar!

*Não pode escolher fruta na feira- Qualquer feirante sangue bom vai te deixar olhar bem as frutas e escolher aquelas que mais te apeteceram, amém? Não na Irlanda. Tente encostar nas frutas de um feirante que, no mínimo, ouvirá uma bronca muito mal educada (eu já ouvi). Aqui funciona assim: você diz o que quer e o dono da barraca escolhe e te entrega numa sacola. Aí, quando você chega em casa, descobre que aquela caixa de morangos custava só 1 euro porque a metade dela já estava muito boa… para ir para o lixo!

*Você paga para retirarem seu lixo- Há duas formas de dispensar seu lixo por aqui: você vai ao mercado e compra sacolas grandes e brancas e nela coloca apenas o lixo reciclável que é retirado sem nenhum custo. Aí, você também vai comprar sacolas pretas para o lixo não-reciclável e para que ele seja recolhido, você deve ir ao correio e comprar um adesivo que custa 3,50 euricos e colar na sacola. Dependendo de onde você morar, especialmente se for em prédios, esta taxa estará inclusa no aluguel ou já terá sido paga pelo landlord.

*As mulheres parecem Oompa Loompas- Você já assistiu “A Fantástica Fábrica de Chocolate”? Você lembra dos Oompa Loompas? Vou refrescar sua memória:

Oompa Loompa Doompadee Doo…

E o que isso tem a ver com as mulheres irlandesas? Elas, normalmente, são muito brancas e costumam ter sardas. Para disfarçar isso, elas usam maquiagem, correto? O problema é que elas compram base/pó uns dois tons mais escuros que a cor natural da pele para dar aquele ar “bronzeado” e acabam ficando com o rosto alaranjado, enquanto o resto do corpo continua branco. Algo muito comum de se ver nas rua de Dublin.

*Os prédios são baixos- Não sei se existe alguma lei ou é apenas a arquitetura, mas não há prédios realmente altos em Dublin. Comerciais ou residenciais, os prédios dificilmente têm mais do que 6 andares.

*Não tem janela no banheiro- Outro mistério irlandês. Os banheiros não têm janelas e precisam de um exaustor para dar um jeito na umidade do cômodo. Uma invenção muito mais simples que uma janela, claro. (Se bem que nos EUA funciona do mesmo jeito!).

*Não se vende bebida alcoólica depois das 22h- Além de supermercados e lojas de conveniência, há muitas lojas conhecidas como “off licences” (vendem apenas bebibas) espalhadas pela cidade. Em todos estes lugares é possível comprar bebida alcoólica, desde que você chegue antes das 22h. Quando o sino da igreja bate 10 vezes, off licences fecham e mercados lacram a seção de bebidas. É lei. Mas nos pubs você pode comprar bebida a qualquer hora. Ah, teoricamente, você precisa ter, no mínimo, 25 anos para comprar bebida no mercado. Mas nunca pediram meu documento (não que eu já tenha comprado, né?).

*Aranhas- Dizem que não existem cobras irlandesas, mas em compensação, o que tem de aranha nesta terra não está escrito. Não é nada difícil ver teias de aranha por aí e os moradores parecem não se incomodar com a presença destes seres de 8 pernas. Mas eu não curto.

Moda irlandesa, tempo bipolar e Penneys

Depois de algumas viagens nesse mundão, às vezes eu consigo reconhecer brasileiros ou americanos pelo jeito de se vestir. Claro, nem todos são iguais e têm o mesmo estilo, mas tem algumas coisas que identificam um brasileiro ou um americano no meio da multidão, por exemplo. Você admitindo ou não, o jeito de se vestir também reflete a cultura e os costumes de um país, e por mais estiloso e original que você pense ser, você tem um toque brasileiro.

Dito isto, estou me perguntando como surgiu a moda irlandesa do momento. Percebi que as meninas daqui gostam muito de usar meia-calça escura com saia ou vestido, por exemplo, mas o que me intriga mesmo é isto:

Repare na irlandesa do meio. Sim, ela está com a bunda de fora.

Já vi muitas meninas andando com esses shortinhos e meia-calça. Aí você para e pensa “What the fuck? Por que você tá mostrando a bunda na rua, menina?”

Não bastasse isso, tem a moda do pijama. Até me perguntei se ontem era o Pyjamas Day, porque vi tanta gente andando com roupas de dormir na rua que custei a acreditar que isso era moda também:

A crise está tão ruim assim? 

Claro, só vi jovens e adolescentes vestindo pijamas (naquela idade que a gente ainda não tem bem a noção do ridículo), mas que é estranho, é. Pelo menos sei que se um dia estiver com preguiça e sair na rua assim, ninguém vai ligar.

De pijama eu nunca saio, mas só coloco minhas pernas de fora quando tenho quase certeza de que o tempo vai continuar quente (mas só as pernas, a bunda não). Mas isso é um problema aqui em Dublin: o tempo é bipolar. Aí você, paulistano, vai me dizer que em São Paulo é assim também. Só que em Sampa City o tempo muda durante o dia, mas de forma constante. O dia começa frio pra caramba, esquenta muito no almoço e esfria de novo a noite. Andei por 20 minutos em Dublin hoje e neste período de tempo senti calor, frio, choveu, parou e saiu sol… e o ciclo se repetiu novamente. Reclama da tua vidinha paulistana, reclama. Simplesmente não dá para confiar no tempo para se programar.

Mas agora vamos falar de coisa boa?

A loja mais querida dos brasileiros!

A Penneys (lê-se “penis”… pois é!) é uma loja de departamentos que vende tudo a preço de banana e, portanto, os brasileiros pira adoram fazer comprinhas nesta loja. Eu estava resistindo aos encantos da Penneys (sem trocadilhos aqui, por favor), mas precisei entrar na loja para comprar uma toalha (6 euricos) e acabei levando um kit com 7 pares de meia por 3 euricos e me joguei numa jaqueta de couro (sintético, claro) de 25 euros. Mas Penneys agora só quando eu estiver trabalhando, porque te contar que ganhar em real e gastar em euros não é muito legal. Tem até um sábio provérbio que diz que “quem converte, não se diverte”, mas prefiro não me divertir por enquanto. Aliás, não posso.

That’s all! Volto quando tiver mais o que contar (ou seja, logo logo).