Sete meses em Oulu

Tenho a impressão que toda semana escrevo post de “mesversário” em Oulu! O tempo voa quando a gente está até o pescoço com coisas pra fazer, não é? Sete meses sem pão francês, canjica e bisnaguinha com requeijão.

  • Alunos e professores do meu mestrado se reuniram num frio e ensolarado sábado à tarde para prática de esportes de inverno. Se algum finlandês falar que vai esquiar, esqueça as montanhas e as descidas de ski! Aqui se pratica o cross country skiing, que nada mais é do que deslizar na neve em um lugar plano.
Tipo isso!
Tipo isso!

Eu não sou fã de ski, então fiquei descendo as montanhas de neve no sledge mesmo. 🙂

  • Fiquei 9 dias fora no Reino Unido aproveitando a winter week e foi muito bom para relaxar um pouco e esquecer um pouco do trabalho e do mestrado. Voltei mais cansada do que fui, claro, mas valeu cada minuto.
  • Já estou preparando a renovação do meu visto para o segundo ano de mestrado. O processo todo é muito parecido com a solicitação do primeiro visto, mas ao invés de ir na Embaixada, como já estou na Finlândia só precisarei comparecer na polícia com horário marcado e os documentos originais.
  • Eu muito exaltei o inverno finlandês aqui e aqui. E não é que não é mais lindo, mas eu não aguento mais ver branco e neve todo dia em todo lugar! Nem estes 9 dias fora sem neve foram suficientes para voltar a achar neve legal. Já vamos aí pra 4 meses ininterruptos de neve acumulada – só pra constar, reza a lenda que o inverno dura 3 meses.
  • E aí, este semana, quando todo mundo achava que a primavera ia engatar – uma semana inteira com temperaturas acima de 0, neve derretendo loucamente, partes de grama sendo avistadas, passarinhos cantando e o sol saindo todo dia – voltou a nevar na velocidade 5 e em 2 dois caiu uns 5cm.
That's the feeling! Retirado da página do Facebook do Funland
That’s the feeling! Retirado da página do Facebook do Funland
  • Uma noite eu estava no meu quarto, sentada no meu sofá usando meu laptop, como de costume. Senti meu sofá tremendo, ouvi a janela batendo e 5 segundos depois tudo se acalmou e eu achei que tivesse tido uma alucinação. Aí fiquei sabendo que não fui a única e descobri que vivi um terremoto! Calma, não tem terremoto na Finlândia, o que sentimos foi um reflexo de um terremoto de 4.1 na escala Richter que ocorreu a uns 100km daqui, na costa da Suécia. Quem diria?
  • Num domingo, quando supostamente a primavera começou (e fez -10 graus), eu estava no meu quarto e vejo pela janela dois meninos andando na rua vestidos de bruxa. Achei estranho, não é Halloween, né? E nem no Halloween eu vi isso, pra falar a verdade. Aí descobri tudo! Aqui há uma tradição que no domingo antes da Páscoa, crianças se vestem de bruxas para celebrar o início da primavera. Elas vão de porta em porta para “abençoar” a casa em troca de doces, meio parecido com Halloween mesmo. Interessante, não? Leia mais aqui, em inglês.
  • Eu engordei incríveis 4kg nestes 7 meses, a maior parte deles depois que o invernão começou. Aí entra uma série de fatores: eu fui de praticar kung fu e fazer muita caminhada no Brasil a uma vida sedentária – com a chegada do inverno, apesar de eu não parar de pedalar, eu só pedalo distâncias de no máximo até 2km com frequência, o que não conta muito. Eu passei a cozinhar por hobby e, bem, eu como tudo que faço. E, isso é dedução minha (se alum entendido ler isso e puder opinar, agradeço), acredito que meu metabolismo desacelerou para poupar energia por conta do inverno. O resultado eu vejo na balança. :/
  • Por conta disso, resolvi fazer dieta e voltar a praticar exercícios. Comecei a correr aproveitando aquela semana que a neve derreteu das vias e o asfalto voltou a ficar visível. Lembrando que é só eu sair do prédio e já posso sair correndo, porque Oulu é praticamente um parque com casas. Só que aí nevou de novo, cobriu tudo de neve de novo e eu estou esperando derreter pra voltar a correr. Sorte, me desejem sorte.
  • Ando tendo umas homesick. Nada sério, nada pra querer cortar os pulsos. Só que é nessas horas que eu vejo que adoro viajar, morar fora, conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes, mas eu também acho um máximo voltar. E questiono se eu conseguiria, de fato, imigrar de vez.
  • Eu escrevi um guest post no Partiu Intercâmbio, um blog com muitas dicas de como morar fora em geral. Leia meu artigo aqui!

Força que desta vez o intercâmbio não dura só um ano! E para terminar, um vídeo mostrando o centro de Oulu. 🙂

 

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Dublin, we don’t belong together

No último post sobre o rolezinho na Europa (que eu levei praticamente 6 meses para contar tudo – ufa!), falei sobre aquela sensação de estar em Dublin e sentir que eu não pertencia àquele lugar. Pois vamos por esta história aí a limpo (e já pega a pipoca, que o post será longo).

Eu já tinha morado fora antes – fui au pair em Denver, Colorado, nos EUA entre 2008 e 2009. Foi minha primeira experiência longe de casa e foi uma ótima experiência. Eu adorava a cidade, pois apesar de ser uma cidade relativamente grande (500 mil habitantes na época), tinha todo aquele ar aconchegante de cidade pequena. O clima me agradava – verões quentes e secos e invernos gelados com muito neve, PORÉM, os dias eram sempre ensolarados e eu tinha minha dose diária de vitamina D e alegria. A família que me acolheu era ótima: me respeitavam, respeitavam as regras do programa, me incluíam nas atividades em família, me ajudavam com inglês e eu amava as crianças. Fiz amigas que até hoje mantenho contato. Tive a oportunidade de conhecer várias partes dos EUA e também viajar para a Europa e, como se tudo isso não bastasse, eu ainda tinha minha própria suíte e ganhava um pocket money que me permitia fazer tudo que estava com vontade: cinema, balada, compras, viagens. Foi um ano muito gostoso e que me deixa cheia de nostalgia. Não tive a oportunidade de voltar aos EUA ainda, mas certamente visitaria a cidade cheia de lembranças boas e saudades.

Pula aí uns 3 anos.
Entre 2012 e 2013 eu morei em Dublin, capital da Irlanda. Vocês já sabem que só fui fazer intercâmbio novamente porque a vida estava meio sem graça por esses lados e achei que morar fora de novo daria outra perspectiva de mundo pra mim. Ter sido au pair nos EUA realmente me marcou muito e despertou essa vontade de continuar viajando, conhecendo, descobrindo e aprendendo com outros lugares e culturas. E Dublin foi escolhida pelo simples fato de “ah, o visto é fácil e pode trabalhar”. Sei que agora a situação está mudando muito e as regras para visto de estudante estão mais rígidas, mas há 3 anos estava tudo muito fácil e o euro, muito baixo.

No começo foi tudo festa, novidade e alegria! Mas eu odiava o clima da cidade! Como as pessoas vivem e conseguem ser felizes passando dias e dias sem ver o sol brilhar no céu? Eu ainda tive o azar de pegar um dos invernos mais frios dos últimos tempos e isso me causou um trauma pra vida toda: eu detesto o frio desde então! Minha relação com o frio não era assim tão ruim antes de morar em Dublin. Em Denver eu cheguei a pegar -27 graus. ME-NOS VIN-TE E SE-TE. E lá nevava. Sabe neve? Aquela coisa que você acha super linda quando vê nos filmes e morre de vontade de ver porque, né, você é brasileiro e não tem dessas coisas por aqui. Neve é realmente muito legal no primeiro dia, super divertida no segundo, bacana pra caramba no terceiro, mas aí você precisa viver sua vida: sair, trabalhar etc e aquela neve toda passa a não ser assim aquela última Trakinas de morango do pacote. E ainda assim, o frio e eu ainda tínhamos uma relação amigável. Mas em Dublin é frio e chuva na sua cara sem dó, isso quando não vem aquele vento a 80km/h fazendo sua sensação térmica despencar e parecer que seu freezer é mais quentinho. E o sol? Eu preciso ver sol para me sentir feliz e Dublin não é assim exatamente um local ensolarado. Resumindo: eu detestava o clima da cidade e até hoje detesto sentir qualquer friozinho – e tô amando esse inverno paulistano 2015 fazendo 27 graus! ❤

Inverno em Denver - eu até achava legal!
Inverno em Denver – eu até achava legal!

“Putz, Bia, não aguentou um friozinho?”
Confesso que o frio que passei lá tem um papel importante nessa história toda, mas tem mais. Dublin é praticamente uma colônia brasileira e você pode tranquilamente viver lá sem falar inglês, porque até na sua escola você vai achar alguém pra te explicar as coisas em português. Ah, mas você pode fazer amizade com pessoas de outros países e ignorar os brasileiros. Pode, mas olha, você vai ter muito trabalho e tiro o chapéu se você me disser que morou lá um ano e conseguia manter distância de brasileiros. E é até natural a gente querer fazer amizade com o “igual” quando se está no exterior – eu, na reta final da vida de au pair nos EUA, só tinha amiga brasileira – a gente precisa procurar alguém que vai nos ouvir, entender nossa língua e saber do que estamos falando. Mas sabe, em Dublin isso excedia o limite. E bem, onde tem muito brasileiro vai ter muita coisa brasileira. Eu já não tinha paciência para páginas de facebook feita por brasileiros e todo aquele mimimi, e aquelas festas com música brasileira e záz. Eu compreendo isso quando a pessoa muda de país porque, sei lá, foi transferida pela empresa ou se casou com um europeu, mas quando a pessoa deliberadamente escolhe morar lá e para aprender inglês, desculpe, eu não entendo, não. Fizesse um CNA por aqui mesmo que economizaria mais.

Além de tudo isso, eu acabo associando Dublin com alguns eventos pessoais não muito agradáveis como o dia que arrombaram minha casa e roubaram meu laptop, o desaparecimento misterioso do meu passaporte e pessoas que não são assim tão legais e só conheci porque estava lá. É óbvio que muita coisa boa aconteceu também! Conheci pessoas maravilhosas que ainda são amigas, a família dos loirinhos era fora de série e pessoas mais que maravilhosas também e tirei meu CAE por lá. Mas enfim, nosso cérebro age de maneiras misteriosas, não é mesmo? E o meu agiu assim.

Pula 1 ano e meio.
Início de 2015 e lá estou eu passeando novamente pelas ruas de Dublin. Apesar de tudo isso, esse dramalhão mexicano que escrevi, eu ainda sentia muita saudade de Dublin, ficava a todo momento lembrando de lá, imaginava se um dia voltaria e enfim, eu realmente sentia uma nostalgia. Vocês nem imaginam minha alegria quando comprei as passagens para visitar a Fair City novamente. Aí, estou eu lá linda do baixo alto dos meus menos de 1,60 de altura andando pela cidade e tendo altos flashbacks da época que morava lá e passava regularmente por tais lugares e não estava tendo nenhuma reação além de reconhecer o local. Cheguei na casa onde morei e fuén… nada! Passei pelo centro e “oh, que legal, passei muito aqui” e só. Eu me senti um corpo estranho andando pela cidade que eu conhecia quase tanto como São Paulo. Foi aí que meu castelinho de saudade e nostalgia se desfez e percebi que, ehhh… até que foi legal na época, mas acabou. No hard feelings, o problema não é você, Dublin, sou eu. Não senti vontade nenhuma de voltar a morar lá ou sequer de voltar para visitar e fiquei com a clara sensação que aquela visita serviu como um “Adeus e obrigada por tudo”, pois agora estou pronta para deixar você partir.

Até então, eu ainda olhava no relógio e calculava que horas eram por lá e no app de clima do celular, eu ainda mantinha Dublin e sempre checava o quão horrível o tempo estava na cidade. Bem, eu ainda escrevia aqui no blog sobre a capital irlandesa! Tudo isso acabou quando peguei o avião de volta ao Brasil e tive a certeza que Dublin não era meu lugar. Não me entendam mal: não estou cuspindo no prato que comi ou desaconselhando quem quer que seja a ir para lá. Dublin é a mesma pra todos e, ao mesmo tempo, é única para cada um – e só você pode dizer aonde você pertence e se sente bem e, (in)felizmente, notei que Dublin não é mesmo meu lugar.

Apesar de tudo, acredito que a visita foi muito importante para eu finalmente me desapegar e focar em outros objetivos. Eu sempre vou lembrar das coisas boas que esse intercâmbio me trouxe e, com sorte, deixar no passado as coisas ruins que vieram como consequência disso também. Fico feliz por ter tido a oportunidade de fazer um segundo intercâmbio e com certeza aprendi e amadureci muito com todas as experiências boas e, principalmente, as ruins.

E com este post encerro o blog que comecei para escrever sobre a vida em Dublin. Oh wait… não encerro o blog literalmente, mas não vou mais escrever sobre Dublin – seja para falar de mudanças ou citar meus tempos lá, mas o blog continua. Meu segundo intercâmbio ficará por aqui apenas como arquivo, pois agora minha vida e, consequentemente, este diário online, mudam de rumo! Em breve começarei a escrever sobre “isso”. Eu sei que vocês devem estar imaginando que sabem o que vou fazer… eh, estão no caminho certo, mas tenho certeza que ficarão bem surpresos! 😉

[fazendo suspense para vocês continuarem lendo o blog]

Goodbye, so long, farewell!
Goodbye, so long, farewell!

Coisas que me faziam feliz

Estava lendo o blog do Rick esta semana e me deparei com um post do desafio de 52 semanas. Na era da internet, todo mundo já viu e até participou de algum desafio (atire a primeira pedra se você nunca entrou naquela onda de desafios do Facebook!). Lembrei também do Verena Fotografia, que ano passado fez este desafio, porém, com fotos. Bem, já faz quase 9 meses que voltei da Irlanda e não tenho postado muito por motivos óbvios. Aí pensei em unir o útil ao agradável: entrar na onda do desafio, porém ao invés de escrever sobre assuntos gerais, relacionar o desafio ao tempo que vivi na Irlanda. Vamos ver se dá certo (e se der, todo final de semana posto um desafio).

Semana 1 – Coisas que me faziam feliz

1- Acordar e ver o céu azul e raios de sol

Ninguém fica especialmente feliz numa situação dessa no Brasil, mas no meu um ano de Irlanda, a proporção era de 1 dia de sol e céu azul para uns 10 nublados. Meu humor até mudava com os raios de sol e a vitamina D começava a borbulhar.

2 – Achar morangos bons por menos de 2 euros e blueberries

Eu gosto muito de morango e fruta, em geral, é bem cara por lá, morangos no mercado poderiam custar 4 euros a caixa (nos valores de hoje, uns 13 reais por uma caixa de morangos), então, sempre que conseguia comprá-los por um bom preço, era só alegria. E tá, eu sei que existe blueberry no Brasil, mas também sei que em São Paulo o lugar onde vou achar é o Mercado Municipal (lugar que, aliás, eu, paulistana, nunca fui) e sei que são bem caras. Lá tinha em todo mercado, nem tão baratas assim, mas sempre que dava, eu comprava. Delicinha.

3 – Entender o sotaque irlandês

Pois é, gente, não dá para generalizar, mas tem muito irlandês com sotaque chatinho de entender (nem todos, claro) e depois de um tempo, quando eu comecei a entender todos os irlandeses sem dificuldade dá para dizer que me senti muito feliz! 🙂

4 – Os loirinhos e família

Tão bom trabalhar e ser feliz no trabalho, né? Eu tinha um subemprego, eu alimentava, trocava, brincava, trocava fralda e dava bronca nos dois loirinhos, mas gostava demais deles e dos pais, que sempre foram muito fofos comigo. Quando meu laptop foi roubado, me emprestaram o iPad para eu não ficar sem internet e quando precisei tirar outro passaporte, me deram quase metade do valor para me ajudar. Ficava feliz de trabalhar para uma família tão bacana.

5 – Minhas coisas, meus horários, meu jeito

Isso não tem relação direta com a Irlanda, mas era consequência de estar morando lá como intercambista. O título é auto-explicativo. Sinto falta disso.

Feiras de Intercâmbio

No último final de semana, São Paulo recebeu duas feiras de intercâmbio. Sim, duas feiras diferentes no mesmo final de semana, vai entender!

Aí você pensa “A essa altura da vida, o que feiras de intercâmbio têm pra te oferecer, Bia?”  Até têm bastante coisa, mas eu acabei indo nas duas (isso, fui em uma no sábado e em outra no domingo – eita, disposição, sô!) com a desculpa de acompanhar amigos que querem fazer intercâmbio.

Primeiro, gostaria de expressar minha grande surpresa ao chegar pouco depois da abertura de uma das feiras e pegar uma fila kilométrica para entrar – cara, tinha muita gente! Eu já havia ido em outras feiras antes de ir pra Irlanda, mas juro que nunca havia visto tanta gente. Na outra feira, cheguei umas 3h depois da abertura e continuava lotada! A galera realmente quer ir estudar fora!

A feira de sábado

A feira estava organizada por países, então havia stand de faculdade e escola de idiomas tudo junto. Para minha surpresa, não havia tantas escolas da Irlanda por lá! Havia algumas faculdades que eu não conhecia e um stand bem grande de uma das escolas mais famosas e baratas (e cheia de brasileiros e com qualidade duvidosa de ensino) vendendo seus cursos e o sonho europeu. Não deu para evitar, eu julguei muito aquelas pessoas vendendo “qualidade de ensino” quando a gente sabe que a história não é bem essa! A outra surpresa da feira foi ver um stand de um programa de bolsas em faculdades polonesas e outra de uma universidade lituana. Eu até parei no da Polônia, porque foi mais forte do que eu: adorei os 6 dias que passei em terras polonesas, especialmente Cracóvia, e pensei “ah, por que não, né?”. E daí que não falo uma palavra em polonês? 😉

A feira de domingo

Esta também estava muito cheia, mas estava mais organizada: no térreo estavam as agências e escolas de idiomas e no piso superior, faculdades que ofereciam cursos de graduação, mestrado ou doutorado. Nesta eu vi o stand de umas das escolas mais sem-vergonhas daquele solo irlandês – tão sem-vergonha que o representante da escola que estava no stand era brasileiro, porque né, só tem mesmo brasileiro na escola. Eu peguei o folheto deles, dei uma olhada, aí fiquei de canto ouvindo o representante falando da escola para uma possível cliente e eu não sabia se ria ou se me intrometia fazendo perguntas cabulosas. Não fiz nem um nem outro, só falei para o meu amigo que se ele precisasse de uma emissora de vistos, poderia fechar o pacote com a dita escola tranquilamente, pois era isso que ela era. E não, não era a ECM, onde eu estudei. A ECM está longe de ser top, mas tem lá sua qualidade (há um ano, pelo menos, tinha).

O andar dos cursos de faculdade estava realmente interessante e fiz uma descoberta fantástica, mas como ainda não tive tempo de checar as informações, por enquanto prefiro não escrever nada. Só vos digo que isso pode ter me inspirado (mais do que eu já estava inspirada) a fazer alguns planos. 🙂

As feiras de intercâmbio são interessantes para quem não sabe nada de intercâmbio ou sabe muito pouco e precisa pesquisar alguma coisa para dar início ao projeto. É bacana também para quem já conhece muito, mas não sabe exatamente o que fazer, já que lá há stands de vários países com várias propostas dos mais diferentes cursos. Claro, depois de visitar uma feira, o passo 2 é pesquisar tudo que que pareceu interessante na internet e depois, colocar os planos em prática! 🙂

O que você sabe sobre a Irlanda?

Há alguns dias, o canal no Youtube do e-Dublin publicou um vídeo mostrando o que alguns irlandeses aleatórios sabiam sobre o Brasil, aquelas perguntinhas básicas quase clichês como “Qual é a capital do Brasil?”, “Que língua falamos?” etc, além de mostrar algumas fotos de políticos e celebridades. O resultado é que muitos não faziam ideia que Brasília era a capital, não sabiam quem era a Dilma e coisas do tipo.

Apesar da relevância do Brasil (política, economia, esportes, turismo etc), não acho um absurdo que não-brasileiros não saibam tudo sobre nosso país. Vamos pensar, por exemplo, na China. O que você sabe sobre o país, além que sua capital é Pequim, que eles falam chinês/mandarim e que quase tudo que você compra vem de lá? Pois então.

Na semana seguinte, como “vingança”, um irlandês foi às ruas perguntar aos brasileiros o que eles sabiam sobre a Irlanda, fazendo as mesmo perguntinhas sobre geografia, política e celebridades.

Se a pesquisa fosse feita no Brasil, eu diria que uma pessoa comum sem interesse no país não teria a obrigação de saber muito além da capital e da língua falada no país e, talvez, um pouquinho sobre a economia do ex-tigre celta (a gente estuda isso na escola!). Em termos de conhecimentos gerais, estaria ótimo. Mas se o ser humano escolheu passar um tempo da sua vida morando na ilha, o que custa pesquisar um pouco da história do país? Saber que Dublin é sim a capital, que Belfast é a capital da Irlanda do Norte e que ela faz parte do Reino Unido, enquanto a Irlanda é um país independente que tem um presidente (decorativo) e um primeiro-ministro seria o mínimo. Não que eu saiba tudo sobre a Irlanda, mas sei a história do país em termos gerais, sei sobre suas origens, suas lendas, suas tradições e tal. Sei um pouco de sua geografia, economia e música (mas não sobre Jedward, eu só sei que eles existem e para mim isso basta, porque, né, autoexplicativo).

A questão é que fazer intercâmbio não é apenas sair do Brasil por um tempo para, em teoria, aprender ou aperfeiçoar a fluência de um idioma, mas também uma imersão cultural, conviver com o povo do país e aprender sobre seus hábitos e tradições, do contrário, não é nenhum absurdo dizer que poderia ter ficado no Brasil e investido esse dinheiro numa boa escola de inglês e assistir filmes e seriados legendados que o resultado seria muito parecido. Afinal, eu aprendi a falar inglês antes mesmo de morar fora pela primeira vez. Bem, mas se tem gente que volta da Irlanda sem nem falar inglês bem porque perdeu o foco por n motivos, talvez seja mesmo pedir muito que se aprenda sobre o país que decidiu adotar como casa por um tempo.