Um dia em Londres I

Na Europa, no fim de março, as escolas costumam ter o Spring Break, uma semana de “férias”. Na Finlândia, ao invés disso eles têm o Winter Week no início do mês. Agora tirem suas conclusões sobre o clima nessas bandas do mundo.

Apesar de ser uma semana de feriado, os professores do mestrado sempre nos lembram que é apenas uma semana sem aulas presenciais com foco no estudo individual. Mas claro, eles também nos perguntam quem vai “estudar em outro lugar” e eu fui estudar passear no Reino Unido.

Embora eu já tenha ido para a Inglaterra 3 vezes antes (Londres em 2009 e 2012 e Liverpool em 2013) e se considerarmos Reino Unido, ainda dá para colocar mais 2 vezes na conta com Escócia e Irlanda do Norte, este foi meu destino do feriadão.

Londres, 2009
Londres, 2009

Todas as outras vezes que entrei no Reino Unido, com exceção de 2009, foi saindo de Dublin, então não vi imigração. A imigração inglesa é uma das mais rigorosas e temidas (pelo menos, eu temo, apesar de nada dever) e já fui preparada para as perguntas. Em 2009, o oficial só faltou perguntar a cor da minha calcinha, então eu tinha certeza que pior que aquilo não poderia ficar.

Já cheguei entregando meu passaporte com meu visto finlandês, que era pra oficial logo ver que eu já estava morando legalmente na Europa, seguindo minha vida com o Olaf, e estava de boas de querer imigrar ilegalmente na terra da Rainha.

– Está viajando sozinha?
– Sim.
– O que você faz na Finlândia?
– Mestrado.
– Em que?
– Educação.
– Posso ver sua carteirinha de estudante?

Ela tentou escanear meu passaporte, mas não sei por qual motivo, a máquina não lia. Ela “escondeu” o passaporte perto do colo dela e continuou:

– Onde seu passaporte foi emitido?
– Em Dublin.
– Em que ano?
– 2013.
– Por que?
– Porque eu estava morando lá nesta época.
– E o que fazia lá?
– Era estudante.
– De que?
– Inglês.
– Você ainda tem vínculos com a Irlanda?
– Não.
– Você já esteve no Reino Unido antes?
– Sim, em 2009. Mas o visto está no passaporte vencido, neste não tem nada.

O passaporte ainda não queria passar pela máquina. Então, ela o entregou para um outro oficial que usou aqueles “óclinhos” para analisar se meu passaporte era verdadeiro. Claro que é. Ela o pegou de volta e começou a folheá-lo realmente parando e olhando cada visto que eu tinha.

– Você tem sua passagem de volta para Finlândia?
– Sim.
– Posso ver?

Depois de ter certeza que eu não queria imigrar ilegalmente e estava lá de boas curtindo uns dias no Reino Unido, ela carimbou meu passaporte e me liberou. Notem que ela não pediu comprovação de fundos ou reserva de acomodação e acredito que isso só não aconteceu porque eu mostrei meu visto finlandês no ato.

Finalmente, encontrei o R. em Londres à noite e fomos para o hostel, que eu não recomendo à ninguém. O Smart Hyde Park Inn só tem nome e fachada bonitos, de resto… tudo bem que como era apenas uma noite, optamos pelo hostel mais em conta numa boa localização, então não podíamos esperar muito. É bem aquele tipo de hostel gigante, com muitos quartos e muitas pessoas dormindo neles. O quarto fedia (aquele cheiro de gente respirando num lugar fechado, sabe?), eu achei baratinhas no banheiro e o chuveiro é daqueles que você precisa ficar apertando a cada 30 segundos, como torneiras de banheiros públicos. Ou eu estou escolhendo péssimos hostels ultimamente ou já estou chegando na hora de parar de me hospedar neles.

A ideia era passar um dia na capital inglesa para ir em alguns lugares que eu nunca tinha visitado e tirar umas fotos com o R., que também já havia conhecido a cidade em outra oportunidade. Foi mais um dia de passeio do que de turismo.

Portobello & Camden Town

São duas famosas áreas da cidade por suas lojinhas, feirinhas e restaurantes. Portobello é uma rua de comércio com lojas e barraquinhas que vendem desde souvenir para turista até frutas e legumes.

Portobello Road
Portobello Road

O lugar também é conhecido por vender antiquidades e vimos muitas coisas interessantes. Eu não tinha intenção de comprar nada, aí vi um vestido lindo… já tem uns 2-3 anos que eu amo comprar saias e vestidos, mas não em lojas, gosto de ir em feirinhas como a que acontece todos os domingos no Shopping Center 3 em São Paulo. ❤ Bem, nesse frio eterno finlandês, eu ainda não aprendi a usar saia e vestido e ainda me manter aquecida – aliás, eu nem trouxe vestidos – e quando vi aquela gracinha me olhando, converti o valor de librar para reais (enquanto eu gastar em moeda estrangeira o que ganhei em reais, sim, eu vou converter) e ainda achei o valor justo. Aguardando ansiosamente o dia de poder usá-lo (tipo, quando parar de fazer temperatura negativa em Oulu por mais de uma semana).

Antiquidades de Portobello
Antiquidades de Portobello

Estava um lindo dia de sol e fazia uns 6 graus – e eu estava morrendo de calor usando o casacão que trouxe da Finlândia. Depois de tanto tempo vivendo abaixo de 0, qualquer sol vagabundo com temperatura positiva faz a gente assar! 🙂

Pegamos o metrô e seguimos para Camden Town, outra região de comércio. Parênteses. A malha metroviária de Londres é enorme e uma mesma linha pode ter pontos finais diferentes ou no mesmo trilho passar trens para destinos diferentes, enfim, não é para amador. Nós pegamos trem errado mais de uma vez e chegamos à conclusão que foi mais fácil nos virar no metrô da Rússia em cirílico do que lá. há. Fecha o parênteses.

Eu sempre ouvi falar do lugar, mas por algum motivo não o visitei nas outras duas vezes que estive na cidade. Chegando lá, vi o famoso market e resolvi entrar para dar uma olhada. E o que tem lá? Várias barraquinhas vendendo roupas, sendo algumas falsificadas de grandes marcas, acessórios, arte e outras coisinhas. Para quem é de São Paulo, imagine aquele monte de barraquinha vendendo roupas falsificadas e acessórios na saída do Terminal Parque Dom Pedro II – é a mesma coisa!

Na região tem outras muitas lojas e próximo ao canal tem um mercado cheio de barraquinhas de comidas típicas de várias partes o mundo. Encontramos, inclusive, uma barraquinha de docinhos brasileiros. O local estava muito cheio, mesmo sendo sexta-feira à tarde!

1,50 pounds por brigadeiro! O.o
1,50 pounds por brigadeiro! O.o

Vale a pena visitar os mercados a céu aberto? Vale, sim! É bacana para conhecer um pouco mais da cidade e é um passeio ótimo para quem gosta de olhar lojinhas e experimentar comidas diferentes. 😉

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Rússia

Eu fiquei praticamente 9 dias na Rússia e conheci as duas maiores e mais famosas cidades do maior país do mundo e para finalizar os posts sobre a viagem vale um último de wrap-up para falar de detalhes que passaram batido na saga toda narrada aqui no blog e das minhas impressões, sugestões e fazer um resumão também, por que não?

Imigração e registro para brasileiros

Brasileiros não precisam de visto para entrar na Rússia como turistas e podem ficar até 90 dias. A imigração é chatinha, mas tranquila – eles não pedem para ver comprovante de acomodação, passagem de saída do país ou comprovar fundos e não fazem perguntas, não para quem entra por terra, mas imagino que no aeroporto seja um pouco diferente. Recebemos um cartão de imigração com duas vias, um fica retido na entrada e o outro devolvido na saída e o cartão deve ficar com o turista o tempo todo. É necessário se cadastrar na imigração em cada cidade que o turista ficar por mais de 7 dias úteis. O registro pode ser feito no hotel/hostel ou nos correios.

O estilo russo

Eu não sabia, mas as mulheres russas têm fama de serem lindas – e eu acho isso a maior besteira, porque tem mulheres de todos os tamanhos, cores e formas em qualquer nacionalidade. Eu já havia conhecido mulheres russas no Brasil e elas são tão normais quanto eu e você. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi o estilo da maioria delas! Elas são muito cuidadosas com o visual e estilosas, falando de modo geral, claro.

Eu dando uma de paparazzi atrás de uma russa aleatória
Dando uma de paparazzo com uma russa aleatória

Eu bem que queria ter tirados várias fotos para mostrar todo o estilo, mas vocês vão ter que se contentar com esta foto aí em cima, pois ainda não tenho o dom de paparazzo desenvolvido. Observem que era um dia de chuva, fazia uns 4 graus e ventava. Eu estava de calça, bota, casacão, touca e estilo zero. A moça está de meia fina, uma saia básica, porém linda, salto e casaco. E usar saia com meia fina neste tempo parece ser algo comum, pois vi muitas russas assim. É claro que para quem está acostumado a pegar -30 no inverno, temperatura positiva é verão, mas que mulheres estilosas! Mesmo com casacões, que geralmente tem muitos pelinhos na touca para se proteger da neve, elas continuavam cheias de estilo.

O metrô

O metrô russo é famoso por alguns motivos, tanto o de São Petersburgo quanto o de Moscou. O primeiro motivo é pela sua beleza, pois as estações são verdadeiras obras de arte e/ou arquitetura. São painéis, lustres, pinturas e outros detalhes que fazem andar de metrô por lá uma experiência à parte.

Em São Petersburgo
Em São Petersburgo

Como já citei em outros posts, tem empresas que fazem tours pagos pelas estações mais bonitas, mas não é difícil fazer o passeio sozinho se você tiver paciência. O ideal é tentar escolher horários mais tranquilos, mas para ser honesta, dos quase 9 dias de Rússia pegando metrô, só vi as estações relativamente vazias às 6h da manhã, pois mesmo num sábado à noite, que foi quando decidimos fazer nosso próprio tour, as estações de Moscou estavam lotadas! Eu não vou publicar aqui uma lista das principais estações porque 1) Todas tem algo de especial, um detalhe, uma gravura, as paredes, enfim, acredito que a maioria tenha algo de belo para ser apreciado e 2) Eu peguei minha listinha de sites aleatórios que achei no Google e sinto que se eu reproduzisse a lista aqui estaria de alguma forma plagiando conteúdo de outros blogs, afinal, não posso dizer que são minhas recomendação, não é?

Outro detalhe do metrô russo é a profundidade! Você começa a descer pela escada rolante e parece que ela não tem mais fim. Na ú20151223_124320ltima estação de metrô que pegamos para ir até a rodoviária resolvi usar o stopwatch do celular para saber quanto tempo levaria a descida: quase 2 minutos e meio! Fora que em algumas estações depois da escada rolante ainda é necessário descer outros lances de escada. Além disso, no pé de toda escada rolante tem uma pequena cabine com uma funcionária (eram sempre mulheres) usando um uniforme que parece ter sido desenhado nos anos 60 e eu fiquei realmente curiosa para saber o que elas fazem lá, pois não vi sentido.

O valor do bilhete é relativamente baixo, 31 rublos em São Petersburgo e 50 em Moscou pagando em dinheiro. Na primeira cidade, eles te dão um token para usar na catraca e na segunda, um bilhete descartável de uma viagem. Em Moscou o nome de todas as estações está apenas no alfabeto cirílico e em São Petersburgo, no alfabeto latino também.

Trem soviético
Trem soviético

Finalmente, apesar de as estações serem lindas, os trens são bem antigos, da época da união soviética ainda. Estão bem conservados, mas é notável que são mais velhos do que eu que nasci nos anos 80, por exemplo. Apesar disso, tem wifi gratuito – que eu não consegui usar, pois para se conectar é necessário cadastrar seu número de celular para receber um código via sms. Eu só estava com meu chip finlandês e isso não deu muito certo.

Vale a pena reservar uma tarde da sua viagem para conhecer o metrô, especialmente o de Moscou e o Google te ajuda a montar sua listinha! 🙂

Os russos

Eu sei que generalizar é burro, então eu quero deixar claro que não estou dizendo que todos os seres humanos nascidos na Rússia são assim, mas que minha experiência como turista e precisando lidar com russos em diversos lugares me passou essa impressão deles de modo geral. Os russos com os quais eu lidei e que, de algum modo, estavam me prestando algum serviço, como os guias de ambos os walking tours e o staff dos dois primeiros hostels foram bem simpáticos e prestativos, mas todo o resto foi frio, apático e até rude. Naquele programa que mostra a vida de brasileiros que vivem por esse mundão, no episódio sobre Moscou, uma das brasileiras participantes disse que a cultura deles é ser grosso de primeira e ficarem simpáticos depois de te conhecerem, o que é exatamente o oposto da cultura brasileira: via de regra, primeiro tentamos ser simpáticos e gentis com quem acabamos de conhecer e depois, se houver algum motivo, vem a antipatia. Pois foi assim mesmo que me senti tratada pelos russos: com indiferença, antipatia e falta de paciência, especialmente quando começavam a falar comigo em russo e notavam que, contrariando todas as regras porque hoje em dia todo mundo fala russo eu não compreendia e vi muitas viradas de olho pra mim. Infelizmente, não têm a fama de ser um povo carismático e receptivo!

O inglês dos russos – ou a falta dele

Já pensou como um estrangeiro se sente no Brasil chegando sem saber falar português e tentando usar inglês para se comunicar? A realidade é que no Brasil as pessoas não falam inglês e cerca de 5% da população consegue se comunicar fluentemente na língua. Eu não precisei imaginar, pois tenho certeza que é a mesma situação que passei na Rússia, onde pouquíssimas pessoas conseguem se comunicar no idioma. Com exceção do staff do hostel e dos guias do walking tour, todo resto falava de nada a muito pouco e em algumas situações a comunicação foi feita por sinais. Mas como eles recebem turistas, havia pelo menos a tentativa de escrever avisos em inglês… Confira!

No hostel, errinho de leve.
No hostel, errinho de leve.

Algumas coisas soavam até engraçadinhas.

Pois é!
Pois é!

Tudo em cirílico

Ué, o capitalismo chegou aqui?! *ironia*
Ué, o capitalismo chegou aqui?! *ironia*

Que o russo usa o alfabeto cirílico toda mundo sabe, mas ainda assim é estranho ver nomes de redes de fast food ou cafés com placas no alfabeto!

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Se não fosse pelos logos mundialmente conhecidos, alguns lugares poderiam até passar batido.

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Putin everywhere

Achei muito peculiar ver a cara do Putin estampada em todo lugar! Canecas, bonecas russas, camisetas etc. Segundo o vendedor de uma das lojas que entramos, os turistas gostam de comprar e muitas pessoas o admiram. Então tá.

Vai uma camiseta do Putin?
Vai uma camiseta do Putin?

“Pega turista”

É muito comum ver pessoas nas ruas vestidas como pessoas famosas da história, como Lênin ou Catarina, a grande ou ainda pessoas com pombas adestradas. Elas são muito insistentes e, obviamente, querem dinheiro para tirar foto com você. Se você é o tipo de pessoa que curte isso, muito bom, mas se não, faça como eu e finja que nem os viu, do contrário eles insistem mesmo. Finja que nem inglês fala!

E assim acaba a série de posts sobre minha última viagem! 🙂

Até mais, Rússia!
Até mais, Rússia!

São Petersburgo – Sangue Derramado, parque e aeroportos

E no terceiro dia em São Petersburgo, mais chuva!

Fomos até a Igreja do Salvador do Sangue Derramado, a única igreja da cidade que faz jus à nossa ideia do que é uma igreja russa ortodoxa! Era quarta-feira e todas as igrejas e catedrais da cidade fecham para visitação. Claro que nós sabíamos disso, mas naquele dia a ideia era só passar em frente e dar uma espiada.

Esse tempo cinza não ajuda ninguém!
Esse tempo cinza não ajuda ninguém!

Na parte direita da foto dá para ver umas “casinhas” brancas, que são barraquinhas de souvenir. Fique esperto ao parar e olhar, pois os vendedores são muito insistentes e enchem muito a paciência. O ideal é nem parar! Na Nevsky Prospekt tem muitas lojinhas de souvenir que você pode entrar e olhar à vontade sem ninguém te enchendo. Por outro lado, nestas barraquinhas você pode pechinchar e nas lojas isso é mais difícil.

Apesar do dia cinzento e com chuvas intermitentes, fomos dar uma volta no parque ao lado da igreja, o Jardim de Mikhailovsky, pois apesar de o tempo não estar para isso, eu achei as árvores de tronco escuro e sem folhas da cidade muito bonitas.

Acho lindo!
Acho lindo!

O dia não estava muito inspirador, então resolvemos ir almoçar no Burger King mesmo (que tem combos com o preço sensacional de 200 rublos), voltar ao hostel para pegar nossas mochilas e seguir para o aeroporto.

Nossa, Bia, mas você foi embora de São Petersburgo sem entrar na igreja mais famosa da cidade? Fui. Mas tudo foi friamente calculado e a gente ainda iria voltar e passar um quarto dia por lá, então ainda havia tempo. 🙂

São Petersburgo tem apenas um aeroporto, o Pulkovo, e é muito fácil e barato chegar lá de transporte público. Pegamos o metrô até a estação Moskovskaya pagando o ticket de 31 rublos. De lá, pegamos o ônibus 39 que custa 28 rublos e para em frente ao aeroporto. Pegamos o transporte fora de hora de pico e a viagem de ônibus levou 20 minutos até lá e todo trajeto saiu por 59 rublos ou cerca de 80 centavos de euro. Para comparar, a passagem de ônibus em Oulu custa 3,30 euros em dinheiro ou a pechincha de 2,o5 com o “bilhete único”.

Achei esquisito que logo na entrada, antes mesmo de fazer o check-in, tivemos que passar pela segurança e eu não sei se isso é um procedimento padrão que sempre existiu na Rússia ou se tem relação com uma possível ameaça de ataque terrorista. E passamos pela segurança novamente antes de embarcar, claro. O aeroporto é moderno e confortável e, aparentemente, a cada 10 voos, 11 são para Moscou, já que perdi as contas de quantas vezes eu ouvi anunciarem que um voo para lá mudou de portão de embarque ou estava pronto para embarcar. Bem, e é óbvio que nós também estávamos indo para a capital russa!

Quando resolvemos ir para a Rússia, a ideia era só conhecer São Petersburgo mesmo, mas por curiosidade eu quis checar quanto estava um voo para Moscou e quando achei ida e volta por 52 euros, não tive dúvida que iria conhecer as duas principais cidades do país!

Voamos de Aeroflot, uma companhia russa, e o voo foi bem confortável, dura apenas 1h20 e servem lanchinho. A capital tem quatro grandes aeroportos e chegamos no Sheremetyevo, que é enorme, no finzinho da tarde. Levamos quase meia hora a pé para ir do avião até o local de onde saía o trem expresso para a cidade.

Chegando em Moscou
Chegando em Moscou

Cadastro na imigração e a malandragem

Quando pedi dicas para amigos brasileiros aqui de Oulu sobre a Rússia, eles comentaram que apesar de nós não precisarmos de visto para entrar como turista, o governo exigia que fosse feito um cadastro na imigração para quem fosse ficar mais de 72h no país e que isso poderia ser feito no hostel mesmo. Então, já fui para lá com isso na cabeça.

Chegando no Simple Hostel, aquele que eu comentei que foi um achado por ser bem localizado, limpo, seguro e tranquilo, a funcionária logo no check-in já pediu a taxa de 250 rublos/cada para que ela fizesse nosso cadastro. Pagamos e ela nos deu um comprovante que dizia que ficaríamos 3 dias na cidade e eu questionei porque ela não tinha feito o cadastro para o período todo da visita. Ela me disse que só podia fazer pelos dias que ficaríamos hospedados lá. Já fiquei meio p*t@ da vida, porque isso significava ter que pagar novamente em Moscou…

Agora é a parte da malandragem que só descobri depois, quando já estava em Moscou.

De fato, estrangeiros que entram como turista na Rússia precisam fazer um cadastro com a imigração, o que não fica claro em lugar nenhum é como e quando isso deve ser feito e quando se passa pela imigração ao entrar no país, é óbvio que ninguém explica isso também. Mas depois de pesquisar muitos sites da internet e conversar com o staff do hostel em Moscou (que cobrava 500 rublos pelo serviço), descobri que a regra é que o cadastro deve ser feito em cada cidade que o turista visita se, e apenas se, for ficar mais de 7 dias úteis naquela cidade. Eu não posso afirmar aqui que essa informação é 100% correta, porque eu mesma não achei nada em nenhum site oficial do governo russo (não numa língua que eu entendesse, pelo menos), mas foi o que achei em sites de viagem “cavucando” muito o Google e como acredito que o hostel de Moscou teria interesse em pegar meus 500 rublos, não teriam porque falar que não precisava fazer o tal cadastro e até citando exemplos de outros turistas que passaram por lá e não o fizeram. Eu também encontrei na internet sites informando que caso um turista não se cadastre, o estabelecimento que o recebeu também é punido com multa, logo, o hostel tem muito interesse que o cadastro seja feito, se for o caso.

E o que aprendemos nessa história? Que o Simple Hostel nos passou a perna! Por sorte, 250 rublos era o equivalente a uns 3,50 euros, mas que eu fiquei indignada com isso, fiquei! É óbvio que um hostel sabe das regras e é óbvio que eles sabiam que nós não precisávamos fazer esse cadastro, mas como esta taxa cobrada é do hostel, não do governo, é conveniente para eles que os hóspedes façam. Então, se você é brasileiro e pretende visitar a Rússia, não pague esta taxa se for ficar menos de 7 dias úteis numa cidade e, se possível, procure sites que deem essa informação em inglês e mostrem no hostel se tentarem te passar a perna (procurem sites que pareçam “mais oficiais”, eu achei alguns, mas não tenho mais os links – pesquisa feita no celular na hora do desespero). Ainda assim, eu recomendaria o Simple Hostel pelos motivos já citados, só não deixem que enganem vocês também.

E nos próximos posts, Moscou!

São Petersburgo – imigração, walking tour e o forte

Quando eu ainda morava na Irlanda, namorei muito ir para a Rússia. Num certo momento, estava tudo planejado, já até tinha visto o caminho mais louco barato de se chegar lá saindo de Dublin e aí a pessoa que ia me acompanhar deu pra trás. Eu já viajei sozinha e sei me virar, mas na época me deu medinho. Afinal, russos, né?

Assim que cheguei aqui na Finlândia, voltei a namorar a ideia, já que pra mim não fazia sentido nenhum eu morar no país vizinho, matar meus classmates e os finlandeses de inveja porque não preciso de visto para entrar lá e não visitá-la. Então, ficou decidido que o destino das férias era esse, mesmo correndo o risco de se aventurar pelo temido inverno russo. Ah, e Helsinki só entrou no roteiro porque eu teria que passar por lá de qualquer forma, então, por que não conhecer a capital, não é mesmo?

A forma mais em conta de ir para lá é de ônibus e não tenho do que reclamar! A Lux Express oferece ônibus novos, super confortáveis, com wifi, tomada, TV individual com muitas opções de filmes, séries, música e jogos e ainda bebidas quentes à vontade como chá, café, chocolate quente e cappuccino e, enfim, o ônibus realmente me surpreendeu. A viagem foi de madrugada e é claro que dormir dentro de um ônibus nunca vai ser tão bom como a própria cama, mas foi uma viagem de 7h razoavelmente confortável.

A imigração

Quando entramos no ônibus, o motorista confere o nome no passaporte, checa o visto, se for o caso, e entrega o cartão de imigração. O cartão tem duas vias iguais que devem ser preenchidas com as informações pessoais, motivo da viagem e duração da estadia.

Cartão de imigração - imagem do Google
Cartão de imigração – imagem do Google

Quando cruzamos a fronteira, o ônibus parou e todos descemos. Os oficiais checaram nossos passaportes apenas e não pediram para ver o cartão de imigração. O R. tem cidadania portuguesa, portanto, dois passaportes. Na nossa inocência, achamos que bastaria mostrar o brasileiro, já que com o português ele precisaria ter visto. O oficial pegou seu passaporte de capa azul, folheou e como não viu nenhum visto de nenhum país europeu (tipo, como ele entrou na Europa e não tem carimbo?), olhou pra cara dele muito intrigado e perguntou por onde ele havia andado. O R. ficou meio nervoso e eu me intrometi (claro) explicando que ele não tinha nenhum visto no passaporte porque também era cidadão português. No fim, o oficial apenas disse que ele sempre deveria apresentar os dois passaportes em situações como essa e deu tudo certo. Ufa.

Voltamos ao ônibus, andamos mais uns metros e descemos novamente. Eu achava que havia passado pela imigração, mas era só uma checagem de passaporte, imigração mesmo era naquela hora. Com imigração não se brinca nem vacila, então sou dessas que sempre entrego os documentos obrigatórios, vou entregando outros se o oficial pedir e respondo perguntas da forma mais sucinta e objetiva possível. Entreguei meu passaporte e cartão de imigração, a oficial ficou eternamente digitando algo e conferindo meu passaporte, comparou a foto com minha cara minuciosamente, até me pedindo para tirar os óculos. Finalmente me devolveu a outra via do cartão de imigração sem me explicar que eu deveria guardar aquilo como minha vida, pois deveria devolvê-lo na saída. Eu tenho vários conhecidos que já estiverem na Rússia e, felizmente, eles me falaram que preciso não só guardar esta via comigo até sair do país, mas estar sempre com ela, pois qualquer policial pode pedir pra ver seus documentos sem nenhum ou por qualquer motivo, então é sempre bom estar com o passaporte e o cartão em mãos. Felizmente, ninguém me parou em lugar nenhum, mas posso dizer que os dois só se separaram de mim pra eu tomar banho em todo tempo que estive no país.

Não bastasse ter o passaporte checado duas vezes, quando voltamos ao ônibus, um terceiro oficial entrou e checou se todos tinham o visto de entrada (ou eram russos). Foi chatinho, mas tranquilo para quem não deve nada. E eles não pediram comprovação de hospedagem, dinheiro ou da passagem de saída do país.

Chegamos em São Petersburgo por volta de 5h30 da manhã, pegamos o metrô e seguimos para o hostel. Felizmente para os turistas, todas as estações de metrô têm o nome escrito no alfabeto latino, o que torna a viagem bem mais fácil, mas ainda assim, todos os anúncios são só em russo.

São Peter arrasando já no metrô
São Peter arrasando já no metrô

O hostel

Chegamos no hostel super cedo, tomamos um banho e cochilamos até às 10h, porque o walking tour começava às 10h45. Foi muito difícil procurar hostel na Rússia, acho que o país mais difícil até hoje! Eu costumo fazer reserva pelo Hostel World e seleciono para mostrar pelo preço (porque se fosse pra pagar caro, eu ficava num hotel, né?), em seguida olho a nota geral e a localização e, finalmente, olho as reviews, especialmente as ruins, para poder escolher a melhor opção. Não tinha um hostel em São Petersburgo inteira que não tivesse reviews negativas, sendo que as principais reclamações eram “russos morando no hostel”, “hostel difícil de ser encontrado”, “staff despreparado” e, pasmem, “tentando passar a perna nos hóspedes”, pra citar algumas. Escolhemos o Simple Hostel, porque foi o que pareceu “menos pior” e a escolha foi certeira. É um hostel pequeno, tranquilo, limpo e super bem localizado. Tivemos só um inconveniente com ele, mas isso é assunto pra depois.

O corredor do hostel
O corredor do hostel

O walking tour

Apesar de estar fazendo uns 7 graus no dia, o que é super quente pra dezembro na Rússia, venta muito na cidade e deu um friozinho! Por um lado, tivemos a sorte que nos 3 primeiros dias não pegamos temperatura negativa, por outro, pegamos dias cinzentos e feios. Eh, não se pode ter tudo. E como é inverno, não tinha muita gente no walking tour também e dos que tinham, metade era do Brasil. Eh.

Nosso guia, Vlad (e agora não sei se esse é realmente o nome dele ou se ele queria usar o nome mais russo de todos), era muito simpático, com um inglês impecável, deu muitas dicas e ainda nos deu tempo para tirar foto (e se oferecendo para tirá-las até), o que achei muito legal e nunca vi em walking tour nenhum!

Hermitage
Hermitage

O tour começa em frente ao Museu Hermitage, onde o guia conta sua história e peculiaridades. Passamos por algumas igrejas e monumentos e o guia sempre falando da história russa e da cidade. São Petersburgo não é aquela cidade tipicamente russa que vem a cabeça – não tem as igrejas ortodoxas todas coloridas, por exemplo, já que a ideia era que ela tivesse um estilo mais europeu, ou seja, há quase nada do que pensamos de arquitetura tipicamente russa.

Passamos em frente ao Palácio de Strogonov, o nome da família que originou o strogonoff, onde hoje é um museu. O guia explicou um pouco à respeito, mas o museu é sobre a história da família, não da comida, ok? hehe…

Palácio de Strogonov
Palácio de Strogonov

O tour terminou em frente a uma das catedrais da cidade, o guia nos deu mais algumas dicas e eu não falei muito do que vimos, porque no dia seguinte fomos nos pontos turísticos para visitá-los e nos próximos posts eu conto! Gostei muito do tour e recomendo para quem for à cidade. Como acabou perto das 14h e sabemos que viajar no inverno por esses lados significa ter dias muito curtos e estava escurecendo lá pelas 15h30, resolvemos segurar a fome e almoçar depois de visitar o Forte de Pedro e Paulo para aproveitar melhor enquanto ainda estava claro.

A presepada e o forte

Eu incluí no roteiro o nome da estação de metrô mais próxima do forte e como chegar lá, mas por algum motivo não muito claro, que pode ter sido desde o nome no alfabeto cirílico até o fato de termos tido uma noite mal dormida ou confundido o mapa das linhas de metrô, mas conseguimos descer na estação errada. E pedimos informação na rua – quem disse que russo fala inglês? – e as pessoas não sabiam onde era, o que achei muito estranho, porque é uma atração turística! Erramos o caminho, atravessamos ponte que não era pra ser atravessada, voltamos, andamos no sentido errado, voltamos, até que percebemos que a fortaleza estava no lado completamente oposto e andamos muito até chegar lá – o que até poderia ter sido uma caminhada agradável se 1- fosse verão, 2- não estivesse ventando pra caramba e 3- as botas que eu estava usando não estivessem assassinando meus pés.

Quando finalmente chegamos ao forte já estava escuro e eu já estava com tanta raiva que queria mandar aquela ilha pra Marte! Mas enfim, estávamos lá e tínhamos que conhecer o local. O forte foi fundando em 1703 para proteger a cidade de um eventual ataque sueco, mas no fim das contas ele nunca foi usado para este fim e serviu como prisão por algum tempo. Hoje é uma atração turística e conta com uma catedral, alguns museus e uma prisão desativada.

Catedral
Catedral e minha falta de habilidade de usar uma câmera

Todas as atrações são pagas e decidimos entrar apenas no Museu da Tortura, apesar que acho que teria sido mais interessante ter visitado a prisão. De qualquer forma, não tínhamos muito tempo  para ver outras coisas por causa da presepada de termos nos perdido e chegado lá já perto da hora de fechar. Com certeza a visita teria sido melhor se estivesse ainda claro e, de preferência, ensolarado.

Saímos do forte, desta vez indo para a estação de metrô que, de fato, era a mais próxima. Fomos até a Nevsky Prospekt, a rua principal, e almoçamos/jantamos num restaurante super bacana e com preço de McDonald’s aqui na Finlândia.

Delicinha
Delicinha – e um robert

Este restaurante vende comida russa – duh, parace óbvio, mas em grandes cidades a gente acha restaurante do mundo todo! É uma mistura de buffet com restaurante por kilo. Cada porção tem um valor, então o cliente diz o que quer, o atendente coloca no prato a porção (que eles pesam numa balança) e no caixa é cobrado o valor total. A comida estava deliciosa e voltamos ao hostel mortos de cansaço, prontos para descansar bem para o dia seguinte turistando em São Petersburgo.

Arroz, frango e batatas
Arroz, frango e batatas

Uma viagem muito louca

Eh, voltei para o Brasil, mas não pense que as 21h que se passaram entre a hora que saí da minha então casa em Dublin até chegar na minha agora casa em São Paulo não foram cheias de emoções e trapalhadas. Ou você acha que este post tem título de filme de Sessão da Tarde de graça?

Tudo começa com as malas. Eu não sou daquelas que consegue montar a mala dias antes da viagem, então, às vésperas de voltar, não sabia bem se precisaria de 2 ou 3 malas para levar minha vida de volta para o Brasil. A ideia era levar apenas 2 malas despachadas, mas aos 45 do segundo tempo notei que sou muito apegada às coisas materiais, bem estilo Material Girl da Madonna, e não consegui me desfazer das minhas posses. Nota mental: Viver à lá Chris McCandless qualquer dia desses, mas sem me meter no meio do mato.

Arranjei uma terceira mala e lá fomos nós para o aeroporto: eu, duas flatmates lindas e maravilhosas, 4 malas e uma mochila. Como o voo era à tarde, resolvi ir de ônibus e no caminho encontramos uma brasileira indo para o aeroporto também. Eu meio nervosa, querendo me distrair, puxei papo com ela e me arrependi 5 minutos depois. A menina era daquelas que foi au pair nos EUA e mora na Europa (tipo eu), e acha que Brasil é uma merda e a Europa é vida (tipo eu, só que não) e ficou com esses papinhos de ter necessidade de morar em Portugal, porque, né, que retardado iria querer morar no Brasil? Convencida de que eu não precisava ouvir isso naquele estado de nervosismo de quem volta para o Brasil depois de 1 ano fora, virei a cara para a janela e deixei a menina falando com as flatmates (sorry, meninas, mas estava quase vomitando ouvindo o ser humano).

Ou eu calculei mal o tempo ou o motorista era muito lerdo (segunda opção, os motoristas de Dublin são a cara da lerdeza) e já estava tensa pelo horário quando finalmente chegamos ao aeroporto faltando 1h30 para o voo decolar. Fiz check-in, paguei excesso de bagagem pela minha 3ª mala despachada (165 euros, diga-se de passagem), me despedi das meninas, passei pela segurança e fui procurar o portão 311. Naquele misto de emoções, eu meio avoada, me dei conta que fui parar no lugar errado e quando tentei voltar, tá dáááá: no way out! A porta era bloqueada e não havia como eu voltar. Faltando 20 minutos para começar o embarque, eu estava perdida dentro do aeroporto. Como eu saí de lá? Eu SAÍ, literalmente! Fui parar na fila da imigração que tinha apenas um oficial para atender. Comecei a pedir desesperadamente para os primeiros da fila me deixarem passar, pois estava atrasada, até que um casal de americanos me deixou passar na frentes deles, e o asiático da frente, comovido com minha cara de loser, me deixou passar também. Já estava esperando ser barrada lá, porque, né, eu só tinha uma desculpa esfarrapada de que saí pelo portão errado e não deveria estar ali.

– Oi! Eu me perdi no aeroporto e precisei sair para ir para o portão certo. Meu voo para Frankfurt sai daqui a pouco!
– Ah, vai reto aqui pelo corredor até o final, suba e procure as plaquinhas de voos de conexão. (e nem olhou meu passaporte – e se eu estivesse mentindo?)

Cheguei, novamente, na segurança do aeroporto. A essa altura já estava suando até pela sola do pé. E lá vamos nós tirar bota, cinto, lenço e apitar no detector de metais (engraçado que da primeira vez não apitou) e ser apalpada revistada pela funcionária. Desta vez olhei as plaquinhas com mais atenção e consegui chegar no portão quando a fila se formava para o embarque, molhada de suor.

Ainda consegui fazer umas ligações de última hora na fila. Quando entrego meu bilhete para a agente de embarque, ela me lança um olhar do mal e diz que minha mala é muito grande para ir comigo na cabine, pega a balancinha e diz que o limite de peso é 8kg e a minha tinha mais (eh, tinha mesmo). Falei que iria colocar os kilos extras na minha mochila, então, simples. Aí começou uma pequena discussão (porque eu sou bocuda e argumento com o pessoal da companhia aérea, mesmo sabendo que eu posso ficar sem minha mala ou parte das minhas posses):

– Não, porque sua mala é muito grande e você só pode levar uma mala de mão.
– Mas isto não é uma mala, é uma mochila.
– Não importa, é muito grande.
– Meu destino final é o Brasil e quando vim, eu pude trazer a mala e a mochila comigo.
– Ah eh? Não sei disso.
– Tem muita gente embarcando com mala e bolsa (apontei a galera passando), isto não é justo!
– Sua mala é muito grande e você só tem direito a uma na classe econômica. Você pode despachá-la ou deixá-la aqui.
– E quanto você vai me cobrar para despachar a mala?
– Não estou te cobrando nada, mas se você quiser pagar, fique à vontade. (e este é o treinamento que a Lufthansa dá aos funcionários!)
– É seu trabalho me informar isso!
– Sua mala não tem nem etiqueta de mala de mão, você não mostrou ao fazer check-in.
– A atendente não me perguntou sobre minhas malas de mão e não sou obrigada a saber disso, não sou eu que trabalho para a Lufthansa. Ela deveria ter me orientado sobre as malas de mão (na verdade, eu sabia de tudo, mas o fato é que a moça do check-in realmente deveria ter perguntado sobre as malas de mão, né?)
– É obrigação do passageiro apresentar todas as suas malas ao fazer check-in. Você vai despachar a mala ou deixá-la aqui?
(muuuuuito frustrada)
– Você tem algum lacre para eu colocar na mala?
– Não, não tenho.
– Qualquer um pode abrir a minha mala, a Lufthansa se responsabiliza se algo estiver faltando quando eu chegar no Brasil?
– Nós não abrimos malas. (inocência ou ironia?)

Abri minha mala de mão, tirei os itens de valor e amarrei um lacinho prendendo o zíper. Não iria impedir ninguém de abrí-la, mas pelo menos não seria fácil demais. Fui a última passageira a embarcar num voo lotado para Frankfurt, lançando um último olhar à minha malinha e me perguntando se a veria novamente.

O voo decolou às 18h15, horário local, e a viagem toda durou 1h30. Acostumada ao padrão Ryanair, achei estranho quando serviram um lachinho, uma saladinha com torradas. O voo foi tranquilo, mas eu tenho o dom de me sentar perto de pessoas que cheiram mal, acontecia sempre nos ônibus de Dublin. Foi um voo tenso, vários odores e eu não via a hora de chegar!

Saí do avião e tinha 1h para embarcar no voo para São Paulo. Quer dizer, 1h para o avião decolar, o embarque começaria 40 minutos antes. Coloquei a mochila nas costas e fui seguindo as placas muito atentamente desta vez (porque imagina a confusão se eu me perdesse novamente?) e uns 15 minutos de caminhada depois, cheguei a segurança (terceira vez no dia). Para variar, o detector apitou quando passei e fui, mais uma vez, apalpada revistada.

Meu celular toca e um policial da GARDA se identifica, falando sobre laptops roubados. Juro que se ele estivesse ligando para avisar que haviam achado meu laptop eu iria xingá-lo, porque isso não se faz! Ligar para pessoa com uma notícia dessas no dia que ela está deixando a Europa nas lembranças? Mas não, era só para me perguntar se quando levaram meu laptop eu recebi uma ligação pedindo “resgate”, porque havia acontecido um caso assim na região que ele atendia e queria apenas checar se os crimes eram parecidos. Ah bom, né?

Embarquei sem grandes problemas no voo para o Brasil (já tinha dado de causar na Europa), pronta para as próximas 11h20 de viagem.

[continua]