Moscou – walking tour, catedrais e segurança

Para ir do aeroporto até Moscou, pegamos um trem expresso, porque achamos que esta fosse a única opção, mas depois descobrimos que tem como ir de transporte público também, que é mais barato (fica pro último post da cidade). O expresso leva uns 35 minutos e custa 470 rublos na hora ou 420 pela internet. O trem é confortável e tem wifi.

Diferente de São Petersburgo, em Moscou tudo está somente no alfabeto cirílico. Como fazer para achar nomes de rua e as estações de metrô? Bem, o R. aprendeu a ler o alfabeto antes de ir, o que facilitou muito nossa vida, mas o que eu fazia era enxergar o nome como um desenho e lembrar de letras “chave”. Pode soar infantil, mas eu decorava que a estação que eu precisava ir começava com um “3” e tinha um “N invertido” no meio e terminava com um “R ao contrário” e assim segui a vida nos 4 dias que passei por lá. Isso quando eu não “lia do meu jeito” e fazia soar com alguma palavra em português ou inglês. #ficadica

E mesmo que você leia em alfabeto cirílico, o metrô de Moscou é um labirinto de linhas, cores e estações! Nós não nos perdemos para chegar na estação mais próxima do hostel, mas precisamos fazer uma baldeação e por causa da sinalização ruim, ao invés de mudar de linha como achávamos que estávamos fazendo, saímos do metrô e precisamos comprar outro ticket para entrar! E Moscou é bem mais cara, então enquanto uma viagem custava 31 rublos em São Petersburgo, lá custava 50. A dica que a recepcionista do hostel nos deu depois é comprar um cartão que eles chamam de Troika.

Troika
Troika

Você paga um depósito de 50 rublos pelo cartão, que será devolvido quando você devolvê-lo, e a passagem de metrô que custava 50 rublos sai por 28 com ele, ou seja, funciona mais ou menos como o Oyster de Londres.

O hostel e o susto

Foi difícil achar o hostel e só não ficamos horas rodando porque eu tinha o mapa impresso do Google com a estrelinha em cima de onde deveria ser o local (sempre imprimam o mapa da região da acomodação com a estrelinha em cima). Assim como em São Petersburgo, tem vários lugares com uma entrada que dá para um pátio aberto e vários prédios. O problema é que o número do hostel não estava na fachada que dava para a rua e só achamos o bendito mesmo porque seguimos o mapa e a intuição. Quando abrimos a porta do prédio nos deparamos com uma cena que eu custei a acreditar.

Vejam vocês mesmos
Vejam vocês mesmos

Parecia que tínhamos entrado num prédio abandonado ou como foi minha piada nos 4 dias, estávamos num “prédio da época de Dostoiévsky”. Subimos 3 lances de escada num prédio que obviamente precisava de uma reforma, cheirava a infiltração (sim, tem cheiro, eu sinto) e bem, eu já queria sair correndo. No último andar, tocamos a campainha, a porta se abriu e o interior do hostel nada tinha a ver com o restante.

Apresentável até.
Apresentável até.

Fizemos o check-in, fomos ao mercado comprar alguma porcaria comida congelada para jantar (e se eu achava difícil fazer compras de mercado em finlandês era porque nunca havia feito em russo) e fomos dormir no nosso quarto compartilhado onde, sim, havia um russo residente (que, literalmente, dormia de calça jeans – russos!).

Eu comentei que foi difícil achar hostel bom em São Petersburgo, pois foi ainda pior em Moscou e no fim, eu literalmente optei pelo que tinha menos reviews negativas. O Comrade Hostel é muito bem localizado e dá para ir a pé a quase todas as principais atrações, tem metrô, supermercado e restaurantes perto e, no geral, era limpo, organizado e confortável e o staff foi muito bacana. Mas o prédio onde ele está é realmente de chorar.

O walking tour

Fomos ao ponto de encontro e uma russa menor que eu (sim, é possível) foi nossa guia. O walking tour começa em frente a um monumento de dois homens, Cirilo e Metódio, dois santos que, segundo nossa guia, são os responsáveis pela criação do alfabeto cirílico, que tem 33 letras.

Os tais
Os tais

A guia foi contando algumas histórias até chegarmos na Praça Vermelha, algo de praxe no tours. Quando lá chegamos, mais histórias sobre a Praça Vermelha, o Kremlin e a Catedral de São Basílio. Fizemos uma pausa e entramos no famoso shopping GUM, construído no final do século 19. Era época de Natal e a decoração do shopping estava incrível, aliás, Moscou estava incrível e vocês sabem que eu não curto Natal e não ligo pra isso, então se eu estou falando que estava sensacional, acreditem, estava! Tomamos um sorvete maravilhoso lá (50 rublos, bem menos de 1 euro).

Um pouco exagerado, fato, mas lindo
Um pouco exagerado, fato, mas lindo

O que achamos um pouco estranho é que todas as entradas do shopping tinham um detector de metais e um segurança e ninguém entrava sem ter bolsas/mochilas revistadas. No começo eu não entendi se sempre tinha sido daquele jeito ou não, mas conversando com conhecidos que já viajaram para lá, entendi que era recente. Lembrando que o GUM fica na Praça Vermelha a alguns metros do Kremlin e bem, infelizmente a Rússia era/é um possível alvo de ataques terroristas e faz sentido todo o esquema de segurança, apesar de um pouco assustador.

De lá o tour seguiu e acabou em frente ao Jardins Alexandrovsky, onde a cada hora acontece a troca da guarda. Eu gostei do tour, mas achei a guia um pouco too much. Ela se mostrava a todo momento muito orgulhosa do seu país e cidade, o que é ótimo se você é um guia, mas ela se mostrava ainda mais orgulhosa de ter nascido em 1988, portanto, ainda na União Soviética – e ela citou isso várias vezes. Enfim, um walking tour é sempre legal para conhecer a região turística e pedir dicas e no final deste, eles dão um folheto com várias informações úteis.

Bem onde o tour terminou tem um shopping subterrâneo e como eu nunca havia visto isso, achei super legal. O R. e eu resolvemos entrar para almoçar e fomos no My-My (lê-se “mumu”), um restaurante famosinho na cidade. Também é um restaurante com aquela comida russa do dia-a-dia e tem um preço muito acessível. O lado ruim? É um buffet como o Market Place, o restaurante de São Petersburgo, que o funcionário serve a comida no seu prato e a cobrança é feita por porção (que é cuidadosamente pesada) e os funcionários não têm assim muita paciência para te deixar escolher. Eu me senti intimidada pelo funcionário que berrou comigo impaciente querendo saber qual tipo de carne eu queria.

My-My
My-My

A refeição para duas pessoas saiu por menos de 700 rublos, o que daria uns 8 euros e pouco, e a comida é bem gostosa.

De lá passamos no GUM novamente para trocar mais rublos. Eu troquei alguns rublos no meu banco ainda em Oulu e levei euros em espécie para trocar mais lá. A cotação é a mesma do banco, porque ambos trabalham com a cotação oficial do dia, aparentemente, mas no fim saiu mais em conta trocar lá porque o rublo começou a se desvalorizar depois que troquei na Finlândia. Riscos que a gente corre, né?

GUM decorado para o Natal
GUM decorado para o Natal

Fomos visitar a Catedral de São Basílio, que acredito que seja essa a imagem que todo mundo tem na cabeça quando falamos de Rússia: uma igreja ortodoxa super colorida. O interessante da catedral, segundo a guia do walking tour, é que ela forma uma estrela de Davi e, na verdade, são 8 igrejas ao redor de uma maior, sendo que cada torre é uma igreja e tem um nome. A catedral foi construída em 1560 e, originalmente, nem era assim todo coloridona, mas branca (para combinar com a Praça Vermelha que nem sempre foi vermelha) com as torres douradas, assim como a Catedral de Cristo Salvador, também em Moscou.

A catedral
A catedral e os turistas

É uma igreja interessante de se entrar e o ingresso  é barato, principalmente se puder pagar valor de estudante. Havia até um coral na igreja principal e ficamos um tempo assistindo.

Quando saímos já estava escuro, mas bem frente a catedral estava montado um Christmas market muito legal e bem agitado. Demos uma passadinha e voltamos ao shopping subterrâneo para jantar – um Burger King mesmo. À noite tudo estava ainda mais lindo, então caminhamos de volta para o hostel olhando a pomposa decoração de Natal da cidade.

Diz se ela essa bola bem perto do Kremlin não estava sensacional?
Diz se ela essa bola gigante bem perto do Kremlin não estava sensacional?

 

 

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São Petersburgo – imigração, walking tour e o forte

Quando eu ainda morava na Irlanda, namorei muito ir para a Rússia. Num certo momento, estava tudo planejado, já até tinha visto o caminho mais louco barato de se chegar lá saindo de Dublin e aí a pessoa que ia me acompanhar deu pra trás. Eu já viajei sozinha e sei me virar, mas na época me deu medinho. Afinal, russos, né?

Assim que cheguei aqui na Finlândia, voltei a namorar a ideia, já que pra mim não fazia sentido nenhum eu morar no país vizinho, matar meus classmates e os finlandeses de inveja porque não preciso de visto para entrar lá e não visitá-la. Então, ficou decidido que o destino das férias era esse, mesmo correndo o risco de se aventurar pelo temido inverno russo. Ah, e Helsinki só entrou no roteiro porque eu teria que passar por lá de qualquer forma, então, por que não conhecer a capital, não é mesmo?

A forma mais em conta de ir para lá é de ônibus e não tenho do que reclamar! A Lux Express oferece ônibus novos, super confortáveis, com wifi, tomada, TV individual com muitas opções de filmes, séries, música e jogos e ainda bebidas quentes à vontade como chá, café, chocolate quente e cappuccino e, enfim, o ônibus realmente me surpreendeu. A viagem foi de madrugada e é claro que dormir dentro de um ônibus nunca vai ser tão bom como a própria cama, mas foi uma viagem de 7h razoavelmente confortável.

A imigração

Quando entramos no ônibus, o motorista confere o nome no passaporte, checa o visto, se for o caso, e entrega o cartão de imigração. O cartão tem duas vias iguais que devem ser preenchidas com as informações pessoais, motivo da viagem e duração da estadia.

Cartão de imigração - imagem do Google
Cartão de imigração – imagem do Google

Quando cruzamos a fronteira, o ônibus parou e todos descemos. Os oficiais checaram nossos passaportes apenas e não pediram para ver o cartão de imigração. O R. tem cidadania portuguesa, portanto, dois passaportes. Na nossa inocência, achamos que bastaria mostrar o brasileiro, já que com o português ele precisaria ter visto. O oficial pegou seu passaporte de capa azul, folheou e como não viu nenhum visto de nenhum país europeu (tipo, como ele entrou na Europa e não tem carimbo?), olhou pra cara dele muito intrigado e perguntou por onde ele havia andado. O R. ficou meio nervoso e eu me intrometi (claro) explicando que ele não tinha nenhum visto no passaporte porque também era cidadão português. No fim, o oficial apenas disse que ele sempre deveria apresentar os dois passaportes em situações como essa e deu tudo certo. Ufa.

Voltamos ao ônibus, andamos mais uns metros e descemos novamente. Eu achava que havia passado pela imigração, mas era só uma checagem de passaporte, imigração mesmo era naquela hora. Com imigração não se brinca nem vacila, então sou dessas que sempre entrego os documentos obrigatórios, vou entregando outros se o oficial pedir e respondo perguntas da forma mais sucinta e objetiva possível. Entreguei meu passaporte e cartão de imigração, a oficial ficou eternamente digitando algo e conferindo meu passaporte, comparou a foto com minha cara minuciosamente, até me pedindo para tirar os óculos. Finalmente me devolveu a outra via do cartão de imigração sem me explicar que eu deveria guardar aquilo como minha vida, pois deveria devolvê-lo na saída. Eu tenho vários conhecidos que já estiverem na Rússia e, felizmente, eles me falaram que preciso não só guardar esta via comigo até sair do país, mas estar sempre com ela, pois qualquer policial pode pedir pra ver seus documentos sem nenhum ou por qualquer motivo, então é sempre bom estar com o passaporte e o cartão em mãos. Felizmente, ninguém me parou em lugar nenhum, mas posso dizer que os dois só se separaram de mim pra eu tomar banho em todo tempo que estive no país.

Não bastasse ter o passaporte checado duas vezes, quando voltamos ao ônibus, um terceiro oficial entrou e checou se todos tinham o visto de entrada (ou eram russos). Foi chatinho, mas tranquilo para quem não deve nada. E eles não pediram comprovação de hospedagem, dinheiro ou da passagem de saída do país.

Chegamos em São Petersburgo por volta de 5h30 da manhã, pegamos o metrô e seguimos para o hostel. Felizmente para os turistas, todas as estações de metrô têm o nome escrito no alfabeto latino, o que torna a viagem bem mais fácil, mas ainda assim, todos os anúncios são só em russo.

São Peter arrasando já no metrô
São Peter arrasando já no metrô

O hostel

Chegamos no hostel super cedo, tomamos um banho e cochilamos até às 10h, porque o walking tour começava às 10h45. Foi muito difícil procurar hostel na Rússia, acho que o país mais difícil até hoje! Eu costumo fazer reserva pelo Hostel World e seleciono para mostrar pelo preço (porque se fosse pra pagar caro, eu ficava num hotel, né?), em seguida olho a nota geral e a localização e, finalmente, olho as reviews, especialmente as ruins, para poder escolher a melhor opção. Não tinha um hostel em São Petersburgo inteira que não tivesse reviews negativas, sendo que as principais reclamações eram “russos morando no hostel”, “hostel difícil de ser encontrado”, “staff despreparado” e, pasmem, “tentando passar a perna nos hóspedes”, pra citar algumas. Escolhemos o Simple Hostel, porque foi o que pareceu “menos pior” e a escolha foi certeira. É um hostel pequeno, tranquilo, limpo e super bem localizado. Tivemos só um inconveniente com ele, mas isso é assunto pra depois.

O corredor do hostel
O corredor do hostel

O walking tour

Apesar de estar fazendo uns 7 graus no dia, o que é super quente pra dezembro na Rússia, venta muito na cidade e deu um friozinho! Por um lado, tivemos a sorte que nos 3 primeiros dias não pegamos temperatura negativa, por outro, pegamos dias cinzentos e feios. Eh, não se pode ter tudo. E como é inverno, não tinha muita gente no walking tour também e dos que tinham, metade era do Brasil. Eh.

Nosso guia, Vlad (e agora não sei se esse é realmente o nome dele ou se ele queria usar o nome mais russo de todos), era muito simpático, com um inglês impecável, deu muitas dicas e ainda nos deu tempo para tirar foto (e se oferecendo para tirá-las até), o que achei muito legal e nunca vi em walking tour nenhum!

Hermitage
Hermitage

O tour começa em frente ao Museu Hermitage, onde o guia conta sua história e peculiaridades. Passamos por algumas igrejas e monumentos e o guia sempre falando da história russa e da cidade. São Petersburgo não é aquela cidade tipicamente russa que vem a cabeça – não tem as igrejas ortodoxas todas coloridas, por exemplo, já que a ideia era que ela tivesse um estilo mais europeu, ou seja, há quase nada do que pensamos de arquitetura tipicamente russa.

Passamos em frente ao Palácio de Strogonov, o nome da família que originou o strogonoff, onde hoje é um museu. O guia explicou um pouco à respeito, mas o museu é sobre a história da família, não da comida, ok? hehe…

Palácio de Strogonov
Palácio de Strogonov

O tour terminou em frente a uma das catedrais da cidade, o guia nos deu mais algumas dicas e eu não falei muito do que vimos, porque no dia seguinte fomos nos pontos turísticos para visitá-los e nos próximos posts eu conto! Gostei muito do tour e recomendo para quem for à cidade. Como acabou perto das 14h e sabemos que viajar no inverno por esses lados significa ter dias muito curtos e estava escurecendo lá pelas 15h30, resolvemos segurar a fome e almoçar depois de visitar o Forte de Pedro e Paulo para aproveitar melhor enquanto ainda estava claro.

A presepada e o forte

Eu incluí no roteiro o nome da estação de metrô mais próxima do forte e como chegar lá, mas por algum motivo não muito claro, que pode ter sido desde o nome no alfabeto cirílico até o fato de termos tido uma noite mal dormida ou confundido o mapa das linhas de metrô, mas conseguimos descer na estação errada. E pedimos informação na rua – quem disse que russo fala inglês? – e as pessoas não sabiam onde era, o que achei muito estranho, porque é uma atração turística! Erramos o caminho, atravessamos ponte que não era pra ser atravessada, voltamos, andamos no sentido errado, voltamos, até que percebemos que a fortaleza estava no lado completamente oposto e andamos muito até chegar lá – o que até poderia ter sido uma caminhada agradável se 1- fosse verão, 2- não estivesse ventando pra caramba e 3- as botas que eu estava usando não estivessem assassinando meus pés.

Quando finalmente chegamos ao forte já estava escuro e eu já estava com tanta raiva que queria mandar aquela ilha pra Marte! Mas enfim, estávamos lá e tínhamos que conhecer o local. O forte foi fundando em 1703 para proteger a cidade de um eventual ataque sueco, mas no fim das contas ele nunca foi usado para este fim e serviu como prisão por algum tempo. Hoje é uma atração turística e conta com uma catedral, alguns museus e uma prisão desativada.

Catedral
Catedral e minha falta de habilidade de usar uma câmera

Todas as atrações são pagas e decidimos entrar apenas no Museu da Tortura, apesar que acho que teria sido mais interessante ter visitado a prisão. De qualquer forma, não tínhamos muito tempo  para ver outras coisas por causa da presepada de termos nos perdido e chegado lá já perto da hora de fechar. Com certeza a visita teria sido melhor se estivesse ainda claro e, de preferência, ensolarado.

Saímos do forte, desta vez indo para a estação de metrô que, de fato, era a mais próxima. Fomos até a Nevsky Prospekt, a rua principal, e almoçamos/jantamos num restaurante super bacana e com preço de McDonald’s aqui na Finlândia.

Delicinha
Delicinha – e um robert

Este restaurante vende comida russa – duh, parace óbvio, mas em grandes cidades a gente acha restaurante do mundo todo! É uma mistura de buffet com restaurante por kilo. Cada porção tem um valor, então o cliente diz o que quer, o atendente coloca no prato a porção (que eles pesam numa balança) e no caixa é cobrado o valor total. A comida estava deliciosa e voltamos ao hostel mortos de cansaço, prontos para descansar bem para o dia seguinte turistando em São Petersburgo.

Arroz, frango e batatas
Arroz, frango e batatas

Em um relacionamento sério com Porto

Morei na Irlanda por um ano, viajei para uma meia dúzia de países enquanto estive lá, mas não matei uma vontade: visitar Espanha e Portugal, dois países que estavam ali pertinho e não consegui me programar para conhecê-los. Então, no dia que comprei aquela passagem barata para visitar Dublin, já decidi que essa viagem europeia tinha de passar por esses dois países. Saindo de Madri, aterrissei em Porto, uma gracinha de cidade na costa de Portugal. Aliás, o que falar de Porto, essa cidade que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Foi muito fácil ir do aeroporto até o centro, pois tem metrô fazendo a ligação. Primeiro o espanto de estar na Europa e tudo estar em português – na minha cabeça, toda vez que viajo, a língua muda! haha… Depois o espanto de ver que tem bilhete único lá igualzinho o que tem aqui, incluindo o validador que é exatamente o mesmo!

Cheguei em Sampa... não, pera...
Cheguei em Sampa… não, pera…

Claro que eu não sabia comprar o ticket pela maquininha e é claro que o funcionário português muito simpático, como todos os portugueses lindos que cruzaram meu caminho, nos ajudou explicando o passo a passo. O trajeto todo deve ter durado uma meia hora até a Estação São Bento (não a da linha azul paulistana) e logo estávamos no hostel, que era uma gracinha!

Fizemos o check in (“reserva em nome de Beatrizzzzz *****ssssss?”), o funcionário nos explicou como funcionava o pequeno almoço lá, além de nos ensinar a usar o cacifo do quarto, para podermos deixar nossos pertences em um lugar seguro. Banho e cama, porque o dia tinha sido longo.

No dia seguinte tomamos um café, digo, pequeno almoço, delicioso! Era só o começo de um sem fim de comidas deliciosas nesse país tão lindo e hospitaleiro – escrevo este post suspirando de saudades de Portugal! Mas voltando ao café, o hostel servia um pãozinho bom demais, que fiquei sabendo que se chama “saloio”. Saudades eternas de deliciá-lo com manteiga! ❤

Saloio
Saloio

Fomos ao Rio Douro para ver a ponte Luis I e ver um pouco do Cais da Ribeira, mas o frio era tanto que a visita foi bem curta e resolvemos voltar ao hostel (que ficava a 5 minutos a pé de lá – aliás, qualquer coisa em Porto fica a 5 minutos a pé, a cidade é bem pequenininha) e aguardar o guia do nosso walking tour num lugar mais quentinho.

O guia era outra simpatia de português! E o tour foi excelente, muito bom mesmo! E gente, o que é o inglês dos portugueses? Todos os portugueses que falaram inglês comigo tinha um sotaque impecável! O falante de português, em geral e por incrível que pareça, não tem um dos sotaques mais carregados quando falando inglês, mas acredito que o fato de os portugueses “comerem” as vogais (eles falam tão rápido que tem hora que conseguem eliminar a vogal da fala) ajude muito, já que nós, brasileiro, temos a tendência de querer enfiar um som de vogal em qualquer brecha (já que nós sim pronunciamos todas as vogais quando falamos).

Bem, o Thiago, nosso guia, fez um tour muito interessante, começando pela Estação São Bento, uma estação que foi projetada sem espaço para bilheteria – coisa de português (juro que não queria fazer essa piada, mas porran, essa pediu)! Na estação, há diversos azulejos com figuras que retratam histórias de Portugal. Uma curiosidade: Portugal é famoso por seus azulejos, e se você notar, boa parte deles é pintado apenas em azul e isso porque esta era a cor mais barata.

Azulejos na Estação São Bento
Azulejos na Estação São Bento

Passamos por igrejas, mosteiros, monumentos e outros pontos de interesse, até que chegamos numa pequena igreja que antigamente era um convento. A igreja de Santa Clara  tem mais de 500 anos e é toda revestida de ouro por dentro- segundo o guia, deve haver em torno de 500kg de ouro dentro da igreja, sendo que boa parte deve ter vindo aqui da terrinha. O que me chocou a respeito desta igreja-convento-mosteiro é que nos séculos passados quando os pais descobriam que as filhas estavam de namoricos, mandavam as donzelas para lá, um lugar de onde elas jamais sairiam para nada, ou seja, os próprios pais colocavam as filhas numa prisão. Dentro da igreja, na parte do fundo, tem umas grades cercadas dos “espetos” para impedir que as meninas tivessem qualquer contado com algum possível namorado enquanto assistiam à missa. Que “amor de pai” é esse, hein?! Fiquei chocada com essa história, mesmo que seja coisa de séculos passados.

Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara
Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara

Bem perto da igreja estão as Muralhas Fernandinas, ou o que sobrou delas. Estas muralhas foram construídas ao redor da cidade de Porto para proteger o local de um possível ataque espanhol. A vista da cidade e do Rio Douro de lá de cima é de fazer qualquer um ficar apaixonado por Porto de imediato! Love at first sight!

Eu me apaixonando por Porto!
Eu me apaixonando por Porto!

As muralhas começaram a ser derrubadas no século 18 para dar espaço a outras construções e o que sobrou em pé foi classificado como um monumento nacional. Vale a visita pela linda visão e pelo valor histórico. Só tomem cuidado, porque não tem nenhum tipo de segurança e as pedras podem ser meio escorregadias, além do que a subida pode ser um pouco árdua se você não estiver na sua melhor forma física.

Muralhas Fernandinas
Muralhas Fernandinas

Continuamos o tour e chegamos à Catedral da Sé, ou melhor, à Sé do Porto. Não consegui entrar na igreja porque ela fechava para almoço e como eu também não faço muita questão de entrar em igreja, ficou para outro oportunidade. Em frente à igreja tem ainda um pelourinho que era utilizado para as execuções públicas.

Sé do Porto
Sé do Porto

Andando pela cidade, você vai notar que em vários lugares estão pintadas setas amarelas e azuis que vão indicando um caminho. As amarelas levam à Santigo de Compostela e as azuis, ao Caminho de Fátima. Quem sabe sigo as amarelas da próxima vez?

...
Siga aquela seta!

Finalmente chegamos nas Escadas das Verdades, numas das regiões mais antigas de Porto. Há boatos que as escadas têm esse nome porque era antigamente onde as mulheres se sentavam para conversar… Nesta região há muitas casas muito antigas e algumas até abandonadas e o guia contou que as casas daquela região foram alugadas com a promessa de jamais terem seu aluguel aumentado -por que causa, motivo, razão ou circunstância eu já não me lembro mais – e, portanto, havia casas ali que o aluguel seria de 5 euros, por exemplo. Com esse valor não compensa fazer nenhuma reforma, então, as casas estavam se deteriorando por falta de interesse dos donos de fazer algo. Mas também, né?

Passamos por várias vielas cheias de casas e escadas, algo que parece ser bem residencial mesmo. Paramos numa pequena casa de doces e comemos um de-li-ci-o-so bolo de chocolate, o melhor bolo da minha vida. E olha que Portugal estava só começando a me apresentar suas delícias! O tour acabou no Cais da Ribeira, próximo a ponte Luís I, que aliás, foi inspiração para a construção da Torre Eiffel que, se vocês notarem bem, tem uma estrutura muito parecida. O engenheiro que projetou a ponte era sócio do engenheiro que projetou a Torre Eiffel, ou seja, impossível negar a relação. A ponte é de 1886 e a torre, 1889.

A ponte e eu, eu e a ponte
A ponte e eu, eu e a ponte

Depois do excelente tour com o maravilhoso guia, era chegada a hora do almoço. Decidimos procurar um prato bem típico da culinária local e optamos por comer num restaurante no Cais mesmo. Já tinha ouvido falar da Francesinha, que era um prato bem típico e quando chegamos perto de um restaurante, a mulher que veio nos mostrar o cardápio foi muito gentil e solícita e nos explicou tudo. Na verdade, ela queria me convencer a comer um prato chamado Tripas – todos os miúdos do boi que ninguém quer comer misturado com feijão e não sei mais o que, ou seja, a versão portuguesa da nossa feijoada que surgiu numa época de vacas magras e as pessoas precisavam aproveitar toda a comida que tinham. Olha a minha cara de quem ia topar comer tripas – sou muita fresca pra comer, gente. Resolvi ficar com a Francesinha mesmo, que nada mais é que um lanche no pão de forma, só que entre uma fatia e outra de pão tem tipo uns 4 cm de várias carnes. Depois, o sanduíche é coberto de queijo e vem num molho que tinha algum tipo bebida alcoólica, porque eu senti o gosto. Resumindo: era enorme e custou coisa de 6 euros.

Francesinha
Francesinha

Para terminar o dia, decidimos ir a Praia de Matosinhos. Pegamos o trem, digo, o comboio, que levou quase 1h até lá. Chegamos no fim da tarde e o sol estava quase se pondo. Bem, eu não havia pesquisado o que havia pra se ver lá, mas o T. tinha garantido que tinha algo muito legal na praia. O problema é que quando chegamos, ele não sabia exatamente o que era e nem onde ficava e enfim, eu quase bati nele – sou dessas- por me levar pra um lugar sem saber direito o que fazer! Andamos um pouco na praia com a vista do sol de pondo e por falta do que fazer, voltamos a Porto.

As fotos ficaram legais até
As fotos ficaram legais até

De volta a Porto e para aproveitar o comecinho da noite, fomos a um dos cafés mais antigos e famoso da cidade – porque vocês sabem que tenho tara por cafés. O Café Majestic fica na Rua Santa Catarina, foi inaugurado em 1921 e considerado o sexto café mais bonito do mundo. De fato, o interior é impressionante. Pedi meu chocolate quente com um pastel de Belém, apesar de saber que os portuguese dizem que pastel de Belém de verdade só existe um (vendido em Belém, claro) e o resto é apenas pastel de nata.

Delicinha!
Delicinha!

Na volta para o hostel, passamos pela Livraria Lello e Irmão, aquela que dizem que a escadaria serviu de inspiração para Harry Potter. Eles têm um horário muito específico para poder entrar e tirar foto e como eu fui fora desse horário, não bati nenhuma foto. Eu li Harry Potter quando era adolescente, mas nunca tive paciência para os filmes e me julguem, mas eu acho que chegar aos quase 30 e ainda ser louco por Harry Potter é algo que precisa ser superado, gente. Desculpa. Passei na livraria por passar e voltei ao hostel. Banho quente, cama confortável e fui descansar para o dia seguinte de muito amor em Porto.

<3

Madri – Algumas impressões

E a pergunta que não quer falar: Madri ou Barcelona?

Eu fiquei 3 dias em Barcelona e outros 3 em Madri. Não acho que seja tempo suficiente para realmente conhecer um lugar e sua cultura, mas dá para ter uma amostra do local. Os 3 dias em Barcelona não foram suficientes para ver tudo que eu queria, porém, os 2 dias em Madri (porque mal dá para considerar o primeiro, já que era feriado e pouco pude fazer) foram suficientes. Conclusão: se for visitar as duas cidades, como eu fiz, deixe mais dias para Barcelona.

Fazendo uma comparação bem tosca, eu diria que Barcelona está para o Rio de Janeiro como Madri está para São Paulo, ou seja, as duas cidades são turísticas sim, mas o tipo de turismo é muito diferente. Barcelona tem um clima mais gostoso, tem muitas atrações, desde museus a parques, e é bem mais cara que Madri. É mais bonita também. Madri tem um quê de São Paulo, com muitos restaurantes e baladas, que eu não fui porque estava muito cansada! O hostel até oferecia um pub crawl que eu cogitei em participar, mas quando deu 22h eu estava muito mais pra cama do que pra noitada espanhola – me julguem, sou dessas. Madri é mais em conta, já que os museus podem ser visitados gratuitamente, por exemplo, o que já te faz economizar uns bons euros. A oferta de restaurantes é muito grande, então você tanto pode comer um lanche completo turco por 5 euros num restaurante bonitinho ou fazer uma refeição mais cara num lugar badalado.

Eu gostei das duas cidades, mas confesso que Barcelona cativou mais meu coração do que Madri. Não que Madri não seja uma cidade linda e cheia de história, é assim, mas não dá para competir com a beleza da Barcelona de Gaudí, apenas não dá.

Algo que me chamou atenção na parte de Madri que fiquei e turistei, foram as placas de rua! Eram azulejos com o nome da rua e um desenho que ilustrava seu nome.

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Falei nos posts sobre Madri que lá fica o Palácio Real, mas não o visitei. Apesar de o palácio ser sim aberto à visitação, justamente nos dias que eu estava na cidade, o local estava fechado para visitação porque a família real estava lá para cumprir agenda de compromissos! Uma pena, porque acho que seria uma visita interessante, apesar do guia do walking tour ter falado que o palácio não era uma das atrações mais bacanas. Mas sabe como é opinião, né, gente?

Ali do lado do palácio tem uma catedral, a Almudena. Bem, se você gosta de visitar igrejas e tal, talvez seja um passeio interessante, mas eu que já não sou fã de igrejas (em nenhum sentido), só entrei porque já estava lá do lado e era de graça. Além disso, depois de ter entrado na Sagrada Família dias antes, uma igreja que apesar de ser feia por fora – minha opinião – é linda por dentro, chega até ser sacanagem visitar uma igreja tão pequena como aquela. E eu também não gosto de todo o ouro e ar de ostentação que igrejas costumam ter.

O hostel que fiquei, o U Hostels, é um daqueles hostels enormes cheio de quartos e áreas comuns. A localização não é das melhores, já que nenhuma atração fica realmente perto dele, mas se você não se importa de fazer uma caminhadinha, dá pra conhecer basicamente tudo a pé, como eu fiz. O café-da-manhã é bem básico – suco, café ou leite e 4 fatias de pão ou 2 churros -, mas você pode optar por pagar 3 euros por dia e tomar o café completo. Como eu não sou de comer muito de manhã mesmo, o leite com torrada já deu pra mim, mas achei bem ruim essa história de precisar pagar por um café melhorzinho. A internet não funcionou a maior parte do tempo que estive lá, o que foi bem ruim também, afinal, à noite quando eu chego no hostel, quero me comunicar com o mundo e dar sinal de vida pra minha família. Porém, gostei muito do esquema de banheiro lá: havia boxes apenas com sanitários, pias separadas e chuveiros à parte, ou seja, se você vai escovar os dentes, você não impede ninguém de tomar banho ou usar o banheiro, algo muito útil num hostel gigante.  Além disso, algo que acho muito estranho quando viajo pra fora do Brasil é a falta de bebedouros! Aqui por essas terras, qualquer lugar público tem um bebedouro: shoppings, aeroportos, lojas etc e isso é algo que não vejo no exterior! E depois de 3 crises de cólica renal, eu passei a tomar muita água e consequentemente, não ter água à minha disposição é algo que noto e neste hostel, todo andar tinha um bebedouro!

Olha que simpático, tem até balanço!
Olha que simpático, tem até balanço!

E finalmente matei minha lombriga de conhecer um pouco da Espanha! Vá a Madri, sim, mas se precisar escolher, fique com Barcelona. 😉

Madri – a cidade fantasma e o walking tour

Ao fim do terceiro dia em Barcelona, peguei um ônibus overnight com destino a Madri – me chamem de louca, mas sempre que possível prefiro pegar esses ônibus noturnos por motivos de: eu não desperdiço tempo que poderia estar turistando durante o dia com locomoção e ainda economizo uma noite de hospedagem dormindo no ônibus – sim, eu consigo dormir dentro de um ônibus, não é o melhor sono da vida, mas acho muito suportável. E o ônibus era moderno e confortável.

Cheguei na capital espanhola muito cedo, antes do horário previsto, e como ainda era inverno, estava tudo escuro. Eram 6 e pouquinho da manhã, tinha wifi ilimitado na rodoviária e eu tinha meu café-da-manhã previamente comprado no dia anterior comigo: resolvi enrolar por lá até o dia começar a amanhecer. Por volta de 7 e pouco, já entediada e sem ter visto se havia amanhecido ou não – a parte da rodoviária que eu estava ficava no nível underground com o metrô – resolvi tomar meu rumo para o hostel. Era uma terça-feira e estranhei o metrô muito vazio, mas sei lá, né? Não estava em São Paulo e vai ver que era assim mesmo. Quando cheguei na estação que iria descer, tudo estava igualmente deserto. Era uma daquelas estações que se resumem a plataforma e os trilhos, nada parecido com as grandes estações de metrô da minha terra. Não tinha uma alma espanhola lá e quase vi a bola de feno rolando. Saí da estação às 8 e pouquinho da manhã e supresa! Ainda estava escuro e não tinha absolutamente ninguém na rua, nem carro passava e todo o comércio estava fechado. Estranhei, afinal, era uma terça-feira às 8h da manhã, mesmo no inverno, supus que deveria haver algum movimento na rua. Eu saí da estação mor-ren-do de medo! Lá estava eu com minha mochilona nas costas, passaporte e euros andando só numa rua deserta e escura. Tensão. A sorte é que o hostel ficava a duas quadras da estação, coisa de menos de 2 minutos andando, mas foram os minutos mais longos da minha estadia!

Cheguei no hostel e fui fazer check-in. Cheguei no local falando meu bom inglês e recebendo respostas em inglês também. Quando entreguei meu passaporte, o rapaz da recepção automaticamente começou a falar em espanhol comigo. Why oh why? Eu não estava entendendo quase nada do que ele falava! Se eu começo falando contigo em inglês, por que tu muda para espanhol no meio da conversa quando descobre que sou brasileira? No hablo español! E quando o rapaz se deu conta que eu não estava entendendo metade do que ele dizia, voltou para o inglês. Isso me mostrou uma coisa: brasileiro viaja e não se dá ao luxo de aprender o basicão do inglês, aí quando chega em países de língua espanhola, esbanja seu portunhol e ficamos todos marcados como o povo que não sabe falar inglês. Desabafo feito!

Eu estava muito cansada e como ainda estava escuro, resolvi sentar um pouco na área comum do hostel e traçar meu roteiro para aquele dia. Por volta de 10 e pouco, sai rumo a um mercado que ficava a uns 15 minutos a pé dali. Obviamente, mesmo com um mapa na mão, eu me perdi – e não venha você me falar que é porque sou mulher! Eu sempre me perco mesmo com mapas na mão. Enfim, achei o lugar e as coisas continuaram muito estranhas: todo o comércio pelo qual passei no caminho estava fechado, vi pouquíssimas almas andando na rua e ao chegar no mercado, me deparo com os quiosques fechados também! Eu ali sozinha parada, comecei a refletir e cheguei à conclusão óbvia: era feriado, mas não qualquer feriado – era 6 de janeiro, dia de reis e os espanhóis, por algum motivo, consideram esse feriado tão importante quanto o Natal e absolutamente tudo estava fechado, inclusive os museus. Olhei no relógio: 10h45 da manhã. Fiquei imaginando o que poderia fazer naquela cidade fantasma para não perder o dia. Aí lembrei do walking tour que havia incluído para ser feito no dia seguinte, quando o T. iria chegar em Madri e me encontrar. Bem, aproveitei que tinha wifi no mercado, entrei rapidamente no site para ver onde era o ponto de partida, depois chequei no GoogleMaps como chegar lá e corri para ver se conseguiria pegar o tour das 11h e salvar meu dia. Obrigada, tecnologia, wifi e smartphones!

Corri que nem louca e consegui pegar a galera ainda no ponto inicial, a Plaza Mayor, aprendendo mais sobre a estátua que fica ali no centro. O guia falava um inglês muito bom, mas com um inconfundível sotaque espanhol – ou seja, como eu sempre falo, sotaque não é problema, gente, falar errado é!

O walking tour foi mais uma aula de história do que uma visita a pontos turísticos, por assim dizer. Não que Madri não tenha pontos de interesse, mas não há quase nada mundialmente famoso, né? Bem, neste tour pude comprovar minha teoria de que tapas, a comida típica do país, é realmente uma pequena porção de qualquer coisa. O guia contou que antigamente as pessoas bebiam umas biritas na hora do almoço e voltavam ao trabalho trançando as pernas e pouco rendiam. Um rei X (não vou lembrar o nome a essa altura da vida, gente) sugeriu que os bares servissem um lanchinho junto com a bebida e todo mundo sabe que não se bebe de barriga vazia, né? Dizem que então, as pessoas começaram a render no trabalho depois do almoço mesmo depois das biritas. O nome tapas vem do hábito de tapar os copos de bebida com um prato, ou seja, tapas. Interessante, não?

Ele também comentou que existem quatro língua faladas na Espanha: o espanhol, óbvio, o catalão, o basco e o galego, uma língua muito parecida com o português. O guia fez questão de ressaltar que mesmo onde se fala outra língua, o espanhol também é falado, apesar do sotaque dos falantes ser muito forte. Fora tudo isso, também foi contando toda a história da formação da Espanha, seus reis e rainhas até a geração atual.

Ainda no começo do tour, ficamos conhecendo o restaurante mais antigo do mundo, o Botin, fundado em 1725. Claro que para poder fazer uma refeição por lá é necessário reservar com certa antecedência e tirar o escorpião do bolso. Eu não inclui este restaurante no meu roteiro porque sou pobre não estava a fim.

Botin
Botin

O tour ainda passou pelo Palácio Real, que estava isolado pois o rei estava por lá, dentre outros lugares, e terminou na Plaza de Oriente, onde existe um teatro que na época em que foi construído, era considerado um dos mais caros e importantes da Europa.

O palácio real visto de um morro
O palácio real visto de um morro

Confesso: o walking tour não me empolgou muito. Foi importante pela questão histórica e tal, afinal, é legal saber um pouco da história da cidade que se visita, mas no quesito “sightseeing” não havia muito a se ver de verdade. E não foi culpa do guia nem nada, o guia era bom, aliás, todos os guias do Sandemans costumam ser, mas já fiz tours mais empolgantes.

Eu já estava morrendo de fome quando o tour terminou, por volta das 2 e pouco da tarde, e decidi comer num Burger King bem em frente a Plaza de Oriente mesmo, me julguem. Depois de comer, resolvi dar uma volta nas redondezas só para ver a cidade e tal e quando tentei voltar para o hostel, guess what! Me perdi e fiquei dando voltas eternas até achar uma rua principal! The story of my life.

Cheguei no hostel pouco depois das 4 da tarde e achei por bem tentar dormir, já que eu não ia poder continuar turistando, pelo menos que descansasse um pouco. Mas quem disse? Não consigo tirar cochilos vespertinos sem toda uma preparação psicológica, mesmo que esteja morrendo de cansaço, e confesso que o quarto ainda claro não ajudou muito. Desisti do sono, tomei um banho e saí para procurar algum lugar para jantar. Voltei, desperdicei um pouco da vida na internet – já fazia dias que eu não fazia isso-, tracei meu roteiro para o dia seguinte e resolvi que ia dormir cedo. Foi aí que precisei ir escovar os dentes e não sei como, perdi o cartão de acesso ao quarto do hostel. Eu juro pra vocês que depois de tantos dias dormindo pouco, minha memória estava péssima (e como eu lembro de tudo isso pra contar aqui no blog? Segredo!) e quando retornei ao quarto não me lembrava se havia deixado o cartão por lá ou não – o pessoal do quarto estava só encostando a porta. Aí que lá vou eu revirar a cama procurando o bendito. Tiro tudo da mochila e arrumo de novo. Tiro tudo da bolsa e arrumo de novo. Volto no banheiro e nada. Nessa história, matei quase 1h procurando um cartão que não achei e já era meia-noite. Conformada que havia perdido e iria perder 10 euros de depósito, resolvi que era melhor dormir logo, então. Deitada na cama, tive um clique: e se eu realmente perdi e alguém achou e deixou num lugar estratégico? Saí do quarto e não é que achei o bendito em cima da mesa do computador do andar? Traumatizada e decidida a não mais me dar sustos, guardei o cartão num lugar que jamais o perderia novamente: dentro da capinha do meu celular. Afinal, só o perderia se perdesse o celular e meu celular é algo que eu com certeza não perco. Não é?

E finalmente meu dia chegou ao fim, sem muitas emoções e sem parecer que turistei de verdade, mas com a primeira noite bem dormida em toda a viagem!

Uma das muitas estátuas de Madri
Uma das muitas estátuas de Madri