Riga, capital da Letônia

Cheguei em Riga sozinha às 21h. Eu havia me informado com o hostel sobre a segurança no local e me afirmaram que era muito seguro. Mesmo assim eu corri os 1,5km de distância entre rodoviária e acomodação! Felizmente, as ruas estavam bem movimentadas e não me senti em perigo em nenhum momento, mas como eu sou de São Paulo, desconfio de tudo e de todos mesmo. :/

Eu me hospedei no Central Hostel e foi um dos melhores hostels que já fiquei! Optei por um dormitório feminino com apenas 5 camas por 7 euros a diária e a decoração do quarto era muito fofa! Aliás, o hostel todo era muito fofo e extremamente organizado, além de ser muito limpo e contar com staff muito prestativo e simpático. Não oferecem café-da-manhã, mas há chá, café, leite e achocolatado disponível o dia todo e como notei que alguns hóspedes acabam deixando para trás pão e cereal, dá quase para dizer que dá sim para começar o dia comendo lá.

O quarto muito fofo do hostel
O quarto muito fofo do hostel

Infelizmente, o tempo ruim me seguiu até Riga e estava muito frio no primeiro dia, com chuvas leves e um vento bem chato. Saí do hostel, passeei um pouco pelo centro histórico e fui encontrar o guia do tour que saía às 11h da Igreja de São Pedro. Há dois walking tours na cidade, um que cobre a Cidade Velha (Old Town) e outro que cobre outras partes de Riga. Eu fiz o da Cidade Velha no primeiro dia e o outro, no segundo – porque walking tour nunca é demais! 🙂

 O tour começa com o guia contando várias curiosidades da Letônia, claro, além de dar um panorama histórico. Assim como na Estônia, há muitos russos vivendo no país e isso fica bem claro porque praticamente em todo lugar se vê informações escritas em russo. O tour segue para a parte de trás da Igreja de São Pedro, onde tem uma escultura de 4 animais bem famosa, Os Músicos de Bremen. Ela homenageia o conto de mesmo nome escrito pelos irmãos Grimm e está lá pois foi um presente de sua cidade irmã, Bremen, na Alemanha.

Os músicos de Bremen
Os músicos de Bremen

Passamos por outros locais, onde o guia ia explicando de tudo um pouco, como a origem do nome da cidade, por exemplo – o que é de praxe em qualquer tour. Chegamos no famoso cartão postal da cidade, o prédio com os gatinhos no telhado!

Miau!
Miau!

O prédio fica na Meistaru 10/12 e é conhecido como Cat House. O guia disse que a história (ou lenda?) sobre o prédio é que ele foi construído por um mercador muito rico que, na verdade, queria fazer parte de uma associação alemã que tinha sua sede no prédio em frente ao dele. Como seu pedido foi negado, ele quis se vingar e mandou colocar os gatinhos no topo das torres com o “bumbum” virado para o prédio da outra associação. O pior é que a associação alemã achou isso tão ofensivo, que levou o caso ao tribunal! No fim, ficou decidido que o bumbum dos gatinhos deveria ser virado para o outro lado. Se esta história é verdadeira ou não, não sei, mas que o prédio é bem bonitinho, isso é!

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Paramos num ponto aqui e outro ali, historinhas e tal e o tour acabou dentro de um bar. O lado bom é que estava tão frio que eu mal via a hora de terminar e poder entrar num lugar quentinho; o lado nem tão bom é que este bar era do amigo do guia e fomos levados lá justamente para fazer propaganda do local – o que não é assim péssimo, eu sei, mas não é uma dica genuína de bar, né? Para quem bebe, o guia deu um “vale” para comprar uma cerveja e beber outra de graça, mas eu estava sozinha e eu não sou assim tão fã de cerveja para encarar um litro.

Ao fim, saí andando pelo cidade e fui até o Museu das Ocupações da Letônia, que cobre o período de 1940 a 1991. A entrada é gratuita e o museu ocupa apenas um andar, sendo mais informativo do que interativo e tem mais coisas para ler do que ver, por exemplo.

O museu
O museu

Do museu, segui para o distrito de Art Nouveau, onde há um museu. O distrito é famoso pelo estilo dos prédios e é bacana para quem curte ou é de arquitetura – eu olhei, achei bonito e dei meia volta. De lá passei por um parque que estava lindo com as folhas amarelas da estação, mas ao mesmo tempo intrigante. O que é isso?

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Em seguida, passei pela Catedral da Natividade, também num estilo meio ortodoxo, construída no fim do século 19 quando o país estava sob o domínio do Império Russo. Ela é bem bonita por fora e a entrada é gratuita.

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Voltei ao Cento Histórico, onde almocei no primeiro restaurante de kebab que achei (saudade dos kebabs de Budapeste! <3) e segui para a Academia de Ciências da Letônia, mais conhecido como o “Prédio do Stalin”.

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A primeira vez que vi este prédio foi em Varsóvia, na Polônia. E depois, claro, vi outros na Rússia, em Moscou. O estilo é mesmo conhecido como Stalinista e há outros prédios parecidos com ele em outros países que já foram parte da União Soviética. É possível subir no 17º andar para se ter uma visão panorâmica de Riga pelo valor de 5 euros. Eu achei caro, mas já estava lá e resolvi subir mesmo assim. O tempo estava péssimo: nublado, chuvoso e ventando e é claro que eu era a única louca lá em cima. Fiquei um tempo e a ideia era esperar para ver a cidade à noite também, mas estava tão frio e ventando tanto que não deu para seguir com o plano.

Riga lá de cima
Riga lá de cima

O engraçado é que do nada apareceu um senhor gravando um vídeo no celular. Pediu que eu gravasse um vídeo dele e começou a puxar papo comigo. Final da história: fui tomar um café com um senhor de 65 anos que nasceu no Chile, mas mora na Suécia há mais de 30 anos e viaja sozinho porque a esposa trabalha e não pode o acompanhar. Pois é!

Quando saí do café já havia escurecido, então apenas andei mais um pouco pela cidade a procura de lembrancinhas e retornei ao hostel. Ao fim do primeiro dia, eu já tinha certeza que havia gostado mais de Riga do que de Tallinn, se é que é possível fazer essa comparação. 🙂

Tallinn – balsa e sopa de alce

Foram 8 horas de ônibus até Helsinki, onde peguei a balsa para Tallinn. Muita gente faz só um bate-e-volta até o país vizinho, pois o percurso de balsa leva de 1h40 a 2h30, dependendo da empresa. Além disso, bebida alcoólica é muito mais barata daquele lado do Mar Báltico e muitos finlandeses aproveitam – na volta, eu vi gente puxando carrinho com vários engradados de cerveja empilhados.

Se você vai chegar em Tallinn a partir de Helsinki, a melhor opção é mesmo a balsa. Há algumas empresas diferentes que fazem a travessia e os valores costumam começar em 19 euros cada trecho, sendo possível pagar até 12 euros às vezes. Eu escolhi a Linda Line, pois custava o mesmo valor de outras companhias, mas garantia a travessia mais rápida (é o slogan deles). O que eu não sabia e gostaria muito que alguém tivesse me dito isto, é que a Linda não tem navios, tem barcos. Isto não seria um problema, mas como as embarcações são muito menores que as das concorrentes, qualquer sinal de mau tempo no mar já é suficiente para cancelarem a viagem, além disso, não fazem viagem no inverno. Nas semanas que se seguiram após comprar o ticket, diversas vezes entrei no site e havia o aviso de viagens canceladas, o que foi me deixando bem apreensiva e me fez optar por escolher outra companhia para fazer o retorno. Acho que se a viagem for feita durante o verão, o risco de cancelamento é menor, e comprando ida e volta junto, você pode conseguir preços tão baixos quanto 29 euros. Eu tive sorte, pois no dia que fui para Tallinn o serviço de balsa estava funcionando normalmente, mas o M., minha companhia de viagem apenas na Estônia, teve sua viagem de volta suspensa. A empresa se compromete a reembolsar o valor pago pelo ticket em caso de cancelamento, o problema mesmo é comprar um ticket de balsa em cima da hora. O M. pagou 42 euros e num horário péssimo, pois era um domingo, quando todos que foram passar o final de semana em Tallinn estão voltando, e havia pouquíssimos horários disponíveis.

O barco da Linda Line
O barco da Linda Line

Outras opções para cruzar o Mar Báltico, que têm navios grandes que não cancelam viagem por qualquer mau tempo, são Eckerö Line, Viking Line e Tallink Silja Line. Dá também para pesquisar preços de todas as companhias neste site. Estas companhias também fazem outras rotas, como Estocolmo, por exemplo. A vantagem da Linda Line em relação às outras é que o tempo de travessia é realmente mais curto e há muitas opções de horário. A desvantagem, além da que já foi citada, é que o barco é bem menor e se você passa mal facilmente no mar, vai sentir bem mais.

A nossa travessia foi tranquila, apesar que temos a desconfiança que viajamos na Primeira Classe com um ticket comum. Como ninguém nos pediu para checar nada e não havia nenhum serviço especial também, resolvemos ficar por lá mesmo. A viagem foi confortável, apesar de uma finlandesa, contrariando o estereótipo do povo finlandês, berrar a viagem toda e interromper nosso cochilo. :/

Do porto de Tallinn ao hostel caminhamos cerca de 20 minutos. Tallinn é muito pequena e tudo fica muito perto – claro que me refiro ao centro da cidade e sua parte mais turística, onde os locais certamente não moram. Por conta disto, acho que qualquer hostel que esteja no centro é bom em termos de localização.

Nós escolhermos o mais barato da região, o Kohver Hostel. Ele fica super no centro, mas como já disse, Tallinn é muito pequena. O que nos atraiu era que havia café-da-manhã incluso, ao contrário da maioria, mas o café consistia apenas em café e chá, pão de forma e geleia, cereal e leite. Para mim é aceitável, pois não como muito mais do que isso de manhã mesmo, mas sei que tem gente que prefere um café mais farto. O prédio é muito antigo e sem elevador, e o hostel fica no último andar.  Eu achei tudo meio desorganizado – eles te dão a chave na sua mão no check-in, mas de manhã, no horário de check-out, não tem ninguém na recepção, só um bilhete dizendo para você largar a chave lá e ir embora. Além disso, no primeiro andar tem um bar-balada e apesar de o barulho não chegar até o andar do hostel, eu dormi as duas noites inteiras sentindo minha cama vibrar – talvez durante a semana seja mais tranquilo – eu passei o final de semana lá.

Eu sempre costumo guardar meus pertences dentro do cofre, quando o hostel oferece, mas acabo deixando coisas insignificantes na cama. Na manhã do primeiro dia, arrumei a cama (estiquei o edredom) e deixei minha pasta de dente, escova e fio dental embaixo do travesseiro. Quando voltei à noite, havia outra pessoa na cama que eu estava. Resumindo: por total falta de organização e controle, o hostel retirou os lençóis da minha cama por acharem que quem estava lá havia feito check-out, já que não havia mochila nem nada por perto. Por que raios uma pessoa deixaria uma cama arrumada ao fazer check-out, né? Minha pasta e todo resto havia sumido e eu, claro, fui tirar satisfação. No final da história, eles acharam tudo, mas como eu já havia comprado tudo novo no mercado, me reembolsaram. Eu recomendo este hostel? Apesar de a maioria dos funcionários ter sido bem atencioso, não. Extremamente desorganizado e os banheiros eram bem estranhos, apesar de o local estar limpo. Fim do drama da acomodação.

O hostel
O hostel

Chegamos à noite e uma amiga já havia recomendado que comêssemos sopa de alce numa taverna medieval na Praça da Prefeitura. O nome da taverna é III Dragon e é um daqueles lugares que todo turista vai quando visita a cidade. A ideia é simular uma taverna medieval, já que Tallinn é conhecida como a cidade medieval mais bem conservada da Europa. Supostamente, o local não tem energia elétrica (não há lâmpadas, mas aceitam cartão e digitam seu pedido numa tela touch screen “escondida”) e a decoração toda é no estilo medieval, além dos funcionários usarem roupas que possivelmente eram usadas na época.

A funcionária do caixa
A funcionária do caixa

Tudo lá é bem baratinho, variando entre 1 e 3 euros. O mais tradicional, claro, é a sopa de alce, que custa 2 euros e vem numa cumbuca de barro. Não tem colher, você deve beber diretamente da cumbuca. Normalmente, a sopa vai acompanhada das tortinhas, que variam entre 1 e 1,50 euros dependendo do sabor. Tem um barril de picles que você pode se servir de graça, mas este eu pulei porque não gosto.

Cumbuca com sopa de alce
Cumbuca com sopa de alce

O local, em si, não é nada excepcional, mas é bonitinho e diferente. A sopa, aliás, é bem temperada, mas eu custei a achar pedaço de carne nela. A porção é bem pequena também, então é mais para visitar o local ou ser a “entrada” da sua refeição, tanto que depois de comermos a sopa, fomos para uma pizzaria ali na região para encerrar o primeiro dia.

Praga, República Tcheca I

Deixamos Bratislava e seguimos para a capital tcheca, Praga. Novamente usamos o ônibus da Regiojet,  que é super confortável. O ticket custou 10 euros e foram 4 horas de viagem. O ônibus para bem próximo a uma estação de metrô, então é muito viável especialmente para quem chega à noite – chegamos às 22h. Na estação, uma surpresa: os guichês estavam todos fechados e só era possível comprar bilhetes na máquina, o que não seria um problema se não fosse o fato de só aceitarem moedas. Nós tínhamos trocados coroas tchecas antes de ir, mas só tínhamos notas. Sem solução e com um metrô sem catracas, acabamos embarcando sem bilhete mesmo e torcendo para não ter fiscais no trajeto. Não é certo, eu sei, mas só tínhamos notas de valor alto e não seria uma tarefa fácil achar alguém disposto a trocar tudo por moedas.

Ficamos no hostel Emma, em Praga 2. Não é tão central, mas ainda fizemos absolutamente tudo a pé, então ainda foi uma boa opção, pois os hostels que ficam bem no centro turístico são muito mais caros. O hostel fica perto de uma das atrações turísticas, a Casa Dançante.

A Casa Dançante
A Casa Dançante

Apesar de ser um dos cartões postais da cidade, o local não é aberto a visitação, então é só para observar do lado de fora os prédios que parecem dançar.

O hostel não é um dos melhores que já fiquei, mas não era ruim. O hostel se divide em dois prédios, um com os quartos compartilhados e outro com os quartos privativos. Optamos pelo privativo, então a sensação era de estar num hotelzinho com cozinha e banheiro compartilhados. O prédio era bem antigo, mas o quarto e os banheiros estavam arrumados e limpos.

No dia seguinte, começamos nosso passeio com o walking tour. Já fiz tour com o Sandemans em várias cidades (Berlin, Barcelona, Madri, Amsterdã e Dublin) e apesar de no site pedir que você reserve seu tour, nunca ninguém me pediu para provar que reservei. Mas quando chegamos, sem reserva, para o tour de Praga, pediram nosso nome e como não estávamos na lista, tivemos que aguardar. No fim, acabamos fazendo do mesmo jeito, mas isto logo mostrou uma característica da cidade que foi ficando mais clara no decorrer da visita: Praga é para turista ver e é cheia deles.

Praça Principal em Old Town
Praça Principal em Old Town

O tour sai da Praça Principal em Old Town. Nosso guia era um inglês já na casa dos 50 anos que contou que um dia resolveu sair da Inglaterra e ir para algum lugar onde poderia usar sua língua nativa para ganhar dinheiro. Virou guia turístico e, sinceramente, achei sensacional essa coragem dele!

Enquanto ainda aguardávamos o tour sair, algo nos chamou a atenção:

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Nós vimos centenas de pessoas andando nesse “troço” aí da foto de cima. Tem algumas empresas que vendem tours pela cidade com o diferencial de que ele é feito nessa engenhoca aí (tem nome pra isso?). É irritante porque 1 – você precisa ficar prestando atenção enquanto anda no centro se vem alguém pra cima de você e sair do caminho, 2 – o pessoal dessas empresas não param de te abordar e oferecer o tour e não se engane: muitos deles te veem segurando o mapa e se aproximam para oferecer ajuda – na verdade, eles querem se mostrar simpáticos para tentar te ganhar para o tour e muitos deles até oferecem que você dê “uma voltinha” para ver como é e 3 – é bizarro, para não dizer ridículo, você ver a galera andando nisso ao invés de apenas caminhar! Pronto, desabafo feito.

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O tour começou pela praça e seguimos pelo bairro judeu. O guia nos contou diversas histórias sobre o Holocausto e, em certo momento, paramos em frente do Museu Judeu e ele nos contou uma história muito forte sobre crianças judias que moraram naquele prédio e nos pediu para não tirar fotos em respeito ao momento. Um casal, sei lá eu porque, resolveu tirar uma selfie… o guia surtou! Deu uma lição de moral – eu nunca vi isto, compreendo como ele se sentiu desrespeitado, mas wow! Foi pesado!

Paramos numa ponte com vista para a Charles Bridge, a mais famosa ponte da cidade, e ele nos contou diversas lendas e superstições relacionadas a ela. Outro fato importante é que o guia nos alertou que Praga é uma das cidades com mais trombadinhas na Europa e que a Charles Bridge é o local preferido deles por estar sempre cheia de turistas distraídos – eu não me senti “em perigo” em nenhum momento na cidade, mas sou paulistana (né, meu?) e se tem uma coisa que eu manjo é ficar alerta e desconfiar de todos na rua, então, não tive nenhum contratempo mesmo, mas fica uma dica. O tour terminou também na Praça Principal, que a essa hora já estava fervendo de turistas.

A atração mais famosa de Praga provavelmente é o Relógio Astronômico. Tenho certeza que você já viu esta foto em algum momento da vida:

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Segundo o guia do tour, esta é a atração mais horrorosa que ele já viu, porém não deixa de atrair turistas que aguardam os “bonecos” saírem do relógio de em hora em hora. E, nós, claro, também queríamos ver. O Orloj mostra a posição do Sol e da Lua, a caminhadas dos apóstolos (que saem de hora em hora) e um calendário representando o zodíaco ou os meses. O guia também nos disse que é uma das atrações que mais decepciona os turistas: as esculturas saem, você vê e pensa “é isso”? E até que ele não estava mentindo, mas não deixe de ver se for a Praga!

É muito barato subir na torre do Relógio e a vista de lá é ótima! Pagamos 80 coroas com desconto de estudante (cerca de 3 euros), mas o valor comum é 130 coroas (pouco menos de 5 euros). Você pode subir de elevador ou pelas rampas, que eu recomendo – a subida é mais suave por não ter degraus e nas paredes há diversas fotos contando a história da torre e da Praça.

Praga vista de cima
Praga vista de cima

O dia estava bonito, então a visão era linda. Não há muito espaço no topo da torre e em certo momento, muitos turistas chegaram ao mesmo tempo e o trânsito  ficou “lento”. Acho que ficamos quase 1 hora lá, olhando a cidade de todos os ângulos e indico muito a visita.

Castelo de Praga
Castelo de Praga

A fome bateu e optamos por comer comida de rua mesmo. Fomos de salsichão e batata com cerveja, afinal, ir a Praga e não beber cerveja é como ir a Lisboa e não comer pastel de Belém! 🙂

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Passeamos mais um pouco pela cidade, até chegarmos na Charles Bridge – mas só passamos por ela, pois o planejado era visitá-la em outro dia. Mas Europa no verão é sol até altas horas, então voltamos ao hostel beirando o rio antes de anoitecer para descansar um pouco.

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A ideia era ir num restaurante de comida local para seguir a agora tradição de sempre comer a comida típica de cada lugar que visitamos. Pesquisei alguns restaurantes e achei um bem próximo do hostel que servia uma refeição típica completa e tinha o “Menu turista” com um preço muito bom. Acontece que chegamos lá pouco mais de 1 hora antes do restaurante fechar e nos informaram que a cozinha já estava fechada e apenas o bar ainda funcionava. Eu, com minha cabeça de paulistana, não entendi muito bem como a cozinha do restaurante fechava 1 hora antes do horário anunciado no site. Com fome e decepcionados, voltamos para o hostel e fizemos o famoso “macarrão com molho” de viagem, acompanhado de outra cerveja, claro.

Tentando tirar foto a noite sem tripé
Tentando tirar foto a noite sem tripé

Um dia em Bratislava

Quando decidi ir para Budapeste, a ideia era de lá ir direto para a outra cidade que visitaríamos nesta viagem, mas aí analisando bem, pareceu uma boa ideia parar no meio do caminho e passar um dia na capital da Eslováquia. Diga-se de passagem, Budapeste foi escolhida porque era o lugar mais barato para se ir a partir de Helsinki e assim sigo com minhas viagens decididas de acordo com o preço do voo – e continuo não me arrependendo.

De Budapeste a Bratislava são apenas 3 horas de viagem. Viajamos com a Regiojet e o ticket custou apenas 7 euros. A empresa cobra 50 centavos de euro para cada mala “despachada”, mas oferece uma bebida quente de graça na viagem, o ônibus é super confortável e tem TV – eles também emprestam o fone de ouvido. O sinal wifi só funciona dentro do território tcheco, país de origem da empresa.

O ônibus na rodoviária de Bratislava
O ônibus na rodoviária de Bratislava

Chegamos já perto das 21h, mas ainda estava claro. Não há absolutamente nada escrito em inglês na rodoviária! Eu havia lido em alguns blogs que os arredores da rodoviária era medonho, tipo, horrível mesmo, mas eu achei absolutamente normal, apenas não é um lugar bonito e não te dá aquela sensação “de estar na Europa”, apesar que, sim, tem muito lugar feio na Europa, basta você sair um pouco só das zonas turísticas das grandes cidades e vai perceber isso. Lembro até hoje o quão medonho era os arredores da estação de trem onde desci quando cheguei no centro de Bruxelas e foi apenas andar alguns quarteirões e chegar no centro turístico que tudo ficou lindo de repente.

A rua do rodoviária. Parece medonho para você?
A rua do rodoviária. Parece medonho para você?

O hostel ficava a menos de 2km de lá e já havíamos nos programado para ir  a pé. Salvei o mapa do Google com o roteiro em azul, mas é claro que nos perdemos. Chegamos até o centro turístico, onde tudo ainda estava aberto e funcionando (era uma sexta-feira à noite) e sabíamos que o hostel era ali perto, mas simplesmente não conseguíamos achar. Uma dica (que agora serve para mim também): é possível baixar o mapa offline de qualquer cidade no Google Maps, que é deletado 30 dias depois se o usuário não estender. Além disso, há apps que te deixam baixar o mapa offline de várias cidades e isso ajuda muito! No Google Maps, por exemplo, mesmo sem internet, o GPS do próprio celular aponta onde você está e você pode digitar o endereço de onde quer ir e ele aparece no mapa, a única diferença da versão online é que o Google Maps não traça o roteiro, mas sabendo no mapa onde você está e onde você quer ir já está ótimo. Uma pena que eu não sabia disso quando fiz esta última viagem e só conseguimos nos achar porque vimos dois policiais andando na rua com celular na mão e pedimos que nos ajudassem. Um deles traçou o roteiro no mapa, eu tirei foto e ele apontou o caminho. Foi um sufoquinho chato, mas chegamos no hostel. :/

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Cansados e morrendo de fome, ainda tivemos o azar de chegar no Patio Hostel quando um grupo de umas 4-5 famílias com muitas crianças estava fazendo check-in. Aparentemente, o grupo estava viajando de bicicleta e eu não pude evitar de pensar na coragem deles de viajar com tantas crianças pequenas em bicicletas! Depois de vários minutos esperando, o check-in eterno terminou e fizemos o nosso.

O hostel é grande e os quartos lembram muito um hotel. Ficamos num quarto para apenas 4 pessoas e estava tudo muito limpo e organizado. Eles disponibilizam toalha de banho, shampoo e sabonete, algo incomum em hostels.

No dia seguinte, saímos cedo e fomos conhecer o centro da cidade, que ainda estava vazio no horário. A cidade é muito pequena, porém linda. No dia estava tendo uma celebração a Napoleão, então havia várias pessoas vestidas com roupas da época e encenando danças, tocando instrumentos e atirando!

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Ficamos observando um pouco e fomos visitar a Catedral de São Martinho, a maior e uma das mais antigas igrejas de Bratislava e onde aconteciam as coroações dos reis entre 1563 e 1830. A entrada é gratuita e dentro da catedral há uma parte do piso que é de vidro e podemos ver esqueletos – a catedral foi construída em cima de um cemitério.

O walking tour começava ao meio-dia na praça principal e apesar da cidade ser bem pequeninha, achamos melhor fazer o tour, já que ele basicamente cobriria todas as atrações turísticas.

Ponto de encontro do tour
Ponto de encontro do tour

Como não tinha tanta coisa assim para ver, muito do tour foi sobre a história do país, o período comunista, comidas e bebidas típicas e curiosidades da língua e cultura eslovaca, como, por exemplo, no país ter um dia do ano para cada nome próprio e que é realmente celebrado como o dia da pessoa que tem aquele nome, como um segundo aniversário. Passamos pela Catedral de São Martinho novamente e outros pontos e paramos em frente da famosa estátua do operário “dentro do bueiro”.

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A estátua em tamanho real fica na na esquina das ruas Laurinská e Panská e está lá desde 1997, representando um trabalhador da era comunista que simplesmente não se importa de fazer seu trabalho. Reza a lenda que passar a mão no capacete dele trás sorte. Passamos por algumas estátuas no nosso dia em Bratislava e se você quiser visitar todas elas, neste site tem o endereço de cada uma.

O tour terminou após visitarmos a Igreja Azul, única atração que ficava um pouco afastada do centro turístico. É uma igreja toda em arte nouveau e, segundo a guia, é a mais disputada para casamentos.

A igreja azul
A igreja azul

O tour durou 3 horas, mas eu recomendo porque é um ótimo jeito de passar pelas principais atrações e conhecer a cidade com um local, principalmente se vai passar apenas um dia como eu.

Depois do tour, para não perder muito tempo, compramos uma baguete de 2,50 euros (a moeda da Eslováquia é o euro também) no centro (muito bem recheada e gostosa) e fomos para o Castelo de Bratislava.

O castelo lá em cima
O castelo lá em cima

O castelo fica numa colina e de lá se tem uma vista privilegiada do Danúbio e de Bratislava, então o ideal seria ir num dia ensolarado para aproveitar bem a visita, o que, felizmente, foi nosso caso.

Hoje em dia o castelo é um museu e a entrada custa apenas 2 euros. Passamos quase 2 horas dentro do castelo e deu para ver tudo com calma e ainda subir numa das 4 torres – a subida é feita somente por escadas e elas são nem íngremes.

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A torre em formato de “disco voador” que aparece na foto acima, vista a partir do Castelo de Bratislava, segundo a guia do nosso walking tour, foi construída durante o período comunista no país e hoje em dia muitas pessoas acham feio e um símbolo daquele período que deveria ser removida. De qualquer forma, ainda está lá e há um restaurante lá em cima, que não tivemos a curiosidade – e nem o tempo – de conhecer.

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Voltamos a praça principal da cidade, onde compramos algumas lembrancinhas, e já era hora de voltar ao hostel para pegar nossas mochilas e voltar a rodoviária para seguir ao próximo destino.

Conclusão

Bratislava é uma cidade linda e nada lembra aquele lugar cinza e sombrio do filme O Albergue (um filme que me arrependo amargamente de ter visto) e, aliás, nossa guia nos contou que a cidade só levou a fama mesmo, pois o filme todo foi rodado em Praga, então nem adianta procurar cenários do filme na cidade.

O centro histórico é realmente lindo e tudo está muito bem conservado. Acertamos em ficar apenas um dia na cidade, pois conseguimos fazer tudo. Havia um museu no centro que não tivemos tempo de entrar, mas também não seria algo obrigatório e apenas recomendaria 2 dias em Bratislava para quem tem um ritmo de viagem mais tranquilo ou quer curtir algum passeio noturno e restaurantes – nós não tivemos tempo de experimentar nenhuma comida típica, por exemplo.

Bratislava
Bratislava

Budapeste, Hungria I

Chegamos em Budapeste um pouco depois da hora do almoço e o tempo estava um pouco feio, meio nublado. O wifi do aeroporto é péssimo, mas já havíamos pesquisado como ir de lá até o centro da cidade e além disso, tem um balcão de informações para o turista muito bom lá: tem mapas, brochuras com sugestões de passeios e como chegar até o centro de transporte público.

Pegamos o ônibus 200E, que sai do Terminal 2 a cada 8 minutos. O ticket unitário custa 350 florins (na época, 1 euro valia cerca de 310 florins) e pode ser comprado no guichê que tem no ponto de ônibus. Caso pague diretamente ao motorista, o valor da tarifa vai para 450 florins. Optamos por pagar ao motorista, porque não tínhamos trocado para comprar do guichê, mas agora fica a dica dada por um brasileiro que conhecemos dentro do ônibus (afinal, minha gente, onde é que não se acha brasileiro neste mundo?) e mora na cidade: compre a opção de 10 tickets, que vale para ônibus e metrô, e sai mais em conta se você for usar muito o transporte público – dá para fazer muita coisa a pé na cidade, mas uma atração ou outra é um pouco mais distante, então pode compensar. Nós compramos 10 tickets para dividir em 2 pessoas e foi o suficiente. Para mais informações sobre o transporte público na cidade e de como ir para o aeroporto/centro, veja aqui.

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Os tickets são de papel e não tem catraca nas estações de metrô. É necessário validar cada ticket antes de embarcar e nem pense em tentar viajar de graça: há fiscais nas entradas das estações checando se o ticket foi mesmo validado e caso não tenha ninguém, funcionários do metrô podem solicitar para ver seu ticket validado a qualquer momento.

O ônibus 200E para na estação de metrô Kobanya Kispest, de onde pegamos o metrô até a estação mais próxima do nosso hostel. Não faz sentido nenhum, mas em Budapeste se você mudar de linha (por exemplo, ir da vermelha para a verde), precisa pagar novamente a passagem ou validar outro bilhete. Fique atento!

O tempo estava mais agradável quando finalmente chegamos no bairro do hostel e como já era mais de 14h e estávamos sem almoço, seguimos a dica do mesmo brasileiro que conhecemos no ônibus: comer kebab! Há muitos e muitos restaurantes que vendem kebab na cidade e são os lugares mais em conta para uma refeição. Um kebab de frango no pão pita custa, em média, 700 florins (algo em torno de 2,50 euros) e eu achei delicioso.

Kebab e um delicioso chá gelado
Kebab e um delicioso chá gelado

Seguimos para o Amazing Hostel, que eu gostei muito e indico. Fica bem localizado, próximo ao distrito judeu, e de lá fizemos a maioria dos passeios a pé. É um hostel bem pequeno e indicado para quem quer paz e sossego para descansar depois de um dia visitando as atrações. Tem apenas 4 quartos compartilhados e gostei muito que eram apenas 5 camas (e não beliches como em praticamente todos os hostels), havia muito espaço no quarto e um cofre para cada cama. O local era bem limpo e a decoração muito bacana. Os funcionários foram muito simpáticos e nos ajudaram com todas as dúvidas. O hostel aceita pagamento em euros para a reserva, o que nos ajudou muito. O lado ruim é que havia apenas 2 banheiros e mesmo o hostel sendo bem pequeno (calculei que a capacidade máxima fica em torno de 15 pessoa), de manhã tem um pouco de “concorrência” para usá-los.

O hostel
O hostel

Depois de almoçar, ir para o hostel fazer check-in e respirar um pouco já era 16h. Decidimos, então, visitar a Grande Sinagoga, já que era próxima e ficava aberta até o fim da tarde. Pagamos 2700 florins (aproximadamente 17 euros) para fazer um tour guiado e ter acesso ao museu. Há várias opções de tickets com preços mais baixos ou altos dependendo do que estava incluso. Eu não achei o tour lá essas coisas, mas vale a pena para quem quer saber mais da história e tal.

Por dentro da sinagoga
Por dentro da sinagoga

Aliás, achei muito desagradável no tour que a guia, grosseiramente, me chamou a atenção quando eu tirei minha garrafa de água da bolsa, dizendo que aquele era um local sagrado e eu não deveria comer nem beber. OK, compreensível, mas não havia nenhum tipo de sinalização dentro da sinagoga que avisasse isso e não era como se eu estivesse tomando um refrigerante, não é? Achei péssimo também que, mesmo sendo um tour pago, a guia simplesmente sumiu quando o grupo saiu para os jardins. Ela nos deu algum tempo para tirar fotos e não esperou ninguém que não estivesse na porta quando ela resolveu que era hora de sair. Tivemos que nos juntar a outro grupo para terminar o tour.

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Esta sinagoga é importante porque é considerada a maior de toda a Europa e a 3ª maior do mundo, podendo abrigar até 3 mil pessoas em seu interior. Os jardins são muito bonitos e também abrigam um cemitério onde estão enterrados mais de 2 mil judeus que morreram no gueto entre 1944 e 1945. Há ainda uma escultura, a da foto acima, que é um Memorial do Holocausto e em cada uma de suas folhas tem o nome de um judeu húngaro morto no Holocausto. O museu não impressionou muito e parecia que estava em reforma. Tem mais informações sobre a sinagoga aqui.

Ainda estava claro quando saímos da sinagoga, fomos andar um pouco mais pela cidade e chegamos na Basílica de São Estevão. Infelizmente, chegamos logo depois que a visita a torre foi encerrada, mas ainda deu para entrar na basílica de graça para visitar.

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Andamos mais um pouco até os limites do lado Peste, onde estávamos, e voltamos ao hostel depois de jantar outro kebab – comida tão simples e barata, mas tão gostosa que ainda hoje às vezes me dá uma vontade de comer!

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