Roteiro de 3 dias em Dublin

O blog já foi sobre minha vida na Irlanda, mas já faz 3 anos que não moro mais lá, então pode parecer estranho que justo agora, em meio a posts sobre minha vida na Finlândia e outras viagens, eu resolva compartilhar um roteiro de viagem em Dublin. A verdade é que como eu morava na cidade, nunca postei sobre ela do ponto de vista de um turista, mas o que me motivou mesmo foi que eu acabei fazendo um roteiro para o R., que resolveu conhecer a capital irlandesa, e eu pensei “por que não postar no blog?”.

Para quem já foi ou mora em Dublin, pode deixar nos comentários sugestões do que poderia ter sido incluído ou o que poderia ter ficado de fora. Claro, levando em consideração que são 3 dias, é turismo e quem viaja normalmente quer ver o essencial.

Dia 1

Acho importante otimizar o tempo, então sempre tento agrupar as atrações pela localização e, por este motivo, o dia 1 começa numa região um pouco afastada do centro, mas cobrindo tudo que fica mais ou menos perto.

Guinness Storehouse – A fábrica da Guinness é uma das visitas obrigatórias, mesmo que você não beba cerveja – eu só fui visitá-la quando voltei a Dublin em 2015, porque achava que não era uma visita para quem não é muito fã da bebida, mas não podia estar mais enganada! Vale a pena porque todo o processo de produção da cerveja e a história da marca são muito bem contados e tudo muito bem feito, você aprende a fazer seu chopp e depois pode bebê-lo e no último andar dá para ter uma visão 360 graus da cidade.
Onde: St. Jame’s Gate, Dublin 8
Quanto custa: a partir de 16 euros (adulto)
Quando: diariamente (exceto em alguns feriados, como Natal), das 9h30 às 19h (último ticket vendido às 17h)
Quanto tempo: eu fiquei mais de 3 horas

Guinness

Gaol Kilmainham – Fica mais ou menos na região da  fábrica da Guinness e é uma das maiores cadeias desativadas da Europa. Só oferecem visitas guiadas e como pode ser bem concorrido conseguir um ticket (eu não consegui na primeira vez que tentei ir), se possível, é melhor comprar pelo site. Se tiver tempo e interesse, bem próximo a cadeia fica o Museu Irlandês de Arte Moderna, que não é muito grande.
Onde: Inchicore Road, Dublin 8
Quanto custa: 3 euros
Quando: diariamente, das 9h30 às 17h30 (último tour começa às 16h15) de outubro a maior, e das 8h45 às 19h (último tour às 17h45) de junho a setembro.
Quanto tempo: o tour guiado dura 1h e deve-se chegar 15 minutos antes

Gaol

Phoenix Park – É conhecido por ser o maior parque urbano da Europa e é tão grande que abriga um zoológico e também a casa do presidente da Irlanda. Se o tempo estiver bom (Dublin, sua nublada chuvosa), dá até para alugar bicicleta (em 2013 custava 5 euros/hora).
Onde: portões principais – Parkgate Street e Castlenock Gate
Quanto: grátis
Quando: aberto 24h
Quanto tempo: depende do quanto você está disposto a andar e o que vai fazer, mas, em média, umas 2h

Nós em frente da casa do presidente
Em frente da casa do presidente

St. Patrick’s Cathedral – Se ainda tiver tempo e disposição, no caminho de volta ao centro dá para dar uma passada na catedral do padroeiro do país. Eu nunca entrei porque não sou a maior fã de pagar para entrar em igreja, mas aí vai do gosto de cada um.
Onde: Patrick Street
Quanto: 6 euros (adulto)
Quando: os horário variam muito, então é melhor consultar o site
Quanto tempo: não mais que 1h

Dia 2

Dublinia – O Dublinia é um museu imperdível que conta história de Dublin voltando ao tempo dos vikings, e na minha opinião, é um dos mais interessantes da cidade. Fica próximo da Christ Church Cathedral (e tem um túnel ligando os dois) e é possível comprar ticket combinado para visitar as duas atrações.
Onde: High Street
Quanto: 8,50 euros (adulto)
Quando: diariamente das 10h às 17h30 e até às 18h30 entre março e setembro
Quanto tempo: 2h

Dublin Castle – Não se iluda com o nome, pois o prédio nada se parece com um castelo hoje em dia. De qualquer forma, não deixa de ser uma visita interessante para saber um pouco mais da história da cidade. Tem também um belo parque e uma biblioteca, a Chester Beatty, com várias exposições.
Onde: Dame Street, Dublin 2
Quanto: 8,50 (adulto)
Quando: os horários variam um pouco, então melhorar consultar o site
Quanto tempo: o tour guiado dura aproximadamente 1h

Dublin Castle

Trinity College – É a universidade mais antiga e conceituada do país, onde estudaram Samuel Beckett e Oscar Wilde, por exemplo. É possível visitar a biblioteca, que já foi cenário de algum filme de Harry Potter, e também onde fica o Book of Kells, o livro mais antigo do mundo
Onde: College Green, Dublin 2
Quanto: 6 euros apenas a universidade (tour guiado), 13 euros com a biblioteca, mas se só quiser entrar e passear sem tour, é gratuito (a biblioteca é sempre paga)
Quando: checar os horários aqui
Quanto tempo: 2h

Grafton Street e St. Stephen’s Green Park – Saindo da Trinity College começa a Grafton Street, a rua de comércio phyno mais famosa da cidade. Além das lojas caríssimas e alguns cafés, há também muitos buskers, os artistas de rua. Indo até o fim dela você chega no St. Stephen’s Green, um parque muito bonito com muita área verde e lagos, uma visita que vale muito  a pena se o tempo estiver bom.
Onde: Grafton Street
Quanto: grátis
Quando: enquanto estiver claro e as lojas abertas
Quanto tempo: depende de quantas lojas você quer entrar e de quanto tempo quer passar no parque

Stephen's Green no verão
Stephen’s Green no verão

Temple Bar – Esta é a área mais badalada da cidade, com vários pubs e baladas. Claro que o mais famoso é o que leva o nome do lugar, o Temple Bar. Mesmo que não você não goste de balada, vale a pena passar para conhecer o lugar e o Temple Bar, o pub, fica aberto o dia todo sempre com música ao vivo. Se curtir a noite, vá mais tarde e visite outros bares da região. Aqui você vê o local ao vivo.

Temple Bar

Dia 3

Malahide Castle – Não fica na área central de Dublin e é preciso pegar o DART, o trem, para chegar até o local. É uma visita bacana, especialmente num dia de sol, pois na região tem uma belo parque, uma praia e um jardim botânico. O castelo é muito antigo e o tour guiado é muito bom.
Onde: Malahide
Quanto: 12 euros (adulto)
Quando: diaramente, das 9h30 às 17h30 (o último tour sai às 16h30)
Quanto tempo: Uma manhã ou tarde inteira, considerando o tempo para ir e voltar de Dublin, o tour no castelo e possivelmente visitando jardim e a praia

O’Connell e Henry Street – De volta a Dublin, se ainda não visitou estas duas ruas, essa é a hora. A O’Connell é a rua mais larga da cidade e onde fica o ponto de encontro mais famoso também, o Spire. A Henry Street é uma rua de comprars assim como a Grafton, mas é mais popular.

Museus – Tem muitos museus gratuitos em Dublin, alguns próximos a Trinity College (National Gallery of Ireland e o Museu de Arquelogia) outros um pouco mais afastado, em Dublin 7 (Museu de Artes Decorativas e História). E outros museus pagos, como o Museu de Cera (próximo a Trinity College), o Museu do Leprechaun (próximo a Henry Street) e o Museus dos Escritores de Dublin, próximo a O’Connell.

O’Reilley’s Bar – Para fechar o dia, eu recomendo muito ir num pub de rock que fica atrás da Tara Station, próximo ao Rio Liffey. O pub tem decoração estilo taverna, toca música boa e é um dos mais baratos da região.

Se tiver mais que 3 dias, no primeiro dia vale a pena fazer um walking tour, passear pelo Rio Liffey, conhecer o Merrion Square, um parque próximo ao Stephen’s Green, ou ainda conhecer a destilaria Jameson em Dublin 7.

E se tiver mais dias para ficar na Irlanda, algumas sugestões de passeios de um dia é visitar as cidades próximas, como Bray, Howth  ou Dalkey, onde moram Bono Vox e Enya. Conhecer of Cliffs of Moher também é uma boa opção.

Dicas

Souvenirs – Você verá milhares de lojas da Carrolls espalhadas pela cidade. De fato, a loja oferece muitas opções de qualidade, mas se você quer comprar lembrancinhas mais em conta, há algumas lojinhas na Grafton que têm preço melhor. Na mesma rua fica uma loja oficial da Disney.

Transporte – O transporte público da cidade é extremamente caro! Tente fazer o máximo possível a pé para poupar.

Alimentação – comer fora em Dublin não é muito barato. Se precisar economizar, pode fazer compras em mercados, como o Tesco, ou comer em lugares que vendem baguetes por 2 euros (ainda era esse valor em 2015), como Londis. Na Talbot Street, uma travessa da O’Connell, també há lugares mais em conta para comer.

Turistando em Dublin

Aproveitei que ficaria dois dias inteirinhos em Dublin para turistar pela cidade. “What?! Mas tu não morou um ano lá? Vai turistar o que?”

Pode parecer muito óbvio que uma pessoa que morou um ano numa cidade tenha conhecido tudo que há nela e dizer que vai fazer turismo soe estranho. Mas encaremos os fatos: nasci em São Paulo e dos meus 27 anos de vida, 25 foram morando aqui. Eu nunca fui ao Mercado Municipal nem ao Jardim Botânico. Deal with that. Não conheci tudo que Dublin tinha a oferecer, porque muitas vezes eu estava com preguiça de sair de casa no frio ou não encarava a vida como uma eterna descoberta irlandesa, afinal, eu morava lá e sempre podia deixar pra semana seguinte… até que o dia de voltar ao Brasil chegou e não deu tempo de fazer tudo.

No dia 1 de janeiro estava quase tudo fechado, mas a fábrica da Guinness estava aberta e esse foi o grande passeio do dia. Eu não bebo cerveja, eu não gosto de cerveja porque acho amargo e não fiz questão de visitar a Guinness enquanto morava em Dublin. Mas voltando para lá como turista, achei que seria uma visita interessante – e eu estava absolutamente certa!

A entrada é bem cara – paguei 16,20 euros comprando online – mas se você fizer uma visita bem feita, vai ficar umas boas 4h lá dentro, então até que vale o preço, ainda mais porque você ganha uma pint, o que por si só custaria uns 6 euros num pub.

Siga as setas!
Siga as setas!

A visita começa contando como a Guinness é fabricada e tudo que está envolvido em sua fabricação. Engraçado é que até o modo como os barris de madeira são feitos é enfatizado. Outro ponto interessante é que até a água que é utilizada na fabricação tem lá seus padrões de qualidade. Aliás, fica a dica, picolé de chuchu, vulgo Alckmin:

O cara estava preparado pra defender até a morte o abastecimento de água para fabricar sua cerveja... e eu aqui bebendo água do volume morte... tem algo errado nessa história!
O cara estava preparado pra defender até a morte o abastecimento de água para fabricar sua cerveja… e eu aqui bebendo água do volume morto… tem algo errado nessa história!

Lá pelo 3º andar, começa o endeusamento de Arthur Guinness e sua família. Sério, eles tratam o cara como uma espécie de padroeiro irlandês! Primeiro Deus, depois St. Patrick e Arthur Guinness. Anyway, o andar que fala sobre ele e a família é muito legal, porque nas paredes há TVs penduradas como se fossem quadros dentro de molduras e em cada “quadro” tem um vídeo contando a história toda. O que me chamou a atenção foi que a senhora Guinness, Olivia, pariu 21 crianças. VINTE E UMA crianças. Não sei vocês, mas quando eu ouço um caso desse não consigo não pensar o que parir 21 crianças não faz com o corpo de uma mulher… Voltando. Destas, 11 crianças sobreviveram à idade adulta e foram elas que deram continuidade ao legado do pai.

Finalmente chegamos ao que interessa: a cerveja. Entramos numa sala cheia de vaporzinho com aromas diferentes de cerveja. Cada botão que se apertava, soltava um aroma diferente em forma de vapor. Nesta mesma sala, colocaram a Guinness em pequenos copinhos para que pudéssemos ir a sala de “prova”. A parte mais legal foi quando o guia disse que “qualquer um que aparente ter menos de 23 anos precisará mostrar o ID. Não se ofendam!” Lá fui eu toda feliz pegar minha Guinness quando a mocinha do balcão me impediu. “Can I see your ID?”. Why not, né, gente? Mostrei e peguei minha mini Guinness.

As olheiras não negam: eu havia dormido apenas 7h nos últimos dois dias! E essa fumaça não é que o você está pensando! hehe...
As olheiras não negam: eu havia dormido apenas 7h nos últimos dois dias! E essa fumaça não é que o você está pensando! hehe…

Na sala seguinte, a guia nos ensinou como se deve beber Guinness e isso foi life changing! Bem, eu não gosto de cerveja e eu sempre achei a Guinness muito amarga! Até então, porém, eu jamais havia bebido uma pint, apenas tinha dado bicada na cerveja alheia e feito careta – tira isso da minha frente! Ela explicou que dar bicadas na cerveja é totalmente errado, pois desta forma, só se sente o amargor. O correto é – prestem muita atenção – respirar fundo, dar um grande gole e soltar o ar enquanto a cerveja é engolida. E juro, quando eu fiz isso eu achei o sabor da Guinness muito agradável! Não testei com outras cervejas para ver se o resultado seria o mesmo, mas acho que se um dia eu voltar a Irlanda, até topo pedir uma Guinness no pub!

Finalmente chegamos ao pub! No penúltimo andar eles dão um mini curso de como fazer a pint perfeita, porque há toda uma regra de como se deve colocar a cerveja no copo! Cada um tem o direito de fazer a sua e beber em seguida.

The perfect pint of Guinness!
The perfect pint of Guinness!

Eles, então, emitem um certificado dizendo que você sabe fazer “the perfect pint of Guinness” e você pode ficar à vontade para saborear sua cerveja. E por incrível que pareça, eu bebi a minha usando a técnica certa e gostei!

Finalmente, no último andar, tem um bar/restaurante de onde se tem uma visão 360º de Dublin. Well, o prédio não é muito alto e Dublin também não tem prédios altos ou atrações turísticas mundialmente conhecidas que pudessem ser vistas de cima, mas de qualquer forma, achei legal ver a cidade “de cima”.

Dublin, prazer!
Dublin, prazer!

Terminada a visita, a ideia era ir aos museus do centro da cidade, mas saí da Guinness quase às 17h, hora que os museus fecham. E como é inverno, já estava escuro também. Voltei para a casa e tive uma noite agradável com todos os envolvidos…

No dia seguinte, sim, fui turistar no centro: passei pelo Stephen’s Green, Grafton Street e Trinity College. Visitei a National Gallery of Ireland, depois o Museu de Arquelogia e, finalmente, o Museu de Artes Decorativas e História. Vale lembrar que os dois primeiros ficam em Dublin 2 e o último em Dublin 7 – e fiz todo o roteiro a pé, o que significa que neste dia andei demais! Todos os museus são gratuitos e cheios de coisa para ver.

Eu até cheguei a dar uma passadinha na Penneys (saudades) neste dia, mas como não poderia gastar muito antes de partir para os outros dois países, me contentei em pegar só o necessário: um par de luvas decentes. Eu tinha um par de luvas de couro que comprei nos EUA por coisa de 10 dólares e adorava! Um belo dia, levando os loirinhos no shopping, enfiei as luvas no bolso do casaco e elas caíram – fiquei bem chateada! Comprei um par por 9 euros achando que eram luvas sintéticas. Quando cheguei no Brasil e fui guardá-las me atento a etiqueta dentro da luva: 100% leather. Eh, dá pra dizer que fiz um ótimo negócio, só resta saber quando terei a chance de usá-las novamente.

Eu morei um ano em Dublin e nunca havia provado o “prato típico” local: fish&chips – eu raramente comia na rua, porque não é assim exatamente barato, então, a oportunidade acabou passando. Neste dia almocei o famoso! Paguei 4,95 euros achando que não me encheria: que engano! Comi até dizer chega e ainda sobrou! Nada de especial no prato, mas agora já posso dizer que comi!

No fim do dia, voltei para a casa da Bárbara exausta! Pedimos uma pizza (então, não estava com saudade de pizza irlandesa, não… haha), tivemos uma noite agradável com o Rick e o R., preparamos nossas malinhas e fomos dormir tarde, mesmo sabendo que às 3h40 acordaríamos para ir para nossa tão falada viagem! hehe…

Eu contra a luz na Grafton. Quem vê pensa que Dublin é ensolarada! hehe...
Eu contra a luz na Grafton. Quem vê pensa que Dublin é ensolarada! hehe…