Quatro meses em Oulu

Quatro meses em Oulu e bem, no momento nem estou na cidade, mas claro que não poderia deixar de postar o resumo de mais um mês morando na Finlândia, essa fria.

Quatro meses e…

… eu nunca usei 3G aqui! Não tenho plano de dados e estou vivendo muito bem. Tenho wifi em casa e na universidade (sim, gente, tem wifi free e ilimitado dentro das salas de aula) e estes são os lugares onde mais passo tempo. Se saio, não é difícil achar wifi – tem sinal em todos as bibliotecas e edifícios públicos e em todo o centro. É uma cidade pequena, mas moderna.

… na verdade, eu nunca nem coloquei crédito no meu celular! Ganhei um chip com crédito no meu kit de calouro e como só ligo para as pessoas quando saio e me perco, eu ainda não zerei esses créditos.

… o prometido frio de -30 graus ainda não chegou, mas já peguei -17 e sobrevivi! E não é que sobrevivi dentro de casa com aquecedor, sobrevivi pedalando na rua. Por incrível que pareça, por aqui ser um lugar seco e não ventar muito, -17 é muito suportável quando você está adequadamente vestido.

… pedalei na neve e vi que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Se ela ainda está fofa, não há perigo nenhum, porém cansa muito mais, pois é quase como se estivesse pedalando na areia. Além disso, o fato de estar tudo branco confunde um pouco, porque é difícil saber onde é asfalto e onde era grama, além de me fazer perder as entradas onde devo virar, porque vamos combinar que se guiar pelas árvores quando está tudo branco não é a coisa mais fácil do mundo.

… e pedalei na neve derretendo também e bem, aprendi com minha própria experiência que escorrega. E só para ter certeza que aprendi mesmo, eu cai e rasguei a calça.

… precisei comprar um acessório com “ganchinhos” para colocar nos calçados. Isso não tem nome em português – por motivos óbvios – mas em finlandês se chama “jääkengät“, algo como “sapatos de gelo” e serve justamente para aqueles dias que a neve começa a derreter e a rua parece um grande rink de patinação. Já usei e está aprovado.

É tipo isso, mas o meu tem ganchos maiores - só pra ter certeza
É tipo isso, mas o meu tem ganchos maiores – só pra ter certeza

… já nevou bastante aqui,e apesar de ainda não ter feito meu boneco de neve e nem o anjinho, fui andar no lago congelado perto de casa. Adorei!

Minha flatmate não bate bem da cabeça
Minha flatmate não bate bem da cabeça – só para constar, eu sou a de vermelho e estamos no lago

… chato dizer isso, mas já não me empolgo mais em ver a aurora boreal! No mesmo dia que pedalei curtindo -15 graus, olhei para o céu e lá vi a dama dançando toda verde. Pensei “legal”, segui em frente e não aceitei o convite das flatmates para ir ao terraço do prédio ver a aurora – eu estava muito cansada de pedalar na neve e estava fucking -15 graus, gente.

… não estou sofrendo tanto com o sol nascendo quase às 10h da manhã e se pondo antes das 15h.

… estou aliviada com o fim das aulas e não sei se muito empolgada para o início do próximo semestre.

… porém muito empolgada para começar minha pesquisa (juro que o post sobre ela ainda será escrito – paciência, gente). Tive reunião com uma das coordenadoras do curso e isso rendeu ideias e estou ansiosa para começar.

… e esse mês foi muito corrido, com leituras, aulas, trabalhos e livros!

… senti saudade de verdade da vida no Brasil pela primeira vez. Mas passou.

… adoro cozinhar e isso já se reflete na balança que, por motivos misteriosos, mostra um número maior do que mostrava em São Paulo.

… e fico feliz que vou ficar mais de um ano por aqui, porque senão já estaria quase na metade do intercâmbio.

E eu ainda gosto muito dessa Oulu pacata sem nada para fazer, mas com uma bela natureza!

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Winter is coming

Não, eu não assisto Game of Thrones e este post não tem nada a ver com a série – pra falar a verdade, eu nem sei em que contexto esta frase é usada nela.

Porém, esta é a frase que mais ouço dos finlandeses aqui – depois de mandarem eu tomar vitamina D, claro. Finlandeses parecem adorar falar do tempo, mas tem uma tara em falar do inverno. Adoram fazer carinha feia, falar que chega a -30 aqui, que é a maior escuridão, que novembro é feio, cinza, chuvoso e bobo, que o que salva janeiro é a neve, pois pelo menos “o branco da neve reflete o sol e faz parecer que está mais claro”. Tô pra conhecer um finlandês que não fale do tempo aqui e não adore assustar um estrangeiro recém-chegado falando do inverno.

Cheguei aqui no fim do agosto, então nem vi o verão, mas em setembro as temperaturas estavam chegando a 19 graus – o que é até quente para os padrões – e dava para andar só de camiseta em alguns dias. A primeira semana de outubro foi bem fria, chegando a fazer -6 graus logo cedo, mas logo depois voltou a subir e ficou na média dos 2-8 graus o resto do mês. Agora em novembro esfriou um pouco mais, não está mais passando dos 2-3 e a previsão para os próximos dias é de máximas na casa de 0-1. Apesar de vocês estarem carecas de saber que eu detesto frio, está muito suportável pra mim. O clima aqui é seco e venta pouco, então a sensação térmica não varia muito da temperatura no termômetro. A única coisa é que jamais posso deixar de usar luvas e gorro para pedalar, do contrário parece que tem 10 facas cortando minhas mãos e um tornado passando pelo meu ouvido! Em Dublin, o pico do inverno é parecido com as temperaturas daqui no outono e eu juro que eu não sinto nem 1/3 do frio que eu sentia lá! E agora que ficou mais friozinho, o interior dos prédios está mais quentinho, já que estão ligando os aquecedores pra valer. Eu agradeço.

Bem, mas mesmo sendo tímidos, os finlandeses não deixam o humor de lado e claro que iriam brincar com o inverno. Vejam, por exemplo, como dividem as estações do ano:

País ideal para os amantes do frio
País ideal para os amantes do frio

De fato, até que tem chovido bastante ultimamente. Chover aqui significa garoa fina constante, nem de guarda-chuva precisa. E a previsão do tempo de nenhum país poderá ganhar da TV finlandesa depois desta:

Confesso que ouço tanto essa frase que estou curiosíssima para encarar o inverno finlandês e no fim, ainda poder dizer que sobrevivi!

No dia 30 de outubro, caiu a primeira a neve, mas foi por pouco tempo e não chegou a acumular. Finalmente na última quinta nevou o suficiente para acumular e deixar Oulu com uma camada branca.

Yeah, winter is coming...
Yeah, winter is coming…

No dia seguinte, tudo derreteu, mas agora realmente passou a fazer sentido a frase winter is coming, apesar de o frio não estar nem fazendo cócega ainda.

Agora é me acostumar que nos próximos meses só verei a temperatura com um sinal de menos na frente, continuar usando a menor quantidade de
roupa possível para me manter aquecida e aguardar para ver como seguir uma vida normal quando tudo que você vê por quase 4 meses é neve.

Quem vê pensa que nunca viu neve na vida! hehe
Quem vê pensa que nunca viu neve na vida! hehe

Coisas de Finlândia #1

Apenas algumas observações minhas sobre as diferenças culturais e peculiaridades deste país nórdico. Ou, pelo menos, de Oulu.

  • Todos os acessos ao exterior de casas e prédios têm duas portas. A entrada do meu apê tem duas portas. Todas as entradas da universidade têm uma porta separada da outra por cerca de 1-2m. Todos os estabelecimentos comerciais também. E por que isso? FRIO. Ninguém quer que o ar frio do inverno entre, então ter um sistema com uma porta, um pequenino hall e outra porta ajuda a manter o interior aquecido.
A "porta dupla" na universidade
A “porta dupla” na universidade
  • As paredes aqui são muito grossas, principalmente as que dão para o exterior das construções. O R., que é arquiteto, me disse que no Brasil as paredes costumam ter 15cm de espessura. Eu fiz questão de medir aqui e a parede que separa meu quarto do mundo exterior tem o dobro, 30cm. Por que? FRIO.
  • As janelas têm 3 camadas de vidro! Tem uma primeira camada mais fina com um vidro só e uma segunda camada com vidro duplo. Acho que você já deve imaginar o motivo, mas se não… FRIO.
  • Os finlandeses ainda se sentem muito confortáveis numa temperatura de 0 grau e, em sua maioria, estão usando roupas que paulistanos usariam quando a temperatura cai pra 16 graus em São Paulo. Afinal, pra eles, 0 grau é aquele tempo fresquinho.
  • Há todos os tipos de leite possíveis e imagináveis no mercado e eu só não vou descrever todos porque, bem, tá em finlandês e eu não entendo tudo. Eu sei que leite integral é meio difícil de ser visto, o mais comum é o desnatado. Tem leite sem lactose (que eu comprei uma vez achando que era desnatado e tinha gosto de água suja) e ele custa o mesmo que os outros leites. Tem um tal de leite azedo, o piimä, que eu ainda não tive vontade de experimentar. Enfim, uma nação que ama leite.
  • Tanto ama que bebe nas refeições. Eu já tinha visto criança beber leite no almoço e jantar nos EUA e na Irlanda, mas aqui até adulto faz isso. Minha flatmate finlandesa faz também, já vi.
  • E apesar de beberem tanto leite – um finlandês bebe, em média, 140 litros por ano – cerca de 17% da população é intolerante a lactose…
  • E por isso é muito comum ver produtos sem lactose em restaurantes e mercados. Eles tem o Hesburger, que é o “McDonald’s finlandês” e achei incrível quando fiquei sabendo que eles vendem lanche sem lactose!
  • As crianças são educadas para serem muito independentes desde cedo e não é difícil ver uma criança de 6 anos sozinha andando ou pedalando indo para a escola. Já vi várias crianças sozinhas na rua!
  • Confiança. Aqui minha impressão é que eles sempre vão acreditar na sua honestidade até que se prove ao contrário e vejo isso nos mais diversos contextos. Na faculdade, um prédio enorme  e cheio de gente circulando o dia todo, tem racks para os alunos pendurarem seus casacos, gorros, luvas etc e não precisarem ficar carregando toda essa roupa de uma aula pra aula. O mais incrível é que quando você voltar, seus pertences estarão lá. Eu posso entrar na biblioteca com minha mochila e eu mesma posso fazer o empréstimo dos livros, sem ninguém me fiscalizando – claro que imagino que as portas tenham algum sensor, mas nunca testei… hehe…
Pode deixar o casaco aí sem se preocupar...
Pode deixar o casaco aí sem se preocupar…
  • No mercado, praticamente todas as frutas e legumes são vendidos por quilo. Você coloca a quantidade que quer dentro de uma sacolinha, põe numa balança e aperta o número correspondente àquele item. A balança imprime uma etiqueta e você cola na fruta ou na embalagem. A questão é… e se você pesar 3 bananas e depois colocar mais uma? Se você colocar o código de uma fruta mais barata? Claro que na etiqueta também está escrito o nome do produto, mas enfim… estaria eu usando muito minha desconfiança de brasileiro?
Bannani
Banaani – Aqui a expressão “preço de banana” não tem o mesmo significado…. haha…

Algo te surpreendeu?

 

Dublin, we don’t belong together

No último post sobre o rolezinho na Europa (que eu levei praticamente 6 meses para contar tudo – ufa!), falei sobre aquela sensação de estar em Dublin e sentir que eu não pertencia àquele lugar. Pois vamos por esta história aí a limpo (e já pega a pipoca, que o post será longo).

Eu já tinha morado fora antes – fui au pair em Denver, Colorado, nos EUA entre 2008 e 2009. Foi minha primeira experiência longe de casa e foi uma ótima experiência. Eu adorava a cidade, pois apesar de ser uma cidade relativamente grande (500 mil habitantes na época), tinha todo aquele ar aconchegante de cidade pequena. O clima me agradava – verões quentes e secos e invernos gelados com muito neve, PORÉM, os dias eram sempre ensolarados e eu tinha minha dose diária de vitamina D e alegria. A família que me acolheu era ótima: me respeitavam, respeitavam as regras do programa, me incluíam nas atividades em família, me ajudavam com inglês e eu amava as crianças. Fiz amigas que até hoje mantenho contato. Tive a oportunidade de conhecer várias partes dos EUA e também viajar para a Europa e, como se tudo isso não bastasse, eu ainda tinha minha própria suíte e ganhava um pocket money que me permitia fazer tudo que estava com vontade: cinema, balada, compras, viagens. Foi um ano muito gostoso e que me deixa cheia de nostalgia. Não tive a oportunidade de voltar aos EUA ainda, mas certamente visitaria a cidade cheia de lembranças boas e saudades.

Pula aí uns 3 anos.
Entre 2012 e 2013 eu morei em Dublin, capital da Irlanda. Vocês já sabem que só fui fazer intercâmbio novamente porque a vida estava meio sem graça por esses lados e achei que morar fora de novo daria outra perspectiva de mundo pra mim. Ter sido au pair nos EUA realmente me marcou muito e despertou essa vontade de continuar viajando, conhecendo, descobrindo e aprendendo com outros lugares e culturas. E Dublin foi escolhida pelo simples fato de “ah, o visto é fácil e pode trabalhar”. Sei que agora a situação está mudando muito e as regras para visto de estudante estão mais rígidas, mas há 3 anos estava tudo muito fácil e o euro, muito baixo.

No começo foi tudo festa, novidade e alegria! Mas eu odiava o clima da cidade! Como as pessoas vivem e conseguem ser felizes passando dias e dias sem ver o sol brilhar no céu? Eu ainda tive o azar de pegar um dos invernos mais frios dos últimos tempos e isso me causou um trauma pra vida toda: eu detesto o frio desde então! Minha relação com o frio não era assim tão ruim antes de morar em Dublin. Em Denver eu cheguei a pegar -27 graus. ME-NOS VIN-TE E SE-TE. E lá nevava. Sabe neve? Aquela coisa que você acha super linda quando vê nos filmes e morre de vontade de ver porque, né, você é brasileiro e não tem dessas coisas por aqui. Neve é realmente muito legal no primeiro dia, super divertida no segundo, bacana pra caramba no terceiro, mas aí você precisa viver sua vida: sair, trabalhar etc e aquela neve toda passa a não ser assim aquela última Trakinas de morango do pacote. E ainda assim, o frio e eu ainda tínhamos uma relação amigável. Mas em Dublin é frio e chuva na sua cara sem dó, isso quando não vem aquele vento a 80km/h fazendo sua sensação térmica despencar e parecer que seu freezer é mais quentinho. E o sol? Eu preciso ver sol para me sentir feliz e Dublin não é assim exatamente um local ensolarado. Resumindo: eu detestava o clima da cidade e até hoje detesto sentir qualquer friozinho – e tô amando esse inverno paulistano 2015 fazendo 27 graus! ❤

Inverno em Denver - eu até achava legal!
Inverno em Denver – eu até achava legal!

“Putz, Bia, não aguentou um friozinho?”
Confesso que o frio que passei lá tem um papel importante nessa história toda, mas tem mais. Dublin é praticamente uma colônia brasileira e você pode tranquilamente viver lá sem falar inglês, porque até na sua escola você vai achar alguém pra te explicar as coisas em português. Ah, mas você pode fazer amizade com pessoas de outros países e ignorar os brasileiros. Pode, mas olha, você vai ter muito trabalho e tiro o chapéu se você me disser que morou lá um ano e conseguia manter distância de brasileiros. E é até natural a gente querer fazer amizade com o “igual” quando se está no exterior – eu, na reta final da vida de au pair nos EUA, só tinha amiga brasileira – a gente precisa procurar alguém que vai nos ouvir, entender nossa língua e saber do que estamos falando. Mas sabe, em Dublin isso excedia o limite. E bem, onde tem muito brasileiro vai ter muita coisa brasileira. Eu já não tinha paciência para páginas de facebook feita por brasileiros e todo aquele mimimi, e aquelas festas com música brasileira e záz. Eu compreendo isso quando a pessoa muda de país porque, sei lá, foi transferida pela empresa ou se casou com um europeu, mas quando a pessoa deliberadamente escolhe morar lá e para aprender inglês, desculpe, eu não entendo, não. Fizesse um CNA por aqui mesmo que economizaria mais.

Além de tudo isso, eu acabo associando Dublin com alguns eventos pessoais não muito agradáveis como o dia que arrombaram minha casa e roubaram meu laptop, o desaparecimento misterioso do meu passaporte e pessoas que não são assim tão legais e só conheci porque estava lá. É óbvio que muita coisa boa aconteceu também! Conheci pessoas maravilhosas que ainda são amigas, a família dos loirinhos era fora de série e pessoas mais que maravilhosas também e tirei meu CAE por lá. Mas enfim, nosso cérebro age de maneiras misteriosas, não é mesmo? E o meu agiu assim.

Pula 1 ano e meio.
Início de 2015 e lá estou eu passeando novamente pelas ruas de Dublin. Apesar de tudo isso, esse dramalhão mexicano que escrevi, eu ainda sentia muita saudade de Dublin, ficava a todo momento lembrando de lá, imaginava se um dia voltaria e enfim, eu realmente sentia uma nostalgia. Vocês nem imaginam minha alegria quando comprei as passagens para visitar a Fair City novamente. Aí, estou eu lá linda do baixo alto dos meus menos de 1,60 de altura andando pela cidade e tendo altos flashbacks da época que morava lá e passava regularmente por tais lugares e não estava tendo nenhuma reação além de reconhecer o local. Cheguei na casa onde morei e fuén… nada! Passei pelo centro e “oh, que legal, passei muito aqui” e só. Eu me senti um corpo estranho andando pela cidade que eu conhecia quase tanto como São Paulo. Foi aí que meu castelinho de saudade e nostalgia se desfez e percebi que, ehhh… até que foi legal na época, mas acabou. No hard feelings, o problema não é você, Dublin, sou eu. Não senti vontade nenhuma de voltar a morar lá ou sequer de voltar para visitar e fiquei com a clara sensação que aquela visita serviu como um “Adeus e obrigada por tudo”, pois agora estou pronta para deixar você partir.

Até então, eu ainda olhava no relógio e calculava que horas eram por lá e no app de clima do celular, eu ainda mantinha Dublin e sempre checava o quão horrível o tempo estava na cidade. Bem, eu ainda escrevia aqui no blog sobre a capital irlandesa! Tudo isso acabou quando peguei o avião de volta ao Brasil e tive a certeza que Dublin não era meu lugar. Não me entendam mal: não estou cuspindo no prato que comi ou desaconselhando quem quer que seja a ir para lá. Dublin é a mesma pra todos e, ao mesmo tempo, é única para cada um – e só você pode dizer aonde você pertence e se sente bem e, (in)felizmente, notei que Dublin não é mesmo meu lugar.

Apesar de tudo, acredito que a visita foi muito importante para eu finalmente me desapegar e focar em outros objetivos. Eu sempre vou lembrar das coisas boas que esse intercâmbio me trouxe e, com sorte, deixar no passado as coisas ruins que vieram como consequência disso também. Fico feliz por ter tido a oportunidade de fazer um segundo intercâmbio e com certeza aprendi e amadureci muito com todas as experiências boas e, principalmente, as ruins.

E com este post encerro o blog que comecei para escrever sobre a vida em Dublin. Oh wait… não encerro o blog literalmente, mas não vou mais escrever sobre Dublin – seja para falar de mudanças ou citar meus tempos lá, mas o blog continua. Meu segundo intercâmbio ficará por aqui apenas como arquivo, pois agora minha vida e, consequentemente, este diário online, mudam de rumo! Em breve começarei a escrever sobre “isso”. Eu sei que vocês devem estar imaginando que sabem o que vou fazer… eh, estão no caminho certo, mas tenho certeza que ficarão bem surpresos! 😉

[fazendo suspense para vocês continuarem lendo o blog]

Goodbye, so long, farewell!
Goodbye, so long, farewell!

Madri – templo egípcio, parque del retiro e zaz!

O último dia em Madri estava gelado! Em Barcelona fazia um friozinho chato logo cedo, algo em torno de 6 graus, mas lá pela hora do almoço já dava até para ficar sem casaco. Madri é mais geladinha e neste dia acordamos com -2 graus. A ideia era visitar o Templo de Debod, um templo egípcio que foi levado a Madri.

O templo
O templo

O laguinho que aparece na foto aí em cima estava congelado! Ok, não congelado tipo “vou patinar”, mas tinha uma camada de gelo por cima, ou seja, a temperatura estava negativa mesmo. Bem, mas aí você me pergunta: por que tem um templo egípcio na capital espanhola? E eu explico: porque iam jogar fora para construir uma barragem no local, lá no Egito, aí resolveram largar na mão dos espanhóis. Claro que essa é a minha versão, se quiser algo mais sério (Wikipedia é séria?), clique aqui.

O templo não é muito grande, mas é permitido visitá-lo inteiro por dentro. Ok que na parte de dentro também não tem muito a se ver, a não ser ler as explicações do uso de cada cômodo e tentar ver os desenhos nas paredes com a pouca luz que entra. Eu recomendo a visita? Se você estiver com tempo e procurando o que fazer, sim, recomendo, além do que, é de graça. Se estiver numa visita corrida, pode deixar pra próxima.

Brincando de fotógrafa
Brincando de fotógrafa

Depois da visita, tomamos nosso rumo de volta a parte mais central de Madri e por mero acaso, passamos em frente ao Palácio Real justamente na hora que havia um burburinho – não sei bem o que era, mas havia carros saindo e a guarda real estava do lado de fora. Não era exatamente uma troca da guarda, mas eles estavam marchando e tal. Sei lá, gente, apesar de ser algo bonitinho e panz, eu ainda acho tão medieval essa história de rei, rainha, palácio e troca da guarda, por mais que os monarcas estejam lá só de enfeite como em alguns casos, ainda fico mais feliz com nossa república aqui. Mas vamos parar por aqui porque esse blog é sobre viagem e intercâmbio.

Um quê de troca da guarda
Um quê de troca da guarda

Do palácio, a fome nos guiou para uma região próxima ao restaurante Botin, aquele que é reconhecido como o mais antigo do mundo, onde resolvemos que iríamos almoçar. Era meio-dia e pouco e todos os restaurante estavam fechados, apesar de haver uma movimentação que indicava que os funcionários já estavam lá. Depois de muito vagar, notamos que em Madri, os restaurante só abrem às 13h, dá para acreditar?

Almoçamos aí
Almoçamos aí

No dito restaurante acima, havia o prato do dia, que consistia na refeição completa por 10 euros. Ora ora, um bom preço, né? Bem, primeiro que o gerente, que nos atendeu, parecia estar com muita raiva no coração naquele dia, porque falava com a gente como se tivéssemos feito algo ruim pra ele. Na hora de oferecer as opções de bebida, o filho da mãe disse que tinham refresco e eu logo me manifestei “opa, é isso que quero”. Bem, não sei se já comentei aqui no blog, mas eu não bebo refrigerante porque sou muito fresca saudável, e fiquei um tanto frustrada quando minha bebida chegou e era uma Schweppes citrus, não um suco de limão como eu estava esperando. E foi assim que aprendi que refresco em espanhol não significa suco – quem mandou não assistir Chaves à exaustão, né?!

Aí fui pedir a senha do wifi (ou “uifi”, como eles pronunciam em espanhol) e o gerente simplesmente virou e disse “não sei”. Educação mandou lembranças novamente. Pouco depois, nossa refeição chegou. A entrada era uma sopa de batata com carne – ehhh, não curti. Depois era frango, mas achei que viria um filézão de frango, mas que nada! Era tipo as coxinhas do frango no osso. Por fim, a sobremesa, um pudim bem mais ou menos.

Le franguinho espanhol
Le franguinho espanhol

Sobre a educação espanhola, incluindo o gerente do restaurante, eu não sei se posso generalizar e dizer que os espanhóis são meio grossos mesmo ou se apenas cruzei com alguns grosseiros. Às vezes também, o que eu considero grosseria a partir do meu ponto de vista brasileiro, na verdade, é apenas o jeito deles e eu estou apenas sendo dramática. E claro, tem a parte que eu acho a língua espanhola bem feia e isso não soa bem aos meus ouvidos.

Depois de mais umas voltas pela região e já alimentados, meu eu-alcoólico o destino nos levou novamente ao Mercado de San Miguel para a saideira: mais uma sangría deliciosa com tapas, também conhecidas como azeitonas. Gente, se eu pudesse recomendar apenas um passeio em Madri, eu diria “vá tomar sangría no Mercado de San Míguel” – demais!

Para encerrar a visita a Madri, fomos ao Parque del Retiro, um grande parque urbano com um laguinho. O dia estava bem gostoso, com aquele friozinho de inverno ainda, mas com aquele solzinho que faz parecer que a vida vale a pena. Infelizmente, como precisávamos pegar o voo para o próximo destino àquela noite, não podemos apreciar o parque com mais calma nem andar de pedalinho no lago, que é realmente muito bonito.

Parque del Retiro
Parque del Retiro

Por fim, passamos pelas Portas de Alcalá, situadas numa das entradas do parque e voltamos ao hostel para pegarmos nossas tralhas. As Portas de Alcalá foram construídas em 1778 para serem a entrada da cidade e hoje em dia é apenas um monumento bonito no meio da rua.

Portas de Alacalá
Portas de Alcalá

E assim terminou minha visita à capital espanhola. O acesso ao aeroporto a partir do centro da cidade é muito fácil e relativamente rápido de metrô. O ticket para o aeroporto custa em torno de 5 euros e a viagem toda dura mais ou menos uns 40 minutos e záz, você está dentro do aeroporto! O Barajas é muito grande e o guichê da Ryanair é nos confins do aeroporto, como era de se esperar, mas conseguimos chegar a tempo e deu tudo certo! No Barajas também tem wifi gratuito, mas por apenas 30 minutos, então use seu tempo wisely.

No próximo post, que se tudo der certo será em breve, minhas impressões da cidade. 😉