Sobre passar férias no Brasil

Desde pequena eu sabia que queria viajar pelo mundo – não que eu tivesse noção do que isso significava, mas me lembro de assistir documentários na TV Cultura mostrando outras partes do mundo e eu queria ver tudo com meus olhos. Lembro especialmente de ver um sobre Stonehenge, na Inglaterra, e o desejo de conhecer o lugar – o que aconteceu em 2009.

Stonehenge, 2009.
Stonehenge, 2009.

Desde a primeira vez que saí do Brasil em 2008, aos 20 anos, até agora já visitei ou morei em 25 países (e a lista vai aumentar em breve). Das vezes que saí a passeio, não fiquei fora mais do que 20 dias e das vezes que morei fora, passei meu um ano no exterior e voltei de vez até o próximo intercâmbio. Mas eu nunca tinha voltado ao Brasil para passar férias.

Como normalmente é mais barato comprar as passagens de ida e volta do que só um trecho, quando vim para a Finlândia eu já tinha minha passagem de volta, mesmo sabendo que eu teria que ficar no país por mais de um ano. A decisão de voltar ao Brasil ao invés de passar o verão na Terra do Papai Noel, a princípio, se deu por questões muito práticas:
1 – A passagem já estava paga.
2 – Se eu não a usasse, teria que comprar só o trecho de volta ao Brasil que, no fim das contas, acabaria custando mais ou menos a mesma quantia de comprar outra passagem ida e volta.
3 – Consegui um ótimo preço nas passagens, pagando menos ainda do que da primeira vez.
4 – Passagens emitidas no Brasil e com voo de origem no país também têm franquia de 2 malas de até 32kg. Se eu abrisse mão da volta, ao retornar ao Brasil a franquia cairia para 23kg. Eu sempre trago muitas tralhas comigo.

Depois da viagem ao Leste Europeu, era hora de retornar a terra tupiniquim. Eu estava muito ansiosa e curiosa: como é ir ao lugar onde você nasceu e foi criada, sabendo que é só para as férias?

Paulista
Paulista

Foram exatos 70 dias na cidade. Não voltei a rotina normal, pois obviamente não estava trabalhando, embora tenha continuado com meus trabalhos freelance. Foram 70 dias vendo alguns amigos que me procuraram (que eu já passei da fase de correr atrás dos outros), visitando lugares que gosto, comendo toda a comida que queria (e assim recuperando os 2kg perdidos na Finlândia e ainda ganhando mais 0,5kg de brinde), praticando kung fu (umas das melhores coisas de estar em São Paulo) e amando estar com minha gatínea, aquela linda. ❤

Prazer, Mafalda.
Prazer, Mafalda.

O que me intrigou muito mesmo foi que eu não senti que havia passado exatos 9 meses fora e retornado. Não me senti a estranha no ninho, não achei nada estranho, não estive nem perto de ter depressão pós intercâmbio, não senti que tudo continuava igual e eu havia mudado. Foi como ter ido passar um final de semana na praia ali do litoral de São Paulo mesmo e voltado.  Quando voltei dos Estados Unidos, em 2009, eu fiquei extremamente deprimida; em 2012, depois da Irlanda, não cheguei a este ponto, mas fiquei muito tempo nostálgica e com saudade do estilo de vida que levava lá. Desta vez, nada. Cheguei a triste conclusão que esta história de ir pra um país diferente, me adaptar, voltar ao Brasil e readaptar e tudo que isso engloba já virou “rotina” para mim. Achei isto um pouco triste, porque parece que a faísca de experimentar o novo já não é igual e isso tira um pouco de empolgação. Por outro lado, talvez tenha chegado ao ponto de realmente ser uma pessoa super flexível e capaz de me adaptar ao contexto em que estou. De qualquer forma, hoje em dia, até as longas viagens de avião não me parecem mais algo incomum – entrar no avião com destino a Paris para retornar a Finlândia pareceu tão normal quanto pegar minha bicicleta e ir ao centro da cidade em Oulu.

Outras impressões e fatos das férias no Brasil:

  • Achei o mercado muito, muito, mas muito caro! Tão caro que voltei pra Finlândia achando que fazer mercado aqui é, no mínimo, ok mesmo com euro a mais ou menos 3,80.
  • Eu só tenho rinite porque moro em São Paulo. Eu sempre tenho um pequeno estoque de antialérgicos quando viajo, mas morando numa floresta, vulgo Oulu, usei cerca de 20% dos medicamentos que trouxe e a maioria por conta de ataques de sinusite quando o tempo esfriava muito. Os 80% restantes eu usei no período que fiquei em São Paulo, claro.
  • Fez “muito frio” na cidade em algumas semanas: 4 graus. Todos reclamavam e eu fazendo cara de paisagem: não estava com tanto frio assim.
  • Mas fez quase 30 graus na maioria dos dias e não fiquei triste de ser de um lugar que o inverno pode ser quente.
  • O que mais me incomoda em estar na cidade, especialmente depois de morar na pacatíssima Oulu, é a segurança pública. É realmente triste ter medo de chegar em casa tarde sozinha por conta da falta de segurança. Quando penso em voltar a morar no Brasil, isto é uma das coisas que mais me deixam preocupada.
  • Adorei voltar a praticar kung fu! Foi apenas tempo suficiente para relembrar tudo e praticar, já que meu shifu não me autorizou a trocar de faixa sendo que eu iria parar de novo. Mas logo eu volto (sim) e a faixa roxa me espera.

No fim das contas, foi uma experiência bacana e gostei muito de ter voltado ao Brasil. Vim para a Finlândia com uma mala cheia de comida, claro, para terminar meu mestrado aqui com menos saudade. E a vida continua em Oulu…

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Hiato

Não escrevo no blog há 9 dias e não escreverei nos próximos 5, pelo menos.
Minha última semana foi bem agitada e estou sem tempo para escrever nesta e assim o blog fica de “férias” por estas duas semanas.
Tenho muita coisa para falar (sempre tenho) e quando voltar a escrever, acho que vou no ritmo de um por dia para dar conta. 🙂