CPE – e agora, Bia?

Ontem eu fiz o Speaking do CPE que, ao mesmo tempo em que é assustador, é rápido (16 minutos). Tá, nem é tão assustador, mas se imagine numa situação em que você está completamente ciente de que está sendo avaliado e precisa provar que sabe falar inglês? Situação de fala super espontânea, ao contrário.

O atual exame é dividido em 4 partes e amanhã farei as outras 3. Hoje tomei vergonha na cara e decidi estudar um pouco (sim, porque a vida é muito curta para ficar estudando com antecedência). Seguem minhas conclusões:

1) Ou você sabe todos os phrasals verbs possíveis e imagináveis ou você sabe. Só aqueles básicos do dia-a-dia não te ajudarão em nada;

2) Quem presta o CPE, suponho, tem capacidade para conseguir o certificado. Ou seja, fala um inglês legal. Mas você precisa falar tudo que você já sabe em inglês usando vocábulos que nem os nativos costumam usar, o “inglês difícil”. Mas será que eu sei falar o português difícil?;

3) Use moreoverhoweverthusthereforenevertheless e cia sempre que possível. Eles amam;

4) O listening não testa seu listening (supresa!), mas sua capacidade de ouvir, ler, pensar e responder às questões ao mesmo tempo. E daí que você entendeu cada palavra que ouviu? Se você não conseguiu ler o enunciado e as alternativas e responder ao mesmo tempo em que ouvia, teu bom listening não serve de nada;

Notaram que fiquei azeda, né? Fiz os simulados e não fui tão bem assim. O negócio agora é ir lá amanhã com a cara e a coragem, além de baixa expectativa. E sem broncas, galera, eu sei que deveria ter estudado antes, eu só queria vir no blog me lamentar um pouco com vocês. :)

Na pior das hipóteses, ganho outro certificado de inglês avançado, já que com notas entre 4,5 e 5,9, o Cambridge fica com dó e te dá o certificado no nível anterior. Com sorte, eu consigo o minimo de 6 e ganho meu CPE. Oremos.

Agora vou lá estudar um pouco mais.

O acaso vai me proteger

Eu sempre fui muito organizada com datas e prazos, mas ultimamente tenho andado meio cabeça de vento. Foram muitos acontecimentos nos últimos tempos (perdi passaporte, furtaram meu laptop blá blá blá) que desviaram minha atenção de algumas coisas como, por exemplo, o exame de proficiência de Cambridge. Apenas.

No fim de fevereiro fui ao centro autorizado perguntar sobre a prova de junho e como a de março ainda não havia acontecido, não pude me inscrever. Fiquei com a data na cabeça: 5 de junho.

Passou março, chegou abril e eu distraída da vida. Até que na quarta, por um motivo não diretamente relacionado ao exame, eu me toquei que precisaria confirmar a data do Speaking Test, que sempre acontece num dia à parte. Eu havia planejado fazer a inscrição hoje, sexta-feira, mas por conta deste motivo, resolvi ir ontem.

No caminho, me toquei que estamos no fim de abril e tentei me lembrar quanto tempo antes eu havia feito a inscrição para o CAE. Lembrei que as incrições se encerram 1,5 mês antes do exame e tive um pressentimento que eu estava um pouco atrasada. Mas fui.

Quando cheguei no local, logo na entrada havia um aviso em letras garrafais:

“Cambridge Exams
CLOSING DATE
25TH APRIL”

Parei, pensei “Que dia é hoje? Poooooutz!”
Isso mesmo, eu quase perdi a data de inscrição para o CPE e só não perdi por conta do acaso que me fez ir ao centro autorizado um dia antes do que planejei e porque a data do exame foi alterada para o dia 13 de junho, caso contrário, as inscrições teriam se encerrado na semana passada.

“O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraída…”
Amém? 😉

CAE da depressão

E ontem fui fazer o CAE. Tentei me lembrar da última vez que havia feito uma prova escrita para “provar” algo e acho que foi a FUVEST mesmo, em 2005 (sim, estou ficando velha).

Há alguns pontos em comum entre a FUVEST e o CAE: não fiz nenhum curso preparatório, não estudei de verdade e me preparei fazendo simulados. Mas eu tinha tanta certeza de que não passaria na FUVEST, que fui fazer a prova super zen, sem um pingo de nervosismo ou ansiedade: se eu não passar, faço cursinho e tento ano que vem, foi o que pensei. O clima não era o mesmo com o CAE, e dificilmente seria sabendo que eu desembolsei 160 euros para este exame.

Dito isto, vamos ao que interessa.

Novamente, a pontualidade britânica falhou e o exame começou com quase meia hora de atraso. Antes do exame, umas das funcionárias da escola (que acho que é professora lá) deu umas dicas sobre writing e listening. Achei meio estranho, mas tudo bem. Ela não falou o conteúdo da prova, só para deixar bem claro, mas deu aquelas dicas básicas: pense sobre o que vai escrever antes de começar, não se preocupe se não entender 100% do listening e coisas assim.

"Minha mãe mandou eu escolher este daqui..."
“Minha mãe mandou eu escolher este daqui…”

Reading

A primeira parte do exame foi o reading. Eu não estava muito bem quando comecei a prova, pois tive uma péssima noite de sono, e foi difícil me concentrar no que estava lendo. Depois de um tempo, peguei o ritmo. Meu problema foi administrar meu tempo, porque quando fiz os simulados em casa, não prestei muita atenção nisso e não calculei que da 1h15 de prova, eu deveria separar alguns minutos para passar as respostas para o gabarito. Eu achei a prova bem mais difícil do que as que havia feito para praticar, especialmente a última parte. Nela,você lê 5 depoimentos e precisa relacioná-los a comentários de acordo com o conteúdo. Nos simulados, os textos falavam de coisas bem concretas, palpáveis, mas no exame era muito abstrato. Me desesperei e acabei tendo que chutar algumas.

Writing

Na primeira parte, o exame pedia para escrever um relatório. Parei, pensei… “Qual é o formato de um relatório?”. Não pratiquei isto nem nas aulas nem em casa e a única coisa que conseguia me lembrar das dicas que li no livro foi “Um relatório pede um estilo semi-formal de escrita”. Bem, me certifiquei de que estava usando todas as informações fornecidas na questão e escrevi como achei que deveria, mas depois de uma pesquisa no Google, vi que talvez tenha feito algo um pouco diferente do esperado. Acho que fiquei dentro do limite de palavras.

Na segunda parte, dentre as opções dadas, escolhi escrever um artigo sobre moda. Pois é, por incrível que pareça, foi o que achei mais fácil de se fazer. Acho que excedi um pouco na quantidade de palavras, mas tenho certeza que acertei no formato.

Fiz os rascunhos relativamente rápido, depois revisei e terminei de passar à limpo 30 segundos antes do fim do exame.

Use of English

Quando comecei a fazer os simulados, achei que essa era a pior parte do exame, mas depois fui pegando o jeito. Fiz a prova toda em 30 minutos e usei o resto do tempo para revisar e pensar melhor nas questões em que estava em dúvida. Achei mais simples dos que os simulados.

Listening

Quando fui para a última parte do exame, eu já estava exausta, com dor nas costas de tanta tensão e querendo voltar logo para a casa. Foi a pior parte pra mim! O examinador dá play no CD e nos próximos 35 minutos da sua vida, você fica ouvindo as gravações. Definitivamente, a prova de listening não é apenas uma questão de entender o que se ouve. Você não tem tempo de pensar depois que ouve cada gravação e, basicamente, precisa ouvir, ler e decidir a resposta certa ao mesmo tempo. Fiquei muito chateada, pois em uma das partes você ouve um texto de cerca de 5 minutos e vai completando as lacunas com as informações que ouve. Em todos os simulados que fiz, consegui fazer isto sem problema, ouvir o CD e ir completando sem precisar pausar, mas no CAE eu me perdi e não consegui pegar todas as palavras. Juro, isso me deixou muito chateada! 😦

Conclusão

Antes de prestar o CAE eu já tinha a opinião de que esse exame não prova muita coisa, assim como o vestibular (sempre tive resposta na ponta da língua pra quem vinha me falar “Ah, você é muito inteligente, passou na FUVEST” – not!). Os exames de Cambridge não provam que você sabe ou não falar inglês, provam que você sabe o inglês que eles querem que você saiba e que você estudou/entendeu muito bem o formato da prova.

Depois de fazer o exame, tenho certeza disto! Não é uma crítica negativa, afinal, eu quero o certificado e vou tentar até conseguir. Mas não venha esfregar seu certificado de proficiência na minha cara achando que você é o bonzão do inglês. Seu certificado me mostra que você sabe falar inglês muito bem E soube fazer a prova de Cambridge. Bem, como a própria examinadora falou antes da prova, quem está prestando o CAE com certeza tem um nível muito avançado de inglês e o que determina se a pessoa vai passar ou não é se ela tem a técnica do exame. Infelizmente, eu não tinha, especialmente no writing e listening.

Conheço pessoas quem têm CPE (um nível acima do CAE) e cometem erros gramaticas e de pronúncia, mas enfim, têm o certificado. Assim como conheço pessoas que falam inglês muito bem e não têm certificado nenhum. Got it?

Feito todo este discurso, não alimento expectativas de conseguir o certificado agora. Não acho que fui bem e não sei se consegui a média mínima de 60% para passar. O resultado sai no fim de janeiro e caso minhas previsões se confirmem, vou me matricular no curso preparatório da escola que aplicou o exame e tentar novamente em março, agora sabendo bem o formato da prova e com todas as dicas que os professores darão.