O drama do seguro saúde

Umas das exigências para emissão de visto de estudante finlandês é provar que você tem um seguro saúde e isso é meio de praxe para a maioria dos países. Como eu já contei nos posts anteriores, acabei optando por um seguro que a universidade indicou apenas porque ele era mais barato que todos os outros que cotei no Brasil.

Quando fui comprar o seguro pelo site eu tinha duas opções de seguro: o Integral e o Complement. Lendo as indicações no próprio site, eu entendi que deveria comprar o seguro Integral, que era mais caro, por não ser europeia, pois lá eles afirmavam que este seguro se destinava a quem não tinha nenhum tipo de assistência na Europa. E quem já teria algum tipo de assistência por lá? Sim, os europeus com seus acordos entre países. E eu sou uma reles portadora de passaporte azul.

Dois dias depois de ter comprado o seguro (e olha que eu realizei a compra um mês depois que o resultado da seleção foi divulgado), a universidade manda um email com orientações gerais com o seguinte parágrafo:

Please find information on Health Insurance attached. XXXXX Complement is a good choice for you, since you will have access to student health care once you have paid the Student Union Fee at the Orientation. This insurance is recommended since it is recognised by the Finnish Immigration Services and it speeds up the residence permit process. For EU citizens a health insurance is important, too, even if you have the European Health Card.”

Traduzindo para o bom português: vocês podem pegar o seguro mais barato mesmo porque vocês serão obrigados a pagar uma taxa para a universidade e terão direito a atendimento médico. Esse seguro aqui a galera da imigração já conhece, então acelera sua aprovação do visto. Ah, se você é europeu e quiser comprar um seguro, fica à vontade que mal não vai te fazer.

Minha reação ao ler o email
Minha reação ao ler o email

Fiquei bem indignada, para dizer o mínimo, com a universidade que só me manda este tipo de informação de utilidade pública mais de um mês depois de divulgar o resultado, sendo que eles mesmo recomendam que a gente dê entrada no visto assim que possível (mas eu sou desmiolada vida louca e fiz isso só um mês depois).

Eu já tinha pago o seguro, mas resolvi enviar um email para a empresa explicando a situação e perguntando se poderia mudar de plano e receber um reembolso, já que o plano ainda não estava ativo. Uns 4 dias depois eles me responderam e, para minha surpresa, disseram que já haviam feito a mudança de planos e pediam meus dados bancários para me enviarem o reembolso. Não gostei desta ideia e perguntei se não podiam fazer via cartão de crédito mesmo. Não, não podiam. Então liguei no meu banco para perguntar como funcionava para receber dinheiro do exterior e como achar os dados que eles pediam, tipo o IBAN, um número único que identifica sua conta bancária.

Com tudo em mãos, enviei meus dados para a empresa me reembolsar em meados de junho e aguardei pacientemente, mas nada de receber o dinheiro de volta. Então enviei um email perguntando sobre o reembolso e simplesmente não me responderam. Mandei outro. Sem resposta. Fantasma do outro da tela. Mandei outro, mas desta vez com cópia para uma funcionária da contabilidade que havia me enviado email explicando da impossibilidade de estorno via cartão. Aí me responderam em cópia, solicitando que outra pessoa X visse isso. Um mês e nada. Eu enviei mais emails cobrando e nada de resposta. Aí enviei um bem no esquema “Olha aqui, não tô pedindo nenhum favor para vocês. Se toparam me devolver o dinheiro, de-vol-vam. Eu tô pagando de trouxa tendo pago pelo plano mais caro, mas estando com o mais barato. Safadeza oculta Muita sacanagem isso aí!”

Responderam da mesma forma que antes: eu estava em cópia num email enviado a alguém da contabilidade pedindo para ver isso com urgência. Mas nada do dinheiro cair na minha conta. Quase um mês e meio depois de ter passado meus dados para depósito, eu já estava de saco cheio e passei a enviar email todo dia para todo mundo que eu tinha o contato. A chatona mesmo.

DOIS MESES depois, ou seja, semana retrasada, entrei no bankline e vi que tinha uma remessa internacional disponível. Aí vem a safadeza do banco: um tempo antes quando tentei enviar dinheiro para fora do Brasil, o banco me fez a taxa do euro turismo mais alta possível… mas para receber dinheiro, eu não sei de onde eles tiraram aquela taxa! No dia, o euro comercial estava 3,80, porém o banco considerou o valor de 3,53 para conversão! Aí contando que eu tive que pagar IOF e ainda uma taxa de 60 reais, a quantia que eu recebi em reais certamente não equivalia a atual conversão de euros!

Para me estressar menos com tudo isso, resolvi olhar o bright side: com o valor que me foi devolvido, o valor final em reais do seguro ficou em cerca de 1150, o que para um ano é um valor muito bom, ainda comparando com o valor que eu estava pagando mensalmente pelo meu plano de saúde daqui.

Moral da história: a Universidade de Oulu está parecendo uma USP finlandesa – informações pouco precisas – e precisar de bancos brasileiros para receber ou enviar dinheiro para o exterior é o pior negócio que você pode fazer! E jamais precise receber um reembolso de uma instituição fora do Brasil para o bem da sua sanidade mental!

A au pair Isaura

O programa de Au Pair não existe na Irlanda, não como na Terra do Tio Sam nos EUA. Na Obamaland, tudo é regulamentado pelo governo e, normalmente, nenhuma au pair é explorada ou mal paga. As regras são muito claras e as agências autorizadas cadastram as famílias e as meninas interessadas no mundo todo.

Tanto famílias como au pairs pagam para a agência. Nos Estados Unidos, elas são responsáveis por visitar a casa e checar que a família têm condições de receber uma au pair, orientam como funciona o programa, checam referências da família e oferecem 3 dias de treinamento para a au pair que eles contratarão. Do outro lado, a au pair recebe orientações sobre o programa e visto, faz teste de inglês e psicológico e prepara um dossiê com referências e sua experiência com crianças. A agência também é responsável por reservar as passagens aéreas (na ida, pagas pela família e na volta, parte pela au pair e parte pela agência) e dá assistência durante todo período em que a menina morar nos EUA com o visto de intercambista. Por que estou falando tanto de au pair por lá? Daqui a pouco vocês vão entender…

Vem ser au pair, vem?
Vem ser au pair, vem?

Já a Irlanda é uma terra sem rei, digo, sem regulamentação. Tanto é assim que recentemente o The Journal publicou uma matéria sobre a exploração deste tipo de mão de obra e o apelo do Centro dos Direitos do Imigrante na Irlanda para regulamentar a profissão, aliás, o programa de au pair. Há uma grande diferença entre au pair e babá. A primeira mora na casa e via de regra, é uma estrangeira que estuda no país e deseja morar com uma família pela troca cultural, melhora no idioma e economia enquanto a segunda é uma trabalhadora “normal” que vai e volta para sua casa todos os dias.

Mas o que vemos por aqui são famílias que exploram meninas e por outro lado, meninas que não se informam e ou se acham mais do que realmente são ou se deixam ser exploradas. Sem contar brasileiras que exploram outras brasileiras nesta história toda.

As famílias normalmente oferecem 100 euros semanais se a menina morar na casa, podendo chegar até 150 em alguns casos. É justo? Vamos comparar com os EUA, onde é tudo regulamentado. O salário mínimo americano é US$ 7,25/h (varia por estado, mas este é o mínimo nacional) e a au pair pode trabalhar até 45h/semana, ou seja, US$326,25 semanais. Porém, como considera-se que a família tem gastos extras por ter uma pessoa morando em sua casa, deste valor desconta-se 40% (alimentação, moradia, internet, luz, água etc), sendo que a au pair recebe US$ 195,75 atualmente. O salário mínimo irlandês é € 8,65/h e a au pair trabalha, em média, 40h semanais. Ou seja, € 346,00 – 40%= € 207,06. E aí, é justo? Claro que não posso aplicar as regras americanas na Irlanda, mas serve como base.

Eu não entendo muito bem como funcionam os descontos do salário de um trabalhador registrado na Irlanda, mas sei que pelo menos 20% é descontado do rendimento líquido de cada um. A childminder que trabalhe 40h semanais sem direito a fazer refeições na casa (porque ninguém come de graça numa empresa, come?), deveria receber € 276,80 (346,00-20%= 276,80) por semana ou pouco menos que isso se fizer as refeições (diria algo em torno de € 250,00).

Money no bolso é tudo que eu quero...
Money no bolso é tudo que eu quero…

A essa altura você deve achar que estou viajando na maionese, né? Não, estou apenas contando como seria o mundo ideal, que não existe. Aí você me diz que a childminder não tem registro e, portanto, não tem desconto de imposto e deveria receber integralmente. E eu respondo que se você aceita trabalhar sem registro não tem mais o amparo da lei assim como a au pair, que mora com a família, não tem como exigir seu pagamento justo porque não há leis para isto.

Neste impasse, as famílias se aproveitam (porque nenhuma delas é tão inocente para não saber que é ilegal pagar menos que o mínimo) e as meninas que precisam trabalhar para se sustentar são exploradas. Não bastasse isso, aqui na Irlanda existe a tal da “experiência”, um dia que a menina é convidada a trabalhar para a mãe ver se ela corresponde às suas expectativas. Ah, não é anormal este dia não ser pago. Neste post do blog Juntos Por Aí, a Camille conta sua experiência com este tipo de família.

Como se tudo isso ainda não fosse suficiente, existe uma “consultoria de au pair” por aqui. A primeira pergunta é como pode haver consultoria para um programa que, legalmente, não existe? Eu não tive experiência com nenhuma das consultorias (que eu saiba, atualmente, existem 3, todas prestadas por brasileiras) porque sempre soube que eu não precisava pagar por um (de)serviço que eu poderia fazer sozinha, mas muitas conhecidas (por desespero ou por estarem acomodadas) recorreram a elas e me contaram como foi. A Camille, no blog, também contou sua (péssima) experiência!

E como funciona? Você preenche um cadastro com seus dados e as “consultoras” passam a enviar sms com toda e qualquer vaga que apareça. Se você se interessar por alguma, responde e marca a entrevista e o resto é por sua conta. Não há orientação para nada e menos ainda assistência depois que a “cliente” conseguiu uma vaga. Não posso afirmar com certeza, mas imagino que as famílias não são devidamente orientadas e muito menos entrevistadas antes de receberem uma au pair. E o valor desta consultoria (?) fica em torno de 100 a 200 euros, em média, dependendo do pagamento que a família oferecer, o que, na minha opinião, já descaracteriza completamente um serviço de consultoria, pois creio que o valor cobrado seja referente ao tipo de serviço prestado e não ao pagamento que a menina vai receber. Mas a questão é: que serviço prestado? No começo deste post expliquei como uma agência trabalha para au pairs e famílias e creio que tenha ficado claro que, de fato, prestam um serviço e cobram por ele (algo em torno de US$ 300,00 para a au pair), porém, por que as tais consultoras chegam a cobrar até 200 euros por apenas te encaminharem para uma entrevista (elas não procuraram a melhor opção para você, acredite, te enviam para a primeira que surgiu)? Eu posso procurar contatos de famílias de graça na internet e tenho as mesmas vantagens que a consultoria me oferece: nenhuma, se algo der é errado, é problema meu como vou resolver! É como sempre digo, só há espertos no mundo porque existem trouxas (com perdão da expressão)!

Como não há regras, o jeito é saber jogar o jogo. Não, não ganho o mínimo por hora como childminder (e nem 98% das brasileiras que cuidam de crianças full time) e faço todas as minhas refeições na casa com exceção do jantar, porém não me sinto explorada. Na última semana, por exemplo, a família me deu dois dias de folga e mesmo assim me deram o pagamento completo da semana. O ideal seria mesmo que eles me pagassem por hora, mas acreditem que mesmo não pagando, eu ainda recebo um salário alto se comparar com outras meninas por aí. C’est la vie.

 

Estocolmo, Suécia

O primeiro país da viagem foi fácil: Reino Unido, libras e inglês. Já o segundo…

Eu não falo uma palavra em sueco, mas felizmente para mim, não é tão difícil achar suecos que falem inglês. Tudo bem que estes suecos trabalhavam em áreas turísticas. Fora isso, o país não usa o euro, mas a coroa sueca. Um euro vale cerca de 8,28 coroas suecas. Aí você pensa “Com uma moeda tão desvalorizada, a viagem deve ter saído quase de graça!”. Isso mesmo, mas ao contrário.

As passagens, porém, foram ridiculamente baratas: de Edimburgo a Estocolmo e de lá ao próximo destino custou 9 euros cada trecho já com as taxas inclusas. Em compensação, o ônibus da cidade ao aeroporto custou cerca de 12,50 euricos cada trecho. Coisas de Ryanair!

Quando você ouve “Estocolmo”, qual atração turística te vem à cabeça? Exatamente, nenhuma! A cidade em si não tem uma atração mundialmente famosa, mas é uma das cidades mais lindas que já visitei!

Lindo, não?
Lindo, não?

A primeira atração foi o Vasa Museum, o museu que mais atrai turistas na cidade. O museu abriga o Vasa, um navio construído no século XVII que afundou meia hora depois de sair do porto e foi recuperado no século XIX, sendo assim o único navio intacto que sobreviveu sua época. Cerca de 98% do navio é original e foi restaurada nas décadas de 50 e 60. O museu também conta com um tour guiado incluso no preço, cinema com um filme de 20 minutos sobre o navio e outras curiosidades. Achei muito interessante a reprodução dos rostos das pessoas achadas no navio, que ficou submerso por 333 anos. A partir dos esqueletos, os estudiosos conseguiram saber a altura, problemas de saúde e dietas das pessoas que morreram no naufrágio, além de deduzir como eram suas feições.

Como seria um dos mortos no desastre
Como seria um dos mortos no desastre

No fim das contas, concluíram que o navio afundou apenas 30 minutos depois de iniciar viagem por erro do engenheiro da época. O navio era pesado, estreito e alto demais para conseguir flutuar.

Maquete do Vasa
Maquete do Vasa

Aproveitando todo o frio e neve do lugar, a parada seguinte foi num rinque de patinação a céu aberto, no meio de praça. Por incrível que pareça, foi mais barato patinar lá na Suécia do que no Dundrum! O problema é que, além de eu ser péssima em qualquer esporte, incluindo patinação, havia neve no rinque, o que o tornava muito escorregadio… patinei pouco e bem devagar com medo de cair!

No dia seguinte, a ideia era conhecer Gamla Stan (centro velho em sueco) e passear pela cidade para apreciar a arquitetura e aproveitar a neve.

Sunshine, snow... :)
Sunshine, snow… 🙂

No Gamla Stan é onde ficam as lojinhas de souvenirs que, diga-se de passagem, são bem caras!

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Neve!
Neve!

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Museu
Museu

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Gamla Stan
Gamla Stan

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Agora chega de falar de coisa boa! O custo de vida do país é muito alto. Os hostels são caros, comer fora é extremamente caro e quando se percebe, o dinheiro acabou e não se fez nada! Foi o que aconteceu comigo, pelo menos. Em um dia em Estocolmo gastei mais que dois em Edimburgo. O hostel mais barato não sai por menos de 20 euros a diária, sendo que roupa de cama e café-da-manhã raramente estão inclusos, o que vai te custar uns 10 euros a mais quando fizer check-in. Não utilizei o transporte público, pois, novamente, me hospedei na região central e acabei não precisando. Estocolmo é linda, mas aconselho a preparar o bolso para visitá-la.

Preços na Suécia? Morri!
Preços na Suécia? Morri!

Outras atrações da cidade incluem os vários museus, dentre eles, o Museu Nobel que fiquei com vontade de visitar, mas estava sem tempo (e dinheiro).

Curiosidade

A Suécia é uma monarquia e a rainha Sílvia é alemã, porém filha de brasileira.

Dúvidas? Curta a página do blog no Facebook (ali no lado direto da tela) ou mande um email para umfabulosodestino@gmail.com. ;)

Consumismo

Todo mundo sabe que nos EUA se comemora o Thanksgiving e no dia seguinte tem a Black Friday, o dia em que as lojas fazem super promoções. Quando eu morava lá, passei o feriado em New York com a hostfamily. Resumindo, não comprei nada, primeiro porque não estava precisando e segundo, porque sei lá, não estava com grana a fim.

Na terra dos leprechauns não tem Thanksgiving, portanto, o Natal é o feriado mais importante e no dia seguinte, também conhecido como HOJE, as lojas começam a temporada de liquidações. Dizem que hoje é o melhor dia para barganhar, mas as promoções vão até janeiro.

Eu não estou com tanto dinheiro assim para gastar, mas saí para ver como estava o movimento. Não comprei muita coisa, mas os preços estavam bacanas mesmo. Claro, nem todas as lojas estavam no clima (algumas  nem abriram hoje) e nem tudo dentro da loja estava com desconto, mas deu para se divertir um pouco.

Obviamente, a promoção está no bolso de quem vê. Eu cheguei a ver este mega desconto da foto abaixo, mas ainda assim, está completamente fora da minha realidade!

Apenas 600 euros, não é mesmo?
Apenas 600 euros, não é mesmo?

Voltando ao mundo que pertenço, comprei uma saia preta na H&M por 7 euros. Na verdade, ela estava de 20 por 10 euros, mas notei que havia um pequeno defeitinho na peça e mostrei na hora de pagar. A caixa olhou e disse que poderia me fazer por 7 euros, se eu quisesse. Nem preciso comentar que já tentei fazer isso no Brasil e não colou, né? Irlanda, sua linda.

Acabei comprando também um casaco lindinho na Forever21 por puro consumismo mesmo, assumo e não me arrependo! Eu não precisava de um casaco novo (pense que eu já trouxe vários do Brasil) e não é o tipo de casaco que te protege de verdade do frio europeu, mas com certeza usarei muito quando voltar para a terra da chuva torrencial garoa. Acompanhe comigo: na etiqueta mostrava que o casaco custava 32 euros, mas estava pela metade do preço, 16 . Eu já fui toda feliz pagar, mas felicidade eu tive mesmo quando o caixa disse “8 euros”. Eu ainda confirmei se havia ouvido corretamente. “Sim, está pela metade do preço da etiqueta”. Fiz um ótimo negócio, não?

Dei uma passada na Penneys, que também estava com algumas promoções. Cheguei a pegar um sobretudo de lã que estava de 40 por 20 euros, mas ele não ficou muito bom em mim e resolvi não levar. A farmácia/perfumaria Boots estava com ótimas promoções de perfumes pela metade do preço e acabei ganhando meu presente de Natal! 🙂

Agora não sei se devo entrar numa loja sempre que puder para procurar barganhas ou se fujo de todas elas e evito gastar meus euricos. Dilema que me acompanhará até janeiro. Oremos.

Mais coisas de Irlanda

Você pode ler as primeiras “Coisas de Irlanda” neste post aqui.

*Depósito – Aqui existe a cultura do “depósito”, mas o engraçado é que é para tudo! O depósito seria um dinheiro a mais que se paga como um seguro, digamos assim. Quando se aluga um apartamento, paga-se um mês adiantado de aluguel de depósito, que será devolvido no fim do contrato. Se você tem luz em casa, a companhia vai te pedir 300 euros de depósito (para o caso de você não pagar alguma conta – porque não faz sentido nenhum eles cortarem sua energia por falta de pagamento, não é mesmo?). Se você comprar um celular num plano pós-pago, adivinha o que tem? Depósito. Ouvi dizer que até para conseguir emprego de rickshaw, hoje em dia estão cobrando depósito.

* TV é paga – No Brasil temos os canais abertos e os de TV a cabo. Os canais abertos são gratuitos, mas não na Irlanda. Eu não tenho TV em casa (e isto não faz a menor diferença para mim), mas ouvi dizer que existem cerca de 6 canais abertos que são do governo (RTE). Se você tiver uma TV em casa, precisa pagar 160 euros por ano por isso. Bem, “precisa” é modo de dizer, porque sabemos que muitos intercambistas importaram a TV à gato das terras tupiniquins e não pagam nada. Né?

*Feijão no molho de tomate – Aqui não se acha o nosso feijão no mercado para cozinhar. Mas é possível comprá-lo já  pronto em lata. Até aí, tudo bem, aposto que você já até ficou feliz… mas o feijão vem cozido no molho de tomate! Não posso nem dizer se é bom ou ruim, porque não tive estômago para provar. É, sou fresca para comer: se eu morei um ano nos EUA e não quis experimentar o feijão doce (eeeca), não é aqui que vou comer feijão no molho!

Delícia! Not!
Delícia! Not!

*Troco de 1 centavo Pare e pense: quando foi a última vez que você viu uma moeda de um centavo no Brasil? Quantas vezes já se perguntou por que existem lojinhas de 1,99, se você nunca recebe seu 1 centavo de troco? Pois se prepare, porque aqui na Irlanda você vai receber cada centavo de troco de volta. Sua compra deu 3,97? Ganha 3 centavos. Deu 2,99? 1 centavo. Mas também, se o total for 1,97 e você der 1,95, espere ser cobrado. O ruim é que como não temos o hábito de usar essas moedinhas, quando se percebe, tem uma coleção delas dentro da carteira.

*Knackers- Há muito mistério envolvido nos knackers. Teoricamente, são irlandeses de classe baixa, sem oportunidades (estudo, trabalho), que costumam viver de ajuda do governo, vivem no centro da cidade e não gostam de estrangeiros. Isto é o que todo mundo diz. Há vários boatos de que os knackers xingam, jogam ovos e ameaçam estrangeiros. Eu nunca vi nada do tipo. Para mim, o estereótipo de knacker é um cara vestindo moletom azul/cinza da Adidas, com sotaque irlandês muito forte e voz rouca de tanto fumar e beber. Mas não tema os tais knackers: se você não mexer ou não revidar alguma provocação boba e continuar seguindo seu caminho, nada vai acontecer. E outra, eles moram no centro, onde mora MUITO estrangeiro e tem MUITO turista. Imagina se eles fossem “atacar” cada pessoa que eles ouvissem falando uma língua diferente? O pessoal fala demais.

*Numeração das ruas- No Brasil, ou em São Paulo, pelo menos, a numeração das casas aumenta sentido bairro. De um lado da rua ficam os números ímpares e do outro, os pares. Aqui em Dublin pode ser meio confuso. A numeração começa no começo da rua e vai em ordem até o fim. Aí, do outro lado a numeração continua em ordem crescente até chegar a outra ponta. Ou seja, no começo da rua, do seu lado esquerdo pode estar a casa 1 e do direito, a casa 50. Deu para entender?

*Buy me, I’m Irish!- Aqui é um país pequeno que importa muita coisa de outros países europeus, especialmente do Reino Unido. Frutas dificilmente são irlandesas. Então, todo produto 100% produzido na Irlanda leva um selinho na embalagem, para incentivar os consumidores a comprarem. Se você pensar que no Brasil é exatamente o contrário, que quase tudo é produzido no nosso país e o diferencial é quando é importado, isso soa um pouco estranho, não? Eu achei.