O drama do seguro saúde

Umas das exigências para emissão de visto de estudante finlandês é provar que você tem um seguro saúde e isso é meio de praxe para a maioria dos países. Como eu já contei nos posts anteriores, acabei optando por um seguro que a universidade indicou apenas porque ele era mais barato que todos os outros que cotei no Brasil.

Quando fui comprar o seguro pelo site eu tinha duas opções de seguro: o Integral e o Complement. Lendo as indicações no próprio site, eu entendi que deveria comprar o seguro Integral, que era mais caro, por não ser europeia, pois lá eles afirmavam que este seguro se destinava a quem não tinha nenhum tipo de assistência na Europa. E quem já teria algum tipo de assistência por lá? Sim, os europeus com seus acordos entre países. E eu sou uma reles portadora de passaporte azul.

Dois dias depois de ter comprado o seguro (e olha que eu realizei a compra um mês depois que o resultado da seleção foi divulgado), a universidade manda um email com orientações gerais com o seguinte parágrafo:

Please find information on Health Insurance attached. XXXXX Complement is a good choice for you, since you will have access to student health care once you have paid the Student Union Fee at the Orientation. This insurance is recommended since it is recognised by the Finnish Immigration Services and it speeds up the residence permit process. For EU citizens a health insurance is important, too, even if you have the European Health Card.”

Traduzindo para o bom português: vocês podem pegar o seguro mais barato mesmo porque vocês serão obrigados a pagar uma taxa para a universidade e terão direito a atendimento médico. Esse seguro aqui a galera da imigração já conhece, então acelera sua aprovação do visto. Ah, se você é europeu e quiser comprar um seguro, fica à vontade que mal não vai te fazer.

Minha reação ao ler o email
Minha reação ao ler o email

Fiquei bem indignada, para dizer o mínimo, com a universidade que só me manda este tipo de informação de utilidade pública mais de um mês depois de divulgar o resultado, sendo que eles mesmo recomendam que a gente dê entrada no visto assim que possível (mas eu sou desmiolada vida louca e fiz isso só um mês depois).

Eu já tinha pago o seguro, mas resolvi enviar um email para a empresa explicando a situação e perguntando se poderia mudar de plano e receber um reembolso, já que o plano ainda não estava ativo. Uns 4 dias depois eles me responderam e, para minha surpresa, disseram que já haviam feito a mudança de planos e pediam meus dados bancários para me enviarem o reembolso. Não gostei desta ideia e perguntei se não podiam fazer via cartão de crédito mesmo. Não, não podiam. Então liguei no meu banco para perguntar como funcionava para receber dinheiro do exterior e como achar os dados que eles pediam, tipo o IBAN, um número único que identifica sua conta bancária.

Com tudo em mãos, enviei meus dados para a empresa me reembolsar em meados de junho e aguardei pacientemente, mas nada de receber o dinheiro de volta. Então enviei um email perguntando sobre o reembolso e simplesmente não me responderam. Mandei outro. Sem resposta. Fantasma do outro da tela. Mandei outro, mas desta vez com cópia para uma funcionária da contabilidade que havia me enviado email explicando da impossibilidade de estorno via cartão. Aí me responderam em cópia, solicitando que outra pessoa X visse isso. Um mês e nada. Eu enviei mais emails cobrando e nada de resposta. Aí enviei um bem no esquema “Olha aqui, não tô pedindo nenhum favor para vocês. Se toparam me devolver o dinheiro, de-vol-vam. Eu tô pagando de trouxa tendo pago pelo plano mais caro, mas estando com o mais barato. Safadeza oculta Muita sacanagem isso aí!”

Responderam da mesma forma que antes: eu estava em cópia num email enviado a alguém da contabilidade pedindo para ver isso com urgência. Mas nada do dinheiro cair na minha conta. Quase um mês e meio depois de ter passado meus dados para depósito, eu já estava de saco cheio e passei a enviar email todo dia para todo mundo que eu tinha o contato. A chatona mesmo.

DOIS MESES depois, ou seja, semana retrasada, entrei no bankline e vi que tinha uma remessa internacional disponível. Aí vem a safadeza do banco: um tempo antes quando tentei enviar dinheiro para fora do Brasil, o banco me fez a taxa do euro turismo mais alta possível… mas para receber dinheiro, eu não sei de onde eles tiraram aquela taxa! No dia, o euro comercial estava 3,80, porém o banco considerou o valor de 3,53 para conversão! Aí contando que eu tive que pagar IOF e ainda uma taxa de 60 reais, a quantia que eu recebi em reais certamente não equivalia a atual conversão de euros!

Para me estressar menos com tudo isso, resolvi olhar o bright side: com o valor que me foi devolvido, o valor final em reais do seguro ficou em cerca de 1150, o que para um ano é um valor muito bom, ainda comparando com o valor que eu estava pagando mensalmente pelo meu plano de saúde daqui.

Moral da história: a Universidade de Oulu está parecendo uma USP finlandesa – informações pouco precisas – e precisar de bancos brasileiros para receber ou enviar dinheiro para o exterior é o pior negócio que você pode fazer! E jamais precise receber um reembolso de uma instituição fora do Brasil para o bem da sua sanidade mental!

Rolezinho na Europa: uma introdução

Julho de 2014, véspera da viagem à Argentina.

Chego em casa e checo meus emails. Sempre tem um do Melhores Destinos e eu sempre abro e bato o olho para ver se tem algo interessante. Sempre tem algo interessante, mas nunca num mês interessante pra mim – ossos do ofício, só posso viajar nos meses de férias, quando tudo está, via de regra, mais caro e quase não tem promoção. Mas neste dia tinha.

Eu já estava com as malas prontas para ir a Buenos Aires no dia seguinte, mas o preço estava ótimo, a Bárbara e o Rick me convenceram que eu não poderia deixar essa chance passar (ai, como sou influenciável) e resolvi que iria me endividar com outra viagem sem nem mesmo ter desfrutado da dívida feita para a primeira. Esse negócio de sofrer de wanderlust pode ser um caso sério, juro. E assim comprei minhas passagens para passar férias na Europa, passar 19 dias dando altos rolês no hemisfério norte, mesmo sabendo que deixaria para trás um baita verão para passar frio. Sério, sofrer de wanderlust te faz fazer coisas que você não faria em CNTP (condições normais de temperatura e pressão).

Fui e voltei de Buenos Aires. Trabalhei. Andei de bicicleta. Tive encrencas com a USP. Trabalhei muito mais. Comi muito doce. Fui ao cinema. Dormi às vezes. Passei umas 2 faixas no kung fu. Zoei meu joelho. Passei finais de semana corrigindo provas. Trabalhei um tico mais. E assim, seis meses se passaram até que o dia 30/12 chegou e eu, ainda meio desorganizada, fui ao aeroporto suando horrores (eita, verão paulistano!) e com um casacão enorme na mão para pegar meu voo rumo a… Dublin!

Primeiro que meu voo saía do Terminal 3, o terminal novo e super moderno do aeroporto de Guarulhos. Eu já passei por alguns aeroportos mundo à fora, mas nunca vi nada tão moderno! O check in é apenas pela máquina e a gente só pega a fila do guichê para despachar a mala. O controle de passaporte é todo automatizado (é essa a palavra?) – eu coloquei meu passaporte no leitor, a primeira catraca se abriu, aí me posicionei em frente a câmera que se abaixou até ficar da minha altura (né?), bateu uma foto minha e me identificou como menina e liberou a segunda catraca para eu passar. Ou eu sou muito caipira ou isso é realmente muito moderno!

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Viajei de AirFrance e gostei muito do serviço e tal. O voo foi bem tranquilo e pela primeira vez uma refeição de avião me deixou satisfeita, sem contar que deram sorvete – a Lufthansa não me deu sorvete! Eu dei muita sorte porque consegui ficar na primeira fileira de poltronas, aquela com espaço extra para as pernas – não que eu precise de espaço extra, afinal, mal cheguei ao 1,60 de altura, mas enfim, foi um voo muito confortável e 10h30 depois, cheguei em Paris com temperatura de 3 graus. Cho-que. Lá precisei passar pela segurança novamente e que lerdeza! Peguei um voo da CityJet e 1h20 depois desembarquei em Dublin!

Quando cheguei lá em 2012, tudo era festa! A imigração era festa! Era.

“Hi.”
“Hi. What’s the purpose of you visit?”
“Tourism.”
“How long are you staying?”
“I’m leaving on the 16th.”
“Can I see your tickets?”
Mostrei a reserva de passagem de volta para minha terra.
“Oh, you’ve been here before.” – ele viu meus carimbos de entrada no país de 2013.
“Yes, I had a student visa.”
“Where’s your old passport?” – err… lembram que eu “perdi” meu passaporte? Aquele que tinha meu primeiro visto de estudante?
“Well, I lost my passport… but I have my GNIB here.”
Entreguei para ele, ele jogou meus dados no sistema e eu vi minha foto feia do dia que cheguei na Irlanda pela primeira vez aparecendo na tela do computador dele.
“What are you doing here?”
“I’m visiting friends and traveling to some other countries.”
“And where are you staying?”
“I’m staying with a friend.” – e entreguei a carta do R., um irlandês.
“Uhnn… is R. your boyfriend?” – danado, querendo me pegar no pulo!
“No, he is not.”
“How did you meet him?”
“He dates a friend of mine.”
“Uhn. Did you work when you lived here?”
“No, I just studied.” – eu jamais tive um trabalho formal na Irlanda, não tinha motivo nenhum de contar que eu trabalhei como babá, porque ele poderia me fazer mais perguntas e eu poderia me enrolar. Preferi bancar a ryca que foi para Europa só estudar.

Depois de todo o interrogatório, carimbou meu passaporte me dando exatamente a quantidade de dias que eu ficaria lá como prazo para sair do país. Ah, e disse que ficaria com meu GNIB. Eu, corajosa demais, resolvi perguntar porque ele não ia me devolver o GNIB. “It’s expired and we usually keep it.” Perdi, playboy.

A fila para a imigração levou uns 20 minutos, porque eu não era a única respondendo mil perguntas e vi gente sendo levado para a salinha. Eh, a Irlanda está mesmo fechando as pernas.

Quando saí do aeroporto, vi aquele lindo dia irlandês me esperando: céu cinza e frio. Eu estava tão cansada da viagem (que eu mal dormi), que me sentia anestesiada vendo as ruas de Dublin pela janela do ônibus. Não sentia saudade, nostalgia, alegria, nada! Eu reconhecia as ruas e só. Parecia apenas que eu havia viajado de férias e estava voltando para “casa”.

Quando cheguei na casa da Bárbara, minha ex-casa, tudo pareceu muito familiar, mas ainda assim, não estava sentindo nada. O fato de anoitecer por volta das 16h30 me deixou muito confusa também. Fui ao mercado e tentei comprar uma Kopparberg – guess what? Não havia levado meu ID e o cara não me deixou levar.

Tomei um banho, tirei um cochilo de 2h que pareceram apenas 5 minutos e fizemos a ceia de Ano Novo. Fomos para um pub no centro e, tipo, já tive Reveillons xoxos, mas o de Dublin certamente estará no topo da lista por muito tempo: sem fogos, sem festa, apenas uma contagem regressiva no pub e nothing else to do. Voltamos para casa e é óbvio que o sono não veio até quase 5 da manhã, né?

Eu fiquei mais 2 dias em Dublin, mas isso fica para o próximo post.

Viagem solo

Todo mundo deveria viajar sozinho pelo menos uma vez na vida. Eu confesso que eu achava muito deprimente viajar só porque isso, na minha cabeça juvenil, significava que você não tinha amigos, mas eu não podia estar mais enganada! Confesso que a primeira vez que viajei sozinha foi realmente por falta de companhia e num ato de extrema coragem resolvi que “bem, se não tem ninguém pra ir comigo, vou só… eu que não vou ficar mofando em Denver.” E partiu para uma das suas melhores viagens: San Francisco, Califórnia.

Depois que você pega o jeito da coisa, vai chegar uma hora que você não vai procurar companhia para viajar: você vai querer ir só! Vai ter aquela viagem que você vai pensar “uhn, preciso de um tempo comigo longe da rotina para relaxar, para tomar as minhas decisões e fazer as coisas na hora e do jeito que eu quero”.

Sua viagem, você manda

Viajar em grupo sempre é aquela coisa: onde NÓS vamos e você acaba indo a lugares que não queria porque, né, vivemos em democracia. Não que isso seja o fim do mundo, afinal, seus companheiros também vão acabar indo a algum lugar só porque você queria, mas quando você está só, escolhe onde quer ir, a hora que quer ir e se quer ir. Simples assim.

Seus horários, seu roteiro

A ideia hoje era ir num parque, mas aí você acordou com vontade de ir no museu. Pronto, não precisa discutir isso com ninguém! Deu vontade de comer num restaurante mais caro? O dinheiro dá? Você vai, não precisa discutir o budget da galera inteira.

Sozinho, mas sempre acompanhado

Viajar em grupo te prende ao grupo: pra que fazer amizades se você já tem as suas ali com você? Mas se você estiver só num hostel e a fim de conhecer gente do mundo todo, com certeza vai achar muitos outros viajantes solo por aí. Eu não sou o tipo de pessoa extrovertida que vira BFF em minutos, e, normalmente, quando viajo só aprecio minha solidão nômade, mas se puxarem papo comigo, what the hell, vamos conversar! Já tive parceiros de viagem por um dia conhecidos por aí em San Francisco, Amsterdã e Paris, por exemplo, e quase rolou em Bruxelas também. E (quase) todo mundo tá no Facebook até hoje!

Budget

Nem sempre o seu budget acompanha os dos outros viajantes. Uns são mais gastões, outros toparam viajar, mas tem lá suas restrições. Viajando só você não se preocupa com isso e só toma conta do seu porquinho. Fui para Bruxelas e Amsterdã numa vibe “vou gastar mesmo” e como não tinha ninguém comigo para dizer o contrário, eu gastei MESMO!

Terapia de viagem

Passar tanto tempo só, sem jogar conversa fora com ninguém. Horas dentro de um trem, ônibus ou avião sozinho, noites solitárias no hostel (se assim preferir). O que você faz? Pensa na vida, avalia planos para o futuro, busca soluções para probleminhas, se avalia… eh, gente, é uma terapia das boas! O problema é se você tiver seus monstrinhos e precisar encará-los…

Sensação de total liberdade e independência

Fazer o que quer, na hora que quer, se quiser e ninguém pra discordar ou meter o bedelho. Tomar as suas decisões e descobrir do que gosta e do que não gosta, afinal, não tem ninguém pra pensar ou decidir por você. É se conhecer melhor.

Selfies

Se for um amante de fotos, especialmente de fotos SUAS, aí temos um problema, pois terá que tirar muitas selfies ou ter paciência de pedir para outros turistas tirarem fotos suas. Eu passei um pouco dessa fase louca de querer muitas fotos. Claro que quero sim uma foto minha com a atração turística ao fundo, mas não é o objetivo da viagem sair bonita e sexy em frente ao muro Berlin ou do Big Ben, mas registrar o momento. Até porque, quem me conhece sabe que eu não posto as fotos de viagem no Facebook depois… hahaha… Posto uma meia dúzia e o resto é meu, lembrança minha! 🙂

Já te convenci que viajar só pode ser uma ótima ideia?!

Como organizar sua viagem

Eu adoro viajar, mas eu detesto planejar uma viagem. É chato, cansativo, toma tempo! Mas eu não sou fã de agências de viagem porque acho que se fica preso a programação, o que não é um problema em si, mas tira um pouco a autonomia. Fiz pouquíssimas viagens assim e uma delas foi ao Peru. Confesso que foi muito cômodo ter todo o roteiro prontinho na mão, com transfers agendados para me levar a todos os lugares, mas fazer tudo por conta dá uma sensação maior de independência. Eu prefiro.

E como organizar o passo-a-passo de uma viagem?

Destino

Parece óbvio, mas escolher o destino é o primeiro passo. Ou não. Às vezes o destino te escolhe. Já tenho uma viagem marcada [suspense] e embora seja para um lugar que eu tenho vontade de ir há muito tempo, não estava planejando ir para lá agora. Mas sabe como são as coisas, achei passagens baratas, então, destino X, te vejo em breve! ^^

Passagens

No caso de você escolher o destino primeiro, a dica é checar sites de companhias áreas e, principalmente, sites de promoções todo dia até achar algum preço vantajoso. Eu indico o Melhores Destinos, Viajenet, Decolar, Submarino Viagens e por aí vai. Se for para a Europa (mas não só), às vezes vale muito a pena pesquisar rotas alternativas para chegar até o destino planejado e, de brinde, visitar outros países e cidades. Quando fui para a Polônia, a Suécia não estava no roteiro, mas como saía mais barato parar lá antes do que comprar um voo direto, acabei incluindo mais um país na lista. Se for viajar de ônibus dentro do Brasil, os preços costumam ser fixos, então é só escolher a época. Na Europa, alguns horários são mais baratos, algumas épocas também e é analisar se ir de ônibus é viável e mais barato. Já contei que fui de ônibus de Bruxelas a Amsterdã por 10 libras?

Acomodação

Hotel, hostel ou apartamento? Eu, via de regra, fico em hostel, a menos que ache hotel por um preço muito bom. E como escolher? Eu costumo usar o site hostelworld, mas o booking também é bom. Seleciono a cidade e organizo os hostels por preço mesmo, para os mais baratinhos aparecerem primeiro. O segundo critério é a avaliação- hostels com menos de 75% de classificação eu nem considero. Escolho um hostel e vejo a localização, porque não adianta nada ficar num hostel excelente longe da região turística da cidade e gastar horrores com transporte. Em seguida, leio as reviews sobre o local, geralmente seleciono as melhores avaliações para ler o que tem de bom no lugar e também as piores, para ver o que deixa a desejar. Claro que precisa ter bom senso para ler as avaliações, porque ao mesmo tempo em que tem pessoas muito desencanadas que dormem em qualquer buraco e acham tudo lindo, também tem gente que esquece o conceito de hostel e avalia como se fosse um hotel. Vejo as fotos do local, o que está incluso no valor (café da manhã? wi-fi? tem locker nos quartos?). Junto tudo isso e faço minha escolha. Tem dado certo até hoje e o único hostel que eu meio que não gostei foi o que fiquei em Amsterdã, de resto, só alegria.

Atrações

Vai viajar só ou acompanhada? Se for só, é só anotar todos os pontos que você quer conhecer. Acompanhado, inclua os da(s) outra(s) pessoa(s). Algumas cidades já tem pontos turísticos bem óbvios e fáceis de incluir, mas vale a pena googar todas as possibilidades possíveis pra sua viagem. Já estamos em 2014, e há muitos blog de viagem, de brasileiros que moram na cidade, enfim, acho muito difícil não encontrar nada escrito por pessoas que estiveram nos respectivos destinos. O youtube também ajuda muito, sempre tem algum vlog ou guia turístico mesmo. Se tiver amigos que já visitaram o lugar, peça umas dicas também, mas oh, sem encher o saco, porque você pode achar tudo na internet, o amigo é mais mesmo para aquelas dúvidas pontuais, ok? Você não é burro nem alejado para não saber pesquisar no Google, né?

Roteiro

Escolhidos os pontos turísticos, eu organizo o roteiro de acordo com a proximidade das atrações e vou fazendo turismo por blocos. Também precisa levar em consideração o tipo de atração e época do ano. Um museu, por exemplo, tem horário de abrir e fechar, um monumento de rua está disponível 24h. Eu posso visitar o monumento antes do museu abrir. Organizando a viagem assim, dá para poupar tempo e visitar mais atrações. E, claro, vale a pena pesquisar sobre walking tours! Já cansei de falar aqui no blog como eu gosto de começar a turistar fazendo um!

Dinheiro

Quanto dinheiro levar? Especialmente em viagens internacionais quando é necessário trocar moeda, essa conta precisa ser feita com calma. Eu calculo gastos com a acomodação (geralmente, o hostel é pago no check-in), o valor das atrações que quero visitar e checo na internet o valor médio de uma refeição no local para calcular gastos com alimentação. Faço o mesmo com transporte. Somo tudo e ainda coloco mais dinheiro para imprevistos e comprinhas. Nunca fiquei na mão.

Transporte

Como sempre me locomovo de transporte público, prefiro chegar no lugar já sabendo como tudo funciona. É bom pesquisar se vai precisar usar muito e se sim, se existe alguma forma de economizar (em Londres, por exemplo, tem o Oyster card). Alguns lugares dá para fazer quase tudo a pé (como em Berlin), mas de qualquer forma, sempre pesquiso qual é a melhor forma de ir e voltar para o aeroporto. Ninguém quer perder o avião, né? Só quando o transporte público é muito inviável que opto por utilizar táxi.

Pesquisando peculiaridades da região

Depois de tudo isso, não custa nada dar uma pesquisada sobre peculiaridades do local só para chegar lá menos perdido. Checar a previsão do tempo também é válido para evitar surpresas.Algumas pessoas gostam de aprender frases básicas na língua local, mas eu sou daquelas que confia 100% no uso do inglês.. hehehe… 😉

FAQ

Depois de dois intercâmbios e algumas viagens por aí (dentro e fora do Brasil), as pessoas à sua volta começam a fazer perguntas. Algumas perguntas eu já perdi as contas de quantas vezes respondi, sem contar que alguns amigos me tacham de doida, porque, né, só pode ter uns parafusos a menos para morar fora do Brasil duas vezes e ter um fogo no rabo siricutico desses de viajar. Confesso que não acho ruim as perguntas, mas às vezes me admiro porque as pessoas se admiram comigo. Oras, eu só juntei minhas tralhas e viajei. Algumas vezes.

E as frequently asked questions (FAQ) são:

Você vai sossegar no Brasil agora?
Sim, gente, estou sossegada no Brasil há 6 meses, embora já tenha andado por ele (ai, Guarda do Embaú, sua linda, saudade!). O que não significa que eu sossegue por aqui for good. Daqui 1 ano ou 2, eu posso estar entediada e tá dáááá: passaporte em mãos e see you soon, Brazil!

Você pretende viajar de novo?
Viajar? Mas é ÓBVIO! Só não viaja quem não sabe o bem que uma viagem pode fazer! Ninguém volta igual de uma viagem! Ninguém! Nunca! Jamais! Citando uma frase clichê de internet “A vida é um livro e quem não viaja, só lê a primeira página.” I couldn’t agree more.

Você pensa em voltar para a Irlanda?
Sim, penso quase todos os dias. Eu sei que reclamo do frio de lá que nem uma velha chata, mas eu sinto muita saudade de morar na Irlanda. Queria ter voltado para lá agora em janeiro (turismo), mas não deu por motivos profissionais (na verdade, eu que tenho uma certa tendência a ser workaholic– poderia ter dito ‘não’), mas penso em voltar assim que possível para visitar e fazer outro mochilão pela Europa. E se você me perguntar se eu penso em morar lá novamente, só o que posso dizer é que não descarto a possibilidade.

Praia de pedra na Irlanda
Saudade de ir para a praia de roupa, né, gente?

Você ainda pensa em morar no exterior?
Sim e já tenho esboço de planos para um futuro nem tão distante assim. Nada muito definido, mas o que me separa dos meus planos é apenas minha vontade de concretizá-los. E vocês sabem que quando eu coloco algo na cabeça

Você trocaria o Brasil pela Irlanda/Estados Unidos/Gringolândia definitivamente?
Não, não trocaria. Eu saio, mas eu sempre volto para a pátria amada e idolatrada cá. Eu gosto muito da descoberta, sabe? De me sentir viva aprendendo coisas novas todos os dias, observando outros costumes e modos de vida e ver o mundo, mas chega uma hora que eu sinto falta do que me faz lembrar minha infância e quem eu sou. Sem contar a falta que faz a coxinha, o pastel e o arroz com feijão da mamãe.

Você gostou mais dos Estados Unidos ou da Irlanda?
Difícil responder. Até um tempo atrás eu dizia “Estados Unidos”, mas não tenho mais tanta convicção de que minha experiência americana tenha sido melhor que a irlandesa. Aliás, só o que as duas têm em comum é que eu chamo ambas de “intercâmbio”, mas foram experiências muito distintas em vários aspectos, então, não é fácil comparar. Começando pelo fato de eu ter ido para os EUA aos 20 anos toda deslumbrada da vida e ter chegado na Irlanda com 24, já com os pés bem fincados no chão. São duas culturas distintas com as quais aprendi muito. Foram dois momentos distintos da minha vida e eu buscava coisas diferentes, minhas motivações não eram as mesmas. Comparar e escolher, então, fica difícil.

Você sente saudade das crianças que você cuidava?
*suspiros*
Se pudesse, teria colocado todas na mala e trago para o Brasil. A ciência ainda há de explicar como que uma pessoa que não sonha em ser mãe pode gostar tanto dos filhos dos outros. A., S., F. e O. serão sempre meus amorzinhos e sempre me alegro ao receber notícias deles, como ontem, que recebi um cartão de feliz ano novo da família americana, os W. 🙂

Como é o inglês da Irlanda?
É “peculiar”. Eles têm muitas expressões e gírias que só eles mesmo falam. Além disso, o sotaque pode ser bem chatinho de pegar no começo, eu não entendia tudo que me falavam quando cheguei. Porém, apesar de ser uma pequena ilha com pouco mais de 4 milhões de habitantes, a Irlanda tem muitos e muitos sotaques diferentes e até mesmo em Dublin há diversos sotaques. Então, sempre vai ter aquele irlandês que abre a boca e você acha que ele não terminou de engolir a batata porque não está entendendo bulhufas, mas também vai ter aquele com um sotaque mais light que não te faz se sentir um analfabeto em inglês. Deus abençoe os últimos. Amém.

Você já está adaptada à vida no Brasil?
Depois do baque do primeiro mês, eu me readaptei completamente a viver no Brasil. Sem crises, sem deprês. Isso só aconteceu na minha volta do primeiro intercâmbio, a famosa depressão pós-intercâmbio. Tô bem e feliz aqui.

Você é rica?
Sim, sou… de berço. Assim como todos os intercambistas.

Não arranjou nenhum namoradinho gringo?
Ai, gente. Jura?  Tanta coisa pra perguntar e me vem com essa? Dá vontade de retrucar: “Por que? Acha que só voltei porque não consegui um passaporte vinho? Quem disse que estava à procura de um, cara pálida?” Mas eu sou educada, sorrio e digo “Não, não viajei pensando nisso, anyway”… AFFFF…

Os irlandeses são bonitos?
Não fazem meu tipo. Mas sabe como são pessoas, né? Tem paulista lindo de morrer, tem paulista feio de matar. Na Irlanda, acredite, é assim também, então não posso colocar todos os irlandeses no mesmo saco e falar que são todos assim ou assado. Tem irlandês coisa linda de se ver, I’m sexy and I know it, mas tem irlandês ruivo, de olhos azuis, cheio de sarda e banguela que parece filhote de chupa-cabra. Acontece.

Você não teve medo de viajar sozinha?
Eu viajei sozinha pela Califórnia em 2008, ao 21 aninhos. Depois viajei all by myself para a Bélgica e a Holanda no ano passado (quando ainda tinha cara de 21). Não, não tive medo em momento algum. Planejei razoavelmente bem as viagens, não fiz trajetos obscuros em horários inoportunos e segui o senso comum. E não, não é deprimente viajar só. Acredito que seja um exercício de auto-conhecimento e de saber estar só na própria companhia. Nesta hora, alguns monstros podem surgir, então, se você não estiver bem consigo mesmo, pode ser um super desafio. Do contrário, enjoy your thoughts! A gente acaba pensando e refletindo muito sobre a vida também. O lado ruim de se viajar só é a) ninguém para comentar o que está conhecendo (mas dependendo da sua companhia, melhor estar só mesmo), b) ter que ficar pedindo para desconhecidos baterem fotos suas ou tirar mil selfies e c) se algo der errado, é sempre melhor se ferrar acompanhado – felizmente, não me ferrei em nenhuma viagem.

Viajando sozinha em San Francisco º 2008
Viajando sozinha em San Francisco, 2008

Você sentia falta do Brasil?
Sim, mas não ao ponto de ficar homesick e chorar. Sentir saudade é normal, mas a minha não era exacerbada. Sentia falta da comida, principalmente quando estava nos EUA – não é à toa que voltei da Terra do Tio Sam 5kg mais magra em 2009. Infelizmente, o feito não se repetiu em 2013.

E estas são algumas das perguntas que mais ouço das pessoas. Tem alguma pergunta faltando aí?