ECM

Eu estudei na ECM e acabei meu curso, oficialmente, no começo de abril. Já falei um pouco da escola aqui e aqui e achei que seria interessante fazer uma última avaliação da instituição (mesmo com 2,5 meses de atraso). Lembrando que qualquer porcaria coisa que eu escrevi reflete apenas a minha experiência estudando lá entre julho de 2012 e abril de 2013 (o curso tem 6 meses de duração, mas eu pedi férias, por isso terminei apenas em abril).

Aulas

Eu frequentei as aulas até a primeira semana de janeiro, quando fui viajar e logo em seguida, comecei a trabalhar. Pedi férias, voltei uma semana em fevereiro, pedi férias de novo, e voltei para terminar no fim de março. Até janeiro eu ia de manhã e tinha aulas com a russa (leia os posts anteriores sobre a escola para saber minha opinião sobre ela), mas quando voltei para terminar, fui à tarde e o professor era da Irlanda do Norte, com um sotaque bem okay e um senso de humor meio sarcástico. Ele ensinava muitas expressões e corrigia pronúncia e entonação, o que achei muito bom. Mas eu sou pentelha, né? E logo no primeiro dia fiz umas duas perguntas que ele não soube responder (essa é para aqueles que acham que professores nativos são os melhores porque, uhnnn, eles são nativos – como se todos os brasileiros tivessem um português impecável). Na mesma semana ele deu exercícios do CAE de Cambridge e comentei que eu havia feito o exame e passado, o que ele ignorou completamente. Resumindo: ele não foi com minha cara. Semanas depois, quando voltei para terminar o curso, ele me olhou com cara de desdém “Qual é o seu nome mesmo?“. Como eu já estava pouco me lixando para o curso, ignorei. Fazia os exercícios todos que ele pedia e assim fui até o fim. Na verdade, nas últimas semanas eu faltei mais do que fui. Já sem paciência, decidi solicitar meu certificado de conclusão de curso pelo site, mesmo sabendo que ainda faltavam duas semanas paras terminar. Para minha surpresa, a escola o emitiu. Fiz as contas e vi que, realmente, faltavam duas semanas para completar o curso, isso contando com as semanas que, teoricamente, a escola disse que eu estava de férias e pelo jeito, não estava. Se considerar que realmente estava e que estas semanas deveriam ser contadas, aí ficariam faltando umas 4 A questão é que eu paguei por 25 semanas e não usufruí de todas elas. Só que do jeito que eu estava entediada e sem paciência, eu adorei esta “falha” da escola.

Tipo eu estudando inglês na Irlanda
Tipo eu estudando inglês na Irlanda

Estrutura

Sei que a ECM estava passando por uma série de mudanças. O último andar do prédio estava sendo reformado para abrigar mais salas de aula, mudaram a sala de computadores e a biblioteca, além do atendimento ao aluno. Ainda assim, até quando estudei lá, a escola estava muito desorganizada. Lista de alunos, frequência, enfim, a escola não conseguia lidar com a quantidade de alunos que tinha.

Atividades extra

A ECM continua promovendo muitas atividades extras (ainda hoje recebo newsletter) e todo tipo de coisa para o aluno se inserir culturalmente no idioma e no país e ter chance de praticar inglês. Se sua prioridade, de fato, é aprender inglês, a ECM te dará muitas oportunidades de praticá-lo fora de aula.

Brasileiros

Ainda havia muitos brasileiros quando terminei, mas uruguaios e venezuelanos estavam aparecendo aos montes também e relatos de amigos que frequentaram as aulas lá há até pouco tempo dão conta de ouvir muito mais espanhol na hora do intervalo no corredor do que português. Claro, você não acha que os alunos falam inglês o tempo todo, né?

Conclusão

Hoje penso que não deveria ter escolhido a ECM, mas não pela questão da qualidade, mas porque paguei por algo que não precisava. É do conhecimento de todos que há escolas aqui que estão mais para emissoras de vistos do que para instituições de ensino (a ECM não chega a esse ponto). Eu deveira ter escolhido a mais barata delas apenas para ficar legalmente no país, já que as aulas da ECM não melhoraram meu inglês em nada e não me auxiliaram nos exames de Cambridge. A maioria dos professores da escola são muito competentes e eu a recomendaria para quem quer aprender inglês, sim. A escola falhou demais na organização, mas sei de fontes confiáveis que estão se esforçando muito para melhorar sua estrutura e creio que a tendência é ficar melhor (porque pior do que estava também não dá, né?). A ECM é uma escola “meio-termo”, não é excelente, mas está longe de ser uma escolinha de inglês.

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Quatro meses de Irlanda

Quatro meses no Velho Mundo e eu…

… já acho tão familiar tantos nomes de ruas e lugares que eu nem sabia que existiam quando cheguei aqui.

… pedi arrego! Não aguentava mais ir para a aula e decidi pedir duas semanas de férias (as escolas não têm as mesmas regras, mas a ECM permite que o aluno peça férias dos 6 meses de curso. Assim, é possível cursar 3 meses, por exemplo, ficar 1 mês de férias e voltar para terminar o curso).

… e sabe o que é pior? Senti falta das aulas! #BiaIndecisa

… sinto falta de lugares que frequentava no Brasil. Sinto falta de pessoas também, mas só algumas. Estou quase começando a sentir falta dos meus empregos também.

… aprendi a me virar bem na cozinha. Não sou nenhuma cozinheira de mãos cheias, mas meu arroz está ficando cada dia melhor. #milagredointercâmbio 🙂

… cheguei à conclusão de que a Irlanda não é tão molhada quando me contavam.

… fiquei frustrada de constatar que morando no Brasil, eu falava inglês de Segunda à Sábado. Morando na Irlanda, passo dias sem falar inglês de verdade.

… às vezes tenho saudade da vida de Au Pair nos EUA: casa, comida e roupa lavada (por mim) + salário digno para gastar com qualquer coisa, menos pagando conta.

… tem hora que esqueço que estou na Irlanda, na Europa… é tudo tão “normal e comum”.

… não sei quando volto para o Brasil!

O sistema bancário irlandês

Antes de ler este post, pare e pense um pouco no sistema bancário brasileiro. Pensou? Agora esqueça tudo que você sabe sobre bancos e conheça o fabuloso sistema bancário irlandês.

Para poder tirar o visto de estudante, dentre outras coisas, é necessário ter uma conta no banco. Por que? Porque você precisa de um extrato bancário provando que você tem 3 mil euricos na conta, só isso. Os estudantes costumam abrir conta no Bank of Ireland (vulgo BOI) ou no AIB (banco escolhido pela pessoa que vos escreve).

Para abrir a conta é só levar um documento de identificação (no caso, o passaporte) e um comprovante de residência (o que significa que você já precisa ter um endereço fixo na Irlanda). Até aí, nenhuma novidade.

O funcionário vai te cadastrar no sistema e abrir uma conta de estudante para você. Aí começa a novidade. Primeiro, que você não vai cadastrar sua senha lá na hora. Segundo, você não sai do banco com um cartão provisório. Tudo que você ganha é um papel do banco informando o número da sua conta e o aviso de que “em 3 ou 4 dias úteis você receberá sua senha e cerca de 1 ou 2 dias depois, o seu cartão”. Sim, Brasil, os correios irlandeses são tão seguros e confiáveis que o banco vai mandar a sua senha (escolhida por eles) pelo correio. E em seguida, seu cartão des-blo-que-a-do. Nessa brincadeira, você vai ficar, pelo menos, uma semana sem poder usar sua conta.

Aí que você esperou, pacientemente, tudo isso acontecer. Foi ao banco e depositou seus 3 mil euros suados e precisa tirar um extrato para levar na imigração e pegar seu visto. É só imprimir no caixa eletrônico? Ok, só que por motivos de segurança (?), seus dados não vêm impressos neste extrato, então, teoricamente (explicarei isso num outro post) este extrato não será aceito na imigração. O que você faz? Vai ao banco e solicita um extrato, que, novamente, chegará pelo correio num prazo de 5 dias úteis. Resumindo, entre abrir sua conta e conseguir o bendito extrato para ir à imigração, já morrem duas semanas. Levando-se em consideração que você vai levar, em média, uma semana para conseguir um endereço fixo, não espere que sua situação na Irlanda seja regularizada em menos de 3 semanas. E isso se você for rápido, muito rápido.

Mas não basta ser correntista de banco irlandês, você quer usar internet banking (eu quis, sou phyna). Você não achou que seria só entrar no site do banco e fazer um cadastro, né? Você vai até a agência e se cadastra pelo telefone. Depois de ficar 10 minutos provando para o atendente que você é você, ele vai te passar um número de acesso (pois, por algum motivo não revelado, o número da sua conta não serve para este fim), e pedir para cadastrar uma senha no teclado do telefone. O que levanta a questão: se eles têm a tecnologia de cadastro de senhas por telefone, porque ela não existe nas agências? Feito isto, você está apto para usar seu banco pela internet também.

O que é muito curioso, além de não ter os dados do correntista no extrato impresso no caixa, é que no seu cartão do banco também não está escrito o número da sua conta. Seria por motivos de segurança novamente?

Mas, aparentemente, não há nenhum problema de segurança em haver caixas eletrônicos como este, no meio da rua:

Recomendação para sua segurança: cubra o teclado quando estiver digitando sua senha!

E por falar em segurança, se você detesta ser barrado nas portas giratórias por causa do seu guarda-chuva, suas chaves, suas moedas ou seus pinos (mas nunca seu revólver), venha mesmo para a Ilha Esmeralda. Eles desenvolveram um avançado sistema para controlar a entrada e saída de clientes das agências. Basicamente, existem duas portas. Ao abrir a primeira, você ficará preso até que ela se feche e, então, a segunda porta será desbloqueada e você terá acesso a agência. Para sair, é o mesmo processo. Cara, eu nunca pensaria numa coisa dessas!

E este é o sensacional sistema bancário irlandês!

Oi, Irlanda! Cheguei!

Escrevi no blog há apenas 2 dias, mas aconteceram tantas coisas desde então que parece que já se passaram 2 semanas.

Voo, Lufthansa e Frankfurt

O voo da Lufthansa no Boeing 747 decolou na hora. Foram longas 11 horas e 20 minutos de voo. 11 horas e 20 minutos. Esse tempo todo dentro de um avião. Assisti um filme, vi seriados, joguei, cochilei, comi, cochilei de novo, joguei mais um pouco e… olha só, cheguei em Frankfurt!

Até teste de personalidade eu fiz!

Gostei de viajar com a Lufthansa, apesar de não ter ninguém na tripulação que falasse português. E vai entender alemão? Mas o serviço de bordo é bom, a comida é boa, apesar de pouca (quando serviram o café da manhã, minha fome era tanta que até ovos mexidos com batata eu encarei) e, no geral, foi tudo bem. Claro, as poltronas mal reclinavam e o espaço para as pernas é mínimo, mas na próxima vida eu vou voltar ryca para viajar de primeira classe. Sorte que nessa sou pobre, mas tenho pernas curtas para acomodar bem entre as poltronas.

Chegando em Frankfurt, tivemos que passar novamente pela segurança do aeroporto. Fui barrada no detector de metais e tive que ser revistada “de cantinho”, porque eu tenho muita cara de terrorista, óbvio. Depois de 4 horas no aeroporto, indo de um lado para o outro porque a Lufthansa não decidia qual seria o portão de embarque, peguei o voo e 1h40 depois estava em Dublin.

Dublin, cansaço e comida 

Dublin me recebeu com chuva.
Não conheço Dublin, nunca tinha visto a cidade no Google Street View, não tinha muita noção. Sabia algumas coisas simples, como nomes de ruas e pontos de referência. E veio aquela sensação de estar mais perdida do que filho de mulher da vida no dia dos pais. Sensação horrível.

Cheguei na acomodação e meu quarto que era individual virou um quarto compartilhado com uma espanhola. Reclamei na agência, claro. Estou no aguardo, mas pelo andar da carruagem, quando resolverem o problema, estarei me mudando para meu teto definitivo. Aguardemos.

Chegamos cansados, famintos e molhados na acomodação. Famintos. Decididos a não nos rendermos às tentações de fast foods, fomos ao mercado e com a bagatela de 20 euros garantimos nosso café da manhã, almoço e janta de, pelo menos, uns 3 dias.

Quem achou que eu sobreviveria à base de fast food, pode morder a língua agora.

ECM, lojas e acomodação

Hoje acordei cedo (porque eu sou uma moça muito disciplinada e não deixei o cansaço me vencer) e fui a ECM fazer meu teste de inglês para descobrir meu nível. E não é que aquele prédio amarelo que eu via no site da escola existe mesmo e do jeitinho que eles explicaram?

Eu deveria estar na foto para mostrar a veracidade da mesma, mas vocês me confundiriam com um panda

O teste é bem simples: só respondi um questionário de 42 perguntas no computador e depois fiz um teste oral, que não passa de um bate-papo, e ta dããã!!! Sou nível avançado (não diga!). As aulas começam na próxima segunda-feira e na sexta preciso voltar na escola para fazer uma orientação (vão me contar todos os segredos de como “virar gente” na Irlanda).

Dublin é uma cidade bem agradável, e se não fosse por suas lojas com preços irresistíveis, seria perfeita (digo isso porque ainda não posso gastar com isso)! E como eu fiz uma promessa de que não me esbanjaria nas compras enquanto não arranjasse um emprego, preciso resistir às tentações desta minha velha conhecida dos tempos que eu morava nos EUA:

Esta loja me persegue. Há várias em Dublin!

Como já falei lá no começo, estou dividindo meu quarto com uma espanhola, a Pilar. Apesar de preferir ficar sozinha, vou confessar que a menina é bacana. Às vezes conversamos um pouco, aí pratico meu pobre inglês enferrujado. Na casa tem mais 2 brasileiros e 1 espanhol. Está bem tranquilo por aqui.

E por hoje é só, pessoal! Volto quando tiver mais coisas para contar (na verdade, já tenho, mas este post já está deveras longo… parabéns para você que, bravamente, leu até o fim!).

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